História O lado ruim do Amor - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Kris Wu, Lu Han, Sehun, Suho
Tags Baekyeol, Chanbaek, Hunhan, Kaisoo, Lemon, Mizuny, Yaoi
Exibições 246
Palavras 5.302
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


EU SEI QUE EU DEMOREI, MAS TODO MUNDO JÁ SABE O PORQUE.
O começo do capitulo fala um pouco sobre a vida do JongIn e a da família dele. Quero que prestem bastante atenção nessa parte, porque ela vai ser muito importante no decorrer da história.
E obrigada pelos os 100 favoritos! Isso é muito importante pra mim
Eu vou falar o resto lá em baixo, então....
BOA LEITURA.

Capítulo 3 - Oferenda ao Diabo


A vida é uma droga. 

Eu sei bem disso porque, ironicamente, eu era pobre quando nasci. As coisas não eram fáceis em minha casa no subúrbio de Seul, no final do mês a única coisa que nos sobrava eram contas acumuladas na estante de madeira da sala. Eu me lembro de poucas coisas, mas uma lembrança que está gravada em minha memória, é minha mãe chorando em cima de milhares de contas. 

Foi uma coisa horrível de se ver. 

Para uma mãe, faltar comida para o filho é como uma faca sendo atravessada em seu coração. Eu sei disso, pois o olhar de minha mãe me refletia isso toda vez que ela abria a geladeira e percebia que não havia nada para me dar de comer. Com certeza, nossa vida não era fácil. 

Éramos tão pobres, que nem calçados eu tinha para ir para a escola, porque eu andava cerca de uma hora para pegar um ônibus, e ficava quase duas horas dentro dele para chegar a escola. E para melhorar tudo, eu era constantemente zoado em minha sala por não ser tão branco quanto a maioria de meus colegas, por ser extremamente pobre, e porque eu era o mais magro e baixo. 

Meu pai trabalhava o dia todo em uma mecânica, e não ganhava quase nada. Ele chegava de noite em casa, cheirando a álcool, e eu praticamente não o via na semana. Aliás, essa é uma história que merece reconhecimento. O grande Kim Jiang, mais conhecido como meu pai, nasceu em berço de ouro. Irônico, não? 

Minha avó por parte de pai era chinesa, e meu avô coreano. A história de minha família é um pouco complicada, mas vamos por partes: Meu avô conheceu minha vó quando ele fez uma viagem de passeio com os pais para a China. Os dois eram de famílias ricas, e poderiam comprar o mundo se quisessem. Quando se conheceram, se apaixonaram a primeira vista, e começaram a namorar as escondidas. Claro que aquilo não durou por muito tempo, já que os pais de minha avó haviam descoberto seu pequeno amor de verão. 

Obviamente que eles proibiram, e até quiseram matar meu avô por “desviar” o caminho de sua filha, e por isso meus avós se esconderam por alguns meses, e isso fez com que minha avó ficasse grávida. Meus bisavós demoraram a aceitar que tinham um neto, mas acolheram meu pai com muito amor e carinho. Meu pai nasceu na China, metade chinês, metade coreano, e com um futuro brilhante pela frente. Afinal, ele tinha dinheiro para dar e vender.  

Quando meu pai tinha quinze anos, ele veio estudar na mesma escola que estudo atualmente, e pensava em se formar e ser candidato à algum cargo alto na política. Um mês após sua chegada na escola nova, seus pais vieram de avião para a Coréia, mas infelizmente eles não chegaram a desembarcar no aeroporto. O avião havia passado por uma tempestade muito forte, e então caiu em alto mar. Por mais triste que possa ser, eu sei que eles se amavam, e que passaram seus últimos momentos juntos. 

Com a morte dos pais, meu pai só podia contar com seus avós para continuar na escola renomada daqui de Seul. Meus bisavós até tentaram vir para cá, na esperança de trazer dinheiro e felicidade ao neto, mas meu pai os proibiu, com medo de que perdesse mais alguém da família em um maldito avião. 

Meu pai foi tão fraco que caiu na depressão, e até tentou se matar em algumas momentos. Por sorte minha mãe apareceu para salvar sua vida no último ano da escola. Ela era a garota baixa de cabelos longos e lisos num tom castanho, e com um sorriso cativante. 

