História O Mediador - A Terra das Sombras - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Kai, Lay, Sehun, Suho, Tao
Tags Chanbaek, Exo, Fantasmas, Mediador
Exibições 12
Palavras 2.396
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Escolar, Fantasia, Romance e Novela, Saga, Violência, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Perdão pelo capítulo curtinho e pela demora. Bom MAMA amanhã para quem irá acompanhar, e ... FIGHTING EXO!
Boa leitura!

Capítulo 3 - Capítulo 3


O Mediador – A Terra Das Sombras, capítulo 3

-OK - fui dizendo para aquela presença no assento da janela - Quem diabos é você?

-xxx-

Se eu dissesse que o cara ficou surpreso de ser indagado daquela maneira, estaria muito longe de dar ideia da reação dele. Ele não ficou apenas surpreso. Chegou até a olhar ao redor para ver se era com ele mesmo que eu estava falando.

Mas é claro que a única coisa que havia atrás dele era a janela e, além dela, aquela vista inacreditável da Baía de Carmel. De modo que acabou se voltando para mim e deve ter visto que meu olhar estava grudado no seu rosto, pois suspirou “Nombre de Dios” de um jeito que provavelmente faria qualquer garota desmaiar.

- Não adianta invocar seus espíritos superiores não, parceiro. - Comuniquei-lhe, arrastando a cadeira da escrivaninha e sentando-me nela, de frente para o encosto. - Se ainda não notou, Ele não está prestando muita atenção em você. Caso contrário, não o teria deixado por aqui apodrecendo todos estes anos... - e então dei uma olhada mais firme nas suas roupas, que pareciam muito com algo saído do velho oeste. - Quantos anos tem? Ou melhor, quanto tempo faz que você bateu as botas?

Ele me olhou fixamente com seus olhos negros e puxados, iguais aos meus. Afinal que monte de asiáticos temos nesse período da minha vida não é mesmo?!

- O que quer dizer “bateu as botas”? - Perguntou, com a voz rouca por falta de uso.

Eu não pude deixar de revirar os olhos de impaciência.

- Esticou as canelas. Dobrou o Cabo da Boa Esperança. Foi desta para melhor. – Traduzi.

Quando vi por sua expressão de perplexidade, que ele continuava sem entender, eu finalmente disse, algo inesperado:

- Morreu.

- Ah! - Fez ele. - Morri.

Mas em vez de responder a minha pergunta, ele balançou a cabeça.

- Não estou entendendo - disse, com ar de espanto. - Não entendo como você consegue me ver. Durante todos esses anos, ninguém nunca...

- Claro - fui cortando, pois como você já deve estar sabendo estou cansado de ouvir este tipo de coisa. - Olha só, os tempos mudaram, sabia? Então, qual é a tua?

Ele piscou com aqueles enormes olhos negros. Não é sempre que eu dou de cara com um fantasma de boa aparência, mas aquele cara... porra, ele devia ter sido alguma coisa quando vivo, pois ali estava ele morto usando uma camisa branca, bem aberta, mostrando um bocado o peito, e até um pouco do abdômen. Será que fantasmas também fazem abdominal? Era o tipo de coisa que eu nunca tivera oportunidade - ou vontade - de explorar até então. Não que eu fosse me deixar perturbar por esse tipo de coisa àquela altura dos acontecimentos. Afinal de contas, sou um profissional. Mas cá entre nós, sou um adolescente, e tenho hormônios, por mais que eles não deem muito as caras.

- A minha? - Repetiu.

Até sua voz parecia liquefeita, com um inglês monótono e sem acentuação como eu achava que era o meu, com aquele jeito de amortecer os "t" que a gente tem no Brooklyn. Era evidente que ele tinha descendência asiática, muito provavelmente falava espanhol como deixava claro aquele "Nombre de Dios" que havia soltado, mas com certeza era tão americano quanto alguém que tivesse nascido antes de a Califórnia tornar-se um estado.

- É, cara! - Disse eu para limpar a garganta.

Ele se voltou um pouco e apoiou uma botina na almofada azul claro do assento da janela, e então eu pude ter certeza de que os fantasmas realmente podem fazer abdominais. Seus músculos eram muito definidos.

O que me fez engolir em seco. Bota seco nisso.

- Sim, a sua - disse então. - Qual é o problema? Por que ainda está aqui?

Ele olhou para mim, sem expressão no olhar, mas interessado.

- Por que você ainda não foi para o outro lado? – Fui mais claro.

Ele balançou a cabeça. Não sei se já disse que seu cabelo era curto e escuro e parecia bem sedoso, dando a impressão de que se você tocasse nele seria muito macio.

- Não sei o que você está querendo dizer.

Eu estava ficando com calor, mas já tinha tirado a jaqueta de couro, de modo que não sabia o que fazer. Não podia tirar mais nada com ele ali me olhando. O fato de eu ter percebido isto é que deve ter contribuído para que de repente eu não me sentisse nada tranquilo.

