História O Legado - Capítulo 11


Escrita por: ~

Postado
Categorias Harry Potter
Personagens Alvo Potter, Andromeda Tonks, Angelina Johnson, Arthur Weasley, Astoria Greengrass, Blásio Zabini, Carlinhos Weasley, Colin Creevey, Daphne Greengrass, Dino Thomas, Draco Malfoy, Fílio Flitwick, Fleur Delacour, Fred Weasley Ii, Gina Weasley, Gui Weasley, Harry Potter, Hermione Granger, Hugo Weasley, Jorge Weasley, Kingsley Shacklebolt, Lílian L. Potter, Lino Jordan, Lucius Malfoy, Luna Lovegood, Molly Weasley II, Neville Longbottom, Ronald Weasley, Rose Weasley, Scorpius Malfoy, Ted Lupin, Tiago S. Potter, Victoire Weasley
Tags Harry Potter, Nova Geração, Suspense
Exibições 60
Palavras 4.717
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Ecchi, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 11 - Capítulo 11


Gostaria de dizer isto: acho estranho os adultos discutirem tão facilmente e com tanta frequência sobre coisas tão mesquinhas. Até agora eu achava que birra era uma coisa de criança e que a gente superava quando crescia.

O Diário de Anne Frank

 

Scorpius estava parado em uma das colunas no grande salão que estava ricamente decorado. Vestia uma roupa de gala negra e os cabelos estavam penteados para trás com gel, algo que ele detestou.

Astória estava linda em um vestido verde que parecia acentuar a cor de seus olhos, para Scorpius ela parecia um anjo com os cabelos caindo soltos ao redor do rosto em cachos e o sorriso feliz que ela dava quando o olhava.

Ele observava Astória dando os últimos retoques e percebeu que ela se mantinha o mais afastada possível de Narcisa quanto era possível. Ele não tinha mais se aproximado dos avós desde o terrível jantar de Natal que foi tão ruim quanto o primeiro. Agora ele gastava sem tempo lendo o diário de Hermione.

Ela falava sobre a falsa segurança que encontrou no Chalé das Conchas, como gostaria de ter ficado lá e esquecido de todos os horrores que já tinha acontecido. Ele teve que rir do que ela escreveu sobre a fuga do banco e os achou mais sensacionais ainda, entendia por que as pessoas transpiravam quando Albus, James ou Rose passavam. Eles carregavam um poderoso nome, ele transmitia força e segurança.

O que os três fizeram foi corajoso e nunca deveria ser esquecido. Scorpius nunca esqueceria.

A noite foi tão tediosa quando Scorpius pensou que seria. Ele teve que sorrir e colocar para fora toda a educação que seus pais lhe deram com o decorrer dos anos. Seu pai mantinha uma mão em seu ombro e as vezes lhe dava leves apertos quando alguém estava sendo particularmente estúpido.

Draco teve que reprimir um sorriso o disfarçando de tosse quando Scorpius deu uma resposta mal criada a Eleanora Nott. Depois disso ele achou mais seguro tirar o filho de perto da mulher dando uma desculpa qualquer.

– Está tudo bem? – Astória perguntou quando eles se aproximaram dela.

– Scorpius sendo Scorpius. – Draco disse.

Astória sorriu e abraçou o filho pelos ombros.

– Quando a noite acabar temos uma notícia para lhe dar. – Astoria falou baixo.

– Algo ruim? – Ele perguntou com medo.

– Bem… – Draco começou, mas o sorriso em seu rosto tranquilizou Scorpius.

– É o motivo de você não parar de sorrir, papai? – Scorpius perguntou – Que bom que tem um motivo para isso, estava ficando com medo do senhor.

Draco deu mais um sorriso e bagunçou os cabelos do menino.

– Draco! – Astória ralhou com o marido – Querido, vá ao banheiro e arrume seu cabelo. Não queremos sua avó reclamando nos nossos ouvidos. Merlin sabe a força que estou tendo para não botar nada na bebida deles.

Astória falou e saiu deixando Draco e Scorpius paralisados. Astória não tinha muita paciência com os sogros e Draco pedia que eles não a irritassem muito ou ela poderia facilmente colocar alguma de suas plantas no quarto que o casal estava ocupando.

