História O Jardim Secreto - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Kai, Lu Han, Sehun, Xiumin
Tags Chanbaek, Exo, Yaoi
Visualizações 131
Palavras 4.619
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Heeey minna-san vamos mais uma vez ler um capitulo? Hehehe esse está bem tranquilo e por isso espero que gostem. Boa leitura!

Capítulo 7 - Capitulo 7 - Uma cura da gripe


Fanfic / Fanfiction O Jardim Secreto - Capítulo 7 - Capitulo 7 - Uma cura da gripe

O chapeleiro foi o primeiro á quebrar o silêncio. “Que dia do mês é hoje? ”, perguntou virando-se para Alice: ele tinha tirado seu relógio do bolso e olhava para ele ansiosamente, chacoalhando-o de vez em quando e levantando-o no ar.

– Alice no país das maravilhas, Capitulo 7, um chá maluco

●⚬●

Para que serviria um chuveiro? Um objeto bem espalhafatoso com alguns furinhos em uma espécie de base, sendo que em uma extremidade haveria muitos fios. Para que exatamente, iria usar aquilo?

Senhor Park estava debaixo do chuveiro sem saber como que o mesmo funcionava, não saberia que seria necessário girar o registro para que a água quente caísse sobre seu corpo. Mesmo assim permanecia, ainda com roupas, dentro do box olhando sem se cansar para aquela geringonça.

Coçava a cabeça e negava em desistência, optou por sair do banheiro e ir até a sala onde pediria ajuda aos filhos. Teria dito que iria se banhar, mas como que iria quando aquele chuveiro teria complicado tudo? Resmungava diversos palavrões para demonstrar sua indignação, queria tomar banho para esquentar o corpo, e não conseguia fazê-lo.

- Luhan! – Chamando o filho caçula, que assistia televisão junto ao marido, se levantou e fora até o pai. – Como que usa aquele negócio pendurado na parede?

- Negócio?

O filho seguia para o banheiro, imaginando que o chuveiro teria caído da parede, mas o encontrara em perfeita condição. Logo ajudou o pai á entrar no box e mostrou como ligava o aparelho. Tão breve se retirava, o pai ainda estava senil para saber como era tomar banho. Poderia muito bem se despir e apoiar-se, dessa vez sem escorregar, na barra de inox e tomar um banho adequado.

Mesmo assim o caçula se mantinha no quarto, não teria ouvido a porta do banheiro se trancar e por isso ficou aliviado que poderia entrar em caso de emergência. Olhou o armário do pai e separou uma calça de moletom escura, deixou sobre a cama e logo tratou de escolher algumas blusas para que o idoso pudesse usá-las.

Estava nevando naquela noite, o natal chegaria em menos de algumas poucas horas. As crianças já estavam ansiosas para ganhar os presentes, algumas acreditavam no papai noel ainda e por isso ansiavam em irem dormir para acordar no dia seguinte com os presentes sob a arvore. Na verdade, o pinheiro estava sendo enfeitado por Sejeong e Jimin, enquanto Soojung preparava sua receita especial para o jantar.

Estavam todos ocupados, de certa forma, mas aquele era o primeiro natal que iriam passar sem nenhuma briga, sem birras, argumentos ofensivos ou mágoas. Todos estavam de bem. Era isso que Luhan ansiava por cumprir.

Ao ver o pai sair do banheiro de toalha, ajudou-o a se vestir devidamente. Mesmo que o idoso sorrisse e dissesse que saberia como colocar um cachecol, o rapaz formava um bico nos lábios e implorava para que o fizesse. Queria guardar muitas memórias, antes que as perdesse.

Logo o sentava na cadeira de rodas, ajeitando a almofada para que sua cintura não doesse demais. Empurrando-o para a sala onde os netos não se demoraram em subir no colo do avô para que brincassem de carrinho.

Jong In sorria com a visão de seus filhos brincando, até mesmo pegou o celular para tirar algumas fotos, e se pegar rindo da forma como o pai parecia entrar na brincadeira dos pequeninos. Quando que suas mágoas teriam sido apaziguadas? Mesmo que ainda lhe incomodasse a curiosidade em saber que fim teria trazido ao relacionamento de Baekhyun com seu pai, não iria sucumbir á mesma naquela noite, pelo menos não por enquanto.

