História O escolhido dos ventos - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Lu Han, Sehun, Xiumin
Tags Abo, Amor Não Correspondido, Baekhan, Baekyeol, Chanbaek, Kaisoo, Sebaek, Sulay, Trouxas
Exibições 45
Palavras 4.520
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Famí­lia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Novamente postando sem revisar o texto, então desculpa qualquer coisa, não repara na bagunça e Boa Leitura!

Capítulo 2 - Herbívoro (Parte I)


Como em qualquer grupo de indivíduos, as essências também estão espalhadas pelo globo. E pelo fato do processo de manifestação ocorrer essencialmente em hospedeiros humanos, o desenho geográfico das entidades representadas acabava por se assemelhar muito mais ao da raça humana do que aos seu próprios irmãos naturais. Em suma, era normal encontrar um urso polar habitando no corpo de alguém que decidiu viver numa zona tropical, somente um pouco difícil para se adaptar, porém não impossível. Também por questões geográficas, encontrava-se com facilidade essências semelhantes em indivíduos sem quaisquer parentescos. E mesmo sem a herança genética familiar, quando esses indivíduos cruzavam seus caminhos, eles eram capazes de se reconhecer.

★★★

Zhang Yixing dobrava-se de rir em frente ao computador. Suas bochechas já estavam doloridas, mas ele não conseguia conter o impulso de gargalhar frente aos seus códigos da época da universidade. Os do primeiro ano eram os melhores, ou melhor dizendo, os mais ridículos. Algumas pessoas estranhavam seu senso de humor ou simplesmente questionavam abertamente o que diabos aquilo tinha de tão engraçado. Contudo, para ele, aquilo era tão engraçado quanto qualquer foto vergonhosa do passado. E durante a sua pequena pausa do trabalho, Yixing resolveu deleitar-se com suas tolices juvenis.

- Que besteira... - repetia dentro e fora de sua cabeça e a cada vez que um novo arquivo era executado. Ele estava descrente da sua capacidade de ter conseguido completar seus estudo sem repetir nenhuma turma de linguagem de programação. Chocado definia seu estado.

Yixing não tinha muito com o que se ocupar naquela ilha, adaptando sua profissão até que suas habilidades fossem úteis para o local, ele terminou estabelecendo-se como um professor de matemática na escola secundária e um técnico-instrutor de informática nas horas vagas. Mesmo que a sua formação fosse para muito além disso. No entanto era difícil ir contra o total estado de alienação da ilha em relação a tecnologia. O que ele poderia fazer além de administrar um minúsculo banco de dados a distância e rezar para que a conexão de internet não caia? Nada.

E era este nada que ele continuaria a fazer se não fosse pela porta da frente de sua casa que quase o levou à um ataque cardíaco pelo barulho estrondoso que fez ao ser praticamente derrubada. Yixing, ainda assustado, estranhou o ocorrido, pois certamente que não era daquela maneira que seu filho costumava chegar em casa. Muito menos seu esposo que, devido ao trabalho, nem ali deveria estar. Talvez fosse seu sobrinho.

As pessoas raramente trancavam suas residências naquele lugar, e eles não eram uma exceção. Felizmente, a criminalidade ainda não havia chegado por aquelas bandas, mas isso não deixou o chinês menos apreensivo enquanto decidia se esperava em sua área de trabalho ou ia ao encontro daquele que invadiu sua casa de maneira tão brusca.

Yixing era um pouco medroso.

- Tem alguém aqui?

Uma voz meio quebrada chamou e o dono da casa não pensou duas vezes antes de lhe responder, afinal, ele havia o reconhecido imediatamente.

- Estou aqui Baekhyun! - gritou, esperando o garoto aparecer na porta da sua sala. O que não demorou muito para acontecer, porém o que ele viu no rosto daquela criança fez o seu peito doer. - O que aconteceu? Cadê o Kyungsoo?! - levantou-se alarmado, passando por Baekhyun e indo procurar seu filho na sala de entrada, não encontrando-o em lugar algum. - O que aconteceu com ele, Baekhyun?!

- Cal... ma, tio. Não aconteceu nada! Ele está bem... - respirou fundo, recuperando o fôlego após tanto pedalar. - Eu acho.

- Como assim você acha? Explica isso direito!

