História O Guarda Real - Capítulo 14


Escrita por: ~

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Categorias EXO, Lu Han, Red Velvet
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Irene, Kai, Lay, Lu Han, Sehun, Suho, Tao, Wendy, Xiumin
Tags Exo, Hanhun, Hunhan
Visualizações 122
Palavras 3.713
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Fantasia, Ficção, Fluffy, Magia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Esse capítulo foi betado!!
Obrigada Thais <3

Capítulo 14 - Lu Han


Fanfic / Fanfiction O Guarda Real - Capítulo 14 - Lu Han

Mais uma vez o mesmo sonho irrompeu por sua mente inconsciente. A mesma mulher segurava sua mão e o levava para longe, dizendo que estavam indo atrás do amor dela. Não havia cenário, não havia nada que pudesse fazê-lo saber se aquilo era real ou apenas fruto de sua imaginação. Aquela mulher que lhe sorria parecia tão familiar, mas algo nela também era tão distante, tão inalcançável. Lu Han abriu os olhos, vislumbrando a carruagem azul. Estava escuro ali dentro, mas do lado de fora o sol já começava a banhar o mundo com seus raios de luz.

Não tinham parado, e os cavalos seguiam um ritmo apressado, mas que não chegava a ser uma corrida. Os soldados passaram a maior parte do tempo em silêncio. Sem conversa, sem reclamações. Eles eram parecidos com a Guarda nesse aspecto, mas diferentes em outros. Não pareciam ter a necessidade de se manter em silêncio, eles apenas pareciam gostar dele, e não havia o medo de não seguir os comandos. E havia Yixing, que não era em nada parecido com Junmyeon.

Perguntava-se se fora uma boa ideia se render e ir com ele. Talvez Yixing estivesse errado, e ele não fosse o garoto que ele procurava — e por que seria? —, talvez ele tivesse colocado a vida de todos em risco com isso. Contudo, Yixing não parecia ser o tipo de homem que errava, e Lu Han nem sabia se ele era, de fato, um homem. Tinha o acertado com a espada e mesmo assim ele não caiu, não recuou. Yixing, com uma espada enfiada no pescoço, continuou de pé. E sequer sangrou.

“Se você não se render, mataremos o garoto e a garota” Yixing falara, sério. Ele tinha encurralado Lu Han contra uma árvore, e mesmo se morresse lutando, não conseguiria salvar Sehun. Àquele ponto tinha conseguido desarmar Yixing, deixando a espada que ele usara para o atacar caída no chão, perdida entre as folhas e os nós das raízes das árvores. Quando o atacou novamente, Yixing se moveu, mas não o suficiente para desviar completamente da espada. Ela acertara o espaço entre a armadura e o pescoço, e lá ficara como se tivesse acertado o caule duro de uma árvore. E Yixing se mantinha em pé. “Não importa o que escolher, o levaremos para casa”.

Então Lu Han escolhera ir, escolhera se render e evitar que matassem Sehun e Irene. Yixing sorrira, se aproximando mais. “Garoto esperto”, falou, como se aprovasse sua escolha. “Mas eu deveria puni-lo por matar meus homens”, ele o puxou pelos cabelos, o levando para seus soldados. “Garoto esperto”.

— No que está pensando?

Lu Han olhava para baixo. Sehun o fitava com um sorrisinho no rosto, as mãos repousavam sobre o peito.

— Nada de importante.

— Poderia mentir e dizer que estava pensando em mim. Gostaria de ser a primeira coisa em seus pensamentos.

— Você não deveria dizer esse tipo de coisa, e eu não minto para você. — Lu Han lembrava-se perfeitamente da desconfiança de Irene. Sehun tinha que aprender a ser menos... óbvio. — A carruagem está parando. — observou.

A paisagem passava mais devagar pela janela, e os cavalos diminuíam seu ritmo. Sehun sentou-se e Lu Han despertou Irene, da forma menos grosseira que conseguira imaginar. Ainda se sentia incomodado pela forma como agira com ela — mesmo que tivesse sido por um breve momento. Logo que a carruagem parou, a porta fora aberta, e Yixing os olhou por um instante antes de pedir para saírem.

