História O feiticeiro, o lobo e o caçador. - Capítulo 1


Escrita por: ~ e ~KgFanfics

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Sehun, Suho, Tao, Xiumin
Tags Chanlay, Chansoo, Chanxing, Drama, Kg!lay, Laysoo, Não É 3some, Slight Angst, Sooxing, Zyx1
Visualizações 104
Palavras 7.980
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Lemon, Magia, Romance e Novela, Slash, Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Risos

Agradecendo a @Bomma que fez essa capa maravilhosa, ainda não me recuperei.

Plot do projeto doado pela @Yume-ni, rainha que veio com esse hino de tema que me fez ficar loucaço aqui.

Aproveitem a leitura.

Capítulo 1 - 'the wolf.


2015.

Lay tombou a cabeça para trás, tragando daquele cheiro recente da chuva no ar. Seus lábios curvaram-se em um sorriso satisfeito.

— Como está se sentindo, mestre?

O feitiçeiro olhou para o maior, parando de andar para esperar que o mesmo lhe alcançasse.

— Me sinto vivo. — respondeu, sem perder o sorriso nos lábios. — Quase me esqueci de como era um beijo. — completou, rindo e ajustando os óculos escuros em seu rosto.

— Podemos vir aqui mais vezes, se desejar, senhor. — Chanyeol sugeriu, sorrindo para o menor.

— É óbvio que voltaremos aqui, Channie. — riu, enganchando-se no braço do lobisomem. — Quero comer aquele negócio... hmm... como se chama mesmo? Aquele que é redondo e...

— Pizza, mestre. — Park riu, jogando o braço sobre os ombros de Lay, de maneira quase protetora, enquanto que com a mão livre, tirava o celular do bolso. — Chamarei um Uber e, quando estivermos em casa, pedirei a pizza.

(...)

O mundo não era tão superficial quanto aparentava. Haviam milhares de coisas escondidas sob o tapete da humanidade e, infelizmente, continuavam daquele jeito: escondidas na escuridão. Os humanos controlavam o mundo, não era novidade nenhuma, porém muitos eram só fantoches de seres mais poderosos — geralmente anjos ou demônios —, que tomavam suas decisões com base nos desejos de tais criaturas.

Haviam os vampiros, ghouls — familiares dos vampiros —, várias espécies de lobisomens, hibrídos, anjos, demônios e feiticeiros. Comunidades grandes, que sempre viveram e continuariam a viver nas noites — como se fossem destinados à escuridão eterna.

Porém, talvez os mais odiados do submundo, talvez fossem os feiticeiros.

Os tais eram mestiços, de demônios ou anjos que cúpulavam com humanos. Nasciam com a imortalidade cravada em si, mas cheiravam e pareciam-se com humanos. Também portavam poderes, que herdavam dos pais imortais. A gestação, por ser um período difícil, dificultava e muito que aparecessem novos feiticeiros, então eles era apenas uma espécie em semi-extinção.

Eram odiados por serem terrivelmente manípuladores. Com os dons que recebiam ao nascerem, conseguiam causar o que bem entendessem; desgraçar a vida de qualquer um em poucos segundos. Os primeiros vampiros e ghouls eram resultados da ira de um mestiço — que, com o passar do tempo, foram se reproduzindo e tornando-os uma espécie de comunidade imensa. Maldições eram uma das especialidades de um feiticeiro.

Porém, eles não eram os únicos a serem odiados naquele mundo. Haviam os Caçadores das Sombras, um clã de criaturas desapegadas ao submundo, que viviam para caçar outras criaturas e, claro, feiticeiros. Não eram muitos, eram poucos, como os mestiços, mas treinados para sobreviver até mesmo à fúria de um licantropo na Lua Cheia.

— Mestre? — Chanyeol chamou e Lay o olhou, desviando a atenção do recém adquirido smarthphone.

— Sim?

— Você... sentiu aquilo? Na noite passada? — questionou, meio hesitante, jogando os fios longos e negros para trás e prendendo-os em um rabo de cavalo.

— Tesão ou... — disse, rindo do revirar de olhos do maior. — Os Caçadores. Senti.

Park franziu o cenho, preocupado. Óbvio que ele ficaria preocupado! Foi obra de um desgraçado como aqueles que seu mestre dormiu por dois séculos e meio! Com sua alma condenada ao Inferno sem direito de retorno ao corpo por todo aquele tempo! O lobo dentro de si ouviava, louco para vingar-se do filho da puta que havia feito aquilo com Lay.

— Não se preocupe, querido, raposa velha é raposa esperta. — o feiticeiro observou, notando a preocupação do amigo. — Venha aqui. — chamou, deixando o aparelho de lado.

E Chanyeol foi, como um cão obediente — coisa que realmente era. Joelhou-se na frente do menor, fitando o interior daqueles olhos mistos — com a esclera completamente negra, contrastando com a íris vermelha e intensa. Lay talvez fosse a criatura mais bela que pisava no mundo, com toda aquela aura demoníaca e sensual sobre si.

— E-eu... eu não quero que aquilo aconteça novamente, mestre. — confessou, baixinho.

— Já disse que não precisa me chamar assim, Channie. — sussurrou, curvando-se e roçando a pontinha de seus dedos mornos sobre as bochechas alheias. — Ainda mais quando estivermos sozinhos. — completou, com aquele sorriso sensual, tipíco do demônio dentro de si. — E nada vai acontecer comigo, querido.

— Mesmo assim, mestre, eles evoluíram com o tempo e...

— E minha alma não ficou vagando pelos castelos infernais de meu pai à toa por duzentos e cinquenta anos, Chanyeol. — interferiu, de sobrancelhas arqueadas. — Não te deixarei sozinho novamente, não se preocupe.

E Park mordeu o próprio lábio, de um jeitinho muito fofo, coisa da qual Lay amava. Curvou-se um pouco mais, apenas para deixar um selar carinhoso sobre a boca do maior.

— Channie? — chamou, baixinho, com um sorriso malicioso nos lábios. O lobo o olhou. — Sabe do que mais senti falta?

— Sexo, mestre? — brincou, obtendo o riso do menor, que lhe deu um tapa leve no ombro. Chanyeol sorriu também, sem se afastar.

— Quase isso.

— Quase como? — questionou, de sobrancelhas arqueadas.

O feiticeiro sorriu ainda mais, lambendo os lábios cheinhos; deixando-os úmidos e ainda mais desejosos.

— Sexo com você.

(...)

1522, Inverno.

