História O Médico Louco - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Categorias Sherlock
Personagens D.I. Greg Lestrade, Dr. John Watson, Molly Hooper, Mrs. Hudson, Mycroft Holmes, Philip Anderson, Sherlock Holmes
Tags Aventura, Holmes, John Watson, Johnlock, Mistério, Policial, Romance, Sherlock Holmes, Slash, Yaoi
Exibições 142
Palavras 2.747
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Ficção, Hentai, Lemon, Mistério, Policial, Romance e Novela, Slash, Suspense, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Mais mistérios chegando, pessoas lindas! Boa leitura.

Capítulo 9 - Diante dos seus olhos


Fanfic / Fanfiction O Médico Louco - Capítulo 9 - Diante dos seus olhos

No caminho para o Pub Camel, o táxi com John e Sherlock parou na frente da pensão para estudantes de medicina. O médico foi rápido, destravou a porta do carro e correu para a o seu quarto que o recebeu com o pesado ar de mofo provindo de uma colônia acinzentada que aproveitou o curto tempo em que ele esteve fora para alastrar-se meio metro acima da cabeceira da sua cama.

 John estava muito grato de poder voltar para sua casa, com essa satisfação cantando em seu peito ele catou as suas mudas de roupa, o notebook e o seu chá favorito, um tanto negligenciado desde o dia anterior. Ao ver o item o loiro sentiu desejo de um momento para saborear uma boa xícara da bebida, mas Sherlock estava com pressa e se ele demorasse mais um pouco para pegar suas coisas, poderia muito bem ser deixado para trás, vítima de um surto de ansiedade do namorado que aguardava no banco de trás do táxi retorcendo nervosamente os lábios enquanto seus olhos cristalinos denunciavam uma tempestade de informações correndo de modo enlouquecido dentro de sua mente.

            Da pensão, os dois seguiram para o Pub Camel, trafegando por vias um pouco vazias de veículos por conta do acúmulo de neve e do clima frio e desestimulante daquele domingo. Sherlock ia muito silencioso observando o baixo trânsito nas vias adjacentes enquanto o táxi avançava sem embaraço pelas ruas úmidas e cinzentas. Quando chegaram ao Pub, o detetive saiu do veículo com uma velocidade  impressionante, deixando para John a tarefa de pagar a corrida.

            Quando John entrou no Camel agradecido pela sensação térmica ter se elevado alguns graus no interior do estabelecimento, avistou Sherlock no pé do balcão conversando com o gerente do bar que parecia repassar uma informação que não agradou muito o detetive. Antes do médico se aproximar do balcão, o moreno afastou-se a passos largos e encontrando-o no trajeto, tocando seu braço para redirecioná-lo para fora.

– O que foi? Perderam o seu casaco? – John indagou estranhando a rápida permanência do detetive no Pub.

– Não, o Lestrade levou meu casaco ontem à noite. – o homem respondeu já do lado de fora tentando parar um táxi.

– Nossa, foi muito gentil.

– Sim e me fez dar viagem perdida. – o moreno resmungou obtendo sucesso em parar uma nova condução.

– Não seja ingrato, Sherlock. – John repreendeu entrando no táxi logo após o detetive. – O Greg fez um favor guardando seu casaco, a peça está mais protegida com ele do que num cabide qualquer de um bar.

            Sherlock não disse mais nada, acomodou-se no seu lado do banco e caiu novamente em seu silêncio agitado, olhando para os cenários que mudavam através da janela nebulosa do veículo que os levava para o prédio da Scotland Yard.

            Minutos depois os dois resvalaram pela divisão de investigação de roubos e homicídios de Londres, fazendo algumas cabeças se erguerem discretamente, não tão discretamente para olhos como os de Sherlock Holmes, mas ele não estava com ânimo de escaldar ninguém com seus comentários, sua mente estava focada na missão de obter seu casaco de volta e com ele, o Rei de Espadas que teria a segunda parte da informação contida no Às de Copas.

            Greg Lestrade estava empurrando um último gole de café forte garganta abaixo quando levantou a vista para olhar quem abrira a porta da sua sala.

– Olha quem recebo na minha sala tão cedo nessa manhã congelante. – o inspetor comentou sorridente servindo um novo copo de café. – A dupla dinâmica! Café, John? Sherlock?

– Não, obrigado. – o detetive cortou.

– Mas eu sim. Saí de casa sem comer nada, o Sherlock estava com pressa, tomar um pouco de café será muito bom.  – o médico disse pegando o copo oferecido.

