História O lado feio do amor (adaptação Kit e Grace) - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias American Horror Story
Visualizações 3
Palavras 4.988
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Capítulo 1


GRACE

“Alguém esfaqueou você no pescoço, garota!”
Meus olhos se arregalam e eu lentamente me viro em direção ao cavalheiro idoso parado do meu lado.
Ele pressiona o botão de subir do elevador e me encara. Ele sorri e aponta para o meu pescoço.
“Sua marca de nascença,” ele diz.
Minha mão instintivamente sobe para o meu pescoço e toca a marca do tamanho de um centavo logo abaixo da minha orelha.
“Meu avô costumava dizer que o local de uma marca de nascença era a história de como uma pessoa perdeu a batalha em sua vida passada. Eu suponho que você foi esfaqueada no pescoço. Aposto que foi uma morte rápida, no entanto.”
Sorrio mas não posso dizer se eu deveria estar com medo ou entretida. Apesar da sua conversa de abertura ser um pouco mórbida, ele não pode ser tão perigoso. Sua postura curva e atitude instável dizem que ele não está um dia a menos do que 80 anos. Ele dá uns poucos passos lentos em direção a uma das duas cadeiras de veludo vermelho que estão posicionadas contra a parede perto do elevador. Ele geme enquanto afunda na cadeira e então olha para mim de novo.
“Você vai até o 18º andar?”
Meus olhos se estreitam enquanto eu processo sua pergunta. Ele de algum jeito sabe para qual andar eu estou indo, embora essa seja a primeira vez que eu coloque os pés nesse complexo de apartamentos e é definitivamente a primeira vez que eu coloco meus olhos nesse homem.
“Sim, senhor,” digo cautelosamente. “Você trabalha aqui?”
“Sim, trabalho.”
Ele acena sua cabeça em direção ao elevador e meus olhos se movem para os números iluminados em cima. Onze andares para subir antes que ele saia, rezo para que seja rápido.
“Eu aperto os botões do elevador,” ele diz. “Não penso que esse seja o título oficial da minha posição, mas eu prefiro me referir como um comandante de avião considerando que eu envio as pessoas tão alto como 20 andares no ar.”
Sorrio com suas palavras, uma vez que meu irmão e meu pai são pilotos. “Há quanto tempo você tem sido comandante de avião desse elevador?” pergunto enquanto espero. Posso jurar que esse é o maldito elevador mais lento que eu já encontrei.
“Desde que eu fiquei muito velho para fazer a manutenção desse prédio. Trabalhei aqui 23 anos antes de virar comandante. Venho enviando pessoas em voos por mais de 15 anos, eu acho. O dono me deu trabalho por pena para me manter ocupado até eu morrer.” Ele sorri para si mesmo. “O que ele não pensou foi que Deus me deu um monte de coisas maravilhosas para abençoar minha vida, e agora mesmo, eu estou tão atrás que eu nunca vou morrer.”
Eu me pego rindo quando a porta do elevador finalmente abre. Me abaixo para pegar a alça da minha mala e me viro para ele mais uma vez antes de entrar no elevador. “Qual é o seu nome?”
“Samuel, mas você pode me chamar de Cap,” ele diz. “Todo mundo me chama.”
“Você tem alguma marca de nascença, Cap?”
Ele sorri. “Na verdade, eu tenho. Parece que na minha vida passada, eu fui baleado bem na minha bunda. Deve ter sangrado.”
Sorrio e levo minha mão para minha testa, dando para ele uma apropriada saudação de capitão. Entro no elevador e me viro para encarar as portas abertas, admirando a extravagância do lobby. Esse lugar parece mais como um hotel histórico do que um complexo de apartamentos, com colunas amplas e pisos de mármore.