Próximo ás onze da noite todos se reuniam em volta da mesa que estava repleta de um banquete. Os pratos feitos pelas noras e genro pareciam apetitosos pela cor dourada da carne e o cheiro suculento dos refogados. Antes de comerem, realizaram um brinde pelo bom natal e as ótimas férias, que apesar da notícia da doença do patriarca, estavam sendo bem aproveitadas.

Uma foto em família fora tirada em formato de selfie, Luhan o fizera com ótima qualidade, iria imprimir para fazer um quadro e deixar sob a lareira da sala, assim como distribuir cópias para os irmãos.

Á meia noite se aproximou e com ela os gritos das crianças que queriam ver a figura natalina, mesmo que Soojung afirmasse que o mesmo só viria quando os pequenos fossem dormir. Senhor Park ria deliciado com a visita, e até mesmo fazia questão de aumentar a folia batendo palmas e cantando as canções antigas, que ouvia quando era um menino.

Jimin, Soojung e Sejeong ficaram na cozinha junto ao patriarca brincando com as crianças, ouvindo suas histórias – que se repetiam. Sehun e Luhan trocavam caricias e sorrisos bobos próximos á lareira, onde se aqueciam do frio que fazia. Min Seok dava um jeito de esconder as sacolas de presentes das crianças, precisava deixar em um canto para que pudesse posicioná-las após elas irem dormir. No final das contas, o quarto do pai se tornou um ótimo esconderijo.

Enquanto isso Jong In se encontrava perdido em pensamentos, enquanto fitava a janela observando a neve cair suavemente. Bebericando o vinho tinto, sentiu vontade em acabar com todas as suas dúvidas. Não queria mais esperar pelo pai para contar-lhe sobre sua juventude. O idoso estava ficando cada vez mais doente, e não saberia dizer em que parte teria parado de narrar. Quando menos esperava contava tudo do início, ás vezes repetindo alguns fatos.

Como isso lhe angustiava.

Virando o copo despejando todo o liquido em sua boca, o filho do meio ia até a estante de livros e procurou pelo diário do pai. Luhan observara tal ato, mas não disse nada já que esperava que isso tornasse a reconciliação de pai e filho mais fácil.

Sentando-se no sofá e abrindo o diário no dia em que teria ouvido á última parte, o rapaz lia com atenção. Seus olhos que de início eram sérios passaram por surpresa e um sorriso despontava em seus lábios. E assim permaneceu lendo até que o final da noite.

Por volta das duas da manhã as crianças teriam se cansado e ido dormir, tão breve Min Seok trazia os presentes e as ajeitava abaixo da árvore de natal, tendo certeza de que cada pacote teriam os nomes dos presenteados.

Aos poucos, cada um seguia para seus respectivos quartos deixando apenas Jong In sentado no sofá lendo o diário. Quando chegara na parte que mais lhe angustiava, e que iria responder de suas perguntas, soltou um suspiro e sentia os olhos marejarem.

- Se separaram por besteira, tsc.

Fechando o diário e o guardando na estante, Jong In suspirava olhando uma vez mais para a janela. Mesmo que achasse o motivo da separação boba demais, saberia que quando seu irmão mais velho soubesse iria se sentir mal. Além do mais, sempre era triste ver um casal que tanto se ama se separar.

Com as mãos no bolso seguiu para o seu quarto, onde iria dormir ao lado da esposa.

●⚬●

Bulgwang-dong, 9 de maio de 1966

As festas de final de ano teriam se passado com rapidez. Chanyeol, como era costume, passou duas semanas com seus pais ouvindo sermões sobre a briga e questionamentos sobre o seu futuro. Ficara a maior parte de suas férias evitando os pais, trancando-se no quarto onde escrevia suas cartas e as enviava para Baekhyun, ou então apreciando a casa de campo da família Park.

