História O Jogo da Mentira - Capítulo 4


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Mistério, Romance e Novela, Saga, Suspense
Avisos: Bissexualidade, Insinuação de sexo, Tortura
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - As Regras


Depois da briga de Stella e Regina, voltamos à sala de aula. O Sr. August ainda estava lá, lendo um livro. “Ordem e Disciplina” era seu nome. Tomara que a 4ª aula fosse tão rápida quanto as 3 primeiras. Claro, com todas aquelas apresentações, obvio que acumularia o tempo do professor dar aula. Sentamos em nossos lugares. Todos estão presentes, exceto Regina que, com certeza, está procurando um jeito de voltar para a sala sem aquela blusa encharcada de suco.

- Estão todos aqui? – pergunta o professor.

Nesse momento Regina aparece na porta. Como eu imaginava, ela tinha dado um jeito de voltar à classe sem a blusa molhada.

- Ah, Srta Steele. Sente-se, por favor. – o professor parece um pouco mais calmo.

Ela tinha se trocado; agora, estava usando uma jaqueta de couro vermelha e uma camiseta branca por baixo. Antes de se sentar, Regina nos lança um olhar gelado. E a retribuímos com um sorriso.

- Bom, vamos começar.

Depois da aula, ficamos na frente da Royal High School.

- Que dia, hein? – Rafael bufa.

- Realmente, foi um pouco diferente para um “primeiro dia”. – murmura Emma.

- Não vi nada de ruim, – resmunga minha irmã – só mostramos a todos quem somos de verdade.

- Concordo. – não vejo nada de ruim em começar o primeiro dia de aula sem as máscaras que estávamos usando.

- Obvio, são gêmeos. Sempre concordam com o que o outro diz. – Mirelly revira os olhos, nos fazendo rir.

Regina sai e para na frente da nossa rodinha de comentários sobre a manhã na nova escola.

- O que quer agora Regina? – Stella pergunta.

- Quero deixar bem claro, de que o ocorrido no refeitório não vai ficar assim.

- Mais não vai mesmo. – Emma cruza os braços.

Regina nos fita com um olhar gelado e, cerrando os dentes, vai embora com passos firmes.

- Eu odeio essa criatura! – resmunga Stella.

- Você mal a conhece... – comenta Archer.

- Archer, psiu! 

Fico sem saber o que fazer para aliviar a tensão entre nós, então, tenho uma idéia.

- Tem uma sorveteria aqui perto. O que acham?

A sorveteria que eu tinha visto no caminho para a escola. Como não pensei nisso antes?

- Acho ótimo! – os lábios de Mirelly se contorcem e formam um lindo sorriso – Você paga?

- Não vou dar esse gostinho a vocês.

Rimos e começamos a andar. Chegando na sorveteria, damos uma checada nos preços antes de fazer nosso pedido. Por sorte, há uma oferta de Milk Shake. Logo, somos abordados pelo balconista.

- O que vão querer?

- 6 Milk Shakes, por favor. – peço.

- Estão com sorte, hoje é dia de oferta. – anuncia – Vocês levam 3 e pagam 2.

- Perfeito! – concluo.

- Quais são os sabores?

Nos entreolhamos.

- O meu é de brigadeiro. – responde Rafael.

- Um de morango, por favor. – diz Stella.

- Dois. – acrescenta Mirelly.

- Três! – termina Emma erguendo 3 dedos.

- O meu pode ser de limão. – Archer abre um sorriso torto.

- E o meu, de chocolate. – finalizo.

Logo, um rosto conhecido passa na calçada. Era o Dylan. Ele olha para dentro da sorveteria e percebe que minha irmã está lá. Stella desvia o olhar e ele finge que não nos viu.

- Você vai evitar olhar para ele o resto do ano? – pergunto.

- Vou! – responde com ignorância.

- Boa sorte aí, – deseja Rafael – o Dylan vai estar lá na escola o tempo todo, em algum momento você vai ficar cara a cara com ele.

- Ele tem razão. – Archer olha para minha irmã que abaixa a cabeça.

- Vamos esquecer isso, – Emma aponta para duas mesas pequenas no canto da sorveteria – não foi por isso que viemos? Esquecer as coisas ruins de hoje?

Fazemos que sim com a cabeça, juntamos as duas mesas e sentamos. Não demora muito para o nosso pedido chegar.

- Que delícia! – Archer corre a língua pelos lábios. 

- Verdade, é muito bom. – meu Milk Shake de chocolate está maravilhoso.