Sempre quando lembro desta história, eu não deixo de compará-la com minha vida atualmente. Porque meus pais também se apaixonaram a primeira vista e, coincidentemente, na mesma biblioteca que vi KyungSoo pela primeira vez. 

Em 1998 meus pais já eram casados à dois anos, moravam numa casa magnífica no centro de Seul, e trabalhavam na em uma das sedes da empresa de meu bisavô com cargos extremamente altos. Meu pai havia largado seu sonho de trabalhar para a política para cuidar da empresa de sua família, e isso até que durou por um tempo. No começo do ano minha mãe descobriu que estava grávida, mas eu disse que havia nascido pobre, não é? 

Dois meses antes de meu nascimento meus bisavós morreram em um acidente de carro. Meu pai caiu na depressão de novo, se afundou em bebidas, drogas e principalmente, em dívidas. Não importasse o quão ricos nós éramos, as dívidas atolaram minha família, e a única coisa que meus pais poderiam fazer, era apenas olhar enquanto nos tiravam tudo que nossa família conquistou com o passar dos anos. 

Confesso que senti raiva do meu pai quando me contaram essa história e eu soube que a culpa era dele por nossa vida miserável. Não pela falta de mimos e luxos, mas sim pela minha mãe que estava grávida. O que ele tinha na cabeça quando perdeu nosso dinheiro e deixou minha mãe com o coração na mão? Ele não pensou em mim, ou nela? Talvez ele apenas tenha pensado em si mesmo. Embora eu saiba que não deve ter sido fácil para ele perder a única família de sangue que tinha, minha mãe sempre esteve ao seu lado, e eu estava para nascer. Céus! Do que mais ele precisava? 

Desde que me lembro nossa vida era uma droga, tudo isso graças a meu pai. Eu ainda tenho raiva dele por destruir nossa vida e os sonhos de minha mãe, mas do que adiantaria mexer em coisas do passado? E também, não é como se nós fossemos pobres agora, porém, tudo teria sido mais fácil se meu pai não fosse um garoto mimado. 

Quando eu tinha sete anos, meu pai foi para a China na esperança de que conseguisse conquistar seu tão amado sonho de trabalhar para a política. Não me pergunte como ou onde ele conseguiu a grana para ir para a China e se manter por lá até que sua carreira chegasse até onde é hoje. Eu, definitivamente, não saberia responder. 

Eu apenas sei que eu e minha mãe ficamos em Seul, recebendo dinheiro do meu pai, e compartilhando amor entre nós dois. Ela que me levava aos jogos de futebol que eu tinha em minha escola, ela foi quem me ajudou com minha paixonite de infância, ela me ajudou com as brigas da escola, ou seja, ela me ajudou em tudo que meu pai deveria ter feito. Mas ele não fez nada disso. Então, eu digo sem medo que Kim SooHyun foi além de minha mãe, um pai que sempre esteve ao meu lado.  

Aos meus dez anos, meu pai voltou da China diferente. Não que eu conhecesse algo além do homem que chegava com cheiro de álcool em casa, o cara que ferrou nossa vida, e o pai que nunca esteve presente. Mas ele não era nada do que eu me lembrava. 

Com roupas de grife, cabelos sem nenhum fio fora do lugar, sapatos que brilhavam, e um olhar de pura indiferença. Aquele era —e ainda é— Kim Jiang. 

Por isso que digo que não gosto de gastar dinheiro do meu pai. Dinheiro sujo não me vale de nada, por que está mais do que na cara que meu pai não conseguiu ser governador sem ter roubado nem um mísero dinheiro do povo. Eu ainda moro naquela casa por minha mãe, e por não conseguir nenhum emprego que não atrapalhe minha escola. 

Depois que meu pai chegou na Coréia, nós logo fomos para Wonju, na casa de minha avó materna, e eu vivi lá até três meses atrás. Eu não me lembro de muitas coisas, mas eu sei que nós fomos para lá porque meu pai devia ter aprontado algo aqui em Seul. Eu tento não pensar na hipótese de que meu pai tenha traído minha mãe, ela não merece isso. 

Devo admitir que toda a minha rebeldia na adolescência se devia ao fato de nunca ter a atenção de meu pai. JongDae era como eu, apenas uma pessoa que precisava de uma atenção que nunca chegaríamos a ter. 

