História O Nerd - Capítulo 19


Escrita por: ~

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Categorias Karol Sevilla, Ruggero Pasquarelli, Sou Luna
Personagens Karol Sevilla, Ruggero Pasquarelli
Tags Colegial, Drama, Ruggarol
Exibições 541
Palavras 5.437
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Hentai, Luta, Mistério, Poesias, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


SÓ VOU CHORAR MERMO 😭😭😭😭😭😭

Capítulo 19 - Epilogue


 

Agora eu preciso de um milagre

Apresse-se agora, eu preciso de um milagre

Estendendo a mão

eu chamo seu nome, mas você não está por perto

eu digo seu nome, mas você não está por perto

Eu preciso de você, eu preciso de você, eu preciso de você agora

Sim, eu preciso de você agora. Então

não me deixe, não me deixe, não me deixe para baixo

Eu acho que estou perdendo minha mente agora

Está na minha cabeça, querida, eu espero

que você estaria aqui

quando eu mais preciso de você. Então

não me deixe, não me deixe, não me deixe para baixo

Não me deixe para baixo

 

[ Don't Let Me Down - The Chainsmokers ]

 

Epílogue 

 

3 anos depois...

 

06 de Setembro de 2018 - 11:40  - Buenos Aires

 

E um dia você acorda e percebe que somente amava a imagem que você fazia da pessoa, no seu pensamento tudo era perfeito porém finalmente caiu sua ficha de que somente na sua cabeça era assim. E você segue em frente, rezando pra próxima vez conseguir enxergar com clareza.

A pior parte foi a que eu dei o nome de ''a seca''.

Eu sentia falta de cada mínimo detalhe dele. De cada mania, desde o tom de sua voz, a sua risada alta que tive poucas chances de escuta-la, a forma que seus olhos se apertam quando ele sorri, as covinhas profundas nas bochechas, senti falta até mesmo de seus dois dentinhos um pouco maiores que os demais, dos fios de cabelo se enroscando em minhas mãos, suas tatuagens e principalmente do tom preto de seus olhos.

Senti falta do sabor agridoce de seus lábios macios e avermelhados e que me faziam ficar sem ar, senti falta de suas mãos grandes e quentes e de como elas me faziam derreter com apenas um toque.

Sentia que cada vez que eu me esforçava para lembrar de seu sorriso, ou de qualquer detalhe de Ruggero, ele estava mais distante, desfocado e impreciso, uma memória se apagando, como uma foto ficando antiga e perdendo as cores com o tempo enquanto eu lutava comigo mesma para manter a memoria dele próxima, para não perde-la.

Levei meses para conseguir parar de chorar.

Não foram meses fáceis.

Eu segurava as lagrimas como se minha vida dependesse de cada gota que eu guardasse, mas ao cair da noite elas sempre davam um jeito de se libertar, molhando minhas roupas e meu travesseiro, ao ponto de me sufocar e me falta o ar.

Eu chorava pela perda, e porque cada parte do meu corpo, cada célula gritava em necessidade Dele. Como um viciado em drogas que se vê preso em uma clinica de reabilitação, onde o vicio se tornou ele e o desespero se torna tudo o que ele sente quando constata que jamais vai provar da droga novamente.

No meu caso não só meu corpo, mas meu coração viciado berrava e sangrava por Ele.

Ruggero ainda era parte de mim, como uma tatuagem da qual eu não conseguia me livrar. Ou talvez como uma doença incurável impossível de ser arrancada para fora de minhas veias.

Quando finalmente coloquei a cabeça no lugar e lutei contra as lagrimas, eu percebi que Ruggero fora uma guerra da qual eu nunca tive chances de vencer.

Eu a perdi.

E aceitar a derrota de alguma forma me fez um pouco mais corajosa quando as nuvens negras chegaram.

Veio então o que eu chamei de ''a tempestade''.

Depois que os meses de lagrimas cessaram, foi como se uma nuvem de tempestade ficasse sobre mim constantemente.

Eu sentia que a tempestade estava para chegar, e não tinha medo.

Ao invés de temer, eu abri um buraco no teto do meu próprio coração e deixei que a tempestade entrasse e me fizesse cair de joelhos e chorar novamente, mas não eram mais lagrimas de lamento, e sim as lagrimas de aceitação. Lagrimas que aceitavam que ele não voltaria. Deixei que a água invadisse meus pulmões enquanto eu tentava gritar, e finalmente me afogar.

