História O Mendigo - Uma Crônica de Natal - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Capítulo Único, Crítica, Crônica, Crônica De Natal, Drama, Mendigo, Natal, Oneshot, Tragedia
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Palavras 1.104
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Festa, Poesias, Romance e Novela, Violência

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Boa tarde, bem... Não tinha planos de posta-la (afinal, é a minha primeira oneshot), por motivos bobos como vergonha e com receio de ser rejeitada (provavelmente ignorada pelos leitores ou leitoras), e não é exatamente uma fanfic, sim, uma crônica de Natal... O tema que eu tinha escolhido foi inspirado numa reportagem que tinha assistido sobre os moradores de rua, e a matéria pesquisou nacionalmente e internacionalmente sobre a séria condição, e fiquei pasma com o resultado... E relembrei da conversa de uma colega minha sobre caridade (quase explodi de raiva) quando ela falou que era só caridosa no Natal, ai pensei: "Estão as pessoas são só boas apenas no Natal? Porque não poderiam ser boas por todos os dias?". Se as pessoas fossem caridosas todos os dias, acho que na minha opinião, o mundo não seria pior e que todos poderiam ter os seus lares... E o tema não foi difícil, pois estava com coração na mão quando mergulhei nos sentimentos do protagonista, pensando: "Ele (o mendigo) poderia ser eu ou alguém próximo de mim".
Ficarei contente pela atenção, só quero que as pessoas entendam que não precisam ser boas somente por um dia só por obrigação, podem ser boas por todos os dias... E serão recompensadas: Por um belo sorriso da pessoa que foi ajudada. Uma boa ação já avança melhor ainda, o caminho de um mundo para o melhor.
Boa leitura!

Capítulo 1 - Capítulo Único.


❝ Só os mendigos conseguem contar suas riquezas. ❞

William Shakespeare.

 

 

O Mendigo – Uma Crônica de Natal

 

 

Os flocos de neve caiam lentamente do céu limpidamente friamente nublado. Oh amável e desesperadora dezembro, o último mês do ano. A última promessa. A última chance. Várias pessoas andavam engarrafadas entre uma as outras, nem chegavam a resmungar um “Me desculpe” e seguir as suas vidas adiante como o mundo girasse a torno de si. Corriam como o tempo fosse curtíssimo, mais se ignorassem as suas redes sociais, talvez, teriam muito tempo para realizar coisas que nunca foram realizadas antes.

Poderiam sim. O tempo não é dono de ninguém, nós que somos os donos do tempo.

O ar cortante que preenchia uma respiração dolorosa a um certo indivíduo, encolhido e embrulhado apenas em jornais, seus olhos pequeninhos mais observadores, analisava cada rosto desconhecido e conhecido, sim, já gravava alguns rostos familiares pela calçada frequentada por muitos. E estes rostos familiares nunca gravava o dele. Suas mãos apertavam fortemente contra o peito, numa tentativa falha de se aquecer, e uma mulher segurava a mão do menino que choramingava alto:

— EU QUERO AQUELE BRINQUEDO! – os olhinhos azuis brilhavam numa estratégia de ganhar o tão desejado brinquedo, um helicóptero com controle remoto, que brevemente será esquecido empoeirado no armário, assim como os outros brinquedos. – EU QUERO!

 — A gente já comprou um IPhone de Natal para você, e ainda uma bicicleta... – a mulher arrastou a criança da porta da loja, e ela avistou o mendigo do lado do estabelecimento comercial, franziu o nariz por conta do cheiro mofado e suor, uma fragrância terrivelmente misturada. Seus lábios curvaram a um sorriso maldoso: – Se você não comportar, vai acabar virando aquele mendigo sentado ali. 

Suas palavras eram como lâminas geladíssimas que machucou verbalmente o mendigo, a mãe do menino mimado não se importara e acreditava que além de ser um vagabundo, também era surdo. Surpreendentemente, o homem do mal cheiro sorriu:

— Use a imaginação... Apenas feche os olhos e sinta-se leve como uma borboleta, e imagine que está no helicóptero. – o mendigo pronunciou. – A melhor brincadeira de criança é se entrar na própria brincadeira, pois, ser criança já faz parte das nossas almas.

— É tão difícil imaginar... – de repente, o menino largou todo o drama feito anteriormente.

— É tão difícil é conhecer. E imagine primeiro, depois conheça. Depende de sua expectativa, criança. – sabiamente, o mendigo tinha razão.

