História O gosto do mamilo. - Capítulo 51


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Categorias Originais
Tags Amor, Drama, Ódio, Romance, Sexo, Tragedia
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Palavras 2.042
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oi gente voltei de novo. Desculpem pela demora e espero que meus queridos leitores. seguidores e todos os outros nção tenham me abandonado. É que agora eu tenho que ir na psicologa toda semana.
Mas problemão mesmo é o da Beta e o professor Léo.

Capítulo 51 - O que tiver de ser é o que será.


Fanfic / Fanfiction O gosto do mamilo. - Capítulo 51 - O que tiver de ser é o que será.

BETA.

A ambulância veio. Duas viaturas de polícia também vieram.  E um grande número de curiosos se juntava a porta da casa de Leonardo, atraídos pelo o som dos tiros e depois pelas luzes e sirenes dos carros que chegavam.  E é claro que cada um contava sua própria versão dos fatos.

Léo fez uma ligação para seu advogado pedindo que ele nos acompanhasse e ele já estava a caminho. Os paramédicos colocaram Leonardo numa maca e eu só pude ficar olhando, sem dizer ou fazer nada e até mesmo o olhar tinha que ser disfarçado, eu não podia deixar transparecer nada do que sentia. Léo ficou me olhando até apagar com aquela máscara de oxigênio. Mariza xingava e me ameaçava enquanto era algemada e levada para fora, mas quando eles fecharam o zíper daquele saco preto com meu pai dentro, senti um nó na garganta que me sufocou, o estômago embrulhou deixando o gosto ácido e amargo na boca. A ficha caiu e comecei a chorar sozinha sem ninguém para me abraçar, com uma dor no peito que acho que nunca mais iria embora.

Léo foi levado para o hospital, meu pai para o necrotério do mesmo hospital, Mariza foi para a delegacia e minha mãe e eu fomos levadas para o hospital também. Por que em nossa cidade não tinha médico legista e teríamos que esperar o outro vir da cidade próxima para liberar o corpo do meu pai.

Depois da crise de choro eu me vi dentro de uma viatura passando por ruas que eu conhecia, mas que pareciam estranhas agora. Era como se eu estivesse vendo tudo aquilo distante das cenas reais, borrões que passavam pela janela do carro. Minha mãe me olhava de um jeito frio, estranho e me senti a pessoa mais desamparada do mundo. Estremeci com frio e percebi que a manha ensolarada tinha se transformado num céu cinzento e uma garoa fina caía. O meu dia maravilhoso e feliz tinha terminado numa tragédia cinza, fria e com um futuro nebuloso.

Assim que chegamos ao hospital, uma assistente social nos conduziu até a sala de espera que era um cubículo.

- O policial já vem falar com vocês. O advogado também já está chegando. – ela nos olhou com indiferença. – Vocês querem alguma coisa, um café?

- Não obrigada. – minha mãe meneou a cabeça.

Engoli a vergonha e perguntei se ela poderia me arranjar um pouco de café com leite, não tinha posto nada no estômago e já deveria ser hora do almoço a julgar pelo cheiro de comida que eu sentia ali.

- Vou falar com uma enfermeira. – disse com um jeito frio e saiu.

Sentei na cadeira de plástico ao lado da mamãe. Ela continuava recolhida em seu silêncio, fria e distante e eu não tinha coragem de encará-la.

Uma enfermeira com uniforme branco e impecável entrou na sala com duas gelatinas de morango.

- Oi, tudo bem? Foram vocês que pediram leite não é? Desculpe é que acabou, mas eu trouxe gelatina, será que serve? – ela parecia desapontada por não ter conseguido o leite.

- Serve sim, obrigada. – agradeci com um sorriso.

Ela me entregou o potinho e uma colher descartável com um sorriso bondoso. Engoli em seco mais uma vez sentindo o gosto amargo da bile na boca e fiz a pergunta que estava presa dentro de mim desde que chegamos.

- Você sabe alguma coisa sobre o professor que levou um tiro?

Minha mãe me fuzilou com olhos. O sorriso da enfermeira agora também demonstrava pena, ela sabia apenas que meu pai estava morto e que tudo acontecera na casa do professor baleado.

- Parece que ele ainda está sendo operado.

Forcei um sorriso e com todas as minhas forças escondi a angústia e o medo que se abatiam sobre mim.

