História O Garoto da sacada - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Chanyeol, D.O, Personagens Originais
Tags Chansoo, Kyungyeol
Exibições 38
Palavras 2.330
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Fluffy, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Boa leitura ~

Capítulo 4 - Quase um assassino


 

 

Abri a porta do apartamento e não consegui ver nada. Todas as luzes estavam apagadas e, além das janelas estarem todas fechadas, tinham cortinas blackout. Resumindo, nenhuma luz vinda de fora do apartamento conseguia entrar. Demorei um pouco pra achar o interruptor, mas, no fim, consegui ascender as luzes. O apartamento era bonito, um pouco menor que o meu, bem decorado e organizado – apesar de tudo estar empoeirado.

- Eu tenho um ótimo gosto, não acha? – Park se pronunciou.

- É... – Me virei para encará-lo e ele estava sorrindo largo parado no batente da porta aberta. – Vamos logo, me mostra esses papeis.

- Não me apressa que eu não funciono sobe pressão.

Suspirei já sentindo a impaciência surgir e ele começou a andar. O segui enquanto prestava atenção nos outros detalhes do apartamento. Vi algumas fotos penduradas nas paredes e me arrepiei quando vi o garoto da sacada numa delas. Diferente de agora, todas as pessoas na foto pareciam saber que ele estava ali, ninguém o ignorava, como aconteceu enquanto andávamos do meu apartamento até aqui. Na foto, ele parecia estar concentrado em tocar seu violão e as pessoas ao seu redor pareciam aproveitar seja lá qual for a música que ele estava tocando. Vi outras fotos também, em cima da estante da sala. Em todas elas o sorriso enorme dele aparecia e, mesmo que sejam apenas fotos antigas, tenho vontade de sorrir junto. O sorriso do Park é contagiante.

- Estão aqui. No meu quarto. – Disse me fazendo parar de sonhar acordado e encarar a realidade assustadora na qual eu me encontro.

Então ele ficou parado olhando pra minha cara e, eu não entendi no início, mas logo me lembrei que ele não podia abrir portas. Rodei a maçaneta com pressa e dei de cara com mais escuro. Ascendi a luz e a primeira coisa que notei foi a cama de se casal meio desarrumada, era como se ninguém tivesse tocado em nada, tudo tinha sido deixado do jeito que estava. Quem será que se deitou por ultimo naquela cama? As estantes e os enfeites de personagens de filme colocados em cima delas estavam empoeirados, como os móveis da sala. Achei o violão que vi nas fotos e também um teclado em cima da mesa de computador. Percebi que uma das gavetas do guarda roupas estava aberta e logo percebi que era ali que estavam os papéis dos quais Park tanto falou.

- O que você quer que eu encontre? – Perguntei pegando o primeiro papel e passando os olhos rapidamente.

- Algum endereço de onde meu corpo pode estar, um hospital ou, pelo menos, meu nome. – Respondeu enquanto observava com atenção os objetos do próprio quarto.

- Esses papéis não são documentos, parecem mais poesias. – Eu disse, depois de ler os versos românticos escritos e vários daqueles papéis. – Você não se esqueceu de tudo mesmo?

- Sim... – Soltei os papéis quando ouvi ele suspirar desanimado. – Eu não sei mais o que fazer.

- Bom, eu fiz o que eu podia.

Saí do quarto deixando um Park pensativo e cabisbaixo sentado na cama. Não é culpa minha se na casa não tem nada que possa ajuda-lo, eu já fiz o que combinamos que eu faria, então ta na hora de eu ir pra casa e dormir até mais tarde amanhã. É o que eu mereço depois dessa noite maluca.

Passei pela sala voltando á olhar pra todas aquelas fotos nas prateleiras das estantes. É mesmo uma pena que isso tenha acontecido com ele. Não o conheço, mas seu fantasma não parece ser mau, mesmo que ele tenha invadido a minha casa. Quando já estava me preparando para sair, percebi que, em baixo de um dos porta-retratos havia um envelope. Não querendo ser um bisbilhoteiro, mas já sendo, fui até a estante e, deixando a marca dos meus dedos na foto empoeirada, peguei o envelope.

- Park? – Chamei enquanto lia as letras impressas no envelope. – Acho que achei uma pista.

- O quê? – Vindo do quarto, apareceu num segundo.

- Você recebeu uma carta de um hospital em Daejeon, aqui só tem o envelope, então não sei do que se trata. – Vi a expressão triste em seu rosto ganhar alguma esperança. – O destinatário é de outro endereço, mas seu sobrenome ta aqui.

- Daejeon? Como eu vou chegar lá? Quase me perdi quando tentei te seguir até o trabalho. – Me olhava como se eu fosse dar uma solução pros seus problemas.

- É simples, se vira.

