História O Lado Mais Profundo - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias O Lado Mais Sombrio
Personagens Personagens Originais
Tags Alyssa, Anjos Caídos, Attack On Titan, Jeb, Magia, Morfeu, O Lado Mais Sombrio, Patch, Romance, Sereias
Exibições 33
Palavras 6.977
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Hello minna!!! Eu já tinha esse capítulo pronto a um tempinho, mas só consegui postar agora por questão de saúde. Mas, como eu já tinha acabado de escrever esse a um tempo, eu já tenho parte do próximo pronto. Assim que eu terminar de escrever e tiver condições de postar, eu prometo que vou! Boa leitura, espero que gostem!

Capítulo 10 - Reencontros Revelados


P.O.V Alyssa

                Na manhã seguinte, acordei com os raios de sol que entravam no quarto pelas frestas da cortina. Esfreguei os olhos como uma criança sonolenta e com muito esforço, abri os olhos procurando por Patch.

                Ele estava ao meu lado, esticado no colchão com as costas na cabeceira. Estava usando apenas uma calça de moletom preta e seu cabelo escuro estava bagunçado. Minha movimentação fez seus olhos  saírem das várias cartas que estava lendo e pararem em mim.

                - Desculpa, Anjo. Não queria acordar você. – Ele disse, sorrindo. Largou os papéis e levou a mão ao meu rosto, colocando uma mecha loira do meu cabelo atrás da orelha.      

                - Que horas são? Quanto tempo faz que está  acordado? -  Tirei meus braços de volta dele e desenrosquei minhas pernas das suas.

                - Faz anos que estou acordado. – Ele disse, e sorriu de um jeito brincalhão, feliz com a própria piada. Revirei os olhos e involuntariamente ri de sua tentativa de fazer graça.

                - Quero dizer, quanto tempo faz que amanheceu? – Perguntei, virando para encará-lo.

                - Algumas horas. Não se preocupe, ainda temos tempo. – Concordei com a cabeça e desviei os olhos para o resto do quarto. Quando me remexi para me acomodar, senti algo deslizar pelos meus braços. Olhei para baixo e vi que a única coisa que cobria meu corpo era um lençol fino. Automaticamente puxei o lençol até o pescoço e coloquei meu braços contra o peito.

                Quando percebeu, Patch franziu a testa e se inclinou na minha direção. Arregalei os olhos quando ele puxou o lençol e o jogou no chão, e gentilmente entrelaçou os dedos nos meus, afastando meus braços do corpo.

                -Você é perfeita, Al . Nunca se esconda. Não de mim. – Seu tom de voz era calmo, e podia ver seus olhos queimando sobre meu corpo. Por um instante, me perdi completamente na sua voz e no seu olhar. Quando seus lábios tocaram minha testa, voltei á realidade e mudei o assunto.

                - Que horas você pretende que saiamos? – Perguntei. Ele saiu de cima de mim e se esticou na ponta da cama.

                - Assim que você estiver pronta. Quanto antes chegarmos, melhor, não acha? – Ele se virou para mim e piscou. Incrivelmente, nesse momento ele pareceu tão atraente quanto na noite em que nos conhecemos.

                - Sim! – minha voz saiu alta e meio aguda, uma mistura do meu nervosismo e entusiasmo. Me estiquei na beirada da cama e peguei sua camisa do chão e a vesti. Fui até o armário e peguei um short jeans escuro e uma blusa de manga comprida na cor salmão, e corri para o banheiro.

                O banho em si não demorou muito mais de dez minutos. Quando voltei pra o quarto, Patch já estava vestido com o habitual: sapato, jeans e jaqueta preta, e apenas a camiseta branca. Ele estava falando no telefone enquanto girava a chave no dedo.

                Comecei uma jornada em busca da minha bota. Era a que eu mais tinha gostado, vinha até a altura do joelho e havia um monte de lacinhos roxos presos no tecido que parecia com couro. No início, recusei a acreditar que eu havia comprado um bota daquelas, afinal, sempre odiei ter qualquer coisa que fosse feita de algum animal, isso até Patch explicar que o tecido era apenas surpreendentemente parecido com couro. Depois de achá-la e calçá-la, pensei em secar o cabelo, mas decidi que não era necessário. Uma das coisas boas do meu cabelo era que ele secava muito rápido sozinho, além de ficar muito bonito.

                - Já está pronta? Acabei de avisar a Rosa de que estamos indo. – Ele cruzou os braços e se escorou na haste da cama. Joguei meu cabelos para trás e fui até a cômoda pegar o colar de concha que meu irmão me deu.

                Nath. Estava evitando pensar nele ou em qualquer outra pessoa da minha família. Ao mesmo  tempo  que estar aqui preenchia lugares vazios que haviam passados despercebidos por mim por todos esse tempo, a distância que estava entre mim e as pessoas que amo se tornava cada vez mais forte, criado novos vazios. A saudade que tinha do meu irmão era  quase insuportável. 

                Jeb, então, se tornou um assunto proibido por mim. Seu rosto e sua risada invadiam meus pensamentos todos os dias, dormindo ou acordada. Era extremamente doloroso pensar nele, em como a última coisa que fizemos foi brigar um com o outro e em como eu o ignorei quando me ligou, provavelmente para pedir desculpas. A desculpa que uso para expulsá-lo da minha cabeça é que tenho prioridades maiores agora, e que ele vai ficar bem o tempo em que eu estiver fora, já grande o suficiente para isso.

