História O gosto do mamilo. - Capítulo 53


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Categorias Originais
Tags Amor, Drama, Ódio, Romance, Sexo, Tragedia
Visualizações 200
Palavras 1.672
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Bjokas para todos e boa leitura.

Capítulo 53 - Por esse amor.


Fanfic / Fanfiction O gosto do mamilo. - Capítulo 53 - Por esse amor.

BETA.

Uma semana depois.

Foram dias difíceis que se seguiram após aquele trágico domingo. O doutor Flávio conseguiu a liberação rápida do corpo do meu pai e na segunda feira à tarde fizemos o velório adentrando noite afora. Tia Adelaide e Yolanda chegaram a noite, Hugo não pode vir e fiquei aliviada de não ter que me preocupar com ele tentando me passar a mão, embora Yolanda me garantisse que ele havia mudado bastante.

Eu tinha vagas lembranças da morte da minha avó e era triste e deprimente, agora eu estava vivendo tudo isso de novo e não seriam mais vagas lembranças infantis.

No cemitério fazia um calor insuportável e a estranha sensação que eu sentia, tornava tudo mais difícil. Minha camisa preta de malha estava ensopada e eu queria sair dali depressa, queria parar de sentir aquilo. Me fazia mal e de certa forma eu sentia que era errado, como se a minha presença ali estivesse prejudicando alguém que não podia ver tudo aquilo e eu não entendia o por que dessa reação.

E quando meu pai foi baixado à sepultura, senti uma sensação de sufocamento, uma culpa e um pesar sem tamanho me comprimindo o peito, como se eu estivesse carregando a culpa do mundo inteiro em meus ombros. Desabei a chorar e minha prima Yolanda ficou ao meu lado, minhas pernas queriam ceder e vi que ela estava me segurando, olhei para minha mãe ela, apenas me devolveu um olhar gelado que me deu medo.

Quando voltamos para casa, o que me pareceu uma eternidade, corri para o banheiro, arranquei aquela roupa suada e tomei um banho, vesti um pijama de malha fresco e prendi o cabelo, sentei na cama e pela primeira vez senti o silêncio e o que ele significava.

 Meu pai não voltaria do hospital. Ele nunca mais entraria pela porta da sala, nem tomaria sua cerveja aos sábados. Não implicaria mais comigo por causa das notas. Nunca mais eu veria aquele sorriso de agradecimento meio sem jeito que ele tinha me dado ao se despedir no único almoço do dia dos pais que ele participara. Era isso. Uma despedida, e aproveitei tão pouco, não disse as coisas que queria dizer e agora jamais diria, jamais diria que nunca quis magoá-lo, que eu o respeitava e o amava.  Que sentiria falta de suas cobranças nos estudos e o queria de volta, mas isso não aconteceria. A tristeza transbordou em meu peito. “Léo.” Minha mente gritou por ele, para me abraçar, me proteger, me afastar da dor como ele sempre fez, mas Léo também não viria me abraçar. Eu tinha feito um acordo para que ele ficasse em segurança. Por que quando você ama de verdade, por esse amor fazemos qualquer coisa. Abracei a mim mesma com os braços em volta da barriga, me sentindo tão sozinha e triste. Deitei na cama encolhida e Yolanda me encontrou aos soluços.

- Beta! – disse com pena e me abraçou.

Mamãe me ouviu chorando, mas continuou conversando com tia Adelaide na cozinha.

 

Nos outros dias da mesma semana, mamãe e eu fomos à delegacia duas vezes confirmar a história que tínhamos contado ao policial, o doutor Flávio nos acompanhou auxiliando em todos os serviços necessários, Léo iria pagar por tudo, minha mãe não queria, mas diante dos valores apresentados ela não teve como recusar. Perguntei a ele como estava Leonardo não me importando com o olhar fulminante dela e o advogado me disse que ele ganharia alta no fim de semana e que a polícia iria até a casa dele para tomar seu depoimento, o doutor Flávio também me garantiu que colocaria Léo a par de todos os detalhes da nossa história para que não houvesse contradições quando ele fosse depor. Saber que ele estava bem era um alívio, mas eu queria vê-lo, abraçá-lo, ouvir sua voz me dizendo que tudo ficaria bem. Eu sabia o que acontecia se ficássemos separados. Eu ficava doente e ele a beira da loucura cometendo atos sem pensar nas consequências. Deus o que eu iríamos fazer?

Tia Adelaide e Yolanda foram embora um dia após o enterro e me senti sozinha de vez já que minha prima era a única pessoa que conversava comigo e percebi que Yolanda tinha se tornado uma boa amiga, paciente e nunca me julgava, ao contrário, sempre tinha uma palavra de conforto para me dar no auge do desespero. Fiquei com vontade de contar para ela toda a verdade sobre Leonardo, mas não tive coragem, tive medo de comprometer o homem que eu amo tanto e me calei. Senti muito sua falta e chorei ao nos despedirmos.

Também soube o que aconteceu com Mariza. Eu queria que ela fosse presa e pagasse por seus crimes, mas saber que ela estava presa numa cama, se alimentando por um canudinho, me fez sentir um pouco de pena dela. Talvez fosse por que eu estava fragilizada demais e chorava a toa. As coisas aconteciam muito rápido e as pessoas sumiam de sua vida num piscar de olhos. Foi preciso que meu pai morresse para que eu percebesse como a vida era curta e como desperdiçávamos nossos preciosos minutos.

