História O Nascer dos Monstros - Capítulo 13


Escrita por: ~

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Categorias Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Canibalismo, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 13 - A Grande Babilônia


Era noite em Rhuddlan. Em uma área suburbana da cidade, com casas modestas, o cheiro de bosta de cavalo pelas ruas pesteando-a junto a falta de saneamento, dois guardas da ronda noturna ali estavam conversando enquanto olhavam para a vela acesa em um dos postes usados para sustentar as velas pela noite, que iluminam minimamente as ruas. Eles são caracterizados por suas roupas completamente negras, como pelo porrete que cada um possui.

Guarda 1: Que frio que essa noite está fazendo.

Guarda 2: Se eu pudesse derrubava esse poste e o deixava queimar só para usar de fogueira.

Guarda 1: Queria estar em casa agora acendendo um fumo, tomando uma bebida para esquentar. Quem sabe até mesmo fodendo de jeito a minha vizinha gostosa.

Guarda 2: Aquela quem você disse que o marido é um marinheiro que está em viagem às colônias de Mu?

Guarda 1: Ele mesmo.

O seu colega guarda começava a rir, mantendo claro o seu decoro profissional de não incomodar os cidadãos em suas casas.

Guarda 2: Pegar a mulher dos outros é problema. Ainda mais de um marinheiro, que deve voltar com o saco carregado pela falta de sexo e nervoso pelas viagens.

Guarda 1: Duvido que eu veja ele em menos de um ano. Isso se ele voltar. – Ao falar, encerrava com uma risada.

A conversa entre os dois colegas é cortada por um grito repentino que propaga-se pelas ruas desertas daquele lugar. Era uma voz feminina gritando “Fogo! Fogo!” ininterruptamente, e ela não vinha de tão longe. O grito estava alto, dando-se para calcular uns dois quarteirões de onde eles estão. Pelo dever de manter a ordem na cidade durante a noite, eles se encaminham para a fonte do grito.

Guarda 2: Se for mais algum arruaceiro querendo pregar alguma peça de novo perderei a calma.

Guarda 1: Nem há clarão de incêndio. Deve ser só algum vagabundo roubando essa garota. Em todo caso vamos antes que a vizinhança acorde nervosa.

Pessoas que andam pela cidade e estão em alguma ameaça geralmente fazem isso, gritam como se um incêndio estivesse acontecendo. Real ou não, isso não importa, e é um procedimento padrão, porque poucos se arriscariam a ajudar alguém diante um assalto ou tentativa de assassinato, mas de um incêndio, que pode acometer todos eles, isso sim impele os moradores locais a ajudarem. Embora seja lugar comum esse procedimento, quem acorda e se dispõe a ajudar o faz; afinal, existe a chance de um incêndio estar de fato ocorrendo.

Os dos guardas então andavam e chegavam até a fonte, e viam a garota, mas o que testemunhavam era algo que ambos não prefeririam ter visto. Ela estava sendo envolvida por uma cauda enorme, de uma criatura enorme que vagamente parecia uma cobra. Ela ergue a garota até perto de sua boca.

Mesmo que temerosos, eles se aproximavam para bater no corpo da criatura com seus porretes, e pediam para que a soltassem. A garota, porém, já estava com o corpo todo abaixo da cintura dentro da boca da cobra, deixando-a lá para que pudesse liberar sua cauda, e usá-la como um chicote para golpear os dois guarda de uma só vez contra uma casa, e então terminava de engolir a garota.

A cena era cruel. Gritos e choro eram ouvidos de dentro da boca da cobra, que usava a força de sua mandíbula para contrair seus músculos da boca e da garganta para esmagar o corpo daquela bela jovem que deveria ter entre uns dezoito ou vinte e poucos anos, e em seguida era engolida inteira.

Temendo por suas vidas, os dois guardas se levantavam sem nem mesmo pegarem seus porretes de volta. Suas pernas bambas não os impediam, pelo contrário, era sinal para que dessem o fora dali imediatamente, só que em vão! A criatura já se aproximava rapidamente, com a boca aberta para finalmente abocanhar um de cada vez, repetindo o que fez com a garota.

                                                                    Capítulo 13 – A Grande Babilônia

Passaram-se dois dias desde que o capítulo anterior terminou.

Gaston, juntamente de Dee, Wes, Nivian e os irmãos Ashgates, finalmente chegam à Rhuddlan. Estavam cansados, mas ainda sim caminham seguindo Dee por um bairro sujo, aonde haviam ao arredor algumas tabernas e comércios, só que não era isso o que mais chamavam atenção. Garotas na flor da juventude estavam por lá com vestidos finos e baratos que marcavam seus corpos, só que com o decote bem aberto a ponto de mostrar seus ombros e, principalmente, seus seios. Sim, elas estavam em plena luz do dia com os seios exibidos para quem quer que veja. Algumas eram bonitas, outras nem tanto, havendo aquelas que sem sombra de dúvidas são feias. Quase todas são, entretanto, jovens, sendo que as mais velhas não passavam muito dos trinta anos de idade.

Nivian: Não é para tanto que chamam Rhuddlan de cidade promíscua.

Gavin, vislumbrado com aquilo, olhava eriçado.

Gavin: Acho que poderíamos dar uma parada por aqui. O que acham?