– Vejo que fizeram as pazes, fico feliz. – O inspetor afirmou de pé olhando de um para o outro – Ei, o que foi isso no seu lábio inferior, Sherlock? – o homem indagou franzindo a testa observando o pequeno corte com mais atenção.

– Foi o John durante a nossa conversa de reconciliação ontem à noite depois do incidente no bar. – o detetive respondeu com naturalidade.

            O comentário fez John engasgar com o café a meio caminho da garganta.

– Nossa, vocês foram às vias de fato? – o homem inquiriu fazendo um gesto simulado de soco olhando para John que estava tossindo entre um engasgo e outro.

– Sim, mas não o tipo de “vias de fato” que você está imaginando, inspetor. – Sherlock respondeu de forma direta puxando o canto do seu cachecol azul para revelar a marca evidente de uma mordida seguida de um chupão no pescoço comprido.

– Oh... sei... entendi. – Greg falou com o rosto banhado em rubor depois de compreender a que Sherlock estava se referindo sabendo agora a razão do médico ter quase sufocado com seu gole de café.

– Onde está? – Sherlock exigiu.

– O quê?

– Você sabe.

– Ah, sim, seu casaco, você esqueceu ontem no Camel. – Greg comentou enquanto abria a porta de um armário. – Eu ia mais tarde ao seu apartamento deixar para você.

– Muita gentileza sua, inspetor. – o detetive disse recebendo a peça.

– Não foi nada. – Greg responde relanceando o olho para ver se John havia se estabilizado da tosse.

            Sherlock apalpou os bolsos da peça encontrando o que queria com um pequeno sorriso de satisfação. O detetive puxou com um movimento ágil e elegante a carta de baralho e elevou diante dos seus olhos claros analisando o cartão com avidez aquilina.

– Um copo de água, por favor. – o moreno pediu a Lestrade.

– Ah, ficou com sede? – Lestrade perguntou.

– Não é para mim, é para a carta. – Sherlock respondeu impaciente.

– O quê? – o inspetor indagou imaginando ter compreendido errado.

– Me consiga logo o que eu pedi, depois eu explico! – o moreno insistiu revirando os olhos.

            Greg não questionou mais, afinal, depois de anos presenciando os métodos investigativos incomuns utilizados por Sherlock, um pedido como esse não merecia estranheza. Desse modo, um copo com água foi posto sobre a mesa do inspetor que assistiu meio confuso o detetive afundar a carta de baralho no líquido e aguardar alguns segundos com grande ansiedade.

Depois de longos momentos de espera em que os três homens permaneceram em completo silêncio expectante, Sherlock puxou o cartão sacudindo cuidadosamente o excesso de água e colocou-o na palma da sua mão. Mais alguns instantes se passaram à espera de que algo ocorresse. Lestrade estava prestes a perguntar o que raios o detetive estava esperando de uma carta de baralho molhada quando foi cortado pela declaração seca do homem:

– É falsa.

– Falsa? – John perguntou abismado.

– Do que vocês estão falando? – Greg perguntou olhando de um para o outro. – É só uma carta de baralho. O que vocês esperavam dela?

– Que fosse uma Deck Map. – Sherlock respondeu impaciente olhando o cartão molhado por todos os ângulos possíveis.

– Deck o quê?

– Map. – John acrescentou . – Um jeitinho criativo de carregar informações secretas sem chamar atenção caso você seja revistado. Era para a carta ter se separado em duas partes e revelado uma informação. – o médico resumiu.

– Curioso... – Greg murmurou ainda processando o termo.

– Isso não faz sentido... – Sherlock murmurava para si mesmo tendo desprezado a carta sobre a mesa de Greg. – Não faz o menor sentido.

– Parece que o assassino chegou à Deck Map verdadeira antes de você, Sherlock. – John afirmou cruzando os braços.

– E deixou uma pegadinha para trás. – Lestrade concluiu.

– Não. Alguém trocou a Deck Map e não foi o assassino. – Sherlock disse juntando as mãos diante dos lábios.

– Como tem tanta certeza? – John indagou curioso.

– Não te desperta estranheza o fato de Allen ter sido morta sem qualquer sinal de tentativa por parte do assassino de recuperar a Deck Map dela? Por que com Patel seria diferente? Por que ele se preocuparia em trocar a Deck Map dele ao invés de simplesmente removê-la do seu esconderijo?

– A troca pode ter sido feita pelo próprio Patel . – Greg sugeriu. – ele pode ter desejado pregar uma peça em quem quer que se atrevesse a seguir  a pista do que ele estava guardando.

