História O lado feio do amor (adaptação Kit e Grace) - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias American Horror Story
Visualizações 5
Palavras 2.696
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Capítulo 3


GRACE

Normalmente, se eu acordasse, abrisse meus olhos, e visse um homem raivoso me encarando da porta do quarto, eu poderia gritar. Eu poderia atirar coisas. Eu poderia correr para o banheiro e me trancar lá dentro.
No entanto, eu não faço nada disso.
Eu encaro de volta, porque estou confusa como esse é o mesmo rapaz que estava desmaiado bêbado no corredor. Como esse é o mesmo rapaz que chorou até dormir na noite passada? Esse rapaz é intimidador. Esse rapaz é raivoso. Esse rapaz está me olhando como se eu devesse uma desculpa ou uma explicação para ele.
É o mesmo rapaz, no entanto, porque ele está vestindo o mesmo par de jeans e a mesma camiseta preta com que ele dormiu ontem à noite. A única diferença na sua aparência entre a noite passada e essa manhã é que ele agora é capaz de se manter em pé sem assistência.
“O que aconteceu com a minha mão, Grace?”
Ele sabe o meu nome. Ele sabe disso porque Corbin contou para ele que eu estava me mudando ou porque ele realmente se lembra de que eu falei a noite passada? Eu espero que Corbin tenha contado para ele, porque eu realmente não quero que ele se lembre da noite passada. Eu de repente me sinto constrangida de que ele possa se recordar de que o consolei na noite passada enquanto ele chorava até dormir.
Ele aparentemente não tem nenhuma pista do que aconteceu com a sua mão, então eu espero que isso signifique que ele não tenha nenhuma lembrança além dessa.
Ele está encostado contra a minha porta do quarto com seus braços cruzados no seu peito. Ele parece defensivo, como se eu fosse a única responsável pela sua noite ruim. Eu enrolo, ainda não tendo terminado de dormir, embora ele pense que eu deva algum tipo de explicação. Eu coloco as cobertas sobre a minha cabeça.
“Tranque a porta da frente quando você for embora,” eu digo, esperando que ele pegue a deixa de que ele é mais do que bem vindo a voltar ao seu próprio lugar.
“Onde está meu celular?”
 Eu aperto meus olhos e tento abafar o som suave da sua voz que desliza para os meus ouvidos e faz caminho por todos os nervos do meu corpo, me aquecendo em lugares onde esse frágil cobertor não conseguiu durante toda a noite.
Eu lembro pra mim mesma que a voz sensual pertence a pessoa que está parada na porta, rudemente exigindo coisas sem ter o conhecimento do fato de que eu o ajudei na noite passada. Eu gostaria de saber onde está o meu Obrigado por isso. Ou o meu Oi, eu sou Kit. Prazer em conhecê-la.
Eu não recebi nada disso desse cara. Ele está muito preocupado com a sua mão. E seu celular, aparentemente. Muito preocupado consigo mesmo para se interessar sobre quantas pessoas ele incomodou com sua negligência a noite passada. Se esse cara e sua atitude serão meus vizinhos pelos próximos meses, é melhor eu corrigi-lo agora.
Eu sacudo as cobertas e fico de pé, então caminho até a porta e encontro seu olhar. “Faça-me um favor e dê um passo para trás.”
Surpreendentemente, ele faz. Eu mantenho meus olhos nos dele até a porta do quarto bater na sua cara e eu estou olhando para a parte de trás da porta. Eu sorrio e caminho de volta para a minha cama. Eu me deito e coloco as cobertas sobre a minha cabeça.
Eu venci.