Assim como os humanos, as criaturas do submundo também eram divididas em diversas etnias e culturas. Vampiros, por exemplo, divergiam para duas espécies. Os Ghouls eram vampiros que foram ressuscitados por uma segunda vez — tornando-os ainda mais sedentos por carne e sangue, ao ponto de que sobreviver apenas do liquído da vida já não era mais o suficiente.

O mesmo ocorriam com os Lobisomens — estes que possuíam uma taxa de espécies maior. Haviam os amaldiçoados — geralmente por algum demônio, anjo ou feiticeiro —, que perdiam totalmente o controle sobre seus atos e, eram meras marionetes para criaturas mais poderosas. Haviam hibrídos de lobo, que não deixavam de ser uma ramificação de uma linhagem de lobisomens — que tinham filhos com humanos. Tinham, também, aquilo que chamavam de Puro-Sangue — como em todas as espécies, alguém que tinha um sangue totalmente puro, descendendo diretamente das primeiras criaturas existentes.

Lobos, no geral, viviam em matilhas e estabeleciam um território. Cidades grandes da atualidade eram disputadas entre Vampiros e Lobisomens — mas, felizmente, conseguiam chegar em acordos e estabelecerem regras entre si.

Park Chanyeol era um Puro-Sangue, de uma matilha que, certa vez, já foi uma das mais poderosas do mundo. Vivia no Oriente, nascido numa alcatéia nômade, que vagavam do extremo norte da atual Coréia do Norte, cruzava a China e perdiam-se nas montanhas geladas da Rússia Siberiana. Era uma família temida, de lobos fortes e de linhagem pura.

Porém, após uma traição dentro da própria matilha, uma guerra no submundo estourou no Norte; causando a aniquilação daquele grupo e de vários outros que participaram do conflito. Chanyeol perdeu seus pais, irmãos, primos, amigos. Sabia que, apenas mais um de sua matilha havia sobrevivido e desaparecido.

E Park, a beira da morte, onde estava tão ferido e incapacitado até mesmo para pensar em vingança, foi salvo. Ele nunca diria que foi um anjo que o salvou, porque não foi. Era um demônio belo demais, de pele tão clara quanto a neve e de íris tão avermelhadas quanto o sangue que manchava o branco do chão.

— Me diga, quantos verões tem, rapaz? — a voz suave lhe perguntou.

— Vin... Vinte e dois. — sussurrou o lobo, não sentindo mais seus dedos, devido aos ferimentos.

— Gostaria de viver mais? Ou prefere ficar aqui até morrer? — questionou o demônio, agachado ao seu lado.

— Eu não... não tenho mais ninguém. — Chanyeol respondeu, com dificuldade para respirar. — Viver ou morrer... agora não me faz diferença alguma. — completou. O outro riu, baixinho, encolhendo-se dentro de seu casaco pesado de pele de raposa.

— Bom, também estou sozinho no mundo. — disse, molhando os lábios com a pontinha da língua. Havia algo de cintilante nela, Park notou. — Desde que nasci.

— Sua... infância deve ter sido horrível. — debochou, arrancando mais um riso do menor.

— Com certeza, foi. — concordou.

Chanyeol sabia que estava falando com um mestiço; e que coisas boas não vinham de tratos com mestiços. Mas talvez... apenas um talvez... ele quisesse viver mais. Ver mais verões, conhecer outros lugares além das planícies brancas aonde havia nascido e vivido. E, a cada segundo que se passava, sentia seu sangue escorrer ainda mais pelos ferimentos; o período da Lua Nova tornava-o mais fraco, seus ferimentos eram profundos demais para serem cicatrizados — ainda mais por terem sido causados por instrumentos de prata.

Talvez aquele demônio fosse quem o guiaria para o outro lado.

— Sabe, do outro lado do outro lado do horizonte, beirando o grande ocêano, há um lugar de clima agradável. — comentou o outro, fitando Park. — É bem diferente daqui.

— Parece ser... um lugar divertido.

— Não para quem vive sozinho. — riu, sem humor. — O que acha de vir comigo, Chanyeol? — sugeriu, com um sorriso bonito, do qual o lobo obrigou-se a se manter de olhos abertos para continuar vendo. E nem pensou em questionar como o outro sabia de seu nome.

— Não sei se percebeu... mas não estou em condições para viajar... — sussurrou, com um sorriso fraco.

O mestiço se aproximou de Park, ladeando o corpo do lobo com suas coxas e ajeitando-se sobre si. Chanyeol pensou que iria urrar de dor, mas era como se não houvesse nada e nem ninguém sobre seu corpo. Talvez aquilo fosse toda uma alucinação sua.

Os dedos finos do menor passeram por seu rosto, tocando gentilmente suas feridas, fazendo a pele do maior formigar e aquecer-se.

— Podemos fazer um acordo, o que acha? — sussurrou, próximo aos seus lábios. Chanyeol já havia beijado outras pessoas, mas a sensação de ter aquele cara perto de si, deixava-o ansioso demais.

— E te dar a minha alma? — retrucou, sabendo dos tipos de acordo que feiticeiros faziam. O outro sorriu, de maneira que até mesmo seus caninos sutilmente afiados se mostrassem.

— Não, a sua companhia. — respondeu. — E o seu coração, se possível.

Park fitou o outro por muito tempo. Ou talvez foram só alguns segundos, mas a sua morte próxima o fizera pensar que tenha durado demais. E suas pálpebras comeraçam a pesar demais, assim como seu coração tornava-se um pouco mais lento.

— Sempre quis... ir ao grande mar.

(...)

2015.

Lay observou o outro dormir.

Era uma de suas atividades favoritas, aquela — observar alguém que amava descansar.

Chanyeol respirava, expirava. Suspirava baixinho durante o sono, às vezes até murmurava alguma coisa. Mexia-se só um pouquinho, molhava inconscientemente os lábios com a pontinha da língua e fazia algumas expressões adoráveis. Era a coisa mais meiga do mundo, para o mestiço.

Seus lábios praticamente adquiriam vida própria, em momentos como aquele. Selavam carinhosamente o rosto alheio, os lábios, o pescoço e a clávicula. Até ouvir aquele riso rouco e baixo, típico timbre de quem havia acabado de acordar.

— Sentiu falta de mim ou do sexo, mestre? — debochou, fazendo Lay rir e erguer os olhos em sua direção.

— Você sabe que foi dos dois. — respondeu, esgueirando-se para sentar-se sobre o abdômen do lobo. Os cabelos compridos e negros de Park estavam espalhados pelos travesseiros, suas orelhas felpudas relaxadas e seus olhos dourados brilhando em alegria. — E já te pedi para me chamar pelo nome, Channie. — completou.

