História O nerd da minha vida - Capítulo 15


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Categorias Carrossel
Personagens Adriano Ramos, Alícia Gusman, Bibi Smith, Carmen Carrilho, Cirilo Rivera, Daniel Zapata, Davi Rabinovich, Jaime Palillo, Jorge Cavalieri, Kokimoto Mishima, Laura Gianolli, Marcelina Guerra, Margarida Garcia, Maria Joaquina Medsen, Mário Ayala, Paulo Guerra, Valéria Ferreira
Tags Carmem Carrilho, Carrossel, Cirilo Rivera, Ciriquina, Daléria, Davi Rabinovich, Jorge Cavalieri, Kokimoto Mishima, Margarida Garcia, Maria Joaquina Medsen, Nerd, Paulo Guerra, Romance, Valéria Ferreira
Exibições 66
Palavras 2.003
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Escolar, Famí­lia, Festa, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Leiam as notas finais e espero que gostem!

Capítulo 15 - Capítulo 15


Anteriormente em O nerd da minha vida...

—Ah, agora está bem melhor. —Ele ri. Por acaso, ele estava me testando? —Eu vou aí amanhã estudar com você, fica tranquila. 

—Quê? Mas… e sua irmã? 

—Eu disse a ela que, para compensar, você iria comigo no domingo levá-la ao parque. 

—Você não fez isso. —Fico tensa. 

—Er… fiz —ele conta. —Se não te interessar, deixamos tudo como está. 

—Não! 

—Não quer mais que eu vá? Decida-se! 

—Espera! —Respiro fundo. —Não foi o que quis dizer. Vou com vocês domingo. Por favor, venha aqui amanhã. 

—Quem diria, é até educadinha quando quer —ele debocha. Mordo a língua para não falar um monte de palavrões. —A que horas quer que eu vá? 

—Bem cedo, pode ser? 

—Tá... então, nove horas. 

—Nove horas? Eu pensei onze! 

—E desde quando isso é cedo?

—É bem cedo para todo mundo aqui em casa. 

—Tá, tá. Onze. Combinado. 

—Obrigada, Cirilo. Boa noite. 

Ele não responde, e eu desligo para não criar nenhum silêncio esquisito entre a gente.

 

Ao primeiro toque da campainha, desço as escadas voando e abro a porta. Cirilo torce a boca em uma careta de desgosto ao me ver. Nem ao menos sorri! 

—Bom dia —ele diz, analisando minhas roupas. Estou de pijama. —Esqueceu-se de mim? 

—Não! —Tiro a escova de dentes da boca. 

Estou espumando, meus cabelos estão presos para cima de qualquer jeito e eu ainda visto o pijama, calça laranja justa ao corpo e um blusão velho cinza. Nenhum garoto pode me ver de pijama, mas não vou enquadrar Cirilo Rivera nessa categoria, não, nunquinha. 

A sobrancelha direita da discórdia se ergue por cima da linha grossa da armação dos óculos que ele usa. Cirilo sabe que estou mentindo, mas e daí? 

—Ele já chegou? —A cabeça de mamãe pula aparecendo na porta da cozinha. 

—Vou terminar de me trocar rapidinho, não sabia que você era tão pontual. —Abro bem a porta e viro as costas, fugindo até o pé da escada. A pasta de dente está ardendo na minha boca. 

Já me preparo para a troca de farpas, tenho certeza de que ele vai responder com uma revirada de olhos ou qualquer coisa irônica, como sempre, mas, ao contrário do que pensei, Cirilo não diz nada, mais sério do que o normal. É um pouco preocupante e observo enquanto ele fecha a porta atrás de si e tira um dos lados da mochila, pendurando-a em apenas um ombro. 

Mamãe sai da cozinha, com sua roupa branca de fazer ioga e uma faca de cozinha gigante na mão. Ela acabou de voltar do mercado e foi direto para a cozinha fazer o almoço. Não, ela não se levanta cedo todos os dias; como eu disse, aqui em casa todos temos o hábito de acordar depois das onze horas, mas minha mãe não consegue receber visitas sem ficar ansiosa e achar que precisa cozinhar, comprar bolos, essas coisas. Só para me contrariar e parecer que eu menti, ela está de pé! 

—Sou Clara. —Mamãe estende a faca para Cirilo e depois troca pela outra mão vazia com um sorriso descarado no rosto. 

—Cirilo, muito prazer —ele a cumprimenta com educação. 