Baekhyun não teve tempo de responder, pois uma cobra fora arremessada contra o vidro da porta da frente por uma ave de penas acobreadas. Yixing deu um salto para trás ao ter a serpente tocando-lhe as pernas assim que deu passagem para os recém-chegados .

- Pega a vassoura! - ordenou para o garoto nas suas costas. Sendo prontamente atendido. - Você não aprende, Kyungsoo?! Cobras são perigosas! - ralhou com o caçador de postura imponente que agia de maneira agitada por ter tanto sua presa ao alcance das garras, e não poder fazer nada, quanto por estar com o tronco e asas enrolados na camisa branca de botões que compunha seu uniforme escolar. - Quando eu jogar isso para fora.. - mostrou a cobra enrolada na extremidade da vassoura. - você fecha a porta e não deixa ele sair, Baekhyun!

O garoto concordou e ele foi fazer aquilo que lhe cabia. Apesar do medo perante aquele tipo de animal, era sua obrigação tomar as rédias da situação para não piorar ainda mais as coisas. Afinal, ele era o único adulto responsável ali. Então foi um alívio quando voltou para dentro e viu seu filho, como humano, sentado onde deveria estar a ave.

- Meu Deus, Kyungsoo, o que aconteceu com você? - Agachou-se ao lado do adolescente, virando-o para todos os lados afim de checar a existência de algum trauma por seu corpo.- Está bem? Não se machucou?

- Pai...

- Por que se transformou, Kyungsoo? - segurou seus ombros, franzindo o cenho e encarando-o nos olhos.- Nós já conversamos sobre isso. - relembrou zangado.

- Foi culpa do Baek.

Baekhyun arfou por ser acusado. Yixing trocou olhares de insatisfação entre os dois garotos antes de voltar-se somente para o filho.

- E essa cobra? Também foi culpa dele?

Kyungsoo desviou o olhar para o chão, visivelmente desconfortável.

- Eu... eu só estava passando e... - balançou a cabeça várias vezes. - Eu tô com fome. - concluiu de maneira cortada, não dando maiores explicações.

- Você sabe que não pode. - o Zhang suspirou frustrado, deixando-se abraçar o filho contra o peito. Ele estava muito preocupado, principalmente depois de ver aquela cobra. Era sabido que deixar Kyungsoo como águia livre por aí poderia acarretar alguns problemas. Ele era um caçador e se não fosse aquela cobra, seria outro animal. E todos estavam cientes da existência de uma família na ilha, cuja essência manifestava-se em forma de lebre. Seria terrível se um encontro inesperado viesse a acontecer. E a cobra... Sim, ele guardava memórias assustadoras sobre isso. Sobre quando Kyungsoo perdeu a luta para uma serpente venenosa e foi picado, quase indo a óbito. Yixing não queria, em nenhuma hipótese, reviver aqueles dias. - Agora expliquem exatamente o que foi tudo isso!

- Pai... eu estou nu.

- Ninguém quer saber do seu pinto, moleque.

- Pai...

- Seu pai vai tirar o meu coro.

- Vou mesmo, Zhang Yixing.

Podemos dizer que os donos daqueles três pares de olhos arregalados pensaram exatamente a mesma coisa ao se darem conta da chegada do outro dono da casa.

Do Junmyeon era o único médico residente daquela ilha. Muito respeitado e querido por todos, o médico Do poderia se considerar possuidor do título de o maior carrasco da vida Byun Baekhyun. Pois eles já passaram por muitas coisas juntos. Quando, por exemplo, Baekhyun prendeu seus chifres em um cerca de arame farpado, o doutor Do estava lá para ajudá-lo. Ou quando ele enfiou uma lâmina de ferro em um dos cascos, novamente o médico Do fora chamado. Mas acompanhado da sempre bem vinda ajuda, Baekhyun também recebia alguns sermões e até uns tapinhas inocentes. Porém dolorosos.

Essa relação mais do que familiar iniciou-se quando a mãe de Baekhyun fez o favor de recitar aquela belíssima frase: Se ele aprontar, pode repreendê-lo. Não fique com vergonha.

E foi assim que a sina de Byun Baekhyun começou.