Quando Corbin falou que eu poderia ficar com ele até encontrar um emprego, eu não tinha ideia que viveria como uma verdadeira adulta. Eu pensei que seria parecido com a última vez que eu o visitei, um pouco depois de me graduar na escola, quando ele começou a trabalhar em sua licença de piloto. Isso foi há quatro anos e duas histórias incompletas de complexos atrás. Isso era o que eu estava esperando.
Eu certamente não estava antecipando um arranha-céu bem no meio do centro de São Francisco.
Acho o painel e aperto o botão para o 18º andar, então olhou para cima para a parede espelhada do elevador. Eu gastei todo o dia de ontem e a maior parte da manhã empacotando tudo do meu próprio apartamento em San Diego. Por sorte, eu não tenho muito. Mas depois de fazer somente quinhentas milhas dirigindo hoje, minha exaustão é bastante evidente no meu reflexo. Meu cabelo está com um nó frouxo em cima da minha cabeça, preso com um lápis, já que não encontrei um prendedor de cabelo enquanto estava dirigindo. Meus olhos são verdes, meu cabelo de avelã, mas agora, eles aparentam uns dez tons mais escuros, graças às olheiras abaixo deles.
Eu alcancei a minha bolsa para encontrar um tubo de Chapstick{1}, na esperança de salvar os meus lábios antes que eles pareçam com o resto de mim. Perto das portas do elevador começar a fechar, elas abriram novamente. Um cara está correndo em direção aos elevadores, se preparando para entrar nele, ele reconhece o idoso. “Obrigado, Cap,” ele diz.
Eu não posso ver o Cap de dentro do elevador, mas escuto ele grunhir alguma coisa em resposta. Ele não soa tão ansioso para jogar conversa fora com esse cara quanto ele estava comigo. Esse homem aparenta estar no final dos seus vinte anos no máximo. Ele sorri para mim, e eu sei exatamente o que se passa na sua cabeça, considerando que ele apenas deslizou sua mão esquerda dentro do seu bolso.
A mão com o anel de casamento nela.
“Décimo andar”, ele diz sem me olhar. Seus olhos caem para o pequeno decote que está aparecendo na minha camisa, e então ele olha para a mala do meu lado. Eu pressiono o botão do décimo na dar. Eu deveria ter vestido um suéter.
“Se mudando?” ele pergunta, descaradamente encarando minha camisa de novo.
Concordo com a cabeça, embora eu duvide que ele percebesse, considerando que seu olhar não está direcionado para qualquer parte do meu rosto.
“Qual andar?”
Oh, não, você não. Eu alcanço o meu lado e cubro todos os botões do painel com as minhas mãos para esconder o botão do décimo oitavo andar iluminado, e então aperto cada botão entre o décimo e o décimo oitavo andar. Ele olha para o painel, confuso.
“Nenhum da sua conta,” eu digo. Ele ri.
Ele pensa que eu estou brincando.
Ele arqueia sua escura e grossa sobrancelha. É uma boa sobrancelha. Está ligada a um bom rosto, que está ligado a uma boa cabeça, que está ligada a um bom corpo.
Um cara casado.
Babaca.
Ele sorri sedutoramente depois de me ver verificando-o – apenas não estava verificandoo como ele pensa que eu estava. Na minha mente, eu estava imaginando quantas vezes aquele corpo esteve pressionado contra uma garota que não era sua esposa.
Eu sinto pena da sua esposa.
Ele está olhando meu decote novamente quando nós alcançamos o décimo andar. “Eu posso ajudá-la com isso,” ele diz, acenando em direção a minha mala. Sua voz é boa. Eu me pergunto quantas garotas caíram por essa voz casada. Ele anda na minha direção e alcança o painel, bravamente apertando o botão que fecha as portas.
Eu prendo o seu olhar e pressiono o botão que abre as portas. “Eu faço isso.”
Ele acena como se ele entendesse, mas ainda há um brilho malicioso nos seus olhos que reafirma minha antipatia imediata. Ele sai do elevador e vira seu rosto para mim antes de ir embora.
