História O Lado Mais Sombrio ❀ CAMREN - Capítulo 6


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Categorias Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland), Camila Cabello, Fifth Harmony, Hailee Steinfeld, O Lado Mais Sombrio, Taylor Swift
Personagens Camila Cabello, Coelho Branco, Gato de Cheshire (Gato Risonho), Hailee Steinfeld, Lauren Jauregui, Personagens Originais, Taylor Swift
Tags Camila Cabello, Camren, Lauren Jauregui, O Lado Mais Sombrio, Wonderland
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Palavras 2.513
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Magia, Romance e Novela, Saga
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 6 - Tesouros / 1


Fanfic / Fanfiction O Lado Mais Sombrio ❀ CAMREN - Capítulo 6 - Tesouros / 1

Quando eu e papai chegamos em casa, junto o dinheiro roubado às minhas economias em um estojo de lápis preso por um elástico e o escondo atrás de meu espelho giratório.

Ao colocar meu celular para carregar, mando uma mensagem para Hitch me encontrar do lado de fora do Submundo por volta da meia-noite e lhe explico o motivo. Ele é a única pessoa que eu conheço que pode fazer um passaporte falso. Ainda não acredito que peguei o dinheiro de Taylor e escondi sua bolsa. Mas, como o papai diz, faremos o que for preciso para trazer Sinu de volta para casa. Imaginar como Heather ficaria furiosa se soubesse que eu iria encontrar com Hitch no meio da noite e sozinha me dá ainda mais determinação para seguir adiante.

Um estrondo muito próximo balança as janelas, e a chuva forte golpeia o telhado. Mais uma tempestade se aproxima. Estico o braço ao lado do vidro frio do aquário e ligo uma suave luz azul. Afrodite e Adônis executam uma dança graciosa enroscando seus corpos compridos.

Quando sigo para verificar minhas armadilhas de insetos na garagem, corto caminho pela sala. Papai está lá, sentado em sua poltrona reclinável, fitando as margaridas gigantes que Sinu colou nos braços e nas costas. Ele soluça. Quero abraçá-lo e me desculpar pela briga, mas, quando ele percebe que o estou observando, diz que caiu alguma coisa em seu olho e sai para buscar hambúrgueres para o jantar. Partículas de pó voam à deriva sob a luz âmbar da luminária de chão ao lado de sua poltrona. A luz esquisita, junto às paredes de madeira escura, dão à sala de estar uma aura estranha, como uma fotografia antiga em sépia.

Fotografias. 

Por que Alison, quer dizer, Sinu, disse aquilo sobre fotografias... como as pessoas esquecem de ler nas entrelinhas?

Fico ali parada, perto da poltrona reclinável, e tudo o que ela disse me percorre a mente, como pedregulhos atirados num poço sem fim. Uma frase sempre volta à tona: "As margaridas escondem o tesouro. O tesouro enterrado."

A explicação está me encarando bem de frente. Está lá há anos. Ajoelho-me diante da poltrona, amarrotando as camadas de renda debaixo de minha minissaia, e tiro minha mochila do caminho. É difícil acreditar que sete horas atrás eu estava na escola. Tanta coisa aconteceu que perdi totalmente a noção do tempo.

Dou um puxão em uma das margaridas de tecido de Alison  - se vou entrar nessa loucura, tenho que começar a chamá-la pelo nome que lhe agrada - no lugar onde duas pétalas aplicadas se enrolam devido aos pontos puídos. Seguindo um palpite, escorrego meu dedo indicador entre as aplicações e a forração para encontrar um buraco cavado bem fundo dentro do estofamento da poltrona.

Seguro a respiração e puxo a aplicação até ela ficar pendurada só por uma pétala e alguns fiapos. O buraco do tamanho de uma moeda de dez centavos olha para mim, num círculo perfeito demais para ser acidental. Todo esse tempo, eu achei que ela havia costurado os retalhos ali para cobrir pontos puídos. Todo esse tempo, eu estava enganada.

