História O Nerd - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias Karol Sevilla, Ruggero Pasquarelli, Sou Luna
Personagens Karol Sevilla, Ruggero Pasquarelli
Tags Colegial, Drama, Ruggarol
Exibições 804
Palavras 5.725
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Hentai, Luta, Mistério, Poesias, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 7 - Chapter 06 - Sixth Day


Fanfic / Fanfiction O Nerd - Capítulo 7 - Chapter 06 - Sixth Day

 

Estou ferrada, machucada 

Fui criada por isso, por todo esse abuso

Tenho segredos que ninguém, 

ninguém sabe 

Sou boa no sexo 

Não quero o que eu posso conseguir 

Quero alguém que tenha segredos 

Que ninguém, ninguém saiba

 

[ Kehlani- Gangsta]

 

 

Buenos Aires  - 26 de Agosto de 2016 - República Baires College  University - 09:30Pm

 

Sixth Day

 

As festas da república sempre são as melhores. Mas essa é ainda mais especial. Sentei em um dos sofás surrados com um copo de batida de cereja em mãos e Michael ao meu lado com uma garota morena que não me importei em saber o nome, estava com meus os olhos atentos, procurando alguém em especial. Quando finalmente vejo seu cabelo preto se destacando dentre todas as pessoas, e vindo em minha direção sorrio.

Dylan está ainda mais gostoso do que da última vez que o vi. E isso fora em janeiro. E para melhorar ainda mais Dylan esta usando camiseta branca e jeans escuros, e como sempre coturnos. É incrível como em alguns meses ele ficou ainda mais alto, mais musculoso e porra essa barba, quero passar minha língua nessa barba preta, e morder seu piercing.

Me livro dos pensamentos impuros engolindo em um só gole minha bebida, quando me levanto do sofá, Dylan já está a minha frente, com aquele sorriso de lado. Me jogo em seus braços sem nem ao menos dizer oi. Ele me abraçar com força, seu corpo inteiro se gruda ao meu, e sinto sua barba roçar em meu pescoço quando ele abaixa o rosto.

—  Senti sua falta Loba —  ele sussurra manso, sua voz ainda mais profunda do que eu me lembrava

—  Também senti a sua Lobo —  respondi no mesmo tom manso.

O apertei com mais força, e ele fez o mesmo apertando seus braços em minha cintura. Caralho Dylan,continua assim. Os pensamentos impuros começavam a me dominar. Nunca disse em voz alta o quanto amo abraçar garotos muitos mais altos que eu, o que faz o abraço do Dylan ser ainda mais maravilhoso, afinal ele tem 1,83, e adoro a forma que ele me levanta. Quando finalmente nos soltamos, olho para trás e encontro um Lio sentado no lugar em que eu estava antes de sobrancelhas arqueadas.

— Lionel! Esta bem cara? — Dylan pergunta animado e o cumprimenta com aquele toque estranho de mão que todo garoto faz, fazendo o mesmo com Michael logo em seguida.

Depois de cumprimentar os meninos o convido para ir buscar outra batida comigo. Mas a verdade é que eu queria livrá-lo do olhar assassino de Lio. Nós vamos para a cozinha, o local não está tão lotado, mas para chegar à mesa de bebidas temos de nos apertar um pouco. Depois de séculos procurando finalmente encontro um copo limpo para Dylan e me encaminho a ele para servi-lo da mesma bebida que a minha, batida de cereja.

Vou amar beijar esses lábios com sabor da minha bebida favorita. Me encosto na mesa e me inclino sobre ela, propositalmente. Não gosto de enrolação. Quero que ele me leve para o banheiro ou um dos quartos logo.

—  Loba você está ainda mais gata —  ele diz rouco em minha orelha, seus braços firmes rodeiam minha cintura e tenho certeza que ele esfregou essa maldita barba em meu pescoço de propósito.

Sorrio e inclino meu corpo para trás. Entregando meu traseiro em sua virilha, em resposta ele mordisca meu pescoço.

—  Você também está lobo —  respondo e me viro para olhar para esse rosto maravilhoso. Porra ele é lindo demais. E quando sorri malicioso me faz perder o controle.

Dylan levanta umas das mãos e desenha meus lábios com as pontas dos dedos. Fecho os olhos aproveitando o toque, e então ele me beija. Finalmente me beija.