Eu achei que morreria.

E de certa forma eu preferia ter morrido naquele momento.

Mas quando amanheceu, a tempestade havia levado tudo. Havia acabado com a seca e levado cada lembrança que eu tinha dele.

A ultima parte foi a menos pior, mas não mais fácil.

Eu tive que lutar contra mim mesma, e destruir cada hábito e mania que eu tinha pegado dele.

E foi como se eu quisesse apagar um pedaço de mim, foi doloroso mas valeu a pena.

No final de tudo eu estava limpa.

Três anos sóbria do meu vicio de Ruggero, mas isso não significa que eu não sinta falta.

Também não significa que a ferida se curou para sempre. De vez em quando ela abre algum ponto e sangra, mas eu aguento.

Assumi para mim mesma que nós dois não éramos para ser, mas só porque não era pra ser não significa que não era para acontecer. Ele tinha que ter colocado ordem na bagunça que era minha vida, porque assim me fez perceber que talvez eu não soubesse lidar com minha própria bagunça e precisasse de alguém para limpar e colocar tudo no lugar.

Era pra acontecer, só não era pra terminar bem. Só não estávamos destinados a ficar juntos.

Alguns relacionamentos curtos, são feitos pra testar o quão forte você pode ser, ou até mesmo para te ensinar a lidar com a dor e aprender a ser forte. Ruggero me quebrou em milhões de pedaços, mas me ensinou essas duas coisas.

Eu ainda o amo, e sempre irei, mas a distância e longe do meu coração ferido.

Agora que estou limpa, não preciso que ele venha me sujar novamente. Não preciso e nem quero que ele venha me quebrar novamente, depois de todo o trabalho que tive de juntar as migalhas de meu coração  e acomoda-las em um canto de mim, mesmo que seja impossível junta-las novamente.

Talvez tenha essa sido a única razão pela qual nossos caminhos se cruzaram: para finalmente me deixar limpa.

Entrei no prédio e peguei o elevador até o sétimo andar como havia sido instruída por Lydia depois dela me maquiar, fazer meu cabelo, unhas e me vestir. Eu já estava atrasada, então o mínimo era chegar pronta para dar pelo menos meu discurso.

Hoje eu finalmente iria terminar minha faculdade de estatística, e enfim me ver livre dos danos que aquela universidade me trouxe. Das lembranças presas naquelas paredes, do estádio onde encarei Ruggero pela primeira vez. Quando abri os portões para entrar no estádio meu nome foi chamado pelo diretor Alex, dei meu melhor sorriso e subi ao palco, sobre os olhos atentos de papai.

— Há um prazo de validade para o ato de culpar os pais por te desviarem de sua vocação. — começei — Muitas pessoas querem agradar aos outros e acabam tomando essa desculpa para esconder o medo de se arriscar e empreender. Não caia nessa! O fracasso significa se livrar do que não é essencial, eu parei de fingir ser qualquer coisa além do que realmente era e empreguei toda minha energia em terminar o único trabalho que importava para mim. — suspirei — Um antigo amigo me falou que odiava demais a palavra diversidade. Eu demorei um pouco pare entender o que significado disso, mas hoje cai bem na situação que nos encontramos. Sugere … alguma coisa além. Como se fosse algo especial. Ou raro. Diverso! Como se tivesse algo incomum sobre contar histórias de mulheres, pessoas de cor e personagens LGBT na televisão. — aquela altura me lembrei de Ruggero, ele era incrivel. Tudo que ele falava e citava era incrivel. — Tenho uma palavra diferente: normalizar. Estou normalizando a TV. Estou fazendo a televisão parecer mais com o mundo real. Mulheres, pessoas de cor e LGBT somam mais que 50% da população. Isso significa que eles não são qualquer coisa. Você deveria ligar a TV e ver a sua tribo. O objetivo é que todo mundo ligue a televisão veja alguém com quem se parece, que ame da mesma forma. Mas o mais importante, todo mundo deveria ligar a TV e ver alguém com quem não se parece ou que ame diferente. Porque assim todo mundo aprenderia com essas pessoas. Por que assim seria possível se reconhecer neles. Então, assim, aprenderíamos a amá-los.