O assunto sobre o seu noivado permaneceu em silencio, uma vez que a outra família teria pedido por um tempo até que a suposta noiva se formasse devidamente. Porém já seria um assunto concreto, e por esse motivo Chanyeol tentava arranjar alguma forma de fugir.

Por ser o ano em que iria entrar em uma faculdade estava se sentindo nervoso. Poderia ser o ano em que iria se separar de Baekhyun. Por mais que nas suas cartas, onde o mais alto passaria horas apenas lendo e admirando a caligrafia, afirmasse que pensaria em um curso após o início das aulas, Chanyeol se sentia angustiado da mesma forma.

Quando a viagem se findou o rapaz de cabelos branco pegou o primeiro trem da manhã e retornou para a escola, sabendo que seus pais ficariam furiosos consigo em apenas descobrir sobre sua fuga através de um singelo bilhete que deixara sob a mesa da cozinha. Mesmo assim não queria perder tempo, a melhor parte das férias estava por vir.

Assim que colocara os pés no dormitório, após algumas horas sentado no trem e pegar um táxi até a escola, não demorou em procurar pelo outro garoto. Não seria a primeira vez que invadiria seu dormitório e o encontraria sozinho, apenas sentado na cama lendo algum livro. O que lhe deixou extasiado fora ver a fisionomia de surpresa de Baekhyun, que largou o livro na cama e saíra em disparada para abraçar o rapaz alto.

Havia o empurrado, com mala e cunha, para dentro de seu quarto onde iria poder pular em seu colo, envolvendo as pernas no tronco do maior, segurar-lhe o rosto e beijar de seus lábios. Quanta saudade teria sentido daquele toque e de seu cheiro amadeirado. Ah como o saudava.

Chanyeol nunca teria se sentindo tão bem-vindo quanto naquele dia, e sorria com extrema satisfação em cada toque possessivo de Baekhyun para com consigo. Ficaram o dia todo naquele quarto, onde puderam conversar e fazer amor sem se preocuparem com absolutamente nada.

Porém as férias logo se encerrariam e com ela um novo ano letivo se iniciava. Toda a alegria que sentiam foi-se embora quando viram Sun Hee ainda na escola. A garota teria repetido de ano, e talvez conversado com o diretor, para que naquele ano ficasse na mesma sala de Park Chanyeol.

O que era para ser um ano extremamente bom e feliz, parecia se tornar um intenso pesadelo. Até mesmo para visitarem o jardim tinham de ser discretos, pois a garota seguiria o rapaz alto de todas as formas possíveis. Obviamente teve de criar planos, onde teria de matar aula junto com seus amigos, para em seguida voltar á pular o muro indo para o jardim.

Saberia que a garota não iria segui-lo quando se tratava de matar aula.

Mas o que iria incomodar ainda mais, seria o olhar frio e repulsivo sobre Baekhyun. As agressões não teriam aumentado, muito menos diminuído, mas ainda eram recorrentes. Agora com ela, de forma literal da palavra, no encalço de Chanyeol, o menor não saberia como se aproximar, tendo que sempre esperar pela iniciativa do mais alto.

Apenas para aquilo ele deveria depender do maior, apenas para que ele viesse á si.

O ano mal teria começado e as dificuldades teriam apenas aumentado. Baekhyun tinha o olhar perdido enquanto encarava a folha sobre seu colo, estava sentado no banco branco do jardim secreto, pensando no que deveria seguir após o terceiro ano do colegial. Não saberia que profissão lhe traria prazer, e muito menos qual curso poderia lhe despertar uma paixão. Por mais que fosse um ótimo aluno, e por isso recebesse diversos convites de universidades, sentia-se perdido.

Não demorou para que um suspiro passasse por seus lábios, estava tão confuso que chegava a tirar toda sua emoção. Gostava de cuidar das plantas, talvez algo nessa área pudesse ser interessante. Também gostava de ler, então poderia optar por letras.

Balançando os cabelos formava um bico nos lábios até se dar conta que não estava sozinho. Ao olhar para trás via Chanyeol de braços cruzados lhe observando encostado em uma das árvores.

- O que faz ai todo quieto?

- Bode em canoa? – O riso de Chanyeol era baixo, se divertia com o olhar desconfiado do menor - Vendo o seu desespero.

