História O meu mundo Ice and Fire - Capítulo 15


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Magia, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Universo Alternativo
Avisos: Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 15 - Tyrion II


Fanfic / Fanfiction O meu mundo Ice and Fire - Capítulo 15 - Tyrion II

Tyrion II

 

Já havia passado mais de uma semana desde a última vez que havia visto sua rainha e seus dragões. Da última vez que isso acontecera, ela retornara com um exército ainda maior. No entanto, dessa vez, ela estava em terras desconhecidas, com perigos que nem ele entendia direito. Sua fisionomia a entregava, Targaryens eram bastante conhecidos em Westeros. Seus dragões e cabelos prateados não seriam confundidos em meio a multidão. Até onde sabia, Cersei faria o possível para matá-la,  e Euron poderia estar a sua espreita. Podia tê-la como sua refém. Isso o aterrorizara.

Após o desaparecimento da Rainha, ele havia decidido dividir seu exército, se estivessem todos juntos, correriam um risco muito maior. Yara,  junto com os Dothrakis e Martells seguiram para Pedra Dragão. Uma pequena comitiva havia recebido a incubência de achar a Rainha, liderada por Verme Cinzento, Theon Greyjoy e algumas serpentes de areia. Tyrion pensou em uma série de piadas sobre a “comitiva dos sem pau” que iam em busca da rainha. Mas eunucos eram maioria, e Tyrion achou melhor guardar seu humor para si mesmo, não queria ser anexado ao grupo dos Sem Pau, mesmo que, nem lembrasse a última vez que o havia utilizado a não ser para mijar.

Seu regimento era comandado por Rato Branco, segundo no comando dos Imaculados; e  Missandei,  a quem Tyrion valorizava a companhia e as opiniões. Imaginava que menina poderia ser útil em Winterfell. Além deles, Lady Olenna e Varys, Tyrion não conseguia imaginar qual dos dois era pior, a aranha ou Rainha dos Espinhos. Não podia negar,  ao menos, dessa vez,  ele tinha com quem conversar. Os dois eram excelentes companhias, Missandei já havia se acostumado as piadas, só não havia despertado o mesmo interesse que Tyrion pela bebida.

Ele sabia que em breve aportariam e começariam sua jornada de um dia até Winterfell. Ele não imaginava como seria recebido. Pior, ele sequer imaginava que negociação teria agora. Sua rainha estava sumida. Todos os dias pensava que seria o dia em que ela voltaria ou, então, que descobriria que ela estava perdida para sempre e seus dragões com ela. Drogon possivelmente estava morto, ao menos era o que parecia quando ele havia caído no mar. Ela poderia estar procurando, ela não desistiria de seu filho. E isso poderia lhe custar sua própria vida.

Ao contrário de Tyrion, Varys não parecia inconformado com a situação, ao contrário. Em sua mente novas teias eram traçadas. Ele não estava sem esperanças, ainda tinha o Rei do Norte,  que poderia, muito bem, ser o último Targaryen. Isso se as lendas fossem verdade.

- Meu pequeno Lorde Mão, não se preocupe! Eu imagino que a sua rainha esteja viva e logo retorne. Mas,  se porventura, estiver sob o controle de Euron ou de sua irmã,  podemos convencer o Rei do Norte a salvá-la, temos exércitos e com ela, Dragões. Imagino que ele precise muito dos dragões. E esse ato heróico pode muito bem conquistar mãe dos dragões.

 

- Se você sempre soube que o bastardo de Ned era um príncipe,  porque raios atravessou o oceano em busca da última mulher Targaryen. Não consigo entendê-lo, Varys. Você parece  tão confortável com o bastardo naquele maldito trono.