- Como assim não sabe o que eu estou querendo dizer? - Rebati, afastando uma mecha de cabelo dos olhos. - Você está morto. Não tem mais que ficar aqui. Deveria estar em algum outro lugar fazendo alguma coisa que as pessoas devem fazer depois que morrem. Cantando entre os anjinhos, ardendo no inferno, reencarnando, subindo para algum outro plano da consciência, ou o que quer que seja. Você não devia... estar simplesmente andando por aí.

Ele ficou olhando para mim pensativo, equilibrando o cotovelo no joelho levantado, com o braço meio vacilante.

- E se por acaso eu gostar de andar por aí? - Quis saber.

Eu não tinha muita certeza, mas estava com a impressão de que ele estava zombando de mim. E eu não gosto nada que zombem de mim. Não gosto mesmo. No Brooklyn, o pessoal costumava fazer isso toda hora - pelo menos até eu descobrir que um punho bem fechado no nariz é capaz de calar uma boca.

Eu ainda não estava em condições de dar um murro naquele cara, ainda não. Mas faltava pouco. Simplesmente, eu tinha viajado quilômetros, num percurso que parecia ter durado dias e dias, para viver com um bando de garotos, quer dizer, de garoto na minha casa já bastava eu, ainda nem tinha desfeito as malas, praticamente já tinha feito a minha mãe chorar, e de repente dou com um fantasma no meu quarto... Alguém poderia me acusar de estar sendo... digamos, injusto com ele?

- Presta atenção - fui dizendo -, você pode ficar andando por aí o quanto quiser, amigo. Vai fundo. Não me importo. Mas aqui, não.

- ChanYeol - disse ele, sem se mexer.

- O quê?

- Você me chamou de amigo. Achei que gostaria de ficar sabendo que eu tenho um nome. Me chamo ChanYeol.

Eu fiz que sim com a cabeça.

- Beleza. Faz sentido. Muito bem então, ChanYeol. – Enfatizei seu nome. - Você não pode ficar aqui.

- E você?

ChanYeol estava sorrindo para mim. O cara tinha um rosto legal. Vou te falar, estou me sentindo muito gay com ele aqui. Normalmente eu não demonstro interesse pelas pessoas, e descobrir que gostava mais de meninos do que de meninas foi ao acaso, quando me peguei gostando de um colega de classe.

Mas não que ChanYeol fosse bonito. Não era mesmo. O que ele parecia mesmo era um maníaco com aquele sorriso cheio de dentes. Estou me contradizendo eu sei, mas veja pelo meu lado, eu estou cansado, e estou falando com um cara morto que muito provavelmente tem mais de 100 anos.

- E eu o quê? - Retruquei, sabendo que estava sendo rude, mas não dando a mínima.

- Como se chama?

- Cara vai dizendo logo o que você quer e cai fora. – Olhei para ele. - Estou com calor e quero trocar de roupa. Não tenho tempo para...

- Aquela mulher, sua mãe, - ele me interrompeu com perfeita amabilidade, como se não estivesse ouvindo -, chamou-o de filhotinho - disse ele, com os olhos negros brilhando para mim. – Você não se parece com um.

- Byun BaekHyun - eu disse, querendo que ele não repetisse aquilo nunca mais.

- Quer dizer então que este agora é seu quarto, Byun BaekHyun? – Ele sorriu.

- Isso mesmo - respondi. - Isso aí, este agora é o meu quarto. De modo que você vai ter que se mandar.

- Eu vou ter que me mandar? - Fez ele, levantando uma sobrancelha. - Está aqui é minha casa há um século e meio. Por que eu teria de sair?

- Porque sim! - Eu já estava ficando realmente incomodado, em grande parte porque estava com muito calor, e queria abrir a janela, mas a janela estava atrás dele, e eu não queria me aproximar tanto assim. - Este quarto é meu. Não vou dividi-lo com um caubói morto.

Dessa vez ele entendeu direitinho. Levou o pé de volta ao piso, batendo com força, e se endireitou. Imediatamente eu lamentei ter dito o que disse. Ele era alto, bem mais alto que eu, e olhe que eu tenho um metro e setenta e quatro.

- Não sou nenhum caubói - informou ele, zangado. E acrescentou alguma coisa baixinho em espanhol, mas como eu sempre optara por francês na escola, não tinha a menor ideia do que ele estava dizendo.

Foi quando o espelho antigo pendurado sobre a penteadeira começou a balançar perigosamente no gancho que o prendia à parede. E eu sabia que aquilo não se devia a nenhum terremoto californiano, mas à agitação do fantasma que estava na minha frente, cujos poderes, obviamente, eram tipo tele cinéticos, aquele negócio de mover coisas com a mente.

É este o problema com os fantasmas: eles são tão suscetíveis! Ficam alterados ao menor dos motivos.

- Uoou! - Estiquei os braços para cima, com as palmas das mãos voltadas para fora. - Menos! Bem menos, quase nada. Vamos como muita calma aí, rapaz!