Park riu, trocando as posições com cuidado. O mestiço gostava de como os fios longos do maior caiam sobre os ombros dele, de como eram sedosos ao toque.

— Mas disse-me para chamá-lo pelo nome só quando eu estiver dentro de você. — retrucou, com aquele sorriso brincalhão, exibindo seus caninos. Lay arqueou as sobrancelhas, mas não demorou para sair com aquele sorrisinho safado de sempre.

— Então está esperando o que para me foder? Um convite à mão?

(...)

Lay deu uma espiada pela janela. A Lua brilhava fortemente no céu, indicando que a Lua Cheia estava próxima. Sendo uma criatura da noite, o mestiço sempre era mais ativo nas madrugadas. Deixando seu trabalho acumulado para aquelas horas — mesmo que ele raramente dormisse.

— Como se sente? Respirando o ar puro novamente.

O feiticeiro não precisou desviar os olhos das suas poções para saber quem era. Estava quase terminando uma mistura.

— Me sinto vivo, acho. — respondeu, após terminar o serviço e deixando-o de lado. Seus olhos se encontraram com os do outro e, logo ele abriu um sorriso. — Até demais.

— Depois de um cochilo daqueles, era de se esperar que estivesse bem. — o outro riu, recostando-se em um dos sofás.

— Você acordou recentemente também, pelo que me lembre. — Lay disse, recostando-se em frente à sua mesa.

— Dez anos atrás, não é muita coisa.

— Para quem vive aqui em cima, é sim, Baekhyun.

Byun Baekhyun era um demônio — não um mestiço como Lay, um demônio puro-sangue —, da mesma família do feiticeiro. Eram primos, se fossem analisar bem. O ruivo havia sido preso no Inferno por ter provocado alguém do alto-escalão angelical, juntamente com alguns caçadores das sombras, que tramaram contra si e o aprisionaram lá embaixo.

— Chanyeol ficou bem, se é isso que te preocupa. — o demônio respondeu, suspirando. — Ele sabe se cuidar. É um filhotinho quando está com você, mas é uma besta quando se trata de outros assuntos.

— Eu sei, eduquei ele direitinho. — o mestiço brincou, suspirando em seguida. — Mas ele se sentiu sozinho. E pude sentir isso lá do Inferno, Baek.

— Vocês são próximos demais, é compreensível. — comentou, coçando o queixo. — Pretende ir atrás de quem te pôs pra' tirar aquela sonequinha?

E o feiticeiro sorriu.

— Não. — respondeu, brevemente. — Eles estão vindo atrás de mim.

— Ual, que cara popular. — Byun riu. — Aquele cara já apareceu? — questionou, de sobrancelhas arqueadas.

— Ainda não. Mas sei que ele está perto. — disse, gesticulando para a janela.

Chanyeol entrou na sala, alternando seu olhar entre o ruivo e seu mestre. Estava com caixas de comida e sorriu, andando e deixando-as sobre a mesa de centro.

— Eai, Baek.

— Eai, Chan. Feliz com seu dono de volta? — provocou, fazendo o maior revirar os olhos. — Quando acordei, vim ver como ele estava. O coitado estava arrasado, só faltava chorar em cima do teu corpo.

— Cala a boca, Baekhyun. — resmungou, em resposta, jogando-se numa das poltronas. — Mestre, trouxe frango frito, pizza e batata frita... E refrigerante também.

— Tá' vendo? E ele ainda te mima muito. — Baekhyun riu. — Não fique mimando esse cara, vai estragar ele com essas porcarias.

— Obrigado, Channie. — Lay sorriu, sentando-se em um dos sofás e gesticulando para que o primo se sentasse ao seu lado. — E ele não está me mimando, está me dando comida.

— Ata. — o ruivo revirou os olhos, atacando uma das caixas de comida, onde havia frango frito. — Quando estava livre de novo, vim ver como as coisas estavam aqui. Então vinha fazer visitas para o Chan, não deixar ele na depressão sozinho e coisas do gênero.

— Te agradeço. — o mestiço riu, baixinho, não conseguindo evitar de achar fofo as bochechas coradas do lobo, mesmo que ele parecesse pronto para atacar o demônio.

— Nha, não foi nada. — Byun sorriu, dando-lhe uma piscadinha. Seus olhos completamente negros adquiriam um brilho malicioso. — Depois que terminarmos aqui, podemos ir à uma boate. O que acham? — sugeriu. Park grunhiu e Lay sorriu, enquanto comia a sua pizza.

— Me soa melhor do que ficar aqui sem fazer nada. — o feiticeiro respondeu, bebericando do seu refrigerante e das batatas fritas. — Vamos, Channie?

— Não posso deixá-lo sair sozinho com esse cara. — o maior respondeu, enchendo a boca de comida e, o fato de ser um lobisomem, só fazia com que a fome dele se tornasse monstruosa. — Ele atrai muita confusão.

— Que nada, você tá' é com ciúmes. — debochou, fazendo o lobo revirar os olhos e Lay rir.

(...)

1523, Primavera.

Faziam séculos desde que Lay vivera naquele lugar, desde que tinha se juntado ao Clã dos Do e passado a agir como conselheiro dos mesmo.

Era um castelo, como todos os feitos na época — de pedra e de aparência sombria, no topo de uma colina rodeada por um bosque. Porém, o mestiço achava aquilo confortável. E estava tudo do jeito como havia deixado, só que tudo mais empoeirado e solitário.

— Viveu sozinho aqui? — Chanyeol perguntou, olhando ao redor. Já havia visto castelos antes, mas nunca viu ninguém viver sozinho em um.

— Por um tempo, sim. — Lay respondeu, enquanto terminavam de ajeitar as coisas. — Mas depois tranquei tudo e fui fazer outras coisas.

Park ainda se recuperava de seus ferimentos, que não eram mais tão graves e muito menos ameaçavam a sua vida — apenas o seu bem estar, já que ainda incomodavam um pouco e ele era um tanto quanto dengoso demais. Nunca tinha estado fora do Norte e, conheceu lugares e pessoas diferentes, no tempo que havia passado com o mestiço. Sabia que seu acordo poderia não ter mais volta, mas também não é como se ele estivesse se arrependendo daquilo.

O castelo do feiticeiro cheirava a problemas — no sentido filosófico mesmo. Parecia um labirinto, ótimo para pregar peças em intrusos e coisas do gênero. Chanyeol levou um tempo para conseguir andar pelo lugar sem se perder e precisar chamar o mestre para ajudá-lo.

