História O ilustre pianista - Capítulo 8


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags J-suga, Sugahope, Yoonseok
Exibições 245
Palavras 4.260
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Demorei, mas não me esqueci de vocês, jamais.
Ontem teve aquela live no VAPP onde Yoonseok/Sope usaram o famigerado emoticon de dois menininhos e um coraçãozinho no meio, eu fiquei... Sem palavras. Precisava compartilhar isso com vocês.

Espero que gostem do capítulo!

Capítulo 8 - Distância.


Tudo ao meu redor me lembrava o pianista que havia conseguido me mostrar com sutileza que o amor ainda valia à pena.

O tempo frio que todos ao meu redor aparentemente detestavam, a chuva gelada que inundava a cidade, as luzes que brilhavam divinamente quando a noite se aproximava vagarosamente, qualquer música com uma letra bonita, e quando escutava o som de piano em qualquer lugar que fosse, meu coração chegava a bater rápido na expectativa de avistar Yoongi.

Era como se ele estivesse em toda a parte, mas só parecia, porque a distância era a nossa maior inimiga no momento.

 Tornei-me uma pessoa sentimental demais, e era complexo ter que lidar com isso o tempo todo. Quando Yoongi fazia morada em meus pensamentos – o que acontecia com uma frequência desesperadora –, a saudade invadia de mansinho e se transformava em um monstro de sete cabeças que faltava me engolir sem um pingo de piedade. Fiquei atordoado quando ele se foi, levando consigo um bocado de mim.

Nós conversávamos através de mensagens e quando ele tinha tempo – e o fuso horário permitia –, por ligações recheadas de saudade, sussurros e um desejo irrefreável de atravessar o celular para lhe abraçar apertado. Eu gostaria de beijá-lo antes de ele entrar no palco para realizar seus concertos que impressionavam qualquer um. Yoongi foi bem recebido em Londres, e ele tinha fãs tão fieis e calorosos que eu realmente me sentia feliz pelo fato de ele estar sempre cercado de amor. Eu sabia, de alguma forma, que amor de fã sempre fora um dos mais sinceros. Ele costumava narrar tudo de forma empolgada, e eu quase conseguia ver seus olhos brilhando de emoção, mas então, não demorava muito para voltarmos à realidade. Yoongi soltava um “estou com saudades”, que me deixava com um nó apertado na garganta.

Eu ficava um bom tempo alimentando-me de lembranças recentes, mas que de certa forma, pareciam remotas. Era estranho e machucava bastante. No mais, eu tentava me distrair de várias formas possíveis, me empenhava no trabalho como ninguém, e até Namjoon percebeu que eu estava dedicando-me muito mais do que o normal. Fiz questão de realizar mais entrevistas das quais não precisava realizar, ajudei Jeongguk a escrever alguns relatórios longos e elaborados, onde tive a oportunidade de conhecê-lo melhor. Desde muito novo, ele sempre tivera o grande sonho de estar rodeado de tudo o que envolvesse jornalismo, quando assistia ao noticiário na televisão pequena na sala de estar de seus pais, ansiava estar informando a todos o que estava acontecendo no estado, ou quem sabe, no mundo. Segundo as palavras de Jeongguk: “Ser repórter é ser extraordinário.”

Como eu já era experiente no ramo, tentava conversar com ele e esclarecer todas as suas dúvidas. Era fácil notar a admiração que Jeongguk sentia por mim e pelo meu trabalho. Oferecia-me café e água quando achava apropriado, sentia certo receio bobo de estar me incomodando por fazer intermináveis perguntas, desde as mais simples, até aquelas das quais eu demorava um instante considerável para formular uma resposta decente. Percebi que ele era simplesmente um garoto curioso com ambição de crescer profissionalmente, e eu admirava isso.