Seus lábios tem gosto de canela, são carnudos e macios, me beijando calmamente e me invadindo lentamente com sua língua. Ele não segue o ritmo do meu beijo, segura em minha cintura firme e continua a me beija lentamente, explorando minha boca,matando a saudade que eu tenho certeza que ele sentiu. Quando finalmente me solta,estou sem fôlego e meu corpo inteiro está em chamas. O puxo para um beijo novamente, e ele agarra minhas coxas, empurrando os copos e bebidas para o lado e me sentando na mesa, com seu corpo entre minhas coxas.

Entrelaço minhas pernas nele e ele desce os beijos para meu pescoço, e ousadamente passa a língua na parte exposta pelo decote do meu seio sem tirar os olhos dos meus. O puxo pelo cabelo para beijar meus lábios novamente mas ele não o faz, volta para meu pescoço e passa a sua barba por meu pescoço enquanto beijar minha orelha. Quando vai descendo os beijos novamente, sua barba roça propositalmente em minha pele, me fazendo arrepiar e morder os lábios. Afundo ainda mais minhas mãos em seus cabelos, e ele finalmente volta para meus lábios, me beijando profundamente, sua língua brincando com a minha rápida e sem parar me deixando sem folego e desejando que ele me levasse logo para um dos quartos do segundo andar.

— Dylan para de enrolação e por favor me fode de uma vez —  eu sussurro. Minha voz soa rouca e cheia de desejo.

— Calma meu amor, não seja apressada —  ele responde e beija meus lábios rapidamente.

—  Não estou apressada, mas cuidado posso te trocar por outro se demorar demais.

Quando se afasta, pega um dos copos que servi e o toma em um só gole enquanto me encara de cima a baixo. Não vou negar que vim de saia e top mostrando a barriga de propósito. Quando termina ele coloca o copo vazio sobre a mesa e então segura em minha mão.

Eu permanecia parada, e em chamas.

—  Vem, vamos lá pra cima de uma vez —  ele diz dessa vez mais sério e me puxa levemente pela mão.

Sorrio e o sigo com o sorriso e o desejo crescendo a cada passo, a cada degrau da escada, me fazendo ignorar todos os olhares durante o caminho e o revirar de olhos que Agustin me direciona quando o encontramos no meio da escada. Quando finalmente paramos no andar de cima, Dylan começa a abrir as portas para verificar se os quartos ou até mesmo os banheiros estão vazios, mas todo a frente e me direciono pro banheiro dos fundos. A porta fica escondida na esquina no fim do corredor, e todos estão sempre bêbados demais para prestar atenção por isso esta sempre vazio.

O puxo para dentro do banheiro, e ele gruda nossos lábios antes mesmo de trancar a porta. Eu mesma tranco  a porta já que as mãos deles estavam muito ocupadas passeando por meu corpo e por debaixo da minha saia.

Gemi em sua orelha, e em resposta Luke me senta na pia do pequeno banheiro e começa a tirar meu top pela cabeça. O ajudo erguendo os braços, e quando ele finalmente esta fora de meu corpo ouço o suspiro dele ao constatar que eu estava usando o top sem sutiã.

Suspiro que não levou muito tempo já que no segundo seguinte seus lábios estavam em meus seios, lambendo e chupando de uma forma que quase me faziam gritar. Sua barba roçava todo o tempo nele enquanto ele se empenhava em me enlouquecer com sua língua.

Afastei seu rosto por minutos, e puxei sua camiseta branca e a tirei rapidamente, logo em seguida levando minhas mãos para o botão da sua calça.

O abri com um sorriso malicioso, mas que logo foi apagado com um beijo por Dylan, que enfiou umas mãos por debaixo da minha saia mais uma vez e tirou minha calcinha coma facilidade quem já fez isso várias vezes.

Puxei o preservativo de seu bolso traseiro e me soltei de seus lábios para abri-lo com os dentes, assim que o fiz terminei de abrir sua calça e a empurrei para baixo, a deixando em seus joelhos. Impaciente, abaixei sua cueca box azul escuro e coloquei o preservativo em seu membro pronto.

Dylan me puxou pela cintura para a ponta da pia do banheiro, e com uma mordida em meu pescoço entrou em mim.

Não contive o grito, muito menos segurei minhas mãos que arranhavam suas costas quando ele começou a se movimentar.