 

- Meu pequeno lorde, eu quero o melhor para o reino. Eu nunca lhe escondi isso. Sim, é verdade, eu já sei há algum tempo sobre a origem do Rei do Norte. Mas não havia nada que eu pudesse fazer pelo rapaz. Ele havia jurado sua vida a patrulha da noite, o homem que o criou, o senhor da casa Stark, havia perdido sua cabeça em Porto Real. Rob começou uma guerra, deixou o norte independente, e morreu cruelmente sob as artimanhas do seu pai. Winterfell e o Norte estavam perdidos. Que bem faria localizar o bastardo e lhe contar sua origem.

- Esses últimos Targaryens são surpreendentes, não. O menino que era um simples bastardo, conseguiu ser lorde comandante. Conseguiu unificar povos. Conseguiu  retomar sua casa. E mesmo sem um nome, mesmo sendo bastardo, foi coroado Rei do Norte e está disposto a lutar uma batalha que sequer lhe pertence. Muitos reis se acovardariam.  

- Eu quero ver os dois juntos, governando. Os dois merecem. No entanto, se a Rainha sucumbir, eu farei o que estiver ao meu alcance para que Jon Snow,  Jon Targaryen ou Jaeherys Targaryen sente naquele trono. Curioso o nome que Rhaegar escolheu para ele, não. O Rei conciliador.

 

- Ela está viva, Varys. E não esqueça,  seus exércitos seguem ela, não ele. Não um sobrenome. Sem ela, não há exército e nem Dragões.

 

- Exércitos seguem poder e força. Dragões seguem o sangue dos Targaryens. E o Rei do Norte tem os dois.

Tyrion estava cansado daquela conversa. Não que ele não gostasse do bastardo, mas ele era o Mão da Rainha. A menina havia sofrido tanto, passado por tanta coisa, finalmente chegara a Westeros e sequer teria oportunidade de se aproximar do que a trouxera até aqui. Sequer pisaria no local onde nasceu. Não achava justo. Mas justiça, justiça, não era algo necessariamente real.

Desceram de suas embarcações e seguiram até Winterfell. Ele nunca havia sentido tanto frio, malditos Starks, o inverno não estava mais a caminho, havia chegado e estava congelando suas bolas.

Nunca havia visto Missandei com tantas roupas e peles, Lady Ollena havia conseguido roupas mais adequadas para a menina e para Rainha. Westeros tinha um clima bastante diferente do que Missandei estava acostumada. Em Meereen um homem poderia morrer de calor,  o sol era quente, as vezes, escaldante. Em Westeros, especialmente no Norte, não havia mais sol,  ele ficava escondido entre as pesadas nuvens que jorravam seus desalentos em formato de água congelada. A menina gostara da neve, ele pôde perceber. Mas o contentamento foi logo substituído pela crueldade do frio.

Em sua comitiva, ninguém jamais havia experimentado tal clima. Em Westeros era comum ser dito que no inverno, apenas os nortenhos acham seus caminhos. O Norte era difícil de ser controlado, em parte,  pela animosidade trazida por seu clima. Era imenso e perigoso.

Os imaculados, com roupas que mandara fazer especialmente para a temperatura, eram os que pareciam estar mais confortáveis. Mas os soldados haviam sido treinados para não demonstrar nada, não sentir nada.

Malditos nortenhos. Não entendo porque não transformar em seis reinos e deixar o norte com seu maldito frio, seus malditos mortos vivos. Praguejou a Rainha dos Espinhos.

Tyrion havia esquecido a imponência do Castelo construído por Bran, o Construtor. Os Stark eram uma família antiga, com origem nos primeiros homens. Muitos diziam que o castelo possuía, em sua construção, propriedades mágicas e que as torres foram construídas com o auxílio de gigantes. Da primeira vez que estivera ali, magia era algo em que jamais acreditaria. Mas naquela época não haviam dragões e nem mortos vivos.

Quando se aproximava do portão, lembrava de como o destino da família havia sido selado no dia em que Robert pisara em Winterfell. No dia em Ned aceitara ser Mão de seu amigo e levara consigo suas meninas. O dia em que seu bastardo foi para a muralha e talvez, por isso mesmo,  tenha se salvado.