Pensar no trabalho era o atalho que eu estava utilizando, mas ainda assim, muitas vezes era perceptível que eu ficava muito quieto, olhando para algum ponto qualquer à minha frente, a mente distante demais. Os dias permaneciam frios, e diziam por aí que o tempo fechado era sinônimo de angústia, e mesmo que eu gostasse da sensação do vento gelado batendo contra o meu rosto, pude concordar pela primeira vez, mesmo que no fundo eu soubesse que não era culpa do tempo, mas sim do momento complicado que eu estava passando.

Em um domingo, acordei tarde demais enquanto o vento uivava lá fora. Tudo o que eu desejava era um café bem caprichado e quente o suficiente para espantar de vez toda aquela friagem, então tomei um banho morno, a água correndo pelo meu corpo com velocidade, e lembrei-me de que a Dottie’s conseguia influenciar no meu humor de uma forma que eu ainda não compreendia. Se eu tinha um escape à minha disposição, era melhor aproveitar enquanto era possível.  

Minutos depois eu já estava no interior do meu carro apreciando uma música baixinha de um cantor que fora praticamente esquecido pelas pessoas, e tentando controlar a minha vontade quase irrefreável de ligar para Yoongi e contar como estava sendo complicado guerrear com a distância e com a falta que a sua presença insubstituível me fazia. Apesar de ele já saber e passar pela mesma situação. A única diferença era que ele tinha uma turnê grandiosa para se dedicar, compor melodias que arrancariam fôlegos, e eu realmente não queria atrapalhá-lo de forma alguma. Minha intenção era permitir que Yoongi se concentrasse no que era importante e não se distraísse.

 Eu estaria esperando-o aqui, de braços e coração aberto. Sempre.

Mordi o lábio com um pouco de força quando o frio me surpreendeu e ajeitei o cachecol ao redor do pescoço quando pisei na Dottie’s. Tudo estava exatamente como deveria estar e o aroma doce invadiu minhas narinas, me transmitindo uma espécie de conforto e calmaria. Sentei-me na mesma mesa de sempre e abri o cardápio apenas para avaliar as opções, embora já soubesse muito bem o que queria. Um senhor adentrou o ambiente com uma expressão simpática, sorriu para mim e escolheu uma mesa distante. Voltei a olhar o cardápio, até que senti uma mão encostar-se em meu ombro sutilmente. Seungi abriu um sorriso surpreso quando me virei. Ela estava com um novo corte de cabelo que deixava seu rosto ainda mais destacado, os lábios rosados, olhos brilhantes.

— Pensei que você só vinha durante a semana. – Ela comentou surpresa, ainda sorrindo gentilmente.

— Às vezes precisamos variar... – respondi, descansando o cardápio no tampo da mesa. — Estava com saudade do café e do bolo de morango.

— E eu, iludida, achei que você poderia estar sentindo falta de mim. – alargou o sorriso, brincando. — Você andou um tanto... Sumido.

— É... – olhei para baixo por puro reflexo e acredito que foi nesse exato instante que Seungi percebeu que algo estava errado. Talvez eu fosse péssimo em disfarçar meus verdadeiros sentimentos.  

No segundo seguinte, ela anotou meu pedido no bloquinho, destacou a folha e a entregou para um dos funcionários que se dirigiu à cozinha imediatamente, e então ela sentou-se à minha frente de um jeito elegante. Provavelmente não era permitido que funcionários conversassem tão diretamente assim durante o turno, mas Seungi não parecia se importar com isso no momento. Antes de qualquer coisa, mordiscou o lábio inferior, hesitante, mas quando nossos olhares se encontraram, lançou-me um sorriso compreensivo.

— Não fique assim... – Talvez estivesse escrito bem no meio da minha testa o que estava acontecendo comigo, não conseguia fingir tão bem e era fácil ler-me. Foi a minha vez de morder o lábio quando senti o peso daquelas palavras, mesmo que fossem positivas. Eu conseguia perceber que ela se importava comigo de verdade. — Quando li sobre Yoongi ter deixado Seul, logo pensei em você e pretendia mandar uma mensagem para, sabe, te dar uma força... Mas não queria invadir o seu espaço, e não quero nem de longe parecer inconveniente. – confessou. — Só que, olhando para você aqui agora, todo cabisbaixo, é um pouco difícil não comentar.