Cecilia: Nem vem. Sei bem o que você quer com elas, seu espertinho.

Gavin: Irmã... deixa eu me divertir. Ficamos um dia e meio na estrada de Dermouth para cá. Olha como elas estão me olhando... – Suplica – Prometo ir rápido.

Ouvindo aquilo, Gaston começava a rir do jeito com que Gavin pedia, e mostrava claramente interessado em transar com a primeira delas que pulasse em seu colo.

Gaston: Você lembra muito seu avô, Gavin. O Caleb era mulherengo igual a você, ao menos até casar com a sua avó.

Hadrian: Nosso pai falava isso, e se bem que a mãe dizia que o pai também era bem mulherengo quando o conheceu.

Cecilia: E pelo visto é a vez do Gavin ser o mulherengo da família.

Gavin: Só que eu não puxei os olhos verdes da mãe. Infelizmente o Hadrian foi o único de nós a ter. Isso me ajudaria muito com as mulheres, ou então se tivesse os olhos claros com os do Wes.

Wes: Meus olhos são cinza.

Gavin: São claros também. Se eu tivesse as íris cinza como as suas com certeza isso me ajudaria ainda mais com as mulheres. Claro, além da lábia que já tenho.

Wes: Só lábia não funciona com essas mulheres. Vai precisar pagar, meu parceiro!

Gavin: Dinheiro para isso eu tenho... – E vira-se para o amigo, chegando perto dele – E por que não se diverte também? Vamos, aposto que acho uma aqui do seu gosto. Quem sabe se mais gente pedir eles aceitam fazer uma parada.

Wes: Não, obrigado. Estou bem.

Cecilia: Gavin, entenda que não é todo mundo que fica como você só de ver uma mulher. A maioria das pessoas sabem se comportar sem querer sexo de imediato.

Gavin: Pro Wes é fácil dispensar, já tem a Nivian em mente. Como minha mente em eu coração são livres, tenho que aproveitar as chances que me aparecem.

Ao falar aquilo, Nivian ficava bastante constrangida, abaixando o rosto com o mesmo levemente ruborizado. Wes, por sua vez, estava bem envergonhado, mas descarrega isso com um soco que dá por cima da cabeça de Gavin, fazendo com que ele o solte para poder passar a mão na própria cabeça.

Wes: Seu idiota! Para de inventar história!

Gavin: Idiota é você. – Fala no mesmo tom – Minha irmã o elogiou, e eu só estava complementando.

Gaston: Vocês dois, parem...

Dizia diplomaticamente, evitando que tanto Wes e Gavin se desentendam. Afinal, não estão ali para fornicar ou se envolver em brigas desnecessárias. Todos se voltam em seguir Dee, andando pela cidade por mais ou menos uma hora e meia a mais.

Eles chegam até um bairro perto do rio que corta a cidade, chegando até uma igreja velha, com visíveis aspectos de abandono. Chegando lá, Dee os levava até os fundos da igreja, aonde havia uma porta de acesso, qual ele abria tirando uma chave de seu bolso, que emite brilhos em forma de caracteres juntamente da porta, que logo abria-se para ele. Ao fazer isso, viam-se pessoas lá dentro algumas pessoas que aparentemente estavam treinando, porque dava para se notar sinais em seus movimentos que indicam posição de combate, quando não estão armadas com facas, espadas, lanças, etc.

Duas pessoas se aproximam da porta para recebe-los. O primeiro deles é um homem de aparentes quarenta e poucos anos de idade, talvez cinquenta, que usa um gorro verde assim como suas calças folgadas. Trajava cobrindo boa parte do corpo um casaco alaranjado que cobria até seus joelhos, sustentado com um cinto de couro na faixa da cintura, e dividido em quatro tiras – na frente, atrás, e dos lados – para melhor locomover as pernas. Ele usa meias longas verdes, da mesma cor que a calça o gorro, e também sapatos bem marrons. Fisicamente, ele é um homem alto e de ombros largos, com o rosto quadrado e cabelo castanho volumoso atrás da cabeça e cobrindo as orelhas, com cavanhaque e um bigode grosso descendo para contornar os lábios superiores.

Ao lado desse homem, estava outro com uma aparência mais senhoril, que solicitamente pedia para que Dee descesse do cavalo. Ao fazer isso, Dee entrega o cavalo para esse senhor, e pede para Wes e os demais tirarem as coisas da carroça dos irmãos Ashgates para os seus cavalos também sejam conduzidos.

Dee: Amigo, quanto tempo. – Dizia olhando o homem acima descrito – Pessoal, esse aqui é meu amigo Agripa.

Agripa: Prazer em recebê-los aqui.

Dee: Esse senhor é o Gaston, e os demais estão conosco para nos ajudar.

Hadrian: Só para saber... – Indagava levantando a mão – Para aonde aquele senhor levou nossos cavalos?

Agripa: Ele é um homúnculo criado por nós para cuidar dessa igreja em nossa ausência. Ele tem uma casa ao lado, onde ele se passa por cuidador de cavalos. – Fazia uma pausa, e volta a falar em um tom retórico – Não iam querer que seus cavalos ficassem aí fora, quebrando o disfarce desse lugar como se fosse abandonado, certo?