- Baek. A sua mãe no telefone. - Baekhyun olhou em direção a porta, vendo Junmyeon oferecer-lhe o celular. Ele estava agora no quarto de Kyungsoo, ainda recuperando-se do cascudo que levou na cabeça. Assim como o seu amigo. O tio Junmy, como ele costumava chamá-lo, ficou endiabrado por toda a confusão. Ele disse que alguns vizinhos lhe paravam na rua para avisar sobre uma águia enlouquecida atacando pessoas pelas redondezas. Tudo um exagero, até porque Kyungsoo atacou somente uma única pessoa. E uma cobra, mas esta não conta.- Ela está muito brava por você não atender o telefone.

O que ele poderia fazer se havia utilizado o restinho de bateria para tirar selfies depois da escola?

O Byun agradeceu e pegou o aparelho, pronto para ouvir outro sermão.

-Ah... - o médico chamou antes de deixar o cômodo. - Vocês sabem algo sobre o Luhan? - eles balançaram as cabeças, negando qualquer coisa. E Kyungsoo ainda completou dizendo que não sabia de nada, não. - Aish, por que vocês dão tanto trabalho? - reclamou, retirando-se do quarto. Luhan era primo de Kyungsoo por parte do seu pai chinês, e ainda por cima, viviam na mesma casa! Foi um choque para o Byun descobrir sobre isso.

Mas, naquela altura, já estava anoitecendo e os mais velhos deveriam estar preocupados com o paradeiro do sobrinho.

Kyungsoo deu de ombros e Baekhyun pôs o celular no ouvido. - Alou, mãe...

- Vem. já. Pra. Casa.

 

06 de Março de 2013

Os últimos dias estavam sendo meio estranhos para a família Byun. Baekhyun decidira que se enclausurar no quarto, e mais propriamente debaixo das cama, seria uma ótima solução para os seus temores.

Há dois dias ele teve aquela conversa com os pais, apesar de sua mãe ter tomado praticamente todo o discuso para si, pode-se ouvir vez ou outra os resmungos de confirmação do patriarca em apoio a sua esposa. Baekhyun se pudesse escolher, primeiramente escolheria evaporar da face da Terra, mas não sendo possível esta opção, optaria por não ter tido aquela conversa ou qualquer outra que envolvesse aquele assunto. Na sua cabeça simplista estava tudo resolvido: era só ignorar e seguir a vida. Contudo os adultos adoravam complicar o que já era complicado.

- Aquela criança petulante!

- Ele não é uma criança, querida.

- Mas age como uma! Vindo até aqui com aquela proposta... Ele por acaso estava me subestimando como mãe?

- Foi o desespero, mãe.

- Não se mete Baekbeom!

- Posso ir 'pro' meu quarto?

Toda a família, que incluía os pais, irmão mais velho e sua esposa grávida, encararam o caçula e disseram ao mesmo tempo um sonoro: - NÃO. - fazendo o pobre Baekhyun se encolher contra o estofado do sofá.

- Ele vai ficar na ilha durante todo esse mês...

- Mãe... esquece isso.

- Como esqueceria, Baekhyun? Olha só, presta muita atenção no que eu vou falar: não é porque vocês tem essa... essa coisa, que eu vou passar por cima das minhas responsabilidades como mãe. Eu, sinceramente, apoio totalmente o que você está fazendo meu filho. Que os deuses me castiguem, mas eu apoio sim. Você ainda é muito novo e tudo isso não deixa de ser meio estranho. Mas eu sei que vai chegar um momento que tudo vai mudar, para quê direção? Não tenho certeza, porém só a morte é para sempre. Então eu digo, aqui na frente dessa família, que eu confio em você. Mesmo você não confiando em si mesmo.

- Mãe...

- Cala a boca e deixa eu terminar! - suspirou cansada – Ele vai ficar no lugar de sempre. Então resolva isso.

E no dia seguinte havia uma rosa branca na janela do quarto de Baekhyun. Ele arremessou a flor para longe, completamente desinteressado. Afinal de contas, quem o conhecesse - realmente - saberia que ele não dava a mínima importância para essas coisas e que se alguém quisesse lhe presentear, seria melhor passar no supermercado e comprar muita comida.

Então, no dia depois deste, havia uma caixa com pizza e refrigerante equilibrando-se no lugar onde ele encontrara a rosa. Baekbeom ficou muito agradecido, enquanto Baekhyun estava com dificuldades até para ingerir água.