Ele sempre se perguntara o porquê de Ned não ter levado consigo seu filho bastardo, seria bom ter mais pessoas em que pudesse confiar. Mas a resposta era clara, a patrulha o protegeria de Robert e de qualquer rei. O bastardo havia abdicado de seus títulos. Mas o menino morreu e, com isso, encontrou sua liberdade fora da Patrulha, e foi coroado Rei do Norte. E se dependesse de Varys, logo seria rei de Westeros.

Apareça,  Dany. Me surpreenda novamente. Chegue montada em seu dragão.

As portas de Winterfell se abriram, os soldados montaram acampamento em um parte mais isolada do castelo,  sua comitiva principal foi levada ao Rei do Norte e a Senhora de Winterfell. A última vez em que se estivera naquela situação,  Rob era o senhor do castelo.

O bastardo tinha porte de Rei, não podia negar. Sentava-se no centro, tendo a sua volta as suas irmãs, ou melhor,  primas. Lady Sansa estava mais linda do que conseguia se lembrar. Mais altiva, o tempo a fizera amadurecer. Lembrava e muito sua falecida mãe. Do outro lado, ele imaginava ser Arya. Não lembrava muito bem da menina, mas era parecida com Jon. Os mesmos cabelos negros e olhos cinzas. Ele estava confortável ao lado delas, era perceptível.

- Vossa Majestade!

- Obrigado por nos receber, espero que tenha recebido meu corvo.

- Lorde Tyrion. Recebi sim, esperava apenas que sua comitiva fosse menor, receio que não poderei acomodá-los tão bem. O inverno chegou e, infelizmente,  não tenho provimentos para suprir seus soldados, a não ser que se comprometam com a minha causa.

- Não se preocupe com a alimentação, os novos aliados da Rainha Daenerys Targaryen estenderam sua bondade ao norte. Os Tyrell são grandes amigos e a Campina abastecerá a todos. Receba esses alimentos como um gesto de boa vontade.

- Agradeço a gentileza. Mas não imagino que a sua vinda até aqui seja apenas para nos entregar comidas.

- Não, vossa graça. Gostaria, se a sua alteza me permitir, de uma conversa privada. Onde poderíamos encontrar termos que agradassem ambas Casas. Não precisamos travar uma guerra,  quando podemos nos unir, e vencer várias.

Direcionou-se a mesa e cuprimentou as mulheres Stark.

- Lady Sansa, fico feliz em vê-la bem e em Winterfell novamente.

 

- Obrigada, Lorde Tyrion.

 

- Imagino que seja Lady Arya. Confesso não lembrar muito bem.

 

- Lorde Tyrion. Bem-vindo a Winterfell. Espero que a sua estadia seja agradável. Mas, lembre-se, eu estou muito distante da menina que precisou fugir de Porto Real. Eu não esqueci o que sua irmã fez a minha família. E eu não quero nenhum bem para ela.

 

- Imagino, então, que temos muito em comum,  Lady Arya. Cersei morta seria uma boa notícia.

A menina o impressionou.  Era forte, determinada. E definitivamente não se vestia como uma lady.

A fidelidade das pessoas próximas era semelhante às dos que juraram lealdade a Daenerys. Podia sentir a similaridade. Ao lado do Jon estava sem lobo, muito maior do que da última vez que tivera visto o animal. Arya também tinha um ao seu lado.

Em pé, nas extremidades da mesa,  estavam Lady Brienne. Tyrion lembrava dela, a mulher que Lady Catelyn Stark tinha confiado para entregar Jaime em troca de suas filhas. E a mulher estava ali, protegendo e cumprindo sua promessa.

Varys estava bem informado, com poucos detalhes a mais,  ele havia feito um belo retrato da situação da Rei do Norte.

Reparou também num homem que não lembrava ter visto, assim como, um amontado de lordes das casas vassalas e os homens que, com base em suas vestimentas, deveriam ser selvagens.