Encarei o estádio e as pessoas me olhavam com um sorriso. Encarei papai e ele balançou a mão em um sinal positivo. Ri.

— Para terminar, eu quero dizer isso: se você é uma criança e está por aí, gordo, não tão bonito, nerd, tímido, invisível e ferido. Qualquer seja sua raça, seu gênero, sua orientação sexual, eu estou aqui para dizer: você não está sozinho. Sua tribo, ela está por aí no mundo. Esperando por você.

Eu estava vagamente consciente de aplausos e assobios, mas o bater de alegria do meu coração tinha afogado tudo. Mike a Agustín vieram em minha direção sorrindo e me puxando para um abraço.

— Uou que discursso foi esse? Você escandalizou a nação — Agustín falou rindo.

— Foi muito ruim? — perguntei mordendo os lábios.

— Isso é alguma piada? Quer dizer, sem dúvidas esse foi o melhor discursso de todos os tempos — ele falou ainda rindo.

— Você é ridículo Agustín — reviro os olhos e me junto a ele nas risadas.

— Parabéns pelo diploma Karol — falou Mike — Sei como foi difícil você continuar a faculdade depois da part... — ele ia falando mas o interrompi.

— Por favor, não vamos falar sobre esse assunto. — falei suspirando.

— Ah claro tudo bem, vamos Agustín quero companhia para observar as gatinhas — diz Mike levantando os óculos pretos.

— Estou indo — responde — Fica com esse champanhe. — Agustín fala me entregando a taça.

Eu bebi o champanhe e ri alto demais e comi metade do meu peso corporal em chocolate. Apenas por algumas horas, eu queria deleitar-se com a opulência ridícula que eu sempre tinha tido como certa. Amanhã eu beberia um gole de água e arrumaria minha cabeça. Amanhã eu me preocuparia sobre como me manter em pé. Amanhã eu me faria pensar sobre outras coisas.

Mas hoje à noite? Hoje à noite eu estava indo aproveitar este momento perfeito.

— Mais uma dança?, — perguntou Lionel, pegando-me no meio do gole que eu jurei que foi a minha última bebida. — Eu tenho que pegar um avião, mas eu queria dizer adeus.

Eu estava de pé, pegando sua mão. 

— Vou pegar qualquer adeus que puder.

Qualquer coisa será melhor do que da última vez.

— Eu ainda sinto muito por isso, mas você sabe por que eu não podia.

Nós mudamos de posição, e ele me girou ao redor da sala. 

— Eu sei. Isso não torna mais fácil embora. Não o diminui o fato de que contribuiu para tudo o que está acontecendo, e a vida vai ser um pouco dura aqui sem você. — falei sincera.

— Hey, — disse ele, notando a preocupação em meus olhos. — Tudo vai ficar bem. Você fará isso sem problemas. — fixei meu rosto, tentando encontrar a magia que estava correndo pelas minhas veias apenas momentos atrás. — Fora que você nunca precisou de mim pra muita coisa, e se precisar de alguém para lhe dar apoio é só chamar o Agustín. Ele idolatra até o chão que você pisa, não seria um problema para ele. — fala Lionel caindo em uma crise de gargalhadas.

A canção chegou ao fim, e Lionel se curvou profundamente. 

— Você tem que vir a Paris para o Ano Novo.

— E você tem que voltar para o meu aniversário — eu insisti.

— Então você tem que ir para a meu aniverssário também.

— Não a menos que você volte aqui para o casamento de Jorge e Chiara.

Eles estendeu a mão. 

— De acordo.

Apertamos as mãos, e meu melhor amigo precioso me puxou mais perto para um abraço.

— Eu estive triste por dias, pensando que nunca iria me perdoar pela morte dele. Você sabe não foi culpa minha. O fato de que você não está com raiva de tudo faz o ato de voltar muito mais difícil.

Evitei falar sobre qualquer coisa que estivesse ligada com o passado, principalmente do meu passado.

— Você tem que ligar. E não apenas para Jorge, Mike e Agustín, você tem que me ligar.

— Eu vou.

— Eu te amo, Lionel.

— Eu te amo, Karol.

Eu ri, e ambos levamos um momento para enxugar os olhos.

— Até a próxima — ele se despediu.

Dei um último abraço em Lio, e o vi seguindo para porta da frente pegando um carro. Não seria fácil pra ninguém a sua partida.