Ir para a escola também não estava sendo nada agradável para o adolescente, mas sua mãe jamais o deixaria faltar se ele não estivesse pelo menos a beira da morte. Por isso o único jeito fora não enlouquecer enquanto tetava aquentar a sensação sufocante de estar sendo vigiado. A parte boa de tudo isso, era que não apenas ele que estava agindo de maneira estranha naquele lugar, porque Xiao Luhan parecia ser outra pessoa. E quando este cruzava o caminho do Byun pelas dependências da escola, ele deliberadamente mudava de rota, atravessava o corredor ou simplesmente passava ao seu lado fingindo não conhecê-lo. Era inacreditável a forma como fingia nunca ter sido um praticante de bullying.

Kyungsoo havia dito por alto que o primo também estava meio esquisito em relação aos seus pais. Porque em relação ao Kyungsoo ele sempre fora esquisito. Não do jeito que ele era com Baekhyun, afinal, aquilo quase se tornou um bullying reverso. Com o Do ameaçando abertamente se transformar em águia durante a noite para comer os olhos do primo que dormia no quarto ao lado.

Do Junmyeon riu muito quando ouviu isso, Kyungsoo passou mais de um mês dormindo na mesma cama que os pais.

Falando sobre pais: assim como Yixing, Luhan também não possuía uma essência. Resolvendo apenas ignorar para o resto da vida o primo carnívoro.

E agora, ainda embaixo da cama, Baekhyun fazia-se de morto para o resto do mundo. Ele estava absolutamente certo de que haveria algo novamente na sua janela. Ele só não queria saber o que era. Diferentemente da sua família, é claro.

- Cunhado, eu posso pegar esse hambúrguer?

- Pode, YangMi.

- E as batatas? Nossa, tem docinhos...

- Fique a vontade. - não se deve negar comida para uma grávida.

- Baekhyun-ah?

- O que foi, YangMi...

- A minha sogra pediu para avisar que se você não sair daí para ir a escola, ela vem aqui te jogar água quente.

O garoto arrastou-se a contra gosto para fora do “esconderijo”, ele tinha teias de aranha no cabelo e olheiras decorando o rosto pálido.

- Credo!

- É, eu sei...

O caçula dos Byun não ficou menos assustador após tomar banho e se arrumar com o uniforme da escola. O que acabou gerando várias exclamações por onde ele passava. Até Kyungsoo, adepto das artes das trevas, fez um minuto de silêncio ao chegar na escola e por os olhos sobre o amigo.

- De que cu você saiu?

Baekhyun revirou os olhos não acreditando que seria zoado por Kyungsoo, o pinguim de despacho. - Que eu saiba, quem nasceu de um cu foi você. Ou seria de um ovo?

Kyungsoo não gostava nada, nada, de ouvir a opinião do outro acerca da possibilidade de gestação dos ômegas. Mesmo ele sendo um. Pois o garoto estava cego de preconceitos, o que deixava-o suscetível a falar besteiras, o que já não era novidade, e a insultar seus pais. Mesmo que não seja a sua intenção fazer isso diretamente.

Kyungsoo herdara a segunda essência do seu pai ômega, e tinha muito orgulho disso.

- Pelo menos não foi do mesmo cu que nascerão teus filhos. - prosseguiu as provocações. - Espero que ele seja arrombado pelo Chan-

- NÃO FALA ESSE NOME, DESGRAÇA!

Kyungsoo deu um risinho debochado. - Por que? Virou Voldermort agora? Ah, você está com essa cara de pano de chão por causa dele? Sabe que nem sempre estarei por perto para te salvar...

De repente, Baekhyun se via ficando desesperado.

- Para, Kyungsoo!

- Então peça desculpas.

- Quê?! - berrou com a voz mais aguda do que o normal, sinal de que estava nervoso. - Foi você quem começou essa porra!

- E é você quem vai pedir desculpas, e do jeito que eu ensinei.

O sinal tocou para os alunos entrarem em suas salas e Baekhyun sentiu que aquilo foi intervenção divina, porque Kyungsoo não era de Deus.

O período de estudos transcorreu normalmente, assim como nos dias anteriores. Baekhyun estava com a bunda dormente por conta da falta de estofamento nos assentos da sua sala. Naquele dia, Xiao Luhan ignorou-o por três vezes e Kim Minseok não apareceu para lhe alimentar. E Kyungsoo, como um bom amigo, passou deslizando em sua bicicleta, claramente abandonando-o na hora da saída.

