História O Necromante - Capítulo 6


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Categorias Mitologia Nórdica, Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Demonios, Deuses, Espadachim, Fantasia, Magia, Mago, Monstros, Reinos
Exibições 10
Palavras 1.555
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Capítulo 6 - Águia Dourada


A Águia Dourada estava bem movimentada, como de costume. Era um estabelecimento de médio porte, sustentava cerca de cinquenta pessoas com facilidade, e naquela noite pouco mais de quarenta clientes afogavam suas mágoas lá.

O grande trunfo da taverna era seu preço. Mesmo aparentando ser uma taverna para nobres, com mesas e chão limpos, bebidas de qualidade, espaçosa e com muitos funcionários, o preço era acessível as massas e em pouco tempo desbancou todas as tavernas medíocres da região, se tornando a favorita do povo. E por trás desse sucesso estava a mente brilhante de George Grenn, dono e também menestrel da taverna.

George, ainda na casa dos vinte, era um sujeito bastante carismático. Seus cabelos ruivos e cacheados davam um toque delicado em seu rosto enquanto seu olhar azul e determinado conseguia seduzir mesmo a mulher mais difícil, o que fazia Magali pensar no motivo de ter sido escolhida. Ela cuidava o garoto esguio do balcão, enquanto trabalhava de atendente. Estava vestida com seda e mesmo depois de quase um ano não havia se acostumado com aquilo. Sempre pensava que estava desprotegida e por isso guardava sua espada companheira embaixo do balcão, em seu alcance.

Sua atenção foi cortada quando os céus rugiram através dos trovões por ali perto, seguido de uma chuva incessante que chegara sem aviso prévio.

- Os deuses devem estar zangados. – Comentou um cliente no balcão, logo depois de virar um caneco de cerveja.

Magie apenas assentiu. Apesar de sua aparência delicada, não era uma mulher de conversas, o que deixava ainda mais estranho George a ter colocado para atender os clientes. Talvez sua aparência chamasse mais clientes do que sua gentileza.

E a tardinha virou noite, e a noite virou madrugada. Aos poucos as pessoas voltaram para suas casas, deixando apenas os beberrões que passariam a noite afogando as mágoas. Quando sobrara cerca de dez clientes, George parou de tocar e se dirigiu até o balcão. Olhava para Magali com uma paixão juvenil enquanto sentava-se em um dos bancos.

- O que achou de minha performance, milady?

Ela sorriu sem graça enquanto mexia o cabelo.

- Impecável, meu senhor.

Os dois riram com o olhar. Já estavam juntos a quase um ano e Magali ainda se acostumava a vida de cidade, onde dormia em uma cama e não precisara usar sua armadura ou espada.

- Mostre sua mão, Magie. – Pediu ele.

Ao mostrar ele a pegou com carinho e começou a alisa-la. Suas mãos, antes de guerreira, estavam agora mostrando mais sua maciez e delicadeza.

- Os calos estão sumindo. – Observou.

- Não sei se é uma coisa boa... – Respondeu relutante. – Estou perdendo a prática com a espada, não sou tão habilidosa como antes. Se eu precisar -

- Você não vai precisar. – Interrompeu.

Magali hesitou ao olhar a determinação em seus olhos. Era um sujeito franzino e fraco fisicamente, mas tinha uma determinação e espírito forte.

- ...você não sabe disso, George.

- Sim, eu sei. – Retrucou. – Você abandonou aquela vida para ficar comigo, lembra? Não existem mais motivos para empunhar a espada.

Ela olhou com preocupação. As vezes pensava que a determinação forte dele era pela falta de experiências como as dela. Talvez se ele tivesse visto o mundo como Magali viu, ele não pensaria desse jeito.

- Nós não podemos abandonar ‘essa vida’. Cedo ou tarde alguma coisa acontece e somos obrigados a voltar, e quando isso acontecer, eu quero estar pronta para te proteger.

George sorriu. Apesar dela ter o rosto delicado, sua personalidade era bastante bruta. Essa fora a frase mais amável que dissera durante toda a semana. O menestrel levou sua mão ao rosto da guerreira aposentada, acariciando sua bochecha e a fazendo corar, sem jeito.

- Você está comigo agora. Em uma cidade fortificada e calma. Eu sei que é difícil abandonar velhos costumes, mas você está segura agora.

Magali deixou-se convencer. Não acreditara realmente nisso, pois sempre tinha a sensação de insegurança. Sem sua armadura sentia-se nua, sem sua espada, fraca. Mas agora tinha um sentimento que nunca teve, o sentimento de estar perto da pessoa que amava. Esse sentimento satisfazia todas suas necessidades e a fazia querer acreditar na segurança.

Os dois continuaram conversando por algum tempo. De vez em quando algum beberrão pedia outro caneco de cerveja, mas nada que atrapalhasse a atenção que um dava para o outro. Até que, em certo momento da madrugada, um novo sujeito entrou na taverna.

