História O hóspede - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias Henrique & Juliano
Visualizações 97
Palavras 2.765
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Escolar, Famí­lia, Festa, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 9 - Encontro triplo


 

 

Quando voltei à sala, Henrique estava no celular enquanto apoiava seu corpo à bancada da cozinha. 
- Não, pai. – ele disse e pausou, revirando os olhos. – Eu fui à empresa hoje e já resolvi isso. A Vanessa também conversou com o cliente e ele aceitou todos os termos do contrato. Não tem por que ficar preocupado. – pausa novamente. – Eu sei que estamos começando agora, mas vai dar tudo certo. O escritório recebeu muitas pessoas hoje e Victoria disse que elas ficaram bem interessadas em fechar contrato com a gente. Parece que tem um grupo de uma igreja que quer fazer uma viagem e nos procurou hoje pela parte da tarde. Acabei de falar com Vicky sobre isso. 
Peguei meu celular e fiquei o encarando, fingindo estar fazendo outra coisa quando na verdade eu estava com os ouvidos bem atentos a sua conversa. 
- Certo. Depois você me liga, então. – disse e passou a mão no cabelo. – Ok, tchau, pai. 
Tavares finalizou a chamada e me encarou, sorrindo de canto. 
- Já pode parar de fingir, Renata. Eu sei que você estava ouvindo a minha conversa. – se aproximou com os braços cruzados. 
- E o que te faz pensar isso? – ri sem graça – Você se acha, huh? O mundo não gira em torno de você, Tavares. 
- Eu sei que não, mas você estava sim escutando a conversa pelo simples fato de você estar passando o dedo pela tela e o celular estar desligado. – arqueou uma sobrancelha e eu olhei para meu celular, constatando que o que Henrique disse era verdade. 
Droga. 
- É... Eu... Ele desligou agora. – inventei qualquer mentira e Henrique balançou a cabeça, rindo de mim. 
- Você não é boa com mentiras. Será que até isso eu vou ter que te ensinar? 
- Dá um tempo, Tavares. – rolei os olhos. 
Ele se sentou no sofá e me chamou com a mão. Sentei ao seu lado e ele me encarou. 
- O que você vai fazer hoje à noite? Espero que não planeje ficar aqui em casa sem fazer nada. 
- Na verdade, eu não sei. Eu provavelmente iria fazer uma pipoca e assistir a um algum filme. – dei de ombros. 
Henrique fez careta. – Então eu tenho um plano para você. 
- E qual seria? 
- Ir ao cinema comigo. – sorriu. – Bom, tecnicamente não seria só comigo. A  vanessa também vai. 
Revirei os olhos. 
- Vanessa? – fiz careta. 
- Eu sabia que você ia fazer essa cara se eu falasse dela! – riu – Por que você não gosta dela? A Vanessa é uma pessoa muito legal e simpática. Poderiam até ser amigas. 
- Não é que eu não goste dela. É só que... – pausei, dando um suspiro. 
- Que...? 
- Eu sinto inveja de vocês dois. – admiti cobrindo o rosto com a almofada. 
- O quê? Por quê? 
Tavares me olhou com interesse e eu respirei fundo. 
- Porque vocês se gostam... E se dão muito bem. Você sabe o quanto eu queria que alguém me olhasse do jeito que vocês se olham? – perguntei enquanto ele me encarava atentamente, dando lugar novamente ao seu olhar indecifrável. – Eu queria poder ter alguém que me mandasse uma mensagem de bom dia, ou me fizesse rir com piadas sem graça, ou até dissesse que me ama. Eu só queria isso por pelo menos uma vez na minha vida. Amar e ser amada. 
Fiquei em silêncio e Henrique também. Ele parecia não saber o que falar, e eu entendia o seu lado. Não deve ser fácil ter uma garota estranha desabafando com você. Uma garota tímida e necessitada urgentemente de amor. 
- Eu acho que você está desesperada por besteira, Renata. – encarei-o. – Quando você menos esperar, a pessoa certa vai aparecer. Não precisa ficar procurando em volta. Ela simplesmente vai chegar. Tudo acontece na hora que tem que acontecer. 
- Obrigada pelos conselhos. Hoje eu percebi que você é uma pessoa boa. – admiti. 
Henrique sorriu convencido, passando a mão no cabelo. – Eu sei. 