– Não. Tem algo mais aí... ou melhor, alguém mais e não é Charlie Patel e nem o assassino, ele não me parece interessado nas Deck Maps. A ação dele é muito específica: eliminar de forma rápida e eficiente os seus alvos. Nada mais.

– Tipo um matador de aluguel? – o médico indagou.

– Um Spetsnaz soa mais preciso, John. Uma categoria de agentes pertencentes a uma tropa especial de ação do serviço de espionagem internacional russo. São assassinos com experiência em combate real em guerras. Militares aliciados para fazer o serviço sujo para a agência. Isso parece bater perfeitamente com minhas deduções iniciais sobre o assassino, não é mesmo, Lestrade? – Sherlock indagou retoricamente e depois completou. – O assassino deve está trabalhando para alguém que queria Allen e Patel mortos para cessar o contrabando de informações.

– Certo, já temos uma ideia do motivo das mortes, mas ainda estamos diante de três mistérios aqui. – John falou. – onde está a Deck Map verdadeira? O que há nela? E quem matou Rebeca Allen e Charlie Patel?

– Diga-me, John, o que um historiador e uma professora de literatura têm em comum? – Sherlock perguntou andando de um lado para o outro na sala.  

– Ãnh... o gosto pelo estudo?

– Não, livros! Eles necessitam de livros. – o detetive estalou.

– Ok, mas o que tem isso? – O médico indagou curioso.

– Tudo. – o homem disse saindo feito um furacão de dentro da sala de Lestrade sendo seguido pelo inspetor e pelo médico.

– Ei, para onde estamos indo? – John quis saber trotando atrás do detetive.

– Estação Waterloo. – o moreno respondeu tomando o elevador junto com os outros dois homens.

– O que a gente vai fazer lá? – Lestrade perguntou meio desorientado com a súbita animação de Sherlock.

– Visitar um velho local de crime, inspetor. Está carregando seu distintivo?

– É claro que estou.

– Ótimo, pode ser que precisemos dele. – Sherlock respondeu sorrindo.

            O elevador os levou em poucos segundos para o térreo e lá Greg ofereceu carona no seu carro e os três tomaram o rumo da Estação Waterloo, seguindo as orientações de Sherlock. Já no local indicado, John não pôde evitar ficar mais confuso ainda com o imóvel que viu diante deles.

– Por que estamos voltando à livraria de Oscar Hall?

– Quer apostar quanto que nossos os agentes mortos costumavam fazer visitas regulares à mesma livraria? Sim, Jon, eles visitavam a mesma livraria, esta livraria, para ser mais preciso. – o detetive disse apontando a porta que ainda estava lacrada com vestígios de faixas de isolamento da polícia metropolitana para em seguida enfiar a lâmina de um canivete na fechadura.

– Sabia que você está arrombando uma porta na frente de um inspetor da Yard? – John indagou desconcertado.

– Perfeitamente, ele não se importa. – Sherlock respondeu abrindo o acesso resvalando para dentro do local penumbroso.

            John encarou Lestrade que apenas meneou a cabeça rindo como quem há muito deixou de se espantar com alguns comportamentos do detetive.

            Ao entrar na livraria, John percebeu que tudo permaneceu exatamente da mesma forma nos últimos meses. Os livros que haviam caído na segunda visita que os três fizeram ao local permaneciam no mesmo ponto, esparramados e com uma fina camada de poeira acumulada ao longo das semanas.

            Sherlock parou no ponto central da sala, na frente do balcão e relanceou um olhar pelo ambiente como se escaneasse cada canto preliminarmente e então disparou à passos largos e decididos para a velha sala onde havia a habitação particular do falecido Hall.

            Lestrade e John moveram-se para segui-lo, mas John teve sua atenção subitamente atraída para um ponto à três prateleiras de distância e parou para ter certeza do que seus olhos tinham captado rapidamente. 

– O que foi? – Lestrade perguntou olhando para ele.

– Eu pensei ter visto algo ou alguém se mover ali na frente. – o médico respondeu apontando.

– Tem certeza? – Lestrade inquiriu descansando a mão direita no coldre onde sua arma repousava ao lado da sua cintura.

– Não totalmente. – John informou e comprimiu os lábios com o pensamento de que talvez fosse sintoma da estranha paranóia que se abateu nele há poucos dias. – Deixa para lá, pode ter sido só uma sombra vinda de fora.

– É, pode ter sido mesmo. Vamos, o Sherlock deve estar revirando até o forro da outra sala enquanto estamos aqui. – Greg destacou com um pequeno riso divertido.