— V-vamos meu filho... N-não pode conversar com estranhos! É um malandro... – a mulher puxou a criança pelo pulso brutalmente, estava pasma com a sabedoria daquele homem, não queria receber uma lição de moral vinda de um mendigo.

O mendigo observou a mulher e o menino irem embora apressadamente, afinal, não era primeira vez que passara por isso. Riu. Muitos que andavam por ali, concluíram que o homem era um drogado. Não podia julga-los, o homem-mendigo sabia disso, já fora uma das aquelas pessoas dali. Já tivera um emprego. Já tivera uma família. Já tivera uma vida. Já tivera tudo.

Foi demitido de seu emprego. Perdeu o seguro-desemprego e até hoje, nunca recebeu o salário, pois, o seu padrão mudara de país. Processos são caros. A esposa o traiu com um empresário sucedido que lembrava o padrão, e os filhos perderam o contato com ele. Não tinha ninguém. A sua idade não ajudava muito bem nos currículos, mais era formado e experiente, infelizmente a juventude reinava o mercado de trabalho. Tentou vários empregos, e nada. Tudo estava perdido. Vendeu a casa e o carro para pagar as contas atrasadas e dividas.

Não sobrou nada. A não ser, a sua fé.

O frio estava o matando, era a época mais fria do ano. Era o quinto ano como mendigo, os abrigos estavam lotados, estão o homem pensou: “Deus, me dá paz”. Luzes coloridas preenchiam pela grande cidade, sacolas brilhantes e Papais Noel caminhavam por todo lado, alegrou-se quando um coral de adolescentes cantaram Noite Feliz para ti, chorou comovido mas logo percebeu que não tinha lágrimas, mais estava chorando de qualquer forma. “Ainda há alguns que possam mudar o mundo” pensou o homem.

Aparentava ter mais de sessenta anos de idade, mais tinha uns quarenta e tanto. Perdera dois dentes, e tinha algumas feridas abertas por conta das agressões provocadas pelos vândalos.

— Oh noite linda, minha bela dezembro e ruas coloridas e natalinas... – cantarolou o mendigo.

Percebeu que várias pessoas caminhavam juntas para a inauguração da gigantesca árvore de Natal, emocionado o mendigo sentiu uma sensação que fora convidado para ver a estrela acender. Levantou-se do lugarzinho minúsculo, fazia tempos que não andava, por isso, sentiu tonto e desajeitado, mais não se importou. Caminhou até a multidão e as pessoas xingaram pelo mal cheiro do homem ou de suas roupas velhas e imundas, quando chegou até a cerca, chorou mas não tinha lágrimas quando vira a árvore. Várias bolas penduradas em cada pontas, cada anjinho pendurado e a estrela. Ah a estrela! Como estava deslumbrante e belíssima.

 — Oh noite linda, minha bela dezembro e ruas coloridas e natalinas. – cantarolou o mendigo, balançando a cabeça de lado para o outro. – A felicidade é única e partilhada, sorriam para a nossa estrela e aos nossos amores que vem e vão...

Todos reclamavam do mendigo, até o próprio prefeito ficou horrorizado e mandou os policiais retirarem o homem-mendigo. Preso na sua canção solitária, não percebera que os agentes policiais viam a sua direção, e um deles acreditava que era um drogado vândalo.

Um bala foi disparada. Cruelmente certeira. Gritos. Sangue. Sorriso. Morte. Paz.

Um dia depois, todos viam aquele lugar a onde o mendigo habitava, ficavam perturbados e ainda sentiam que ele ainda estava ali. A Polícia desculpou pela ação impulsiva e justificava que a aparência do homem era semelhante a de um usuário de drogas.

O sangue era quente enquanto a sua fé que sempre aqueciam o seu coração, no meio daquela neve, caído e os olhos sem vida, todos gritavam. E alguém percebeu que ele tinha sorriso quando a dor fora embora para sempre.

E esse era o seu último Natal, era o melhor presente que recebera em sua vida. A sua lápide não tinha o seu nome, apenas um corpo, apenas um mendigo, e não um homem sobrevivente da sociedade corrompida pela hipocrisia. A eles, morreu como um mendigo e não um homem. Só alguma entidade que poderia testemunhar a sua sofrível história.

Mais pela primeira vez, ele não chorou nem culpou, entendia e sorriu.

Estava finalmente em paz. Em algum lugar do outro lado do além. E era belo assim como a árvore de Natal. Tinha tornado uma estrela, eu acredito que sim.

F I M 


Notas Finais


Obrigada :)
...
Seja bem-vinda Dezembro.


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