Estavam perto de um lago tão grande que parecia infinito, como o mar. A água escura estava calma, refletindo o céu da manhã. Havia homens perto do lago e eles riam de alguma coisa enquanto caminhavam para dentro da água. Não muito longe, havia uma fogueira, e Lu Han percebeu que era para lá que Yixing os levava. Não tinha ninguém perto dela, e o fogo encontrava-se solitário rodeado pela neve no chão.

— Perdoem-me. — Yixing andava à frente deles, os guiando até a fogueira enquanto passava pelos soldados — Estávamos com pressa ontem, e acabei me esquecendo da, hm... refeição? — ele virou sobre os calcanhares, parando e olhando para eles com as mãos atrás do corpo — Não estamos acostumados com isso, mas quando chegarmos a Hoarfrost vocês serão devidamente recebidos.

Mais soldados se juntaram ao grupo que estava dentro do lago. Estavam competindo para saber quem pegava mais peixes com as mãos. Lu Han ouvia as risadas e comemorações. Os peixes voltavam para água assim que eram pegos, ficando fora d’água tempo o suficiente para que todos pudessem vê-los. Yixing não parecia se incomodar com a brincadeira dos soldados, ele permanecia sentado, imóvel, em um tronco de árvore recém arrancado que estava posto do outro lado da fogueira. Ao seu lado Irene devorava o peixe posto em um espeto sem medo de sujar as mãos ou não parecer uma dama. Por outro lado Sehun fitava o peixe como se quisesse que ele soubesse o quanto era odiado.

— Você... não come? — Lu Han perguntou, sem saber se deveria ou não falar com Yixing. Mesmo que sua consciência o mandasse ficar calado, não conseguia ignorar a curiosidade que aquele homem despertava em si.

— Não tenho fome. — Yixing tinha um sorriso pequeno no rosto. Um traço gentil na expressão pensativa. Lu Han se perguntou se Yixing não tinha fome naquele momento ou se ele nunca tinha fome — Eu não sabia que se tratava de um casal real quando... os abordei. — ele continuou a dizer, olhando de Sehun para Irene — Sinto muito pela forma como os tratei, mas, bem, as circunstâncias pediam tal tratamento. Isso não irá se repetir, espero.

Pouco tempo depois, Yixing ordenou que os soldados voltassem para seus lugares. Os cavalos mantiveram-se na estrada, soltos, mas não pareciam querer ir para qualquer lugar. A carruagem tomou velocidade depois que voltaram à estrada, e com isso ficavam cada vez mais perto de Norta, cada vez mais perto do frio e longe do calor.


{♚}

 

Quando a carruagem parou novamente o céu já estava escuro. Não havia nada do lado de fora, apenas o extenso chão branco e o imenso céu negro, sem qualquer sinal de vida. Ficaram parados por minutos, até voltarem a se movimentar, lentamente. O grupo de soldados a cavalo se dividiu, metade foi à frente da carruagem e o restante atrás.

Estavam passando por um portão, e conforme os soldados entravam e avançavam, o chão branco de neve foi afundando, transformando-se em água negra. Logo, árvores brancas cercavam a carruagem e ela voltou a tomar velocidade. Agora, sem dúvidas, estavam em Norta. Lu Han estava em casa, embora não a reconhecesse.

Quando a carruagem voltou a parar Yixing abriu a porta e pediu para que descessem. Os soldados a cavalo já tinham desmontado, e cada um levava seu cavalo para uma direção. Atrás deles, estranhamente, não havia uma estrada, embora Lu Han tivesse certeza de que tinham vindo por uma. Lá, na direção de onde vieram, só havia árvores, os cercando em forma de arco. Os caules eram brancos como a neve e as folhas afiadas como navalha. Sob a luz da lua, elas brilhavam, refletindo-a.