Meu celular começa a tocar, tiro-o do bolso e atendo.

- Oi mãe!

- Oi filho! Onde você e sua irmã estão? – ela só pode estar trabalhando, consigo ouvir vozes atrás dela.

- Em uma sorveteria que eu vi no caminho para a escola. Por quê?

- Então já estão enchendo a barriga?

- Sim, junto com os nossos amigos. – coloco o celular na frente deles.

- Oi tia May! – cumprimentam todos em coro.

- Olá crianças. Na verdade, eu liguei para avisar que não irei almoçar hoje em casa.

- Sério? – noto o desânimo em minha voz.

- Sério. Tenho muita coisa pra fazer não conseguirei terminar á tempo. A chave está você sabe aonde...

- Ok.      

E desligo.

- O que houve? – Stella quis saber.

Dou de ombros.

- A mamãe não vai almoçar com a gente hoje, porque tem muito trabalho.

- Vamos ficar sozinhos em casa de novo? - ela arregala os olhos.

Faço que sim com a cabeça. Já era a décima quarta vez que a mamãe fica presa no trabalho, em duas semanas. Pena que o papai não está aqui para nos fazer companhia. Ninguém sabe sua localização, pois ele está a não sei quantos metros de profundidade em um submarino.

 - Podemos ir lá fazer companhia a vocês? – sugere Mirelly.

Stella e eu nos entreolhamos e chegamos a conclusão de que não seria má idéia.

- Claro que podem! – amo quando nossos amigos vão nos visitar.

- Que horas, então? – pergunta Rafael tomando o seu Milk Shake de brigadeiro.

- Às 13:30. – responde Stella.

- Ótimo.

Pago a conta, já que era dia de oferta, o preço seria mais barato, então, decidi pagar. Embora eu tenha dito que não daria esse gostinho a meus amigos. Saímos da sorveteria, ainda com os Milk Shakes nas mãos, nos separamos e cada um foi para casa. Stella e eu fomos juntos, obvio, naquele momento eu senti que nosso laço estava se deteriorando aos poucos.

- Então... – comecei – como é se sentir vitoriosa?

- Vitoriosa?

- Você deu um tapa no rosto de um cara, chegou atrasada na aula e teve sorte do Sr. August só ter chamado a sua atenção, chamou a Regina de cobra, o que fez todos os alunos verem quem somos por trás das máscaras.

Ela ri.

- Eu não tenho culpa se eles mexeram comigo, – Stella toma um gole do Milk Shake de morango e volta a falar – aliás, qual é o problema de começar o primeiro dia mostrando quem somos de verdade?

- Não tem problema algum, iríamos voltar a ser o que éramos na outra escola uma ora ou outra, mais não precisava ser logo no primeiro dia do ensino médio!

- Sinto muito, mais já fiz o que tinha que fazer...

Rimos e voltamos a tomar os nossos Milk Shakes. Em pouco tempo chegamos em casa. Subimos na varanda e olho em volta.

- Fica de olho pra ver se ninguém está nos vendo. – ordeno.

- Ok.

Me abaixo e levanto o tapete, embaixo está à chave. Nós sempre a escondíamos em um vaso de flores, mais os gatos costumavam fazer deles o banheiro, então não tínhamos outra opção se não mudar o esconderijo.  

Abro a porta. Entrando, vamos em direção ao nosso quarto, que fica no 1º andar. Ele é grande o suficiente para nos aconchegarmos. Dividido ao meio, pela parte da minha irmã, onde ficam: a penteadeira, sua estante de livros, um closet, papel de parede rosa e um sofazinho roxo; e a minha parte, com: um closet, duas estantes de livros, papel de parede azul e um sofazinho azul bebê.             

Na parede do quarto, fica uma janela com uma vista linda da cidade. Nele também tem um banheiro.

Guardo minhas coisas, separo a roupa que devo usar e percebo que a porta do banheiro está fechada. Me viro e vejo que Stella não está presente.

- Stella? – pergunto, batendo na porta.

- Posso ajudar? – ela debocha ligando o chuveiro.

- Sai daí agora! – ordeno.

- Já liguei o chuveiro. Por favor, volte mais tarde! – zomba.

Sem sucesso eu vou ao segundo banheiro da casa, que fica ao lado do nosso quarto. Tomo meu banho e me visto.

- Já achou um lugar pra tomar banho? – pergunta minha irmã sentada na minha cama com as pernas cruzadas sorrindo.