Deixei o envelope na mesma estante onde peguei e passei pela porta enquanto o garoto fantasma me olhava incrédulo. Não sei por que ele me olhava daquele jeito, eu não tenho a obrigação de fazer tudo por ele, nem sei quem ele é. Quando viu que eu ia fechar a porta correu até mim e, mesmo que aquilo não fosse o atingir, eu decidi não fechá-la.

- Kyungsoo eu sei, eu sei que você não é obrigado – Assenti concordando com ele. – Mas, é sério, fazem apenas algumas horas que eu te encontrei e você já achou uma pista, você mesmo disse que já vai completar dois anos que eu to... Morto. Tem dois anos que eu to procurando pistas! – Levou as mãos ao cabelo, parecia que ia explodir de raiva á qualquer momento. – Nós temos que ir até Daejeon!

- Você sabia que essa cidade fica no meio do país? Você acha que eu vou sair de Seoul por um cara que eu nem conheço? – Fechei a porta e vi a madeira transpassar seu corpo inteiro. Meus batimentos cardíacos aumentaram num segundo. – Isso é muito bizarro.

- Eu te pago! – Atravessou a madeira, ignorando o que eu tinha feito, e eu me afastei pra que ele não me atravessasse também. – Assim que eu conseguir voltar pro meu corpo, eu pago todo o dinheiro que você gastar.

- Eu não to falando de dinheiro... – Respondi ainda meio perdido com aqueles truques de fantasma.

- O que foi então? Tem alguma coisa importante pra fazer?

Na verdade eu tenho exatamente nada pra fazer. Estou de férias, minha família raramente se reúne nos fins de ano e eu não tenho nem ânimo pra sair e me divertir, como as pessoas normais fazem. Simplesmente, não tenho motivos pra aceitar, mas, considerando que ele esteja dizendo a verdade pra mim, eu também não tenho motivos para não ajudá-lo.

Park me olhava esperando uma resposta e o que fiz foi dar as costas e descer as escadas. Admito que é chato ter que recusar, mas eu não quero arranjar problemas pra mim. Eu gosto da minha vida sossegada e monótona, onde eu só vivo aventuras na imaginação. É onde eu me sinto seguro e onde acho que tenho que ficar. Não posso fazer nada, ele me faz pensar que sim, mas eu não sou um super-herói. Entreguei a chave do apartamento sem dono na portaria e fui pra casa.

 

 

Acordei cedo demais pra um fim de semana nas férias. Não fiz questão de me levantar apenas continuei encarando o teto branco, mas bem, nem adianta eu tentar dormir mais um pouco, já me acostumei á acordar cedo. A primeira coisa na qual eu pensei foi, obviamente, o fato de eu ter visto um fantasma, ter conversado com ele e ter ido até á casa dele – porque, pelo que eu sei, não é todo dia que uma coisa dessas acontece. Fiquei mais alguns minutos na cama, esperando que tudo tivesse voltado ao normal e que nada de sobrenatural acontecesse no meu dia. Então, infelizmente, decidi que já era hora de eu me levantar e fazer alguma coisa. Me livrei das cobertas e quando olhei pra frente cheguei á me encolher, juro que quase tive uma parada cardíaca. Ele estava lá.

- Se eu acabar enfartando por sua culpa, eu espero poder te dar um soco antes de ir pro inferno. – Eu disse me levantando.

- Vamos pra Daejeon. – Respondeu sentado de um jeito um tanto desleixado na minha cadeira giratória.

- Eu já disse que não vou. – Coloquei meias, o frio estava terrível. – E o que você ta fazendo aqui ainda?

- Eu passei a noite aqui, eu tava esperando você acordar. – Se levantou e me seguiu quando saí do quarto. – Você vai me ajudar, esqueceu?

- Você é muito irritante! – Gritei antes de fechar a porta do banheiro.

- Essa é a intenção. – Ouvi sua voz do lado de fora.

- Ah é? Pode continuar com essa idiotice então, você não vai conseguir nada.

Como eu autorizei, Park continuou. No café da manhã eu só o ignorei, fingi que ele não estava ali, mesmo que ele continuasse falando o tempo inteiro e me atrapalhasse a ver TV, passando na frente toda hora. Teve uma parte da manhã em que ele de repente sumiu e eu, finalmente, pude experimentar como era ter paz outra vez, mas na hora do almoço ele voltou e parecia até mais elétrico do que antes. Já que eu fingia que não o via, ele estava fazendo graça pra que talvez eu começasse a rir ou algo do tipo, mas eu continuei o ignorando. A tarde foi passando e aos pouco ele foi se cansando. Chegou no ponto dele só ficar sentado no sofá e toda vez que eu passava pela sala ou resolvia ficar um pouco ali, ela repetia “Vamos para Daejeon!”, mas eu não me deixei levar por isso.