- Olha só que malvado, apesar de estar sempre com a bomba.

Chanyeol se sentou ao lado do garoto e olhou a folha que estava em seu colo. Entendo o motivo de sua confusão, passou a refletir sobre si mesmo. Entretanto não se aprofundou naquilo, apenas segurou as mãos do menor e entrelaçou os dedos enquanto o olhava.

- Sabe o que vai fazer no final do ano?

- Não me preocupo com a universidade, mas sim com o curso. – Baekhyun olhara para o maior, sentindo sua mão ser acariciada pelos dígitos do outro. – E você?

- Irei para onde você for.

Frase tão clichê poderia trazer o tom rosado para a bochecha do menor, que soltava uma risada inalada. Já teriam conversado sobre aquele assunto diversas vezes, e Chanyeol se mostrou disposto á procurar por uma universidade que tivesse dormitório, pois se recusava a voltar para casa.

Além do mais, seria bom demais viver alguns anos no mesmo quarto que Baekhyun. Já imaginava como iriam gastar as horas vagas, e com certeza uma delas seria na cama.

- Me refiro ao curso.

- Bom... não tenho nada por enquanto, então acho que irei tocar a empresa do meu pai mesmo.

Baekhyun assentia pensativo. Chanyeol parecia ter o futuro tão certo e isso lhe causava uma ponta de inveja. O mais alto poderia ser dono de uma empresa de entretenimento, e isso aumentaria ainda mais sua popularidade. O que lhe preocupava era saber o que viria depois. Por enquanto a questão da universidade parecia, e uma ressalva para parecia, estar pré-definida.

Iriam continuar se vendo e mantendo do relacionamento em segredo.

- O que acha... de fazermos o vestibular de inverno? – Baekhyun olhava para o outro, que parecia interessado – Se conseguirmos concluir o ano antes... talvez teríamos tempo de aproveitar as férias antes da faculdade.

- Isso muito que me interessa.

Depositando um selar demorado nos lábios de Baekhyun, o mais alto já conseguia se sentir cada vez mais animado em finalizar o colegial. Queria a universidade, onde poderia ter a liberdade para fazer o que quiser. Além disso, se tomasse posse da empresa do pai, poderia jogar sua família de escanteio e trazer Baekhyun para sua área de conforto.

Se fizesse tudo corretamente, iriam viver o resto de suas vidas, juntos.

●⚬●

Na manhã de natal com neve só poderia resultar em alegria. As crianças, assim que acordaram e sem retirar os pijamas, foram em disparada para a sala onde encontraram os presentes em baixo da árvore. Mas antes de abrirem, fizeram questão de que todos os adultos da casa estivessem por perto, já que haveriam alguns pacotes para eles.

Não teria como não sorrir diante da euforia dos pequeninos, afinal de contas parecia que algo magico acontecia ali. Por isso se mantiveram em silencio sobre como o papai noel teria passado pela lareira.

Tão breve era possível encontrar os pacotes de presentes rasgados pelo chão da sala, o tapete estava totalmente domado pelas caixas de brinquedos, afinal era o que a criançada gostava, por que raios iriam querer roupas? A felicidade dos gêmeos em levar presentes para os pais, contagiou os mesmos.

Todos teriam ganho presentes e entrado na brincadeira dos menores. Claro que fora tudo graças ao papai noel.

Queriam estrear seus novos brinquedos o quanto antes, mas o pedido dos pais era que tomassem um banho e se agasalhassem antes de irem no lado de fora brincar na neve. Enquanto isso senhor Park ajeitava a touca em sua cabeça e aproveitava do café feito por Sehun. Era sempre doce e por isso casava bem com leite, deixando a bebida morna e deliciosa.

Esquentava seus dígitos na porcelana levemente quente, enquanto observava a televisão. Estava tão bem estacionado em sua cadeira debaixo de uma coberta, que se quer deu atenção quando os filhos saíam em procura de algum outro alimento. Já estava na hora de irem ao mercado mais uma vez, dessa vez para cumprirem com a lista b.

- Eu fico com ele.