— Está tudo bem, Seungi. Quer dizer... Ele precisou seguir com a carreira dele, estava claro desde o começo que seria assim. Yoongi ainda ficará um bom tempo em Londres, e por mais que eu sinta muita falta, estou conseguindo lidar... Tem dias que é muito mais difícil, principalmente quando estou sozinho. Começo a assistir vídeos dele, ler entrevistas, ver fotos... Pode parecer ridículo visto de fora, mas eu juro que nunca senti tanta falta de alguém desse jeito.  

— O amor não parece ridículo pra mim. – Ela falou completamente sincera. — Eu te entendo de verdade. É difícil lidar com a falta de alguém importante demais, mas a vida é cheia de surpresas... Tente continuar mantendo contato com ele, eu acredito no relacionamento a distancia, não é algo tão impossível assim como muita gente acha. – Ela olhou para o lado e viu que o seu gerente estava observando-a com uma das sobrancelhas erguidas, perguntando-se o motivo de ela estar sentada conversando ao invés de estar atendendo. Seungi fez um sinal com a mão e voltou a olhar para mim levemente constrangida. — Eu peço desculpas, mas não posso conversar agora, por mais que eu queira. – levantou-se, os olhos imensamente calorosos. — Mas, você tem o meu número, caso queira desabafar.

Assenti com um sorriso grato. Ela tinha um ótimo coração, e aparentemente gostava de proteger e aconselhar as pessoas das quais nutria uma espécie de afeto.

— Agradeço pela preocupação, Seungi. Você é uma pessoa especial, obrigado pelas palavras, de verdade.

— Mantenha os pensamentos positivos, tudo bem? – Ela chegou a sorrir, mas sua atenção logo fora desviada quando o senhor chamou-a para fazer o seu pedido.

Minutos depois foi a vez de o meu ser entregue. Estava tudo muito caprichado, como sempre. Assim que sorvi o café, senti o meu interior se esquentar com suavidade e o bolo de morango macio se parecia mais com uma pequena amostra do paraíso. Eu fiquei muito tempo no interior da Dottie’s, apenas aproveitando o aroma delicioso e analisando os clientes realizarem seus pedidos depois de fazerem uma análise no cardápio. O clima do local realmente me fazia um bem enorme, disso eu não tinha dúvidas. Tanto é que me levantei apenas depois de muito tempo, paguei a conta e sorri para Seungi para agradecer por toda a gentileza, afinal, ela tinha arriscado o seu emprego por mim na frente de seu chefe, que aparentemente não estava tendo um de seus melhores dias. Recebi um aceno simpático, enquanto a outra mão sustentava uma bandeja.

Retornei para a rua gelada, mas antes que congelasse – acredite em mim, não seria muito difícil de isso acontecer –, praticamente corri para o interior do meu carro, tratando de ligar o rádio até encontrar alguma música que soasse bem aos meus ouvidos. Com os vidros devidamente fechados, observei a rua tomada por pessoas que andavam encolhidas em seus casacos, algumas com seus celulares em mãos, outras que prestavam bastante atenção antes de atravessar a rua. Depois de alguns minutos, eu já estava no meu apartamento, deitado no sofá, olhando para o teto. Havia um turbilhão de pensamentos cruzando a minha mente numa velocidade irritante, e eu não era capaz de organizá-los. De repente, eu estava me afogando em um mar de ansiedade, aflição e saudade.

