História O Jardim Secreto - Capítulo 8


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Kai, Lu Han, Sehun, Xiumin
Tags Chanbaek, Exo, Yaoi
Visualizações 124
Palavras 5.113
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa tarde minna-san!!!
Vamos lá com mais um capitulo? espero que gostem hehehe

Capítulo 8 - Capitulo 8 - O inicio de uma busca


Fanfic / Fanfiction O Jardim Secreto - Capítulo 8 - Capitulo 8 - O inicio de uma busca

Ela estava procurando alguma maneira de escapar, imaginando se daria para fugir sem ser vista quando percebeu uma curiosa aparição no ar: aquilo a confundiu muito no início, mas depois de olhar por um minuto ou dois percebeu que era um sorriso e ela disse para si mesmo “É o Gato de Cheshire: agora eu tenho alguém com quem falar”

– Alice no país das maravilhas, capitulo 8, o jogo de críquete no campo da rainha

●⚬●

Três meses depois da noite de natal

A primavera era belíssima com seus arranjos florais que embelezavam as arvores da cidade de Bulgwang-dong, que ainda se encontrava tão deserta quanto antes. Após o mês das festividades ter se encerrado, todos tiveram de retornar para suas cidades e retroceder ao trabalho, além das crianças que ainda iriam para a escola.

Mesmo assim senhor Park não estava solitário, quando acordava via o filho caçula lhe preparar um café da manhã e lhe dar banho, já que o idoso não conseguia mais fazê-lo sem que demorasse demais. Além disso tinha companhia para ajudar nas plantações, precisava colher algumas e plantar outras.

Era uma atividade deliciosa de se fazer quando o dia estava levemente ensolarado com uma brisa refrescante. Apesar de não ser recomendado ficar sob o sol após o meio dia, era o único horário que senhor Park acreditava ser ideal para trabalhar, além de ser sua atividade de ficar em pé andando de um lado para outro antes de tomar banho e repousar na cadeira de rodas.

Luhan parecia se divertir muito ao lado do pai, e por isso tirava muitas fotos para postar em suas redes sociais, como uma forma de avisar aos irmãos – sem que fizesse o uso de mensagens e ligações – que estaria tudo bem por ali. A diversão se intensificava quando aproximava das quatro da tarde, era possível ver Sehun chegando com as crianças que saíam para se esconderem entre os trigos e brincar de esconde-esconde.

Aproveitavam meia hora antes que Luhan fosse para o trabalho, e então era vez de Sehun em dar banho no sogro e sentá-lo na cadeira de rodas. Como era de costume na época em que moravam juntos, conversavam sobre os anos 60 e 70, onde o genro fazia anotações para o seu livro.

A conversa durava horas, mas teria de ter paciência para perceber que senhor Park repetia a sua fala quando se distraia, mesmo que fosse apenas ajeitar a roupa em seu corpo. Entretanto Sehun era um genro muito cuidadoso e não se importava, saberia da condição do idoso e por isso lhe dava espaço para que dissesse tudo o que lembrasse, mesmo que fosse fora de ordem.

Nos finais de semana os outros dois filhos faziam a visita para o pai, ficavam apenas para o almoço e logo retornavam para suas casas. Teriam percebido que a cidade abandonada não era de um todo mal, na verdade sua calmaria era relaxante para que aqueles que viviam no trajeto acelerante da cidade grande.

Sem dizer que queriam fugir da possessividade da mãe. Sun Hee demonstrou interesse muito grande na doença do ex-marido, mas os filhos se mantiveram em silêncio. Jong In teria se afastado abruptamente da mãe após ler todo o diário, por mais que amasse aquela mulher que lhe criou, era difícil de acreditar que a mesma jogasse tão baixo á ponto de fazer com que a vida de seu pai se tornasse sem cores.