- Será que vossa alteza se importaria se pudéssemos descansar um pouco antes da nossa conversa. Nossa viagem foi longa,  decidimos vir diretamente para Winterfell.

 

- Fique à vontade, Lorde Tyrion. Sor Davos e Lady Sansa irão acompanhá-los até o seu quarto.

- Sor Davos? perdão,  não lembro de tê-lo conhecido.

Eu acompanhava o Rei Stannis Baratheon. Imagino que, a não muito tempo, estávamos todos em lados opostos. Lady Sansa me contou que a proeza com fogo vivo era sua. Que o senhor foi um dos responsáveis por proteger Porto Real, e que o seu reconhecimento havia sido uma tentativa de assassinato.
 

- Lady Sansa parece saber mais do que aparenta. O senhor estava na baía?

 

- Sim, com meu filho. Vi nossos barcos queimando,  assim como meu filho.

A cara do homem era gélida. Tyrion se arrependeu amargamente da conversa iniciada.
 

- Isso está no passado, Lorde Tyrion. Os reis pelos quais lutavámos já morreram. Espero que o nosso destino nos torne aliados, e não inimigos novamente.

O homem o deixou no que seria seu quarto pelos próximos dias. Tyrion apreciou a calor emanado pelas paredes, eram assustadoramente quentes. Um banho havia sido preparado. Foram tantos meses em barcos e, depois, em cavalgada no intenso frio do norte, que o banho quente era muito bem-vindo.

Pode relaxar, até ser interrompido por Varys.

- Lorde Mão.

- Varys, que raios faz aqui. Um homem não pode sequer tomar um banho em paz. Você não consegue ficar longe de mim por uma hora que seja.

- Achei que o senhor gostaria de saber que a Rainha está bem, em Pedra Dragão. Furiosa com fato de ter despachado uma comitiva atrás dela e por ter trazido metade de suas forças para o Norte.

- Aparentemente ela virá para cá.
 

- E seus dragões?

 

- Chegou apenas com dois dragões. Receio que tenhamos perdido Drogon.
 

Na manhã seguinte, partiu em busca do rei. No caminho, seu fiel amigo lhe contara que muito provavelmente o Rei do Norte já soubesse do seu passado.

- Meu pequeno lorde, antes de conversar com rei,  imaginei que devesse saber que ele provavelmente saiba quem é. Encontrei Lorde Howland Reed aqui em Winterfell, embora o homem seja bastante calado, a forma como se referia ao Rei e à Lyanna. Sabia que esse era o vassalo que estava com Ned no dia em Lyanna morreu?

 

- Obrigado, Lorde Varys. Siga caminhando por Winterfell. Descubra se ele pretende casar com alguém. Fique atento também às investidas do Mindinho com Sansa. Aliás, não o vi em Winterfell? Descubra se ainda está aqui? Se não, descubra onde ele está e o que está planejando. Você mesmo me lembou, certa vez, que devemos ficar de olho no homem. Um alguém que veio do nada, conseguiu um nome e um castelo. Um homem que conseguiu ter controle de um grande exército. 

Se Jon virar Rei dos sete reinos, Sansa será a herdeira de Winterfell. E não acho prudente que o norte fique nas mãos do Mindinho.

- Perdão, meu lorde. Mas não seria o senhor o marido de Sansa?

 

- Nós nunca consumamos o casamento e ela casou com um Bolton, lembra?

 

- Sim, eu lembro. Mas pelos deuses vocês ainda são casados. Quem irá provar que o casamento não foi consumado. Entendo que o senhor é o marido de Sansa e isso pode ser interessante caso essa seja a intenção de Mindinho. Mas descobrirei onde ele anda e quais são os seus planos.

O aranha se afastou e seguiu com seus passos suaves em busca de mais suspiros. Era admirável, não importasse o local, o homem sabia como buscar informações.