— Bem-vindos a Hoarfrost. — Yixing os olhou por uns segundos antes de seguir em frente.

A carruagem havia parado em frente a um castelo branco, com um portão negro fechando sua entrada. As paredes brilhavam como as folhas das árvores, refletindo a luz da lua. Parecia feito de gelo, com camadas e mais camadas sobrepostas, afiadas e intermináveis. Era alto, muito alto, que olhando do chão parecia chegar ao céu. Yixing seguiu para a porta, e eles o seguiram em silêncio.

O portão negro abriu sem que Yixing precisasse empurrá-lo, e a neve do chão se afastou com ele. Os passos deles ecoavam pelo chão claro. Não havia ninguém ali, e Yixing os conduziu por um salão pequeno até um corredor extenso. As paredes do corredor eram tão brancas quanto o exterior do castelo. Pequenos archotes estavam postos por todo o caminho, iluminando o lugar com suas chamas azuis. Não havia decoração nas paredes, e às vezes elas se transformavam em passagens para outros corredores ou escadas.

Aquele lugar era diferente de tudo que já tinha visto. Era frio. Era silencioso. Era bom. Yixing seguia para seu destino sem nada dizer, e a curiosidade que Lu Han não costumava ter voltava a lhe produzir perguntas em sua mente. Embora estivesse andando por aquele corredor, ele ainda não parecia real. Sentiu uma mão encostar na sua e dedos se entrelaçarem aos seus. Não precisava olhar para saber que era Sehun. Ele parecia incomodado — e um tanto assustado — desde que atravessaram o portão. Isso, Lu Han não compreendia. Tudo naquele lugar transmitia tanta calma...

Yixing parou em frente à uma porta dupla azul-escuro. Ela tinha o mesmo símbolo de sua armadura incrustado nela. Era a primeira decoração — se aquilo o fosse — que Lu Han via desde que entrara no lugar. Ele percorreu os olhos sobre eles, como se verificasse se todos estavam ali. Quando o olhar dele caiu sobre sua mão junto a de Sehun pensou em afastá-las, mas, logo desistiu. Yixing já deveria saber sobre eles, porque ele devia ter escutado toda a conversa da noite anterior. Sabia disso. Se ele podia ouvir os soldados conversando baixo vez ou outra durante a viagem, com certeza eles também podiam ouvi-los. Eles eram iguais, embora ainda não soubesse o que isso significasse ao certo.

— Por favor, entrem. — Yixing falou enquanto empurrava uma das portas.

Uma ampla sala mostrou-se à frente deles. Mais archotes com as estranhas chamas azuis iluminavam o lugar. O chão era liso e parecia a superfície congelada de um lago, as paredes, como as do corredor, eram brancas e o teto cheio de estalactites de gelo. Do outro lado do belo cômodo, em uma parte elevada, havia um trono e nele um homem. Yixing se aproximou mais do estranho, fazendo com que o seguissem. Quando estavam perto dos degraus que levavam ao trono, Yixing se ajoelhou.

O homem tinha o rosto sereno e cabelos loiros, suas mãos descansavam sobre o trono. Não parecia ser velho — ou ter a idade esperada para um rei —, talvez nem tivesse vinte e cinco. Com o rosto calmo e os olhos fechados, ele parecia estar dormindo.

— Minseok — Yixing falou ajoelhado — Eu o trouxe.

O salão permaneceu em silêncio. Lu Han sentia a mão de Sehun apertar a sua e Irene, que estava do outro lado, olhava para o homem adormecido no trono. Ele se mexeu, e o som de gelo rachando tomou conta do lugar. Os olhos abriram-se de supetão, deixando as íris azuis percorrerem o salão quase vazio. Os movimentos eram lentos, e ele se mexia como se estivesse se descolando do trono. Quando moveu o ombro para frente, uma lasca de gelo caiu no chão, mas nem ele nem Yixing pareciam se importar com isso. Assim que seus membros superiores estavam livres do trono, o homem que Yixing chamara de Minseok moveu as pernas, as soltando também. Ele suspirou baixo, e voltou a descansar o corpo sobre o trono que, agora, Lu Han percebia ser feito de gelo.