Embora eu estivesse ficando cansada, eu sabia que não era ainda hora de escapulir.

Uma última volta, eu disse a mim mesma. Eu apertei as mãos, e sai pela porta lateral. 

Quando parei em frente ao jardim, uma voz masculina e com sotaque muito forte começou a invadir meus ouvidos. Soou irritada e fez algo dentro de mim latejar. Eu tinha a impressão de já ter escutado essa voz muitos anos atrás. Eu sabia que já tinha escutado aquela voz.

Mas também sabia que era apenas coisa da minha cabeça.

Devo estar voltando a imaginar coisas com dle. Nos primeiros anos isso havia quase me deixado louca, mas passou. Bom, até agora havia passado.

As luzes estavam posicionadas e um X no chão do jardim, deve ser o lugar com melhor iluminação. Ouvi mais uma vez aquela voz, parecia que estava falando com alguém pelo celular.

— Olá? — arrisquei, tentando não soar tão nervosa. Como resposta recebi um resmungo baixo irritado e som de passos. 

Olhei em volta a procura do dono da voz, e foi quando uma silhueta veio em minha direção.

Meu coração acelerou.

Eu conheço essa silhueta.

Não, eu devo estar imaginando coisas.

Deve ser isso.

Apertei os olhos e pressionei minha mão no lado esquerdo do peito que latejava e ardia com a intensidade da lembrança. Eu preciso parar de permitir que as lembranças me machuquem dessa maneira. Prendi a respiração por um minuto, e quando a soltei abri os olhos.

O fantasma que me atormentou por todos esses anos esta parado a minha frente. Com olhos pretos arregalados e seus cabelos, em largos cachos brilhantes cor de chocolate.

— Seus discursso foi brilhante — falou erguendo a sobrancelha e dando um sorriso de lado — Aliás acho que ele foi direcionando a mim.

O olhei da cabeça aos pés, guardando cada detalhe como uma agulhada profunda em meu coração. 

— Ora pare de olhar para o meu corpo — ele falou rindo.

Rejeitei suas palavras e subi o olhar por seus braços ainda mais tatuados, e foi quando cometi o erro de focar em suas mãos.

Aquelas mãos.

Meus olhos encheram de lagrimas, mas as segurei determinada a não desabar,não agora. Levantei os olhos para encontrar os dele novamente, em um olhar tão intenso que doía. Eu só queria que ele parasse de me encarar daquela maneira.

A dor é tão intensa que senti falta de ar,ou talvez eu tenha me engasgado com o ar que tentava entrar em meus pulmões,mas em algum momento um som parecido como no de esgano saiu de minha garganta. Eu precisava sair daquele lugar.

— O que você está fazendo aqui? Porque você voltou? — perguntei gritando e senti as lagrimas começarem a cair.

— Por você Karol, eu vim te buscar. — ele falou sorrindo.

Aquele sorriso com covinhas que atormentou meus melhores pesadelos, aqui na minha frente. Aqueles malditos olhos, a saudade e a  mágoa que eu sentia dele, a junção de tudo se tornou insuportável. 

— Pois chegou tarde demais — falei entredentes.

Virei as costas e sai correndo, não lembro se fechei a porta e nem se pensei em voltar para a entrada do estádio, quando me dei conta eu estava correndo sete lances de escada abaixo, com lagrimas grossas e soluços altos, tentando respirar enquanto cada pedaço que havia sido deixado aos pés dele pela segunda vez doía, sangrava e me matava lentamente.

Quando finalmente cheguei ao estacionamento, me apoiei em meu carro e me permiti chorar.

Eu não suportava saber que ele havia conseguido continuar com seu coração intacto enquanto pisava nos restos do meu.

Chorei a ponto de cair de joelhos em um estacionamento. Quem escutasse meus soluços poderia imaginar que eu havia perdido um filho, ou um ente muito querido. Mas eu só havia pedido o que restava de mim.

Quando escutei passos se aproximando, tentei limpar as lagrimas mas já era tarde demais.

— Karol? — sua maldita voz me chamou e solucei alto. Escondi minha cabeça entre as pernas, tentando me recuperar o suficiente apenas para olha-lo, me recuso a deixar que ele me veja assim mais uma vez. A seus pés e soluçando.

