História O meu mundo Ice and Fire - Capítulo 14


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Magia, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Universo Alternativo
Avisos: Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 14 - Sansa II


Fanfic / Fanfiction O meu mundo Ice and Fire - Capítulo 14 - Sansa II

Sansa II

As conversas com Lady Olenna a revigoraram. Juntas lembravam de Margaery e tentavam sanar suas dores e perdas enquanto comiam bolos. Assim como Sansa, a mulher havia perdido tudo. Ambas haviam perdido suas famílias,  Lady Olenna muito mais do que ela. Sansa ainda tinha Arya e Jon. E até onde sabia, Bran poderia estar vivo. A possibilidade de perdê-los a aterrorizava. Ela os amava, além do que poderia imaginar.

Após passar um tempo com a Rainha dos Espinhos, resolveu verificar como estavam as pendências do Castelo. Essa era sua nova tarefa, Jon estava preocupado com as guerras que viriam e com a aliança que em breve faria. Arya perambulava com seus lobos ou com espadas. Restara ela. Jon a chamava de Senhora de Winterfell.

A relação entre os dois havia melhorado muito. Sansa se arrependia, diariamente, da forma como havia desprezado Jon por seu nascimento. De como o tratava. Em sua cabeça, tinha a postura correta, ao menos ela deveria honrar sua mãe. Mas Jon era inocente,  ele não tinha culpa de nada. Rob, Arya, Bran e Rickon nunca viram qualquer diferença. Jon era irmão deles. No entanto, para ela,  Jon era lembrança de que o seu pai havia desonrado sua mãe.

Quando se passava pela bastarda de Lorde Petyr, ela podia perceber a forma como olhavam. O desprezo que sentiam. Os homens a tinham por puta, afinal, para que serviria uma bastarda,  ainda mais de Petyr. Todos que não sabiam quem ela realmente era a tratavam da pior forma possível. E a cada ofensa, ela sentia que merecia. Ela lembrava de como havia sido injusta com Jon.

Quando ela o viu no Castelo Negro. Ele não hesitou, ele veio em sua direção, talvez espantado com visão horrenda da irmã que a muito não via. Seu único momento de insegurança foi se deveria ou não abraçá-la. Quando ela, sem qualquer arrependimento, pulou em seus braços, a forma como ele a abraçou, em tempos ela não se sentia segura. Com Jon ela estaria protegida.

Ele era mais doce do que ela podia lembrar. E a cada dia estava mais parecido com o seu pai. Apesar de saber que ele não é seu irmão, Jon sempre fora o mais Stark. Se fosse filho de Ned não seria tão parecido.  Ela não queria perder Jon, não novamente. Ela queria sua família com ela. E Jon, ele era a sua família. Ele sempre a protegeria.

Ela sabia que havia agido errado quanto ao apoio do Lorde Petyr. Em parte, era a vergonha que sentia ao ter recorrido ao homem que a entregara aos Boltons. Por outro lado, não queria dizer ao Jon que certamente o homem viria por que a desejava, e porque provavelmente a usuaria como um meio para alcançar o que buscava. Ela não era mais inocente. Eles haviam lhe roubado isso. Ela não poderia fazer o mesmo com Jon. Ela não poderia contar para ele como ela havia sido quebrada. A forma como Ramsey a violentava e fazia com que Theon assistisse.

Ela não podia dizer que por sua estupidez seu pai havia morrido. Que ela havia mentido para salvar Joffrey e isso havia lhe custado Lady. Ela não poderia contar para ele que,  mesmo após ver quem realmente era Joffrey, ela pretendia que ele era bom. Ela não podia contar que enquanto estava em Porto Real, foi novamente tola ao pensar que poderia se casar com um Tyrell e morar em Jardim de Cima. Ela não poderia contar que sua tolice era a única culpada por ter sido torturada por Ramsey. Ela podia ter fugido com Brienne, ao invés, achou que era mais esperta.

Mas a menina tola morrera nas mãos de Ramsey. O homem estava morto, mas as marcas em seu corpo ainda existiam. Algumas ficariam para sempre.

Naquele dia andou por todo o castelo, verificou tudo o que havia para ser feito. Alinhou detalhes com Sor Davos. Teve que convencê-lo a tolerar Melissandre no Castelo,  explicou que fora Lorde Hownland Reed quem pedira. O homem se conformara, mas aquilo o estava destruindo, ela sabia. Uma hora ele explodiria.

Ela queria empatizar mais com o homem, afinal a mulher a havia matado uma menina. Mas ela não conseguia, em sua mente,  a única coisa que pensava é que se não fosse por ela, Jon estaria morto. Mas ela definitivamente não gostava da forma como a mulher olhava para Jon. Nem como, por inúmeras vezes, entrava em seu quarto à noite. Ela já havia percebido e isso a deixava irritada. Desde que a mulher retornara a Winterfell, suas visitas ao quarto de Jon, à noite, estavam mais frequentes. Naquela noite ela os confrontaria. Jon não podia fazer isso. Ainda mais se pretendesse se casar com a Rainha Targaryen.