Eu mencionei que eu não sou uma pessoa matinal? A porta abre novamente.
Escancara-se.
“O que diabos há de errado com você?” ele grita.
Eu resmungo, então me sento na cama e olho para ele. Ele continua parado na porta, ainda olhando para mim como se eu devesse algo para ele.
“Você!” eu grito de volta.
Ele olha genuinamente chocado com a minha resposta dura, o que meio que me faz sentir mal. Mas ele é o grande idiota!
Eu acho.
Ele começou. Eu acho.
Ele me encara por alguns segundos, então inclina sua cabeça lentamente para frente e arqueia suas sobrancelhas.
“Nós...” Ele faz um gesto com o dedo para frente e para trás entre nós. “Nós ficamos juntos na noite passada? É por isso que você está puta da vida?”
Eu rio quando meus pensamentos iniciais são confirmados. Ele está sendo um idiota.
E isso é ótimo. Eu sou vizinha de um cara que fica bêbado nas noites da semana e obviamente traz pra casa tantas garotas durante o processo que ele nem sequer se lembra com quem ele brincou.
Eu abro minha boca para responder, mas sou interrompida pelo barulho da porta do apartamento se fechando e a voz do Corbin gritando.
“Grace?”
Eu pulo imediatamente e corro para a porta, mas Kit ainda está bloqueando a porta, olhando para mim, esperando a resposta para a sua pergunta. Eu o olho diretamente nos olhos para lhe dar uma resposta, mas seus olhos me pegam desprevenida por um momento.
São os olhos marrons mais lindos que eu já vi. Sem as pálpebras pesadas e os olhos vermelhos da noite passada. Eu continuo encarando-o, talvez esperando ver ondas se eu olhar mais de perto.
Ele pisca, e imediatamente me afasto do Caribe e volto para San Francisco. De volta para o quarto. De volta para a última pergunta que ele me fez antes de Corbin entrar pela porta da frente.
“Não sei se você pode chamar de ficar o que nós fizemos,” eu sussurro.
Eu o encaro, esperando que ele saia do meu caminho.
Ele fica mais alto, colocando uma parede invisível com a sua postura e sua linguagem corporal rígida.
Aparentemente, ele não gostou de imaginar nós dois ficando, baseado no olhar duro que ele está me dando. Quase parece que ele está olhando para com nojo, o que me faz não gostar dele ainda mais.
Eu não volto atrás, e nenhum dos dois quebra o contato visual quando ele sai do meu caminho e me permite passar por ele. Corbin está chegando ao fim do corredor quando eu saio do meu quarto. Ele olha de mim para Miles, então rapidamente eu lanço um olhar para ele saber que não é nem remotamente possível.
“Oi, irmãzinha,” ele diz, me pegando num abraço.
Eu não o vejo há quase seis meses. Algumas vezes é fácil esquecer o quanto você sente falta das pessoas até que você as veja novamente. Este não é o caso com Corbin. Eu sempre sinto falta dele.
Por mais que seu protecionismo possa voltar como nos velhos tempos, também testemunha o quão próximos nós estamos.
Corbin me solta e puxa uma mecha do meu cabelo. “Está grande,” ele fiz. “Eu gosto.”
Esse pode ser o maior tempo que já passamos sem nos ver. Eu chego perto e tiro o cabelo caindo sobre a sua testa. “O seu também,” eu digo. “E eu não gosto.”
Eu sorrio para deixá-lo saber que estou brincando. Eu realmente gosto dele cabeludo. As pessoas sempre dizem que nós somos parecidos, mas eu não vejo isso. Sua pele é um pouco mais escura do que a minha,o que eu sempre invejei. Nosso cabelo é no mesmo rico tom de castanho, mas os nossos traços faciais não são nada parecidos, especialmente nossos olhos. Mamãe costumava nos dizer que se colocássemos nossos olhos juntos, eles pareceriam como uma árvore. Os dele eram marrons como um tronco, e os meus verdes como folhas.