Baekhyun estava com dor de barriga, mas não tinha vontade de ir ao banheiro. As vezes a dor tornava-se ânsia de vomito, mas nada saía. Ele estava muito nervoso, porém de um jeito irracional, se é que isso faz algum sentido. Pois não havia real motivo para se encontrar naquele estado, e ele sabia disso. O seu cérebro; sua consciência, essas partes de si estavam em total consenso quanto a isso. No entanto, o sistema nervoso parecia trabalhar de maneira independente, porque não era possível estar com a cabeça tão “tranquila” e o corpo em eminente pânico.

Com as mãos soadas e levemente trêmulas, ele decidiu que talvez fosse uma boa hora para devolver a vida ao celular que já estava há dois dias desligado. E assim que o aparelho registrou rede, vários alertas do aplicativo de mensagem apareceram na tela. A maioria da sua família e uma única de Kyungsoo. Baekhyun esperava algo dali. Ele não teve um sentimento concreto sobre aquele vazio insignificante, apenas um pouco surpreso, ou algo semelhante a isso. Havia um nó esquisito em sua garganta, sentia-se estranhamente como um gato entalado por uma bola de pelos. E olhando para o pátio da escola ficando cada vez mais vazio, ele quis gritar.

★★★

Os tons alaranjados do entardecer sediam lugar no céu para que o plano de fundo perfeito para as estrelas pudesse ser instalado. Aquele pedaço da ilha, em especial, não costumava gerar maiores interesses no que diz respeito a ocupação. Distante do aglomerado populacional e consequentemente de tudo aquilo que pudesse proporcionar um pouco mais de praticidade a vida cotidiana, o lugar fazia jus ao esteriótipo de viver longe do continente e num amontoado de terra, mata e pedras sobre o oceano. E ali, os pedaços que compunham a noite acentuava-se profundamente, elevando o grau de escuridão a imensidão do côncavo do céu.

- Olhou para o mar hoje? - O senhor idoso perguntou, quebrando o silêncio confortável que se instalou no cômodo. Ele estava há horas, praticamente a tarde toda, naquela atividade com o neto mais novo.

- Eu sinceramente não lembro... - o rapaz coçou a cabeça, concentrado demais em montar o casco da embarcação em miniatura. - Quer dizer, devo ter olhado algumas ou várias vezes, como não olharia? - perguntou retoricamente, afinal, a casa do avô ficava a metros do mar. - Mas acho que não dei muita atenção. - concluiu encaixando uma nova peça na proa. - Por que? Havia algo para ser olhado?

- O mar estava dormindo, lembra daquela história?

- O senhor já me contou tantas. - riu soprado, sendo acompanhado pelo mais velho.

- É verdade... Pensando melhor, talvez você não se recorde já que era muito jovem; uma criança. Mas eu falava sobre o espe-

- O espelho da vida. - completou instantaneamente. - Quando a guerra dos quatro ventos deu finalmente uma trégua, tudo parou, incluindo o mar. E neste dia um simples mortal correu até as águas, desesperado, ele tentava tirar a própria vida. Mas quando olhou seu reflexo, ele não viu a si e muito menos a morte que tanto desejava. Ele viu um outro alguém. O pedaço que estava faltando, a engrenagem que faria tudo girara, o motivo de haver um buraco negro em seu peito.

- Eu jurava que você não prestava atenção nas coisas que eu falo. - o rapaz dobrou-se de rir, gargalhando exageradamente até o avô continuar. - Eu fiz chocolate, mas já deve estar esfriando. Vou pegar...

- Fez chocola... - alongou-se com as mãos na lombar, fazendo um arco para trás - ...te? Mas o senhor nem gosta.

- Não é pra mim. - voltou com a garrafa térmica e mais duas canecas.

- Por que trouxe outra então? - apontou para as canecas.

- Você faz muitas perguntas, Chanyeol.

- E o senhor não é o mestre dos magos.

- Mestre do quê? - o senhor Park não obteve a sua reposta, pois o neto virou-se subitamente na direção em que ficava a trilha que levava até a casa. - Oh... já estava ficando preocupado. É melhor você ir, nunca se sabe o que se esconde na escuridão.