Jon se casaria em breve. Ela sabia. Não havia nada para impedir essa aliança. Ela perderia Jon. Isso a atormentava.

Resolveu deitar-se mais cedo naquela noite, estava cansada de entreter pessoas. Pediu que lhe preparasse um banho. Enquanto se banhava, Arya entrou em seus aposentos.

- Por que fugiu do banquete?

- Não estava com muita vontade de celebrar. Não vejo motivos para isso. Em breve estaremos casando Jon.

 

- Possivelmente.  Ele diz que não busca uma aliança por casamento, mas ouvi dizer a mulher é linda. Com seus cabelos prateados e seus olhos violetas.

- Além do mais,  Jon agora é rei. Ele precisa casar e deixar herdeiros.

- Nem todos os casamentos arranjados são ruins, Sansa. Nossos pais foram felizes.

 

- O que os nossos pais tiveram é raro, Arya. Não seja tão otimista. Não sabemos nada dessa Rainha. E se ela for louca como seu pai. Se ela mandar que um de seus dragões o mate. Se ela o tratar mal. Se ela nunca o amar.

 

- Primeiro, eu não acho que ela matará Jon com um dragão. Aliás, talvez Jon possa montar um dos dragões. Imagina!

 

Os olhos da irmã brilhavam ao falar da Rainha e de seus dragões. Para Arya,  o casamento seria ótimo. Ela não via problemas, via apenas dragões e vitórias.


 

- Que seja, Arya! Somos diferentes mesmo. Será que você pode me deixar terminar meu banho.

 

Não queria ser rude, Sansa. Apenas acho que você está se preocupando demais com Jon. Ele sabe se proteger. E eu realmente acho que eles podem gostar um do outro. Lorde Tyrion a admira muito. Talvez eles possam ser felizes.

 

- Talvez, Arya. Mas eu não consigo acreditar em finais felizes. Não mais.

Arya saiu do quarto, com um olhar de quem acabara de perder uma batalha. E ela sentia-se, a cada segundo, mais sozinha e mais desolada. Perderia Jon para a rainha com cabelos prateados. Mas porque isso a preocupava tanto. Por que ela se importava com Melisandre no quarto de Jon.

Estava se secando, quando, mais uma vez,  sua porta havia sido aberta.

- Arya, eu já pedi para me deixar sozinha.

Esbravejou em um tom mais alto do que gostaria. Ela estava com parte de suas costas nuas, seu corpo e suas marcas estavam à mostra. Ela não queria que irmã visse suas cicatrizes.

- Desculpe, Sansa! Eu não imaginava.  Eu deveria ter batido na porta e eu certamente não deveria ter acompanhado Tyrion e Tormund enquanto bebiam.

- Jon!

Ela se vestiu enquanto o rei cambaleava. Nunca havia visto Jon bebado na vida, havia achado engraçado, até.

Ele se sentou na cadeira próxima a lareira, parecendo não se importar com as roupas que Sansa estava vestindo.

Ela se aproximou para tentar ajudá-lo, e ele ficou olhando atentamente as parte descobertas do seu corpo, em especial, a parte do seios que ainda possuíam algumas cicatrizes.

- Perdão, Sansa! Eu deveria tê-la protegido. Eu deveria ter feito algo.

 

- Não havia nada que você pudesse ter feito. Eu escolhi casar com ele. Eu poderia ter fugido com Brienne. Mas eu preferi confiar no Mindinho. Isso não é sua culpa, é minha.

Ela estava agachada em sua frente, e ele olhava com os olhos mais ternos do mundo. Ele era doce,  como nunca nenhum outro homem havia sido. Ele era bonito, ela nunca havia pensado nisso.

Ela o ajudou a se levantar, mas ele havia bebido demais, fazendo com que ambos caíssem na cama. Ela conseguiu se desvencilhar do corpo de Jon e o deixou dormindo. Pensou em procurar outro quarto para dormir, mas preferiu ficar na cadeira velando o sono do seu rei. Adormecera a beira da lareira, olhando Jon em sua cama.

Na manhã seguinte, ela acordou antes dele, ele seguia em sua cama, dormindo pesadamente. Ficou, por algum tempo, analisando cada detalhe do seu resto, e o movimento de sua respiração. Pensou em tudo o que haviam passado até aquele momento. Por fim, pensou,  na sorte da Rainha Targaryen, ela teria um bom homem ao seu lado. Ao contrário de todos os homens que passaram pela sua vida.

Sansa sentia que invejava a rainha que ela sequer conhecera. Invejava seu status,  sua força, sua tão famosa beleza e, acima de tudo, invejava o fato de que Jon seria dela. Ela, que passou sua vida o desprezando, que passou sua vinda pensando em príncipes galantes e cavaleiros bravos. Em homens honrados. E, ao seu alcance, sempre esteve Jon. O menino bastardo que ela passou a vida repudiando.

