História O nerd da minha vida - Capítulo 14


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Categorias Carrossel
Personagens Adriano Ramos, Alícia Gusman, Bibi Smith, Carmen Carrilho, Cirilo Rivera, Daniel Zapata, Davi Rabinovich, Jaime Palillo, Jorge Cavalieri, Kokimoto Mishima, Laura Gianolli, Marcelina Guerra, Margarida Garcia, Maria Joaquina Medsen, Mário Ayala, Paulo Guerra, Valéria Ferreira
Tags Carmem Carrilho, Carrossel, Cirilo Rivera, Ciriquina, Daléria, Davi Rabinovich, Jorge Cavalieri, Kokimoto Mishima, Margarida Garcia, Maria Joaquina Medsen, Nerd, Paulo Guerra, Romance, Valéria Ferreira
Exibições 74
Palavras 2.276
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Escolar, Famí­lia, Festa, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Leiam as notas finais e espero que gostem!

Capítulo 14 - Capítulo 14


Anteriormente em O nerd da minha vida...

Queria responder a essas meninas que Cirilo, sem o Rivera, é um garoto inteligente, com um olhar intenso cheio de eletricidade por trás dos óculos, que ele é leal aos seus amigos e coloca o orgulho de lado para ajudar uma garota estúpida a recuperar as notas. Mas, se eu disser isso, serei mal interpretada, ou pior, alguém pode se lembrar de que já fui um ímã de nerds. 

Fecho a boca. Valéria lhes responde por mim:

—Uma garota precisa fazer o que uma garota precisa fazer para garantir notas, até porque a campanha de votação já está no papo. 

—Depois que fiquei sabendo que você dançou no pátio para a campanha, conquistou minha admiração. Não podemos ter vergonha de quem realmente somos —Carmem diz. 

Valéria sorri para mim. Com isso, garanti votos de suas meninas e o ódio mortal de Margarida, ainda que suas palavras sejam tiros no meu coração, pois não me sinto tão sincera depois de tudo o que relembrei. 

Forço um sorriso para ela e assisto a contragosto a Laura tingir os cabelos e fazer luzes.

 

Para provar o meu ponto, dei um mergulho na piscina e agora estou com os cabelos molhados e com aspecto de macarrão instantâneo. A maioria das meninas segue seca, inclusive Valéria, que está na borda da piscina, a meu lado, só com os pés na água. 

—Eu avisei a você que não fizesse isso —Valéria me lança os olhos cheios de desaprovação. 

Estamos no canto da piscina, mais na sombra, para tentar me esconder enquanto ela disfarçadamente me passa uma toalha. 

—Droga. —Pego a toalha e coloco-a no cabelo, envergonhada do que eu mesma fiz. —Achei que você iria me apoiar. 

—Não posso, você sabe como meu cabelo fica! —Valéria dá uma olhada para onde está Davi, só de calção, conversando com dois colegas do time, mas com os olhos azuis em nós. 

Que coisa. Parece que esses dois são mesmo complicados e não entendo o que está acontecendo. Só para frisar como minha amiga está estranha, preciso dizer a vocês que, em vez de um biquíni como qualquer garota nesta festa, Valéria veste um maiô de mergulho vermelho e cinza. Fico achando até que existe um lago por aqui e ela vai fazer snorkel, mas não tem. 

—Faça sentido, Valéria! —Balanço a toalha branca na cabeça. —Você disse que Davi é um babaca, mas passa o tempo todo fazendo de tudo para chamar a atenção dele. Então, por que terminou? 

—Não fui eu que terminei com ele —ela revela, enrolando os cabelos com as mãos e prendendo-os com uma piranha em um coque para cima, o mais longe da água possível. 

—Ele terminou com você... Mas ele parece tão bravo, querendo distância e tudo mais. O que você fez? —viro para ela em dúvida. Valéria comprime os ombros. 

—Xinguei a mãe dele. 