Outra coisa que surpreendeu o lobo, foi que ele não se sentiu desconfortável e muito menos rebaixado ao chamar o menor de mestre. O acordo era servir ao baixinho, então ele serviria com toda a sua honra. Talvez sua experiência de quase-morte tenha lhe mostrado que ele só precisava amadurecer um pouquinho mais. Que ele precisava de alguém lhe dando instruções e ordens de como crescer.

— I-isso é grande mar?! — perguntou, surpreso, correndo pela areia fina. Seus pés descalços deixavam pegadas bonitinhas naquele tapete macio, a brisa geladinha bagunçava seus cabelos e o cheiro do ocêano lhe envadia as narinas.

— É sim. Na verdade, é chamado de ocêano. — Lay contou, com um sorriso bonito, andando logo atrás de si. O Sol ainda não havia raiado e, o mestiço disse que levaria o maior para uma surpresa. — Lá do outro lado, há mais povos e culturas.

— E criaturas como nós? — questionou, com os olhos dourados brilhando em felicidade.

— Sim, milhares delas, como aqui. — riu, enganchando-se no braço do maior e andando com ele, na beira da praia, onde as ondas mais baixinhas molhavam seus pés. — Podemos ir lá, um dia. O que acha?

— Mas... como nós vamos atravessar isso, mestre? — o biquinho de Park pareceu adorável demais aos olhos do mestiço, que riu, novamente.

— Podemos ir de barco, que é o meio que os humanos usam, ou... — sorriu cúmplice para o rapaz. — Podemos fazer como criaturas das sombras e simplesmente usar algum outro meio de teletransporte.

Lay via Chanyeol como um raio de Sol; morno e agradável. Tudo bem, ele não era de se aproximar demais das pessoas, muito menos permitir que elas o conhecessem melhor ou que orbitassem perto de si. Mas o lobisomem lhe atraira desde que o vira lutando para proteger a família, desde que o encontrara sobre a neve manchada de sangue. Via, em Park, algo que não deveria desaparecer.

Um conforto, talvez. Onde tinha se abrigado nos últimos meses.

— Vai me ensinar a fazer poções também, mestre? — perguntou, observando atentamente o menor mexer em alguns vidros com substâncias estranhas.

— Só se quiser, Channie. — o mestiço riu. Os cabelos do maior estavam na altura da nuca e os ferimentos curados. As orelhas do mesmo mantinham-se de pé, atentas a qualquer som.

— E... é como nos livros? Você pode mesmo amaldiçoar alguém para a eternidade? — Park estava sentado perto de si, com os olhos dourados brilhando em animação. O feiticeiro amava aquilo, achava uma graça.

Realmente, Lay podia amaldiçoar alguém pela eternidade — coisa que já havia feito, por sinal. Poderia condenar a alma de alguém ao Inferno, transformar humanos em lobisomens, vampiros ou ghouls. Tudo aquilo dependia do nível de poder de um mestiço e, bom, ele em específico era um bem poderoso.

— Posso. — respondeu, com um sorriso simples. — Mas, infelizmente, muitos dos problemas voltam a nos perseguir, depois de um tempo, sabe? Querendo vingança.

— Bom... — Chanyeol coçou o queixo, esticando-se no divã onde estava, parecendo pensativo. — Mas se o senhor quiser dar cabo aos seus problemas, não seria mais útil e fácil matá-los e nunca mais se preocupar com a volta dos mesmos? — perguntou. O feiticeiro deixou suas misturas de lado, sorrindo para o lobo, que arrepiou-se todinho. Era algo carregado de maldade.

— Seria. — respondeu, simplista. — Mas, Chanyeol, no mundo as coisas não são assim; eu não sou tão bom assim, para dar um fim rápido para pessoas desse tipo. — falou, recostando-se na mesa. — É muito melhor vê-los sofrendo, remoendo-se e corroendo-se no próprio ódio por toda uma eternidade, como uma tortura infinita, do que deixá-los irem serenamente para o Vale dos Mortos.

Park ficou olhando-o por muito tempo, até assentir, abaixando suas orelhas.

Lay não queria e talvez nunca conseguisse fazer mal à aquele rapaz. Porque, mesmo ele sendo um lobo e existindo um desejo de vingança dentro de si, era alguém bom e que merecia ver o lado bom da vida. O mestiço, por outro lado, tinha sua cota de coisas ruins feitas — poderia culpar sua natureza demoníaca, mas não era o caso —, que lhe garantiam uma centena de inimigos.

— Se... esses problemas vierem atrás de você, mestre, irei acabar com todos. — disse, sério, surpreendendo o menor, que depois de um tempo, sorriu para si.

— Então é melhor praticar mais, querido.

(...)

2015.

Chanyeol tinha um interesse anormal em observar seu mestre. Quer dizer, achava-o bonito — talvez o cara mais belo que pisasse sobre a Terra —, mas não era só por uma questão de beleza que seus olhos acompanhavam o menor para cima e para baixo. Foi observando-o que aprendeu, por exemplo, a ser alguém muito mais furtivo. Aprendeu alguns truques, algumas poções, algumas estratégias e alguns hábitos. Era um hobby seu, guardar aquela criatura com seus olhos.

E, quando a questão era a aparência do outro, era uma coisa estranha — porque Park sempre achava-o cada dia mais belo. Lay tinha retentores de poder, que nos dias atuais eram vistos como tatuagens e piercings. As marcas em sua pele, como o contado pelo próprio feiticeiro, foram feitas em tinta sagrada e os selos impressos eram apenas maneiras de mantê-lo sob controle, assim como era feito com outros demônios ou criaturas. Já os supostos piercings — incluindo na língua, do qual o lobo amava, principalmente quando era beijado —, eram feitos com a prata mais pura encontrada, aparentemente banhada em águas sagradas.

— No que está pensando, Channie? — Lay perguntou, desviando o olhar do celular.

— Em nada, mestre. — respondeu, sem-graça por ter sido pego no flagra, com um biquinho. O menor riu.

— Channie?

— Hum?

— O que são memes?

Park levou uns segundos para processar o que tinha ouvido, até cair na gargalhada. Suas últimas semanas haviam sido assim: recebendo diversas perguntas dos mais variados assuntos atuais. O mestiço até tinha lhe pedido para ser ensinado a usar o Twitter, a usar os aplicativos de pedido de comida e a como tirar selfies. E, mesmo que o lobisomem não fosse um viciado em tecnologia, ensinava todo feliz e orgulhoso ao outro tudo o que sabia.

— São fotos ou frases engraçadas e de efeito que as pessoas geralmente usam para se expressar em determinado momento. — respondeu, levantando-se do sofá e cruzando a sala, agachando-se ao lado do feiticeiro. — Alguns são tirados de filmes, séries e programas de TV... Aí só vão fazer sentido caso os assista.