Não lhe agradava a ideia de forçar Sansa em um casamento com ele novamente. Mas lhe agradava, menos ainda, a possibilidade de Mindinho ter o Norte em seu controle.

A menina já havia sofrido tanto.

Enquanto caminhava até o grande salão em busca do Rei, passou por Sansa, que conversava com a Lady Olenna. Se conheciam desde Porto Real, e os Tyrells talvez tenham sido um dos poucos que a trataram bem. Cumprimentou-as gentilmente, e seguiu seu percurso. Sentia que Sansa queria lhe dizer algo, mas ele tinha pendências mais urgentes a tratar. Até onde sabia, sua rainha podia chegar em breve em Winterfell. Queria, ao menos, ter falado com o Rei antes.

O Rei não estava no grande salão, estava no pátio, treinando com meninos que pretendiam ir para Guerra. Entre eles, Tyrion  percebeu alguns imaculados. Missandei ajudava na tradução, enquanto ambos aprendiam e compartilhavam estratégias. A contragosto de todos, o Rei e Rato Branco resolveram duelar.

Tentou descer o mais rápido que suas pernas permitiram. Imaculados nunca perdem, e não queria ver o Rei morto por um dos homens de sua rainha. Quando chegou, ambos riam enquanto Jon Snow levantava o homem.

Ele era gentil. Não se prevalecia de seu título. Lutava com honra e os anos na patrulha o haviam o tornado um guerreiro melhor, podia ver.

- Vossa majestade,  será que poderíamos conversar?

 

- Sim,  Lorde Tyrion.

 

Entregou seu posto a sua Irmã e pediu para que Rato Branco fosse gentil. Brienne estava a volta para garantir que nada acontecesse,  percebeu o olhar que haviam trocado.

 

- Não precisa maneirar,  não. O Jon acha que sou uma menina frágil. Lute comigo como lutou com ele, e prometo que não lhe machucarei, tanto! Riu a menina.

Tyrion pôde perceber que audácia da Stark agradava e preocupava Jon. Enquanto Brienne sentia-se,  mais um vez,  uma menina com uma armadura. Não dava para negar, a única coisa que as diferenciava era o tamanho, o espírito contraventor ambas tinham.

Saíram em direção as Criptas, Tyrion não lembrava de ter ido no lugar antes. Chegou até a cripta de Ned. Jon havia construído uma estátua em homenagem.

 

- Acho que tenho que lhe agradecer por ter enviado os ossos de meu pai. Ouvi dizer que foi enviado pelo senhor,  enquanto era o Mão de Joffrey. Que foi o senhor quem mandou retirar a cabeça dos espigões.

 

- Não há o que agradecer,  vossa majestade. Gostaria de ter podido evitar o que aconteceu. Ned não merecia a morte que teve,  pelo capricho do meu sobrinho detestável. Vossa graça deveria saber isso, se dependesse do meu pai ou até mesmo da minha irmã louca,  Ned teria sido enviado para a patrulha. Comprar uma guerra com o Norte é o que trouxe desgraça aos sete reinos e nos fez estar aqui, hoje.

 

- Você ainda defende sua família?

Percebeu que seu comentário não havia agradado o rei, porquê raios havia tentado explicar o que acontecera. De que importaria. 

- Perdão, Vossa Majestade. Não, não os defendo. Joffrey teve um destino merecido, assim como meu pai. Cersei em breve encontrará o seu, lhe prometo.

- Melhor parar de falar sobre coisas que nos deixam tristes. Ned era um grande homem,  e cuja honra o levou a cometer atos que magoaram muitos. Imagino que não tenha porquê evitar o assunto. A rainha quer conhecê-lo, ela quer ter certeza de que não é a última Targaryen.

- Eu ainda não sei que proposta ela irá lhe fazer, mas, se me permite ter alguma opinião,  tenho o pressentimento que vossas graças terão mais afinidade do que imaginam.