E eu não menti quando disse que devia várias coisas a ele, foi ele quem me deu apoio no final das contas. Talvez eu fosse uma pessoa depressiva, que não corre atrás das coisas, sem nenhum sentido na vida, mas graças a JongDae, eu sou apenas um cara que é viciado em X-Men, e que ama um garoto que me odeia. 

Até hoje eu não tenho a atenção de meu pai, mas eu tento esquecer isso, porque remoer coisas do passado não dá futuro a ninguém.  Agora, pelo menos, eu nem me lembro mais que tenho um pai, já que eu passo a maioria do tempo pensando em KyungSoo. 

Como eu disse, eu não tinha sentido para viver, além de cuidar da minha mãe, é claro. Mas sabe quando você sente que está faltando algo na sua vida? Quando a gente não tem o que fazer pra ser feliz? Eu sei que não posso reclamar da minha vida atualmente, mas quando eu morava em Wonju minha vida era estudar, sair pelas ruas com JongDae e beijar várias garotas. Nada daquilo me fazia feliz realmente. Eu não era cem-por-cento satisfeito, sabe? 

Pode parecer egoísmo da minha parte, mas é como eu me sinto, e infelizmente, eu não posso fazer nada sobre isso. 

Eu também sei que o que eu sinto pelo KyungSoo não é passageiro. Sei disso, porque eu nunca fiquei nervoso perto de alguém, com as mãos suando, ou com as pernas trêmulas.  Mas... com KyungSoo, eu sentia que tudo estava bem, que não havia um mundo para me preocupar, e que seria apenas ele e eu. 

Demorou dezessete anos para que eu o encontrasse, mas pelo menos valeu a pena. Porque agora eu tenho um motivo para viver. Ele tem uma mania irritante de me ignorar, tanto que eu ouvi sua voz apenas uma vez na vida, e ainda foi só para me expulsar de seu espaço “pessoal”. E por mais idiota que isso possa soar, eu sei que aquele não é o KyungSoo verdadeiro. Eu sinto isso. Então eu apenas posso chegar a conclusão de que eu fiquei completamente louco.    

Nessa última semana eu passei bastante tempo pensando em como agradar o menino raivoso. Cheguei a várias conclusões, mas eu percebi que dar uma torta de maçã a ele seria a ideia menos  problemática. Claro que havia a pequena chance de que ele tacasse a torta em minha cara, mas tentar não vai matar ninguém. 

É oque eu pensava, e eu estava redondamente enganado. 

◒ ◓ ◒ ◓ 

Com a torta na bolsa, um sorriso no rosto, e o coração quase saindo pela boca, eu me pus a andar o caminho conhecido por mim a quase três meses.  

A princípio, meu plano era chegar em KyungSoo, dizer “Oi”, entregar a torta e sumir pelos vários corredores que haviam em minha escola. Mas quando eu cheguei na entrada da escola, avisto KyungSoo encostado no muro, rindo de algo em seu celular. Quando me vê, ele fecha a cara, e fica com a mesma expressão de sempre. 

Confesso que eu até pensei em passar reto e comer a torta que estava na minha bolsa, mas eu não posso desistir sem ao menos tentar. 

Suspiro e me aproximo do garoto de olhos grandes e fico ao seu lado, ele não parecia muito interessado na minha presença. 

— Oi, KyungSoo.... — disse animado, e com um sorriso enorme no rosto. Ele me olhou com desgosto, mas logo voltou a mexer no celular, me ignorando completamente. Olho para os lados, pensando em como manter uma conversa civilizada com ele. Realmente, não daria certo.— Certo... Eu falo e você ouve, ok? Eu sei que você não gosta de mim, ou de qualquer coisa relacionada a minha pessoa, mas eu não vou parar de tentar ser pelo menos seu amigo. — movimentava minhas mãos de forma afoita conforme falava. Até que eu estava indo bem.— Eu vou ir para a minha sala, mas antes.... 

Peguei a torta em minha bolsa e o entreguei com o máximo de cuidado possível. Eu ainda tinha medo de levar uma torta na cara. Ele me olhou desconfiado. 

— É pra você! Pode pegar... Se quiser. 

Ele pegou a torta de minha mãe de forma lenta, seus olhos pareciam me fuzilar em desconfiança. Eu não pude ficar pensando por muito tempo, já que LuHan e BaekHyun logo chegaram e arrastaram KyungSoo com eles. 