Quando Freya chegou junto com os pais e o irmão, algumas horas atrasados, ela foi para perto de Scorpius e não saiu de lá. Acompanhava o menino aonde ele ia, depois de um tempo ela agarrou o braço dele e ficaram transitando pelo salão com os braços dados.

Lucius observava aquilo com grande satisfação, para ele a menina Zabine poderia ser um bom meio de fazer o neto ver a razão.

Scorpius se divertia dos comentários que Freya fazia sobre os convidados. Comentando as roupas das mulheres e dos estranhos penteados. Ela elogiou Astória com sinceridade e pediu que ela lhe mostrasse as estufas um dia.

– Você gosta de plantas? – Astória perguntou.

– Elas são interessantes, e eu soube que a senhora está fazendo experimentos. Gostaria de assisti-la se não houver problemas, é claro.

Astória sorria com graça.

– É claro que não terá. Podemos marcar um encontro nas suas férias, o que acha?

A menina concordou e em seguida observou a bela mulher se afastar indo atender outros convidados.

– Desde quando você gosta de herbologia?

A menina o olhou como se ele fosse estúpido. Freya parecia sempre olhar para as pessoas como se elas tivessem acabado de falar algo idiota.

– Nunca me interessei avidamente, mas depois da demonstração do professor Longbottom eu fiquei curiosa. Gostaria de ver mais coisas.

A menina falou dando de ombros e Scorpius deixou o assunto morrer.

A noite passou de forma lenta para Scorpius, Freya e Anthony que se demonstraram sem grande vontade de interagir com as outras crianças e adolescentes. Anthony acompanhou o pai em suas conversas, mas quando aquilo estava lhe dando sono ele foi procurar a irmã que ainda estava grudada no braço de Scorpius.

Depois que os fogos foram soltos e que alguns convidados já tinham ido embora Draco e Blaise foram dar atenção aos filhos. Draco agradeceu de forma solene a ajuda que Anthony prestou ao filho, mas ele fez pouco caso disso e fez algum comentário sobre como a sonserina estava abrigando idiotas funcionais com o passar do tempo.

Anthony era a cópia de Blaise, um adolescente que não gostava de nada em particular e que procurava se ocupar reclamando de tudo ao seu redor. O ar pareceu estagnar quando Lucius e Narcisa se aproximaram do grupo junto com os Nott.

A conversa mudou de tom e as crianças pareciam apenas observar. Scorpius queria correr na direção oposta, Anthony tinha um olhar direcionado ao pai e parecia entediado, Freya escutava tudo com atenção, como se estivesse adorando tudo aquilo.

Lucius fez um comentário sobre como ficava feliz em ver o neto em tão boa companhia e isso fez surgir um sorriso no rosto da menina, mas ele não era realmente verdadeiro, Scorpius percebeu. E para a grande desgraça do menino ele completou dizendo que esperava que ela afastasse Scorpius das más companhias.

– Más companhias? – Freya perguntou.

– Aqueles Weasley e a sangue ruim. – Lucius falou com desgosto.

Anthony arregalou os olhos pelo uso da expressão e Freya foi diminuindo o sorriso lentamente. Finalmente ali Scorpius percebeu que eles não eram preconceituosos e agradeceu por isso, mas infelizmente vendo a expressão de Freya ele soube que ela não deixaria o assunto morrer como ele desejava.

Ele sabia que ela só teve coragem de falar porque Scorpius estava ao seu lado e os pais estavam logo ali. Mary olhava a Freya com seus olhos frios e parecia querer ir embora o mais rápido possível.

– Ah, o senhor está falando de Rose, Albus e Amélia? – Freya sorriu alto demais para o gosto de Lucius – Eles são ótimos. Amy é tão esperta e inteligente. Uma das primeiras do nosso ano, não é Scorpius?

Scorpius sentiu vontade de revirar os olhos. Freya adorava irritar as pessoas, era um dos passatempos preferidos da garota e era exatamente isso que ela estava fazendo ali. Porque ele sabia que ela não gostava especialmente de Amy e detestava usar apelidos.

– Sim, muito inteligente. – Scorpius falou lançando um olhar duro para Freya.

– Albus com certeza tem um grande futuro, tem que se esforçar um pouco mais em algumas matérias. Mas é tão bom em poções que chega a dar inveja. – A menina deu um falso suspiro. – Rose com certeza é digna de nota. Tem alguma coisa que aquela garota não consiga fazer?