Homúnculos são seres humanos criados artificialmente pela magia, e aquele senhor cuidador de cavalos é um que cuida da igreja abandonada em Rhuddlan para o Martelo de Deus.

E então Agripa convida-os a entrar na igreja, e todos o fazem carregando suas trouxas de coisas. Fechando a porta, Agripa apresentava o lugar para eles.

Agripa: Essa parte da igreja usamos para conversar e treinar, porém, nós deixamos nossas coisas e dormimos no subsolo.

Cecilia: Espere, tem subsolo aqui? – Perguntava imediatamente, surpresa.

Agripa: Sim.

Gaston: Os lugares que servem para os membros do Martelo de Deus ficarem em suas missões costumam ter, afinal, caso sejam atacados, o subsolo os deixará mais seguro ainda que o abrigo seja destruído. Vejo que em cinquenta anos muita coisa continua a mesma.

Agripa: Muito bem observado, senhor Gaston. O que acham de irem deixar suas coisas em algum lugar lá embaixo? – E volta-se para os outros magos treinando. – Thierry, leve os nossos novos hóspedes para algum canto. Kelley, já adiante e leve o Gaston.

Ouvindo Agripa, Dee abria uma porta na lateral da igreja, próxima ao altar, e descia com Gaston pelas escadas que existem depois daquela porta, que levam ao subsolo.

 Um rapaz se aproxima dele para receber Wes e os demais. Ele aparenta a mesma faixa etária dele, e possui a pele bronzeada, levemente mulata; Suas íris são marrons e seu cabelo é crespo, todo erguido naturalmente formando uma cobertura sore a cabeça, deixando as orelhas e a testa totalmente expostas (é um penteado afro). Ele usava uma camisa comprida bem amarelada e de tecido grosso, calça e sapatos marrons.

Thierry: Prazer em conhecer vocês. – Curva-se e estende a mão – Me chamo Thierry.

E, ouvindo os desígnios de Agripa, Thierry conduz os demais para as escadas que Dee desceu com Gaston agora a pouco. Eles percebem que debaixo das escadas, as paredes são todas feitas de pedra, e nelas existem tochas acesas, assim como no espaço aberto que existe ali debaixo, lago e com muitas repartições divididas pelas paredes, porém sem nenhuma porta, mas dando-se para ver que elas são bem delimitadas por arcos. Assim como a escada, todo aquele ambiente subterrâneo é feito de pedra, com exceção do chão, e nessas paredes existem tochas que deixam o lugar mais visível.

Wes: Thierry é seu nome? Me chamo Wes, prazer.

Thierry: Nome curto, porém bastante sonoro.

Wes: E o seu é... diferente. De onde é?

Thierry: Sou de Ocânia, um pequeno principado ao lado de Narbon, mas como deu para ver, sou descendente de quemécios. Bem, na verdade todas as pessoas de pele mais escura são de Quemécia ou são descendentes, como eu.

O lugar referido por Thierry, a Quemécia, é um continente que fica abaixo de Leda. No passado, grande parte de seu norte foi tomado pelo poderoso império Ledano, graças ao qual o continente de Leda tem esse nome, e que subjugou boa parte daquele continente também. Quemécia é uma região totalmente desértica, e mesmo que a vida no deserto seja dura, existem sociedades bem estruturadas vivendo lá.

Hadrian: Nem parece que você é estrangeiro, fala nossa língua muito bem. E a propósito, prazer, meu nome é Hadrian.

Thierry: Tivemos que aprender ao menos o básico antes de sermos encaminhados para esta missão. Com exceção do senhor Kelley, nenhum de nós é albionês, mas fico feliz em ver que peguei bem o idioma de vocês.

Ao chegarem em uma das repartições mais no fundo, aonde chegava um momento que dava um peco sem saída, Thierry ali mostrava um lugar que havia somente três lençóis estirados no chão e coisas próximas deles.

Thierry: Se quiserem podem dormir aqui. É aonde eu e mais dois companheiros estamos.

Wes: Obrigado cara. – Dizia entrando na repartição.

Junto do Wes, Gavin deixava suas trouxas ali, já esticando duas ou três camadas de pano sobre o chão para deitarem-se quando vierem dormir, como suas coisas por cima desses panos. Nivian, Cecilia e Hadrian por hora não faziam isso, apreensivos em aceitar o convite.

Sem que se dessem conta, mais uma pessoa se aproximava para entrar dali. Era uma garota que, assim como Thierry, aparenta a mesma faixa etária entre Nivian e Cecilia. Ela é bonita e de corpo esbelto, porém com um olhar firme e fazia pouca questão de exibir simpatia com os novos colegas. Possui um longo cabelo ruivo e olhos verdes, mais claros que os de Hadrian. Ela estava descalça e usava uma calça marrom que torneia suas coxas grossas e uma bunda tão farta quanta e bem empinada por natureza. Ela uma um capuz verde para cobrir a parte de cima do corpo, só que pelo peito dava para notar belos seios fartos que ela tem, que modestamente dava-se para perceber uma parte aparecendo por conta do decote que era capaz de ser ajustado pelos fios que se entrecruzam e ficam pendurados na parte de cima da gola da camisa.

Thierry: Gente, esqueci de apresentar, essa é a Elena, uma das minhas colegas e... como viram, esse é o jeito dela.