Me esforcei por longos minutos, e limpei o melhor que pude a maquiagem borrada. Não ergui a cabeça quando me levantei, estava me sentindo tonta, como se tivesse bebido muito, e acabei tropeçando em meus próprios pés. Ruggero segurou em meu braço, e o arrepio que sentir seu toque depois de três longos anos me fez dar um pulo para trás. Eu não quero seu toque.

— NÃO ME TOQUE! — eu gritei quando ele não afastou suas mãos de mim. O empurrei com força, e cambaleei até estar encostada no carro novamente. Ele me encarava com olhos desesperados e medrosos. — O que você quer? —perguntei com o que havia restado de minha voz depois de tantas lagrimas.

— Saber porque você saiu correndo daquele jeito — ele disse enquanto estudava meu rosto com olhos assustados.

— Porque eu não consigo — eu respondi, ele inclinou a cabeça confuso e estava tão lindo que mais lagrimas fugiram de meus olhos — Eu não suporto nem olhar pra você Ruggero, eu não consigo ficar perto de você.

— Eu sei que você me odeia, mas... — ele olhava para os próprios pés enquanto falava, depois de minhas palavras o atingirem como tiros. Mas ainda não era nada comparado com as dores que ele havia me causado.

— Eu não odeio você — eu disse, a fúria se misturando com a dor dentro de mim — Eu te amo, eu te amo tanto que isso me mata e é por isso que eu não aguento ficar perto, ou ao menos respirar perto de você, assistindo seu império, construído em cima dos cacos do meu coração — eu berrei e ele deu um passo para trás. Seus olhos agora cheios de lagrimas.

— Eu nã... — ele tentou dizer, sua voz gaguejando e seu olhar coberto de culpa.

— Cala a boca, por favor só cala a boca. —eu implorei.

— Me desculpe — ele disse e tentou se aproximar novamente, mas minha garganta emitiu um soluço alto e agudo e ele ficou onde estava.

— Te Desculpar? — gargalhei como uma louca enquanto soluçava e chorava — Eu fiquei de joelhos a seus pés, implorando para que você ficasse, e você prometeu que ficaria, mas na manhã seguinte você havia indo embora! Sem deixar nem ao menos um bilhete, algo a que eu pudesse me apegar ou alguma razão para você ter ido embora dessa forma, então não Ruggero, EU NÃO TE PERDOO!!! — completei furiosa e cheia de mágoa.

— Você não entenderia — ele respondeu negando com a cabeça

— Você nem ao menos tentou me dar alguma explicação! — respondi e me aproximei dele, queria bater nele, fazer ele sentir a mesma dor que eu estava sentindo. O tipo de dor que te destrói de dentro pra fora.

— Nem se eu tentasse você entenderia Karol é muit... — ele tentou falar mas eu o interrompi novamente.

— ENTÃO ME DIZ AGORA PORRA! ME EXPLICA O PORQUE!! — berrei descontrolada. Não me importando se estava parecendo uma louca.

— Foi naquele maldito lugar que eu perdi meu irmão, minha mãe, até mesmo minha alma! Tudo que havia de bom em mim morreu naquele lugar e eu precisava sair dali — ele respondeu entredentes deixando que lagrimas molhassem o seu rosto.

— Foi naquele lugar que você me encontrou — eu disse mais baixo — Eu não era o suficiente?

— Não — ele respondeu sem hesitar — Eu era tão quebrado, e não podia mais ficar arrancando pedaços de você para tentar ficar inteiro, você não merecia isso.

Eu ri.

— Eu merecia ser abandonada sem explicação alguma, e sofrer por dois malditos anos, é isso? — ele negou com a cabeça e passou as mãos pelos fios pretos.

Minha pele arrepiou e minha raiva voltou a ser dor. E saudade. Sentia saudade do perfume de seus fios de cabelo macio, de seus beijos, de sua voz. Tanta saudade que quase avancei para deslizar meus próprios dedos naqueles cachos macios.

Eu precisava ir embora.

— Eu preciso sair de perto de você —sussurrei e comecei a me afastar, mas Ruggero me segurou pelo braço, com força me mantendo no lugar e focando seus olhos em mim. Aqueles malditos olhos que eu achei que tinha explorado e conhecido bem, mas que agora pareciam vazios e desconhecidos novamente.

— Me perdoa, por favor — ele disse sem desviar um segundo de meus olhos. Sua voz falha e rouca, enquanto suas mãos quentes ainda me tocavam.