“Te vejo mais tarde, Grace,” ele diz, enquanto as portas se fecham. Eu franzo as sobrancelhas, desconfortável com o fato que duas pessoas com as quais eu interajo desde que eu cheguei nesse prédio já sabem quem eu sou.
Eu permaneço sozinha no elevador enquanto ele para em cada andar até que ele chega ao décimo oitavo. Eu saio, pego meu celular do meu bolso, e abro minhas mensagens para Corbin. Eu não lembro qual o número do apartamento que ele disse que era seu. Ou é 1816 ou 1814.
Talvez seja 1826?
Eu dou uma parada no 1814, porque há um cara desmaiado no corredor, inclinado contra a porta do 1816.
Por favor, que não seja o 1816.
Eu encontro a mensagem no meu celular e encolho. É o 1816.
Claro que é.
Eu ando devagar até a porta, esperando que eu não acorde o cara. Suas pernas estão esparramadas na sua frente, e ele está inclinado com suas costas apoiadas contra a porta do Corbin. Seu queixo está encostando-se ao seu peito, e ele está roncando.
“Com licença,” eu digo, minha voz apenas acima de um sussurro. Ele não se mexe.
Eu levanto minha perna e empurro seu peito com meu pé. “Eu preciso entrar nesse apartamento.”
Ele sussurra e então lentamente abre os olhos e olha para frente para as minhas pernas.
Seus olhos encontram os meus joelhos, e suas sobrancelhas se enrugam enquanto ele lentamente se inclina para frente com um profundo franzir de cenho no rosto. Ele levanta uma mão e cutuca meu joelho com seu dedo, quase como se ele nunca tivesse visto um joelho antes. Ele larga sua mão, fecha seus olhos, e volta a dormir contra a porta.
Ótimo.
Corbin não vai voltar até amanhã, então eu disco o seu número para ver se o rapaz é alguém com quem eu deva me preocupar.
“Grace?” ele pergunta, atendendo seu telefone sem um oi.
“Sim,” eu respondo. “Segura, mas eu não posso entrar porque tem um rapaz bêbado desmaiado na sua porta da frente. Sugestões?”
“Dezoito dezesseis anos?” ele pergunta. “Você tem certeza que está no apartamento certo?” “Positivo.”
“Você tem certeza que ele está bêbado?”
“Positivo.”
“Estranho,” ele diz. “O que ele está vestindo?”
“Por que você quer saber o que ele está vestindo?”
“Se ele estiver vestindo uniforme de piloto, ele provavelmente vive no prédio. O complexo contrata nossa empresa aérea.”
Esse rapaz não está vestindo nenhum tipo de uniforme, mas eu não posso ajudar, mas aviso que seus jeans e a camiseta preta o vestem muito bem.
“Sem uniforme,” eu digo.
“Você pode passar por ele sem acordá-lo?”
“Eu preciso movê-lo. Ele cairá dentro do apartamento se eu abrir a porta.”
Ele fica quieto por alguns segundos enquanto ele pensa. “Desça as escadas e pergunte pelo Cap,” ele diz. “Eu disse para ele que você estava vindo esta noite. Ele pode esperar com você até você entrar no apartamento.”
Eu suspiro, porque eu estive dirigindo durante seis horas, e fazer todo o caminho de volta pelas escadas não é algo que eu queira fazer no momento. Eu também suspiro porque Cap é a última pessoa que poderia provavelmente me ajudar nessa situação.
“Apenas fique no telefone comigo até que eu esteja dentro do seu apartamento.”
Eu penso melhor no meu plano. Eu equilibro meu celular contra minha orelha com meu ombro e cavo dentro da minha bolsa pela chave que Corbin enviou para mim. Eu a insiro na fechadura e começo a abrir a porta, mas o rapaz bêbado começa a cair para trás a cada polegada que o porta abre. Ele murmura, mas seus olhos não abrem novamente.