- Tem um bebedor no final do corredor se vocês quiserem água. – a enfermeira avisou.

- Obrigada. – minha mãe agradeceu com um sorriso triste.

Nunca vou esquecer a bondade daquela moça, pois nesses momentos, pequenos gestos de solidariedade, mesmo vindos de um estranho nos confortam um pouco. Fechei os olhos e fiz uma prece rápida, ”por favor, Deus deixe ele viver. “Ainda existia gente boa no mundo.

Comecei a comer a gelatina, mas na terceira colherada, meu estômago revirou e tudo subiu, corri para o banheiro da salinha que era ainda menor, me curvando sobre o vaso sanitário. É claro que dava para ouvir os vômitos, e parecia que eu tinha comido todas as gelatinas do hospital. Me levantei, apoiando no minúsculo lavatório, suada e trêmula, abri a torneira, enchi as mãos de água e lavei o rosto e a boca amarga. Me olhei no espelho e não me reconheci, estava pálida, com olheiras, meu cabelo estava oleoso e cheio de nós, o nariz vermelho-arroxeado de um lado e um pequeno corte no lábio inferior por causa da cotovelada de Mariza. Ainda tinha respingos de sangue seco no meu cabelo, tentei tirar aquilo e acabei tendo outra crise de choro. Saí de lá e sentei novamente, eu parecia um fantasma e o silêncio esmagador estava me engolindo. Eu tinha que ver o Léo, precisava saber que ele estava bem, precisava segurar sua mão para ele sentir que eu estava ali, sempre estaria ali, mas não podia fazer nada daquilo e meu coração se espremia apertado e cheio de dor.

Então, no meio de todo esse conflito eu ouvi a voz da minha mãe.

- Há quanto tempo vocês estão juntos?

A princípio meu pareceu estranha, como se fosse de outra pessoa, devido a frieza e hostilidade que senti nela. Me virei olhando-a para me certificar que era comigo que ela falava. Era.

- Desde o início do ano, quando ele substituiu o antigo professor de física. – revelei sem rodeios.

Minha mãe respirou fundo e olhou para frente, com  raiva. E eu sabia que nunca mais teria sua confiança e talvez nem o seu perdão.

- Você sabe o que a polícia vai fazer não sabe? Quando descobrirem que você é menor de idade e ele é seu professor.

Foi só nesse momento que percebi a dimensão de tudo.

Enquanto estávamos indo para o hospital eu tinha uma leve noção de que Leonardo mandou chamar o advogado por que Mariza tinha matado meu pai e atirado nele, mas esqueci o fato mais importante, a razão dela ter matado. A polícia iria perguntar o que todos nós estávamos fazendo lá. E a essa altura, a própria Mariza já teria contado tudo.

A pergunta de minha mãe me mostrou o que eu não tinha conseguido ver até agora por causa do trauma. E me mostrou também o que eu precisava fazer. Eu tinha que dar a Leonardo um álibi firme e inquestionável ou do contrário, ele seria acusado por abuso, sedução e corrupção de menor. E mesmo que eu dissesse que não fui forçada a nada e um juiz acreditasse, ainda sobravam sedução e corrupção de menor, Léo passaria uma boa parte da vida na cadeia, além de nunca mais poder dar aulas. A voz de Mariza numa tarde distante em minha casa assombrou minha mente, “ele nunca ficará com você.”.

Me levantei ficando na frente da minha mãe com determinação.

- Mãe, a polícia não pode saber sobre o Léo e eu... Entendeu?

Ela me olhou surpresa, sem entender.

- Do que você está falando Alberta?

Me encolhi ao ouvir sua voz pronunciando meu nome, parecia vidro se quebrando.

- Ele vai ser preso mãe...

- Aquela mulher matou seu pai... – ela me interrompeu. – E quase te matou por causa desse homem e você quer defendê-lo?

- Esse homem também quase morreu para me salvar.

- É mesmo? E o que devemos fazer, mentir para a polícia?

Não admiti, mas era o que eu tinha em mente. Meu pai tinha dois empregos e um deles era trabalhar com fechamento de pias e armários em madeira. E uma ideia me ocorreu imediatamente.

- Podemos dizer que papai estava lá para ver um serviço para o professor...

- Para o seu amante? – minha mãe cuspiu a palavra duramente. – Aquela mulher foi presa, acha que já não contou tudo o que sabe?