                É, ele vai ficar bem. Todos eles vão. Não é como se eu fosse ficar fora para sempre. Só preciso resolver as coisas aqui primeiro.

                - Oque eu faço quando chegar lá? Oque eu falo? Não é como se eu tivesse muito assunto. – Disse. Passei a corrente ao redor do pescoço e pedi para Patch fechar.

                - Ora, você são irmãs. Você vai ter oque conversar. Na verdade, vai ser uma surpresa se ela deixar você falar. – Ele riu pelo nariz. Ouvir isso fez com que eu me acalmasse um pouco, mas isso ainda me inquieta.

                - Mas mesmo assim... – Me virei de frente par ele.

                - Ei, ei , ei. Calma, Anjo. Vou pedir para ela pegar leve se você preferir. – Ele segurou meu pescoço e encaixou sua boca na minha. Era a nova melhor sensação do mundo para mim.

                - Podemos ir? – Ele perguntou contra a minha boca.

                -Sim...  – Disse, ainda meio zonza pela intensidade do beijo.

                Ele entrelaçou nossos dedos e foi e direção a porta. Depois dele trancar a porta e guardar a chave em uma bolso do jeans, descemos para a recepção. Patch trocou algumas palavras com Paul, que colaborou não alongando a conversa.

                Patch decidiu alugar um carro. Por pedido meu, fomos andando até concessionária, que não ficava muito longe mesmo. O carro que Path escolheu era muito moderno e caro, mas ele insistiu que queria aquele. Pelo oque ele me disse, o motivo de ter escolhido aquele era a velocidade. Desde que Patch teve suas asas arrancadas, a sensação de voar, de não ter um limite de velocidade estabelecido o fazia falta. Então procurava a forma mais rápida de sentir metade daquela sensação de novo, através de carros e motos.

                “- Está decidido. Precisamos de um carro. – Patch disse”

                E esse foi o assunto da viajem. Adito que foi um pouco estranho, estarmos conversando sobre comprar um carro como um casal normal, mas me deixou muito à vontade com o fato de estarmos tendo uma conversa comum.

                - É aqui – A voz de Patch me tirou de meus devaneios. O carro parou em frente a uma loja de bugigangas. Atrás da loja havia uma garagem com várias caixas empilhadas. -, Ela está morando atrás da loja. Concordamos que seria mais seguro que ela ficasse em um lugar discreto.

                Ele colocou a mão no fim das minhas costas e me guiou até a garagem. A porta de metal fez um barulhão quando Patch a abriu. Na hora vi um vulto vermelho aparecer correndo até a porta e pular em cima de mim.

                - Al!!! – Ela jogou os dois braços em volta de mim e me apertou contra si. – Ah, Al! Não credito que você voltou!

                No mesmo instante, minha cabeça explodiu em cores. Lembranças de nós duas no dia em que entrei no nosso bando, de como ela foi a primeira a vir falar comigo mesmo sendo muito nova. De nós duas nadando atrás de golfinhos. De como fiquei espiado quando ela deu seu primeiro beijo, e fiquei imaginando como seria a sensação. De como eu e ela corríamos atrás de Iona e Ciara pelas ruas de Nifhleim, ou de como eu arrastava as quatro para irem á terra comigo. Tudo de repente voltou.

                - Rosa, acho melhor ir com calma – Patch colocou a mão sobre o ombro dela, sabendo o quão difícil era para ela.

                - Claro, tem razão. Desculpe. – Ela afrouxou os braços para se afastar de mim. Automaticamente a abracei, querendo diminuir  toda  a distância que se criou enquanto ficamos separadas. Ela não hesitou em me abraçar com toda a força.

                - Senti sua falta – Sussurrei, com a voz falhando de emoção – Eu amo tanto você. Não sei como consegui ficar tanto tempo longe de você.

                - Eu também não sei! Nós duas sabemos que não sabe se virar sem mim – Ela riu em meio ao choro. – Você é minha irmã, quem mais vai me meter em encrenca, se não você?

                Conseguia sentir seu corpo tremendo junto ao meu. Na verdade não sabia se era o corpo dela ou o meu que estava tremendo. Ela levantou cabeça e olhou para Patch por cima do meu ombro.

                - Como funciona o retorno da memória? – Ela perguntou a ele.

                - Ao que parece, toda vez que ela tem contato com algo que foi importante para ela naquela época, as lembranças voltam. Ou elas voltam aleatoriamente, uma de cada vez. – Não precisei olhar para ele para saber que estava sorrindo.

                - Mas você pode devolver algumas lembranças para ela, não consegue?

                -Sim, posso. Porém, só consigo dar a ela as memórias em que estávamos juntos. Eu preciso ter vivido elas para poder passar para alguém.

                Sabia que precisávamos nos separar, mas não conseguíamos tirar os braços de volta uma da outra. Demorou um pouco para nos afastarmos.

                - Vocês chegaram em uma boa hora, eu tenho muito oque contar – Ela olhou para nós dois – Até aonde eu sei, parece que as coisas estão bem agitadas.

                - Mais do que o normal? – Provocou Patch. Qualquer um acharia que estava sendo sarcástico, debochando da situação. Mas eu sabia que não era isso. Apesar do sarcasmo no comentário, estava claro por sua expressão que ele estava cansado de tantos problemas e contra tempos. – Enfim, depois vemos isso com calma. Afinal, viemos aqui por outro motivo.