Estava entre o amor e o ódio com a mulher. Min Seok teria percebido que o irmão se mantinha afastado e evitava de conversar sobre o assunto, principalmente consigo. Sendo assim também sentia a curiosidade em ler todo o diário do pai de uma só vez. Em um domingo que fora visitar o senhor Park, resolvera tirar fotos das páginas do diário e deixaria para ler quando chegasse em sua casa, onde poderia ter espaço o suficiente para rir e chorar, caso necessário.

Quando resolvera passar as fotos para o computador, e esperou para ler quando toda a família tivesse ido dormir, Min Seok sentia seu estomago se revirar. Por mais que o pai contasse os primeiros anos da faculdade, seguindo para o momento em que começou a trabalhar na empresa do pai – avô de Min Seok – sentia que algo pior estava por vir á acontecer. Assim que encontrou a data que teria sido a última anotação de senhor Park sobre o relacionamento de Baekhyun, percebia que haviam manchas nas páginas.

A sua caligrafia transmitia dor e sofrimento, era estampado nas manchas que borravam a tinta pertenciam ás lágrimas do pai. Teria chorado ao descrever sua frustração da separação. Foram páginas e páginas descrevendo suas sensações em estar com Baekhyun depois de tantos anos, assim como eram páginas demonstrando o ódio profundo por Sun Hee e a vontade de matá-la por ter interferido de tal maneira.

Assim como era esperado, Min Seok sentira tamanho enjoo que teve de correr até o banheiro para regurgitar. Era um misto de sensações em tamanho, queria gritar, queria chorar e sentia-se culpado.  Após escovar os dentes e optar por ir descansar, saberia que sonharia com o diário de seu pai.

No final das contas acabou por esperar alguns dias até que resolvesse ligar para os irmãos para que se reunissem e discutir sobre o diário em si. Poderia parecer algo tão supérfluo, se encontrarem para conversar sobre o passado do pai, mas o filho mais velho estava tomado por uma culpa que ainda o deixava enjoado.

Quando percebia que os dois irmãos mais novos sabiam do final do conteúdo, se pôs a chorar por não saber o que pensar. Talvez fizesse sentido as primeiras lembranças onde seu pai se mostrava desanimado perto da mãe, e raramente lhe dava atenção. Apenas o fez quando Jong In nascera, onde o coração mole do senhor Park surgira. Percebia que as poucas caricias que dava aos filhos tinham significados. Uma solidão e tristeza sem tamanho.

- Não fique assim Minnie – Luhan abraçava o mais velho, que encarava o diário com tristeza – Sabe ele optou por cuidar de você, de nós...

- Como o papai está?

Jong In e Luhan se entreolharam, percebiam que o mais velho queria mudar de assunto por já ter desabafado e ainda parecia querer esconder algo. Respeitariam ele, afinal de contas não seria qualquer um que conseguiria lidar com tal situação.

- Bom esses dias ele acabou por perguntar ao Sehun como ele e eu nos conhecemos – Luhan sorria levemente, ganhando o olhar e a atenção dos irmãos, o caçula baixou os olhos para suas mãos, onde os dedos apertavam o zíper da blusa que usava – Ele até começou a contar de novo como conheceu Baekhyun.

- O estado dele está piorando, não vai demorar para que se esqueça da gente.

Min Seok assentia á fala do irmão, voltando a encarar o diário. A capa estava levemente surrada, tinha até de tomar cuidado em segurar as páginas com medo de rasga-las.

- Ele ainda está o esperando?

Luhan olhava para o mais velho, se recordara que após o natal ele teria contado sobre o pai olhar para a janela ansiando pela chegada de Baekhyun, e de como teria ficado triste pelo mesmo não aparecer. Os três filhos optaram por contar ás esposas sobre a doença do pai – uma vez que elas pareciam esperar por alguém mesmo -, e logo todos sabiam e tomavam cuidado com o idoso.