—Ohmeudeus. —Meu queixo cai. Jogo a toalha na borda e sento-me ao lado dela. 

—Ele não me defendeu. Foi horrível. Faz sentido para vocês? Para mim também não. 

—Mas e o que a mãe dele fez para você xingá-la? Valéria olha para mim com chateação e morde os lábios, nervosa. 

—Deixa pra lá? 

—Certo. —Cruzo os braços, aborrecida, e solto um suspiro. 

Valéria e eu contamos tudo uma para outra e tenho a sensação de que nossa amizade não é mais a mesma coisa; eu me sinto falando da minha vida para ela e não recebendo o mesmo tratamento em troca. Confio a Valéria todos os meus segredos, mas não me contar o que houve entre ela e Davi está me matando por dentro. Estou pronta para confrontá-la com isso quando escuto um dos meninos falando: 

—Ei, é melhor corrermos ao mercado comprar mais cerveja antes que feche. Já são mais de onze! —ele avisa ao amigo, que bebe toda a latinha de cerveja em um gole só. 

Mais de onze? Essa não! Eu disse a meus pais que voltaria para casa antes das onze! Estou ferrada! Estou ferrada! 

—Eu preciso ir embora! —Levanto correndo. Valéria se afasta um pouco, e eu ando até Jorge, que está perto da churrasqueira. Seguro em seu braço. —Jorge…! Preciso ir embora. 

—Agora? —Ele vira para mim segurando um espeto de carne. —É cedo ainda, princesa. 

—Não! São mais de onze! Preciso ir embora. 

—Não precisa, não. Vamos curtir mais um pouco. 

—Não, você não entende. Meus pais estão bravos e vão aumentar meus castigos… —insisto. 

—Castigos? —Ele não compreende e torce o rosto inteiro em surpresa. Ai, droga, eu não contei a Jorge que meus pais estão pegando pesado comigo. 

—Por causa das minhas notas, eles acham que estou sendo irresponsável. 

—Sério? 

—Seríssimo. Tive que implorar para vir e, se eu não chegar em casa logo, capaz que não possa mais ir a festa nenhuma. 

—Nossa. —Jorge larga o espeto em cima de um pratinho e limpa as mãos com um guardanapo. —Vou colocar uma camiseta e te levo. 

Nem me despeço de ninguém, pego minha bolsa e visto meu vestido enquanto ando até a porta. Jorge me alcança e andamos até seu carro. Entramos. 

—Que castigos seus pais te deram? —ele pergunta curioso. 

Eu não quero lhe contar sobre o colégio público, tenho medo de que Jorge desista do nosso namoro quando souber que posso mudar de colégio. 

—Ah, cortaram a diversão e a mesada. 

—Ih! —Jorge dá partida no carro e engata a ré. Os olhos se abrem assustados. —Meus pais nunca me deram castigos; não tem um jeito de você se livrar disso?

—Só vou me livrar dos castigos se recuperar minha nota em matemática. 

—Ou seja, estudando com aquele nerd babaca. 

—Ai, Jorge, não começa…! —Reviro os olhos. 

Jorge bufa e dirige em silêncio até em casa. Ele me beija e eu desço do carro. Sei que ele vai voltar para a festa e isso é muito chato, pois acende minha insegurança saber que ele vai estar lá na festa com Margarida, rodeado de meninas, e eu trancada em casa. 

Encaro a fachada e meu pai está na porta, de braços cruzados. Acho que ele ouviu o carro chegando. 

—Maria Joaquina! —ele me chama bravo. —Onde você estava? 

—Na festa, eu me distraí com o horário, me desculpa. 

—Eu falei estritamente que era para você voltar para casa às onze horas e não acredito que me desobedeceu a esta altura do campeonato, mocinha. Já é mais de meia-noite!

—Desculpe! —falo impaciente, mas papai está com aquela expressão endurecida de repressão. Seus olhos são puro mau humor, e meus músculos se tensionaram. —Eu só perdi a hora. 