— E por que as pessoas se gravam fazendo sexo e colocam isso na internet? — questionou, mostrando a tela de seu smathphone para o maior.

Chanyeol quase caiu duro no chão, pegando o aparelho das mãos do menor e saindo dos sites de pornográfia. O outro ficou o olhando com aquelas expressões confusas e fofas — das quais sempre tinha, quando o maior agia impulsivamente e dizia ou fazia alguma besteira.

— M-mestre... esse tipo de coisa... — gaguejou e mordeu o lábio. — É que... tem gente que é muito solitária nos dias de hoje... e tem os que se excitam vendo isso...

— E você vê esse tipo de coisa? — Lay riu, vendo a careta do lobo, que devolveu o aparelho ao menor.

— Não, acho nojento e sem graça. — respondeu.

— Mas você se sentiu solitário, não? — perguntou. Não havia malicia em sua voz e, quando Park o fitou, notou aquele brilho nos olhos alheios, aquele que fazia-o se sentir amado.

Park realmente se sentiu sozinho. Por duzentos e cinquenta anos, velou o corpo do mestiço, esperando-o acordar de sua prisão. A dor havia sido insuportável; era tudo silêncioso demais, sem graça demais. A Lua Cheia, quando chegava, apenas tornava-o ainda mais amargurado. E claro, seu desejo de vingança vinha com ainda mais força. Lay havia, de certa forma, se tornado o seu mundo. Foram dois séculos ao lado dele, aprendendo coisas, descobrindo o mundo e a si mesmo. Talvez aquele fosse o motivo que fazia-o amá-lo tanto.

Chanyeol não o respondeu, apenas baixou as orelhas e desviou o olhar. Ainda sentia-se timído com algumas coisas, principalmente quando tratava-se de seus sentimentos pelo menor. Ele sabia que mestiços tinham uma natureza egoísta e narcisista; que nasceram para serem criatura sozinhas e desprovidas de emoções humanas, que existiam apenas para causar discórdia e conflitos. Mas não era assim que o lobo via seu mestre.

Conheceu outros feiticeiros em sua vida, via um vazio no olhar deles que nuna encontrou em Lay; via uma frieza na existência dos mesmos que nunca viu no outro. O mestiço era diferente: via o universo de maneira diferente, era quente, era carinhoso. E o maior sequer conseguia lembrar de quando percebeu estar perdidamente apaixonado pelo mesmo.

— Prometo não te deixar sozinho de novo, Channie. — o feiticeiro disse, depois de um tempo, com aquele sorriso caloroso nos lábios.

E Park acreditou, óbviamente.

(...)

1523, Outono.

— Adotou um cão, é? — Byun perguntou, surgindo das sombras, como normalmente fazia. Lay ergueu os olhos em direção ao primo, que sentava-se em um dos sofás.

— Chame-o de cão e você acabará sem a cabeça, Baek. — o mestiço respondeu, tirando os olhos de seus papéis. — O que te trás aqui?

— Vim te visitar, oras. — falou, falsamente, coisa que não enganava ao outro. — Ouvi sobre o que aconteceu com o Clã Do. Qual a sua participação naquilo?

Lay respirou fundo. Aquele assunto, bom, ele queria enterrado à sete palmos da superfície, assim como todos os membros daquele Clã.

— Você sabe bem qual foi a minha participação, Baekhyun. — disse, sentando-se na mesa de centro, de frente ao primo.

— Mas deixou aquele cara vivo. — o demônio rebateu, arqueando as sobrancelhas.

— Deixei.

— Ele virá atrás de você, sabe disso. — suspirou, levantando-se e enchendo duas taças com vinho, entregando uma delas ao mestiço, antes de se sentar.

— Um dia, virá. — concordou, levando a bebida até os lábios. — Mas por enquanto, contento-me em observá-lo de longe.

— Ele quer matá-lo, Yixing.

O feiticeiro sentiu aquele arrepio por todo seu corpo, coisa que acontecia quando o chamavam pelo verdadeiro nome. Era uma tática muito usada para atrair a atenção de demônios — e o mestiço não deixava de ser um. Porém, o tom preocupado do parente o fez ficar quieto por mais tempo que o normal.

— Não irá conseguir, pelo menos não nas primeiras vezes que tentar. — falou, por fim.

— Por que deixou-o vivo? — o ruivo questionou, após esvaziar sua taça e lamber os lábios.

Os dois fizeram aquela longa troca de olhares. Byun fechou suas pálpebras.

— Não direi ao seu pai que manteve o cara vivo só por ser apaixonado por ele. — comentou, voltando a fitar o primo.

— Virou espião dele agora, Baek? Que decadência. — o mestiço riu, sem humor. — Os meus problemas, eu resolvo. Ele pode continuar recluso no Castelo dele, não me fará diferença alguma, desde que não interfira nos meus problemas aqui em cima.

— Ele tem medo de que aconteça o mesmo que aconteceu com sua mãe, sabe disso. — Baekhyun respondeu.

— Não, ele só não quer conviver comigo e lembrar-se de minha mãe todos os dias. — o feitceiro retrucou, de sobrancelhas arqueadas, levantando-se em seguida.

O barulho da porta se abrindo chamou a atenção dos dois presentes naquele comôdo. Chanyeol havia entrado, com cara quem havia acabado de acordar.

— Achei que não fosse levantar mais hoje. — Lay comentou, sorrindo todo carinhoso. Achava Park muito bonitinho quando tinha acabado de levantar. Os olhos do lobisomem brilhavam de maneira desconfiada para o demônio ruivo no sofá.

— Senti uma presença diferente aqui. — murmurou, gesticulando para Byun.

— Tem um bom faro, ele pode ser útil, sabia? — Baekhyun debochou, virando-se para fitar o lobo. Surpreendeu-se com o tamanho do mesmo, e com o cheiro forte. — Ual, está explicado o seu interesse nele, primo.

— Deixe-o em paz. — o mestiço deixou um tapa na nuca do ruivo. Park atacaria, se lhe fosse ordenado. — Este é meu primo, por parte de pai claro, Byun Baekhyun. — Lay apresentou para o lobisomem. — Embora ele tenha um caráter duvidoso e esteja agindo como um rato, é alguém de confiança. Muita confiança.

— Fico lisonjeado com isso. — o demônio resmungou. Chanyeol farejou no ar, aproximou-se encarou bem o menor. — Relaxa, não vou aparecer aqui para matar seu mestre enquanto ele dorme.