Cavucando a forração rasgada, vou tirando o estofamento até atingir algo pequeno, duro e metálico. Sinto o contorno do objeto, seguindo sua forma redonda que se alonga e possui entalhes e dentes. Uma chave. Meu dedo indicador a arrasta para a abertura do buraco e a puxa para fora. Um colar de corrente amarrado a ela se enrosca no estofamento feito uma cobra.

O desafio do site agora faz sentido: "Se deseja salvar sua mãe, use a chave."

Talvez eu devesse estar apavorada, mas estou entusiasmada por finalmente ter alguma prova palpável de que Alison está tentando me dizer alguma coisa... que suas palavras sem sentido não eram tão sem sentido assim. Eram pistas coerentes.

Ao bater levemente o dedo sobre o metal frio, fico imaginando o que aquela chave possa abrir. Nunca vi uma igual, tão intrincada, com tiras de cobre entrelaçadas em forma de hera. Ela parece velha — uma antiguidade, na verdade. Tão pequenina que poderia abrir um diário. Penduro a corrente em meu pescoço e a escondo sob a camiseta. Alison disse margaridas, no plural. Poderia haver outras coisas por trás das outras aplicações?

Inspirada, ignoro o fato de papai poder voltar a qualquer instante. Nem mesmo paro para pensar nas consequências de rasgar por completo sua poltrona favorita. Ele mantém um canivete suíço na mesinha, para abrir a correspondência. Abro a parte da tesoura, corto todas as margaridas pela metade e escavo os buracos debaixo delas. Pedacinhos de algodão do estofamento flutuam feito flocos de neve ao meu redor.

Logo, estou sentada aos pés da poltrona com uma pequena coleção de objetos relacionados ao País das Maravilhas: um prendedor de cabelo antigo — que parece mais um grampo, na verdade — com uma pedra em forma de gota na cor rubi presa à ponta curvada; uma pena para escrever; um leque vitoriano de renda branca com luvas combinando que cheiram a talco e pimenta-do-reino. Seguro um espirro e afasto de mim duas fotos de minha tataravó Alice, preferindo um livrinho que também encontrei.

Passo a mão sobre a capa de papelão esfarrapada e analiso o título: As Aventuras de Alice no País das Maravilhas. Diante da palavra Alice, está rabiscado o nome de Alison com caneta vermelha.

Ela queria que eu encontrasse esses "tesouros". Algo aqui deverá me fazer desistir de entrar na toca do coelho. Em vez disso, estou convencida de que essas coisas podem me ajudar a curar Alison, me ajudar a quebrar a maldição dos Liddell para sempre.

Enfiado dentro da capa do romance está um panfleto de turismo para a trilha do relógio de sol do rio Tâmisa, em Londres. Nele, há a estátua de um menino equilibrando um relógio de sol na cabeça.

Recosto-me, incrédula. É a mesma estátua que vislumbrei antes, a que tinha crianças brincando ao redor. Alison deve ter procurado pela toca do coelho quando era mais jovem; ela deve ter ido a Londres procurá-lo. De que outro lugar esses souvenirs poderiam ter vindo? E, ainda mais importante, o que a fez parar de procurar?

A estátua data de 1731 — muito antes do nascimento de Alice Liddell —, então ela já estava lá quando minha tataravó era pequena, o que significa que ela pode ter caído no buraco debaixo da estátua. Agora tenho um endereço, mas, segundo o panfleto, não há acesso público para essa área. Aos turistas só é permitido olhar para a estátua do relógio de sol por trás do gradil. Mesmo que eu vá até lá, precisarei de um milagre para chegar perto dela e explorar o relógio de sol de perto.

Recoloco o panfleto dentro do livro, passando os olhos pela história que conheço tão bem. É repleta de desenhos em preto e branco. Algumas páginas estão dobradas e alguns trechos, sublinhados: o poema da Morsa e o Carpinteiro, as lágrimas de Alice que causam uma inundação, o chá da tarde do Chapeleiro Maluco. A caligrafia de Alison enche as margens com anotações e comentários em tinta de várias cores.