— Ah Dylan mais rápido — gemi e me apertei ainda mais em seu corpo, desejando que ele fosse mais fundo e mais rápido. Pedido que foi logo atendido quando ele me pegou em seu colo sem sair de dentro de mim e me pressionou na parede. Minha cabeça caiu para trás e meu corpo dava pulos a cada estocada forte, e eu gemia cada vez mais alto.

Seus lábios tentavam conter os gemidos cobrindo os meus, mas não funcionava. Me calei quando comecei a morder seu ombro, o arranhando ainda mais enquanto pedia por mais e mais. Dylan literalmente me fodeu, do jeito que eu gosto.

Meia hora depois ainda estamos na mesma posição. Sua respiração ofegante batendo em meu ouvido e a minha descontrolada em seu ombro. Quando  ele sai de dentro de mim e me senta na minha, sinto minhas pernas fracas, o que raramente acontece.

Dylan tira o preservativo e o joga no lixo, levanta sua cueca e suas calças, depois pega eu top do chão, e vem em minha direção.

— Vou te ajudar a colocar de volta — ele explica quando o encaro.

E ele realmente me ajuda, coloca o top, e se aproveita um pouco mais passando as mãos em mim.

— Já não aproveitou o suficiente lobinho? — brinco e ele ri

— Nunca me aproveitarei o suficiente de você lobinha — ele responde e pega sua camiseta do chão — Seu pescoço está todo marcado, mas é pra compensar o aranhões que você me deu, sinto que até minha cara esta arranhada

Eu rio.

— Não vou me desculpar por isso — respondo e me levanto enquanto assisto ele vestir a camiseta.

— Não precisa, só de ouvir você literalmente uivar já é o suficiente — ele responde com um sorriso brincalhão.

— Você não pode falar nada, tava gritando o meu nome Dylan — entro na brincadeira enquanto prendo meu cabelo em um coque.

— Estava nada, é você que estava gritando o meu — ele implica enquanto eu lavo o rosto tirando o excesso de suor. Dylan apenas molha o pescoço e bagunça o cabelo com as mãos.

Céus como ele fica sexy.

— Vamos resolver isso na próxima vez, ver quem estava gritando o nome do outro — digo e destranco a porta.

Dylan ri e segura em minha mão.

— Mais tarde resolvemos isso amor — ele responder e beija meus lábios enquanto saímos de mãos dadas do banheiro e voltamos para a festa.

Lio ainda estava sentado no mesmo lugar e com uma cara nada boa. Dylan senta no lugar vazio ao seu lado e me puxa para sentar entre suas pernas. O faço sem reclamar, e aceito o copo que Michael entrega em minha mão com um sorriso zombeteiro. Tomo um gole da bebida desconhecida, e sei que esta batizada pelo gosto amargo que ficou em minha garganta. A tomo rápido demais, o que me faz levantar no abraço de Dylan e ir atrás de Michael para conseguir mais, aproveitando para roubar uma garrafa de batida de cereja da cozinha.

Quando volto para a sala, me sento entre as pernas de Dylan novamente, que se encontra em perfeito estamos mesmo depois de ter tomado vários copos de bebidas. O que não pode ser dito de mim, que já caminhava cambaleando e rindo para as paredes antes da meia noite. Lio ainda estava sentado no mesmo lugar, com o mesmo copo e a mesma expressão carrancuda de horas atrás.

Ele não fala comigo, me ignora enquanto o encaro por longos minutos.

— Lio você esta me ignorando? — pergunto com a língua enrolada e a voz soando manhosa.

— Não — ele diz e direciona seus olhos furiosos em minha direção. Sorrio para ele e ergo a mão para fazer carinho em seu rosto, mas ele desvia e com ar de desdém completa — Só estou deixando você a vontade com seu namoradinho de uma noite, melhor, de uma festa.

Faço bico manhosa e ignoro a resposta de Lionel. Pena que Dylan não ignora.

— Desencana cara, você já deveria estar acostumando, sabe que a Karol nunca vai namorar com você porque vocês são amigos demais pra isso — ele diz e ri logo em seguida.

Não me junto a risada.

— Sinceramente Dylan, muito menos com você — ele responde com um sorriso — ela só fica com você porque em uma queda por olhos escuros e caras altos.

— Você podia parar de falar como se eu não estivesse aqui — digo e cruzo os braços dramática, ambos me ignoram. Minha cabeça começa a girar ainda mais.