            Quando os dois chegaram à sala em questão, Sherlock estava puxando as gavetas da escrivaninha do falecido vendedor de livros, olhando cuidadosamente o forro de cada uma até encontrar o que queria: uma gaveta com fundo falso.

– Sério que todo mundo usa esse tipo de esconderijo? – Lestrade perguntou com uma careta lembrando-se que o detetive havia encontrado um esconderijo parecido no escritório da professora de literatura. – Não é muito óbvio?

– Só é óbvio quando você sabe o que está procurando. – Sherlock respondeu acessando o compartimento oculto que revelou um envelope pardo dentro do qual havia dez folhas de papel em branco. – Parece que a senhorita Allen tinha um professor na arte de esconder papéis inúteis.

            O moreno desprezou imediatamente as folhas e catou um lápis dentro do próprio bolso para em seguida esfregar a ponta deitada sobre a superfície amarelada do invólucro que destacou em baixo relevo a seguinte frase: “diante dos seus olhos”.

– O que diabos ele quis dizer com isso? – Lestrade indagou irritado.

– O óbvio, inspetor. – Sherlock respondeu seriamente olhando para frente do seu ponto atrás da escrivaninha por alguns segundos antes de caminhar de forma lenta e calculada para a parede adiante onde havia uma tela floral de cores aberrantes.

            O detetive removeu o quadro constatando que nada havia atrás, mas não desanimou, estendeu seus longos dedos brancos para o papel de parede velho e deslizou delicadamente as pontas pela superfície, fechando os olhos para se concentrar no tato com mais ênfase enquanto John e Lestrade o assistiam com grande expectativa.

            O deslizar gracioso da mão do detetive deteve-se ao centro da parede fazendo pequenos círculos cuidadosos como se buscasse ter certeza de algo, o movimento seguinte foi menos gracioso, Sherlock enfiou a ponta de seu canivete no papel de parede onde sua mão pousara e arrancou o revestimento com um gesto rápido, fazendo um pouco de reboco soltar revelando um Rei de Espadas grudado na superfície da parede.

– O Deck Map verdadeiro! – John concluiu observando Sherlock remover a carta de baralho do ponto onde estava grudada.

– Acredito que sim, teremos certeza depois de molharmos o cartão. – o detetive disse procurando um copo e indo em direção a pia de um banheiro próximo.

            O homem voltou com a carta mergulhada dentro de um copo cheio d’água e o colocou sobre a escrivaninha.

– Você acha que o Patel escondeu o verdadeiro Deck Map aqui depois da morte de Hall? – John perguntou curioso.

– Não. Patel nunca recebeu a Deck Map, Hall lhe deu um baralho comum. Acredito que o homem estava desconfiado da fidelidade dele no esquema de contrabando de informações, certamente temeu que o historiador fosse vender o Map para outro cliente. Hall tinha se comprometido com o MI6, não poderia falhar com a agência, sua vida dependia disso, literalmente.

– Então essas informações estão escondidas há meses? – o loiro inquiriu espantando.

– Exatamente. São informações captadas antes da morte do vendedor de livros, ele delegou a guarda do material aos dois espiões que ele havia agenciado na Inglaterra, mas no último momento, desistiu de delegar a guarda do Rei de Espadas a Patel que escondeu, sem saber, a carta falsa atrás da tela no altar da St. Martin.

– Nossa, o cara morreu de graça. – John comentou.

– Não, John, ele iria morrer de qualquer forma, lembre-se que o Spetsnaz assassino não estava interessado em interceptar informação, mas sim eliminar agentes que estavam vazando informações importantes.

 – Curioso, por que eles não estão se importando em recolher essas informações? – Lestrade quis saber.

– Por que acreditam que ninguém vai atrás delas, não em tempo hábil para aproveitá-las. – o detetive respondeu de forma um pouco sombria mostrando a informação que havia surgido no verso de uma das lâminas de papel que haviam se separado dentro do copo. – Eis que o caso de Oscar Hall, o vendedor de livros, se reabre mostrando-nos uma nova faceta.  – disse erguendo o pedaço de papel com os dados. – Hall era apenas a ponta da lança, inspetor!

            Os três homens olharam com muita atenção para o pedaço de papel erguido. Lestrade coçou a cabeça, muito incomodado com o que ele viu, John ficou de boca aberta e olhos arregalados enquanto Sherlock sorriu com grande animação.

            Um novo mistério surgiu diante deles.


Notas Finais


Em que tipo de apuros nossos meninos estarão se metendo agora, hem? Aguardo as impressões de leitura de vocês!


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