Chanyeol entrou em pânico, perguntando-se coisas indefinidas tal como todos os porquês daquela nova situação, ele estava um pouco aturdido. E mesmo assim, não foi necessário que a última sentença do avô adentrasse seu canal auditivo para ele explodir em sua essência, pois Chanyeol sabia muito bem dos perigos encobertos pelo manto das sombras.

Naquela forma ele era capaz de enxergar cerca de 40 à 60% a mais que um humano normalmente conseguiria, além da sensação exacerbada de toque sob as patas. Essas características contribuíam fortemente para que o fato de não seguir a trilha fosse sequer uma preocupação. Mas sobre tudo, havia um motivo para ele preferir se embrenhar na mata densa ao invés de deixar clara a sua presença: Chanyeol estava completamente nervoso. Medo seria a palavra correta.

A idade lhe dava a dádiva da consciência, mas ali estava ele, como qualquer outro animal em perigo, sendo tomado pela vontade eminente de se enfiar em uma toca. Qualquer buraco capaz de esconder seu corpo já seria uma opção viável. Era lamentável o estado decadente em que se encontrava; um adulto nos altos dos seus 24 anos agindo como um filhote que se perdeu da ninhada.

A razão para tudo, para todos os seus pelos se eriçarem, estava no meio da trilha usando o celular como lanterna.

- Eu sei que você tá aí! - ele gritou nitidamente irritado. Os cabelos negros revoltosos, o vinco entre as sobrancelhas e o movimento agitado dos lábios... como se estivesse prestes a rosna. Instigou a visão afiada de Chanyeol a permanecer focada em cada um desses pequenos detalhes. Na expressão cuja força, Chanyeol concluiu, derrubaria até o maior e mais imponente de todos os exércitos. Era esplendoroso. - Não me faz de trouxa, não!

Se pudesse rir naquele forma, o Park estaria gargalhando. Pois o único trouxa ali parecia ser ninguém mais do que ele mesmo. E agindo o mais inocentemente possível, ele saiu de entre as árvores. Pondo-se de frente para o outro.

Baekhyun deu uns bons passos para trás, quase tropeçando em meio a escuridão. Ele tinha medo, Chanyeol sabia, pois era instintivo. Da mesma forma que ficava contente ao saber que Baekhyun poderia reconhecê-lo mais facilmente do que no passado, entristecia-lhe a alma perceber que mesmo nos mais simples fatores naturais eles ainda permaneciam tão distantes. Era como se os deuses quisessem brincar quando puseram o filho caçula da família Byun em sua vida.

E dividido entre correr ou aproveitar a chance rara de estar perto dele, Chanyeol ergueu a cabeça para encarar melhor aquele que lhe causava tantos sentimentos involuntários. Mas sua visão foi encoberta e ele só pôde sentir a dor repentina de algo acertando em cheio seu focinho.

Foi um celular que saiu desmontando-se pelo chão.

- POR QUE ESTÁ ASSIM!? - Baekhyun explodiu em histeria. - VOCÊ! VOCÊ... Você tem que ir embora! NÃO CHEGA PERTO DE MIM! - Chanyeol parou todo e qualquer movimento. - O que veio fazer aqui? Você não cansa disso? Pois eu sim, eu estou farto de... DE TODA ESSA MERDA! Eu não consigo dormir, não consigo comer, não consigo ficar um minuto sem sentir essa coisa... - massageou a região do peito, sobre o coração. - ISSO ESTÁ ME DEIXANDO DOIDO! Eu só quero ser normal...

“Do ângulo em que estavam, Baekhyun parecia-lhe levemente grande, alto. Mas a senhora Byun estava coberta de razão, pois ele ainda era somente uma criança. E toda a situação deveria ser muito complicada para os seus ombros tão jovens suportarem, Chanyeol entendia isso. O Park entendia coisas sobre Byun Baekhyun que nem o próprio entenderia. Contudo não deixava de doer quando era seguidamente enxotado, com sentimentos claros de desprezo.

Nem sempre fora assim, mas aquela fase de aceitação perdurara por tão pouco tempo que hoje parece que ela nem existiu.

Chanyeol desejava profundamente que Baekhyun fosse realmente feliz, na verdade, isso era tudo o que ele mais desejava em sua vida. Mas seu lado egoísta também acumulava desejos, apesar de que a essa altura, ter a simples oportunidade de ouvir a sua voz já lhe parecia um milagre dos céus.

