História O Jogo da Mentira - Capítulo 3


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Mistério, Romance e Novela, Saga, Suspense
Avisos: Bissexualidade, Insinuação de sexo, Tortura
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Anjos Diabólicos


 

Enquanto eu coloco o resto de minha maquiagem no armário, ouço um sussurro.

- Saiam logo daqui!

Observo pelo canto dos olhos alguns garotos saírem do corredor. Só contei 4, então, cadê o número 5? De repente sinto uma respiração quente perto do meu pescoço. É ele.

- Oi! – diz ele se aproximando.

Levo um susto e derrubo meu batom. O garoto se abaixa para pegá-lo e, enquanto se levanta, começa a olhar para as minhas pernas. Assim que ele fica de pé pego meu pertence e o coloco dentro do armário.

- Obrigada! – agradeço.

- De nada. – sussurra ele.

- Qual é o seu nome?

- Dylan e o seu? – pergunta, chegando mais perto.

- Stella Driv.

Me afasto a cada centímetro que ele se aproxima até sentir a superfície dura do outro armário. Dylan coloca às mãos ao meu redor para que eu não saia, isso deixa minha respiração acelerada. Olho envolta e vejo que o corredor está vazio.

- Você é linda, sabia? – elogia ele.

- Eu me olho no espelho todos os dias, é claro que eu sei.

Ele ri.

- Você é difícil.

- Eu nunca fui fácil!

Dylan morde o lábio inferior.

- Essa sua boca só fala ou também beija? – pergunta baixando os olhos para a minha boca.

Dylan não perde tempo e começou a se aproximar. Tá se aproximando demais para o meu gosto.

- Isso me deixa em dúvida, mais a minha mão sabe bater. – respondo dou uma tapa no rosto dele.

- Ai! – se queixa.

Fecho meu armário, pego minha bolsa do chão e saio correndo para a sala do 1º ano A. Assim que chego na porta vejo meu irmão. Quando me avista, Thiago faz um sinal para eu entrar depressa. Abrindo a porta devagar, percebo que tem um professor escrevendo seu nome no quadro. Na ponta dos pés, vou indo em direção a uma cadeira com a bolsa do meu irmão gêmeo, obviamente, é o lugar que ele guardou para mim. Os outros estão espalhados pela classe. Que pena. Queria tanto que sentássemos juntos.

Faltando poucos metros para chegar ao meu assento, o professor chama minha atenção sem se virar.

- Está atrasada!

- Ah, é que...

- Não tolero atrasos nas minhas aulas. – me interrompe.

Faço que sim com a cabeça.

- Isso não vai se repetir Sr.... – faço uma pausa, me esticando para tentar ver qual é o nome dele.

- August – complementa, virando-se e saindo da frente para todos verem o que escreveu.

Aceno com a cabeça e me viro para o meu irmão que está fazendo um sinal com a mão para eu me sentar depressa.

- Por que demorou tanto? – pergunta baixinho.

- Um dos garotos do time de futebol-americano me atrasou.

- Sabia! Meu sensor de irmão gêmeo estava aguçado.

Eu rio. De repente Dylan entra na sala e me encara.

- Mais um?! – o Sr. August está parecendo bravo.

- Desculpe, eu tive um pequeno probleminha no caminho. – esclarece ele me encarando, o que me deixa nervosa, então coloco uma mecha de cabelo atrás da orelha.

- Que seja, vá se sentar. – ordena.

Dylan obedece e assim que se senta nossos olhares se cruzam.

- O que aconteceu? – Thiago quer saber.

Viro-me para responder.

- Ele quis me beijar a força.

- Ele o quê? – meu irmão franze a testa surpreso.

- Depois eu te falo.

- Antes de continuarmos, – começa o professor – quero saber se tem mais um indivíduo fora da classe?

Permanecemos em silêncio.

- Muito bem, quero que se apresentem, começando por você da primeira fila. – diz ele apontando para um garoto que lidera a fila ao lado.

- Meu nome é George Malcon. – responde com uma voz tremula.

- Você! – ele aponta para a aluna que vinha a seguir.

- Sou Regina Steele! – ela empina o nariz, certamente é uma garota chata – Você já deve me conhecer, minha família é muito conhecida nessa escola. Gosto de moda e tenho algumas roupas guardadas no meu armário. – finaliza jogando uma mecha do cabelo curto para trás

Levanto uma sobrancelha com cara de “alguém te perguntou?“. O tempo foi passando e quando finalmente chega a mim, pergunta:

- Senhorita atrasadinha, qual é o seu nome?

- Meu nome é Stella Driv.

- Seja pontual nas minhas aulas Srta. Driv, pois como eu disse, não tolero atrasos.