—“Bazinga”? O que é isso? —Mamãe lê a camiseta vermelha que Cirilo veste, na qual a palavra está escrita com uma grafia que me faz pensar em onomatopeias de quadrinhos. É aquela série que passa o tempo todo na televisão e sobre a qual todo mundo lota as timelines das redes sociais com piadinhas e fotos. 

—Uma piada idiota de uma série de televisão a que eu assistia —ele explica com um sorriso.

—Não assiste mais? —ela pergunta curiosa. 

—As piadas perderam a graça. 

Dou risada. Sério? Ele não se contenta em usar uma camiseta nerd, mas precisa dizer que não assiste mais à série só por ter se tornado popular. Não que eu goste da série, mas assisti a alguns episódios e é engraçada, embora todos sejam muito injustos com a Penny, só para constar. 

—Maria Joaquina, você está de pijama ainda? —Mamãe me olha com impaciência. —Que falta de educação. Venha comigo, Cirilo, posso te servir um café enquanto espera? 

—Tudo bem. —Cirilo a segue. 

Aposto que ela vai enchê-lo de perguntas. Corro para me trocar. Lavo a boca e largo a escova em cima da pia, mas ainda fico sentindo a queimação no canto dos lábios. Entro no quarto e escorrego em um shorts jeans com pressa, tiro o blusão e visto uma blusinha lilás. Calço os mesmos chinelos de borracha e desço correndo a escada, quase tropeçando. 

Entro um pouco esbaforida na cozinha. Cirilo e mamãe estão conversando casualmente sobre a cobertura do bolo que ela acabou de comprar no mercado e que ela está prestes a cortar. 

—Vou separar um pedaço para sua irmã —avisa e enfia a faca no bolo. 

—Obrigado, Clara. 

Clara? Ele chamou a minha mãe de Clara? Mas que intimidade toda é essa? Mamãe sorri enquanto separa o pedaço em um Tupperware. Quando conheceu Jorge, minha mãe fez questão de que ele a chamasse de Sra. Medsen e depois, com o tempo, Sra. Clara estava tudo bem, mas apenas Clara, como amigos fazem, é novidade e não posso acreditar que isso significa que ela gosta de Cirilo mais do que de Jorge. É uma afronta! 

—Oh, querida, está mais apresentável agora. —Mamãe bate os olhos em mim rapidamente e depois olha para Cirilo. —Está bom assim? 

—Está ótimo, obrigado. 

—Você deveria ter me dito que Cirilo é assistente de professor —mamãe fala desinteressadamente, mas eu a conheço bastante para saber que ela estava enchendo meu colega de perguntas. 

—É mais uma pesquisa voluntária —Cirilo a corrige. 

—Ainda assim. —Mamãe fecha o Tupperware e o entrega para ele. —Aqui está; depois me diga se ela gostou. 

—Pode deixar. —Cirilo lança um sorriso fofo. 

Reviro os olhos. Não estou gostando nada disso! Eu entro um pouco mais na cozinha e puxo a mochila dele. 

—Vamos? Ou vai ficar tarde e não quero ocupar muito seu tempo —falo rapidamente e mamãe se vira para o fogão. Ufa! Cirilo olha para mim em branco, analisando o que eu disse. 

—Tirei a tarde para estudar com você. —As sobrancelhas escuras dele se erguem um pouco por cima dos óculos e os olhos parecem me envolver. 

—Ah. —Eu coro. Meu Deus, estou corando para Cirilo Rivera! Mas por que ele precisava dizer isso assim com tanta intensidade e como se fosse importante estudar comigo? Sabemos que eu basicamente lhe implorei que viesse e ainda tive que trocar por favores. —Certo, vamos. 

Eu o conduzo pelo corredor de casa até a sala de estar (minha ideia de estudar na frente dos meus pais está de pé). Meus livros já estão em cima da mesinha de centro, e Cirilo se senta ao meu lado no tapete felpudo e negro. Coloco as grandes almofadas vermelhas do sofá em minhas costas. Cirilo solta a mochila em cima da mesinha e pega dentro dela alguns livros que não fazem parte de nosso material escolar. Adoro como os cabelos castanho-escuros lisos caem, batendo na bochecha dele. Para não ficar olhando, concentro-me no meu material. 

—Estive pensando… —ele inicia, cortando o silêncio enquanto estou abrindo o caderno. Sinto um arrepio percorrer meu corpo quando o seu tom de voz atravessa a sala e enche meus ouvidos, e meu coração bate acelerado. —Talvez, se tentarmos outro tipo de dinâmica pedagógica, você compreenda melhor as matérias, então peguei esses livros na biblioteca. 