- Eu contei um pouco sobre o que sabia sobre você, sobre o nosso tempo na muralha. Contei sobre como Catelyn o tratava.

- Sabe, Daenerys não teve um passado muito diferente do seu, talvez tenha sido um pouco pior. Ela viveu a vida com o seu irmão, um homem que buscava, a qualquer preço,  o trono que lhe fora roubado. Esse irmão a vendeu em troca de um exército. O homem com que ela se casou, bom, como posso dizer, talvez se assemelhasse mais aos selvagens. Ela o conquistou e eles, com tempo,  se apaixonaram. Ela engravidou. Seu irmão percebeu que sua irmã era amada e admirada por seu novo povo e isso levou a morte dele, logo após ameaçar a ela e ao seu filho.

 

- O que aconteceu com esse marido e esse filho?

 

- Feitiçaria, aparentemente. Confesso que não tenho muito bem os detalhes dessa parte. Eu sei que ela perdeu o marido e o filho. Ficou sozinha no deserto com um pequeno Khalasar, e milhares de guerreiros que a matariam por ter ousado declarar-se Khalesi. Ela fez um pira para queimar seu marido, seu filho e a bruxa que a desgraçara.

- Sor Jorah Mormont que me contou isso. Ela entrou naquela pira junto com seus ovos de dragão e,  na manhã seguinte, entre as cinzas, estava ela, com seus três dragões.

- Eu sei, parece mentira. Mas eu também diria o mesmo se ouvisse a sua história. Um bastardo que renasceu Rei do Norte. Um bastardo que nunca foi bastardo,  mas apenas criado como um.

- Só lhe peço que conheça ela. Abra seu coração para um parente que você jamais imaginou ter. Sei que os Stark são sua família,  mas ela também é.

- E eu acho que Ned nunca a quis morta por sua causa, ele nunca mataria a sua família.
 

- Não tenho porque lhe mentir, não é,  Lorde Tyrion. Não sei quem lhe contou, mas não imagino que seja algo tão secreto assim. Peço que não conte aos lordes do Norte. Ainda não soube como abordar o assunto.

- Temos uma batalha pela frente. Eu sei que você não acredita, eu lembro bem de suas piadas. Eu também não acreditaria se não tivesse andado além da muralha. Se não tivesse encontrado com eles em mais uma oportunidade. Eles tem um exército enorme, toda vez que morremos, aumentamos o exército do Rei da Noite. Eu perdi inúmeras vidas,  eu não pude salvar milhares de crianças,  homens e mulheres cujo o único erro foi ter nascido do lado errado da Muralha.

- Me perdoe, Lorde Tyrion. Eu quero uma aliança com a sua Rainha. Mas eu não sei tenho interesse em uma aliança por casamento. Eu nem sei se sobreviverei ao que está por vir. Eu preciso do exército que ela tem e de seus dragões. E esteja certo de uma coisa, não existirá trono, não existirão sete reinos se não pararmos a tempestade que se aproxima.
 

O jeito como ele falava lhe inspirava mais confiança do que qualquer outro homem. Seus olhos ardiam. Ele era um menino e mesmo assim estava disposto a se sacrificar para salvar todos. Ele sofria ao falar dos homens que perdera. Varys não estava errado, ele seria um excelente rei, talvez, melhor do que Daenerys. Ele conhecida os sete reinos, ele respeitava a todos. Sua postura sem buscar condolências fazia com que muitos o seguissem. Se esse menino estivesse no Trono desde o início, quantas vidas poderiam ter sido salvas. Por que Ned Stark não sentou naquele maldito trono e criou o próximo rei?  

Westeros poderia ter sido tão diferente. A história poderia ter sido outra. Muitas pessoas poderiam estar vivas.

O rei saiu caminhando em direção à cripta de sua mãe. Ele agora sabia. Ele saiu, seu lobo logo atrás.

O menino seria um excelente rei,  se sobrevivesse. Mas como Daenerys reagiria a ele?

 



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