— Te mataria antes de tentar alguma coisa. — o lobo respondeu, rumando para o outro sofá. Seu mestre sorriso, todo orgulhoso, rindo do olhar indignado que recebeu do primo.

— Vai deixar ele me tratar assim? — questionou.

— Vou, você merece. — Lay disse, voltando a se sentar, desta vez ao lado de Chanyeol.

(...)

2015.

Chanyeol achava engraçado o jeito como seu mestre andava pelas ruas noturnas da cidade, adorando os anúncios nos prédios, em neon e em como os jovens eram descarados e assanhados. Gostava e queria até tirar fotos de Lay, que se impressionava com o conteúdo nas vitrines e lhe perguntava o que eram as coisas esquisitas daquela era. Em Londres, onde estava a mansão de ambos, estava tudo diferente. Apenas os monumentos históricos continuavam os mesmos ali.

— Há várias boates por aqui, mestre. — Park comentou, notando o interesse do menor nas placas de neon. — É um bairro conhecido por isso. Há bares também, restaurantes e motéis.

— Motéis? — os olhos do mestiço prenderam-se em si. Chanyeol mordeu o lábio.

— São basicamente a mesma coisa que hotéis, mas... geralmente as pessoas usam para passar uma noite só e ter mais privacidade para terem relações sexuais. — respondeu.

— Nós dois não precisamos disso, hm? — Lay sorriu, mostrando-lhe aquela covinha lindinha. Park quase desmaiou de vergonha, ele ainda ficava afetado com coisas assim. — A mansão é confortável até demais, sem contar que podemos fazer sexo em qualquer lugar dela.

— I-isso é verdade. — respondeu.

— E felizmente não temos empregados e nem ninguém para nos incomodar. — o feiticeiro continuou, todo animado e entrelaçando seus dedos aos do maior. — Só o Baekhyun, que pode aparecer em algum momento inconveniente, mas acho que ele não ligaria em nos ouvir.

— Ele é um pervertido, mestre. — Chanyeol riu, ficando o mais próximo possível do menor. Gostava de como os poucos jovens que caminhavam pela rua olhavam-os como se fossem um casal.

— É coisa de família isso. — Lay comentou, dando-lhe uma piscadinha.

Park não ligou muito quando seu mestre puxou-o para um beco. Quer dizer, já era de madrugada, nenhum humano — esperto o suficiente — vagava por aqueles cantos em horários como aqueles. E bom, eles só queriam dar uns beijos, como adolescentes normais daquela era. Chanyeol estava prestes a roçar seus lábios os do mestiço, quando sentiu aquele arrepio na espinha e o som de passos. De imediato pôs-se à frente de Lay, olhando para as sombras, onde duas figuras surgiam.

— Ora, ora. O que temos aqui? — a voz debochada do individuo ecoou, trazendo, de imeadiato, um ódio anormal no peito de Park. O maior teria avançado sobre o Caçador das Sombras, mas seu mestre o segurou no lugar.

— Ora, ora, ratos fora do bueiro. — Lay respondeu, tomando a frente.

— O que você é? — um dos Caçadores farejou o ar. — Humano não pode ser.

— Sou gentil o suficiente para avisar que saiam do nosso caminho. — o mestiço disse, tirando os óculos escuros que escondiam suas orbes incriminadoras. — E muito paciente também, porque detesto que me interrompam.

Chanyeol não gostava de quando Lay ficava sério demais; porque cada pelo de seu corpo se arrepiava, sentia aquele cala-frio na coluna e todas as células de seu corpo fazia-o sentir vontade de correr. Feiticeiros eram criaturas das quais os Caçadores sempre estavam atrás, mas que não eram fáceis de se encontrar. O lobo até teria dito que era uma má ideia seu mestre se expor daquela maneira, mas preferiu ficar quieto — e morrendo de vontade de dar um fim naqueles ratos.

Os Caçadores não disfarçaram quando pegaram suas armas.

— Mestiço, é? Não é grande coisa. — o mais alto deles disse e riu. — E esse teu vira-lata? Sequer conseguiram nos sentir chegar.

Lay riu e Park não conteve o rosnar.

— Noites atrás, eram vocês dois nos seguindo. — o feiticeiro disse, pegando o lobisomem de surpresa ao fazer um carinho entre suas orelhas. — E hoje, estão atrás de nós desde que saímos daquele... como é o nome mesmo?

— Pub, mestre. — Chanyeol falou, sentindo uma onda estranha de calmaria invadir o seu ser.

— Isso mesmo, pub. — o menor voltou a fitar os Caçadores. — O cheiro de vocês é repugnante, e obviamente são novatos na Ordem, já que não tem um minímo de treinamento. — Yixing sorriu, irônico. — Ou o nível de vocês simplesmente caiu demais. — provocou. — Quanto ao meu garoto aqui... Bom, vocês não vão querer ver ele irritado. — avisou. — Não conseguiriam lidar com uma besta de dois metros e meio e com dentes dos tamanhos de seus dedos.

— Calado, mestiço, você irá para o Inferno, lugar onde deveria estar preso.

Um dos Caçadores avançou, com ódio em seus olhos esverdeados. O jovem parou no meio do caminho, de olhos esbugalhados. Chanyeol não se moveu, assim como o outro assassino. A pele do atacante foi se tornando algo escurecido, rachado e sensível. Em poucos segundos, não havia nada além de pó, no lugar onde já fôra seu corpo.

O segundo ficou parado, no lugar onde estava, paralizado. Lay farejou o ar e torceu o nariz.

— Fecharei os olhos e vou fingir que não o vi fugir. — o mestiço disse, abaixando a mão que ainda apontava em direção ao monte de pó do outro Caçador. — E mande um olá para seu comandante.

(...)

1657, Primavera.

Chanyeol mordia os próprios lábios, alternando o olhar entre a janela — que mostrava a Lua Cheia no céu — e entre seu mestre, que escrevia algumas coisas em sua agenda. Sentia aquela ansiedade no peito, coisa comum naquela época do mês; uma vontade louca de correr, de morder, de marcar território e de fazer... sexo. É.

Lobos tendiam a aliviar suas vontades sexuais na Lua Cheia, que é quando os desejos e os instintos davam as caras. Aquilo deixava-o quente, com a pele formigando, com os caninos coçando e com as mãos suando. Felizmente, não era um lobisomem descontrolado; sabia controlar bem a suas transformações — ainda mais depois de toda a ajuda do feiticeiro —, sabia manter a calma e sabia que iria passar mais uma longa semana afogando-se nas próprias vontades.