—Perdeu a hora, a prova, a cabeça, logo mais vai perder o ano e o que vai acontecer, Maria Joaquina? Você nunca toma jeito! 

—Claro que tomo jeito! —Cruzo os braços, irritada. —Fique sabendo que andei estudando a semana inteira! 

—Pois devia ter ficado estudando hoje também em vez de ir a essa festa com Jorge —papai sentencia amargamente e abre a porta para entrar. Detesto como ele fala de Jorge, com ressentimento, sugerindo que nunca será capaz de aprovar nosso namoro. 

—Fique sabendo que eu vou estudar amanhã; meu colega vem até aqui e vamos estudar juntos. 

—Ah, é? —Papai me olha com um lampejo de esperanças nos olhos, mais parecido com o pai que eu conheço do que com esse monstro reclamão que ele se tornou ultimamente. —Que colega? Valéria não conta! 

—Cirilo. 

—Humm. Isso é verdade ou você está falando para se safar de mais um castigo? 

Oh, ele me conhece muito bem, não é mesmo? Coloco as duas mãos na cintura e endureço o rosto para provar meu ponto. 

—Claro que é verdade; assim você me ofende! 

—Certo. Certo, menos mal. —Papai entra no corredor de casa e abre a porta para mim. Subo as escadinhas da sacada e passo por ele, em total tensão. —Vou relevar desta vez por causa disso, Maria Joaquina, mas cansei de desobediência, entendeu? 

—Sim, senhor. —Como um cachorrinho, coloco o rabo entre as pernas e vou para o meu quarto. 

Como farei para Cirilo vir estudar comigo amanhã, sendo que o dispensei de forma tão grosseira depois da aula? Ai, ai, ai. Preciso dar um jeito! 

Sei que é mais de meia-noite, mas ligo para o celular de Cirilo mesmo assim. Após alguns toques, ele atende. 

—Alô? —A voz dele me causa um arrepio e meu coração acelera. 

—Cirilo? É a Maria Joaquina. 

—Você sabe que horas são? —Apesar da rispidez, posso ouvir o som ambiente, vozes e música. Acho que é Beyoncé. Será que ele está em uma festa também? Se estiver, não tem sentido reclamar por eu o estar acordando ou qualquer coisa, certo? 

—Sei… Desculpe ligar tão tarde, mas é uma emergência. Te acordei? —pergunto só para provocar. 

—Não —responde ríspido. —Peraí. 

Ele pede licença para alguém. O som ambiente silencia e acho que ele se afastou de onde estava. 

—Aconteceu alguma coisa? —ele parece preocupado. 

—Você tem que vir estudar comigo amanhã, ou meus pais vão me matar; eles ficaram uma fera porque fui à festa. 

—Ei! —ele reclama. —Tá doida? Eu tenho coisas para fazer amanhã, não posso ir aí só porque você se meteu em uma enrascada. 

—Qual é? Você está em uma festa também, então não me julgue! 

—Não tô em festa nenhuma. 

—Escutei Beyoncé agora há pouco, claro que está. —Ahá! Peguei ele. 

—Você não acha que eu escutaria Beyoncé, acha? 

—Hummm… vai que é mais um desses segredinhos que você adora guardar. —Dou risada, mas ele permanece calado. —Vai, por favor, Cirilo, preciso de ajuda; faço o que você quiser. 

—Estou cuidando da minha irmã mais nova e da amiga dela, e fiquei de levá-las ao parque amanhã. Não posso estudar com você. Sinto muito. 

—Ah, não, por favor, por favor, por favor. Não me abandone agora, é um caso de vida ou morte! Combine com sua irmã de ir outro dia. 

—Maria Joaquina, o mundo não gira ao seu redor. Não vai dar. —Cirilo sentencia. Ai, que grosso! 