Ri fraco. 
- Mas e então, aceita ir ao cinema com a gente? – perguntou. 
- Não sei... Será que a Vanessa não vai se incomodar? 
- Que nada! Hoje mesmo ela perguntou de você lá na empresa. Parece que ela ficou muito curiosa a seu respeito. Quer saber mais sobre você e acho que até ser sua amiga. 
- Sério? – disse surpresa. 
Ele balançou a cabeça afirmativamente. 
- Posso te fazer uma pergunta? 
- Sim. – ele disse. 
- Por que você veio morar comigo? Quero dizer, pelo que eu vejo, você é rico e tudo mais. Por que simplesmente não comprou uma casa ou apartamento para você? 
- Bem, porque quando meu pai apareceu com a bela notícia de que me mandaria para São Paulo, eu admito que fiquei atordoado. Minha vida sempre foi lá no Canadá e mudar de país assim do nada foi uma grande surpresa para mim. – ele olhou para as mãos entrelaçadas sobre os joelhos. – Quando ele me deu a notícia, foi algo muito rápido. Num dia ele me comunica sobre os seus planos e no outro, ele já tem a passagem em mãos. Não tive tempo nem de procurar algum lugar para morar aqui. Vim na sorte. 
Assenti e ele continuou: - Então fiz as malas e embarquei. Cheguei aqui e vi a dificuldade que era para arranjar algum lugar para morar. Admito que são Paulo, mesmo sendo uns dos meus sonhos, é uma cidade difícil para tudo. Eu estava andando pelas ruas quando eu avistei o seu panfleto na porta de uma lanchonete. Eu vi que você estava procurando alguém para dividir o apartamento, mas que tinha um prazo e esse prazo acabaria no dia seguinte. Eu achei que ainda dava tempo de te procurar e então... Vim para cá. Conheci a garota do apartamento sendo despejada no mesmo momento em que eu chegava. Sabe, ela é uma maluca que estava toda descabelada, histérica e chorosa. Fiquei com pena da garota e paguei os aluguéis já que eu também precisava do apartamento. Afinal, onde mais eu iria morar? Debaixo da ponte? 
Soltei uma gargalhada quando ele acabou sua explicação. – Sabe que eu também pensei a mesma coisa nos últimos dias? Eu só ficava me perguntando sobre qual ponte era mais viável para a minha moradia. 
- E qual ponte foi a sua escolhida? – um sorriso no canto de seus lábios se formou. 
- A ponte Otávio frias é a melhor. – disse pensativa. 
- Concordo. Ela é a mais bonita. 
- Acho melhor nos arrumarmos, então. – mudei de assunto, levantando do sofá. 
Henrique se levantou e me olhou. – Eu também tenho uma pergunta para você. 
- E qual seria? – franzi a testa. 
- Por que você se irrita tão fácil com as coisas que eu falo ou faço? 
- Eu não sei. Acho que é o seu jeito. Você é muito intrometido, folgado e convencido. – ele riu – Isso me irrita muito. E convenhamos que você também gosta de me provocar. Não faz nenhum esforço para ser mais legal comigo. – fiz bico. 
- É, tenho que admitir que gosto de te irritar. Você fica engraçada fazendo caretas quando está brava. Digamos que no momento, você é o meu passatempo favorito. 
Dei-lhe um tapa no ombro e ele riu. 
Fui até meu quarto para me arrumar, mas primeiramente peguei minha toalha e fui tomar um banho rápido. Quando voltei ao meu quarto, peguei uma calça jeans com uma regata azul. Vesti-me e coloquei o casaco de moletom da USP. Calcei minhas sapatilhas e penteei meus cabelos, deixando-os soltos assim que lembrei do que Henrique havia me falado sobre eu ficar mais bonita e atraente. Pus meus inseparáveis óculos e dei uma última olhada no espelho antes de sair do quarto enquanto colocava meu celular no bolso da calça. 
Quando voltei à sala, Henrique já estava lá me esperando. Fiz um sinal com a cabeça e ele assentiu, percebendo que já podíamos ir. Saímos do apartamento e descemos pelo elevador. Entramos em seu carro que estava na garagem e ele deu a partida. Um silêncio se instalou e eu fiquei olhando pela janela, vendo as casas e os outros carros passando. 
- Vejo que seguiu a minha orientação... – Tavares comentou, quebrando o silêncio. 