Antes que eu pudesse responder um soluço irrompeu de meus pulmões, alto e frágil, tão doloroso que ele tentou me abraçar, mas eu me desviei de seus braços. Era demais.

— Eu não posso — eu disse fraca em meio a lagrimas, e a vergonha de permitir que ele me veja novamente nesse estado me impediu de encara-lo nos olhos. — Porque se eu te perdoar, significa que eu estou te deixando livre para seguir em frente sem sentir culpa e que eu consegui superar, mas não é essa a verdade Ruggero. Eu não consegui superar, eu não quero que você siga em frente pisando na bagunça que você fez comigo. Eu quero que você saiba o que fez, e que apesar de todos os meu defeitos e coisas ruins que já fiz na vida, eu não merecia aquilo.

— Karol e...— ele tentou falar, mas sua voz me atingia como se fossem facadas.

— Por favor —  implorei e ajeitei minha postura, pronta para ir embora. — Por favor, só me deixa ir embora e fingir que isso nunca aconteceu.

 — Não quero que vá embora, quero que converse comigo — dle disse e eu ri fraco, aos poucos a raiva voltava e as lagrimas não ardiam mais. 

Respirei fundo. Encarei seu rosto perfeito por um segundo e mais um soluço fugiu de mim, junto com um turbilhão de palavras.

— Não é justo sabe — eu disse antes que a coragem fosse embora de mim — Eu fiquei com todas as partes quebradas de você, eu consertei e dei tudo de mim, e teria feito qualquer coisa por você, e então você vai embora inteiro, me deixando aos pedaços. Fiquei sem nada depois de te dar tudo. Vazia.

— Eu não menti quando disse que te amo. Porque eu amo, ainda amo e você ainda tem tudo de mim. Quando eu decidi ir embora deixei tudo de mim naquela cama,envolvido em seus cachos no travesseiro. Deixei meu coração ali.

— Não foi o que pareceu quando eu acordei sozinha, e nem em nenhuma das noites em que eu não conseguia dormir porque a dor em meu peito me fazia chorar descontroladamente e perder o ar. — eu disse e cerrei os punhos.

— Eu achei que estava fazendo a coisa certa! — ele disse — Eu nunca te mereci, e eu achei que você fosse ficar bem, você tem David, e tinha seus amigos, eu só não queria deixar que você carregasse o meu peso mais uma vez.

Eu ri, uma risada triste e vazia e isso fez ele dar um passo para trás.

— Você não sabe quantas milhões de vezes eu pensei em voltar, te implorar de joelhos por perdão — ele falou — porque eu te amo Karol, e sempre vou amar.

E quando ele terminou de falar uma onda de mágoa e raiva me dominou-se.

— Você me ama? ME AMA? — perguntei descontrolada.— E ONDE ESTAVA ESSE AMOR QUANDO ME DEIXOU? ONDE ESTAVA ESSE AMOR QUANDO EU QUASE PERDI A PESSOA QUE MAIS AMEI EM TODO ESSE MUNDO? — berrei contra seu rosto e ele arregalou os olhos, gaguejando antes de conseguir falar.

Ruggero me encarou confuso, seus olhos pretos arregalando quando finalmente se deu conta do que eu tinha dito. E foi então que a culpa fez seus olhos escurecerem ainda mais.

— O que? O que houve com David? — ele perguntou com voz embargada. 

— Ah nada demais sabe, ele só ficou em coma por dois anos, mas ele já acordou não se preucupe. E além do mais desde quando você se importa? —  perguntei e ri. Ruggero se aproximou de mim, e seu perfume invadiu o ar. Ainda era o mesmo cheiro, sabão, menta, e perfume amadeirado. Me fastei de seu corpo e peguei a chave de meu carro, a apertando firme entre os dedos.

— Karol eu sei que você assumiu a empresa porque eu estava lá, e Jorge não deixou que eu....— ele começou a falando, tropeçando nas palavras e gesticulando com as mãos, mas desviei os olhos dele. Isso já havia ido longe demais.

— Você não merece saber, você foi embora —  eu disse, minha voz o cortando feio um faca. Gélida e certeira. 

Seus olhos pretos encontraram os meus, olhos pretos feito cheios de lagrimas, em olhos perdidos.