— Quando ela estiver gritando o meu nome no segundo round mais tarde eu vou me lembrar disso — Dylan responde com um sorriso presunçoso.

— Dylan, sério, vou te dar um conselho como amigo — Lio se ajeita no sofá e olha para Dylan de forma séria  — Aproveite enquanto ela esta com você, mas aproveita mesmo, só não se apegue! Sabe porque? — ele pergunta e Dylan ergue as sobrancelhas em resposta.

— Porque no final do dia, não importa com quem ou com quantos ela dormiu, é para os MEUS braços que ela vai voltar. Esteja bêbada ou sóbria, sou eu quem ela vai querer que cuide dela, e que esteja do lado dela todo o tempo — Lionel diz sério e sorri ao terminar

— Você é um idiota — Dylan diz e começa a ri. A rir muito e muito alto.

— Vocês dois só sabem brigar, toda vez é assim mas que merda — digo e me levanto.

— Não Karol você não pode sair assim — Lio segura meu pulso e me diz olhando diretamente em meus olhos.

— Ele esta certo lobinha, você esta cambaleando — Dylan completa e tenta me puxa para seu colo novamente.

Me livro de ambas as mãos.

— Vão pro inferno vocês dois, podem brigar a vontade quando eu sair — digo e saio cambaleando em direção a saída o mais rápido que minha embriaguez permite.

Saio da república e passos pelos corpos na grama e pelas garotas vomitando na entrada cambaleando e sem saber para onde estou indo. Apenas ando, e ando. Vendo dois postes de luz em cada esquina,e vários carros que buzinam quando ando pelo meio da rua.

Estou irritada. Lionel e Dylan discutem toda vez que ele vem passar o final de semana aqui em Buenos Aires. Sempre, é como uma tradição já. Mas uma tradição que esta me irritando demais.

Já está mais do que na hora dessa infantilidade acabar.

— Se não acabar eu vou parar de transar com os dois — digo gaguejando para mim mesma e voz alta.

Continuo cambaleante pela ruas escuras, olho ao redor a procura de algo conhecido e não encontro nada. Ando mais, tentando me lembrar o caminho que fiz para voltar até aqui, mas fui parar em ruas ainda mais escuras do que a que estava antes.

— P-parabéns Karol, s-se per-pe-perdeu — digo em voz alta rindo. Me encosto em um poste e  começo a rir ainda mais.

Eu nunca havia me perdido antes. Muito menos bêbada. Lio tinha razão, eu não deveria ter saído assim. Minha cabeça gira e mal consigo ficar de pé. Eu deveria ter bebido menos.

Me levanto segurando no poste, e quando começo a caminhar em frente, pensando em um jeito de voltar para a republica me assusto com um grito.

— SOCORRO — umas voz feminina e aguda grita em desespero.

Primeiro acho que é meu celular, que está guardado entre meus seios, mas ele não vibrou então apenas solto uma risada e continuo caminhando em frente.

— SOCORRO INTRUSO ALGUÉM AJUDA — a voz berra novamente.

— MÃE PARA POR FAVOR SOU EU — uma voz masculina responde. Uma voz rouca, e tenho a leve impressão de que já a escutei em algum lugar.

— SAI DAQUI EU NÃO CONHEÇO VOCÊ, SOCORRO TEM UM LOUCO NA MINHA CASA SOCORRO — a mulher continua gritando cada vez mais alto, e ouço um barulho de vidro quebrando.

Olho ao redor assustada, procurando a casa da qual os gritos estão vindo, mas quando tento girar tropeço em meus próprios pés até cair no meio da rua.

— Caramba — resmungo ao sentir uma ardência em meu joelho.

— MÃE POR FAVOR SOU EU MÃE, POR FAVOR OLHA PRA MIM — a voz masculina grita mais uma vez, e logo em seguida ouço um barulho de vidro quebrando.

— AAAAH EU JÁ MANDEI VOCÊ IR EMBORA — a mulher grita, seu desespero parece ainda maior e sinto meu coação quase sair pela boca.

Quando ergo os olhos, vejo a unica luz ligada na casa ao meu lado esquerdo, e vejo a sombra de uma mulher descabelada jogar algo  contra a porta. O barulho de vidro de partindo atinge meus ouvidos mais uma vez. Mas o pior barulho, foi o ranger da porta quando ela se abriu, e o baque alto  de quando quem passou por ela a fechou com fúria. A primeira coisa que pensei quando o vi foi que eu estava tão bêbada a ponto de imaginar coisas.