                Ao mesmo tempo que um choque percorreu por todo o meu corpo, me deixando estagnada no lugar, o da Rosa tremeu em ansiedade.

                - Esperem aqui! – Ela disse animada, correndo para o interior da casa.

                Patch se aproximou de mim, colocando meu cabelo para trás.

                - Você está indo bem até agora, melhor do que pensei Estou orgulhoso – Fiz o máximo de esforço que consegui para olhar para ele e sorrir. Ele sorriu de canto e segurou meu rosto, limpando as lágrimas que estavam prestes a cair. – Não precisa ficar nervosa. Lembre-se sempre, eu estou aqui com você.

                Antes que eu pudesse concordar, Rosa voltou...

                Era tão pequeno... Era tão lindo. Naquele momento, algo dentro de mim se acendeu, algo que eu não sabia que estava faltando me preencheu por completo.

                Estiquei as mãos trêmulas e o peguei nos braços, o colocando contra o meu peito. O cabelo fino e macio era escuro igual o do Patch, e os olhos eram de um azul claro como a água, como os meus.

                Seus pequenos olhos se voltaram rapidamente para mim, concentrando toda sua atenção em mim. Levantei levemente meus dedos ao seu rostinho, traçando linhas na pele macia. O levei até o rosto e encostei meus olhos na sua bochecha, deixando minhas lágrimas caírem e deslizarem por sua pele.

                 - Oi, meu amor. – Sussurrei apenas para ele ouvir. O afastei apenas o suficiente para poder olhar em seus olhos. Olhar par ele era o mesmo que olhar para o Patch, um olhar intenso, cativante e hipnotizante. Um olhar que prende completamente você de todos os jeitos.

                Em menos de um segundo outra cena invadiu minha mente.

                Era... Pele, acho... Pele e líquido. Havia uma figura pequena, encolhida no meio de tudo. Era... dentro de mim. De quando eu estava grávida. Era ele dentro de mim.

                “ – Você está quietinho, meu amor. Parece que está dormindo. Eu já disse isso hoje? Mamãe ama você. Papai ama você. Não demore muito para sair daí, okay?” ... Era a minha voz.

                “ – Ouviu sua mãe? Você vai ser a pessoa mais amada desse mundo, garotão”  ...Patch. O coraçãozinho dentro de mim batia, acompanhando nossas vozes.

                A cena mudou para uma do meu rosto suado e meu cabelo bagunçado. Estava olhando para mim mesma, enquanto via o sorriso mais sincero aparecer em meus lábios.

                “ – Oi, Henry! ’’  Foi tudo oque eu disse. Patch se sentou ao meu lado e beijou minha têmpora, depois colocou suas mãos nas minhas e puxou Henry para perto.

                Na outra cena, eu estava na cama, com Henry deitado ao lado do meu peito. Arrumei o sutiã e coloquei meu seio dentro, pois Henry havia acabado de mamar. Eu cantarolava uma melodia já familiar para que ele dormisse.

                Mais algumas cenas passaram pela minha visão, até voltar para a realidade. Aqueles olhos do mesmo azul que os meus ainda estavam fixos nos meus, com um brilho diferente. Ao que parece tudo isso não demorou mais de uns segundos.

                - Oque foi isso? – Perguntei ao Patch, sem desviar os olhos.

                - Ele mostrou as primeiras lembranças que tem de você. – Patch disse. Franzi a testa, não conseguindo entender como podia ser possível. Patch continuou.

                - Ao que parece, os olhos dele são diferentes. Possuem alguma habilidade. Ele não é nem da minha raça e nem da sua, mas possui algo de ambas.

                No momento em que Patch falou, os olhos de Henry se desviaram dos meus imediatamente, procurando pelo pai.

                 Quando ele achou  patch atrás de mim, ele abriu a boca sem dentes e riu, esticando os bracinhos na direção dele. Patch sorriu e levou a mão até ele, para que o tocasse, o deixando brincar com seus dedos.

                Mas, havia algo que estava me incomodando.

                - Fiquei fora por um ano? – Perguntei, para a Rosa – Ele é tão pequeno...

                -O crescimento dos Sirenos é lento nos primeiros anos. Com um ano, aparentam ter meses. Com dois anos, aparentam ter pouco mais de um. Com ele é assim também. Agora, ele parece ter uns cinco meses. – Rosa disse, com a voz em barganhada. Não havia percebido que ela estava chorando. Era tão difícil Rosa chorar... . Ela riu nervosa e limpou as lágrimas que estavam caindo.

                - Desculpa, é que... Eu esperei muito tempo por isso... Droga, eu odeio chorar. – Ela se atrapalhou toda nas palavras, e passou as costas da mão nos olhos, tentando disfarçar a vermelhidão.

                -Achei que você fosse chorar, Anjo. Pelo jeito, o poder da minha intuição está ficando fraco. – Patch disse em ironia. Olhei para ele rindo, mostrando as linhas molhadas nas minhas bochechas. Um músculo se contraiu em sua mandíbula. Ele não gosta de me ver chorando, não importa qual seja o motivo. Porém, um sorriso grande de sarcasmo se formou nele.  – Eu sabia que você estava chorando, eu nunca erro.

                Não pude deixar de revirar os olhos pelo comentário. Nesse instante, Henry riu alto, como uma criança que acha graça em algo. Olhei para ele e vi que estava rido para mim. E de repente aqueles olhos me sugaram de novo.

                Era de mim instantes atrás, quando eu ri com oque Patch falou. A lembrança era apenas de mim rindo. Nada mais.