Ela fez uma pergunta retórica e a cada palavra parecia que Lucius ficava mais pálido.

– Você está me dizendo que também compactua com essa gente? – Ele perguntou com frieza.

– É claro. Eu os adoro. – Ela respondeu com um sorriso singelo.

Anthony não acreditava na cara de pau da irmã e teve que se beliscar para não começar a sorrir. Ele não estava gostando do olhar que Lucius lançava a menina.

– Papai, já está tarde e amanhã temos que ir visitar Sophia. Não é melhor irmos para casa logo?

Blaise olhou para o filho agradecido e Mary tomou-lhe logo o braço agradecendo aos Malfoy pelo convite e elogiando a festa e se despediram dos Nott.

Freya pediu que Scorpius a acompanhasse até a saída pois queria agradecer pelo presente que ele lhe enviou no Natal.

– Seu avô é tão detestável quanto eu me lembrava. – A menina falou isso muito rápido. – Sinto muito se o que eu falei vai lhe causar problemas.

Mas ela não parecia sentir, Freya tinha voltado ao normal e sua expressão mostrava o nada como de costume.

– Tudo bem.

– De verdade? Não vai ficar chateado comigo? – Ele percebeu um pouco de insegurança na voz dela. – Você é o menos detestável de lá.

Scorpius sorriu. – E o Albus? Você parece gostar dele.

– Ele é legal, mas ainda tem muito sangue grifinório ali. – A menina falou sorrindo.

– Está tudo bem, Freya. Nos vemos na volta?

A menina disse que sim e saiu mais aliviada. Ela queria se chutar depois, mas quando começou sabia que teria que continuar, falou por que não gostou do tom usado por Lucius e não gostou de ver Scorpius triste. Ela não era a favor de sangues puros, mestiços ou o que quer que fosse. Ela gostava de pessoas inteligente e legais, e ela tinha que concordar que os amigos de Scorpius eram boas pessoas, companhias agradáveis. Não que ela algum dia fosse dizer isso em voz alta.

 

Com o fim da festa e a saída de todos os convidados Scorpius voltou a se esconder no seu quarto. Astória e Draco apareceram no quarto dele como tinham dito que fariam sentaram cada um de um lado da cama, como faziam quando iam colocá-lo para dormir.

– Temos uma coisa para contar. – Draco começou.

– Primeiro queremos que você saiba que amamos muito você e que você sempre será especial. – Astória disse.

Scorpius estava cada vez mais curioso. Eles não costumavam falar muito de sentimentos ali, preferiam demonstrar com pequenos gestos diários.

– Vocês podem só falar de uma vez? – Scorpius pediu.

– Vamos ter um filho.

As palavras de Astória chegaram soltas até Scorpius, demorou alguns minutos até tudo se organizar na cabeça do menino.

– E-eu vou ter um irmão?

 

Amélia mandou algumas cartas para a mãe nos meses que tinha ficado na escola. Sua mãe respondia mandando pela mesma coruja, mas isso não fez com que a saudade diminuísse. Quando o trem parou só o que Amélia queria era correr para os braços da mãe.

Quando ela partiu para Hogwarts as coisas estavam estranhas em casa. Eliza tinha ficado silenciosa desde o dia da visita do agente do Ministério, ela falava pouco e se trancava constantemente no quarto.

Mas Amélia queria esquecer de tudo aquilo e apenas aproveitar os dias que teria ao lado da mãe.

Quando a encontrou parada em frente a plataforma 9 e 10 correu para abraçá-la, as duas trocaram carinho e palavras de afeto. Na viagem de trem até a cidade em que moravam Amélia detalhou seus meses na escola, falou sobre os amigos e as aulas.

Eliza ouvia tudo com atenção tentando disfarçar o semblante em algumas partes. Amélia estava alheia ao desconforto da mãe, ela falava animada e gesticulava.

– E essas pessoas não gostam desse menino Scorpius? – Eliza perguntou.

– Não. – Amélia respondeu desconfiada. – Mas tudo injustificado, ele é uma boa pessoa.

Eliza olhava pela janela tentando achar uma forma de falar o que pretendia para a menina sem fazê-la ficar furiosa.

– E você foi avisada sobre essa casa… sonserina o nome?

– Eles tem uma má fama e…

– Má fama não se constrói por nada, Amélia. – Eliza falou olhando duramente para a menina.