E eu fiquei lá, parado olhando para o nada, pensando em como Do KyungSoo era lindo, até que o sinal batesse e eu fosse como um zumbi para a sala. 

Pelo menos ele aceitou a torta. 

 ◒ ◓  ◒ ◓ 

— Você é um retardado, JongIn. — meu amigo disse de forma irritada quando estávamos lanchando. 

Estava sendo assim desde que cheguei a sala de aula e disse a SeHun e ChanYeol que eu havia dado uma torta para KyungSoo, e que ele me ignorou como sempre. 

Eu já estava com raiva de tanto ser chamado de trouxa, retardado, idiota e outros adjetivos nada agradáveis. O pior, é que a professora ouviu nossa conversa e veio me dar lição de moral. 

Olho para SeHun com raiva, enquanto ChanYeol ria escandalosamente ao meu lado. 

— Eu pensei que você já tivesse esquecido isso! 

— Nunca que esquecerei isso, meu caro amigo...— ele tomou um gole de seu Bubble Tea, e logo voltou a olhar para mim. — Mas você tem que admitir que foi um baita mico. 

— Eu concordo com o SeHun. Nem eu teria coragem de fazer isso para o BaekHyun. — ChanYeol disse ainda rindo da minha cara. 

— Claro que não faria. A única coisa que você faz, é cuidar da vida dos outros. — brinquei. 

Era sempre assim. Eles me zoavam por tentar conversar com KyungSoo, depois eu xingo eles, e os dois paravam por uns trinta minutos, mas logo voltam a me incomodar. 

— Aí meu coração. O oppa não me ama mais! — ChanYeol disse, afinando a voz, como se fosse uma garota. Ele só abre a boca para falar merda mesmo. 

— Você já sabe qual o próximo passo? — SeHun perguntou sem olhar para mim. 

— Próximo passo? — perguntei, confuso. 

— É! Já sabe o que vai fazer para conseguir que Do KyungSoo pare de te odiar? 

— Eu não sei ainda. Talvez eu deva pedir aos amigos dele para me ajudarem, mas eu não sei se eles vão fazer isso. 

— Não vejo a hora de te ver namorando o KyungSoo. Você vai ser uma ótima namorada, JongIn. — ChanYeol disse quase chorando de tanto rir.  

— Vai se ferrar, ChanYeol. Se não for pra ajudar, não atrapalhe. — disse tentando empurrá-lo da cadeira, até que ele caísse no chão. SeHun e eu rimos tanto, que bati minha mão em seu copo e derrubei meu suco em minha roupa. — Aí droga! 

Me levanto e digo aos meus amigos que vou ao banheiro limpar a lambança que fiz em minha blusa nova. No corredor, vejo vários casais se beijando, aquilo era realmente nojento. 

Entro no banheiro e vou direto pegar papel para limpar aquilo. Droga! Aquela porcaria de suco iria manchar minha blusa. 

— Parabéns, JongIn!-Resmungo comigo mesmo tentando tira aquela maldita mancha. — Mamãe vai me matar por manchar a blusa que ela me deu... 

Ouço a porta sendo aberta, e logo paro de falar senão pensariam que sou louco. Olho por um momento para o espelho e vejo um baixinho tão conhecido por mim, encolhido e me olhando com os olhos mais arregalados que o normal. 

KyungSoo estava chorando. 

Por mais que eu sentisse falta de uma expressão no rosto de KyungSoo além de ódio, eu nunca quis vê-lo chorar. Ver aqueles olhos vermelhos e inchados estavam me deixando triste, deprimido, sentindo que nada estava bom. 

Angústia. 

Eu estava angustiado de vê-lo com a respiração pesada, soluçando constantemente, quase engasgando com a própria saliva, os olhos vermelhos e inchados, do mesmo modo que seu rosto. Ele parecia estar chorando a tempos. 

— KyungSoo? O-oque aconteceu? — perguntei de forma desesperada, tentando me aproximar, mas ele apenas abaixou a cabeça e limpou o rosto com a manga de sua blusa. 

Eu não sei como fui parar no chão, muito menos como meus olhos se encheram de lágrimas, mas estava insuportável a dor em meu peito por ver KyungSoo chorando desesperadamente. 

— Você se machucou? Está tudo bem? — Indaguei de forma preocupada.  