Só podia ser isso.

Ou era isso ou aquele rosto emlágrimas descontroladas, cabelo um caos de tanto passar as mãos e o cigarro na mão era o Ryan de outro mundo.

Tinha der ser.

Ou podia ser outra pessoa muito parecida com ele, mas aquele maldito cadigã o denunciava. Era o mesmo cardigã que ele estava usando ontem. Aquele Ryan fumando e chorando descontroladamente ao lado da casa da mulher que estava berrado não podia ser o mesmo Ryan que eu vi ontem na universidade.

Não podia.

Levantei aos tropeços e sem saber o que fazer. Eu poderia ir até lá e perguntar se ele esta bem ou se precisa de um abraço. Ou simplesmente ir embora e perguntar pra ele na segunda-feira que loucura é essa. Mas antes de pensar direito, meus passos desiguais estão me levando em sua direção.

Meu coque se solta do topo de minha cabeça e sinto minha saia descer um pouco com o suor que se formou em minha pele. Não tenho ideia do que dizer, estou bêbada demais para isso e acabaremos brigando, o que só vai piorar o estado dele.

É de partir o coração a forma encolhida que ele se sentou encostado ao lado da casa, seus ombros tremem, o rosto escondido pelas mãos, mas ainda sim é possível ouvir o choro, a respiração, o lamento. O desespero.

A forma que ele chora me assusta e parte meu coração ao mesmo tempo.

— Ryan? — pergunto em um sussurro quando me aproximo.

Ele levanta os olhos.

E quase caio novamente no chão quando seus olhos encontram os meus. Ao redor de seus belos olhos pretos está tudo vermelho e eles estão cheios de tristeza, não mais vazio ou mais escuros de ódio, mas com uma vulnerabilidade e intensidade que quase me fez perder o equilíbrio. Também quis me fazer chorar.

— O que você está fazendo aqui? — ele pergunta, sua voz falha por conta das lagrimas. Ele limpa as lágrimas com uma das mãos e taga o cigarro com a outra, fungando em seguida para controlar as lágrimas.

— Eu escutei os gritos — digo receosa — eu queria saber se você esta bem — completo e ele se levanta.

Tropeço em meus pés quando ele se ergue sobre mim, acho que perdi o equilíbrio quando precisei levantar a cabeça para encara-lo.

— Você está bêbada — ele diz em tom de acusação e pega em um dos meus braços com força, me colocando de pé violentamente  e contra a parede.

— Tô mas quem liga pra isso? — respondo com desdém e dou de ombros — eu só queria saber se você esta bem.

— Porque quer saber isso? — ele pergunta desconfiado.

— Porque você esta chorando muito — respondo e tento me aproximar dele mas tudo o que consigo é fazer ele soltar meu braço o que me faz cambalear novamente — e porque aquela mulher maluca estava gritando tanto com você — completo e tento encara-lo, mas ele já não olha em meus olhos.

— O que você ouviu Sevilla? — ele pergunta duro.

— Não interessa, você esta bem? — insisto.

— O quanto você escutou da discussão caralho? — ele pergunta e me sacode pelo cotovelo.

Sinto a tontura piorar e a bile subir por minha garganta. Ryan  me solta e diz algo, mas meus ouvidos estão tampados e me dobro ao meio, não conseguindo me controlar, vomito na grama e por pouco não me sujo inteira.

Ryan se assusta, mas logo tira o cabelo de meu rosto, o segurando em seu pulso com firmeza e me puxando pela cintura para trás, e minha cabeça para frente, de forma que não corro risco de sujar minhas roupas.

— Eu deveria saber que você ia vomitar, esta podre de bêbada — ele diz, mas não soa em forma de julgamento.

— Eu não estou tão bêbada assim — reclamo quando finalmente acaba. Levando meu rosto e cuspo no chão querendo me livrar do gosto amargo.

— Que merda Sevilla — ele fala quando dou um passo em falso para trás e quase derrubo a nós dois. Ele segura meu cabelo e o enrola, logo em seguida o prendendo com o próprio cabelo em um coque mal feito.

— Você sabe fazer coque olha só, menino prendado — brinco e encosto meu rosto no peito dele. Mas logo me afasto, cuspindo novamente no chão, o gosto amargo me faz querer vomitar novamente.

