História O herói de cabelo vermelho (Romance Gay) - Capítulo 32


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Gay, Lemon, Policial, Romance Gay, Sexo Gay, Yaoi
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Palavras 1.460
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Lemon, Policial, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Trilha do capítulo:
Secret - Huntington

Capítulo 32 - Vermelho Sangue - Capítulo III


Fanfic / Fanfiction O herói de cabelo vermelho (Romance Gay) - Capítulo 32 - Vermelho Sangue - Capítulo III

Capítulo III - Segredos vermelhos

As coisas mudaram bastante depois daquilo... Digo, depois da morte da mamãe. Nenhum de nós esperava que ela fosse partir tão cedo e eu me lembro o quão devastado você ficou. Vocês se amavam tanto, quando estavam juntos era possível ver o amor escapando de seus corpos. Eu admirava muito aquilo, queria ter sido mais próximo dela, queria tê-la amado tanto quanto você. Mas infelizmente não amei, ao menos não a tempo. Quando eu vi já era tarde. Bem, não posso negar que enquanto tu chorava por ela eu sofria mais por te ver naquele estado do que por de fato tê-la perdido. E eu não me importei com nada e nem ninguém daqueles que estavam ali quando me joguei em teus braços. Abracei-te como se abraçasse meu homem, meu amor, meu tudo, mas aos olhos de todos, inclusive os teus, era apenas um abraços de irmãos. Era apenas a forma de demonstrar nossa dor mútua. Ah, Henri. Como eu quis morar naquele abraço. Queria que ele durasse para sempre, e mesmo que ele tenha durado por minutos e mais minutos, enquanto chorávamos, pareceu um tempo pífio. Sempre era pouco quando se tratava de ti.

Foi naquela mesma semana que eu descobri que meu amor por ti podia me causar dor. Não somente a dor interior, essa eu já sentia a cada segundo que te via e não podia te ter. Mas sim a dor física, dor bruta, dor carnal. Essa eu não conhecia. Ao menos até quando, naquela mesma semana, nosso pai encontrou algo, algo que jamais deveria ser encontrado. O meu livro dos desejos. O meu livro com tantos sentimentos, tantas vontades, tantas realizações. Sua face era de um vermelho ardente, mas tão ardente que de longe já me queimava.

Que porra é essa? Você é doente!

Doente, aberração, desgosto, desprezível... Eu era tudo isso apenas por te amar. 

Foi quando seu punho grosso e cheio de ódio queimou ao se chocar contra meu rosto.

Eu tenho nojo de você!

Minha boca tinha gosto de sangue. Meus lábios estavam cortados. Meus dentes amolecidos. Como poderia doer tanto? Como o amor poderia machucar tão brutalmente?

Mas ainda não estava acabado. Assisti lentamente meu livro ser queimado. Aquilo sim foi dor. Toda a minha história, todo o meu amor por ti virando pó. Voando pelos ares em forma de cinzas. E enquanto eu chorava o nosso pai me amaldiçoava com seus olhos nunca antes tão monstruosos. Mas ele saiu, sem nem imaginar que por ti eu era capaz de tudo, e lá fui eu queimar meus dedos em busca daquela última folha. A folha mais importante de todas.

Você nunca gostou do pai. Lembro de cada uma das brigas que vocês tiveram. Parecia seu instinto gritando algo dentro de você. Ao menos era nisso que eu gostava de acreditar. Era sua vontade de me proteger que te fazia fazer aquilo com ele. Mas um dia tu foi embora. E eu vi o quão errada minha teoria estava. Não era por mim que tu o odiava tanto. Na verdade tu sempre achou que eu o amasse, sempre imaginou que ele era o meu herói. Mas não, era você.

Quando tu partiu foi como morar sozinho. Ele não olhava mais em minha cara, e quando olhava era com tanto nojo que me despedaçava. Foram anos assim, se te ter. Eu já chegava nos vinte quando pensei em morar contigo. Tu sempre me chamava, dizia que não seria incômodo algum. Passei alguns dias em seu pequena casa alugada. Era o que dava para pagar com o salário que você ganhava como assistente em um escritório de advocacia enquanto pagava a faculdade de gastronomia com a sua parte da herança deixada pela mãe.

Era tão bom estar contigo, mas depois de ver o quão corriqueiro era tu levar garotas para casa eu senti que não aguentaria aquilo. Não suportaria saber que no quarto tu estava dando prazer a alguém que não eu. Que tu estava fazendo outro alguém delirar enquanto era penetrado por ti. Então preferi deixar tudo como estava e voltar para casa. Ao menos em meus pensamentos tu era perfeito, fiel, e não traía uma menina com a amiga dela no dia seguinte. Esse era o meu Henri.