Respirei fundo sentindo meu estômago revirar novamente e engoli um nó enorme em minha garganta.

- Ela não tem prova de nada, ninguém sabia de nada. – baixei os olhos. – A gente sempre tomou muito cuidado.

- Tanto que enganaram até a mim. –minha mãe rebateu seca.

Engoli a vergonha, o orgulho, tudo, em nome do amor que sentia por ele.

- Por favor, mãe... podemos dizer que papai estava lá para ver um serviço e que nós duas fomos juntos por que de lá iríamos almoçar em algum lugar então a Mariza chegou, achou que o professor estava me paquerando e começou a brigar e no meio da discussão pegou a arma e atirou. Ela é desequilibrada, toma remédios, é ciumenta, perseguia o Léo. Aquele dia lá em casa Mariza ameaçou a senhora, a polícia vai acreditar.

Minha mãe balançou a cabeça estreitando os olhos, incrédula.

- Incrível! A que ponto você chegou...? E por cima de tudo quer mentir usando o nome do seu pai? Você não tem limites? – ela se levantou e andou de um lado para outro exasperada. – Meu Deus o que foi que eu fiz de errado? Aonde eu errei na sua educação minha filha?

- Por favor, por favor, mãe, eu nunca mais vou te pedir mais nada, eu juro.

Ela só balançava a cabeça em negativa e com uma repulsa nos olhos. Então eu me ajoelhei a seus pés juntando as mãos e implorei.

- Por favor, eu amo ele mãe, não deixa ele ser preso. – as lágrimas saltaram e desceram pelo meu rosto sem que eu conseguisse segura-las. – Eu faço qualquer coisa mamãe. Eu te imploro.

- Ama ele? – ela pareceu refletir algo do passado por um segundo. – Ama ele...? A ponto de fazer qualquer coisa por ele?

- Sim. – afirmei soluçando.

Ela me olhou ajoelhada e vi pena e mais uma mistura de sentimentos que não compreendi. Eu estava desesperada e no momento só o que me importava era deixar Leonardo em segurança.

- Eu vou fazer o que você pediu. – ela disse por fim. – Mas com uma condição.

- Qual? – senti um aperto no peito.

Meu Deus. Os olhos dela estavam mais frios do que os olhos de gelo de Mariza e faiscaram quando ela viu o brilho da pedra do anel em meu dedo.

- Eu quero que você se afaste desse homem, nunca mais o procure e nem fale o nome dele. Esqueça que ele existe.  Você pode fazer isso?

Eu a fitei atormentada, sofrendo e com uma tristeza profunda.

- O que? – balbuciei.

Ela não respondeu. Ouvi passos vindo pelo corredor. Minha mãe continuava me olhando esperando uma resposta.

- Elas estão ali na sala. – ouvi a voz da assistente social do hospital.

O ressentimento se juntou a tudo que eu já estava sentindo ao ver que ela não mudaria de ideia, mais lágrimas desceram, doloridas e amargas.

- Eu faço. – disse rápido e depois repeti num sopro. – Eu faço...

Mamãe permaneceu em pé, sem dizer nada, apenas me olhando. Eu me levantei, ou melhor, cambaleei sentando numa cadeira. Olhando para aquela mulher a minha frente e não reconhecendo minha mãe.

- Que Deus tenha piedade de nossas almas. – disse ela.

- Amém. – finalizei com medo e um pressentimento ruim.

A porta se abriu e a assistente entrou com dois homens, um policial fardado e um homem de meia idade, usando um terno cinza bem cortado segurando uma pasta de coura preta, cabelos castanhos meio grisalhos e olhos negros e espertos.

A assistente fez as apresentações.

- Esses são o doutor Flávio, advogado do professor Leonardo e o policial Roberto. Essas são dona Vitória, a viúva e sua filha Alberta.

Viúva. A palavra doeu em mim por que significava que eu não tinha mais pai.

Nos cumprimentamos formalmente e o policial se sentou numa das cadeiras de plástico de frente para nós.

- Vocês podem me falar agora sobre o que aconteceu? –perguntou para minha mãe e eu.

Olhei para o advogado e ele fez um gesto de sim com a cabeça, então nos duas começamos a contar a nossa história.

 

 


Notas Finais


Coitadinha da Beta, depois de passar por tudo aquilo ainda vai passar por mais essa....?


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