— Vou pegar um copo de água pra você e algo pra tirar o gosto amargo, não sai daqui — ele diz mal humorado e me solta

Ryan vai para os fundos da casa, para a parte escura que eu não consigo enxergar, e nem mesmo ouço o barulho de porta se abrindo. De primeiro estou com a cabeça girando demais para me preocupar, mas se passam muitos minutos e nada dele.

Ele deve ter me enganado e ido embora. Deve ter me abandonado aqui, porque esta demorando muito.

— Seu filho de uma puta me deixou aqui  — digo em voz alta — RYAN NÃO ME DEIXA AQUI — grito e encosto minha testa na parede da casa.

— RYAN POR FAVOR NÃO ME DEIXA AQUI, ESTA ESCURO E EU TÔ COM MEDO — Grito de novo recebendo apenas o silêncio em resposta — RYYYYYYYYAAAAAAAAAANN!

Uma luz se acende com meu ultimo grito, e ao mesmo tempo uma mão cobre minha boca. Sinto a respiração dele em meu pescoço.

— Cala essa boca — ele sussurra. E fico quieta. Com medo e em silêncio até a luz se apagar. — Eu disse que viria trazer a água não precisava ficar gritando igual a uma louca — ele completa irritado e entrega uma garrafa de água em minha mão com violência

— Desculpa, eu achei que você tinha me largado aqui — respondo e tento abrir a tampa da garrafa, mas não consigo.

Ele a puxa da minha mão, e com um só movimento a abre.

— Você é insuportavelmente chata, mas quando esta bêbada isso piora — ele fala.

Tomo a água rapidamente, e Ryan me entrega outra que contém suco.

— Obrigado — agradeço quando ele abre a tampa e tomo um gole. O suco é de morango. O devoro rapidamente, me livrando do gosto amargo.

— Agora eu quero saber o que você escutou e o que você veio fazer aqui — ele cruza os braços e se afasta de mim.

Me pergunto o que ele fez com o cigarro, ou se era apenas coisa da minha cabeça.

— Porque você quer saber? Acabou de dizer que eu sou chata — respondo e aumento o tom de voz. Ele é tão mandão e ignorante.

— Não complique as coisas Sevilla — ele responde e revira os olhos.

— Quem esta complicando é você com todo esse mistério — respondo e aponto um dedo em sua direção — Você é nerd mas é mal educado, mal humorado, ignorante e quase me bateu quando eu perguntei uma coisa simples do seu irmão

Ryan cerra o maxilar e me prende contra a parede pelos pulsos com tanta força que machuca.

— Eu já disse para não falar do meu irmão — ele fala entredentes.

— Você já deveria estar acostumado — respondo corajosa — ele morreu e as pessoas adoram perguntar sobre pessoas mortas.

Uma de suas mãos vai para o meu pescoço e quase perco o ar. Mas no segundo seguinte ele se afasta e me solta e solta sua respiração também.

— Está vendo, você quase me assassina quando toco nesse assunto, mas adora falar do fato de eu transar com meus amigos — Quase berro isso no rosto dele — eu sinceramente não te entendo.

Ele ri seco. E eu odeio essa risada.

— A única coisa que você tem de entender é que eu não quero que você nem ninguém ouse falar do meu irmão — ele responde furioso.

— Porque? Ele também era amigo dos meus melhores amigos — respondo

— Mas que porra será que você pode só ir embora e me deixar em paz? — ele grita e sua voz fica profunda e feroz.

— Não porque eu me perdi, não tenho ideia de como vim parar aqui e estou bêbada — berro de volta e sinto lágrimas em meus olhos.

Ryan suspira alto, passa as mãos nos cabelos e fecha os olhos. Em uma atitude corajosa me aproximo dele, e encosto minha cabeça em seu peito. Ele se assusta e tenta se afastar, mas meus braços são mais rápidos e envolvem sua cintura.

— Você deveria parar de me tratar tão mal eu só estou tentando ser sua amiga — minha voz soa manhosa e sinto vontade de chorar. Não tenho ideia do porque de estar falando essas coisas.

— Você deveria me deixar em paz — ele me empurra e caio pela milésima vez.

Mas dessa vez machuca. Cai de mal jeito, o que fez meu tornozelo doer e arranhei meus cotovelos e mãos. Meu cabelo se solta novamente e tudo que eu queria era ir embora. Se eu estivesse sóbria ou soubesse onde eu estou, eu faria isso.