Ele olhou para mim e saiu em disparada pelos corredores da escola. Eu tentei ir atrás dele, mas a única coisa que vi foi um corredor escuro. Quando percebi que não alcançaria KyungSoo, eu me joguei no chão e chorei como nunca havia chorado em minha vida. Depois de algum tempo no chão, tudo escureceu mais ainda, e então eu não vi mais nada. 

Por que meu coração doía tanto? 

◒ ◓ ◒ ◓ 

Minha cabeça doía como se eu tivesse batido com ela na parede por mil vezes seguidas. Percebi isso dois segundos depois de acordar no meu quarto, na minha cama. Eu estava confuso. A única coisa de que me lembrava era de ter corrido atrás de KyungSoo, e depois tudo virou um completo nada. 

Ouço a porta sendo aberta, e percebo ser minha mãe. Ela estava com uma bandeja na mão, cheia de comida. 

— Ai meu Deus, que bom que você acordou, meu filho! — ela largou a bandeja em cima da cama e me abraçou forte. Era tão bom abraçá-la. — Você me preocupou tanto! O quê foi quê aconteceu com você? 

Eu não queria mentir para ela, mas era uma coisa precisa naquele momento, mas a verdade é que eu não me alimentava bem a alguns dias. Eu não sei o porque de não conseguir comer, mas parece que nada tem gosto. 

— Desculpe por te preocupar, mãe. Eu não sei o que aconteceu, acho que minha pressão abaixou. — falei de forma calma, para não parecer que estava mentindo. 

— Você se lembra de comer ou beber água por acaso? — indagou de forma irritada. Neguei com a cabeça. — Mas que droga, JongIn! Você já tem dezassete anos, pensei que não precisasse mais dos meus cuidados. 

Fique em silêncio, tentando organizar meus pensamentos. Eu ainda estava confuso, mas minha preocupação com KyungSoo deixava tudo isso de lado. 

— Acho que você deve estar cansado, então eu vou falar para o seus amigos voltarem depois porque você vai descansar. — ela disse levantando da cama, e me entregando a bandeja. 

— Que amigos? — me sentei na cama para comer. —  SeHun e ChanYeol estão aqui? 

— Eles vieram aqui mais cedo para te ver, mas você ainda estava dormindo. Quem está lá em baixo é LuHan e BaekHyun. — sorriu para mim. Minha confusão apenas aumentou, mas não disse nada. 

— Como eu cheguei aqui? Pelo que me lembro, eu estava na escola. 

— BaekHyun achou você desmaiado em um dos corredores da escola, e te levou até a enfermaria. A escola me ligou, e eu te trouxe para casa quando disseram que você já estava bem. — falou se sentando ao meu lado, e me dando comida na boca. — Eu chamei um médico para te examinar, e ele me disse que você estava com poucas vitaminas no sangue. Eu realmente não sei o que deu em você para se descuidar assim. 

— Meus amigos ainda estão aqui? — desconversei. Eu não queria falar sobre o que aconteceu. 

— Estão sim, quer que eu os chame? 

— Se puder, sim. Preciso agradecer a BaekHyun. — falei sem olhar para minha mãe. Eu odiava mentir para ela, então era mais fácil mentir sem olhar em seus olhos. 

— Eu já volto. Coma tudo isso, entendeu? — Ela disse autoritária, enquanto saia do quarto. Eu tentei comer tudo aquilo, mas nada descia em minha garganta. 

  ◒ ◓ ◒ ◓ 

— Até que enfim você acordou. Nós ficamos preocupados. — me assusto com BaekHyun e LuHan entrando apressados em meu quarto e pulando em cima de mim. 

— Que bom que querem me matar asfixiado... — brinquei com a voz abafada. Eu não estava conseguindo respirar.  

— Desculpe. — disseram de forma acanhada. 

— Nós viemos ver como você esta, e saber o que aconteceu pra você desmaiar daquele jeito. — BaekHyun disse de forma baixa enquanto olhava para o chão. 

— Eu não sei se devo falar sobre isso. 

— Fale, talvez a gente entenda. — LuHan falou me fitando. Suspiro pesadamente e começo a contar: 

— Na hora do recreio eu fui ao banheiro limpar minha blusa, só que o KyungSoo apareceu lá... — minha voz foi morrendo enquanto me lembrava da cena de KyungSoo chorando. 

— Ele te xingou? — LuHan questionou-me. 