— Não faz isso, por favor —  sua voz era baixa e rouca, quase chorosa quando falou. — Não esfrega a maior merda que já fiz na vida na minha cara, porque isso eu mesmo já faço todos os dias. —  ele completou.

Seus olhos vazaram, e suas lagrimas grossas invadiram seu rosto perfeito.

E de repente tínhamos dezenove anos de novo, e ele estava em minha cama soluçando e tremendo com medo da verdade.

— Não estou esfregando e pare de falar como se você fosse a vítima da história — respondi, e não me senti bem como pensei que sentiria ao ver seu rosto desabar — Você não quebrou somente a mim Ruggero, você quebrou David também, mais do que ele já era quebrado.

— Eu pensei que estava fazendo a coisa certa —  Ruggero sussurrou.

— Estava errado, muito errado — eu respondi.

 — Não importa Karol. Vem comigo, por favor. Eu voltei. Voltei pra te buscar — ele respondeu e segurou minha mão com sua mão. O toque doeu. Tudo que ele fazia doía.

Puxei a mão.

— Eu não quero conversar com você Ruggero —  eu disse baixo, usando todas as minhas forças para não chorar. —  Eu não posso — sussurrei.

— Por favor —  ele pediu usando o mesmo tom —  eu preciso te explicar tudo.

— Três anos depois? Tarde demais, sinto muito —  respondi e olhei uma última vez para seus lábios, nariz, olhos, cabelo e finalmente as mãos. —  Tchau —  eu disse, tentando erguer a cabeça.

Virei as costas e voltei a chorar mais. Uma última vez, prometi a mim mesma, e eu seguiria em frente. Não posso permitir que ele me destrua dessa maneira. Não vou.

— Por favor Karol, vamos resolver isso como adultos. Eu mereço uma segunda chance  — implorou também chorando — Eu sei que o que eu fiz foi errado, mas todos merecem uma segunda chance. 

— Todos? Pode ter certeza que você não está incluído nesses todos, você não  merece uma segunda chance  Ruggero. Não merece  — gritei.

— E você acha que merecia? Você acha que merecia a segunda chance que te dei no passado Karol? — perguntou e aquilo doeu mais que um choque — Você acha merecia uma chance depois de ter me enfiando naquela maldita aposta? Acha que merecia uma chance depois de ter me maltratado? Acha que merecia uma chance depois de ter xingado tanto o meu irmão? NÃO KAROL VOCÊ NÃO MERECIA MAS MESMO ASSIM EU TE DEI. — rebateu. 

— Não misture as coisas. O que você fez e muito diferente — respondi enxugando as lagrimas. — Se você não tivesse me abandonado ele não teria morrido — acusei.

— O que? Do que você está falando? Quem morreu? — ele perguntou confuso.

— O nosso filho.

Ele me olhou confuso, e encarou minha barriga, para em seguida voltar para o meu rosto.

— Você estava grávida? — perguntou com os olhos arregalados — Porque você não me contou antes? — disse irritado.

— PORQUE EU NÃO SABIA. SÓ DESCOBRI DEPOIS QUE VOCÊ PARTIU — gritei e me joguei na grama do jardim.

Se não fosse por Ruggero, meu filho ainda estaria vivo. Se não fosse por Ruggero eu não teria o perdido.

— Como ele morreu? — perguntou Ruggero.

— Eu entrei em depressão logo depois que você foi embora — falei me sentando e soluçando alto — eu não comia nada, acabou que perdi o bebê.

— Eu sinto muito. Acho que não dá pra reverter isso — ele disse solidário.

— Não você não sente — respondi irritada.

Me levantei e estava preparada para ir embora, mas Ruggero segurou minha mão. 

— Eu sei que seu perdão não vai fazer esquecer todas as coisas que estão no seu pensamento. Eu errei de um modo muito cruel. Falhei! Machuquei seu coração; e não queria. Mas não estou fugindo da realidade. — falou — Estou olhando de frente, implorando por uma reconciliação. Até porque toda esta experiência, negra e triste, apurou os sentimentos mais puros do meu coração. Por favor, me dê uma chance!

— Pra que te dá? Você iria me abandonar igual da última vez — ri nervosa.

— Não Karol. Pode ter certeza, eu não cometo o mesmo erro duas vezes — ele disse sorrindo, ainda com lagrimas derramando do seu rosto.

— As coisas não são assim Ruggero. Elas não são justas!