— Tanto tempo... — Minseok sussurrou, a voz suave — Mas agora está aqui.

Com um movimento rápido se levantou, olhando para todos de cima. Pela aparência ele poderia ser facilmente confundido com um jovem. Não era muito alto. Quando voltou a falar seus olhos estavam fixos em Yixing.

— Levante-se. — Yixing se levantou, e em passos rápidos passou entre Lu Han e Sehun, fazendo suas mãos se separarem. Parou a metros de distância deles — Qual de vocês... — Os olhos azuis de Minseok passavam de Sehun para Lu Han, atentos, conforme descia os degraus e se aproximava deles — É... — encarou-os mais, como se procurasse algo de familiar em seus rostos. Estava mais perto agora, com a distância de um braço — ...Meu.

Lu Han sentiu a mão dele em seu ombro. Minseok o fitava com mais que atenção, curiosidade. Os olhos azuis vagavam por todo seu rosto, e mesmo tão próximos Lu Han não conseguia ouvir o som da respiração dele. Então, com um movimento rápido, Minseok o puxou para um abraço frio e duro.

— Finalmente o tenho de novo. — sussurrou. Tão de repente quanto se aproximou Minseok se afastou, segurando Lu Han pelos ombros enquanto o observava. Em sua face o fantasma do que deveria ser um sorriso mantinha-se presente — Você cresceu, mas isso não importa.

Minseok largou Lu Han e olhou para os outros que estavam na sala. Seus olhos passaram por Sehun até chegarem em Irene, onde parou. Ele franziu a testa, talvez surpreso ou simplesmente incomodado. Como antes, com passos rápidos e silenciosos, ele se pôs a caminhar na direção da princesa, que vacilante andou para trás. Um sorriso voltava a crescer em seus lábios finos, embora dessa vez, ele não lhe desse um aspecto humano.

— Ora ora, o que temos aqui. — Ele alternava o olhar entre Irene, que o olhava um pouco assustada, e o espaço vazio ao lado dela — Lembro-me bem que você me disse que nunca mais colocaria os pés aqui. — ele parou à frente de Irene, ainda olhando para o espaço vazio ao lado dela. Sem motivo aparente, ele riu, e sua risada sem humor atravessou toda a sala de gelo — Tive muito tempo para pensar nas coisas que você falou, Baekhyun. Alguém que tem uma vida como a minha tem muito tempo para remoer injúrias do passado.

Ele esticou o braço, e por um segundo pareceu que ele abraçaria Irene como fizera com Lu Han, mas, logo, essa mostrou não ser sua intenção. Os dedos brancos tocaram a pele rosada do pescoço da princesa, e logo se fecharam ao redor dele.

— Tem razão. O que eu tenho não pode ser chamado de vida.

Antes que pudesse ir até Irene para ajudá-la, Lu Han sentiu as mãos de Yixing em seus ombros, o mantendo no mesmo lugar. Ele era forte, e não parecia fazer muito esforço para mantê-lo parado. O rosto dele mantinha-se neutro enquanto olhava Minseok levantar Irene a centímetros do chão. O rosto dela estava ficando cada vez mais pálido.

— Você prometeu que ela não se machucaria. — Lu Han disse a Yixing — Deixe-me ajudá-la. Ele irá...

— Não. — Yixing o interrompeu, ainda olhando para Minseok — Ele não irá matá-la. E eu prometi que eu não machucaria eles. Há uma diferença, criança.

— Pobre criança... Baekhyun, você está decadente. — Minseok murmurou, ainda sorrindo.

— Com quem ele está falando? — Sehun sussurrou.