                Voltai a ver seu rostinho, e sua boca estava aberta em um sorriso sem dentes. Me ver dando risada o fez rir. Nunca pensei que em um coração haveria espaço para tanto amor. Então é assim que todas as mães e sentem.

                - Bom a gente vai fazer assim! – Rosa chamou nossa atenção dando pulinhos – Vocês vão ficar aqui esta noite, e sem não! Eu vou deixar vocês fixarem tranquilos com o Henry hoje, e amanhã, quando tudo estiver mais calmo, nós conversamos sobre oque precisamos conversar. Oque acham?

                - Tirando o fato de não termos escolha, por mim tudo certo – Patch falou, provocando a Rosa. Ela revirou os olhos e mostrou a língua para ele igual uma criança.

                - Al? – Ela perguntou.

                - Claro que sim! – Sorri, empolgada por passar o dia com os três.

                -Ótimo! – Rosa saiu quase levitando para o interior da casa.

                Patch colocou a mão no fim das minhas costas, me guiando para onde Rosa tinha ido.

                Não consegui dar muita tenção ás provocações dos dois, afinal, tinha coisa muito mais importante para me concentrar.

                ....

                O dia passou mais rápido do que gostaria. Por insistência da Rosa, fomos ao centro da cidade. Nós dois ficamos mais isolados em um parque, com Henry, enquanto Rosa corria de loja em loja.

                Ficamos algumas horas na cidade e passamos o resto do dia na casa da Rosa. Chegava a ser engraçado, como de repente tudo estava se encaixando, como em um Quebra – Cabeça. A cada riso, a cada olhar e em todas as vezes que ele brincava com o meu cabelo ou com o colar em meu pescoço, alguma lembrança voltava, clara e leve como a água.

                O dia inteiro havia se passado e eu não tinha prestado muita atenção as coisas ao meu redor, mas sabia que as coisas haviam sido agradáveis. O único momento em que soltei Henry foi de noite, quando me ofereci para ajudar Rosa no jantar.

                - Não precisa ajudar se não quiser, embora eu não recusaria se quisesse. – Ela olhou para mim e arqueou as sobrancelhas, exatamente como fazia antes.

                - É claro que quero ajudar, faz tempo que não cozinhamos juntas – Sorri e me escorei nela. Dei uma última olhada para ver se Henry estava bem com Patch. Idiota, mas é claro que estava. É o pai dele. Acho que estou sendo protetora até de mais...

                 - Senti falta de estar com você. Até as confusões em que você nos metia me fizeram falta. – Ela riu e lavou a mão para tirar a umidade da carne, levando a mão ao bolso da calça jeans e tirando uma correntinha dourada.

                - Oque é isso? – Larguei a faca e me virei para ela.

                - É o nosso laço. Compramos em uma lojinha em Niflheim, lembra? – Ela segurou a pulseira ao lado do pulso, onde havia outra idêntica. Eram duas correntinhas douradas, sem nenhum pingente.

                - Você guardou...  – Disse, estendendo o braço. Ela sorriu como uma criança e pendurou a corrente no meu pulso.

                - Eu queria que você tivesse levado junto, para não estarmos totalmente separadas. Mas Patch achou melhor não. – Ela deu de ombros e revirou os olhos, se voltando para colocar a carne no forno.

                - Bom, agora não importa. Está comigo novamente. Embora nenhum de vocês dois tenha me deixado. – A empurrei de leve com o quadril e voltei a decorar a salada.

                - É bom, não é? Esquecer os problemas por um dia, pelo menos. Ser uma família de verdade. É melhor do que costumava ser...

                - AHH HENRY!! – Patch reclamou. Quando percebi já estava praticamente em cima dos dois.

                - Oque foi?

                - Nada de mais, pode ficar tranquila. Apenas um babão! – A testa de Patch se franziu quando seus olhos encontraram os de Henry, esperando que ele percebesse que ele não tinha gostado da brincadeira.

                Henry estava segurando a mão de Patch com bastante convicção para um bebê, e havia enfiado todos os dedos dele na boca. Os olhos redondos de Henry estavam arregalados e brilhantes, achando graça da situação, enquanto a mão de Patch era lavada com baba, que estava quase escorrendo pelo pulso.

                - Anjo, pode pegar o bico dele, por favor? Está no segundo quarto, á esquerda. – Patch pediu, sem olhar diretamente para mim. Estava tentando tirar os dedos da boca de Henry, que era totalmente contra a ideia e segurava com mais força.

                - Claro.

                - Só você mesmo para não saber controlar o próprio filho! – Rosa alfinetou, tentando se vingar pela provocação de antes.

                - Não é uma questão de controle. Só não vou reprimir as coisas que ele puxou do pai. Ele apenas sabe usar a língua. Igual á mim. – Ele se virou para mim e deu uma piscada. Senti o calor subindo e deixando meu rosto mais vermelho que um tomate.  Me afastei  o mais rápido que consegui, ainda ouvindo a discussão dos dois.

                O quarto em que Patch ordenou era um simples quarto de hóspedes, com uma cama de solteiro, um armário de quatro portas e uma penteadeira com várias gavetas. O bico estava em cima da penteadeira, ao lado de alguns papéis escritos em Sireno. Quando me aproximei e estiquei a mão par pegá-lo, tropecei em uma dobra formada no tapete. Consegui me segurar em uma gaveta semiaberta, mas acabei derrubando vários papéis que estavam guardados.