- Sehun disse que é difícil de leva-lo para cama quando ele está tão submerso olhando a janela. – Se ajeitando na cadeira enquanto olhava para a vista do jardim de sua casa, o caçula sorria – Acabamos por encontrar uma forma de acalmar ele, Hun encontrou uma carta de Baekhyun, aquela que ele fez na época da escola. – Os irmãos assentiam se lembrando de terem visto o pedaço de papel que estava guardado em uma página do diário – Hun entrega á ele e diz que Baekhyun pediu para lhe entregar, pois sentia muito por não comparecer ao encontro marcado.

- Por ele não se lembrar, então é algo que o deixa calmo toda noite?

- Absolutamente.

Os irmãos permaneceram em silêncio por um instante e logo Min Seok mexia em sua mochila, encontrando uma pasta que deixara sobre a mesa. Ponderou sobre coloca-la na mesa, deixou um suspiro longo escapar de si.

- Quero encontrar Baekhyun e leva-lo até o nosso pai – Os dois outros filhos olharam para o irmão mais velho surpresos por sua fala, observando a pasta que era posicionada em meio á mesa – Acho que seria legal eles se encontrarem antes... do pai esquecer alguma coisa...

- Nem sabemos se ele está vivo – Jong In olhava a pasta com curiosidade, o irmão mais velho teria iniciado uma busca e teria algumas pistas iniciais que havia encontrado no diário de seu pai.

- Mesmo se encontrarmos o tumulo, acho que seria o ideal permitir o papai ir visita-lo...

Luhan e Jong In assentiam, concordando com Min Seok. Logo os três envolviam um plano além de cuidar do pai doente, teriam a missão de encontrar por Baekhyun.

●⚬●

Bulgwang-dong, 15 de dezembro de 1966

Um ano teria se encerrado com rapidez e precisão. Chanyeol já tinha certeza de seu futuro e fazia questão de que Baekhyun fosse consigo. O garoto não saberia direito qual curso iria fazer, mas não teve como recusar o pedido do mais alto para que eles fugissem.

O motivo da fuga seria a carta que Chanyeol recebera de seus pais, marcando a data em que ele iria conhecer a sua noiva. Por mais que os pais mantivessem em segredo sobre quem seria a suposta noiva, não demorou para que o rapaz descobrisse. Ainda com Sun Hee atrás de si, a garota deixara claro que o veria em um domingo.

Teria odiado aguentar aquela garota atrás de si, estava tão sufocado com suas investidas quanto estava irritado por vê-la cercando Baekhyun. Aula de educação física era o terror do mais baixo, que sempre era alvo de alguma bola que a outra jogava. Chanyeol não deixava por aquilo mesmo, e muito menos sentia compaixão por ser uma menina, arremessava a bola de volta fazendo questão de acertar-lhe o rosto.

Mesmo que o mais alto deixasse claro que nunca iria se juntar com ela, a garota não desistia. Ser pega dentro do quarto do rapaz fora o estopim que o diretor aguentou. Avisou ambas as famílias e deixara claro que não aceitaria tal comportamento em sua escola.

A única coisa positiva que a tragédia trouxe, fora saber que Baekhyun era filho, ilegítimo, do diretor da escola. Agora compreendia o motivo do garoto ser protegido pelo homem, assim como passava parte das férias na escola. O que lhe deixara triste em receber tal informação, fora ver os olhos cheios de lágrimas por conta da raiva que sentia de Sun Hee.

Baekhyun estava furioso em demasia, teria aguentado demais as brincadeiras maldosas. Por isso estava se tornando enciumado e possessivo fazendo Chanyeol passar a maior parte do tempo consigo. Por algum motivo, o mais alto se mantinha calado sobre aquilo, e, segundo seus olhares, ele gostava de ver aquela proteção do mais baixo para consigo.

O castigo que tanto Chanyeol quanto Sun Hee teriam recebido por terem sido pegos no mesmo quarto após o alarme de recolhimento dos alunos, fora uma troca de dormitórios. Agora Sun Hee estava á dois prédios de distância do maior, que ficara alguns passos próximo de Baekhyun.

- Vamos fugir!