Por mais que Minseok parecesse falar com alguém — e ouvir respostas — a sala continuava com a mesma quantidade de pessoas. Não havia ninguém chamado Baekhyun lá, perto de Irene. Contudo, o que mais o preocupava era o fato de Irene estar cada vez mais pálida e seus lábios estavam ficando azuis. Tão de repente quanto a agarrou Minseok deixou a garota cair no chão. Ela tossiu, as mãos indo até o próprio pescoço.

— Eu não os quero aqui. — Minseok falou se afastando da princesa, e voltando para seu trono — Nenhum dos dois. Somente Lu Han. Foi ele quem pedi que trouxesse para mim.

Yixing largou seus ombros e caminhou até Minseok. Lu Han agora tinha certeza de que se render tinha sido uma péssima ideia. Quem quer que Minseok fosse ou o que quer que ele quisesse consigo, não era bom. Não importava como aquele lugar parecia maravilhoso com seu ar frio e paredes congeladas. Se não tinha Sehun, ele não ficaria.

Yixing alcançou Minseok antes que ele voltasse a sentar em seu trono congelado. Ele parou ao lado de Minseok e se aproximou para falar algo em seu ouvido, mas, naquela sala vazia, sussurros eram tão audíveis quanto conversas amistosas. “Essa não é uma boa ideia”. Minseok estava de costas, e Lu Han usou aqueles segundos para ir até Irene. “Se você os mandar embora, Lu Han irá junto”. Lu Han ajudou a princesa a se levantar, ela ainda parecia assustada com o que tinha acontecido, e isso fazia todo sentido. Olhando mais de perto, ela parecia bem, e Lu Han não pôde deixar de notar as olhadas que ela lançava para o espaço vazio ao seu lado. Quando a colocou de pé, Irene mexia os lábios de forma nervosa, como se pronunciasse palavras baixas demais até mesmo para Lu Han.

Minseok olhava-os em silêncio, com os olhos semicerrados. Avaliava-os enquanto Yixing continuava ao seu lado. “Você não quer que ele fique aqui obrigado, não é assim que agimos.” Minseok olhou para Yixing. “Ele não ficará aqui por obrigação. Quando se lembrar de quem é, entenderá. Wendy apenas o fez esquecer.” Yixing, ainda com seu semblante calmo deu um passo para trás, descendo um degrau de gelo que levava até o trono.

— Essas pessoas são importantes para ele, do mesmo jeito que Wendy era importante para você. — Yixing seguiu para a porta pela qual tinham entrado. Minseok o seguia com o olhar — Não o transforme em uma pessoa amargurada. — Antes de sair Yixing olhou para Lu Han mais uma vez, depois para Irene e por último para Sehun — O próprio destino já fará isso por você.


{♚}

 

Tudo em Hoarfrost era branco ou azul, e tudo parecia congelado ou feito de gelo. Minutos depois que Yixing saíra, Minseok voltou atrás em sua decisão, e mandou que servos de branco os levasse para qualquer lugar onde pudessem descansar.

O castelo de gelo era tão alto quanto parecia, com imensas escadas que pareciam não ter fim, fazendo voltas e mais voltas nas entranhas congeladas do lugar. Os servos, que eram dois homens e uma mulher, eram quase tão pálidos quanto Minseok e Yixing, embora um leve tom rosado ainda existisse em suas peles. Eles os levaram em silêncio escada acima. Ninguém parecia querer falar algo, apesar de Lu Han achar que todos estavam com os pensamentos cheios.

A pergunta que mais voltava à sua mente era referente a Minseok. Quem ele era e o que queria consigo. Ele parecia o conhecer, mas Lu Han não achava que se esqueceria de alguém como ele. De certa forma, o achou peculiar demais. E o que ele tinha feito com Irene era tão estranho quanto todo o resto. Ele a tirou do chão com uma mão, e falou com alguém que não existia — ou que pelo menos não podia ser vista. 