— Antes fosse... — penso comigo mesmo 

— Aish, fala logo! — disse BaekHyun de forma irritada. 

— Ele estava chorando. — os dois me encararam de modo surpreso, e eu logo prossegui. — Eu fiquei preocupado e até perguntei se ele estava bem, mas ele não parava de chorar. Ele saiu correndo do banheiro, e eu fui atrás... Eu só me lembro estar no corredor e então tudo ficou escuro. 

— Nós não falamos com ele depois que bateu o sinal para irmos para a sala. — LuHan disse baixo. 

— O-oque? Por que? — perguntei. 

— Eu perguntei a ele sobre o que vocês estavam conversando lá no portão da escola, mas ele ficou bravo do nada, começou a me xingar, falar que odiava pessoas que se metiam na vida dele. — LuHan disse de forma desesperada, ele parecia preocupado com KyungSoo.  

— Eu achei muito estranho ele falar assim com o LuHan Hyung. O Soo sempre foi tão amoroso e fofo, que eu não pensei que ele pudesse agir daquela forma conosco. — BaekHyun falou baixo, perdido em devaneios. Ri de modo sarcástico. 

— O KyungSoo? Amoroso e fofo? Sempre quando me vê, ele já fica com quatro pedras nas mãos! —disse aborrecido. 

Eles ficaram em silêncio, olhando um para o outro de modo cúmplice. Aquilo me intrigou mais ainda, mas quando ia perguntar o porque de todo aquele mistério, minha mãe entra no quarto. 

— Está tudo bem? — minha mãe disse, percebendo o clima dentro do quarto. — Pelas suas caras, parece que não...Bom, vocês podem nos dar licença por um minuto? — eles saíram de modo acanhado do quarto, e minha mãe olhou para mim. — Você já está bem, meu filho? 

— Estou sim, não sinto mais tontura nem nada. 

— Ótimo, porque seu pai tem uma reunião com um amigo politico dele, e ele queria quê nós fossemos. — disse de forma calma, mas eu sabia que ela não queria ir. Fiz careta. Eu também não queria ir aquilo. — Eu sei que você nunca gostou de ir a locais assim, mas o seu pai ficará muito bravo se você não for. 

— Ele sabe sobre oque aconteceu hoje? — questionei, sem querer saber a resposta realmente. 

— Ele sabe, mas mesmo assim quer que você vá. Eu disse que você não gosta de ir a lugares assim, mas... — não terminou a frase, perdida em pensamentos. 

— Mãe? — chamei, ela me olhou. — Eu vou. 

— Me desculpe, filho. Eu não queria quê você fosse a isso, mas eu não posso fazer nada, sabe como seu pai é. 

— Eu sei sim. A que horas eu devo estar pronto? 

— Nós vamos sair daqui as oito horas. Quer ajuda para se arrumar? 

— Não, eu me arrumo sozinho. — ri. Francamente. minha mãe sempre fazia questão de cuidar de mim. 

— Está bem. Vou chamar seus amigos. — disse saindo do quarto.  

Levantei e fui ver como eu estava no espelho que havia eu meu quarto. Cabelos bagunçados, olheiras enormes e eu estava muito pálido. 

— Antes que você diga qualquer coisa, eu quero que saiba quê nós vamos te ajudar com o Soo.— Me assusto com a voz de LuHan. 

— O que? — Pergunto confuso. Eu tinha ouvido direito? 

— A gente sabe que você gosta bastante do Soo, e que ele vive te ignorando, mas mesmo assim nós vamos te ajudar. — BaekHyun disse de forma rápida e apressada. 

Eu estava estático. Em três meses de pura solidão, agora eu via alguma chance de conquistar KyungSoo.  

— Por quê você está com essa cara? — perguntaram ao mesmo tempo. 

— Vocês estão brincando comigo? — perguntei, tentando entender tudo aquilo. 

-Não, e você trate de chamar o KyungSoo para sair. Se você conseguir, nos mande uma mensagem que nós viemos correndo para cá.-BaekHyun disse já saindo do quarto junto com LuHan. 

— Como vou te mandar mensagem se não tenho seu número? 

— E aquele papel ali é pra que? — disse apontando para um papel em cima de minha cômoda. Peguei o papel, e vi ser um número de telefone. Eles estavam saindo do quarto quando eu disse: 

— -Onde vocês vão? — foi a única coisa quê consegui falar. 