Estava encharcado devido à chuva forte que não cessava. Vestia uma capa comprida e negra e cobria o rosto com capuz. Não era possível ver seu corpo pois sua capa não cobria apenas suas botas de aço. O sujeito chamou a atenção de Magali, George e os que ainda conseguiam prestar atenção em algo, mas logo concluíram que era um aventureiro. Situações assim não eram muito raras, pois muitas pessoas não gostam de serem vistas. Alguns são criminosos, outros fugitivos e alguns apenas não querem ser perturbados. O sujeito encapuzado sentiu seu corpo pesado em uma cadeira e em poucos instantes uma atendente já foi ao seu encontro.

- Quem você acha que é? – Perguntou George.

Os dois haviam desenvolvido um tipo de brincadeira no tempo que passaram juntos na taverna. Sempre que um sujeito misterioso entrava no estabelecimento eles tentavam adivinhar seu objetivo e história.

Magali analisou o modo como ele conversava com a atendente.

- Ele não levantou o rosto para falar com Nina, deve ser alguém conhecido. Um criminoso, talvez?

Nina, a atendente, foi até o balcão e avisou que o sujeito pedira um caneco de cerveja. Magali foi prepara-lo enquanto George analisava o encapuzado discretamente.

- Ele está de máscara. – Disse preocupado quando Magali voltou com a cerveja.

A atendente, não mais que uma garota de dezenove anos, pegou o caneco e foi entregar para o sujeito.

- Talvez tenha o rosto deformado ou....

E então veio o grito. Agindo por instinto Magali levou sua mão para baixo do balcão, já pegando sua espada que ali esperava. Viu George virar-se imediatamente, procurando a fonte do grito. Todos na taverna, mesmo os mais bêbados, se voltaram para o mesmo lugar no mesmo instante. Na mesa do sujeito não mais encapuzado Nina caia no chão, com uma adaga enterrada em seu peito.

Depois de um segundo de silêncio e incredulidade, os beberrões que ainda estavam ali começaram a gritar e correr, todos em direção a saída. O homem ignorava todos os clientes enquanto caminhava em direção a Magali. Sua face era um elmo que imitava uma caveira, e agora empunhava uma espada de lâmina vermelha.

- George, corra para a cozinha! – Gritou em desespero.

O menestrel, saindo de um devaneio, começou a correr em direção a cozinha, mas hesitou no meio do caminho.

- Venha comigo, rápido!

Mas Magali ignorou. Estava com sua atenção focada na caveira de aço em sua frente. Empunhou sua espada com as duas mãos, segura que ainda tinha habilidade para proteger seu amado. Agora que via o corpo de aço do seu inimigo sentia falta da sua armadura.

Ela foi a primeira a investir. Precisava testar a resistência do desconhecido. Impulsionou-se para frente e cortou na altura do ombro. A caveira levou sua espada rubra com velocidade para bloquear o ataque, deixando o outro lado do corpo exposto. Magali reposicionou-se com rapidez e girou sua espada para acertar o lado esquerdo do inimigo, mas a espada chocou-se com a armadura do inimigo e não teve efeito. Magie sentiu sua mão doer no choque e praguejou. A capa escondia qualquer brecha na armadura, sendo difícil descobrir onde acertar.

E então chegou a vez do inimigo. Ele era alto e largo, mas não pecava em velocidade. Sua espada cortou rente a barriga de Magie, que escapou saltando para trás. Viu que seu vestido e a superfície de sua barriga fora cortado, começando a escorrer sangue. Antes que pudesse se recuperar a espada da caveira já atacava novamente. Dessa vez o golpe veio de cima, e foi certeiro. A espada rubra cravou no ombro da guerreira e alojou-se ali, espalhando a terrível dor por todo seu corpo. Ela sentiu seu braço esquerdo adormecer enquanto perdia os sentidos.

Tentando se recuperar chutou com força o estomago do desconhecido, e mais uma vez encontrou placas de aço. Praguejou ao sentir alguns dedos do pé quebrar, mas conseguiu fazer com que a caveira recuasse dois passos, o suficiente para tirar a espada de seu ombro. Magali preparou um golpe na altura do pescoço quando a porta da taverna foi arrombada.

Por um mísero segundo, o esqueleto de aço se distraiu. Na porta os guardas da cidade começavam a entrar, contando três ao todo. Magali estava preparada para o golpe quando o inimigo se distraiu, mas mesmo distraído, ela sabia que ia falhar. Nesse curto segundo Magali deu as costas e correu. Viu que a caveira se preparou para busca-la, mas um dos guardas chamou sua atenção quando tentou cortá-lo com sua espada.

George esperava desesperado na entrada da cozinha e agradeceu a todos os deuses por Magali ter largado seu orgulho e fugido da luta. Os dois entraram na cozinha e correram para a saída dos fundos. Na rua, conseguiam escutar os gritos dos guardas que estavam sendo fatiados.

“Cedo ou tarde alguma coisa acontece e somos obrigados a voltar”. Não achava que aconteceria tão cedo.



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