Demorou alguns minutos até eu pegar meu notebook e apoiá-lo entre as pernas. Abri o editor de texto, vi o cursor piscando e uma súbita vontade de colocar tudo pra fora me tomou. O que aconteceu a seguir, nem eu mesmo entendi, mas meus dedos saíram correndo pelo teclado tão livremente que eu apenas aproveitei a sensação leve. Não parei para absolutamente nada, nem para fechar a janela entreaberta, onde o vento gelado batia contra a minha pele com força. Não ambicionava interromper a minha linha de raciocínio, pois tinha a impressão de que perderia o ritmo caso afastasse os dedos do teclado.

 Apenas me permiti ser sincero de verdade, acoplar meus pensamentos e sentimentos e colocá-los para fora de alguma maneira. As palavras não me julgavam, muito pelo contrário, me acolhiam de um jeito surpreendente. Ás vezes eu me perguntava se era estranho eu me considerar amigo íntimo das palavras, por que... Bem, era exatamente assim como eu me sentia. E sim, realmente consegui melhorar um tanto considerável após abarrotar o editor com palavras que para os olhos de muitos, poderiam ser consideradas apenas palavras confusas, mas para mim... Elas tinham o peso do mundo. Há uma sinceridade enorme nas palavras de alguém que ousa escrever com o coração, podem acreditar em mim.

Não havia muita noção de quanto tempo estava dedicando-me veementemente a escrita, mas tomei um susto quando escutei o meu celular tocar, espantando para bem longe toda a concentração. Foi nesse momento que tirei os olhos da tela clara e abarrotada de palavras, para perceber que a noite já havia chegado com toda a sua elegância. Peguei meu celular e levantei o cenho quando li o nome de Namjoon no visor.

— Namjoon? – perguntei, enquanto escutava um silêncio do outro lado da linha.

— Sim, mas pode me chamar de herói se quiser porque estou prestes a salvar a sua noite de domingo. – Ele falou e eu pude imaginá-lo sorrindo daquele jeito que só ele conseguia sorrir.

— E como é que você pretende salvar a minha noite, herói?

— Bem, ultimamente você está tão pra baixo que eu não posso ficar de braços cruzados. – pude ouvir um suspiro fraco. — E então, o que acha de nos encontrarmos agora, cara? Sei lá, podemos ir ao pub que abre aos finais de semana, tomar alguma coisa pra você se distrair, escutar música ao vivo... Qualquer coisa que te deixe mais relaxado.

 — Namjoon...

— Não, é sério! Você anda fazendo cosplay de zumbi durante a semana, afundando-se em tanto trabalho, ultimamente seus ombros estão até curvados para frente como se você estivesse sustentando o peso do mundo. Vai ser divertido, eu garanto. Aliás, o que você está fazendo nesse exato momento?

Olhei ao redor e ajeitei minha postura, me sentindo quase desconfortável com o fato de Namjoon ter certeza de que eu estava em casa e me lamentando pela minha real situação. Fitei o cursor piscando na tela logo à minha frente, esperando para que eu voltasse a escrever como se não houvesse limites, mas tirei o notebook do meu colo com cuidado, enquanto ponderava se sair era mesmo uma boa ideia.

— Estou... Escrevendo.

— Que escrever o quê, cara. Você passa a semana inteira em contato com textos, relatórios... – Ele realmente estava reprovando a minha situação e a forma como estava me entregando à solidão. — Me escuta, vou passar aí em frente daqui à uma hora, pode ser? – continuei em silêncio, e de alguma forma, isso pareceu lhe incomodar. — Tudo por minha conta, Hoseok!

— Isso é uma promessa? – perguntei apenas por perguntar de forma quase risonha.

— Se for te deixar melhor, então... Sim. Até daqui a pouco.

E antes que eu dissesse qualquer coisa, a ligação fora encerrada.