- Muito engraçado, – resmungo – agora vamos, temos que comer alguma coisa.

Descemos a escada até chegar ao térreo. De lá, vamos para a cozinha e nos deparamos com uma caixa enorme e um cartão sobre a mesa.

- O que é isso? – pergunta minha irmã.

- Não sei...

A janela está aberta, pode ter sido o carteiro, mais o correto seria deixar na nossa porta e não na cozinha. Pego o cartão, nele está escrito alguma coisa, pego imediatamente. Quem sabe possa ter um remetente.

Para os meus mentirosos favoritos: Archer, Emma, Mirelly, Rafael, Stella e Thiago. Espero que gostem. Foi feito especialmente para vocês.

 

- De quem é? – pergunta minha irmã.

- Não diz, mais é para nós e os outros.

- Deixa eu ver isso aqui! – ela toma o cartão da minha mão.

- O que será que tem aí dentro? – minha curiosidade aumenta.

- Não sei, vamos abrir.

Abrimos a caixa. Dentro, há um tabuleiro com uma roleta e uma mini-tela quadrada na parte superior. Já na inferior, há uma gaveta de peças, similares às de xadrez. É como se fosse um mapa, e ao mesmo tempo, uma mistura de jogo de xadrez e ludo. De repente chega uma mensagem em nossos celulares, são regras.

 Joguem conforme eu mandar;

 Se violarem uma das regras serão punidos;

 Ninguém pode saber disso a não ser os jogadores;

 Serão conhecidos como The Liars;

 Se mais alguém souber sobre o jogo, a cidade inteira irá saber sobre os seus segredos mais sombrios;

- The Liars? – murmura Stella olhando para a tela do celular.

- Isso não me parece bom. Vou ligar para os outros. – corro para a sala, onde pego o telefone sem fio para comunicar aos demais sobre o nosso presente.

- Alô? – é à Emma.

- Emma vem pra cá agora! – ordeno – Liga para a Mirelly, explico quando vocês chegarem aqui.

E desligo. Novamente, volto a discar, ligo para o Rafael.

- Alô?

- Rafa, vem logo pra cá, explico depois. Liga para o Archer.

Não faltando pouco tempo para às 13:30, nossos amigos chegam.

TOC. TOC.

- Já vai! – digo indo na direção da porta.

- O que é tão importante que não pôde nos falar pelo telefone? – pergunta Emma entrando.

- Está na cozinha. – aponto para a porta do local.

Todos vão até lá, tranco a porta e os sigo.

- O que é isso? – pergunta Archer com uma cara feia.

- Obviamente, é um jogo. – Stella revira os olhos – Assim que abrimos recebemos mensagens nos nossos celulares contendo 5 regras. Deixa eu te mostrar.

Minha irmã mostra o conteúdo a Archer. Ele arregala os olhos a cada linha. Rafael se esgueira por trás dele para tentar ver.

- The Liars?! Ok. Odeio inglês, o que significa isso?

- Mentirosos, Rafael! – Archer se altera – Quem fez isso só pode estar de brincadeira com a gente. Não somos mentirosos!

- Somos Archer! – digo.

- Faça-me rir.

- Mentimos acho que desde sempre. Quando eu roubei o carro da minha mãe para levar vocês ao Parque de Diversões e menti para ela dizendo que a vizinha nos tinha levado, por sorte ela foi morar com a irmã na Geórgia e a mamãe não teve como confirmar a história; quando Mirelly colocou um escorpião no armário daquela garota chata da outra escola e disse que aquele bicho só podia ter saído do laboratório; quando Emma teve um caso com o namorado da ex-melhor amiga e sempre mentia dizendo que era uma garota do outro lado da cidade – faço uma pausa.

Emma enterra o rosto nas mãos. Eu continuo.

- Quando o Rafael chutou a bola na sala do diretor e culpou aquele valentão da rua de baixo; quando Stella se passou pela mamãe em uma festa só para adultos; mais uma de nossas piores mentiras foi quando empurramos aquele garoto de escada a baixo! Lembra qual foi o motivo? Ele te incomodava o tempo todo e você nos pediu ajuda e não tivemos outra escolha a não ser fazer aquilo, mentimos dizendo que foi um acidente e ele está com amnésia.

- E o que vamos fazer? – pergunta, irritado – Repetir tudo de novo? Quem vai embolar da escada dessa vez?

De repente, o jogo começa a fazer um barulho, desviando a nossa atenção.



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