— A sua mãe nos disse que vocês vão a uma reunião na casa de um politico, então nós vamos embora. — LuHan falou sem me olhar. 

— BaekHyun! — o chamei antes quê ele saísse do quarto. 

— Quê? — disse só com a cabeça para dentro do cômodo. 

— Obrigado por me levar a enfermaria e ficar comigo lá até que minha mãe me buscasse. — disse me aproximando.  

— Disponha. — falou sorrindo e indo embora.  

◒ ◓  ◒ ◓  

Eu odiava três tipos de pessoas em minha vida. Primeiro: pessoas quê matam por dinheiro. Segundo: pessoas quê mentem por dinheiro. E terceiro: pessoas que vivem a favor do dinheiro. 

Naquele lugar, no meio dos “amigos” do meu pai, a única coisa que eu sentia era nojo. Nojo porque os piores tipos de pessoas estavam ali, tomando vinhos caros e conversando sobre como é bom roubar o dinheiro dos pobres. Eu havia chegado ali há três minutos e já havia percebido isso. 

— Até que enfim vocês chegaram, achei que não viriam mais. — disse um homem da minha altura de cabelos negros e roupas caras.  

— Nós não poderíamos perder esta festa, MinSoo. — disse meu pai de forma gentil. Gentileza essa que ele nunca usou comigo ou com minha mãe. 

O homem sorriu de forma divertida, olhou para mim, e logo disse: 

— Você deve ser Kim JongIn, o garoto prodígio. O seu pai me falou muito sobre você. 

Coisas ruins, né? 

— Espero que sejam coisas boas, senhor... — esperei que ele dissesse seu nome. 

— Oh! Sim.  — ergueu a mão para que eu a apertasse, oque prontamente eu fiz. — Prazer, Do MinSoo. 

— O prazer é meu, Senhor Do. — Ignorei o fato de quê ele tinha o mesmo sobrenome do KyungSoo, muitas pessoas tem muitos sobrenomes parecidos.  

— Sabia que o MinSoo é prefeito? — minha mãe disse de forma divertida. Neguei com a cabeça. 

— Você conhece meu filho, JongIn? Ele estuda na mesma escola que você. — bebeu um pouco de seu vinho. 

— Depende. Qual o nome de seu filho? — perguntei educadamente.  

— O meu filho é um pouco antissocial mesmo, talvez você nem o conheça. E eu nem sei onde ele está agora. — ele começou a olhar para os lados, provavelmente procurando pelo filho. — Ele está ali. 

Ele apontou para atrás de mim, e eu logo virei o rosto para ver o tão famoso filho de MinSoo, mas oque eu vi foi realmente um sonho. 

Era KyungSoo descendo as escadas com um sorriso no rosto enquanto cumprimentava as pessoas. Era a primeira vez que eu vi seu sorriso, e ele era tão lindo sorrindo. 

MinSoo foi até KyungSoo e passou o braço pelo ombro do mesmo, enquanto o trazia até perto de mim e dos meus pais. KyungSoo estava com a cabeça baixa, provavelmente com vergonha de ser tão baixo perto do pai. Eu também ficaria. 

— Este é Do KyungSoo, meu filho mais novo, você tem certeza que não o conhece, JongIn? 

Na hora em que o senhor Do disse meu nome, KyungSoo rapidamente levantou a cabeça e olhou para mim com os olhos arregalados. Eu não estava diferente, porque eu ainda estava preocupado com ele. 

— Err...Eu...Não o conheço, Senhor Do. Só o vi de longe pelos corredores da escola, mas nunca falei com ele. — Eu não sei da onde tirei coragem para dizer aquilo, eu estava quase caindo no chão. Mas eu não podia dizer que eu praticamente stalkeava KyungSoo. — Prazer, KyungSoo, eu sou Kim JongIn. 

Me curvei e ele fez o mesmo sem dizer nada. E nós ficamos naquele clima pesado enquanto eu olhava para KyungSoo, e o mesmo olhava para mim com um olhar perdido, até que minha mãe disse: 

— Olá KyungSoo. Eu sou a mãe do JongIn, Kim SooHyun. É um prazer conhecê-lo. — Disse minha mãe com um sorriso gentil no rosto. Até parece que KyungSoo ia responde-la, ele nem me respondeu, imagina a ela. 