                Me abaixei para pegar e vi que eram todas cartas que eu havia enviado. Comecei a olhar as datas, que por sinal eram um pouco distantes umas da outras. Rosa tinha razão, eu demorava para responder as suas cartas.

                Peguei o bico e voltei para a cozinha, antes que encontrasse alguma coisa e acabasse bisbilhotando no que não era meu.

                O jantar foi divertido e demorado. Patch me segurava contra si enquanto beliscava alguma coisa ou outra da comida, já que ele não precisava se alimentar, enquanto Rosa tentava me ensinar a dar comida ao Henry. Ele podia aparentar ter meses, mas comia como sua verdadeira idade mandava.

                Depois de tudo, me ofereci para lavar a louça e, como de costume, Rosa não se opôs. Ela disse que precisava descansar, então foi para o quarto. Patch me ajudou a terminar a louça, para ser mais rápido.

                Depois de algum tempo, quando acabamos, peguei Henry e deixei Patch me levar até o quarto em que ficaríamos. Ao chegarmos lá, me sentei na cama com Henry, cantarolando a mesma música que vinha cantando desde que os “sonhos” começaram, querendo fazê-lo dormir.

                - Desse jeito – Patch falou baixinho, para não agitá-lo. Ele me fez deitar de lado e botar Henry no travesseiro, olhando para mim.

                - Agora é só esperar ele adormecer. Não deve demorar muito. – Patch se inclinou sobre nós e beijou Henry no topo da cabeça. Puxei meu bebê para mais perto, o acomodando na curva do meu pescoço e deslizando os dedos pelos os fios escuros de seu cabelo.

                Patch pendurou a jaqueta no cabideiro e trancou a porta. Ele foi até o armário e tirou a camisa, colocando-a em uma gaveta e pegando um tecido rosa.

                - Oque é isso? – perguntei. Virei-me com cuidado para não agitar Henry, que havia acabado de fechar os olhos.

                - Isso é para você – Ele pendurou no braço o tecido, que agora eu via ser uma camisola rosa. – Vamos.

                Olhei para Henry que estava com os olhinhos fechados e a respiração regular.

                - Não se preocupe, ele sempre faz isso antes de dormir.

                Franzi as sobrancelhas e olhei para Patch.

                - Ele não está dormindo? – Perguntei.

                - Ainda não. Ele tem o costume de ficar com os olhos fechado antes de realmente dormir. Pode deixa-lo, em pouco tempo ele dorme. – Ele coçou o queixo, onde a barba começava a apontar. – Agora vamos enquanto ele está assim. Um tempo só nosso, já que hoje não pude ter você.

                Como muitas outras vezes, meus olhos se hipnotizaram com cada músculo de seu corpo, e como sempre, não pude fazer outra coisa se não concordar.

                Ajeitei o travesseiro em baixo de Henry e coloquei o bico dele em cima do bidê. Patch passou o braço em torno da minha cintura e me puxou contra si, colando minhas costas em seu peito.

                - Oque você acha de um banho? – Ele sussurrou com os lábios no meu ouvido. Uma onde de eletricidade percorreu meu corpo, e eu não sabia se era por causa do seu hálito no meu pescoço ou pela visão de tomarmos banho juntos.

                - Você está se segurando tanto assim? – Perguntei, jogando a cabeça para trás e a escorando em seu ombro, para deixar toda a extensão do meu pescoço livre para sua boca.

                - Você não faz ideia – Ele sussurrou, com a voz rouca, mordendo de leve a minha clavícula. Ele me soltou por um segundo, segurando minha mão e me levando para o banheiro do quarto.

                Era até parecido com o nosso. Uma pia grande ficava na entrada, junto com outras, e uma banheira no fundo com um chuveiro no topo.

                Ele pendurou nossas coisas em ganchos de ferro que ficavam atrás da porta e ligou a banheira.

                - Vejo que a Rosa devolveu a você – Ele segurou meu pulso e passou o dedo sobre a corrente – Vou ter que comprar um porta joias para você.

                Ele abriu a pulseira e a colocou em um potinho de vidro em cima da pia. Quando suas mãos envolveram meu pescoço para abrir o fecho do colar, meus dedos pularam instintivamente para o pingente de concha. Seus olhos estavam ternos quando ele me olhou.

                - Desculpa, é que... Isso vem me incomodando desde que vim. Eu me sinto culpada por deixa-los... Pela segunda vez.

                Patch me observou por alguns segundos, absorvendo tudo. Depois de um momento, seus olhos ganharam um brilho diferente e ele sorriu com o canto da boca, abrindo o colar e o colocando na palma da minha mão.

                - Eventualmente eles vão acabar entendendo oque está acontecendo. E isso aqui possui um pouco de todos. Seu pai, sua mão e seus irmãos. Eles nunca vão deixar você, Anjo. Assim como você nunca vai deixa-los.

                Coloquei o colar junto com a pulseira e sorri, agradecida.

                - Eu sei – Disse, colocando meu cabelo atrás da orelha enquanto ele puxava minha blusa por cima da cabeça – Só queria ter me despedido.

                Ele jogou minha blusa em um canto, enquanto descia os dedos até o zíper do meu short.

                                - É obvio que não vou ser um babaca e impedir você de vê-los. – Seus lábios formaram um sorriso calmo, mas sua testa estava franzida por estar tendo dificuldades com o meu zíper. – Você pode visita-los quando quiser. Só acho mais inteligente esperar um pouco mais. Suas memórias podem ter voltado, mas você ainda precisa se acostumar com muita coisa.