Toco todos eles, triste por nunca termos sentado juntas — com o livro nas mãos — para que ela pudesse me explicar o que tudo aquilo significa. A maior parte das anotações está borrada, como se as páginas tivessem sido molhadas. Detenho-me na ilustração do Rei e da Rainha de Copas, onde ela escreveu: A Rainha e o Rei Vermelhos — foi aqui que começou. E aqui acabará...

Por trás das cortinas, um relâmpago.

Depois da última página da história, há mais umas vinte páginas coladas a mão. Em cada uma delas, alguém esboçou desenhos parecidos com os personagens deformados do País das Maravilhas do site da libélula: o coelho esquelético, as flores cruéis com dentes cheios de sangue, até uma interpretação diferente da Rainha Vermelha — uma mulher com traços delicados e cabelo vermelho vivo, com desenhos feitos a tinta preta em volta dos olhos e asas transparentes.

Os esboços remetem a mais uma visão das crianças, mais forte do que a que eu vivenciara antes, porque meus olhos nem se fecham. Minha sala de estar vai sumindo e eu estou no meio de um campo, sentindo o perfume da primavera. Gotículas de luz do sol piscam em volta de mim, no mesmo ritmo dos ramos de árvore que balançam à brisa. A paisagem é estranhamente fluorescente.

Uma menina — que parece ter cinco anos — está vestindo um paletó de pijama vermelho com babados e mangas longas e bufantes, com uma calça combinando que cobre seus tornozelos. Ela está sentada num montículo de grama ao lado de uma outra menina, que não deve ter mais de oito anos. As duas estão de costas para mim.

Asas negras pendem das costas da outra menina como um manto, combinando com sua calça de veludo e com a camisa de seda. Ela vira de lado, de modo que consigo ver seu perfil, mas seu rosto permanece oculto atrás de uma cortina de cabelos azuis brilhantes, enquanto ela usa uma agulha para unir libélulas mortas em um fio, montando um cordão — a menina faz o equivalente a uma guirlanda de pipoca macabra.

Seus pés — enfiados em botas pretas de trilha — estão apoiados em uma série de desenhos, os mesmos que estão colados dentro do livro País das Maravilhas de Alison.

— Pronto. — Sua voz jovem e suave farfalha como plumas ao vento. Sem olhar para cima, ela aponta sua agulha para a imagem da Rainha Vermelha. O cordão de libélulas mortas segue o movimento, que o faz remexer-se. — Conte-me os segredos dela.

A menininha de cachinhos castanhos balança os pés descalços, com as unhas cor-de-rosa cintilando na luz suave. — Estou cansada do País das Maravilhas — murmura ela com a voz tímida de inocência. — Quero ir para casa. Estou com sono.

— Eu também. Talvez se você não tivesse brigado comigo no ar durante as aulas de voo —adverte a de cabelo azulado, com um sotaque britânico se tornando mais aparente — nós duas nos sentiríamos melhor.

— Fico enjoada quando voamos muito alto. — Ela boceja. — Já é hora de dormir? Estou ficando com frio.

Balançando a cabeça e as asas, a outra menina cutuca a imagem mais uma vez. — Primeiro, os segredos deles. Depois, eu a levarei de volta para a sua cama quentinha.

A cachinhos castanhos dá um suspiro e pega uma das asas da outra menina, aninhando-se nela. O aconchego e o conforto me invadem, espelhando o que ela deve estar sentindo. Ela se embrenha no túnel acetinado, envolvendo-se no perfume negro dela — de alcaçuz e mel.

— Me acorde quando for a hora de partir — pede ela, com a voz abafada. Com os olhos ainda escondidos atrás do cabelo revolto e amendoado, a mais velha ela ri. Seus lábios são benfeitos e contrastam com a pele clara, seus dentes perfeitos brilham em sua alvura. — "Dlim, dlão. Cabeça de cão. Menina bonita, meu amor que roubou meu coração." Ela puxa sua asa, deixando-a com frio e amuada.

A menina mais velha deita de barriga no chão. Suas asas se espalham pelos lados como poças de petróleo negro e reluzente, e ela se inclina sobre a pilha de cadáveres de libélula. Depois de espetar o abdômen de uma, ela a coloca no lugar, atrás das outras que estão no cordão.