—Não sei por que eu te liguei mesmo; você é sempre um estúpido comigo! Esquece. —Desligo o telefone e jogo o celular em cima da cama. Vou precisar inventar uma desculpa para os meus pais e, pensando bem, já devia ter pensado nisso antes de ligar para Cirilo e pedir-lhe ajuda. Não sei o que me deu na cabeça ao achar, por dois segundos, que podia contar com ele para alguma coisa. 

Coloco as duas mãos na cabeça e me atiro contra o colchão. Que droga! Minha vida está toda do avesso e me sinto abandonada por todo mundo. Só que não posso culpar ninguém pelos meus problemas, certo? Tudo o que aconteceu é reflexo de como tenho agido até aqui.

Se eu não tivesse deixado Valéria jogar café na cara de Cirilo, ele poderia até ser mais compreensivo comigo… E se eu não tivesse colado na prova, eu não precisaria de nota. Simples. 

Vou dizer a meus pais que surgiu um imprevisto e ficar estudando na sala para que vejam meu esforço. Eles não são cegos, pelo amor de Deus! Quem sabe se me vendo estudar, mesmo que eu não passe, eles não me mudem de escola. 

Oh, droga, eu não quero mudar de escola. Isso vai ser o meu fim. Meu namoro com Jorge não é tão forte assim que sobreviva a essa mudança, pois, por mais que ele venha me ver, tenho certeza de que ficar sozinho na escola vai fazer Margarida ir para cima dele com força! Fora minha amizade com Valéria, já tão esquisita. Certamente mudar de colégio nos afastaria de vez. O que eu vou fazer sem minha melhor amiga?

Meu celular toca uma musiquinha e estico os olhos para o visor. É Cirilo. Respiro fundo e seco minhas lágrimas. 

—O que é agora, Cirilo? 

—Nossa, você é impossível. —Ele suspira. —Precisava desligar na minha cara, sua malcriada? 

—Você que foi estúpido! 

—Não fui estúpido, só te falei a verdade. O mundo realmente não gira ao seu redor, Maria Joaquina, ou faltou às aulas do ensino fundamental também? —ele se defende e eu quero matá-lo. 

—Agora você me chamou de burra e isso foi bem estúpido —sentencio cansada. 

Coloco uma mão na testa enquanto me sento novamente. Não aguento mais esse clima de guerra, sério, estou brigando com todo mundo o tempo todo, já repararam? Com Jorge, com meu pai, com o colégio, com Margarida, comigo mesma… Sinto-me exausta. 

—É que você às vezes me tira do sério, não quis ofender. 

—Peço desculpas. 

—Por quê? 

—Por estar ligando mais de meia-noite e exigindo que você mude sua agenda por mim. Não sei onde estava com a cabeça e perdi o bom senso.

—Ah, agora está bem melhor. —Ele ri. Por acaso, ele estava me testando? —Eu vou aí amanhã estudar com você, fica tranquila. 

—Quê? Mas… e sua irmã? 

—Eu disse a ela que, para compensar, você iria comigo no domingo levá-la ao parque. 

—Você não fez isso. —Fico tensa. 

—Er… fiz —ele conta. —Se não te interessar, deixamos tudo como está. 

—Não! 

—Não quer mais que eu vá? Decida-se! 

—Espera! —Respiro fundo. —Não foi o que quis dizer. Vou com vocês domingo. Por favor, venha aqui amanhã. 

—Quem diria, é até educadinha quando quer —ele debocha. Mordo a língua para não falar um monte de palavrões. —A que horas quer que eu vá? 

—Bem cedo, pode ser? 

—Tá... então, nove horas. 

—Nove horas? Eu pensei onze! 

—E desde quando isso é cedo?

—É bem cedo para todo mundo aqui em casa. 

—Tá, tá. Onze. Combinado. 

—Obrigada, Cirilo. Boa noite. 

Ele não responde, e eu desligo para não criar nenhum silêncio esquisito entre a gente.

 


Notas Finais


Hmmm... Cirilo remarcou com sua irmã só para salvar a pele da Maria Joaquina... Será que algo entre os dois está próximo de rolar? Até o próximo capítulo, beijo!


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