- Por que eu não posso ter o controle sobre o meu próprio corpo? - o seu tom quebrou de maneira sôfrega, chorosa, assim como o peito de Chanyeol partiu-se em pedaços. Como o mais frágil dos cristais. - Por que, Chanyeol, por que eu não tenho esse direito?”

Baekhyun deslizou para o chão, visivelmente cansado. Algumas lágrimas escorriam por seu rosto e Chanyeol, em sua forma animal, teve o impeto de lambê-las. Mas ele sabia que não deveria fazer isso. Assim como sabia que o adolescente não gostava de chorar, de fato, esse tipo de demonstração emocional poderia ser encaixada perfeitamente na sua lista de acontecimentos excepcionais. Então isso infelizmente significava que estava doendo tanto nele quanto em si. Talvez muito mais nele do que em si.

E ainda falando sobre descontrole, o Park não conseguiria explicar quando suas patas tornaram-se pés ou como ele foi parar com os braços em torno daquele que, agora, lhe parecia tão pequeno.

- Calma, amor, vai ficar tudo bem...

- Não vai. - empurrou Chanyeol pelo peito desnudo. O que fez ele abraçá-lo ainda mais. - Me deixa, Chanyeol, por favor.

Aspirando o perfume dos cabelos negros como se dependesse somente disso para sobreviver, o Park declarou o que efetivamente lhe atormentava. - Eu não consigo. Eu realmente não consigo, me desculpa, amor. Me perdoa por favor. Me perdoa... Mas eu não consigo.

O som dos insetos foi tudo o que ele pôde ouvir depois. E Chanyeol ficou preocupado quando Baekhyun não mais lhe respondeu, ou tentou escapar de seus braços. Na verdade ele parecia estar em choque, paralisado. Foi, porém, quando o corpo menor que o seu começou a tremer repetidamente que ele se viu em pânico.

- Baekhyun? O que foi, Baekhyun? - segurou-o pelos ombros, mas seu rosto estava curvado para baixo. E as mãos que antes lhe repeliam, agora cravavam-se em seus braços. - O que você tem? - então ele se contorceu, deixando o topo da cabeça bater contra o seu peito. - Me diz, pelo amor de deus, o que você tem!

- Chan...yeol. As minhas...

- O quê, amor? Eu não consigo ouvir! - Ergueu seu rosto, praticamente forçando-o a encará-lo. Baekhyun franzia o cenho, claramente em dor. - Eu vou te levar pra casa agora mesmo!

- As minhas pernas... Chanyeol... as minhas pernas. - Segurou-o quando ele quis carregá-lo. - Está acontecendo de novo. Tá doendo!

Com os olhos arregalados, ele agiu em segundos. Puxando o cós da calça social até arrebentá-lo, em seguida levando a peça do uniforme escolar aos pés do garoto. E mesmo sem a vantagem visual que a essência lhe proporcionava, ele pôde constatar, com ajuda do tato, o que de fato estava acontecendo.

Baekhyun estava mudando. Uma de suas pernas já pertenciam ao cervo.

 

CONTINUA


Notas Finais


Eu sempre pensei em fazer do Xing um professor de exatas. Ele seria professor de química, tem até uma montagem dele rolando por aí sobre isso, mas daí lembrei que eu odeio química e que sou o meme vivo da Nazaré confusa nessa área. Então resolvi puxar para o meu lado e por isso ele é um profissional de TI dhfsnisvdwdlbks. A única diferença é que ainda sou uma estudante.... é, pois é. Inclusive passei a madrugada inteira com a maior cara de derrota porque o gcc(compilador) enfresca com a função gets() e meu código em C não funfava. Flopei bonito, flopei rude nesse trabalho. Mas a vida que segue.
Enfim... Essa primeira parte deveria estar no capítulo anterior, mas eu tenho muita preguiça de escrever e por causa disso as coisas saíram pela “metade”. O Sehun também deveria ter aparecido nesse capítulo, que seria um pouco maior, mas tá foda e ele fica para o próximo mesmo
PRÓXIMO CAPÍTULO: FUNERAL CELESTE
...spoiler do caralho esse título

Ah, gente, se alguém comentar e eu não responder. Não é porque eu estou ignorando vocês, e sim porque eu dormir mesmo


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...