Jong In já teria se ajeitado no sofá, teria acordado com o nariz avermelhado e espirrando aos berros. Provavelmente estaria gripado.

- Quer que eu traga algo?

- Algo para beliscar está ótimo.

Min Seok e Luhan, junto aos demais, se retiraram para irem ao mercado. Precisavam espairecer e sair um pouco de casa. Sejeong seria outra que permaneceu em casa, teria se recusado á sair da cama naquele frio e pretendia passar o natal debaixo das cobertas dormindo. O som dos carros que saíam logo diminuíram quando se afastaram, o som da televisão era o único que quebrava o silêncio.

O rapaz moreno teria se ajeitado no sofá, ainda estava sonolento por conta da noite mal dormida, talvez o corpo latejasse tanto que nenhuma posição era suportável para dormir tranquilamente. Enquanto via a televisão não demorou em adormecer, mesmo que contra a vontade.

Senhor Park observava o filho no sofá e soltava um riso abafado. Lembrava-se, ainda, com perfeição de sua tenra idade quando o garoto sempre dormia após assistir os seus desenhos no sábado de manhã. O garoto só acordava com energia próximo ao horário de almoço.

Vendo que sua xicara estava vazia, se levantou ficando diante do rapaz, tocou-lhe a testa e averiguou uma pequena ardência em sua tez. Estava com febre. Pigarreando seguiu para a cozinha, onde encarou seus armários e os abria sem saber ao certo o que procurava e onde procurar.

Com seus movimentos lentos, demorou cerca de dois minutos para encontrar o vidrinho que continha algumas folhas de hortelã, outro vidro contendo um pouco de gengibre. Não demorou para que descasasse o gengibre, cortando um pedaço pequeno e o fatiasse. Deixou a água, com meia xicara de leite e o pedaço do gengibre ferverem. Após a fervura adicionou um sachê de chá Earl Grey e esperou alguns minutos.

Não era muito fã de chá, mas teve de aprender á fazer quando via sua ex esposa indisposta em meio á gestação. Cuidara dela para que seus filhos nascessem com saúde, já que era proibido o uso de medicamentos no período dos nove meses. Sendo assim, senhor Park teve de adicionar alguns dotes culinários para cuidar da mulher com quem casara.

Após esperar os três minutos retirou o pedaço de gengibre, com extremo cuidado, e adicionou doce de leite e um pau de canela. Deixou em uma xicara junto com um pedaço de bolo, que Soojung teria preparado para a noite anterior e quase fora detonado pelos netos por ser de chocolate, e deixou tudo preparado em uma bandeja.

Não tinha mais força para levar até o filho, mesmo assim tentou. Segurando com cuidado enquanto caminhava lentamente até a sala, deixou a bandeja sobre a mesa de centro antes de se virar para o filho.

Tocou-lhe com delicadeza sua bochecha em uma caricia, tal como fazia consigo quando era criança.

- Jong In, acorde para beber o chá.

O filho, de forma automática, resmungava e se espreguiçava até sentar-se no sofá com a fisionomia sonolenta e os cabelos bagunçados. Senhor Park, que teria se esquecido que queria mais café com leite, voltou a se sentar na poltrona e a ver televisão. Jong In observou a bandeja na mesa de centro e a pousou em seu colo, deixando que suas bochechas ficassem levemente rosadas.

Olhou de soslaio para o pai, que parecia interessado no que assistia, e sorria gentilmente.

- Alguns velhos hábitos não mudam, não é mesmo?

Bebendo um gole do chá e se lembrando de todas as vezes que ficou doente e pode desfrutar do chá feito por seu pai, Jong In percebia que seu muro de conflitos e mágoas deixava-se cair por completo.

●⚬●

Bulgwang-dong, 9 de maio de 1966

Assim como era esperado os dois rapazes aproveitaram o restante do dia, após o termino das aulas, no jardim. Baekhyun ainda repensava sobre que curso gostaria de fazer, enquanto se agachava diante das orquídeas para regá-las.  Suas ações eram automáticas devido ao pensamento angustiante de seu futuro. Estava ansioso demais por dezembro, e queria a resolução de tudo o quanto antes.