Sussurrava o maior segurando a cintura de Baekhyun, o menor descia do pé de manga após a colheita e olhara surpreso para o outro, que lhe ajudava com destreza á descer da árvore.

- Como é que?

- Já temos nossas vagas na faculdade em Seoul! – O maior dizia em baixo tom, enquanto mordia o lábio – e você mesmo me disse sobre irmos antes do tempo.

- Mas faltam poucas semanas para as aulas terminarem e...

- Não quer vir comigo? Pois eu irei de qualquer forma.

Olhar para as orbes de Chanyeol era como se fosse um espelho para a tristeza. Baekhyun já havia suspeitado do comportamento do maior durante algumas semanas, quando passavam grande parte do dia se beijando no jardim secreto ou então fazendo amor com mais frequência. Aquilo era estranho, parecia que tudo estava indo rápido demais, quando alguns meses anteriores estariam aproveitando o relacionamento secreto.

Se recordava de ter dito sobre irem antes do prazo, para aproveitarem o tempo antes das aulas começarem na universidade. Ah como queria aquilo de uma só vez, estava ansioso demais para ter o maior consigo á todo instante, e dessa vez sem que ninguém lhe perturbasse. E teria ficado muitíssimo alegre ao saber que Sun Hee iria para uma universidade feminina, como isso teria agradado o menor.

Com a tal noticia teria ficado mais tranquilo quanto o seu futuro com Chanyeol. Pelos menos era o que esperava.

Alguns dias anteriores, quando ambos teriam programado de irem para escola juntos, Chanyeol teria parado no hall de entrada e recebido uma carta dos pais. Baekhyun não se atreveu a bisbilhotar, mas pela reação do outro esperava pelo pior. Por mais que questionasse o conteúdo da carta, o outro não lhe dizia nada, apenas concordou em dizer – quando se deu por vencido ao ver os olhos brilhantes do companheiro - que nenhum de seus pais estariam em perigo.

E com a recente proposta de fugirem juntos, deixava tudo ainda mais suspeito. Por isso o menor cerrava o cenho e ajeitava o uniforme tirando cada pedaço de madeira que haveria grudado.

- Sabe Chanyeol, estou te estranhando ultimamente – Olhando para o maior, vira o mesmo ficar rígido e afastar alguns passos de si – desde que recebeu aquela carta.

- Mas de novo com isso? Já disse que foi nada.

Baekhyun cruzava os braços e mordia o lábio inferior. Não teriam brigado no início do relacionamento, mas após aquela carta chegar se tornara constante as vezes que Chanyeol ficara irritado consigo. Evitou de lhe questionar sobre o assunto até aquele momento, mas naquele momento tinha plena certeza de que algo estava sendo escondido de si.

- Não irei fugir com você e manter esse relacionamento se quer guardar segredos de mim.

Dando as costas, Baekhyun segurou a cesta repleta de mangas e seguia para a estufa. Chanyeol bufava e mexia nos cabelos brancos, que precisavam ser retocados, sentindo um pouco de tudo em sua mistura de emoções. Segurou sua mochila sobre o ombro e seguia para a estufa, encontrando o menor ajeitar as frutas para levar á cozinha da escola.

- Por que quer tanto saber?

- Porque eu conheço o meu namorado bem o suficiente para saber – Baekhyun se virou para o maior, dessa vez sem sorrir com gentileza – que algo aconteceu para que de repente propusesse que fujamos.

- Mas é como eu tinha dito antes, você mesmo que propôs isso Baekhyun!

- Ótimo então não vai se importar de fugir sozinho, não é? – O menor ajeitava a mochila em suas costas, segurava a cesta apoiando-a em seu corpo – Afinal até eu ir para universidade vai ser tempo o suficiente para que a gente repense sobre o nosso relacionamento.

Saberia que seria um jogo de palavras do menor para que no final contasse o conteúdo da carta, mesmo assim seria possível de sentir o arrepio na espinha na provável dor e saudade que sentiria daquele garoto. Como o amava e aquilo não o faria desistir. Sabia que estava escondendo algo muito importante, mas o medo de não saber como Baekhyun iria reagir era bem maior.