Amélia não entendia o motivo de Eliza estar se portando daquele jeito. Achou que ela ficaria feliz pôr a menina finalmente ter feito bons amigos e que a parabenizaria por não ligar para comentários tolos.

– A senhora está bem? – Amélia perguntou insegura.

– Você deve se afastar dessas pessoas. Se todos acham que tem algo de errado com esse menino então eles devem ter razão e se essa casa é reconhecidamente como algo do mal você deveria contar relações com qualquer um deles.

Eliza falou de uma vez, seu rosto estava sério e portava aquele jeito que não gostaria de ser contestada.

– Mas… o que? Você perdeu a razão? – Amélia perguntou revoltada

– Estou cuidando de você.

– Você nem ao menos os conhece. Scorpius é… – A menina estava sem palavras pela atitude sem sentido de Eliza. – Até mesmo os Zabine com toda a pose arrogante não são más pessoas.

O que quer que tenha dito Amélia percebeu que foi a coisa errada, no segundo seguinte Eliza ficara pálida e com os olhos arregalados.

– Você vai se afastar de todas essas pessoas, Amélia, ou vamos voltar para Paris e você nunca botará seus pés naquela maldita escola novamente.

Amélia olhava para a mãe com os olhos úmidos.

– Essa não é você. – A menina mexia a cabeça de um lado para o outro. – Não sei o que aconteceu, mas você não é assim, mãe.

Eliza não respondeu a menina, não sabia o que falar. O terror tomava conta de cada célula do corpo da mulher e ela se arrependeu de não ter ido embora quando teve a chance. Ela já elaborava planos de sair dali o mais rápido possível, se eles se mudassem logo para a França Amélia teria um lugar em Beauxbaton.

– Mãe – Amélia falava baixo – Isso tem a ver com eu ser uma bruxa?

– O que? – Eliza questionou sem entender.

– Você está assim desde de que descobrimos… Isso tudo é porque eu sou uma bruxa?

– O que você está perguntando, Amélia? – Eliza não queria continuar aquela conversa, só queria um meio de sair do país e para isso ela teria que pensar.

Amélia experimentava pela primeira vez uma dor profunda vinda da perspectiva de rejeição. Aquele pensamento já tinha passado por sua cabeça antes, mas ela sempre dizia a si mesma como estava sendo tola, que tudo era coisa de sua mente.

– Você tem algum problema em eu ser uma bruxa?

Eliza não soube o que responder. Elas se encararam e a menina tomou o silêncio da mais velha como uma resposta para as suas dúvidas.

– N-não. – Eliza respondeu e tossiu para limpar a garganta que parecia travada. – Você é especial e isso é lindo, filha.

– Você não é assim. Você não é assim. – Amélia repetia como um mantra.

Ela não conseguia acreditar que sua mãe pudesse ser tão intransigente, tão preconceituosas ainda mais com alguém que ela nem sequer conhecia. Não, ela não era assim. Eliza era boa e gentil sempre, com todos.

– Amélia…

– Eu não vou fazer isso. – Amélia olhou para Eliza e seu olhos castanhos passava a insistência e prepotência que a mulher não via há muitos anos e isso fez com que um arrepio percorresse por sua pele. – Eles… Scorpius… – Amélia parecia puxar o fôlego para falar. – Ele é uma das pessoas mais gentis que eu já conheci e isso inclui você. Ele é bondoso, até mesmo com as pessoas que são idiotas com ele. – Amélia olhava pela janela tentando não chorar. – Ele carrega um peso que não é dele e que é pesado demais, um passado que não o pertenceu. E você acha que tem o direito de julgá-lo?

Amélia olhou para Eliza e só havia determinação no olhar da menina. Tão parecida com o pai, Eliza pensou e esse foi mais um peso em seu coração que já estava angustiado desde o dia primeiro de setembro.

– Eu nunca vou perdoá-la se me tirar de lá e mamãe, isso é um tempo muito longo.

O resto da viagem passou no mais absoluto silêncio. As duas pareciam olhar em direções opostas, cada uma perdida em pensamentos.

 

O resto do feriado passou e elas mal se olhavam. Amélia chorava todas as noites em seu quarto e Eliza não estava muito melhor. Na noite de Natal elas receberam alguns vizinhos em casa e ficaram entretidas em lados contrários da pequena sala, algumas vezes seus olhares se encontravam e Amélia percebeu uma mágoa profunda nos olhos da mãe.