                - É reconfortante saber disso. – De algum jeito, cada fibra dentro de mim se acalmou.

                - Chega de papo dramático. Vamos deixar isso para outra hora. – Ele abriu um sorriso de ponta a ponta.

                Ele envolveu minha cintura e me levantou do chão, fazendo meu short deslizar pelas minhas pernas e cair no chão.

                Me atrapalhei para tirar a lingerie que ainda restava em mim, mas a impaciência de Patch o fez arranca-las em segundos.

                Tentei puxar Patch para banheira comigo, mas ele preferiu ficar do lado de fora.

                - Sabe que prefiro chuveiro... – Ele conseguiu sussurrar em meio aos beijos.

                - Nisso somos diferentes. – Por algum motivo, patch preferia tomar banho de chuveiro. Já eu sempre preferi ficar mergulhada na água.

                Ele se apoiou em um joelho pra facilitar seus movimentos. Agarrei seus cabelos e desci a boca para o pescoço. Ele gemeu alguma coisa, me incentivando a continuar por todo o seu corpo. Antes que eu pudesse fazer algo, sua mão desceu pela minha barriga e foi para o meio das minhas pernas.

                Prendi os dentes em seu ombro, uma tentativa falha e abafar meus gemidos altos. O controle eu ainda tinha se perdeu e cravei os dedos nas suas costas, gemendo em seu pescoço.

                - Assim.  – Ele sussurrou no meu ouvido, afastando ainda mais meus joelhos.

                Havia coisas que só Patch era capaz de me fazer sentir, do tipo que eu nunca imaginei que desejasse tão desesperadamente. Seus dedos entravam e saíam de dentro de mim em um ritmo lento, totalmente torturante. Entre meus gemidos, implorei para que ele aumentasse a velocidade, mas ele apenas me disse que ainda não era a hora. Comecei a mexer o quadril em sua mão em um último apelo para que ele parasse com aquela tortura, porém não adiantou nada.

                Minha respiração estava acelerada e meu corpo inteiro tremia de prazer. Eu queria faze-lo sentir o mesmo que eu estava sentindo. Queria dar a ele o mesmo prazer que ele estava me dando. Juntei o pouco de força que consegui guardar e desci a mão pelo seu abdômen, tateando a procura do zíper da calça jeans.

                Quando consegui abaixar o elástico da sua cueca, ouvimos um choro vindo do quarto. Antes que pudesse segura-lo, ele pegou minha mão e beijou meus dedos. Ele tirou a mão do meio das minhas pernas e lambeu os dedos. Tentei segura-lo antes que se levantasse, mas ele apenas sorriu e me beijou, secando as mãos em uma toalha e saindo do banheiro.

                Apoiei a cabeça na beirada da banheira e esperei meus batimentos cardíacos se estabilizarem. Lavei o rosto e fiquei molhando os braços, assistindo a água escorrer pelos meus dedos.

                Depois de alguns minutos Patch voltou e colocou algo na gaveta da pia.

                - Oque é isso? – Perguntei. A curiosidade sempre foi um dos meus maiores defeitos.

                - Uma pasta que ele usa. – Patch me mostro a embalagem de um tipo de “pomada” na cor branca. Mais tarde precisaria ver para oque aquilo servia.

                - Bom, Anjo, hora de sair do seu porto seguro. – Ele se agachou ao lado da banheira e esticou os braços para me ajudar a sair. O olhei e fiz uma careta.

                -Eu ainda não acabei com você...  – Disse de um jeito manhoso  e vi seus olhos escurecerem.

                Ele sorriu e aproximou o rosto do meu.

                - Vamos acabar isso na cama.

                Antes que eu pudesse fazer algo, ele envolveu meus joelhos e minhas costas e me ergueu da banheira. Ele me levou até a cama, não sem antes molhar todo o caminho.

                 Soltei um gritinho quando ele me deitou e cima dos lençóis.

                - Patch, vamos encharcar a cama desse jeito!! – Dei uma olhada no berço e vi que Henry estava dormindo como um anjo.

                - Bom, se você quiser parar é só me visar – Ele ficou de pé na beirada da cama, com um joelho apoiado no colchão e fez menção de fechar o zíper da calça. Olhei de suas mãos para seu rosto. Seus olhos estavam escuros em cima do meu corpo. Quer saber??

                - Dane-se a cama – Me sentei na cama e segurei suas mãos, o puxando para mim. Ele abaixou o torso e pude sentir que seus lábios estavam abertos em um sorriso quando me beijou. Suas mãos foram mais rápidas que as minhas quando abriu a calça e a tirou, logo prendendo as mãos no meu cabelo. Não consegui me segurar, e a única coisa que lembro antes de perder o controle total, é de atirar sua cueca ao lado da cama.

               ....

 

                Acordei num pulo, com o choro de Henry ecoando pelo quarto. Me remexi, me soltando dos braços de Patch, até ouvir seu resmungo de protesto.

                - Estava tão bom...  – Ele se virou na cama, enterrando o rosto no travesseiro.

                Sorri e soltei sua mão da minha. Tirei o lençol de cima de mim e joguei as pernas para fora da cama, indo até um gaveteiro e pegando uma camisa social do Patch para vestir.

                Lembrei de uma vez em que, devido ao alto posto em que meu pai tinha me colocado perante o Conselho, consegui colocar Patch dentro de Niflheim. Escondido, é claro.