Enquanto o seguia para a cozinha, soltou um suspiro optando por ser franco.

- Meus pais querem me apresentar Sun Hee como minha noiva.

Os passos de Baekhyun se encerraram naquele mesmo instante, olhara para Chanyeol que parecia tão nervoso quanto si próprio. Mesmo que abrisse a boca para dizer algo nada saía, em sua garganta havia um bolo que lhe impedia de proferir palavras, assim como sua mente parecia um furacão de tantas questões.

- Seus pais querem que você se case com Sun Hee?

Chanyeol assentia, percebendo que o menor ainda digeria as informações. Ele andava alguns passos e parava, olhava para o maior e então voltava a andar. No final das contas apenas entregara a cesta de mangas em silencio e puxara o maior para o dormitório. Não importavam se estavam sendo vistos pelos demais, e até rumores sobre o relacionamento entre eles teria aumentado nos últimos dias, tudo o que Baekhyun queria era ficar á sós com o outro.

Assim que a porta do quarto se fechou, Baekhyun se sentou na cama e se pôs a pensar. Era como se um quebra cabeça começasse a fazer sentido. Todos naquela escola poderiam usar suas conexões para fazer o que quiser, e teria se esquecido disso. Sun Hee agia na escola, quando na verdade também agia fora dela. Fazer com que as duas famílias resolvessem se unir, por negócios, através dos filhos, ah como seria benéfico para aquela garota.

- E o que você pretende fazer?

- Por isso disse para fugirmos. Vamos lá, já temos o nosso histórico e podemos ir á qualquer momento!

- Chanyeol, por mais que a gente vá embora os seus pais ainda irão te fazer casar com Sun Hee. – Baekhyun segurava o rosto do maior entre suas mãos, fazia questão de ser o mais delicado o possível. – E ela não vai medir esforços para isso, sabe?

- Irei tomar posse da empresa do meu pai e assim ficarei livre de qualquer acordo – Dizia o outro que se aproveitava das caricias que recebia na face – Já providenciei tudo para que ficássemos até no mesmo quarto, iremos viver uma vida de casal como merecemos. Só questão de tempo e força para que eu possa atingir tudo isso.

Baekhyun via a determinação em Chanyeol, saberia muitíssimo bem que o outro sabia evitar os assuntos com seus pais, até mesmo era nota dez em fugas de trem. Entretanto sentia medo de muitas coisas, e não sabia ao certo se o outro pensava á respeito disso ou não. Seoul era uma cidade grande, e provavelmente ficariam perto dos pais do mais alto, mesmo assim queria arriscar.

Ganhando um selar na testa, Baekhyun sorria descrente da derrota que o cercava. Em menos de duas horas os dois garotos estavam em seus respectivos quartos guardando seus pertences e indo para o jardim secreto onde iriam pular o muro e seguir para a ferroviária onde iriam partir em segredo, trocando olhares cumplices da maior aventura que viviam após se conhecerem.

Quando sentaram no banco ofegantes pela correria de alcançar o trem que já partia, os meninos se entreolharam e soltaram uma risada abafada. A primeira loucura que cometiam enquanto fugiam de uma escola para se esconderem em uma Universidade. As próximas horas que seguiriam, eles poderiam fazer o que quiserem. Baekhyun demonstrava animação em ver a paisagem correndo no lado de fora, e era apreciado pelo maior que ajeitava a boina em sua cabeça.

Mesmo que conversassem, dormissem, comessem ou até mesmo trocassem caricias, parecia que o tempo se arrastava. Talvez ainda estariam tão descrentes da loucura que cometiam, que parecia ser um sonho. Vez ou outra a sensação de estar cometendo um erro se apresentava em Baekhyun, entretanto quando os dedos finos de Chanyeol se entrelaçavam com os seus, esquecia-se dessa pequena angustia e voltava á aproveitar da viagem.