Fiquei encarando o teto por alguns segundos, tentando encontrar algum resquício de coragem para levantar-me do sofá, mas depois de longos minutos, já estava vestido com roupas quentes, de dentes escovados e cabelos devidamente penteados. Foi naquele momento que percebi que existiam pessoas que realmente se importavam com o meu bem-estar. Além de Namjoon, Jeongguk já tinha notado a minha tristeza e uma vez apertou o meu ombro, sibilando que tudo ficaria bem. Ele não sabia o motivo, mas não era difícil observar o meu desânimo. E ainda tinha a Seungi com o seu jeito encantador de ser, que não pensara duas vezes antes de demonstrar o seu apoio.

 Às vezes, minha consciência pesava. Tinha receio de não estar demonstrando tanta gratidão para as pessoas ao meu redor. Em minha concepção, era de extrema importância que elas se sentissem queridas por mim, porque de alguma forma, essas pessoas tentavam afastar toda aquela espécie pegajosa de desânimo. Com as mãos nos bolsos do casaco, fitei a vista do meu apartamento durante um bom tempo até escutar o celular vibrar. Dessa vez, havia recebido uma mensagem, que abri com rapidez ao perceber de quem era.

 

Min Yoongi: Sinto saudades e tenho pensado muito em você. Embora não estejamos tão próximos assim, você ainda está comigo.

 

Sem que eu percebesse, estava sorrindo ao encarar o pequeno aparelho.

 

-

 

O som do violão ecoava dentro de mim. Depois que conheci Yoongi, fiquei muito mais atento aos sons e nas letras das músicas. Mesmo depois de ter ingerido álcool o suficiente para estar me sentindo um tanto alterado, ainda conseguia sentir toda a emoção que a cantora transmitia com a sua voz melodiosa, calma e levemente rouca. Estávamos em um dos melhores pubs da cidade, Namjoon recomendou-me e afirmou que eu não encontraria melhor lugar para beber. Eu não costumava ingerir tanto álcool porque detestava a sensação de tudo estar girando ao meu redor, mas enquanto eu desabafava com Namjoon sobre a minha situação, eu ia virando doses e mais doses com o objetivo de serenar aquele furacão desesperador de sentimentos. Nem me lembrava mais quantos copos já tinha virado, mas minha garganta estava queimando, minha cabeça leve e a língua parecia dormente no meio da boca.

Tamborilei os dedos sobre o balcão acompanhando o ritmo da canção, e Namjoon ao meu lado me dizia alguma coisa sobre eu não poder me entregar totalmente à tristeza porque havia um bilhão de coisas bonitas para observar nesse mundo gigante, e que esperar pelo pianista iria valer à pena. Ele tinha razão, mas o tempo parecia se arrastar cruelmente quando não havia necessidade.

 Soltei um longo suspiro e com a visão meio turva, peguei meu celular e li a mensagem de Yoongi pela milésima vez para me lembrar de que tal agonia teria fim depois de um tempo. Fiz que sim para Namjoon com a cabeça depois de guardar o aparelho, e ao olhar para o lado, percebi que um rapaz de cabelos castanhos me observava. No momento exato em que nossos olhares se encontraram, ele moveu a cabeça para frente, mas já era tarde demais, eu sabia que ele estava me encarando.

 Não me importei muito no primeiro momento, mas ao perceber que ele prosseguia fitando-me quando eu fingia estar distraído com qualquer outra coisa no interior do pub, contei à Namjoon disfarçadamente o que estava acontecendo. Ele olhou diretamente para o desconhecido, mesmo que eu tivesse pedido para ele esperar um tempo, e como se não bastasse, soltou um riso rouco.

— Sim, ele realmente está te encarando. – falou baixo.

— Aham... – Minha voz soou arrastada depois que eu virei mais uma dose. Meio que dei de ombros com a averiguação de Namjoon.

— Cara, você podia conversar, fazer novos amigos, não sei. Talvez seja bom pra você.

Eu o olhei com uma sobrancelha erguida.

— Está sugerindo que eu me aproxime de outras pessoas só porque Yoongi não está aqui?

Ele riu de novo da minha interpretação apressada.  