 

Eliza nunca falou muito sobre o pai de Amélia. Disse que era um bom homem e que ele a amaria ferozmente, que tinha morrido quando a menina tinha dois anos. Os dois não eram casados e todos os documentos foram perdidos em um incêndio, segundo Eliza. Essa era a desculpa que ela dava a cada vez que a menina perguntava porque não tinha o nome do pai na sua certidão de nascimento.

A menina questionou a mulher o motivo dela não ter ido atrás de documentos que pudessem comprovar que Amélia era filha de Jacob Atlas, mas a mulher disse que tinha feito tudo que podia, mas não havia como fazer coisa alguma sem algo que pudesse comprovar. Jacob havia morrido anos antes em uma cidade pequena próxima de Paris, sem família e tudo que eles tinham estava na casa que virou cinzas.

Ela percebia como Eliza ficava triste quando ela perguntava sobre o pai e depois de um tempo ela parou de perguntar. Isso até aquele dia e como tudo pode piorar…

– Rose deu uma ideia. – Amélia começou a falar na mesa do café. – Sobre eu saber mais do meu pai.

O copo que Eliza segurava foi parar no chão em pedaços. Não. Não. Não. Não.

– Eu nã-ão…

– Eu posso ser uma mestiça. Quando voltarmos nós vamos procurar a diretora e… – Mas a menina não conseguiu continuar, ela só ficou olhando abismada para a mãe que saiu da mesa e a deixou falando sozinha.

Em seu quarto Eliza andava de um lado para o outro sem saber o que fazer. Amélia nunca desistiria, ela sempre estaria em busca e isso aterrorizava Eliza mais do que qualquer coisa. Ela sabia que a menina não encontraria nada naquela escola, ela não encontraria nada em lugar algum e por mais que isso a tranquilizasse nunca era bom ter alguém fazendo perguntas. E se alguém perguntasse e se isso chegasse aos ouvidos dele de alguma forma? Eliza sabia que ele parecia ter ouvidos em todos os lugares…

 

Rose estava acostumada a andar por chave de portal e com satisfação ela poderia dizer a todos que agora ela sempre caia em pé. Ela e Hermione acharam um beco onde era seguro esperar a chave se ativar e logo elas duas estavam na parte de trás de sua casa.

Assim que entrou a menina foi atropelada por Hugo com seus flamejantes cabelos vermelhos que estavam maior do que ela se lembrava. O menino reclamou atenção e eles passaram o resto daquele dia junto, ele escutava tudo que a irmã tinha para dizer sobre a escola e tudo que a envolvia.

Como um segredo Hugo colocou a mão no ouvido da menina.

– Mamãe e papai brigaram. – Ele confidenciou.

Hermione e Ron sempre brigavam, as vezes os irmãos sentavam na escada para ver os pais discutindo por motivos bobos até mesmo para crianças, mas para Hugo ter dito aquilo a briga tinha que ter sido por algo sério.

– Você sabe o motivo?

O menino ficou instantaneamente vermelho.

– Você. – A menina arregalou os olhos. – Ele saiu batendo a porta e tudo, nunca vi o papai tão bravo, Rose.

Rose disse que ele não tinha que se preocupar, que talvez Ron estivesse zangado com outra coisa e ela não soube mais como continuar a mentira. Disse que ia procurar algo para eles comerem antes do jantar e desceu rapidamente.

Hermione lia um livro pesado no sofá e não reparou na chegada da filha até que ela sentou ao lado dela. Rose só ficou lá sentada sem saber como começar o assunto.

– Consigo ver sua cabeça funcionando daqui. – Hermione falou com um sorriso.

– Onde o papai está? – Amélia perguntou e viu o sorriso de Hermione diminuir.

– Ele foi para a Toca, acho que ficará lá hoje com seus avós. – Hermione respondeu olhando para o livro.

– Ele sabe sobre Scorpius. – A menina falou e Hermione não soube o que responder já que ela não fez uma pergunta. – Como o tio Harry ficou depois que soube?

– Ele se acostumou com a ideia. – Hermione deu de ombros.

– Ele sabe que foi por isso que o Al não veio?