Embora tenha vivido por mais de cento e trinta anos com o mestiço, sequer tinha coragem para fazer-lhe perguntas mais pessoais — ainda mais sobre a vida dele. Quer dizer, já haviam se beijado algumas vezes — Lay dizia que Chanyeol ficava com expressões lindinhas demais quando sentia vergonha —, mas não haviam passado daquilo.

Não que Park se diminuisse. Sabia que era belo, sabia que tinha um corpo atraente e que sabia como seduzir alguém. Mas o mestiço estava em outro patamar de sua vida; não era como um simples humano, muito menos com os lobos com quem transava na sua matilha extinta.

— Não quer sair, Channie?

O lobo acordou de seu transe, olhando para o mestre, que tinha fechado sua agenta e jogado-a para longe.

— Não, senhor. — disse, fazendo o outro arquear as sobrancelhas.

— Tem certeza? Não está se sentindo bem?

— Não eu... quer dizer, estou... mas... — gaguejou, ficando frustrado consigo mesmo. Park parou, respirou fundo e suspirou em seguida. — Estou bem, mestre.

O menor obviamente não estava acreditando em si, porque tinha um sorriso debochado nos lábios avermelhados. Lay estava esticado no outro sofá, de frente para Chanyeol. A Lua Cheia não afetava apenas os lobos, afetava à todas as criaturas sombrias, deixando-as um pouco mais poderosas e sedentas do que o normal.

— Por que você não me diz o que deseja, Channie? — Lay questionou, por fim. Todos os pelos do corpo do maior se arrepiaram e, ele estava tentando não enlouquecer com o perfume alheio. — Sabe que vou te dar qualquer coisa que me pedir.

Park mordeu os lábios novamente, desviando o olhar, por fim. Ouviu, então, o riso baixo do mestiço, que levantou de seu lugar e caminhou até si. O mesmo, sem pudor algum, sentou-se sobre as coxas do lobo, roubando todo o ar dos pulmões do mesmo. Bom, Chanyeol estava com problemas sexuais e Yixing sentado em seu colo não era lá uma coisa muito boa para sua sanidade.

— Olhe para mim, Chanyeol. — o menor pediu. O lobisomem fez seu esforço, erguendo os olhos para o mestre. O cretino tinha um sorriso arrebatador nos lábios, parecendo estar feliz com alguma coisa. — Está com vergonha de me dizer o que quer, querido? Você está tão quente...

— É-é a Lua Cheia, mestre. — murmurou, precisando controlar suas mãos, que coçavam para apertar cada pedaço do corpo alheio. Lay ageitou-se sobre seu corpo, ladeando-o com suas pernas e sentando-se exatamente sobre sua virilha. Park não conseguiu conter o grunhido devido a pressão em seu membro.

— E se eu tirar as suas roupas, o calor irá sumir, hm? — perguntou, começando a desabotoar, calmamente, a camisa do maior.

— Será bom... — respondeu, engolindo em seco com os arrepios que sentia, ao ter os dedos mornos roçando sobre seu peito e abdômen.

— Chanyeol, vou te ensinar uma coisa. — falou, parando de despir o lobo e fitando-o intensamente. — Durante todo esse tempo que vivemos juntos, deixei que lidasse da maneira que desejasse com esse período. Então, a partir de agora, não esconda o que está desejando de mim, hm? — disse, segurando o queixo alheio com a ponta de seus dedos. — Sinto teu cheiro pela casa toda, querido, e fico com vontade de simplesmente tirar a minha roupa e te obrigar a me foder, porque você não é o único a estar querendo algo à mais aqui, entendeu?

Park arqueou as sobrancelhas e sentiu sua voz ser roubada, porque sequer conseguia responder ao menor. Ficou olhando-o, boquiaberto e sentindo vergonha de si mesmo.

— Mestre, e-eu...

— Yixing. — interrompeu o outro, sorrindo para si. — Quero que me chame por meu nome quando estivermos assim, Chanyeol.

Chanyeol concordou, sentindo-se livre, então, para firmar suas mãos nas coxas do mestiço, puxando-o para o mais perto que conseguiu.

— Eu... estava com medo de ser rejeitado. — confessou, mordendo o lábio. — Antigamente, talvez por ser filho do alfa da matilha, conseguia quem eu bem entendesse para passar esses dias... Mas... — suspirou, olhando firmemente para o outro.

— Mas?

— Mas com você é diferente. — respondeu, mais sério, tentando parecer o lobo que realmente era. — Não quero só trazer satisfação para mim, mes... Yixing, quero que você fique satisfeito também, e que goste tanto quanto eu...

O feiticeiro riu, baixinho, pegando Park de surpresa ao abraça-lo, rodeando o pescoço do mesmo com seus braços. O maior sentiu aquela pontada de vergonha, queimando um pouco seu rosto — com medo de ter estragado o suposto clima entre eles. Mas, quando sentiu os lábios suaves doe outro passeando por seu maxilar, precisou se controlar ainda mais para não fazer nada de indevido.

— A sua existência já me deixa muito satisfeito, Chanyeol. — o mestiço sussurrou, ao pé do ouvido do lobo, daquele jeito arrastado e malicioso. — E não duvido em nada da sua capacidade de me fazer gostar disso. — completou, deixando um selar no canto dos lábios do mesmo, com um sorriso nada fofo.

— Então... isso é um sim? — questionou, fechando os olhos e gemendo, quando o outro rebolou, propositalmente, sobre sua virilha.

— Isso é um passe livre para você me foder quando quiser, querido.

(...)

Chanyeol acordou, embolado em mantas e almofodas, sobre aquele tapete grosso e requintato, em frente à lareira. Não estava sozinho e, sorriu ao notar que estava sendoe observado. Lay fitava-o com curiosidade, com um sorriso bonito nos lábios e com suas íris vermelhas brilhando. Park sentiu-se muito satisfeito, ao notar os pontinhos avermelhados e arroxeados pelo corpo do menor, marcas de mordidas e chupões, até mesmo alguns arranhões.

— Como se sente, querido? — o mestiço perguntou, apoiando a bochecha no peito nu do lobisomem.

— Muito bem, mestre. — respondeu, sorrindo e realizado. — E você, senhor?

— Me sinto muito bem também. — riu, aconchegando-se no maior, como um gatinho muito carente. Chanyeol ficou todo bobo, deixando que o mesmo se enrolasse em si como desejasse. — Sabe, embora pareça o contrário, não é todo mundo que tem a mesma sorte que você, sabia?

— O que quer dizer, mestre? — questionou, de cenho franzido. Yixing ergueu o rosto para fitá-lo e sorriu.