E lá estava eu naquela casa cada vez mais vazia quando em uma noite o nosso pai chegou. De fato eu preferia quando ele passava a noite transando com prostitutas pela cidade. E ele não somente chegou como chegou endiabrado. Não sei o que havia dado errado mas certamente algo havia. Berrava pela casa enquanto eu ouvia o som dos pratos sendo atirado contra a parede.

Viadinho, onde está você?

Ouvi a assustadora pergunta. Eu estava em meu quarto, coberto pelos lençóis enquanto tremia. Definitivamente não queria senti toda aquela fúria. Definitivamente não queria ser o saco de pancadas dele naquela noite. Mas não demorou e ouvi a porta ser aberta, fazendo meu corpo inteiro cair em um calafrio.

A culpa é toda sua. Toda a desgraça do mundo é culpa sua! Sua aberração infeliz. Você vai queimar no mais quente dos infernos. 

Me dizia coisas horríveis com a mesma facilidade com que respirava. E se tudo havia dado errado em seu dia (provavelmente a merda de sua carreira de traficante já estava abalada) alguém teria que pagar.

Foi quando senti ele arrancar os lençóis que me cobriam. Quase pulei junto com os panos, nunca estive tão assustado e meu único desejo era ter você para me salvar como naquele dia no lago. Mas você não estava lá, e eu senti toda a fúria de um maldito velho chapado de droga. Que apertava meu pescoço com uma mão enquanto com a outra desabotoava o meu sinto. Não me senti apenas dolorido naquela noite. Me senti roubado, destruído. Cada estocada que ele deu dentro de mim me fez querer que fosse a última. Em meus pensamentos implorei que me matasse de uma vez, que apenas apertasse meu pescoço o suficiente para cortar o ar em meus pulmões. Mas ele não o fez, continuou ali me rasgando por dentro com seu penis imundo. E lá estava eu de fato queimando no inferno, assim como ele havia previsto. Era a ti que eu queria dentro de mim. Era a ti que eu queria fazer jorrar. Não ele. Por ele eu sentia apenas nojo. E quando senti seu líquido quente escorrer por dentro de mim soube que agora também teria nojo de mim mesmo. Naquela e por todas as noites da vida.

Após aquilo ele foi para seu quarto dormir sereno como se nada houvesse ocorrido. Saí noite a fora. Lembro que chovia pesado. E que ao chegar em tua casa eu já estava ensopado tanto pelas lágrimas quanto pela chuva. Tu não estava sozinho, uma tal de Bárbara estava contigo, mas quando tu viu meu total estado de pânico me acolheu. Me perguntou o que havia acontecido, mas nem em um milhão de anos eu te contaria a verdade. Na minha cabeça eu via toda a cena. Você indo furioso atrás do pai, os dois brigando, e ele jogando todos os meus segredos para ti. Eu não suportaria aquilo. Então menti, disse havia tido um terrível sonho com a mãe. Era só falar nela e tu se transformava. Qualquer sentimento ruim dentro de ti parecia morrer instantaneamente. Tu pediu pra tal de Bárbara ir embora. Disse que outra noite vocês se resolviam. Me deu uma toalha e roupas suas para vestir após um banho. E então me levou ao teu quarto. Dentei e vi você ficar sentado enquanto me vigiava. Saber que tu estaria ali por mim me dava uma sensação de segurança tão boa. Mal sabia eu que seria de ti que minha morte viria.

Então em um ápice de coragem eu te pedi para deitar. Tu pareceu receoso, a cama era pequena demais para nós dois, mas deitou mesmo assim. E então eu te envolvi em um abraço assim como aquele no velório. Tu apenas o aceitou. Choramos juntos, mesmo que por motivos diferentes. Afinal tu chorava pela mãe. Já eu por te ter ali, tão perto, e não ter coragem de afogar meus lábios nos teus.

Aquela foi uma noite de sentimentos tão opostos. Polos totalmente destoantes, medos e angústias que em nada condiziam a calma que os teus braços me traziam. Era uma noite não multicor, porém com muitos tons de uma mesma. Vermelho... Vermelho sangue.

•••

Quando você olha nos meus olhos
Você vê atrás do meu disfarce
Vejo que você está ficando sábio
Eu olho para o outro lado
Estou me sentindo paralisado
Eu sei o porquê
São todas estas malditas mentiras
Sou eu
Eu tenho um segredo, não posso dizê-lo
Isso está me comendo por dentro, eu não posso ajudá-lo
Eu não sou bom homem, eu tenho segredo

Secret - Huntington


Notas Finais


Pois é, a vida de Lucius certamente não foi fácil. Cheia de medos e demônios. O que também não justifica seus atos no futuro.
Em breve teremos mais desse ponto de vista melancólico que só o Lucius poderia dar a O herói de cabelo vermelho.
Nos vemos nos comentários.


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