História O menino que roubava palavras.. - Capítulo 1


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Categorias A Menina Que Roubava Livros
Personagens Personagens Originais
Exibições 32
Palavras 816
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Capítulo único.


Existem diversas maneiras de me apresentar, mas creio que você já saiba quem sou. Vamos deixar esse pequeno prazer para os humanos, aqui, somos todos iguais. Olhamos para dentro da complexidade do outro e nos vemos nele. Você sou eu, eu sou você. Se quiser saber minha aparência, por favor, sugiro que pegue um espelho.

Geralmente, sou associada a escuridão, ao mal. Me acostumei com a ideia. Já é comum, em todos esses anos, ouvirem pessoas lamentando para mim. Confesso que não tenho pena. É apenas o meu trabalho. Eu não pedi pra trabalhar com isso, não pedi para acontecer. Apenas ocorreu. Assim como a morte dos seres humanos. Eu não tenho culpa sobre o fato, não posso fazer nada a não ser carrega-los. Sejamos francos, você irá morrer. Todos irão. Essa é a ironia da vida. Alguns são lembrados, outros não... E falando em lembranças, a última vez que lhe encontrei foi para contar-lhe a história de Liesel Meminger, não é mesmo?

Acomode-se, pois tenho mais uma história. Liesel era uma roubadora de livros. Vittor era um ladrão de palavras. Pelo menos, é assim que penso. Pois ele me deixou sem nenhuma no nosso último encontro.

Particularmente, alegria era oque não se via no garoto. Sua face estava cansada. Sua mãe estava deitada e não queria acordar. Tinha algo vermelho escorrendo de sua boca. Deduziu ser sangue, mas não podia comprovar. Sentou-se na cama e esperou.

E então, querido amigo, lhe repito agora oque disse anos atrás.

Uma definição não encontrada no dicionário:

Não ir embora: ato de confiança e amor comumente decifrado pelas crianças.

Vittor sabia. Sua mãe o deixou porque não o amava. Ele ainda não sabia ler, porém, pegou a carta de suicídio da mãe e rasgou-a no meio.

Tomado pelo ódio de eu ter tirado a vida da sua pobre mãe...

Mas oque ele veio a descobrir, anos depois, foi justamente o contrário. Sua mãe me procurou. Se demitiu da vida e pendurou um cartaz em seu pescoço, "sinto muito, não fui boa o suficiente".

Mas de que adianta essas palavras se o garoto não conseguia ler?

A carta foi obliterada por um menino profundamente tomado pelo ódio.

Entrei no quarto e a mãe se encontrava sentada na cama, olhando para o garoto, que ainda destruía o pequeno pedaço de papel.

Lembro-me das palavras dela.

"Eu só queria que ele fosse feliz."

Estiquei minha mão e a puxei para a janela.

Estava quase saltando quando ouvi um pequeno sussurro.

"Onde está indo?"

Olhei para trás e o garoto me encarava. Olhando-me friamente.

"Porque fez isso?"

Ele perguntou. Apenas acenei pra ele, para comprovar que ele estava me vendo.

Ele não acenou de volta.

"Porque está acenando? Você está levando embora minha mãe e acenando para mim? Oque pensa que é?"

Fiquei surpresa diante do garoto, que pelo visto, não sabia quem eu era.

Apenas pulei a janela e sai andando calmamente pela rua levemente molhada, devido aos indícios de chuva.

Já lhe contei que amo quando o céu fica escuro? Cor de chocolate-escuro. Dizem que ele condiz comigo. Tudo bem, sei que já lhe contei. Eu estava apenas tentando relaxar. Ao contrário de Liesel, o garoto morreu naquela mesma tarde. Busquei-o, com pesar do que ouviria. Ele havia se atirado da janela ao ir atrás de mim e da mãe. Duas almas de uma vez só.

O peguei no colo, em seguida, colocando-o no chão com cuidado.

"Lembra de mim?"

Perguntei casualmente, crente de que a resposta seria positiva.

"Você levou minha mãe."

O olhei.

"Trágico o modo como fomos apresentados.".

Ele não respondeu. Geralmente, não converso com as almas, mas gostava da companhia dele. Tentei puxa-lo de volta a conversa.

"Porque se jogou? "

Perguntei, sem mais delongas.

"Não."

"Não oque?"

Eu não costumava fazer isso, mas me peguei com vontade de saber mais. Curiosidade... Argh. O ponto fraco dos humanos.

"Não vou lhe falar".

"Porque se jogou?".

"Por favor, pare de perguntar. Eu sei que você sabe."

Ele rebate, quase no mesmo instante.

O garoto tinha a sã consciência de que eu conseguia olhar claramente através de sua alma. Enxergar todos os seus segredos. E ali vi a "vida morta" do pequeno menino. Era terrível. Ele iria ser mandado para um sanatório em poucos dias. Lembrei-me de Rosa Hubermann, ela sim deveria ser internada em um sanatório. Mas isso não importava. Rosa já havia morrido há 70 longos anos. Surpreendente o modo como as coisas que nos interessam ficam em nossas cabeças, não?

O garoto me encarava. O olho de volta.

"Você é especial."

Digo, espantando tanto a mim quanto a ele. Não esperava ouvir aquelas palavras saindo de minha boca. Ambos surpreendidos.

"Sinto muito, mas você ficará aqui".

Eu disse, o pegando no colo novamente.

"Obrigada".

O menor sussurrou.

O olhei sem entender.

"Obrigada por ter tirado minha vida. Foi a melhor coisa que já fizeram por mim".



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