Os servos se separaram quando o corredor se dividiu em outros, e cada um foi para um lado. Quando Lu Han olhou para Sehun, o mesmo seguia o servo sem olhar para trás. O quarto para onde fora levado era grande, talvez maior que os aposentos reais de Redview. Não foi surpresa encontrar o quarto todo em branco e azul-claro — a enorme cama branca, cadeiras azuis, uma janela com a visão do céu e paredes que cintilavam com a luz proporcionada pela chamas azuis que brilhavam em vários pontos do quarto. Depois que o servo mostrou cada ponto do local, o deixou sozinho, naquele cômodo frio, mas incrivelmente aconchegante.

Pela janela era possível ver além do céu, das árvores brancas e do muro de gelo que cercava a entrada de Norta. Ele não era muito alto — como uma muralha —, mas era tão extenso que não dava para ver o seu fim. O quarto em que estava ficava em um andar alto — alto demais para o gosto de Lu Han —, tornando a vista de além do muro possível. Diferentemente do que Lu Han achava não havia uma estrada do portão até a entrada de Hoarfrost, e onde antes havia a imensidão branca do chão coberto por neve, agora existia um mar negro com águas que batiam contra o muro vez ou outra.

Suspirou baixinho ainda olhando para aquele mundo estranho. As coisas estavam fora de seu controle, mas elas nunca estiveram antes, afinal. Estava decidido a entender aquelas pessoas e aquele lugar. Yixing não parecia ser alguém mal, mas não podia dizer o mesmo de Minseok. Nenhum deles pareciam querer fazer-lhe mal, mas o mesmo não se aplicava a Sehun e Irene.

Talvez a escolha de ir com Yixing estivesse se mostrando ruim, mas pelo menos era uma escolha ruim que ele tinha tomado. E, no momento em que a fez, ela não parecia tão ruim assim. Isso não deveria fazê-lo se sentir melhor, — Sehun podia estar correndo perigo — mas fazia. Ruim ou não, foi uma escolha dele, e era melhor assumir a responsabilidade por uma coisa que quisera fazer do que por uma que fora obrigado. Você é livre. Será que Sehun tinha ideia do quão importante foi ouvir aquilo? Tudo ficava mais real quando dito em voz alta.

Virou-se para o quarto, o cômodo brilhava com a luz azulada. Um servo havia trazido roupas pouco tempo depois que foi deixado no quarto, e tinha água gelada na banheira. Perguntou-se o que Sehun acharia daquilo. Ele não era de esconder quando algo não o agradava, e isso era uma das coisas que mais gostava nele. Sehun era a imagem da liberdade que tanto desejara, mas que parecia impossível de alcançar — ou exercer.

Se Sehun gostava de algo, falava e se não gostava reclamava. Não importava o que fosse ou quem fosse que o desagradava. Era fácil para Sehun falar tudo o que sentia ou pensava, era difícil para Lu Han fazer igual. Às vezes Lu Han achava que isso simplesmente não era para ele — dizer o que pensava ou sentia —, mas ele queria que fosse, porque quando Sehun falava com ele, quando dizia que o amava, sentia-se tão... bem. Queria fazer Sehun sentir o mesmo que ele. Queria que ele também se sentisse assim, como se não precisasse de mais nada além dele.

Deixou-se escorregar pela parede de gelo até o chão. Queria que Sehun estivesse ali, ele saberia o que dizer. Ele sempre sabia.

Sehun falara que não queria saber se defender, que queria que Lu Han o salvasse sempre. Ele certamente não sabia, mas Lu Han achava que Sehun o salvara diversas vezes. O salvava sempre que o olhava, que o notava ou falava com ele. Sempre que fazia ele se sentir uma pessoa de verdade, e afastava aquele silêncio que parecia vir de dentro de si. Lá do fundo.

O doce e frio silêncio.

Ele os persegue. Ele os consome.

E Lu Han não fazia ideia do quão próximo estava de ser consumido.

E de como Sehun o salvaria novamente.


Notas Finais


Acho que depois do próximo cap (ou do outro) a maioria dos cap serão do Sehun...

Fantasminhas apareçam para me dizer o que estão achando !!

Até a próxima


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