                Ficamos dois dias dentro da casa que costumava pertencer á minha mãe, e que ela havia deixado para mim. Quando mamãe adoeceu, ela dividiu as seis casas que papai havia dado a ela de aniversário de casamento entre os seus sete filhos favoritos. Para mim, Rosa, Iona, Ciara, Morfeu e minhas irmãs gêmeas: Ykhar  e Alajéa. Embora Ykhar e Alajéa dividissem a casa que ganharam.

                Tentava me esquivar dele na cama, tentando não acordá-lo para fazer alguma surpresa que ele gostasse, sempre me esquecendo de que ele estava sempre acordado.

                Assim como agora, ele resmungava sempre que eu tentava me levantar, e me segurava para que não saísse.

                Caminhei até o berço e me inclinei sobre ele, juntando as mãos e as colocando estre às pernas.

                No momento em que ele me viu, seu choro se tornou em um resmungo manhoso e pidão, igualzinho o de Patch. Ele levantou os bracinhos e os balançou na minha direção, pedindo colo com uma careta de carência.

                Coloquei minhas mãos embaixo de seus braços para erguê-lo, e ele começou a rir e balançar as pernas no ar.

                Me virei para ir para a cama. Patch estava deitado de lado, com os cabelos caindo em cima dos olhos, os quais estavam fixos em nós. Me sentei na cama e o coloquei entre nós. Rimos das várias vezes que Henry se revirou, tentando ficar de barriga para baixo. Quando ele conseguiu apoio nos joelhos, engatinhou até Patch, caindo algumas vezes de cara no colchão.

                Ele segurou o ombro de Patch, conseguindo apoio no osso proeminente que ele tinha na clavícula, para conseguir ficar de pé. Aproveitei a deixa que os dois estavam distraídos e me levantei para pegar meu celular e ver que horas era.

                05:15

                Ainda tinha mais um tempinho para dormir. Se aqueles dois me deixassem. Voltei para a cama e Henry estava balançando o corpo para cima e para baixo, numa dancinha que provavelmente todo bebê fazia. Deitei ao lado deles e fiquei observando as duas pessoas que, em menos de dois dias, haviam se tornado tudo para mim. Patch segurou minha coxa e puxou minhas pernas para cima das dele, para que eu pudesse me enroscar nele, como fazia todas as noites. Segundo ele, aquilo havia se tornado uma mania. Tipo um “tique nervoso” que eu havia adquirido desde que começamos a dormir juntos. Bom, pelo menos isso explica o porquê eu sentia a necessidade de ter um travesseiro de abraço para colocar entre minhas pernas quando fosse deitar, eu precisava ter algo para enroscar as minhas pernas. Mais um mistério solucionado.

                Enquanto eu observava os dois brincarem e rirem, comecei a pensar em como estariam às coisas lá em casa. Pelo oque Patch disse, papai e mamãe já deviam ter começado a entender a situação, assim como Nath e Lauren. O que não conseguia sair da minha cabeça era Jeb. Por todo o tempo desde que cheguei aqui, estive evitando pensar em Jeb ou em Jen. Seria doloroso demais me torturar pelo oque eu tinha feito. Ignorei todas as ligações que ele havia feito depois da nossa briga, alguma delas podia ser um pedido de desculpas ou.... Nem dei a ele ou a mim a chance de ouvir oque o outro queria dizer, depois que a poeira baixou. Doía demais pensar em como seria agora, como jeb cuidaria da mãe e da irmã sem mim lá? Eu sempre fui o apoio dele, desde antes do pai dele ir embora. Eu era a âncora que o mantinha firme, que fazia ele enxergar a lucidez, para não deixar o ódio que sentia pelo pai o dominar, para que pudesse dar uma vida boa para sua família.

                O pai de Jeb era um alcóolatra que chegava em casa bêbado, e acabava agredindo a esposa e as vezes a própria filha. Connor era o filho mais velho, mas naquela época morava com os avós. Jeb, por ser o mais novo, era o mais vulnerável, fraco e manipulável. Qualquer coisa que irritasse o pai sobrava para ele.  A visão do peito de Jeb é clara como água na minha memória, da primeira vez que o vi sem camisa. As cicatrizes das várias vezes que o pai o queimou com o cigarro cobriam todo o seu peito. O que sempre me fez amar as cicatrizes era o orgulho que Jeb tinha delas. Para ele, as cicatrizes marcavam todas as vezes em que o pai descontou a raiva nele, e não na mãe ou na irmã. Ele se culpa por não ter as protegido naquela época, quando o pai ainda morava com eles, mas sabe que não havia nada que pudesse ter feito, sendo apenas uma criança. Por esse motivo, seu maior orgulho são as cicatrizes que simbolizam todas as vezes que serviu de alvo para a raiva do pai.

                Sempre que o pai o agredia, Jeb fugia e vinha se esconder na minha casa. Ficávamos muito tempo em baixo do salgueiro que tínhamos no pátio, nós dois encolhidos, enquanto Jeb agarrava minha mão com força e chorava, controlando os soluços para que o pai não ouvisse.

                Era eu que estava lá com ele quando seu mundo caía. Era eu que o abraçava até que parasse de chorar e se acalmasse, fazendo esforço para levá-lo ao meu quarto e deixasse que dormisse na minha cama o quanto precisasse, para ficar o maior tempo possível longe do pai.