Encarei-o e ele continuava com os olhos na estrada. 
- O quê? – perguntei confusa. 
- Sobre o cabelo. 
- Ah... Pois é. – peguei meu celular e o fiquei encarando. 
- Como foi o seu dia? – perguntou e eu notei que ele claramente tentava puxar assunto para acabar com o incômodo silêncio. 
- Foi... normal. – suspirei – O professor nos avisou sobre o estágio que devemos fazer. Parece que consegui um emprego. É por um tempo, mas... – sorri de canto. 
- Sério? – assenti – Que bacana! Fico feliz por você. Muito feliz. – ele me olhou rapidamente, sorrindo. 
- Obrigada. – agradeci sincera. 
Silêncio. 
- E o seu dia? – perguntei. 
- Foi normal também. Apenas trabalhei, trabalhei e... Ah! Trabalhei! – disse fazendo graça e eu ri fraco. 
- Parece que seu dia foi bem entediante. Um ponto para mim. 
Henrique riu do meu comentário e eu fiquei encarando seu rosto em meio à escuridão do carro. Seu rosto era iluminado apenas pelas luzes dos postes das ruas por onde passávamos. Sua risada era tão gostosa de se ouvir e suas feições eram tão belas que me faziam apreciá-las e não sentir vontade de parar de observá-lo. O canto de sua boca estava levemente erguido em um sorriso de canto e eu queria poder ler mentes só para saber o que ele tanto pensava que o fazia sorrir daquela forma encantadora. 
- Renata? – ouvi sua voz e acordei do meu transe. Balancei a cabeça e o encarei. 
- Sim? 
- Já chegamos à casa da Vanessa. – ele disse e eu virei meu rosto, olhando pela janela. 
Avistei a casa branca e mediana com um lindo jardim e uma enorme garagem. Também vi quando Vanessa apareceu e desceu as pequenas escadas, vindo em nossa direção. Tirei meu cinto de segurança e abri a porta do carro, mas a voz de Henrique me impediu no instante seguinte. 
- O que está fazendo? 
- Vou sentar lá atrás para ela poder sentar aqui com você. – expliquei. 
- Mas por quê? Não há necessidade disso, Renata. 
- Não se preocupe, Henrique. Eu não me incomodo nem um pouco com isso. 
Saí do carro e abri a porta de trás, voltando a entrar e me sentar no banco traseiro. Vanessa se aproximou e entrou, sentando-se ao lado de Tavares. 
- Oi, Henrique. – sua voz sorridente ecoou pelo carro que começava a se movimentar. 
- Oi, vanessa. – respondeu no mesmo tom e pelo espelho retrovisor, vi que ele estampava um enorme sorriso nos lábios. 
- Olá, Renata. – se dirigiu a mim e eu sorri de canto. 
- Oi. 
- Eu não sabia que você viria conosco. – disse se virando e me olhando. 
- Eu a convidei. Espero que não tenha problema. – disse Henrique dando-me uma rápida olhada pelo espelho. 
- É claro que não! Nós vamos nos divertir muito. – ela sorriu animada e eu apenas assenti com a cabeça. 
O caminho se resumiu a Henrique e Vanessa  conversando sobre trabalho e depois a uma conversa interna a qual eu não fazia ideia sobre o que era. Eles até pareciam melhores amigos desde a infância e que tinham códigos os quais só eles conseguiam entender e foda-se quem estava por perto. Respirei fundo e peguei meu celular. Troquei algumas mensagens com Mari e marcamos de sair amanhã para comprar as minhas roupas novas. 
Finalmente chegamos ao shopping e eu saí do carro. O vento frio me rondou e eu me encolhi mais dentro do meu moletom, colocando as mãos dentro dos bolsos do mesmo. Henrique e Vanessa entrelaçaram as mãos e eu observei aquilo enquanto os seguia para dentro do shopping. Eu tinha a ligeira sensação de que eu ia sobrar nesse ‘’encontro triplo’’. E a sensação só foi piorando enquanto estávamos na fila do cinema para comprar pipoca e refrigerante. O casal trocava palavrinhas fofas e um dava beijo na bochecha do outro. Peguei minha pipoca e refrigerante juntamente com um pacotinho de bala de menta e dei o dinheiro para a moça que tinha me atendido. 