– Ele deve imaginar, querida. Mas o Al não conseguirá fugir por muito tempo. – Hermione falou passando a mão nos cabelos de Rose.

– Ele adiará isso até onde puder e no fim virá com toda a pose sonserina. Capaz de sair do trem com o cachecol da Sonserina, mesmo se o dia estiver horrivelmente quente.

As duas sorriram.

– Isso sempre esteve tão claro, mas nós nunca paramos para ver realmente. Albus sempre apresentou características.

– Vocês apenas não queriam enxergar, mãe. Mas ele não é mal. – Rose tratou de esclarecer.

– Oh, querida. Claro que não. – Hermione concordou com um sorriso.

Rose estava preocupada com a reação do pai ao saber de suas amizades, mas ela era determinada demais para simplesmente abandoná-los por causa de coisas que aconteceram anos antes e que não tinha nada a ver com ela.

Ron não veio para casa nos dias que se seguiram, e ela começou a se preocupar e pensar que a briga pudesse ter sido mais séria do que ela imaginava. Mas aquilo não duraria por muito tempo, dali a algumas horas os três estariam indo para a Toca passar o Natal e de um jeito ou de outro ela teria que encontrar o pai e o resto da família.

Rose adorava a Toca, sempre tão desarrumada não importando o que Molly fizesse, e tudo melhorava com a família lá dentro com suas conversas paralelas. As crianças menores brincando em um lado, os adultos falando sobre trabalho do outro, Jorge tentando pegar comida antes da hora. Tudo ali era mágico.

Rose foi abraçada por todos que estavam lá e eles pareciam entusiasmados por saber quais impressões ela estava tendo da escola.

Ela passou a falar coisas que já tinha dito a Hermione e Hugo, enquanto falava olhava pelo canto de olho para Ron. Eles dois eram mais parecidos do que gostariam de admitir e mesmo com ela tendo 11 anos e ele já sendo um homem adulto e sendo seu pai eles brigavam de vez em quando e cada um ficava no seu canto por algum tempo.

Ela se preparou mentalmente para o que viria a seguir, repassou aquela fala dezenas de vezes treinando a melhor forma de pronunciar cada palavra.

– Mas claro que nada teria sido assim tão bom se não fosse por Albus, Amélia e Scorpius. – Ela olhava para Jorge enquanto falava porque se sentia mais segura assim.

– Espero que ele seja melhor do que o Malfoy pai e o avô. – Harry comentou e por isso levou uma cotovelada de Gina que deve ter doído pela careta de dor que ele fez.

Rose não se deixaria intimidar. Assim como ela estava magoada com James pela forma patética como ele se portou, ela também estava com Harry, que sabia que não tinha falado muito com Albus.

– Peço, tio Harry, – E a menina olhava para ele duramente com aqueles pequenos olhos azuis – Que o senhor possa segurar seus comentários quando Albus estiver aqui. Não gostaria que ele ficasse mais magoado ainda com as ações da família.

– Do que você está falando, Rose? –Arthur quis saber. Um dos seus netos estava magoado? Se fosse o caso ele procuraria o responsável.

– Pergunte a ele. – E apontou com a cabeça na direção de Harry. – Quantas cartas ele mandou para o próprio filho desde setembro?

Todos olharam para Harry que teve a decência de corar. Gina fez uma careta de desgosto.

– Eu troquei cartas com ele. – Harry falou sem nenhuma confiança.

– Eu vi as cartas. – O homem olhou para Rose. – Não que o Al saiba disso, mas ele tava tão desanimado e Scorp disse que ele tinha recebido correspondência de casa…

A menina estava com vergonha de ter visto as cartas do primo sem autorização.

– Scorp? – Ron perguntou com um esgar.

– Sim, papai. Scorpius Malfoy, meu amigo e amigo de Albus. Espero que desfaçam essas caras e aprendam a lidar com isso. – Rose não sabia de onde vinha tanta fúria. – Ele é nosso amigo e vai vir muitas vezes nas nossas casas, então se acostumem com a ideia.

– Os Malf… – Começou Ron.

– Eu não sou amiga de Lucius ou Draco Mallfoy. Sou amiga de Scorpius, um menino que nunca fez nada a mim ou a qualquer um de vocês. Não me venha falar sobre a família dele. – A menina estava sentindo o seu corpo quente. – E eu conheci o Sr. Malfoy e ele foi um verdadeiro cavalheiro.