- Todos na minha família - enfureceu-se ChanYeol, com o dedo em riste no meu rosto -, trabalharam feito escravos para conseguir alguma coisa neste país, mas nunca, nunca houve nela nenhum vaqueiro...

- Ei! - Interrompi, e foi aí que cometi o meu maior erro. Muito irritado com aquele dedo na minha cara, eu o agarrei com toda força, torcendo sua mão e puxando-o para mim para ter certeza de que ele ia me ouvir dizer bem baixinho. - Pare com o espelho agora. E tira este dedo da minha cara ou eu o quebro.

Empurrei sua mão para o lado e constatei com satisfação que o espelho parara de balançar. Mas foi então que olhei para o seu rosto. Fantasmas não têm sangue. E como poderiam ter se não estão vivos?! Mas posso jurar que naquele momento o rosto de ChanYeol ficou completamente sem cor, como se cada gota de sangue que por acaso lá estivesse, tivesse se evaporado de uma hora para a outra.

E é claro que os fantasmas também não são feitos de matéria. De modo que não fazia o menor sentido que eu tivesse conseguido agarrar o seu dedo. Minha mão devia ter atravessado ele, certo?

Errado. É assim que acontece com a maioria das pessoas. Mas não com pessoas como eu. Com os mediadores não é assim. Nós vemos fantasmas, falamos com fantasmas e, se necessário, podemos perfeitamente dar um chute na bunda de um fantasma.

Mas eu não gosto de sair por aí dizendo isto para todo mundo. Sempre tento o máximo possível não tocar neles - e aliás, não tocar em ninguém. Quando falham todas as tentativas de mediação e eu preciso recorrer a uma certa dose de coerção física com um espírito recalcitrante, geralmente prefiro que ele ou ela não fique sabendo antes da hora que eu sou capaz disto. Os ataques inesperados são a melhor coisa quando estamos tratando com integrantes do outro mundo, que, como todo mundo sabe, sempre jogam sujo.

Olhando para o próprio dedo como se eu tivesse feito um buraco nele, ChanYeol parecia completamente incapaz de dizer o que quer que fosse. Provavelmente era a primeira vez em que ele era tocado por alguém em um século e meio. O tipo de coisa que pode deixar um sujeito um tanto tonto.

Sobretudo um sujeito morto.

- Agora ouça bem, ChanYeol – aproveitei seu estado de letargia, dizendo com a voz firme. - Este quarto é meu, ok? Você não pode ficar aqui. Ou você me deixa ajudá-lo a ir para onde deve estar ou vai ter de achar outra casa para assombrar. Sinto muito, mas é assim.

ChanYeol tirou os olhos do dedo, ainda com uma expressão de quem não está acreditando no que está vendo.

- Mas quem é você? - Perguntou, suavemente. - Que tipo de... garoto é você?

Ele hesitou tanto tempo antes de conseguir dizer a palavra garoto que pareceu claro que não estava certo de que fosse a palavra adequada no meu caso. Isto me deixou meio intrigado. Afinal, eu posso ter os traços um tanto delicados, mas ninguém nunca negou que eu fosse mesmo um garoto. Tá certo que algumas vezes, quando estou usando jeans apertados caminhoneiros buzinam para mim e não é porque querem que eu saia da frente. Peões de obra às vezes dizem coisas bem pesadas quando eu passo, devido a essas coxas ridiculamente femininas. Eu não sou feio, nem de jeito nenhum feminino. E eu tinha acabado de ameaçar quebrar o dedo do cara, quer coisa mais máscula do que essa?

- Pois vou dizer-lhe que tipo de garoto que eu não sou - pontuei. - O que eu não sou, é o tipo de garoto disposto a compartilhar o quarto com um outro cara que eu nem conheço, ainda mais com um cara morto. Deu para entender? Então ou você dá o fora, ou eu vou colocá-lo para fora. Você decide. Vou lhe dar algum tempo para pensar. Mas quando voltar aqui, ChanYeol, não quero vê-lo mais.

Dei as costas e saí.

Não tinha outra saída. Geralmente eu não perco discussão com fantasmas, mas tinha a impressão de que estava perdendo aquela, e feio. Eu não devia ter sido tão ríspido com ele. Não sei o que me deu, realmente não sei. É que...

Acho que eu simplesmente não esperava encontrar o fantasma de um cara bonitinho no meu quarto, só isso. Mas sem viadagem, longe disso, o cara só era...

Meu Deus do céu, que vou fazer se ele não for embora?

Dá um tempo pra ele, começou a dizer uma voz na minha cabeça. Uma voz sobre a qual eu tomaria o maior cuidado de não dizer nada à terapeuta da minha mãe.

Dá um tempo pra ele. Ele vai entender. Eles sempre entendem.

Bom, quase sempre.


Notas Finais


Me notifiquem caso tenha algum erro gritante, eu revisei mas sabem como é, pode passar.


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