— Que, na minha longa existência até agora, só deixei que duas pessoas me tocassem assim. — falou, com um sorriso meio tímido. Logo torceu o nariz e sorriu. — Duas e meia, se contarmos com Baekhyun. — comentou, rindo, em seguida. — Não me olhe assim, não é minha culpa se sou seletivo demais.

Chanyeol estava todo realizado.

Quer dizer, muito realizado.

Park teve uma vida sexual bastante ativa, quando ainda vivia no Norte, sempre tinha um ou outro companheiro a tiracolo, para não passar os períodos sozinho e para se satisfazer. Ele teve sua juventude agitada e tinha sido até mesmo um cara um tanto quanto ruim em questão de relacionamentos, mas havia mudado no último século, para melhor, no caso.

— É que... você realmente não se parece com alguém casto e recatado. — Chanyeol falou, fazendo o menor gargalhar. — É sério, mestre! Já se olhou no espelho? É coisa de demônio isso? Parecer que transa com qualquer critura que ande sobre duas pernas? — continuou, meio indignado. Estava morrendo de felicidade por dentro, no entanto.

— Vou tomar isso como um elogio, querido. — o mestiço disse, secando as lágrimas nos cantinhos dos olhos. — Mas, respondendo a sua pergunta, nem todos os demônios ou meio-demônios são sexualmente ativos demais. Evitam isso, na verdade, para não ter dor de cabeça no futuro.

— Filhos, quis dizer?

— Exatamente. — Yixing sorriu, esgueirando-se para subir em cima do abdômen de Park, acomodando-se ali, numa posição um tanto quanto provocante para o maior, que precisou controlar a vontade de apertar seus dedos em torno da coxa muito tentadora do mestre. — Geralmente escolhem um parceiro para toda a eternidade, assim não há risco nenhum.

— Você já... pensou em manter alguém ao seu lado pela eternidade? — questionou, timidamente levando suas mãos para a coxas do mestiço, descançando-as ali.

— Já. — respondeu, curvando-se e selando os lábios do lobo. — E ele quer a minha cabeça numa bandeja.

Chanyeol não entendeu direito aquilo, pelo menos, não na hora.

(...)

2015.

Mesmo sem ter ouvido ou visto nada de suspeito, Park já sabia que havia alguma coisa estranha acontecendo.

— Tem certeza disso, mestre? — perguntou, observando-o. Lay estava sentado sobre o tampo de sua mesa, bebericando seu chá.

— E por que não teria? — respondeu, sorrindo calmamente para si.

— Bom... é um pedido estranho. — falou, prendendo os fios longos num rabo-de-cavalo e enfiando as mãos dentro do bolso.

— Não minta para mim, garoto. — o mestiço advertiu, com uma sobrancelha arqueada. Chanyeo respirou fundo, depois suspirou. Deixou os olhos fechados por alguns instantes, apenas para tentar encontrar as palavras certas.

— Acho que algo irá acontecer, mestre, portanto estranhei que me desse essa ordem. — confessou, sério e firme. — Sinto em cada nervo do meu corpo, sinto que algo ruim pode acontecer. Você me mandando para longe é suspeito demais, devo dizer.

O feiticeiro olhou-o por muitos segundos, antes de rir baixinho, soprado. Deixou sua xícara vazia sobre a mesa, gesticulando para que o maior chegasse mais perto de si. Hesitante, o lobo foi.

— Está certo, talvez algo de ruim possa acontecer. — falou, fitando o lobisomem intensamente. — Mas não será agora. Coisas ruins sempre acontecem, Chanyeol, é só mais um dos ciclos do Universo. Vá com Baekhyun fazer o que lhe ordenei, sem preocupações. — continuou, mais sereno que o normal. — Não fique preocupado, querido, quando voltar, ainda estarei aqui. Prometi que não lhe deixaria sozinho, não é?

— Sim... — sussurrou, próximo o suficiente para sentir a respiração quente de Yixing batendo contra seu rosto.

— Então faça como ordenei. — Lay sorriu, acariciando sua bochecha com as pontinhas dos dedos.

— Por quanto tempo, mestre? — questionou, apoiando suas mãos no tampo da mesa, ladeando o corpo do menor com seus braços. Sentia o perfume do mesmo impregnar-se em cada pedacinho de si.

— Baekhyun lhe avisará quando irão retornar, não se preocupe. — assegurou, puxando o rapaz pela barra da cama, para ainda mais perto de si. — Confie em mim, Chanyeol, se algo for acontecer, garanto-lhe que será quando você estiver por perto.

Chanyeol concordou, mesmo ainda relutante com a ideia. Seus braços circularam a cintura alheia, puxando o mestre para um abraço. Park gostava de ser maior e de como conseguia cobrir o outro com seu corpo, de uma maneira confortável e gostosa.

— Não me deixe longe por muito tempo. — sussurrou, apertando-o um pouco mais contra seu peito. — Eu amo você, Yixing.

E ele ouviu aquele riso baixinho, assim como sentiu ser puxado pelos ombros. Estremeceu com o toque suave os lábios do mestiço em seu pescoço e maxilar, até estarem ao cantinho de sua boca. As íris avermelhadas de Lay brilhavam como sempre — aquele mar de coisas misteriosas e indecifráveis. Chanyeol já sabia qual seria a sua resposta.

— Eu sei, querido.


Notas Finais


Kakakaka não sei o que to fazendo da minha vida. Sei que tenho várias atts pra fazer, mas essa fic é importante, então rs.

Tem um projeto lindo e cheiroso rolando, chamando Kingdom!Fanfics, seu debut se iniciou com o Yixing e estamos na primeira fase. Recomendo que participem e dêem uma olhada nesse perfil aqui >>>> @KgFanfics

Queria mandar um beijão e agradecimentos à @Yume-ni, que foi a criadora dessa maravilha e que provavelmente vai odiar essa fic, porque tô super inseguro com ela. Espero que ti goste, Gil.

Mandar um oi pra @yixingod, de quem roubei esse user novo.

E claro, agradecer a todo mundo que me apoio e disse que esse lixo não estava tão lixo assim. Em breve tem att dela, não se preocupem rs. Perdoem os erros, não betei porque sou fogoso e ansioso demais com fanfic.

AH! Façam suas apostas já, ein. Yixing vai ficar com quem? Rs.

Ademais, era só isso. Obrigado à quem leu tudo, um beijo pra minha namorada @sayan-girl que aturou meus surtos de insegurança nas madrugadas. Mais um beijo pra minha mamãe @MoonaDoYeol que provavelmente vai querer me socar por estar dizendo que essa fic não é boa.

Um beijo pra todas as pessoas cheirosas daqui. Até mais, amores, byebye.


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