A ironia do destino a afetara de uma forma surpreendente. Não conseguia parar de pensar em sua vida,  na proposta de Mindinho. Ela sabia, ela não prejudicaria Jon. Ela não queria ser a Rainha do Petyr Baelish. Ela queria, ela sabia o que ela queria, mas admitir doeria ainda mais. Para ele, ela não passava da sua irmã mimada, que com o tempo, havia sido uma vítima de homens horrendos. Ela podia sentir seus olhos cheios de piedade. Ele nunca a veria da forma como ela o via.  Ela sabia, ele se casaria com bela mulher de cabelos prateados.

Seus pensamentos foram interrompidos quando Jon acordou. Ele estava, notavelmente, envergonhado pelo seu comportamento na noite anterior.

- Sansa! o que você faz aqui?

- Esse é o meu quarto, Jon. Você estava levemente embriagado na noite anterior, aparentemente por culpa do Lorde Tyrion e de Tormund.

 

- Sete infernos! Desculpe, Sansa. Eu não queria incomodá-la, na verdade eu nem sei porque vim até aqui. Por que não fui para o meu quarto.

- Melisandre.

 

- o que tem a mulher vermelha?

- Ela estava novamente no seu quarto?

 

- Desculpe, Sansa! Pelo jeito tenho inúmeras razões para me desculpar. Eu não deveria desrespeitar você e Arya. E eu certamente não deveria ter vindo até o seu quarto, eu certamente não deveria ter cedido à Melisandre.

 

- Você e ela?

 

- Não é exatamente o que você pensa.

- Não? eu não sou inocente, Jon.

Ela respondeu,  tomada uma raiva que nem ela mesma conhecia.

- Você, muito em breve, estará comprometido com a sua rainha dragão. Não deveria desrespeitá-la deitando com a vadia de Stannis.

 

- Você está certa. Isso não se repetirá.

Ele sentou na cama, cabisbaixo, claramente envergonhado de sua atitude.

 

- Desculpe, Jon. Eu não deveria ter gritado com você. Você é o Rei,  você sabe o que está fazendo. Eu sei que ela o salvou, mas eu não consigo confiar nela. Eu sei, você vai dizer que eu não confio em ninguém.

 

- Você realmente não confia. Mas em relação isso,  você está certa. Lady Melisandre não é confiável. E eu não deveria ter dormido com ela. Mas a mulher sabe ser insistente e eu cedi. Eu não resisti da forma que deveria.

 

- Desde quando você e ela?..ela não precisou concluir a frase.

 

- A primeira vez que ela me procurou foi quando eles chegaram ao Castelo Negro. Logo após eu ser escolhido como Lorde Comandante. Mas eu não podia, eu tinha um voto e eu, eu, não havia me recuperado de Ygrite. Sua morte ainda era recente. Depois, aqui, agora quando retornou. Eu estava confuso. Eu não era mais quem eu imaginava.

 

- Ygritte. Tormund falou sobre ela. Você a amou, não?

 

- Sim, mais do que eu imaginei que seria possível. Mas ela morreu lutando uma guerra estúpida. Foi ela quem me mostrou que nós não somos diferentes das pessoas que nasceram do outro lado da muralha. Eles, ao seu modo, são tão dignos quanto nós.

O povo livre tem suas regras. Ygritte era livre para o escolher o homem que quisesse, ninguém a obrigaria a se casar. E caso o fizessem, ela lutaria.

Seus olhos ficaram tristes ao falar da mulher, sentia que ele a havia amado, talvez ela tenha sido o seu primeiro amor. E ela havia morrido em seus braços. A selvagem que Sansa jamais conheceria e que, de certa forma, invejava por ter tido Jon.

Invejava a forma como Jon se referia a ela. Nunca ninguém a havia amado, ela havia sido desejada, cobiçada. Mas nunca amada. Seu corpo havia sido violentado, ela nunca havia experimentado o toque suave, o olhar a apaixonado.

- Como ela era? Era bonita?

 

- Ela não se vestia como uma Lady, Sansa. Mas à sua maneira, sim, ela era bonita. Ela era ruiva, assim como você. Sabia que eles chamam ruivos de Beijados pelo Fogo. Ele riu,  enquanto tocava no cabelo dela e tentava desconversar o assunto.

 

- Você de fato de gosta de ruivas! Resolveu brincar para quebrar a tristeza que havia trazido ao rosto de Jon.

 

- Ele riu de sua piada. Ainda estava desconfortável por sua indiscrição, ela percebia. Mas a brincadeira trouxera um lindo sorriso ao seu rosto.


 

- Talvez eu devesse procurar uma Tully. Ele a beijou na testa, suavemente e se retirou do quarto.

 

O vazio que ele deixou ao sair era similar ao vazio que sentia ao pensar que em breve ele não estaria mais Winterfell. Que ele travaria guerras e, ao fim,  seguiria para Porto Real e reinaria ao lado de sua rainha de cabelos prateados.

-Talvez ele devesse ir atrás de uma Tully. Pensou. 

Deitou em sua cama, onde antes Jon adormecera. Ainda era possível sentir seu cheiro na cama. Ficou ali por um tempo, até que Arya a interrompeu.

Dragões se aproximavam de Winterfell.

 



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