Elena entrava ali perguntando quem eles são.

Elena: Que eles estão fazendo aqui, Thierry? Logo agora que eu me lavei você trás gente para cá? E os folgados pelo visto já deixaram suas coisas? E se eu entrasse nua?

"Se entrasse nua? Seria um favor que faria aos meus olhos" pensou Gavin ao ouvir Elena.

Thierry: Eles são os magos de Dermouth que vieram com o Kelley, Elena.

Cecilia e Nivian olhavam surpresas com ela discutir daquele jeito com tanta naturalidade. Dava-se para ver que Elena possui um jeito difícil. “E eu achando que o Trevor que era nervoso”, pensava Cecilia, mas ao ver como seu irmão reagindo, percebia que Hadrian olhava aquela garota fissurado. Não só ele, porque Wes e Gavin também olhavam para os dotes de Elena sem nem fazerem questão de esconder.

Elena: Então sejam bem vindos. O mago poderoso que ele disse deve estar aqui também. Mas não se sintam muito a vontade não, nem para o Martelo de Deus vocês trabalham. E falando nisso, Thierry, cadê minha bota? Não posso ir para fora sem.

Gavin ouvindo aquilo despertava. Ele queria chamar a atenção daquela bela garota ruiva de alguma forma, e para isso se sacrifica a deixar de admirá-la para olhar pelo quarto rapidamente pela repartição e via, perto da parede, um par de botas cor mostarda, qual ele corre para pegar e levava até Elena.

Gavin: Aqui está... – Dizia olhando para ela – E prazer, me chamo Gavin.

Vendo Gavin aproximar-se, Elena toma as botas da mão dele, mas como ele fez questão de entregar suas botas, ao menos estendia sua mão para cumprimenta-lo com um aperto de mãos.

Elena: Prazer em conhecê-lo, Gavin. Meu nome é Elena.

Gavin: Bonito sotaque, de onde você é?

Elena: Sou de Ghelders, mas como cresci na tutela do Martelo de Deus desde muito nova, vivia andando para onde me mandassem.

Thierry: Assim como eu. Eu e a Elena crescemos juntos. – E deixa um riso escapar – Somos praticamente irmãos, diz aí, Elena.

Wes: Crescendo? Mas como assim? Os pais de vocês trabalham também para o Martelo de Deus ou coisa do tipo?

Ela estava ocupada calçando as botas que o Gavin a entregou, e concordava com a cabeça com a afirmação dele. Ouvindo a pergunta curiosa de Wes, ela logo curva sua coluna novamente ao vestir seus pés e olhava para ele.

Elena: Como se chama, garoto?

Wes: Eu me chamo Wes.

Elena: O Martelo de Deus disciplina seus membros a instruírem seus filhos a servirem-nos também, e assim por diante, como negócio de família, assim como os magos também fazem passando seus conhecimentos de geração em geração. Ou então adotam órfãos que são criados e treinados para isso, como foi o meu caso.

Wes: Então você é órfã? 

Elena: Sim. Eu e o Thierry somos. Meus pais nem magos eram, e quando fui adotada, passei a viver para o Martelo de Deus.

Logo em seguida todos eles subiam novamente para a parte superior da igreja. Ali viam que, na mesa do altar decorada com frutas, cereais e pães. Agripa estava terminando de arrumar a mesa com mais dois magos, e Gaston estava ali perto junto do Dee conversando enquanto olhavam os demais magos pararem o treino para se juntarem à mesa.

Thierry: E pelo visto chegaram perto do horário de comermos. Se deram bem.

Wes: Finalmente algo que eu estava precisando. – E ao dizer, corre em disparada – Comida!

Os demais magos do Martelo de Deus também interrompem seu treinamento para irem comer, servindo-se pegando o que bem quisessem na mesa. Sem contar Agripa, Thierry e Elena, mais o recém-chegado Dee, haviam mais oito magos ali treinando na igreja. Totalizam então doze magos encaminhados para esta missão.

Wes e seu grupo se servem e vão comer em um canto mais afastado da mesa a pedidos do Hadrian e da Cecilia, para que possam conversar entre si sem que os outros pudessem ouvir. Gaston era chamado, mas ele estava ocupado conversando com o Agripa e o Dee.

Wes: Olha, podem falar o que quiser do Martelo de Deus, mas essa gente sabe servir uma boa refeição!

Cecilia: Não fique muito a vontade. Eles não são nossos amigos. – Dizia olhando para ele, e depois vira-se – E você, Gavin, também.

Gavin: Mas eu só fiquei perto da mesa porque queria poder pegar mais.

Cecilia: Não estou falando disso. Falo do como você e o Wes estão ficando à vontade. Até se ofereceram a ficar na mesma cômoda que aquele tal de Thierry disse estar com aquela garota irritante.

Wes: O Thierry parece legal!

Gavin: E a Elena é uma gata!

Hadrian: Wes, entendo, só que não devemos confundir as coisas. E irmão, não é lugar e nem hora para pensar em suas sem-vergonhices.

Gavin: Nem vem com essa porque vi que você também olhou para ela.