- Sim, professor. – confirmo abaixando a cabeça.

- Você também, qual o seu nome?

- Dylan Hopeer, senhor.

- Guarde bem as minhas palavras.

Ele faz que sim com a cabeça e o professor August continua com as apresentações.

- Você aí! Espere, – o professor fica surpreso ao ver Thiago – eu estou vendo em dobro?

- Ah não, eu sou o irmão gêmeo da Stella.

- Ainda bem, já estava pensando em usar óculos. Qual é o seu nome?

- Thiago.

Todas aquelas apresentações demoraram uma eternidade. Precisava mesmo daquilo? Assim que o último aluno se apresentou eu pensei “Aleluia”. Dylan não parava de me olhar, será que ele queria que eu desse outra tapa naquela cara de pau dele? A aula estava chata, mas pelo o menos o tempo passou rápido. O sinal toca.

- Já? É hora de irem para o refeitório, – avisa o Sr. August – por favor, saiam sem tumulto.

Seguimos a ordem do professor e, Thiago e eu, ficamos na frente da sala para esperar o resto de nossos amigos.

- Agora você pode terminar de me contar sobre aquilo? – Thiago está curioso, mas Dylan está vindo e não quero que ele me veja contando o ocorrido a ninguém.

- Eu... – paro assim que ele passa por nós.

Logo, Archer, Emma, Mirelly e Rafael chegam.

- Vai contar ou não? – insiste.

- Espera aí gente, contar o quê? – pergunta Emma chegando – Posso saber?

- O garoto do time de futebol-americano quis me beijar a força quando vocês saíram. – respondo.

- Eu sabia, – conclui meu irmão – falei para vocês que eu estava com um mau pressentimento.

- Tá bom! Vamos para o refeitório, como o Sr. August ordenou.

Como não sabíamos onde era o local seguimos os demais alunos. Passamos por vários corredores até chegarmos ao nosso destino.

- Aquela mesa parece boa. O que acham? – pergunta Mirelly apontando para uma mesa vazia.

- Ótima. – concorda Thiago.

Fomos na direção dela, ao sentarmos, percebo que Dylan está á duas mesas de distância. O encaro, mas ele não percebe.

- Foi aquele ali? – Emma segue meu olhar.

- Foi – resmungo.

- Nossa, ele é um gato. – elogia

- Um folgado, isso sim! – resmungo.

De repente, Dylan olha para mim como se já fizesse idéia de minha localização. Como ele sabia que eu estava ali? Desvio o olhar.

- Não precisa se esconder dele Stella. – aconselha Archer, com um sorrisinho.

- Para você, é fácil falar, ele não tentou te beijar a força.

- Nossa...

De repente ouço um barulho estranho.

- O que é isso? – arregalo os olhos.

- Minha barriga. – claro, era a sirene do Rafael afirmando que estava com fome – Estou com fome, quando iremos comer?

- Verdade, todos estão com seus pratos nas mesas. – Thiago corre os olhos pelo lugar.

- É claro, – Mirelly levanta a voz – nós apenas completamos a primeira etapa: achar uma mesa.

- E qual é a segunda? – Archer faz uma cara de medo, imaginando que seja algo ruim.

- Enfrentar uma fila enorme. – ela aponta para uma grande, enorme, gigante e super-comprida fila.

Ah não. Tínhamos que enfrentar aquela coisa?

- Só pode estar brincando comigo. – falo sem tirar os olhos daquela coisa enorme.

- Não precisam se preocupar, imaginei que seria assim, então eu trouxe um lanchinho. – Mirelly tira um pote de dentro da bolsa, nele há metade de uma torta.

- Você é incrível! – Rafael elogia.

- Vamos dividir e comer rápido, antes que alguém perceba. – ela tira o pedaço de torta, e com guardanapos e um faca, divide com a gente.

- Hmmm. – era simplesmente a melhor torta do mundo. Seu sabor era de morango e tinha um recheio de baunilha – Delícia!

Comemos tudo, Mirelly guarda o pote e eu termino de comer a minha 3ª fatia.

- Cuidado para não engasgar Stella. – fala meu irmão, como sempre, cauteloso.

Rimos. Então, Rafael tenta puxar conversa.

- Estão gostando da escola?

- Estou. – responde Archer.

- Também estou – Emma, com certeza, está amando, o sorriso de orelha a orelha dela diz tudo.

- Tem alguns defeitos como: garotos com sede de beijo, professores exigentes e chatos e alguns seres metidos. – comento.

- Pelo menos não precisamos usar uniformes. – Archer gesticula tocando na blusa branca a qual está usando.