- Olha só já dá para ver os prédios.

Baekhyun apontava animado, ajeitava a manga do casaco grosso e marrom enquanto sorria belamente para a vista da cidade grande. Era sua primeira vez por lá, ou talvez a primeira viagem grandiosa que fazia em toda sua vida, por isso não esperava que a empolgação ficasse escondida, não quando haviam muitas coisas á serem admiradas.

Chanyeol não conseguia evitar de olhar o outro, era como o sol irradiasse em sua volta, o deixando tão brilhante á ponto de cegá-lo. Aquele sorriso em seus lábios, como nunca teria reparado no quão belo era?  Seus próprios lábios começaram a formigar, mesmo que passasse a ponta dos dedos para acalmar, sabia que isso sanaria apenas com um beijo.

Olhou em volta vendo que ninguém prestaria atenção neles, assim como ninguém passaria pelo corredor vendendo algum lanche. Virando-se para o menor, segurou-lhe o queixo e depositara um selar demorado em seus lábios. Fora prontamente correspondido e mesmo assim a formigamento não havia passado. Deixando com que o musculo úmido transpassasse os lábios de Baekhyun, aprofundou o beijo deixando com que suas mãos deslizassem pelo corpo do outro e o puxasse para perto de si.

Baekhyun estava se acostumando a ser beijado de surpresa, e até mesmo pensava que adorava tal ato. Seus dedos finos e compridos se entrelaçavam aos cabelos do maior, acariciava sentindo a maciez e suavidade dos fios, enquanto a força se apossava em sua cintura o puxando para mais perto.

O beijo se findou quando o trem diminuiu a velocidade se aproximando da ferroviária. Era hora de descerem e seguirem pela cidade de Seoul. Segurando as bagagens e entrando em um táxi, Chanyeol conduzia o menor lhe mostrando alguns pontos turísticos. E se gabava internamente por ver a curiosidade e o sorriso de Baekhyun, tudo por sua causa.

Cerca de vinte minutos depois os dois davam entrada no dormitório da universidade pública, uma das mais difíceis de se entrar. Chanyeol teria tomado conta de tudo, quando contara aos pais que pretendia voltar á Seoul mais cedo, ambos ficaram animados e providenciaram tudo de acordo com o que o filho pedia. No final das contas a ansiedade principal cercava á noite, quando iriam dividir um quarto... e talvez uma cama.

A universidade em si era imensa, os primeiros prédios estavam divididos entre os dormitórios. No lado direito em uma estrutura delicada era o local onde as mulheres se alojavam. No lado esquerdo com uma fachada mais rústica encontrava-se o dormitório masculino, onde ambos rapazes seguiam. Mais ao fundo, entre algumas árvores, eles conseguiam enxergar uma parte do prédio onde eram ministradas as aulas.

Poderiam ir explorar no dia seguinte se quisessem, e de fato iriam. Mas naquele momento o que mais ansiava era o quarto, como queriam ver o quarto e já se apossar dele. O dormitório masculino não tinha muitas coisas interessantes, encontraram o refeitório e uma sala de estudos no térreo e logo no primeiro andar poderiam se encontrar os primeiros quartos. O comodo que os esperava ficava no terceiro andar, próximo á janela.

Sendo acompanhados pela secretária que entregava a chave e explicava as regras básicas de convívio ali, logo se retirou para que ambos ficassem á vontade. Assim que adentraram, encontraram duas camas de solteiro, uma em cada lado do quarto. Ao lado havia uma pequena mesa de estudos, e do outro lado da cama um pequeno armário. De primeira mão, os dois começaram a ajeitar seus pertences no armário e logo se deitavam em uma das camas – depois de muita insistência do maior para que ficassem juntos – para poderem descansar antes do jantar.