Ouvir aquilo deixava o Hadrian sem jeito. Pouco antes de falar havia levado um pedaço de pão à boca, e como ouvir seu irmão jogar aquilo na roda o deixou sem graça, ele engasga a ponto de começar a tossir. Para evitar que aquilo causasse escândalo, dá uns dois tapas em seu peito a tempo de aliviar sua garganta e deixar o pedaço descer para ser digerido. Ainda sim, seu rosto estava ruborizado. Cecilia e Wes riam ao ver isso.

Cecilia: Esse lado que conhecia do Gavin, agora de você é novidade, Hadrian. – Dizia em tom de sarro.

Hadrian: Te dou razão, ela é muito atraente, só que ainda sim não é hora ou lugar para isso.

Gavin: Já que essa é a cidade de pecados, deixem eu pecar com ela em paz.

Nivian: Vocês homens... – Suspirava – Não têm jeito!

Sem que percebessem, Agripa e Dee se aproximavam deles juntamente de Gaston.

Agripa: Espero que estejam gostando de nosso banquete.

Dee: Mas gostaríamos de informar sobre uma coisa, a qual eu mesmo acabei de ser informado agora.

Como estavam formando uma roda, Nivian, Gavin e Cecilia viram-se de frente para Gaston e os outros dois, olhando-os para que possam ouvir o comunicado.

Agripa: Na última semana houveram relatos pela zona periférica da cidade a respeito de uma criatura parecida com uma cobra aparecer comendo pessoas na rua.

Dee: É um monstro, e como sabem, a seita de Rhuddlan possui muitos deles ao dispor dele.

Gavin: Como aqueles contra quem lutamos em Dermouth três dias atrás?

Dee: Exatamente.

Wes: E por que eles estariam perdendo tempo atacando pessoas comuns?

Agripa: Pelo visto você é o novato de quem o Kelley me contou. Estou enganado? Em todo caso, não é incomum que monstros tenham fome por carne humana, e quando não é fome, eles descontam isso com outras formas de desejos negativos, como sede de sangue.

Dee: Mas também percebemos que desde que fomos percebidos aqui em Rhuddlan, cresceram os relatos de pessoas avistando monstros, o que com certeza eles fazem para gastarmos nossas energias com esses ataques comuns de monstros e nos desviemos de nosso real propósito aqui.

Agripa: E decidimos que esse monstro vocês quem irão eliminar. Será uma ótima forma de vermos suas habilidades em ação.

Gaston: Agripa... – Vira-se para olha-lo – Se não for pedir muito, gostaria de pedir para que a minha neta e o Wes não fossem.

Agripa: Haveria algum motivo em especial para isso?

Gaston: Sim, tenho. Nivian não possui experiência em combate, e o Wes está sob minha tutela. Preciso mantê-lo também seguro.

Agripa: Compreendo sua preocupação. A garota eu entendo ficar, mas o aprendiz de cavaleiro poderia pegar experiência. – E vira-se o rosto para ele – Soube que matou um monstro sem nem mesmo usar magia, certo?

Wes: Sim, é verdade, senhor Agripa.

Agripa: E mais, pedirei para que três dos nossos acompanhem eles.

Agripa fitava seus olhares para os demais magos que estão perto da mesa. Eles pareciam estar mais satisfeitos, tanto que eram poucos os que ainda se serviam do banquete, que já estava também quase acabando. Em sua mente, Agripa selecionava três daqueles magos para serem convocados.

Agripa: Elena, Thierry, Remi, venham!

Os três magos ao ouvirem as ordens de Agripa se aproximam da conversa. Thierry e Elena já são conhecidos pela turma, mas o terceiro até então não era. Dava para ver que junto da Elena e do Thierry andava um homem com uns aparentes trinta anos de idade, de cabelo castanho bem curto e com poucas franjas na testa, tão curtas que sua testa enorme é quase toda exibível. Possui uma barba por fazer.

Dee: Vocês três acompanharão o Wes e os Ashagates até missão de eliminar esse monstro que assola as regiões pobres da cidade.

Hadrian: Senhor Kelley, não é estaremos nos expondo demais saindo em tão grande numero assim?

Dee: Assim vocês criam uma concentração maior de rastro mágico. É o chamariz perfeito para o monstro vir até vocês.

Remi: E mais, meus caros, nós costumamos nos dividir em equipes quando estamos em números grandes, e é o que faremos.

Gaston: Se for o caso irei também.

Wes: Senhor Gaston, você também?

Gaston: Você estão em sete, se eu for seremos em oito, assim nenhuma das equipes corre o risco de prejudicar-se pela diferença. E a Nivian continuará segura estando aqui.

Agripa: Se faz questão de ir, por mim tudo bem... – Dizia olhando o Gaston – Que assim seja! Ao anoitecer vocês irão partir e andar pela cidade atrás da criatura. Já fazem dias que estamos atrás dela, e soubemos pela boca do povo que ontem dois guardas noturnos e uma garota foram vistos serem devorados por ela.

As horas se passavam, e anoitecia em Rhuddlan. O grupo então saía da igreja, e andam todos até uma das pontes que leva ao outro lado da cidade, atravessando ao outro lado do rio no fim do entardecer. Por conta de sua experiência e confiabilidade do Martelo de Deus, Elena é quem liderava a expedição, e ao chegarem do outro lado dividam-se as duas equipes: Na primeira estavam ela, Wes, Gaston e Cecilia; na segunda equipe, Thierry, Hadrian, Gavin e Remi. A primeira equipe seguida pelo leste, e a segunda pelo oeste.