“É muito ruim que ele esteja perdido,” eu digo para Corbin. “Ele não tem uma má aparência.” “Grace, apenas coloque sua bunda dentro do apartamento e feche a porta então eu posso desligar.”
Eu rolo meus olhos. Ele ainda é o mesmo irmão mandão que ele sempre foi. Eu sei que morar com ele não será bom para o nosso relacionamento, considerando o quão paternal ele agiu comigo quando éramos jovens. No entanto, eu não tinha tempo para arranjar um emprego, conseguir meu próprio apartamento, e me instalar antes das aulas começarem, então isso me deixa com uma pequena escolha.
Eu espero que as coisas sejam diferentes entre nós agora. Corbin tem 25 anos e eu tenho 23 anos, então se não podemos conviver melhor do que fizemos quando éramos crianças, nós temos muito que crescer.
Eu penso que muito depende do Corbin e se ele mudou desde a última vez que vivemos juntos. Ele teve problemas com qualquer pessoa que namorei, com todos os meus amigos, com cada escolha que eu fiz – até com qual faculdade eu quis frequentar. Não que eu tenha prestado atenção para a sua opinião. À distância e o tempo separados pareceram tirá-lo das minhas costas estes últimos anos, mas morar com ele será o teste final para a nossa paciência.
Eu coloquei minha bolsa em volta do meu ombro, mas peguei na alça da minha mala, então eu apenas a deixei cair no chão. Eu mantive minha mão esquerda firmemente envolta na maçaneta e segurei a porta para que o rapaz não caísse completamente dentro do apartamento. Eu peguei o meu pé e pressionei contra seu ombro, movendo-o para o meio do corredor.
Ele não cedeu.
“Corbin, ele é muito pesado. Eu vou ter que desligar assim eu posso usar as duas mãos.”
“Não, não desligue. Apenas coloque o celular no seu bolso, mas não desligue.”
Olho para baixo para a camisa grande e as leggings que estou vestindo. “Sem bolsos. Você vai para o sutiã.”
Corbin faz um som de engasgo enquanto eu tiro o celular da minha orelha e o empurro no meu sutiã. Eu removo a chave da fechadura e a deixo cair na minha bolsa, mas eu erro e ela cai no chão. Eu chego para baixo para pegar o cara bêbado para que eu possa movê-lo para fora do caminho.
“Tudo certo, companheiro,” eu digo, lutando para afastá-lo do meio do corredor. “Desculpe interromper sua soneca, mas eu preciso entra nesse apartamento.”
De alguma forma consigo sustentá-lo contra o batente da porta para evitar que ele caia dentro do apartamento, e então empurro mais a porta e me viro para pegar minhas coisas.
Alguma coisa quente agarra o meu tornozelo. Eu congelo.
Eu olho para baixo.
“Deixe-me em paz!” eu grito, chutando a mão que está segurando meu tornozelo com tanta força que tenho bastante certeza que está causando uma contusão. O cara bêbado está olhando para mim agora, e seu aperto me faz cair para trás dentro do apartamento enquanto eu tento me afastar dele.
“Eu preciso entrar aí,” ele murmura, enquanto minha bunda encontra o chão. Ele faz uma tentativa de empurrar a porta do apartamento com a outra mão, e isso imediatamente me manda para o modo pânico. Eu puxo minhas pernas o resto do caminho para dentro do apartamento, e sua mão vêm comigo. Eu uso minha perna livre para chutar a porta, batendo-a diretamente no seu pulso.
“Merda!” ele grita. Ele está tentando puxar sua mão de volta para o corredor, mas meu pé ainda está pressionado contra a porta. Eu alivio a pressão para ele ter sua mão de volta, e então imediatamente eu chuto a porta para fechar o caminho. Eu me levanto e tranco a porta, o ferrolho, e a corrente da porta o mais rápido que eu posso.