●⚬●

Senhor Park teria ficado imensamente surpreso em ver todos da família reunidos naquele domingo. Os filhos percebiam que o idoso já não havia se recordado das últimas visitas que recebera, e por isso não esperava vê-los tão cedo. Assumindo uma desculpa de que queriam ver as hortas, assim não sobrecarregando a memória do pai, os três rapazes, mais o idoso, seguiam pelas plantações.

Havia cultivado alguns trigos, milhos, soja e café, além de ter mais adiante alguns legumes e frutas que ainda estavam por ficar maduros. Senhor Park demonstrava alegria em contar aos filhos sobre como era cultivar e como teria aprendido com Baekhyun em seus tempos de escola.

Enquanto ensinava a como tirar um cacho de bananas, Min Seok segurava a cesta parcialmente cheia, olhando atentamente para o pai. Por mais que seu corpo estivesse enrijecendo, segundo as palavras do fisioterapeuta na semana anterior, o idoso demonstrava uma energia além do esperado. Não ficava parado por um segundo, queria aproveitar o dia antes de se sentar na cadeira de rodas ou em sua poltrona.

No final das contas ele parecia tão bem para alguém que estava doente.

- O pai... o senhor e o Baekhyun ficaram quanto tempo em Seoul?

Luhan e Jong In olharam para o irmão mais velho com surpresa, não esperavam que iria abordar daquela maneira tão repentina, sem se preocupar se o pai iria se lembrar ou não. Porém estavam curiosos e por isso repousaram os olhos para o senhor que passava a toalha de algodão sobre a face, limpando alguns pingos de suor. Ele olhara para o filho mais velho e espreitou os olhos pensativo, tão breve maneava a cabeça sem saber ao certo o que responder.

- Acredito que por volta de uns... cinco ou seis anos.

Jong In soltara uma risada abafada, acreditava que após seis anos de um relacionamento, por mais secreto que fosse devido ás condições da sociedade por volta dos anos 60 e 70, o motivo da separação parecia ainda mais ridícula. Recebendo um tapa de Luhan em seu ombro, o moreno calou-se balançando a cabeça.

- E sabe para onde ele teria ido além de Seoul?

Senhor Park suspirou e deixava o último cacho de banana dentro da cesta, olhara em volta averiguando se teria algo mais para colher logo avistando algumas uvas. Se esquecendo da pergunta, puxou os rapazes para a videira já procurando por uvas que pudessem estar prontas para serem colhidas.

Min Seok percebia que o pai teria “fugido” da pergunta, a retomou e vira o semblante pensativo do idoso. Para onde Baekhyun poderia ter ido quando se afastou do pai? Levou em cogitação aquela cidade, mas ela estava tão abandonada e seria difícil dele poder estar por ali vivendo em alguma casa. Principalmente por não verem nenhuma delas parecer ser bem cuidada, algumas estavam escondidas pelo intenso matagal, outras pareciam cair aos pedaços. Somente Senhor Park morava ali, de fato.

- Não faço a menor ideia, quando fugimos para Seoul o pai de Baekhyun viu uma oportunidade ali, e fez questão de deixa-lo na capital – Senhor Park olhava o cacho de uva em suas mãos, passava o polegar tirando qualquer sujeira e puxava uma goma para levar á boca. Assentia quanto ao gosto e sorria esticando para os meninos, que pegaram para experimentar. – Não acho que ele voltaria tão fácil para a cidade do pai dele.

- Então ele pode estar em Seoul até hoje...

Luhan tomou a frente em encerrar o assunto por aquilo, mas os questionamentos de Min Seok fizeram o senhor Park voltar á contar sobre como fora a fuga. Aquela era a terceira vez que contava aquela semana.

Enquanto voltavam para a casa de madeira, encontraram as crianças junto com Sehun e Sejeong cuidando dos cavalos. Pareciam adorá-los e sempre que visitavam era a primeira coisa a se fazer, dar comida e passear com os cavalos. Senhor Park seguia até os netos e ria ao ver um dos gêmeos tentar subir sozinho, parecia divertido montar em um e sair cavalgando por ai, mas o idoso poderia não aguentar, ou então se perder, por isso fora barrado pelo genro.