Há muito território a cobrir, afinal, Rhuddlan é uma cidade extensa, e não só pela ameaça de outros monstros os pegarem, mas também havia o risco de algum guarda da ronda noturna os deterem por violarem o toque de recolher ou então por serem descobertos magos uma vez que alguns deles portam objetos ou amuletos que denunciem isso.

De braços cruzados, Gavin anda resmungando com sua equipe.

Hadrian: Que foi que anda emburrado desse jeito?!

Gavin: Porque a Cecilia e o Wes tinham que ir para a equipe da Elena? Aposto que o Wes nem está se concentrando com uma ruiva daquela do lado. Sortudo desgraçado!

Hadrian: Não é hora para ficar pensando em mulher.

Thierry: De olho na Elena é, Ashgates? – Perguntava atento ao redor, mas antenado na conversa – Não fica babando muito que ela não gosta de homem assim.

Gavin: Eu... Eu não estou babando! É que ela é muito gata. Vocês cresceram juntos, certo? Diz aí, nunca tentou chegar nela uma vez que seja?

Thierry: Olha cara, não. Mulher esquentada daquele jeito não faz o meu tipo.

Eles ouviam o barulho de algo passar. Não parecia ser algo de fácil reconhecimento como uma carruagem ou alguém caminhando. Era algo que eles não sabiam associar, emitindo o som de um movimento tão repentino que parecia locomover-se sem cessar. Como eles estavam na rua, viam bem no chão uma tampa circular de metal sobre o chão, que dava o esgoto da cidade – uma inovação em planejamento urbano, sendo o único de toda Albiônia.

Aquela tampa circular de metal do nada saltava para o ar, brotando do esgoto uma criatura enorme e robusta. Ela era grande como uma casa de dois andares, e se parece perfeitamente com uma serpente de escapas arroxeadas, mas que nas costas e na cabeça possui um casco amarronzado como madeira, com protuberâncias que lembram espinhos pelo corpo e que na cabeça ganham forma de chifres. Possui penetrantes olhos amarelos, cada um com uma íris inteiramente negra dividindo os olhos.

Thierry e os demais se preparam ao vê-la se movimentar. Ela rasteja devagar perto deles, e todos eles recuam para trás e se dispersando pelos lados. Hadrian já estava com suas soqueiras, Thierry sacava uma gadanha de guerra com o cabo curto e lâmina longa e retorcida como um gancho, e Remi estava com um bastão.

Thierry: Diga seu nome, monstrengo.

Monstro cobra: Chamo-me Alphard, e serei o algoz de todos vocês!

Alphard, dizendo aquilo, abria sua boca que mostrava dentes bem afiados, e se lançava em seguida para ataca-los, indo em direção de Thierry e Remi por estarem estes mais próximos um dos outros.

Thierry, vendo que o ataque era inevitável, se preparava para atacar com sua gadanha, só que era de imediato cabeceado para o lado, arrastado pelo impacto há uns dois metros, deixando Remi sozinho para lutar contra o Alphard. Hadrian e Gavin corriam em direção ao monstro, mas este gira o corpo para acertá-los com sua cauda tão eficazmente quanto um chicote, e os lançava com tanta força contra uma mureta de pedra que eles rachavam-na com o impacto e faz com que ela se quebre aonde foram jogados, com algumas das pedras caindo em cima dos dois.

Remi usa seu bastão para atacar Alphard com uma varada direto em seu queixo, só que não contava com o monstro abocanhando o bastão e o arremessando para cima junto do dono. Coitado, Remi não tinha resposta para o que lhe aguardava: jogado no ar, em queda livre contra o chão que estava há metros de distância, Alphard se prepara para o abocanhar.

Remi se aproximava correndo para atacar, mas era tarde, e só restava parar enquanto via Remi olhando-o com um olhar de despedida. Gavin e Hadrian se levantavam com o corpo dolorido do que sobrara da mureta de pedra, e viam Remi ser abocanhado pelo monstro. Alphard usava a musculatura de sua boca para empurrar o corpo de Remi, e o esmagar enquanto este gritava agonizando, pois os músculos fortes de Alphard quebravam-lhe todo: costas, braços, tórax, tudo. Os gritos só param quando o pescoço finalmente é quebrado, e Remi morria na hora, sendo engolido pelo monstro.

Thierry: EU VOU ACABAR COM VOCÊ! – Grita desafiando o monstro.

Perder um companheiro naquela velocidade deixava Thierry enfurecido, e de cabeça quente ia atacar Alphard, que usava novamente seu corpo para jogar sua cauda como arma para acertá-lo.

De longe dava para se ouvir o barulho da cauda de Alphard acertando o chão diversas vezes, ou então de coisas sendo jogadas. Era o sinal que a equipe de Thierry estava em combate, e a equipe de Elena, ao ouvir isso, corre em direção à fonte dos estrondos.

Cecilia: Tomara que meus irmãos estejam bem.

Gaston: Estão sim. – Dizia pausadamente por estar correndo e repondo junto o fôlego – perigo além de tudo é lutar sem usar magia dentro da cidade.

Wes: Droga! Tem isso ainda?!