Eu sempre invejei que ele tivesse o tronco, porque marrom era minha cor favorita quando estava crescendo.
 Corbin reconhece Kit com um aceno de cabeça. “Oi, cara. Noite difícil?” Ele pergunta com um sorriso, já que ele sabe exatamente o tipo de noite que Kit teve ontem.
Kit passa por nós dois. “Eu não sei,” ele responde. “Eu não me lembro.” Ele caminha até a cozinha e abre o armário, pegando um copo como se ele estive confortável o suficiente para fazer aquilo.
Eu não gosto disso.
Eu não gosto do Kit confortável.
Kit confortável abre outro armário e pega um pote de aspirina, enche seu copo com água, e coloca duas aspirinas na sua boca.
“Você pegou todas as suas coisas?” Corbin me pergunta. “Não,” eu digo, olhando para Kit quando eu respondo. “Eu estava meio preocupada com o seu vizinho a maior parte da noite.” Kit limpa sua garganta nervosamente enquanto ele lava o copo e o guarda no armário. Seu desconforto com seu lapso de memória me faz rir. Eu gosto que ele não tenha ideia do que aconteceu a noite passada. Eu até meio que gosto que o pensamento de ter estado comigo pareça enervá-lo. Eu talvez mantenha essa fachada por um tempo para o meu próprio divertimento.
Corbin olha para mim como se ele soubesse o que eu estou tentando fazer. Kit sai da cozinha e me olha de relance, então olha de volta pra Corbin.
“Eu devo voltar pro meu lugar agora, mas eu não acho minhas chaves. Você tem a chave extra?”
Corbin acena e caminha até uma gaveta da cozinha. Ele abre a gaveta, agarra a chave, e joga para Kit, que a pega no ar. “Você pode voltar em uma hora e me ajudar a descarregar o carro da Tate? Eu quero tomar banho primeiro.”
Kit acena, mas seus olhos cortam brevemente para mim enquanto Corbin começa a caminhar para o seu quarto.
“Nós vamos conversar quando não for tão cedo.” Corbin fala pra mim.
Pode fazer sete anos desde que nós vivemos juntos, mas ele aparentemente se lembra de que não sou muito de conversar pela manhã. Uma pena Kit não saber isso sobre mim.
Depois de o Corbin desaparecer no seu quarto, eu me viro para Kit de novo. Ele ainda está olhando para mim na expectativa, como se ele ainda estivesse esperando uma resposta minha quaisquer que sejam as perguntas que ele fez mais cedo. Eu só quero que ele saia, então eu respondo todas de uma vez.
“Você estava desmaiado no corredor na noite passada quando eu cheguei aqui. Eu não sei quem você é, então quando você tentou entrar no apartamento, eu posso ter batido a porta na sua mão. Não está quebrada. Eu verifiquei, está machucada na melhor das hipóteses. Basta colocar algum gelo e envolvê-la por algumas horas. E não, nós não ficamos. Eu ajudei você entrar no apartamento, e então eu fui pra cama. Seu celular está no chão perto da porta da frente onde você o derrubou na noite passada porque estava muito bêbado para andar.”
Eu me virei para ir pro meu quarto, apenas querendo me afastar da intensidade dos seus olhos.
Eu me viro quando chego à porta do meu quarto. “Quando você voltar em uma hora e eu tiver a chance de acordar, nós podemos tentar novamente.”
Sua mandíbula está rígida. “Tentar o que novamente?” ele pergunta.
“Começar com o pé direito.”
Eu fecho a porta do meu quarto, colocando uma barreira em mim e aquela voz.
Aquele olhar.