Sehun via o marido com a cesta cheia de frutas e pediu para que o sogro fizesse algum suco natural. Aquilo animara o idoso que entrou em casa rapidamente, chamando pelos filhos para que lhe ajudasse. Afinal uva poderia ser um sabor de suco... mas também daria um ótimo vinho. Com os quatro homens de avental e mangas arregaçadas, colocaram a mão na massa para prepararem o almoço daquele domingo.

Estavam tão compenetrados enquanto cozinhavam, que não viram o tempo voar tão depressa. O almoço acabou por sair de tarde, mesmo assim fora bem aproveitado quando todos se reuniram em volta da mesa para fazer o desjejum. Com a colheita feita ainda naquela manhã, alguns pratos estavam realmente saborosos. Jong In sorria satisfeito por ter conseguido seguir uma receita que pegou da internet.

Mais ao final da tarde os dois filhos mais velhos retornavam para suas cidades. Quando chegara em casa, Min Seok olhava para a pasta preta e a abriu encontrando diversas folhas, as organizando sobre a mesa de seu escritório. Se pôs a pensar, cada uma tinha uma hipótese de onde poderia estar Baekhyun, e segundo o que Jong In teria dito em uma ligação, se fosse para sair de Seoul o rapaz não teria ido muito longe.

Afinal de contas Baekhyun estudava e ainda trabalhava, não teria dinheiro o suficiente para ir tão longe. Quando os três irmãos pegaram um mapa da época, conseguiram organizar mais ou menos quais as cidades possíveis de Baekhyun ter fugido. Por isso Luhan ligou para algumas prefeituras á procura de um Byun, mas não o encontrou.

Se quer tentariam ligar para Seoul, seria perca de tempo procurar por alguém naquele formigueiro de cidade.

- Se o que pai falou for verdade – Min Seok puxava a folha que tinha algumas anotações sobre Seoul por volta da década de 60 e 70. – Então ele deve estar em Seoul... mas onde?

Tamborilando os dedos sobre a mesa, soltou um suspiro pesado. Pegou o celular e digitou uma mensagem para os irmãos, pedindo uma ajuda em pensar onde em Seoul Baekhyun poderia estar. Tinha de levar em consideração a hipótese de alguma fatalidade, por isso evitava de criar expectativas sobre o assunto. Mesmo que encontrasse a família dele, seria um lucro.

Se levantando da cadeira indo até a janela, fitou o ritmo da cidade grande. Morava em Seoul, poderia muitíssimo bem ver onde mais encontraria aquele Byun.

●⚬●

Em Bulgwang-dong, enquanto olhava para a janela da casa vazia, um senhor tinha o olhar compenetrado do jardim de sua casa. Não sabia ao certo quanto tempo se passou enquanto admirava a vista e se embarcava nas lembranças, mesmo que lhe doesse o coração permanecia o sorriso nos lábios. Ele que andava calmamente com as mãos no bolso ia até o armário da sala, pegou e ajeitou o avental sobre o corpo e saía da casa indo para aquele jardim. Em passos consideravelmente rápidos, olhava para a imensa árvore que parecia dar frutos em breve. Sorria nostálgico enquanto acariciava o tronco enrugado da madeira e soltava um suspiro.

Estava tão imerso naquelas lembranças, que jamais havia cogitado a ideia de sair além de seus muros. Aquele jardim era tão precioso que jamais imaginou o quanto seria difícil de deixa-lo no esquecimento quando carregava imensas lembranças.

Com um sorriso triste começou a regar algumas flores, enquanto cantarolava a sua música predileta.

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Enquanto você está feliz e abençoada, eu estou disposto
Para dar tudo á você

Promise- Exo

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Notas Finais


Espero que tenham gostado, já estou escrevendo os ultimos capitulos da fiction =/, por isso em breve estaremos finalizando-a aqui no SS e no Wattpad.


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