Eu ouvia o bip do meu celular tocando com sinal de mensagens, tinha certeza de que eram de Leonardo, mas eu não podia responder, minha mãe me tomou o celular e também mandou cortar a internet. Ela saía durante o dia e eu ficava quieta, esperando ela voltar, porém, ela não me dizia nada. Nossos diálogos se resumiram em frases de “bom dia e boa noite.” Eu preferia que ela me xingasse, gritasse comigo, me colocasse de castigo ou talvez até me batesse, do que aquela indiferença silenciosa que ela me dispensava, me lembrando a todo instante que a confiança entre nós duas não existia mais.

No domingo à tarde, eu estava exausta, me olhei no espelho do banheiro do meu quarto e vi uma maquiagem natural para o dia das bruxas em meu rosto, eu estava pálida, com olheiras e bolsas enormes em volta dos olhos. Sem falar do cansaço excessivo que me fazia arrastar da cama. Cogitei a possibilidade de ter pegado uma anemia devido às noites mal dormidas e a má alimentação, eu quase não conseguia comer. Tudo parecia se transformar num bolo em minha garganta.

Peguei minha mochila e comecei a arrumar os livros, eu tinha que voltar para a escola, enfrentar todos aqueles olhares, mas o pior disso tudo era que Léo não estaria lá.

Minha mãe parou na porta e me olhou por um instante.

- Não vai precisar disso.

Olhei para ela sem entender e ela disparou.

- Nós vamos embora daqui.

Meu queixo caiu.

- O que? Ir embora? As provas finais são semana que vem? – disse no desespero que a ideia de deixar Leonardo me causava.

Mamãe cruzou os braços.

- Já falei com diretor da sua escola, você tem notas muito boas e está apta para fazer a prova de conclusão do ensino médio. Não vai precisar esperar até o início de novembro, semana que vem. – enfatizou. – A supervisora virá amanha com uma professora te aplicar a prova. Então comece a empacotar suas coisas, pois vamos embora na semana que vem.

Percebi o que ela estava fazendo.

- Ele não vai estar na escola, por que não posso fazer as provas normais?

Ela respirou fundo e respondeu com amargura.

- Por que o mês já venceu e não podemos esperar outro mês, não temos dinheiro para pagar o aluguel. O dono da casa nos deu duas semanas sem cobrar para ajuntar tudo e sair.

Meu pai era o único provedor da casa. Ele tinha dois empregos, mas um era informal, trabalhava por conta própria fazendo serviços em madeira. Meu peito doeu me lembrando da mentira que contei usando o trabalho dele para proteger Leonardo.

- Mas e a pensão do papai?

Minha mãe cravou os olhos raivosos em mim e me encolhi.

- É só um salário. Não cobre tudo. Nós vamos morar com minha irmã Adelaide em Roseira Santa. Conversei com ela, já está tudo acertado.

Senti como se tivesse levado um soco no estômago.

- Eu posso arrumar um emprego e ajudar. – argumentei com um tom de súplica.

Ela meneou a cabeça, implacável.

- Já está decidido. Nós vamos morar com sua tia.

A frieza em sua voz me gelou por dentro.

- Está fazendo isso para me afastar do Léo não é? Para se vingar de mim pela morte do papai? – um soluço escapou e meus olhos arderam.

- Eu não estou te culpando de nada Alberta. O único culpado aqui é aquele canalha que te seduziu e enganou. – cuspiu as palavras com ódio.

- Ele não é um canalha, e ele não me seduziu. Está vendo isso? – disse meio exaltada e ergui a mão mostrando o anel. – Ele me pediu em casamento, vocês não quiseram ouvi-lo. Ele só estava esperando eu completar dezoito anos para falar com vocês. Léo nunca teve más intenções.

Minha mãe balançou a cabeça descrente.

- Mentira. – gritou. – Se ele tivesse boas intenções nunca teria te olhado, você era aluna dele e menor de idade. Aquela mulher matou seu pai por causa dele. – desabafou.

- Eu sinto muito tá bom? – gritei chorando. – Sinto muito mesmo, mas eu não posso voltar no passado e consertar as coisas. Se eu pudesse eu faria, mas eu não posso... – eu respirava e chorava soluçando ao mesmo tempo.

- Não podemos ficar Beta. – ela disse num tom sem qualquer emoção. – Mesmo que arrume um emprego não daria para cobrir todas as despesas da casa e alimentação. As poucas economias que seu pai tinha eu usei para pagar o funeral dele.

Senti tristeza, sofrimento e amargura nas palavras de minha mãe. E nenhum carinho. Meus ombros caíram, as lágrimas continuaram descendo e não me importei de limpar. Apenas assenti uma vez. Ela saiu do quarto. Joguei os livros no chão com raiva e me encolhi na cama, num choro silencioso. “O que eu vou fazer meu amor? O que será de nós?”


Notas Finais


Que triste. A mãe dela é puro rancor e não consegue ver a dor da filha. Já sofri essa situação.


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