                Eu sempre fui o porto seguro de Jeb, assim como ele sempre foi o meu. Eu via isso em todas as vezes em que ele me pintava escondido. Pintar era sua paixão, como expressava os seus sentimentos. Uma vez, esperando ele em seu estúdio, comecei a olhar todos os maravilhosos  quadros que ele havia pintado, quando achei em um lugar escondido, várias telas em que eu era retratada com asas, com luz e brilho. Em todas as telas ele me pintava como uma fada, trazendo o brilho. Segundo Jen, essas pinturas eram o sentimento que ele nutria por mim, a pessoa que para ele sempre iluminou sua vida mesmo quando a mais densa escuridão pairava sobre ele.

                Porém, passar por tudo isso foi oque fez dele oque ele é hoje. Que fez ele se tornar o homem forte e decidido que ele se tornou.

                Era essa dor insuportável que eu sentia sempre que pensava sobre isso, e expulsava o pensamento antes que a culpa por tê-los deixado aumentasse. Eu tinha prioridades agora, coisas que eu precisava resolver e precisavam da minha total atenção. Jeb já era grande e capaz o suficiente para ficar por conta própria. Havias coisas que eu não queria pensar agora, e no fundo, eu sabia que era por medo da realidade.

                Eu era mãe. Eu tinha um filho. Havia vindo de dentro de mim, era a minha criança. Era fruto do meu amor e do Patch, e eu também não ia abrir mão dele. Isso era que me assustava! Como eu ia contar para minha família que eu era mãe? Que eu estava com um cara que eu amava e que tínhamos um filho? Como eles iriam aceitar? Como Jeb ia aceitar?

                O meu pior pesadelo agora havia se tornado minha única opção de futuro. Qualquer futuro com jeb que eu já sonhei, todos os momentos que fantasiei e desesperadamente desejei passar com ele, agora jamais aconteceriam.

                Eu sabia que esses eram assuntos que eu teria que enfrentar, mas apenas depois que eu ajeitasse de vez TODAS as coisas que precisavam ser resolvidas. Eu precisava achar um modo de para de uma vez por todas os conflitos que havia entre os Celestiais e as demais raças. Ficar longe da minha família, precisar me esconder de todos, precisar esconder meu relacionamento com Patch e o pior, esconder meu filho de tudo e todos que amo.

                Isso com certeza era prioridade para mim agora. Só eu podia mudar a visão de todos, pois só eu conhecia a visão dos dois lados. Ambos vivem  buscando sua forma de amor e de crença. E só eu posso mostrar que não precisamos entrar em guerra por termos visões tão diferenciadas.

                E era por isso que eu não podia pensar no sofrimento que estava me esperando lá na frente. Apenas depois que eu encontrasse um jeito de aplacar tudo, eu resolveria as coisas por lá.

                “Anjo!”

                Dei um pulo na cama. Guardei os pensamentos novamente no fundo do meu consciente e voltei a me concentrar no presente.

                - Desculpe, estava distraída... – Olhei para Patch e seus olhos estavam concentrados nos meus. Percebi que ele não havia falado em voz alta, mas sim nos meus pensamentos. Era mais uma das habilidades dos Celestiais, e uma das únicas que ele não perdeu quando se tornou um anjo caído.

                - Tudo bem, você ainda deve ter muita coisa na cabeça. Podemos conversar mais tarde sobre isso, se você quiser – Ele disse com os olhos suaves. Ficou claro que ele sabia oque estava passando na minha cabeça, mas que ele queria me dar à liberdade de me abrir com ele.

                Balancei a cabeça, concordando em conversarmos sobre isso mais tarde.

                Henry começou a vir na minha direção, calmo, mas com os olhos redondos brilhando olhando para o meu rosto. Era diferente quando ele focava sua atenção em mim e quando a focava em Patch. Comigo, ele era tranquilo e carinhoso, ele ficava calmo ao meu lado, como se soubesse que eu estava voltando a me acostumar a tudo.  Já com Patch, ele fazia questão de se soltar e brincar, fazendo oque viesse na hora.

                Ele caiu em cima de mim com a cabeça na curva do meu pescoço. Franzi as sobrancelhas e sorri, deixando escapar um som que era tanto um grunhido quanto uma risada. O peguei e o ajeitei com as costas no meu peito, apoiando o queixo suavemente no topo da sua cabecinha.

                Patch ajeitou o lençol em cima de mim e se aconchegou em nós. Henry começou a brincar em silêncio com as pontas do cabelo dele, não querendo dormir, mas não se agitando,

                Patch me olhou com muita intensidade, como se estivesse frustrado por não conseguir aliviar o peso que ele sabia que estava sobre mim. Sorri para ele, para aliviar sua preocupação. Pareceu funcionar, pois ele sorriu e fechou os olhos, começando a murmurar a canção Sirena que eu havia lhe ensinado.

                Lentamente meus olhos começaram a se fechar, e fui caindo no sono. Por hoje, eu estava com a família que eu havia formado, e isso era tudo oque eu queria agora.

                Todo o resto não importava, eu podia deixar tudo para amanhã, quando a Rosa nos contasse o que estava acontecendo. Era quando minhas decisões começariam a ter um verdadeiro peso.

                Mas apenas amanhã.......


Notas Finais


Eu sei que abusei um pouco do tamanho desse capítulo, sorry >< Mas não sei se o próximo não vai chegar perto de ter o mesmo tamanho, porque vai acontecer muuita coisa mesmo. Amo vocês e espero mesmo que minha saúde melhore para eu poder ir para casa e postar mais um capítulo para vocês.
Até a próxima, Bjoos


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...