Sinto mãos me levantarem mas me debato em seus braços,e caio novamente.

— Desculpa eu não... — Ryan diz e sua voz soa um pouco aguda, nada daquela fúria minutos atrás. — Eu não queria te machucar é que você me tira do sério.

— Me deixa Ryan — digo quando ele se aproxima para tentar me levantar novamente. Me apoio na parede, e consigo me levantar um pouco, mas suas mãos teimosas se aproxima novamente e me colocam de pé.

Ryan me segura pela cintura, e está muito próximo e eu muito irritada.

— Se afasta  — eu falo e o empurro, ele o faz.

Sinto lágrimas em minhas bochechas. Odeio ficar bêbada, eu sempre choro.

— Você só me trata mal, você é um idiota — eu conpleto e ele se aproxima novamente. Sua expressão parede perdida, ainda mais com o rosto marcado de lagrimas secas.

— Desculpa, você esta bem? se machucou muito? — ele pergunta e se abaixa para olhar meu tornozelo.

O afasto com as mãos,  ele levanta, passando as mãos nos cabelos e olhando para os olhos.

— Porque você quer saber? quando eu te perguntei se você estava bem você nem sequer respondeu — digo e limpo as lágrimas irritada — Eu nem deveria ter vindo perguntar pra ser sincera.

— Não deveria mesmo — ele responde já irritado novamente e dá dois passos se aproximando de mim. — Você deveria ter ficado na sua maldita festa enchendo a cara e indo para o banheiro com seus namorados ao invés de vir aqui e piorar ainda mais as coisas para mim — ele completa furioso.

— É você está certo, e eu vou embora agora mesmo — digo e tento empurrar seu peito mas ele sequer se move — prefiro me perder e ficar sozinha nessa escuridão a noite inteira do que ficar aqui com você seu merda, idiota, babaca, eu te odeio — digo e bato em seu peito até ele segurar meus pulsos com uma só mão.

Ele os levanta acima da minha cabeça. Odeio essa mania. E isso me irrita ainda mais

— Não faz isso, eu odeio quando você faz isso me solta agora  — grito com ele mas ele não escuta.

Continua olhando para o céu, como se uma bêbada não estivesse gritando com ele para que ele a solte. Paro de gritar e ergo o rosto. Sua face parece cansada, muito cansada, como se não tivesse dormido a dias e ao mesmo  tempo como se fosse chorar a qualquer segundo. Respiro fundo pelos próximos minutos e me acalmo. Tentando ignorar a dor em meu tornozelo e não desviar os olhos de seu rosto.

— Você esta bem? — sussurro. E ele abaixa o rosto, focando os olhos nos meus daquela mesma maneira que quase me fez cair, mas dessa fez me fez perder a força nas pernas, eu teria caído se ele não estivesse me segurando.

— Não — responde tão baixo que penso ter imaginado.

Seus olhos são tão tristes que me fazer querer chorar por ele, o abraçar e parar com tudo que o atormenta. Antes que eu possa me dar conta, estou fazendo a única coisa que seis fazer nessas situações.

Grudo meus lábios aos dele. Gentilmente, como se apenas quisesse mostrar que eu estou aqui. Ele abre os lábios gentilmente e adentro minha língua, acariciando a dele com calma, que começa a corresponder quando solta meus pulsos. Eu nunca fui beijada de forma tão gentil.

Ele segura meu rosto com uma das mãos e com a outra ele segura minha cintura, fazendo movimento circulares, mas sem segunda intenções. Não é um beijo de desejo, ou de paixão.

É um beijo de consolo.

De dor.

Um beijo pela dor dele, que ainda é desconhecida por mim, mas que eu gostaria de poder ajudar. Ryan separa nossos lábios e eu o abraço. Com meu rosto em seu peito. Ele demora muito para corresponder, tanto que já estava contando seus batimentos cardíacos.

Mas quando o faz, seus braços quentes me envolvem e seu queixo se acomoda no topo da minha cabeça.

— Obrigado — ele sussurra e então me solta e se afasta. Limpa a garganta com uma tosse forçada e e não me olha mais no rosto. — Você precisa ir embora está muito tarde.

— Eu não sei qual caminho seguir, se você puder anotar no meu celular eu dou um jeito — digo sincera. Estou cansada. Não quero mais brigar.