A noite chegou e ele já parecia cansado de tanto falar a mesma coisa. Eu estava lendo o livro que peguei na biblioteca há algumas semanas e tomando meu chá rotineiro, mas, dessa vez eu não estava na sacada, preferi ficar dentro de casa – acho que por conta do frio. Park estava sentado ao meu lado no sofá, eu ainda fingia não vê-lo, então não sei o que exatamente ele ta fazendo.

- Você só ta fingindo, né? – Sua voz estava um pouco baixa. – Ainda consegue me ver e ouvir?

Pulei pra próxima pagina do livro, mesmo que eu nem tivesse entendido tudo o que li anteriormente, eu só queria continuar com meu teatro.

- Kyungsoo? – Se inclinou para poder encarar meus olhos que continuavam atentos ás letras do livro. – Já chega, isso não tem graça!

Ainda sem lhe dar atenção, busquei pela minha caneca, até o momento, esquecida na mesinha de centro. Tomei um pouco do chá quente e dei continuidade á minha falsa leitura. Ouvi um suspiro ao meu lado e, ainda bem que ele já não me encarava mais, pois meus olhos seguiram o som.

- Não sei o que parece ser pra você, mas isso é importante. – Começou. – Eu to falando de uma vida. A minha vida. Eu sei que você não é uma pessoa ruim e você não precisa se tornar uma agora. Eu tenho passado tanto tempo sozinho, ninguém me vê e ninguém me escuta, isso é... Desesperador. – A ultima palavra saiu cheia de angustia e eu não resisti, tive que olhar para o fantasma que chorava ao meu lado. – Se você não vai mesmo me ajudar, pelo menos fala comigo, eu não quero ficar sozinho. Eu não quero morrer sozinho.

Suas palavras me pegaram de surpresa. É claro que eu não to dando pouca importância pra essa situação, mas eu não vou conseguir firmar os pés no chão enquanto uma pessoa viva e consciente não me disser que eu to mesmo conversando com um fantasma. Eu sei que ele consegue derrubar objetos e que ele realmente é dono e conhece o apartamento do prédio ao lado, só que isso ainda parece ser loucura da minha cabeça. Eu tenho duas opções, posso aceitar ajuda-lo e, no fim, saber se isso tudo é real ou não e, também, posso ir á um psicólogo só pra ter a certeza de que eu tenho algum problema e não notei, até agora.

Deixei o livro de lado e me recostei no sofá, quase do mesmo jeito que Park. Olhei para o lado e nossos olhos se encontraram por um segundo. Logo depois, eu busquei observar cada detalhe de seu rosto e descobri, mais uma vez, que ele é mesmo muito bonito, mas... Também é assustador. Seu nariz e bochechas estavam avermelhados por causa do choro. Devagar, levantei uma das minhas mãos, a fim de tocar o seu rosto – eu já sabia o que aconteceria, acho que foi só uma forma de eu tentar me fazer acreditar. Park percebeu o que eu estava fazendo e virou o rosto para o outro lado.

- Fantasmas não são assim. – Eu disse chamando a atenção dele de volta pra mim. – Você é muito real, consigo te ver nitidamente.

- Talvez eu não seja um fantasma. – Umedeceu os lábios. – Não sei como, mas eu continuo respirando em algum lugar, provavelmente nesse hospital em Daejeon.

Antes mesmo dele terminar a frase, apoiei os cotovelos nos joelhos e me xinguei mentalmente por me importar. Eu já me decidi, eu tenho que fazer alguma coisa. Se esse garoto fantasma realmente existir, eu não posso ser responsável pela morte dele. Ignorar tudo isso seria o mesmo que assassiná-lo. É bem cruel se for parar pra pensar, e eu parei pra pensar.

- Me desculpa por ter enrolado tanto, eu vou te ajudar. – Deixei sair de uma vez, antes que mais pensamentos me invadissem eu desistisse da ideia.

- Ta falando sério? – Park se levantou.

- Eu to. – Suspirei e olhei pra ele outra vez, vendo um sorriso pequeno. – Então, acho que o dinheiro que eu tenho é o suficiente, mas eu preciso de um carro.

- Noite de sábado? Nós não vamos conseguir fazer nada agora. – Sua voz ganhou um tom mais divertido, nem parecia o mesmo que estava chorando agora á pouco. – Por que você não fala um pouco sobre a sua vida? Eu percebi que seus dias são sempre bem animados, sabe? Você vai pro emprego e depois volta pra casa...

- Muito engraçado – Ri sem humor. – É melhor você medir suas palavras antes que eu desista de te ajudar.

 

 


Notas Finais


Chansoo no aeroporto de novo, mãozinhas dadas, ai meu coração T-T
Imagina a subunit desses dois (que em nome de LoveYourSelf_chansoo_cover.mp3 vai acontecer nesse ano que vem), que destruição...


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