 

 

 

 

 

 

“Quantas caixas você tem?” Corbin pergunta. Ele está colocando seus sapatos na porta. Eu pego minhas chaves no bar.
“Seis, mais três malas e todas as minhas roupas nos cabides.” Corbin caminha até a porta do outro lado da sala e bate nela, então se vira e segue na direção dos elevadores. Ele aperta o botão de descer. “Você disse para mamãe que você fez isso?”
“Sim, eu mandei uma mensagem ontem à noite.”
Eu ouvi a porta do seu apartamento abrindo quando o elevador chegou, mas eu não me virei pra vê-lo saindo. Eu entrei, e Corbin segurou o elevador para Kit.
Assim que ele fica na minha frente, eu perco a guerra. A guerra que eu sequer sabia que estava lutando. Isso não acontece frequentemente, mas quando eu encontro um rapaz atraente, é melhor quando acontece com uma pessoa que eu queira que aconteça.
Kit não é a pessoa por quem eu quero ter sentimentos. Eu não quero me sentir atraída por um cara que bebe até esquecer, chora por outras garotas, e não pode sequer lembrar se ele dormiu com você na noite passada. Mas é difícil não notar sua presença quando sua presença se torna tudo.
“Deve ser apenas duas viagens,” Corbin diz para Kit enquanto ele aperta o botão para o térreo.
Kit está olhando para mim, e eu não posso julgar sua atitude, porque ele ainda parece puto da vida. Eu encaro de volta, porque não importa quão bonito de olhar ele seja com aquela atitude, eu ainda estou esperando por obrigado que eu nunca recebi.
“Oi,” Kit finalmente diz. Ele dá um passo para frente e ignora completamente a etiqueta de não falar no elevador chegando bem perto e estendendo sua mão. “Kit Walker. Eu moro do outro lado do corredor.”
E eu estou confusa.
“Eu acho que nós estabelecemos isso,” digo, olhando para a sua mão estendida.
“Começando de novo,” ele diz, arqueando uma sobrancelha. “Com o pé direito?”
Ah. Sim. Eu disse isso para ele.
Eu pego a sua mão e balanço. “Grace Bertrand. Eu sou a irmã do Corbin.”
O jeito que ele se afasta e mantém seus olhos nos meus me faz sentir um pouco desconfortável, já que Corbin está só a um passo de distância. Corbin não parece se importar, no entanto. Ele nos ignora, preocupado com o seu celular.
Kit finalmente interrompe seu olhar e tira seu celular do bolso. Eu aproveito a oportunidade para estudá-lo enquanto sua atenção não está em mim.
Eu chego à conclusão que sua aparência é completamente contraditória. É como se dois criadores estivessem em guerra quando ele foi concebido. A força da sua estrutura óssea contrasta com a leveza, o apelo convidativo dos seus lábios. Eles parecem inofensivos e convidativos comparados com a dureza dos seus traços e a cicatriz irregular que percorre toda a extensão do lado direito da sua mandíbula.
Seu cabelo não se decide se ele quer ser castanho escuro ou preto ou ondulado ou liso. Sua personalidade alterna entre convidativo e insensivelmente indiferente, confundindo minha habilidade de discernir entre quente e frio. Sua postura casual é uma guerra com a fúria que eu vi em seus olhos. Sua compostura hoje de manhã contradiz seu estado ébrio na noite passada. Seus olhos não podem decidir se eles querem olhar para o seu celular ou para mim, porque eles vão e vem diversas vezes antes das portas do elevador abrirem.
Eu paro de olhar e saio do elevador primeiro. Cap está sentado na sua cadeira, sempre tão vigilante. Ele olha para nós três saindo do elevador e levanta os braços da cadeira, chegando a uma posição lenta e instável. Corbin e Kit acenam para ele e continuam andando.
“Como foi a sua primeira noite, Grace?” ele me pergunta com um sorriso, me parando no meio do caminho. O fato que ele já sabe meu nome não me surpreende, desde que ele sabia pra qual andar eu ia à noite passada.
Eu olho na direção do Kit enquanto eles continuam sem mim. “Um pouco agitada, na verdade. Eu acho que meu irmão pode ter uma má escolha nas companhias que ele mantém.”
Eu olho pro Cap, e ele olha para Kit agora, também. Seus lábios enrugados formam uma linha fina, e ele dá um leve aceno de cabeça. “Ah, aquele garoto provavelmente não pode ajudar ninguém,” ele diz, descartando meu comentário.
Eu não tenho certeza se ele está se referindo a Corbin ou Kit quando ele diz “aquele garoto”, mas eu não pergunto.
Cap se afasta de mim e começa a se misturar na direção dos banheiros do lobby. “Eu acho que fiz xixi em mim mesmo,” ele murmura.
Eu o observo desaparecendo pela porta do banheiro, imaginando em que ponto da vida a pessoa se torna muito velha para perder seu filtro. Embora Cap não pareça o tipo de homem que nunca filtrou nada. Eu meio que gosto disso nele.
“Grace, vamos!” Corbin grita do final do lobby. Eu os alcanço para mostrar o caminho até o meu carro.
E demora três viagens para levar todas as minhas coisas, não duas. Três viagens inteiras onde Kit não fala outra palavra comigo.


Notas Finais


Bom aproveito e digo que aprendi com cada capítulo
Boa leitura pessoal <3


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