Tão logo meu coração começa a se acalmar, ele começa a gritar comigo.
Meu coração está realmente gritando comigo. No fundo uma voz masculina.
E soa como se estivesse gritando, “Grace! Grace!” Corbin.
Eu imediatamente olho para o meu peito e tiro meu celular para fora do sutiã, então o levo para a orelha.
“Grace! Responda-me!”
Eu me encolho, então coloco o celular a algumas polegadas do meu ouvido. “Eu estou bem,” eu digo, sem fôlego. “Estou dentro. Eu tranquei a porta.”
“Jesus Cristo!” ele diz, aliviado. “Você me assustou pra caramba. O que diabos aconteceu?” “Ele estava tentando entrar. Eu tranquei a porta, no entanto.” Eu acendi a luz da sala de estar e dei não mais que três passos para dentro antes de parar.
Muito bem, Grace.
Eu lentamente me virei em direção à porta antes de realizar o que eu fiz.
“Hum. Corbin?” eu parei. “Eu talvez tenha deixado algumas coisas lá fora que eu vou precisar. Eu apenas gostaria de pegá-las, mas o cara bêbado acha que precisa entrar no seu apartamento por alguma razão, então sem chance de eu abrir a porta de novo. Alguma sugestão?”
Ele se calou por alguns segundos. “O que você deixou no corredor?”
Eu não quero respondê-lo, eu vou. “Minha mala.”
“Cristo, Grace,” ele resmunga.
“E. minha bolsa.”
“Por que diabos sua bolsa está lá fora?”
“Eu talvez tenha também deixado à chave do seu apartamento no corredor.”
Ele não respondeu a esta última. Ele apenas murmurou. “Eu vou ligar para Kit e ver se ele ainda está em casa. Dê-me dois minutos.”
“Espere. Quem é Kit?”
“Ele vive do outro lado do corredor. O que quer que você faça, não abra a porta novamente até que eu telefone de volta.”
Corbin desliga, e eu encosto-me à sua porta da frente.
Eu estou vivendo em San Francisco há trinta minutos, e já sou um pé no saco. Números. Eu terei sorte se ele me deixar ficar aqui até eu encontrar um emprego. Eu espero que não demore, considerando que eu me inscrevi para três posições RN no hospital mais próximo. Isso pode significar trabalhar durante a noite, fins de semana, ou ambos, mas eu irei aceitar o que eu conseguir se isso evitar que eu tenha que mexer nas minhas economias enquanto eu volto para estudar.
Meu celular toca. Eu deslizo meu polegar sobre a tela e atendo.
“Oi.”
“Grace?”
“Sim,” eu respondo, me perguntando por que ele sempre checa duas vezes para ver se sou eu. Ele me ligou então quem mais poderia estar respondendo e que soa exatamente como eu?
“Eu falei com Kit.”
“Bom. Ele vai me ajudar a pegar minhas coisas?”
“Não exatamente,” Corbin diz. “Eu meio que preciso que você me faça um favor enorme.” Minha cabeça cai contra a porta novamente. Eu tenho um pressentimento que os próximos meses serão cheios de favores inconvenientes, desde que ele sabe que está me fazendo um favor enorme me deixando ficar aqui. Pratos? Ok. Lavanderia do Corbin? Ok. Supermercado do Corbin? Ok.
“O que eu preciso fazer?” eu pergunto para ele.
“Kit meio que precisa da sua ajuda.”
“O vizinho?” eu faço uma pausa enquanto algo se encaixa, e eu fecho meus olhos. “Corbin, por favor, não me diga que o cara que você chamou para me proteger do cara bêbado é o cara bêbado.”
Corbin suspira. “Eu preciso que você destrave a porta e deixe-o entrar. Deixe-o desabar no sofá. Eu estarei aí na primeira hora da manhã. Quando ele estiver sóbrio, ele saberá onde está, e ele irá diretamente pra casa.”
