História O Necromante - Capítulo 7


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Categorias Mitologia Nórdica, Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Demonios, Deuses, Espadachim, Fantasia, Magia, Mago, Monstros, Reinos
Exibições 9
Palavras 1.002
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Capítulo 7 - Chuva de Primavera


Chovia na primavera. As gotas d’agua caiam como rajadas de flechas, ininterruptas, fortes, barulhentas. De vez em quando um raio caia longe dali, tão forte que parecia ser a poucos metros. Mesmo com a chuva que doía, Thomas e Arthur seguiam seu caminho no meio da estrada lamacenta.

Estava silencioso, escuro e frio. Mas nenhum dos dois parecia ligar, pois por pior que estivesse do lado de fora, dentro de si mesmos estava muitas vezes pior. Thomas tinha seus olhos vermelhos de choro enquanto no seu rosto não se podia diferenciar lágrimas de chuva, andava de maneira frouxa e já perdera as contas de quantas vezes desabou na lama, exausto física e mentalmente. Já Arthur, o de menos idade, mostrava uma força de vontade maior. Chorara, é claro, mas reconhecia seu lugar. Sabia que teria a hora e o lugar de lamentar a morte de sua amada e dos pais de seu amigo, e o lugar seria uma taverna, não em uma estrada que corta um bosque.

Ouviu-se um baque surdo e o corpo de Thomas estava caído outra vez. Arthur, em movimentos automáticos, ergueu o corpo do amigo e deixou-o apoiar em seus ombros.

- É melhor acamparmos. – Disse.

Thomas não respondeu, apenas continuou seu caminho. Estavam voltando para Estila, sem nenhum objetivo em mente. Apenas queriam fugir daquele lugar, por isso nem mesmo descansaram. Já caminhavam a mais de quatro horas e os dois estavam exaustos. Mesmo que Thomas parecesse em pior estado, era Arthur quem sofria de verdade. Além de ter que ajudar seu amigo constantemente, trajava uma armadura completa que limitava seus movimentos e pesava em seu corpo.

Os dois seguiram caminho em ritmo lento, até Arthur notar algo estranho. Já estava com esse sentimento a alguns minutos, mas só pode confirma-lo agora, já que avistou uma silhueta se movendo em meio as arvores. Agradeceu aos deuses, pois conseguir ver alguém naquelas condições era uma tarefa quase impossível. Tentou não mudar a postura para não alertar a criatura que fosse. Tentou contato com Thomas, mas o amigo apenas seguia seu rumo, derrotado. Arthur começou a se preocupar quando notou outro movimento, desta vez no lado oposto. Era mais de um.

Enquanto isso Thomas mantinha seus pensamentos afogados em mágoas enquanto olhava para os pés. Sentia pena de si mesmo, e sentia medo da morte. Como o Necromante escapará? Essa pergunta não saia de sua cabeça. Será que estava atrás dele? Quer mata-lo ou apenas está jogando com ele? Pensou se agora, nesse mesmo instante, não estava sendo observado por....

Seu corpo saltou para trás e ao mesmo tempo puxou sua adaga em formato de cobra, tudo isso numa simples reação ao ver uma pequena criatura saltar do meio do mato. Ele mesmo se impressionara com seus reflexos.

- Tem mais aqui!

Ouviu Arthur avisando enquanto os dois se aproximava, um de costas para o outro. Thomas espiou atrás dos ombros e viu mais duas pequenas criaturinhas caminhando na direção de seu amigo, que já empunhava sua espada longa. Notou um movimento rápido a sua frente e se virou a tempo de ver o pequeno monstro investir contra ele.

A criaturinha tinha cerca de um metro, orelhas longas, chifres pequenos e uma pele rosada. Nas suas garras tinha uma adaga (que mais parecia uma espada em comparação ao corpinho) e ele saltou com ferocidade em direção a Thomas, que deu dois passos para o lado fazendo o monstrinho passar reto. Rosnou irritado.

- Malditos kobolds! – Gritou Arthur, enquanto cortava um ao meio.

Mais dois saltaram das matas. Agora eram quatro contra dois. Thomas tentava lembrar de todos os ensinamentos de seu pai, tentando ignorar o pesar que sentia para não acabar como sua família.

E o kobold atacou outra vez. Thomas notou a criaturinha quando fez menção de saltar e soube o que estava por vir. O monstrinho saltou na direção do pescoço, com a adaga apontada para o mesmo. Tom esperou o momento certo, o momento em que seu corpo pedisse para agir... e o fez. Sua mão saltou para o pulso do pequeno chifrudo enquanto levou sua adaga direto a sua barriga, perfurando o corpo do monstro, que berrou em desespero.

Quase ao mesmo tempo, Thomas sentiu uma pontada em suas costas, e então um rasgo. Viu que outro kobold pulara e perfurara sua cintura por trás. Aproveitou a criatura perfurada que estava em suas mãos e a jogou contra o outro monstrinho, que apenas saltou para o lado, desviando. O kobold ferido se contorcia no chão. Thomas pousou sua mão sob o furo em sua cintura, viu que escorria sangue. Começou a sentir medo outra vez. Lembrou de dois anos atrás. Lembrou de sua jornada como aventureiro. Viu seu pequeno inimigo começar seu ataque. E então lembrou-se de Dena.

Urrou enquanto corria em direção ao pequeno. A criaturinha foi pega de surpresa, interrompendo mais um de seus saltos, e não foi rápida o bastante para reagir ao corpo de Thomas indo em sua direção. Os dois caíram no chão. O kobold se debatia enquanto tentava escapar do humano fedorento, mas Thomas começara a esfaqueá-lo. A adaga de serpente subia e descia, subia e descia. Sempre que subia, sangue negro era cuspido. O barulho de aço penetrando a pele rosada do monstro se repetia incessantemente. A criatura morta parara de se debater, mas Thomas continuava. Em sua mente só conseguia ver seus pais, seus antigos companheiros, Arthur, Dena....

- Já acabou, Thomas. Estão todos mortos.

Mas ele não escutara. Estava cego de ódio e continuava a esfaquear o frágil corpo da criatura. Seu rosto e corpo já estavam cobertos de sangue negro enquanto a faca descia e subia. Começava a sentir frio.

- Isso não vai mudar o que já aconteceu, Thomas!

As facadas diminuíram, mas Thomas ainda não escudava. A adaga descia cada vez mais fraca e subia menos. Até que a visão começara a ficar turva e escura. Mais escura que a noite. Sentiu a força escapar de seu corpo, e junto dela, a consciência.



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