A menininha fica olhando, fascinada. — Quero espetar uma.

Ela levanta a mão e cinco dedos se esticam — alvos, graciosos e longos. — Me diga cinco segredos e eu deixo que você pendure uma libélula para cada segredo que acertar.

Batendo palmas, a mais nova pega o desenho da Rainha Vermelha e o coloca sobre o colo. — Ela gosta de cinzas no chá, ainda fumegando e com brasas.

A menina concorda. — E por quê?

Cachinhos inclina a cabeça, pensando. — Hum. 

Não sei explicar por quê, mas sei a resposta. Fico apreensiva, esperando para ver se a menina adivinha, torcendo por ela.

Levantando sua fila de cadáveres, a de cabelos azuis provoca: — Parece que vou terminar isto aqui sozinha.

Cachinhos dá um pulo, os pés pisando na grama verde-limão. — Ah! As cinzas são para a mamãe dela. Tem alguma coisa a ver com a mamãe dela.

— Não é o suficiente — rebate ela, espetando outra libélula com a agulha, a pilha começando a diminuir. Ela dá um sorriso maldoso.

A frustração da menininha é visível. A criaturinha a repreende o tempo todo. A provoca até que ela revide; mas a criaturinha também tem outro lado, um lado estimulante e paciente, pois consigo sentir a afeição e o respeito que ela tem pela azulzinha.

Ela enfia outra libélula no cordão, estalando a língua. — Que pena que você não vai me ajudar. Mas acho que você é pequena demais para segurar uma agulha mesmo.

Cachinhos resmunga. — Não sou.

Cansada da arrogância da azulzinha, grito a resposta. — O silvo do vapor quando as brasas crepitam no chá! Isso acalma a rainha. Faz com que ela se lembre de sua mãe fazendo sshhh quando era bebê e chorava.

As duas crianças voltam a cabeça para a minha direção, como se tivessem me ouvido. O rosto da cachinhos se revela — uma realidade vívida. Ela sou eu... Uma sósia minha antes de entrar no jardim da infância, com os dentes da frente faltando e tudo. Mas é o rosto da azulzinha — os olhos negros de tão verdes familiares da menina escorrendo tinta — que me remete de volta à minha sala de estar de joelhos, e o campo desaparece à minha volta.

Fico atordoada. Será possível? Não são lembranças de algum filme ao qual assisti; são lembranças que eu criei. Se eu tinha essa lembrança presa dentro de mim, o que mais aconteceu comigo que não consigo lembrar?

Será que estive mesmo no País das Maravilhas, fazendo companhia a uma das criaturas intraterrenas? Inspiro aos trancos. Não. Eu nunca estive lá.

Meus dedos percorrem os traços do cabelo flamejante da Rainha Vermelha do desenho. Se eu nunca estive lá, como sabia sobre a rainha e sua mãe? Como eu sabia que ela ficou solitária quando era princesa, depois que sua mãe morreu, porque o rei não suportava ficar perto dela por causa da semelhança com sua esposa morta? E como eu sabia da tristeza dela quando o pai se casou novamente por necessidade, pois são as rainhas que mandam no País das Maravilhas?

Sei essas coisas porque ela as ensinou para mim. A menina alada.

Britânica... Lembro da voz que ouvi na minha cabeça no trabalho, junto com o pôster e os olhos negros insondáveis e esverdeados que eu tinha certeza pertencer à uma mulher. Seu desafio ressurge em minha mente: "Estou esperando dentro da toca do coelho, amor. Encontre-me."

Amor. Foi como a menina chamou a cachinhos — como a menina me chamou — em minha lembrança recuperada. É a mesma pessoa... Ou criatura... Mas está mais velha agora, como eu.

De repente, parece que há anos sinto saudade dela. Minhas emoções se embaralham em duas direções diferentes — uma mistura excitante de terror e anseio que me deixa tonta.

A campainha toca, me jogando de volta ao presente. O controle remoto da garagem de papai está quebrado. Só pode ser ele.



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