— Não, é claro que não. Sei que você não vai deixar esse pianista tão cedo. Eu te conheço já faz muito tempo e nunca te vi gostando tanto assim de alguém... Mas, estou sugerindo que você faça novos amigos, que converse mais, ria mais, pense em outras coisas além de piano, Londres e cabelos esverdeados... – sorriu gentilmente. — Só quero o seu bem, cara. Já te disse para não se maltratar tanto assim.

Mais uma vez, assenti. Namjoon sabia ler nas entrelinhas, ele prestava atenção em cada mínimo detalhe. Quando eu menos esperava, ele levantou-se do meu lado com um pequeno sorriso e avisou que iria ao banheiro. Eu sabia que não era verdade apenas pelo seu tom de voz. Bem, fiquei ali em frente ao bar com inúmeras bebidas e não demorou nem cinco minutos para o desconhecido aproximar-se de mim. Ele ocupou o banco de Namjoon silenciosamente, e depois me olhou.

— Será que posso te pagar uma bebida? – indagou. O primeiro detalhe que me atentei foi que a sua voz carregava uma presença peculiar, e depois, quando sorriu gentilmente, vi que seu sorriso era um tanto retangular de um jeito bonito.

— Não é por nada, mas eu já estou meio tonto. – ri soprado. — Obrigado, de qualquer forma.

— Não sabia que você frequentava esse lugar. Sabe como é, pessoas normais como eu nunca estão preparadas para se deparar com alguém famoso assim, do nada.

— Ei... Só sou um jornalista. – apoiei o cotovelo no balcão, ajeitando minha postura no banco. Agora, a música era um tanto mais rápida, criando um ritmo gostoso, fazendo com que a maioria das pessoas ali presentes balançassem a cabeça acompanhando o ritmo.

— Continua sendo famoso para mim, Hoseok. – riu.

— E você? Como se chama?

— Taehyung. Kim Taehyung. 

 

Fazia um tempo considerável que eu não me aproximava tão rapidamente de alguém, mas de alguma forma, descobrimos que tínhamos muitos assuntos e interesses em comum, e tudo pareceu ser ainda mais empolgante porque eu estava bêbado. Taehyung era mais novo do que eu, mas inteligente de uma maneira que me assustava. Ele era biólogo, cuidava e estudava os animais com afinco, porque era exatamente isso que gostava de fazer. Também tinha uma risada engraçada e um senso de humor incrível. Mesmo tonto daquela forma, permiti que ele pagasse mais uma bebida para mim porque eu já estava sem graça de negar, a gentileza também parecia ser uma de suas qualidades.

 Percebi que Taehyung era fraco para o álcool porque depois de alguns instantes, ele já estava gargalhando de coisas que nem eram tão engraçadas como, por exemplo, o penteado fora de moda do dono do pub e o bigode do senhor na mesa afastada que lembrava o Hitler. Eu ria junto porque também não estava mais tendo controle de nada. Houve uma hora que olhei para trás e avistei Namjoon com um sorrisinho satisfeito como se estivesse aprovando a minha vontade repentina de aproveitar o lado “bom” da vida.

O tempo foi passando e passando e Taehyung começou a me olhar de um jeito diferente. Se me solicitassem para explicar melhor como era esse tal jeito, provavelmente não seria capaz, mas ele parecia enxergar um milhão de coisas boas em mim, e isso me deixava desconfortável. Me levantei, apoiando-me no balcão enquanto tentava recuperar meu equilíbrio e sem muitas indagações, Taehyung me seguiu e apoiou a mão em meu ombro com gentileza. Assim que coloquei os pés na calçada e fui abraçado pelo frio da noite escura, Taehyung permanecia me olhando daquela maneira, com um sorrisinho pequeno que jorrava admiração e algo a mais. Apoiei minhas costas na parede, observando o poste de iluminação que deixava aquela rua bem clara, chamando a atenção das pessoas que passavam para o único lugar aberto ali – o pub com música ao vivo.