Elena: Você é um cavaleiro, certo, Wes?

Wes: É... um aprendiz, por quê?!

Elena: Então de nós você é o melhor treinado para o combate. Irá me ajudar a pegar o monstro de surpresa. – E vira o rosto parcialmente para o lado – Garota Ashgates, você pode atacar o monstro para o distrair? Se não se sentir pronta deixa que a gente ao pega de surpresa quando os meus companheiros ou seus irmãos estiverem o atacando.

Cecilia: Posso.

Wes: Garota, quem te escolheu como líder do grupo? Tá achando o quê, que manda na gente?

Elena: O Agripa e o Kelley disseram que eu estaria no comando, e agora não é hora para ficarmos discutindo o quão democrático é o nosso modo de operação. Eliminamos o monstro e pronto; por enquanto é tudo.

Com exceção de Gaston, todos eles corriam com uma arma em mãos: Wes com sua espada e um escudo, Cecilia com uma adaga, e Elena com uma fina corrente.

Enquanto isso, Thierry luta contra Alphard junto de Hadrian e Gavin.

Alphard tentava acertar Hadrian levantando sua cauda para golpeá-lo pro cima, mas o mesmo saltava em direção às costas do monstro, usando o seu punho para dar um de seus fortes socos, mas via que não surtia muito efeito e decidia então algo mais ousado. Hadrian escala as costas do monstro pelos espinhos em suas costas, se segurando enquanto o monstro desvia dos ataques de fogo que seu irmão Gavin lança sobre ele.

Hadrian: Mais cuidado, Gavin! – Dizia gritando – Eu estou aqui também.

Gavin: Sai daí seu doido!

Gavin parava de atacar não por mando de seu irmão, mas por ver que o mesmo chegou até a cabeça de Alphard, e com os caracteres de suas soqueiras brilhando desfere socos com bastante força para provocar algum impacto no monstro.

Alphard: Pode socar à vontade, meus cascos são mais duros que uma armadura de aço bem revestida.

Hadrian: Duro não quer dizer resistente.

Alphard despacha deitado no chão com alguns dos socos, pois mesmo que seu casco o protegesse de ficar mais gravemente debilitado, o impacto dos socos eram fortes o bastante para o fazer cair no chão. O impacto dele era tão forte que Hadrian acaba saltando dele e cai do lado, se levantando ao ver seu irmão se aproximar.

Hadrian: Ele pode ser forte, mas consegui trincar um pouco o casco na parte de cima da cabeça dele. Por conta do cérebro, pressupus que nessa parte do corpo o casco seria menos resistente para não fazer peso sobre o crânio.

Thierry: Bom trabalho, você pensou rápido. – E girava sua gadanha com uma só mão – Deixem que eu mesmo acabo com ele.

Thierry segura com a mão firme no cabo da gadanha, a apontando para o olho de Alphard, mirando um ataque preciso para mata-lo em um só golpe. O que não contava era com o monstro se levantando rapidamente, usando suas costas para jogar os três para o canto, e para dificultar decidia acertar uma das casas com sua cauda, rasgando a casa na diagonal para que ela desabe, e a cal e as pedras que a compunham possam cair contra eles também.

Por sorte, os três conseguiam correr a tempo, mas quem estava na casa não tinha resposta, e se encontrava soterrado.

Naquela mesma hora, a equipe de Elena chegava, e vendo o desabamento, logo corre para ver se os três estavam bem, aliviados ao verem que rapidamente eles escapavam.

Cecilia: GAVIN! HADRIAN! – Grita desesperada – Estão bem?

Gavin: Estamos bem. Não foi nada, Cecilia.

E Elena se dirige ao seu colega Thierry, a notando que entre eles faltava um.

Elena: Onde está o Remi? – Perguntava ao ver que ele não estava.

Thierry: Esse monstro o devorou vivo.

Alphard: Nem terminei a janta e já chegou a sobremesa? Pelo visto vocês devem ser do Martelo de Deus, e se forem, saiba que mesmo estando em oito não terão a menor condição de me enfrentar.

Elena: Se você calasse a boca e mostrasse isso ao invés de tagarelar quem sabe teria chances.

Alphard: Você é muito atrevida garota. Não se preocupe que farei do seu jeito...

E em seguida, Alphard joga-se para frente, indo com a boca aberta em direção de Elena com tudo.

Alphard: SERÁ A PRIMEIRA A MORRER!

Por sua corrente não ser muito grande, Elena deveria esperar uma aproximação maior, o que era arriscado, só que é, ao mesmo tempo, o único modo de atacar o monstro da forma desejada. Isso não demora a acontecer; Alphard logo se aproxima, e sem que contasse via as correntes de Elena emitirem brilhos moldando caracteres.

Logo na sequência, a corrente de Elena move-se por conta própria, laceando Alphard pelo pescoço. Quando isso acontece, só ouvia-se ele gritando de dor, como sua pele fumigando e os choques emitidos pela corrente.

Wes e Thierry se aproximavam de Elena, indo dar cobertura à ela, mas sem entender, Wes pergunta o que ela estava fazendo.

Thierry: A Elena usa essa corrente. Os caracteres gravados são feitos para machucar monstros, como também para imobilizá-los quando laceados pela corrente.