Chanyeol observava o menor até cair no sono sob o banco do jardim. Com os braços atrás da cabeça em uma pose quase sensual, conseguia ser belo até no fechar de olhos. O menor ficava alguns minutos olhando o outro dormir, até se lembrar de seus deveres para com o jardim.

Por quanto tempo iriam ter aquela paz? Adorava o fato de poderem viver daquela maneira, só os dois e ninguém os interpretando mal, fazendo alguma agressão física e verbal. Era como se o mundo pertencesse á eles. E talvez, apenas um talvez, de fato fosse.

Ao finalizar suas atividades percebeu que ainda era cedo demais para seguir ao dormitório, queria aproveitar um pouco mais da presença do rapaz de cabelos brancos. Sendo assim fora até a estufa onde encontrou sua mochila, pegou o caderno e uma caneta logo começando a escrever.

Talvez fosse um poema, ou uma carta, poderia ser um pequeno romance. Não importava, o protagonista era o rapaz de cabelos brancos, cheios de tatuagem em seus braços, que se encontrava deitado no banco branco do jardim secreto. Escreveu sobre seus sentimentos, descreveu suas sensações para com o maior, e tentou transportar a sua visão para o papel sobre a felicidade em ansiar pelo futuro deles juntos.

Ficara por volta de meia hora escrevendo até que Chanyeol despertasse, no susto de ter perdido a hora. Havia percebido que Baekhyun estava sentado no gramado á sua frente, com o caderno aberto e apoiado em suas pernas. Arqueou a sobrancelha e apertava os olhos, tentando afastar o sono, enquanto se sentava no banco.

-  O que faz aí?

Baekhyun continuava a escrever concentrado. Apenas erguera o olhar e balançou a cabeça em negação, logo sorria e mordia o lábio para voltar á escrever. Teria deixado claro que seria algo seu e que permaneceria secreto. Como aquilo teria atiçado a maldita curiosidade do mais alto.

- Me conte, o que está escrevendo tanto?

- É uma carta para nós do futuro - Respondia derrotado, saberia que o outro não lhe deixaria em paz até que soubesse o que de fato escrevia. – Só poderemos ler daqui a uns... dez anos?

O sorriso grandioso de Chanyeol surgia em meio de seus lábios, esticou as mãos para o menor á sua frente, que deixara o caderno e a caneta sob o gramado, apenas para atender ao chamado do maior. Segurou suas mãos e fora puxado para se sentar ao lado do outro, que lhe abraçava apertado.

- Ah isso é algo que terei de adicionar... – Baekhyun deslizava os dedos pelas costas do maior, e de forma tímida, aspirou de seu perfume deixando suas bochechas ficarem roseadas. – O abraço mais gostoso do mundo.

- Acha meus abraços gostosos?

- Talvez... um pouco.

O riso baixo, e rouco, de Chanyeol alargara o sorriso do menor. Baekhyun se afastara e segurou delicadamente o rosto do outro, depositando um selar demorado, e cheio de significados, sobre seus lábios. Tão breve a ponta da língua do maior passava a deslizar entre seus lábios, em um pedido para que ultrapassassem o selar.

Um beijo apaixonado fora deixado, sem que as mãos ultrapassassem a cintura do outro, sem que ansiassem pelo sexo, apenas aproveitando o mover de lábios que os deixavam mais próximos ainda.

Era como se uma jura de amor fosse trocada ali mesmo. Talvez inúmeras promessas tivessem sido seladas com aquele beijo. E não seria para tanto, era o melhor beijo que ambos tiveram. 

Com a falta de ar, e crescentes desejos aumentando, os dois rapazes recolheram seus pertences e seguiram para o dormitório. Chanyeol fizera questão de errar o caminho de seu quarto para que chegasse até o de Baekhyun. Não queria desgrudar do outro, sabia que se fosse para sua cama iria rolar no colchão pensando no outro, enquanto uma ponta de saudade apertava-lhe o peito. Por que iria adiantar sua dor? Era melhor prevenir do que remediar.

- Quer dormir comigo?

- Todas as noites se possível.