Eu balanço minha cabeça. “Que tipo de complexo de apartamentos você está vivendo? Eu preciso me preparar para ser apalpada por pessoas bêbadas todo dia que eu chegar em casa?” Longa pausa. “Ele lhe apalpou?”
“Apalpar pode ser um pouco forte. Ele agarrou meu tornozelo.” Corbin deixou escapar um suspiro. “Apenas faça isso por mim, Grace. Ligue-me de volta quando você pegá-lo e todas as suas coisas estiverem dentro.”
“Tudo bem.” resmungo. Reconhecendo a preocupação na sua voz. Eu desligo e abro a porta. O cara bêbado caiu sobre seu ombro, e seu celular deslizou da sua mão e pousou no chão ao lado da sua cabeça.
Eu o viro de costas e olho para ele. Ele abre seus olhos e tenta olhar para mim, mas suas pálpebras se fecham novamente.
“Você não é o Corbin,” ele murmura.
“Não. Eu não sou. Mas eu sou sua nova vizinha, e parece que, você está perto de me dever pelo menos umas cinquenta xícaras de açúcar.”
 Eu o levanto pelos seus ombros e tento sentá-lo, mas ele não consegue. Eu não acho que ele possa, atualmente. Como uma pessoa fica bêbada desse jeito?
Eu agarro as suas mãos e o puxo polegada por polegada para dentro do apartamento, parando quando ele está dentro o suficiente para que eu seja capaz de fechar a porta. Recupero todas as minhas coisas do lado de fora, então chuto e fecho a porta da frente. Eu pego um travesseiro do sofá, ergo sua cabeça, e a coloco de lado no caso dele vomitar durante o sono.
E essa é toda a ajuda que ele vai conseguir de mim.
Quando ele está confortavelmente adormecido no meio do chão da sala de estar, eu o deixo lá enquanto olho ao redor do apartamento.
A sala de estar sozinha poderia caber três da sala de estar do último apartamento do Corbin. A área de jantar se comunica com a sala de estar, mas a cozinha é separada da sala de estar por uma meia parede. Há várias pinturas modernas pelo cômodo, e o espesso sofá é de um castanho claro, equilibrando as pinturas vibrantes. A última vez que estive com ele, ele tinha um futon, um pufe, e pôsteres de modelos nas paredes.
Eu penso que meu irmão finalmente cresceu.
“Muito impressionante, Corbin,” digo alto enquanto ando de cômodo em cômodo e acendo todas as luzes, inspecionando o que se tornou minha casa temporária. Eu meio que odeio isso ser tão bom. Será muito difícil querer procurar meu próprio lugar quando eu tiver dinheiro suficiente salvo.
Eu caminho até a cozinha e abro o refrigerador. Há uma fileira de condimentos na porta, uma caixa com sobras de pizza na prateleira do meio, e um galão de leite completamente vazio na prateleira mais alta.
Claro que ele não tem comida. Eu não esperava que ele tivesse mudado completamente.
Eu agarro uma garrafa de água e saio da cozinha para procurar um quarto onde eu possa viver pelos próximos meses. Há dois quartos, então eu pego o único que não é do Corbin e deixo minha mala em cima da cama. Eu tenho mais três malas e seis caixas no carro, sem mencionar todas as minhas roupas nos cabides, mas eu não vou me aventurar essa noite. Corbin disse que ele estará de volta pela manha, então eu farei isso com ele.
Eu me troco e coloco calças de moletom e uma camiseta regata, então escovo meus dentes e fico pronta para dormir. Normalmente, eu estaria nervosa com o fato de ter um estranho no mesmo apartamento que eu estou, mas eu tenho o pressentimento que eu não preciso me preocupar. Corbin não me pediria para ajudar alguém se ele sentisse que pudesse ser uma ameaça para mim. O que me confunde, porque se isso é um comportamento comum para o Miles, eu estou surpresa que o Corbin me peça para trazê-lo para dentro.