— Onde está seu celular? — ele pergunta.

Aponto para meus seios e ele suspira. Ergue a mão como se estivesse pedindo o celular mas sorrio e nego com a cabeça.

— Você que venha aqui e pegue — eu respondo pronta para insistir, mas ele me surpreende quando se aproxima em dois longos passos e enfia a mão  direita por debaixo se meu top.

Meu corpo inteiro se arrepia quando sinto sua mão roçar no bico de meu seio. Ele pega o celular, mas quando ela tirando a mão, a seguro e pressiono sobre meu seio esquerdo.

— O que você esta fazendo? — ele pergunta confuso.

— Eu gosto das suas mãos — eu respondo e coloco minha mão sobre a dele, fazendo pressão sobre meu seio.

É tão bom.

— Karol — ele fala em tom de aviso mas não tira a mão.

— Só me acaricia Ryan, suas mãos são grandes e macias eu só quero sentir elas — sussurro e mordo o lábio.

Ele puxa a mão com força. Suspiro sentindo falta do toque e o encarando para ver o que ele vai fazer com o celular, mas ele o guarda no bolso, e sua mão esta novamente dentro do meu top, e seus lábios nos meus em um beijo furioso.

— Merda eu não devia fazer isso — ele diz e me ergue pelas coxas.

O entrelaço na cintura, e suas duas mãos estão acariciando meus seios. Ele é muito bom nisso. Muito bom mesmo. Gemo quando sua língua desce por meu pescoço e lambe meu mamilo por cima do tecido. É tão erótico. É tão intenso. E eu quero mais. Mas não dura muito tempo. Meu celular vibra em seu bolso e ele me solta rapidamente.

Não me deixa cair no entanto, mas logo pega meu celular e olha a mensagem recebida. Em seguida digita algo rapidamente, enfia o celular entre meus seios novamente,  e em um só movimento me pega no colo.

— O que você esta fazendo? — pergunto.

Ryan continua os passos rápidos, quase correndo e demora para me responder.

— Era uma mensagem do Lionel  perguntando onde você estava, e eu respondi que você estava na praça aqui ao lado e pedi para ele vir te buscar — ele responde e acelera os passos.

— Você respondeu? Ele te odeia vai ficar furioso — rio alto e ele revira os olhos.

— Não Karol, eu fingi que era você, ele já deve estar chegando a república não é muito longe daqui e ele deve estar de carro — ele fala e entra em uma praça. Me senta em um dos bancos de madeira e fica de pé.

— Como você sabe que a festa é na república? — pergunto curiosa.

Ele me ignora. Continua olhando para a rua.

— Deveríamos terminar o que estávamos fazendo antes, estava tão bom — eu resmungo e cruzo os braços sentindo frio. — E eu ainda quero saber como você sabe que a festa é na república.

— Sempre são lá — ele responde baixo e quando o farol de um carro se aproxima, começa a andar de volta em direção a casa.

Já não consigo vê-lo quando o carro estaciona e um Lionel preocupado corre de dentro dele em minha direção.

— Karol! Eu estava tão preocupado — ele me levanta, e imediatamente coloca seu casaco ao meu redor.

Reclamo quando piso no chão.

— Eu machuquei o tornozelo — respondo e sinto outro par de mãos me segurando.

— Como você se machucou? — ouço a voz de Dylan perguntar.

— Discutindo com o Ryan — respondo.

— Quem é Ryan? — ele pergunta a Lio.

— Ela esta bêbada cara, só vamos levar ela para minha casa — Lio responde.

— Porque para sua casa ? — Dylan pergunta e suspiro já esperando por mais uma discussão dos dois.

— Porque eu disse para o Pai dela que ela iria dormir lá, por ser mais perto e porque se ela chegar bêbada assim na casa dela, ela provavelmente vai fazer mais merda e brigar com o pai dela, convenci você? — Lio responde irritado.

Eles me colocam no banco do carro e sou abraçada pelo calor.

— Tá — Dylan responde e senta no banco do motorista. Lionel senta ao meu lado.

— Só calem a boca por favor, minha cabeça esta explodindo e eu só quero dormir — Reclamo e me deito no colo de Lio.

Adormeço em seus braços, com ele fazendo carinho em meu cabelo.

O filho da mãe estava certo, no final do dia, é sempre nos braços dele que eu acabo.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...