- Você é louco senhor Park.

Baekhyun ria e negava com a cabeça, enquanto poderia ir ajeitar sua cama adicionando mais uma coberta. Chanyeol observava-o com um sorriso saudoso no rosto.

- Por você, eu permito ser louco de vez em quando.

Não tardou em ir atrás de Baekhyun e abraçar sua cintura. Ouvir a risada baixa e abafada do outro parecia uma música em seus ouvidos. Talvez não fosse uma má ideia, dividirem a cama naquela noite, já que uma chuva grotesca estava prevista para cair sobre a cidade.

Dentro de alguns minutos mais tarde, de fato caíra a chuva, com direito algumas trovoadas e um vento que balançava com violência as arvores. Mas os meninos não estavam se importando com o que acontecia no lado de fora, já que entre eles os gemidos já eram suficientes para tirar o silencio daquele ambiente.

●⚬●

Sejeong ficava a observar a geladeira se perguntando o motivo daquilo se encontrar ali. Arqueou a sobrancelha antes de fechar a porta e ir até a porta do quarto dos pais e apontar para a cozinha. Min Seok e Jimin ficaram a olhar a filha esperando por suas palavras, que pareciam ter se perdido enquanto fitavam a confusão estampada em seu rosto.

- Por que tem alguns pares de meias dentro da geladeira?

Min Seok cerrou o cenho e processou a pergunta da filha novamente. Logo deixava o quarto para ir até a cozinha, onde abrira a geladeira e vira. Haveria exatos quatro pares de meias, bem dobrados, em uma das prateleiras da geladeira.

- Cadê minhas meias?

Senhor Park gritava do quarto, Min Seok soltou um riso abafado antes de segurar os pares e retirá-los da geladeira. Ao se virar, percebia que a esposa e filha estariam o olhando com curiosidade. Tinha de se lembrar, as mulheres ainda não sabiam da condição do velho senhor, sendo assim elas iriam continuar estranhando tais comportamentos do idoso.

- Já to levando pai!

O rapaz mais velho levara as meias até o pai, dizendo que teria tirado para lavar e acabou por esquecer no varal, por isso estariam geladas. Não adiantaria dizer para ele, que o próprio senhor Park teria deixando-as ali por ter se esquecido da funcionalidade de sua gaveta no armário do quarto.

Pegara um par e colocou nos pés do pai, que também estavam frios. Ajeitou o velho senhor na cadeira de rodas e levou até a sala, ficando de frente para a lareira que Sehun teria deixado queimar as madeiras.

- Onde mais se poderia guardar meias?

- Pois é pai, onde mais, não é?

O filho mais velho ainda não acreditava ter visto as meias na geladeira, por mais que fosse triste de ver que aos poucos o pai iria esquecendo das coisas, não teria como não rir daquilo. Parecia brincadeira de uma criança, e era exatamente a forma como senhor Park olhava para o filho, como se fosse uma criança muito fantasiosa.

Deixando uma coberta sobre as pernas do pai, Min Seok logo voltava para o sofá onde iria assistir televisão. Mesmo que ouvisse a jornalista dar a notícia, seus olhos estavam repousados sobre o pai que fitava a janela como se esperasse alguém chegar. Diferente das demais vezes que encarava o vidro, parecia estar em expectativa, com o olhar vivo no lado de fora.

- Pai, o que tanto olha na janela?

- Estou esperando o Baekhyun chegar, á qualquer minuto ele chega. – O senhor Park tinha se virado para o filho e sorria brincalhão – Ele me disse na sua carta que viria para o meu quarto me ver.

Min Seok sentira um aperto no peito, percebia que naquele momento o senhor Park teria se esquecido de que ele e Baekhyun não se viam á mais de quarenta anos.

━━━━━━ ◦ ❖ ◦ ━━━━━━

Lembrando-me de tudo o que aconteceu no passado
Eu quero dizer que sinto muito, mas eu te amo tanto

Promise- Exo

━━━━━━ ◦ ❖ ◦ ━━━━━━


Notas Finais


E agora? Vamos esperar o próximo capitulo apenas /enxuga as lágrimas


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...