Corbin nunca confiou em rapazes comigo, e eu culpo Blake por isso. Ele foi meu primeiro namorado sério quanto eu tinha quinze anos, e ele era o melhor amigo do Corbin. Blake tinha dezessete anos, e eu tinha uma queda enorme por ele durante meses. Claro, minhas amigas e eu tínhamos quedas enormes pela maioria dos amigos do Corbin, simplesmente porque eles eram mais velhos do que nós.
Blake costumava vir à maioria dos finais de semana para passar a noite com Corbin, e nós sempre achávamos um jeito que passar um tempo juntos quando Corbin não estava prestando atenção. Uma coisa levou a outra, e depois de várias semanas se esgueirando, Blake me disse que queria tornar nosso relacionamento oficial. O problema é que Blake não previu como Corbin iria reagir quando Blake quebrasse o meu coração.
E ele quebrou. Tanto quanto um coração de quinze anos pode ser quebrado depois de um relacionamento secreto de duas semanas. Acontece que ele estava oficialmente namorando com algumas garotas durante as duas semanas que ele estava comigo. Quando Corbin descobriu, a amizade deles acabou, e todos os amigos do Corbin foram avisados para não chegar perto de mim. Eu descobri ser quase impossível namorar na escola até Corbin finalmente se mudar. Apesar disso, os rapazes que escutaram estórias horrorosas e tenderam a se afastar da irmãzinha do Corbin.
Por mais que eu odiasse isso, isso seria mais do que bem vindo agora. Eu tive minha cota de relacionamentos errados desde o colegial. Eu vivi com meu mais recente namorado por mais de um ano antes de perceber que nós queríamos duas coisas diferentes da vida. Ele me queria em casa. Eu queria uma carreira.
Então agora estou aqui. Prosseguindo o meu mestrado em enfermagem e fazendo o que for preciso para evitar relacionamentos. Talvez viver com o Corbin não seja tão ruim afinal.
Eu voltei para a sala de estar para apagar as luzes, mas quando eu viro à esquina, eu paro de imediato.
Não apenas Kit saiu do sofá, mas ele está na cozinha, com sua cabeça pressionada contra seus braços e seus braços cruzados sobre o balcão da cozinha. Ele está sentado na beira de um banco de bar, e ele aparenta como se estive prestes a cair a qualquer segundo. Eu posso dizer se ele está dormindo de novo ou apenas tentando se recuperar.
“Kit?”
Ele não se mexe quando eu chamo seu nome, então eu caminho até ele e gentilmente coloco minha mão sobre o seu ombro para sacudir e acordá-lo. No segundo que meus dedos apertam seu ombro, ele engasga e senta ereto como se eu o tivesse acordado no meio de um sonho. Ou um pesadelo.
Imediatamente, ele desliza do banco e fica sobre pernas muito instáveis. Ele começa a oscilar, então eu jogo seu braço sobre meu ombro e tento caminhar com ele para fora da cozinha. “Vamos para o sofá, camarada.”
Ele baixa sua testa para o lado da minha cabeça e tropeça junto comigo, o que torna ainda mais difícil segurá-lo. “Meu nome não é camarada,” ele repreende. “É Kit.”
Nós nos movemos para frente do sofá, e eu começo a separá-lo de mim. “Okay, Kit. Quem quer que você seja. Apenas volte a dormir.”
Ele cai sobre o sofá, mas ele não se separa dos meus ombros. Eu caio com ele e imediatamente tento me afastar.
“Alma, não,” ele implora, me segurando pelo braço, tentando me colocar no sofá com ele. “Meu não é Alma,” eu digo, me livrando do seu aperto de ferro. “É Grace.” Eu não sei por que eu esclareci qual é o meu nome, pois não é como ele fosse se lembrar dessa conversa amanhã. Eu caminho pra onde o travesseiro jogado está e o tiro do chão.