– Como assim você conheceu a doninha? – Ron perguntou com a voz elevada.

– Na estação.

– E você permitiu isso? – Ele perguntou com raiva para Hermione que apenas ergueu uma sobrancelha.

– Rose, querida. Você pediu permissão? – Ela perguntou.

– Não, mamãe.

– Pode me dizer o motivo, meu anjo?

– Não havia razão para tal. – Rose respondeu com um sorriso para a mãe

– Um Malfoy nunca entrará na minha casa. – Ron falou.

– Então sugiro que você procure outra casa para chamar de sua, pois pretendo ter como convidado o jovem Malfoy para um chá.

Todas as pessoas pareceram congelar e Rose mal respirava. A presença de Molly foi muito bem-vinda para avisar que o jantar estava servido. Hermione e Ron ainda se olhavam duramente.

No jantar Rose sentou o mais longe que deu de Harry e Ron. Os demais pareciam querer afastar aquele assunto o máximo que podia. Andrômeda fingia não se importar com o comportamento deles, levando em consideração que sua irmã era uma Malfoy e que a própria tinha sido da sonserina. Como um meio seguro Rose sentou entre ela e Teddy.

O metamorfomago tentou puxar conversas banais com Rose, mas percebeu que a menina olhava para o pai e o tio.

– Não seja tão dura com eles, Rose. – Ele tentou. – É difícil.

– Foi difícil para o Al. – A menina falou para que só ele ouvisse. – Você não estava lá, ele sempre estava triste quando ninguém estava olhando. Primeiro James, depois as cartas do tio Harry que pareciam que eram escritas aos parentes trouxas dele.

– Eu sei que…

– Não. – A menina foi categórica. – Acha que ele não queria estar aqui com a gente? Ele não veio por culpa dele. – E olhou para Harry que percebeu que a menina o olhava, mas não teve coragem suficiente para encará-la.

Rose pensou que já tinha superado aquele sentimento ruim que surgiu meses antes quando notou a inércia de James e leu as cartas patéticas de Harry. James tentava conquistar Albus novamente, as duras penas, a menina pensou orgulhosa, mas Harry ainda era um incômodo. E vê-lo ali no meio da família com Lily ao seu lado tão inocente enquanto seu melhor amigo estava em Hogwarts sem nada daquilo trouxe uma fúria a menina que ela não sabia como controlar.

– O garoto que eles parecem tanto detestar foi uma das poucas coisas boas que aconteceram para ele lá. Até mesmo Molly achou um coração para se condoer pelos dois. Alguns deles são horríveis.

– Os sonserinos fizeram algo? – Teddy perguntou preocupado. Nem Albus nem Victorie tinha falado nada a respeito. – Eu falei com ele algumas vezes e ele não falou nada.

Rose olhou para ele com zombaria. – Acha mesmo que ele falaria? Ele demorou para falar para mim e nós não deveríamos ter segredos. Mas não se preocupe, eles se vingaram em grande estilo.

Teddy sorriu mais tranquilizado.

– Padrinho não recebeu nenhuma carta de detenção.

Rose sorriu complacente.

– Desde quando Albus é pego em algo, Teddy? – A pergunta foi retórica. – Você acha que o que mamãe falou foi sério?

Teddy olhou na direção dos dois. Ron estava sentado entre Jorge e Harry e Hermione estava entretida em uma conversa com Angelina.

– Acho que não. – Ele respondeu, mas sinceramente não sabia.

Com o passar dos anos Teddy já tinha presenciado muitas brigas dos dois, mas ele sabia que Hermione nunca colocaria a felicidade dos filhos em risco. Mas agora não sabia para qual lado aquilo penderia.

– Agora me conte tudo, Rose. Cada mínimo detalhe. – Teddy pediu.

– Eu também adoraria ouvir. – Andrômeda se intrometeu. – Um Weasley-Potter na sonserina junto a um Malfoy… – A mulher sorriu. – Eles devem estar botando as masmorras abaixo.

– Scorpius é um CDF enrustido, tia Andy e Albus anda com a cabeça tão baixa para ninguém notá-lo que duvido que os pais deles recebam algum bilhete de reclamação.

Os três se botaram a sorrir e Rose falou sobre o que eles fizeram para se livrar das lesmas da sonserina, como Rose os nomeou.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...