- Verdade. – concorda Rafael.

- Gente! – Mirelly chama a nossa atenção vasculhando a própria bolsa – Acho que eu trouxe algumas garrafas de suco de uva. Vão querer?

- Você trouxe sua cozinha inteira? – Rafael arregala os olhos.

- Não, só algumas coisas. Dividam por favor.

Ela tira 5 garrafinhas de suco. Cada um pega a sua, porém, fica sobrando um. Rafael.

- Tá de brincadeira comigo! – resmunga.

- Não tem problema, você não vai sair dessa mesa com sede. – conforta Mirelly outra vez vasculhando sua bolsa.

- É bom que tenha mais uma garrafa aí dentro.

- Não, mais tem 2 canudos.

- O quê?

- Isso mesmo, você vai ter que tomar o suco na garrafinha de alguém.

Ele ficou encarando Mirelly por um tempo, então, para quebrar aquele gelo...

- Rafa! – chamei – Pode tomar o suco comigo.

- É sério isso? 

- É pegar ou largar, você que sabe... – repreendeu Mirelly.

Colocamos os canudos na garrafinha e começamos a tomar o suco de uva. Todos começam a olhar para nós dois como se fossemos um casal se assumindo em público.

- Porque estão nos olhando desse jeito? – pergunta Rafael sem tirar os lábios do canudo.

 - Vocês. – Emma apóia o queixo nas mãos.

- O que tem a gente? – dessa vez, eu é que pergunto.

- Formam um belo casal. – acrescenta.

Tiramos imediatamente as bocas dos canudos e olhamos um para o outro. Estamos vermelhos.

- Você tem razão Emma, eles são muito fofos juntos. – elogia Thiago.

Envergonhada eu coloco uma mexa de cabelo atrás da orelha e volto, junto com Rafael, a tomar o delicioso suco de uva. Logo, todos terminam. Quando nós dois chegamos a metade da garrafinha, o sinal toca.

- É hora de voltar para as salas. – anuncia Archer com cara de tédio.

Rafael tira a boca do canudo.

- Não vai querer mais? – pergunto.

- Não, pode ficar com o resto.

Ele tira o canudo e joga embaixo da mesa.

- Bom, já que os pombinhos não querem mais tomar o suco juntos, vamos voltar a mais uma aula chata do Sr. August. – Mirelly revira os olhos, o que nos faz rir.

Nos levantamos e, sem querer, esbarro em alguém, só que, acidentalmente, eu dei um banho de suco em seja lá quem fosse.

- Ai, desculpa. – peço.

- Você não olha por onde anda não, Driv?! – pergunta a criatura com um tom de desprezo.

Era Regina Steele. Sabia que aquele nariz empinado não era santo.

- Eu já pedi desculpas. – aviso.

- Tô nem aí, – resmunga – você precisa comprar um par de óculos e não pedir desculpas. Quem sabe assim você não esbarra em ninguém. Olha isso! – aponta para a roupa molhada.

- Quer saber você tem razão, não preciso pedir desculpas, afinal, jamais eu olharia nos olhos de uma criatura imunda e sem escrúpulos para me desculpar por alguma coisa. – rebato.

Ouvi uma vaia baixinha em uma das mesas e um comentário de: “Essa doeu...”.

- Sinto muito em dizer Driv... – começa Regina, mais é interrompida por mim.

- É Stella Driv!

- Tanto faz, não sou obrigada a decorar o nome de selvagens.

- Selvagem é você! – diz Archer com um tom firme.

Ela fecha os olhos de tanta raiva que posso ver fumaça saindo da cabeça dela.

- Continuando... – diz ela – Seu lugar não é aqui, Stella!

- O seu é que não é.

- Ah, é? E por quê?

Dou de ombros e cruzo os braços.

- Porque lugar de cobra é no mato...

Em seguida todos começam a vaiar. Passo, junto com meu irmão e meus amigos, por ela e vamos em direção à saída do refeitório. Minha expectativa para o primeiro dia do ensino médio era que tudo corresse bem, infelizmente, as máscaras caíram. Podíamos ter carinha de anjo, mais sabíamos ser diabólicos quando era necessário.

Meu irmão falou que um garoto caiu da escada e que foi um acidente, como nós já mostramos nossas garras, não precisamos mais guardar segredo; o que ele não falou foi que nós o empurramos para que caísse. Nunca suspeitaram da gente, porque ele teve amnésia, o que significava que estávamos ilesos.

Virei para traz e vi que Dylan estava boquiaberto. Agora a Regina conhece, não só a mim, como ao resto do grupo. Pobre Regina vou fazer você se arrepender de ter mexido comigo.



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