— Cara, eu tô bêbado. – Ele reclamou risonho.

— Eu também não estou muito diferente de você.

Ele se aproximou o suficiente para que eu sentisse o cheiro de álcool em seu hálito, e de repente, seu rosto estava incrivelmente próximo do meu.

— Queria te beijar agora. – Taehyung articulou com um pouco de dificuldade, mas tinha o olhar determinado.

E eu me senti ainda mais desconfortável, tanto é que, virei o rosto quando ele estava prestes a me beijar. Namjoon tinha razão, eu estava disponível apenas para fazer novos amigos e conversar porque jamais teria coragem de me envolver com alguém que não fosse Yoongi.

— Desculpa, eu já tenho uma pessoa... – respondi ao perceber que ele ficou realmente surpreso com a maneira que me esquivei.

— Ah, não brinca...

— Não é brincadeira. – desencostei-me da parede. Do outro lado, vi Namjoon sentado em uma mesa conversando com um casal animadamente, embora ele estivesse prestando atenção em mim algumas vezes, apenas para confirmar que tudo estava bem.

— E por que essa pessoa te deixou vir aqui sozinho? – perguntou quase acusatoriamente como se quisesse me fazer sentir mal por estar realmente desacompanhado.

Mas, não me senti.

— Eu não estou sozinho. Ele está em todas as partes de mim.

 

-

 

No dia seguinte, acordei com uma ressaca terrível e meu corpo se recusou a sair da cama de todas as formas. Era como se o travesseiro estivesse mais confortável do que o normal, para a minha infelicidade. Contudo, quando me dei conta de que uma segunda-feira estava apenas começando, inclinei o corpo para frente contra a minha vontade, o desconforto tomando conta de mim. Se pudesse escolher, passaria o dia inteiro deitado apenas para tentar me recuperar depois de ter consumido tanto álcool, afinal, eu não tinha o costume de beber tanto assim, mas a vida pode ser bem traiçoeira. Por mais que eu fingisse que não precisava sair, o compromisso me esperava, então coloquei os pés no chão, espreguicei-me e percebi que lá fora uma chuva fraca molhava a alameda.

 Agi de forma completamente automática até estar no interior de meu carro. Não liguei o rádio, optei por escutar as finas gotículas golpeando o meu carro sem muita determinação. Estava frio, mas não tanto como dias antes. Dirigi com atenção, e em poucos minutos já estava no interior do estúdio de gravação. Havia chegado mais cedo do que de costume, meus companheiros de trabalho ainda estavam um tanto sonolentos. Mantive um sorriso pequeno até chegar no interior de minha sala e encher uma xícara de café forte antes de qualquer coisa na intenção de amenizar aquele mal-estar.

 Olhei para a vista através da minha janela e enxerguei a fila de carros, as pessoas andando apressadas demais, temendo que chegassem atrasadas no trabalho. Aparentemente, as segundas-feiras realmente não eram dias que as pessoas desfrutavam como deveriam desfrutar. Soltei um suspiro e joguei meu corpo na cadeira confortável e percebi que os relatórios já estavam devidamente prontos. Passei os olhos em todas as entrevistas que deveria realizar e tomei a decisão de não procrastinar tanto assim. No entanto, antes de qualquer coisa, saquei o celular do bolso. Precisava olhar algumas fotos de Yoongi antes de dedicar-me totalmente ao trabalho. Logo, com uma expectativa crescente, digitei “Min Yoongi” no Google.

De repente, fora como se eu tivesse recebido um soco extremamente forte no estômago.

Encarei aquelas palavras por alguns segundos, sentindo o coração bater euforicamente.

 

 “Notícias em Destaque: O pianista Min Yoongi sofre acidente de carro antes de realizar o seu quarto espetáculo em Londres.”

 

Foi o suficiente para eu sentir algo se comprimir em meu interior.


Notas Finais


Ai, meu coração.


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