Eu paro antes de entregá-lo de volta para ele, porque ele está de lado agora, e seu rosto está pressionado contra a almofada do sofá. Ele está apertando o sofá tão fortemente que seus nós dos dedos estão brancos. Num primeiro momento, eu penso que ele está doente, mas então eu realizo a quão incrivelmente errada eu estou.
Ele não está doente. Ele está chorando. Com força.
Com tanta força que ele não está sequer fazendo barulho. Eu nem conheço o cara, mas a devastação óbvia que ele está vivenciando é difícil de presenciar. Eu olho para o corredor e volto para ele, me perguntando se eu devo deixá-lo sozinho pra dar privacidade. A última coisa que eu quero fazer é ficar presa no problema de alguém. Eu evitei com sucesso a maioria das formas de drama no meu círculo de amigos até hoje, e tenho certeza que não quero começar agora. Meu primeiro instinto é ir embora, mas por alguma razão, eu me encontro estranhamente simpática com ele. Sua dor realmente parece verdadeira e não apenas o resultado de um consumo exagerado de álcool.
Eu me ajoelho na frente dele e toco seus ombros. “Kit?”
Ele inala um longo suspiro, virando seu rosto devagar na minha direção. Seus olhos são meras fendas e estão vermelhos. Eu não tenho certeza se isso é o resultado do choro ou do álcool. “Eu lamento tanto, Alma,” ele diz, levantando a mão na minha direção. Ele envolve sua mão no meu pescoço e me puxa em sua direção, enterrando seu rosto entre meu pescoço e ombro. “Eu lamento tanto.”
Eu não tenho ideia quem seja Alma ou o que ele fez para ela, mas se ele a machucou muito, tremo só de pensar no que ela está sentindo. Eu tento achar seu telefone e procurar o nome dela e ligar para ela para que ela possa corrigir isso. Ao invés disso, eu gentilmente o coloco de volta no sofá. Eu pego o travesseiro e o coloco nele. “Vá dormir, Kit.” eu digo gentilmente.
Seus olhos estão tão cheios de culpa quando ele cai sobre o travesseiro. “Você me odeia muito,” ele diz enquanto agarra a minha mão. Seus olhos se fecham de novo, e ele solta um suspiro pesado.
Eu o encaro em silêncio, permitindo que ele segure a minha mão até que ele esteja quieto e imóvel e não haja mais lágrimas. Eu tiro minha mão da dele, mas permaneço ao seu lado por mais alguns minutos.
Embora ele esteja dormindo, ele de algum jeito ainda parece que está num mundo de dor. Suas sobrancelhas estão enrugadas, e sua respiração é esporádica, caindo até permanecer em um padrão pacífico.
Pela primeira vez, eu noto uma fraca e irregular cicatriz, com cerca de quatro centímetros de comprimento, que corre por todo o lado do seu maxilar. Ela para apenas a dois centímetros dos seus lábios.
Eu tenho a estranha urgência de tocá-la e corro o meu dedo pelo comprimento da cicatriz, mas ao invés disso, minha mão sobe para o seu cabelo. É curto nos lados, e um pouco mais comprido no topo, e tem a perfeita mistura de castanho e loiro. Eu afago o seu cabelo, o confortando, embora ele possa não merecer isso.
Esse cara talvez mereça cada pedaço de remorso que ele está sentindo por o que quer que ele tenha feito a Alma, mas ao menos ele está sentindo isso. Eu tenho que dar para ele algo.
O que quer que ele tenha feito para Alma, ao menos ele a ama o suficiente para se arrepender.


Notas Finais


Pessoal outra história que estou escrevendo
Espero sinceramente que gostem e desfrutem dessa linda história de amor
E como vocês devem ter percebido, eu amo Kit e Grace haha <3 <3, são os meus prediletos de AHS
Boa leitura
E esse também tenho alguns capítulos já prontos ;)


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