— E desde quando alguma coisa em nossas vidas foi justa — falou. E ele tinha razão. — Porque você tem que ser tão durona. — ele riu e passou as mãos pela cabeça.

Ele se levantou devagar e caminhou até mim. Ergui a cabeça na direção do rosto dele. Pus a mão em sua bochecha e o trouxe para perto para beija-lo. Seus lábios, molhados, encontraram os meus, queimando. Senti suas mãos se agarrarem às  minhas costas, como se ele fosse desmoronar se nós afastássemos. Apesar do barulho da chuva, o mundo todo parecia em silêncio. Eu sentia que não havia Ruggero suficiente, não havia pele, espaço, tempo suficiente. 

Depois de tantos anos tentando conciliar o que eu queria com o que esperava, percebi naquele momento que Ruggero criará só para nós, que nunca faria sentido. Tudo que eu podia fazer era seguir em frente e ter a esperança de que, sempre que desviassemos do caminho, ainda conseguiríamos voltar um para o outro.

Tínhamos que voltar. Porque...porque... Apesar de todo tempo que demorou para aquele momento chegar, quando ele finalmente aconteceu, foi rápido.

Eu amava Ruggero. Era incapaz de apontar precisamente o motivo de tanta certeza, mas soube na hora, com a mesma certeza com que sabia meu nome ou a cor do céu ou qualquer coisa escrita em um livro.

— Só mais uma chance — eu falei sorrindo.

— Só mais uma chance — ele repetiu e gargalhou junto comigo. — Você pode ir comigo até minha casa? Digo, minha nova casa. Precisamos comemorar nossa volta. Aliás parabéns pelo diploma. Você merece — ele disse.

— Obrigada. E claro que vou com você, só vou pegar minha bolsa — falei e ele assentiu.

Soltei sua mão e caminhei em direção a entrada do estádio. Todos sabem que quando fazemos escolhas temos um preço a pegar por elas, e acredite, eu pago muito caro por apenas querer ser quem eu sou… Mas francamente, cá entre nós, eu prefiro mil vezes caminhar sozinha e feliz comigo mesmo, do que caminhar com milhões ao meu lado e infeliz por não poder mostrar minha verdadeira face!

Imagine a vida como um jogo em que você esteja fazendo malabarismos com cinco bolas no ar.Estas são: seu Trabalho - sua Família - sua Saúde - seus Amigos e sua Vida Espiritual, e você terá de mantê-las todas no ar. Logo você vai perceber que o Trabalho é como uma bola de borracha. Se soltá-la ela rebate e volta. Mas as outras quatro bolas: Família, Saúde, Amigos e Espírito, são frágeis como vidros. Se você soltar qualquer uma destas, ela ficará irremediavelmente lascada, marcada, com arranhões, ou mesmo quebradas, vale dizer, nunca mais será a mesma.

Deve entender isto: tem que apreciar e esforçar para conseguir cuidar do mais valioso. 

— Como vai ser de agora em diante? — perguntei a Ruggero.

— Não sei — respondeu sincero.

— Se você for embora mais uma vez, irei atrás de você nem que seja no inferno — falo e ele ri com minhas palavras.

— Dessa vez lhe garanto que nos teremos o clichê do felizes para sempre — falou.

— É o que espero — respondi colocando um óculos sob meus olhos.

Shakespeare dizia: "Sempre me sinto feliz, sabes por quê? Porque não espero nada de ninguém. Esperar sempre dói. Os problemas não são eternos, sempre têm solução. O único que não se resolve é a morte. A vida é curta, por isso, ame-a!

Viva intensamente e recorde:

Antes de falar... Escute!

Antes de escrever... Pense!

Antes de criticar... Examine!

Antes de ferir... Respire!

Antes de orar... Perdoe!

Antes de gastar... Ganhe!

Antes de se render... Tente de novo!

ANTES DE MORRER... VIVA!


Notas Finais


😭😭😭😭😭😭😭😭 E JUNTOS JÁ CHEGAMOS AO FINAL 😍😍😍

Vou deixar meus agradecimentos no próximo capítulo, apesar desse ser o fim da história. Ainda temos o bônus do Ryan. Sábado a gente se ver 😘

GOSTARAM DO FINAL????????? NÃO ESQUEÇAM DE DEIXAR O QUE ACHARAM NOS COMENTÁRIOS 😏


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