Ficamos na fila para entrar na sala de cinema e eu suspirei ao ver que Henrique e vanessa se afastavam cada vez mais de mim em meio à multidão que entrava na sala. Levei um empurrão que quase minha pipoca voou para o outro lado do shopping. Bufei irritada. Eu odiava aglomerações. Simplesmente odiava. Fora o fato de que eu tinha um sério problema de claustrofobia, e isso não ajudava em nada a minha situação. 
- Renata! Vem! – ouvi Henrique gritar enquanto entrava com vanessa. 
Fiquei na ponta dos pés na tentativa falha de enxergá-lo. 
- Já vou! – gritei de volta. 
Mais um empurrão me foi dado e dessa vez eu tive de segurar os óculos para eles não voarem. Com muito esforço, consegui entrar na sala de cinema e procurei em volta pelo casal vinte. Encontrei-os se sentando na fileira do meio. Henrique olhou para trás e acenou assim que me viu. Fui até ele, passando por algumas pernas no caminho, e me sentei ao seu lado. Soltei um suspiro aliviado e me ajeitei mais na poltrona. 
Assim que a luz se apagou e os trailers começaram, eu me pus a comer minha pipoca. Sempre fui de comer a pipoca nos trailers e quando chegava ao filme, não tinha sobrado quase nada. Mas não me importei. Eu só queria afastar um pouco a sensação de quase ter sido pisoteada minutos atrás. E como eu faria isso? Comendo, é claro. O filme começou e eu me encolhi na poltrona acolchoada. Os minutos se passaram; Uma hora se passou e eu não estava me sentindo nem um pouco confortável. 
E o principal motivo do meu desconforto era o fato de Henrique e vanessa estarem se pegando ao meu lado. Eu conseguia ouvir o som dos beijos que os dois trocavam, e era um som muito irritante, diga-se de passagem. Quando não estavam trocando saliva, estavam sussurrando algumas coisas e rindo baixo, mas que mesmo assim tirava a minha atenção do filme. Eu já não entendia mais nada que se passava na tela, só conseguia ouvir os dois ao meu lado. Apertei com força a latinha de refrigerante já vazia entre meus dedos e mordi o lábio inferior. 
Rosnei baixo, mas que foi o suficiente para chamar a atenção de Henrique. 
- O que houve, Renata? Está sentindo alguma coisa? – perguntou me encarando. 
- É... Sim! Na verdade, não estou muito bem. – eu pensava em algo convincente para fugir dali o mais rápido possível. – Eu estou com falta de ar. Eu... Eu tenho claustrofobia e aqui está muito abafado. Acho melhor eu ir lá para fora. 
- Oh sim, eu entendo. – disse num tom compreensivo. – Eu também tenho claustrofobia e entendo bem dessas coisas. 
- Que bom. – falei fingindo uma falta de ar. – Eu vou lá para fora, okay? 
- Okay. Quer que eu te acompanhe? – ele ameaçou se levantar. 
- Não, não! – respondi rápido, fazendo-o franzir a testa. – Eu vou ficar bem. Fique com a Vanessa Não quero estragar o encontro de vocês. Só preciso de um pouco de ar. 
- Mas, Renata... – ele ia dizer, mas me apressei em sair dali. 
Levantei-me e saí quase correndo da sala de cinema. Já do lado de fora, eu puxei uma boa quantidade de ar e passei as mãos pelos cabelos. Olhei para o lado e vi um casal sentado num banco. Eles sorriam um para o outro e se beijavam, trocando carícias. Bufei e olhei para o outro lado, vendo a mesma coisa. Ah qual é? Por acaso hoje é o dia dos namorados?! É claro que não! Esse maldito dia é só em quatorze de fevereiro, então por que eles me torturam desse jeito? – minha mente gritava em agonia. Eu nem sabia o que se passava comigo. Só de ver casais felizes, eu sentia um ódio tão grande que quase se apoderava completamente de mim. 
Eu devo ser uma pessoa muito amarga, porque às vezes nem eu mesma me aguento. 
Fiquei passeando pelo shopping e vendo algumas vitrines enquanto o filme não acabava. Encarei uma saia xadrez na vitrine e quando me virei, meu corpo deu de encontro a outro e cambaleei. Se não fossem os braços fortes que me seguraram, eu certamente estaria no chão a essa hora. 
- Ahn, me desculpe. – falei sem graça. 
Levantei meu rosto e encarei a pessoa que ainda me segurava pelos braços. Arregalei meus olhos no mesmo instante. Marcos.

 

 

 

 

 

 



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