Elena: Para de gemer, monstro. Diga o que vocês querem fazer com essa cidade. Já sabemos do plano que o seu colega juiz nos contou. Sabemos que é o Primeiro-Ministro que lidera tudo... Agora nos diga o que ele está planejando.

Alphard: Nunca... – Dizia gemente de dor – Não falarei nada sobre o subsolo.

Mesmo que ele falasse abafado pelos grunhidos, Alphard deixava a palavra “subsolo” escapar, e aquilo chama a atenção de todos. Elena rapidamente havia suspeitado que ele deixou algo escapar, e pensava em perguntar algo. Entretanto, Alphard mesmo cansado pelas descargas que recebia conseguia virar o corpo e acertar Elena com sua cauda, fazendo com que ela seja jogada em direção ao Wes e ao Thierry.

Wes: Cuide dela!

Elena cai nos braços de Thierry, que acaba sendo jogado deitado ao chão ao abraçar a amiga e amortecer a queda dela. Wes na hora corria em disparada para atacar Alphard.

Cecilia: WES, O QUE VOCÊ VAI FAZER?

Wes: Eu sei como acabar com esse bicho feio.

Gaston: Volte, Wes. Você não usa magia, não tem como lutar contra ele.

Alphard ria ao sentir o rastro mágico fraco de Wes, e mesmo que corajoso, considerava sua valentia vã.

Alphard: Está jogando sua vida no lixo em me enfrentar de frente sem nenhum aparato mágico.

Dizendo isso, Alphard levanta sua cauda para acertar Wes por cima. Wes se lembra da luta contra Durham, e deduz as formas com que Alphard procuraria o atacar com um rápido cálculo estratégico bem na hora que usa seu escudo para bloquear o ataque por cima, jogando rapidamente seu braço para mandar a cauda dele para o outro lado.

Por conta do choque causado pelo impacto da cauda com o escudo, Wes acaba caindo no chão, deixando todos preocupados, inclusive a si mesmo. Alphard aproveita a situação de vulnerabilidade do Wes para tomar proximidade e o atacar com a boca aberta, pronto para abatê-lo. A cena preocupa a todos, que pensam que Wes está para ser comido vivo.

Alphard: Que broxante. Achei que poderia me divertir mais com você...

Alphard já estava bem perto do Wes, o suficiente para que mesmo que ele se levantasse não tivesse tempo para correr, e com o seu corpo se posiciona formando um círculo quase inteiramente fechado com o propósito de impedir que os colegas de Wes o socorram, e então se aproxima de boca bem aberta – com as presas bem a mostra – para devorar Wes em uma só bocada.

Wes: Engole isso seu idiota!

Novamente Wes conseguia pensar rápido: usa seu escudo para encaixar-se na boca de Alphard, deixando-o com a boca travada e sem conseguir mexê-la. Alphard salta os olhos angustiado com o escudo entre seus dentes dificultando até mesmo a sua fala. Wes aproveita essa deixa para se levantar e cravar sua espada no maxilar do monstro, e desce com ele rasgando-o pela barriga, até chegar mais ou menos na altura do diafragma.

O sangue de Alphard esguicha sujando a armadura e a roupa de Wes, como também sua espada já ensanguentada por dar um corte bem cego que faz Alphard cair deitado no chão, estrebuchando e moribundo. Vendo que seu oponente morria com o seu golpe, Wes tira o escudo dele da boca do monstro, e se levanta para ir até seus colegas.

Elena: Para um novato você mandou bem, aprendiz de cavaleiro.

Cecilia caminhava até o Wes, e com a mão bem fechada o dá um soco com força sobre sua cabeça.

Cecilia: Você foi muito irresponsável, Wes! – Dizia nervosa – Como pôde agir sem nenhuma precaução?

Wes: Ei, eu sabia o que estava fazendo.

Ouvindo Wes falar com calma, porém com a voz elevada por conta da tensão daquele momento, Cecilia se acalmava. Ele transmitia sinceridade ao falar isso.

Wes: Já lutei contra um monstro, e sei que eles são fortes. E mais, como esse parece com uma cobra, não tem braços ou pernas que possa usar para lutar. Só lhe resta a cauda, e para isso, ele tem que lutar a longa distância. E quando o Thierry disse que o Remi foi devorado, deduzi rapidamente que ele poderia aproveitar o curto alcance para usar a boca e me comer.

Cecilia: E onde quer chegar?

Wes: Procurei de propósito tomar proximidade dele para o deixar em desvantagem, já que com a cauda ele só ataca o inimigo de longe. Sei que seria ainda mais perigoso de perto, mas pensei em usar o meu escudo para bloquear a boca dele, e aí eu poderia o matar.

Aquilo de fato deixava Cecilia sem argumentos. Wes de fato sabia o que estava fazendo.

Gavin: É, ele pode não ser um gênio quando está aprendendo magia, mas lutando ele é bem esperto!

Wes: EI, EU OUVI ISSO!

Despistando-se um pouco da conversa entre eles, Gaston olha para o céu noturno da cidade, aonde de longe via-se altas torres e palácios mais adiante, bem acinzentados pela escuridão da noite.

Gaston: Melhor irmos voltar agora para a igreja... Está tarde, e esse está longe de ser o maior de nossos problemas nessa cidade.



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