— Olá, o prazer é todo meu Senhora Kim. — falou sorrindo educadamente. 

O que? 

— Aí como você é fofo, mas não precisa me chamar assim, só SooHyun já dá. 

— Meu filho, por que não mostrar seu quarto ao JongIn? Faça companhia a ele, enquanto nós vamos conversar sobre politica. Duvido quê queiram ouvir sobre isso. — MinSoo disse de forma divertida. 

KyungSoo ficou estático por um segundo, mas logo afirmou com a cabeça e começou a subir as escadas em silêncio e eu fui atrás, também em silêncio. A situação estava constrangedora pra caramba.  

Passamos por várias portas até chegarmos na última, o qual deduzi ser seu quarto. O quarto do mais baixo era todo branco, com móveis caros, e uma cama de casal cheia ursos em formatos de coelhos na cor rosa. Aquilo me espantou. Eu sempre imaginei a casa de KyungSoo completamente diferente do que presencio no momento. 

Ele andou até a sacada de modo lento e ainda em silêncio. Eu fiquei observando seu quarto e percebi que KyungSoo era uma pessoa muito limpa e organizada. Mas tinha uma coisa mais importante que eu tinha que fazer, além de observar o quarto dele. 

— Está tudo bem com você? — perguntei de forma preocupada, tentando manter algum tipo de conversa ali. Ele me olhou por um segundo, mas logo voltou observar algo fora da casa. — Eu estou preocupado, KyungSoo! Poderia pelo menos me dizer o porque de estar chorando no banheiro hoje? 

— Eu não tenho que te falar nada. Se você está preocupado, o problema é seu. — o mais baixo disse de modo lento, mas extremamente ríspido. 

— Posso te fazer uma pergunta, KyungSoo? — ignorei o que ele disse. 

— -Além dessa? — Perguntou de forma debochada. 

— É, além dessa...— ri fracamente, tentando amenizar o clima. — Por que exatamente você me odeia? 

Ele literalmente parou de respirar. Só se ouvia as vozes no andar de baixo, e a minha respiração, já que KyungSoo estava estático. Eu estava cansado de esperar quando ele se virou lentamente para mim e disse: 

— Eu não te odeio. — voltou a olhar para fora da casa. 

— Então por que me ignora toda vez que eu tento falar normalmente com você? Eu não me lembro de ter te feito algum mal. — disse intrigado com tudo aquilo. 

— Você não fez nada, o problema é comigo. Eu só não quero... — ele logo fechou a boca e arregalou os olhos. Parecia quê tinha falado algo sem pensar. 

— Não quer oque? — perguntei, me aproximando. 

— Nada, esqueça isso. Vamos descer, seus pais devem estar te procurando. 

Ele ia sair do quarto, mas eu me apressei e segurei seu pulso, fazendo ele me olhar como se estivesse me perguntando oque eu queria. 

— Me dê sete dias! — falei apressado. 

— Sete dias pra que? 

— -Para que você pare de me odiar. — ele arregalou mais os olhos e abriu a boca como se não acreditasse no que eu estava falando. — Eu gosto de você, KyungSoo. Mais do que eu jamais gostei de alguém na minha vida. É por isso que eu te peço sete dias para que eu faça você parar de me odiar. Eu juro que você não irá se arrepender! 

Eu não sabia de onde havia tirado aquilo de “sete dias”, as coisas apenas haviam...fluido. 

— Sete dias! — ele disse antes de sair do quarto de modo apressado. 

Talvez eu tivesse me metido em um grande problema quando o fiz aquela proposta, mas eu não iria me arrepender tão cedo. 

Afinal, eu só estava fazendo uma oferenda ao diabo.


Notas Finais


Eu sei que tem gente que deve estar puta comigo, mas eu vou pedir desculpas de joelho se preciso.
Eu já fiz o capítulo 4 e 5, então eu não vou demorar tanto dessa vez ok?
GENTE, COMO ASSIM 100 FAVORITOS COM APENAS DOIS CAPÍTULOS? VOCÊS QUEREM ME MATAR DO CORAÇÃO?
Eu chorei quando vi que tinha chego a 100, chorei muito. Obrigada por favoritar, comentar, ler ou até mesmo visualizar. Eu tô muito feliz, vocês não tem noção.
Bye~
Amo vocês 💙


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