Estico o corpo para o lado e dou uma bela olhada no material; há livros não só de matemática, mas de química, física e geografia. Sério que ele ficou pensando em como me ajudar mais e pesquisou quais as matérias em que tenho mais dificuldade? Subo o olhar em direção a ele e nossos olhos se cruzam daquele jeito sem os óculos de novo. Ele lança um sorriso fofo, e meu coração bate forte. 

—O-obrigada —falo e me afasto dele. Cirilo tem um sorriso muito fofo, o que me deixa estranha. 

E por que eu estou pensando em seu sorriso como fofo? É só um sorriso, pelo amor de Deus, preciso parar com isso! 

Balanço a cabeça de um lado para o outro e pego meu lápis. Meu coração não dá uma trégua nas batidas pesadas nem por um minuto. Ai, não, por que estou me sentindo assim? 

—Por onde começamos? 

—Tudo de uma vez só. 

—Quê? 

—Reparei que você não consegue se concentrar por muito tempo em nada que considera chato, então pensei que, se a gente ficar pulando de um assunto para o outro, você não vai se distrair o tempo todo. —Ele abre todos os livros, colocando-os espalhados sobre a mesa de uma vez. 

—Isso vai me deixar confusa e minha cabeça vai dar um nó! —falo assustada. 

—Ei, você não pode desistir antes de tentar. 

—Não desisto antes de tentar! —Cruzo os braços ofendida. 

—Acredite em mim, você desiste —Cirilo sentencia seriamente. Ele pega um lápis do estojo dele, preto, e estende para mim. —Além disso, eu sou o professor e, portanto, quem decide a dinâmica de ensino sou eu. 

—Humm. —Pego o lápis a contragosto. —Então no fundo você quer seguir a carreira acadêmica e por isso é assistente de professor? Talvez queira ser professor de medicina! 

—Você sempre me pergunta o que eu vou fazer da vida e sobre a carreira que pretendo seguir, mas não me diz o que pretende fazer futuramente —Cirilo diz em tom calmo, não é uma bronca. Ele está curioso? —É só porque não quer mudar de colégio, ou pretende entrar em uma faculdade difícil? 

—Oh. —Mordo a boca. Abaixo os olhos para o meu caderno ainda em branco e respiro fundo. —Essa é a primeira vez que tenho problemas com notas, sempre me mantive na média… Mas é bem complicado arrumar tempo para estudar quando se entra no time de animadoras de torcida, além dos treinos bem puxados, eles estão sempre saindo… Se você fica de fora, bem, fica de fora, entende? 

—Por que isso seria um problema? Vai dizer que só entrou no time de animadoras para se tornar popular? 

—Não me julgue, ok? —Encho as bochechas de ar, mas logo o elimino. Coloco uma mão na testa. —Eu entrei por causa de Jorge. 

—Humm. —Cirilo comprime os lábios e desvia os olhos de mim. —Isso é ridículo. 

—Considero que sou um pouco ridícula por isso, quer dizer, entrei no time só por causa de um garoto que não repararia em mim se eu não fosse líder de torcida… E por isso tenho tanto medo de que ele termine comigo se eu mudar de escola. 

—Uau, o cara tem que ser otário para ficar com uma menina só por ela ser líder de torcida. 

—As coisas funcionam assim no colegial! —defendo.

—Acho que você deveria pensar que o mundo é um pouco maior do que o colégio ou do que vivemos no colegial —Cirilo sentencia com um suspiro. Não volta sua atenção para mim, apenas vira a página do livro de física mais perto dele e bate o dedo em um exercíco. —Você tem muito o que estudar se quer mesmo passar de ano com aquelas notas horríveis. Chega de distração por hoje! 

—Não são assim tão horríveis. —Não sei, senti um pouco de dor com o que ele disse. O mundo é maior do que o colégio e do que vivemos no colegial? Eu sei disso, todo mundo sabe, mas as coisas que vivo no colegial me acompanharão para o resto da minha vida. Eu só quero poder tê-las para sempre. 

Depois de nossa rápida conversa, estudamos até meu pai aparecer na sala. Apesar de muito orgulhoso por me ver estudar, ele quer ver televisão e me pede que estude em outro lugar. Eu e Cirilo seguimos para meu quarto, e mamãe traz um lanchinho de hora em hora, para ter certeza de que estamos estudando e não fazendo outra coisa. Claro, como se fosse fazer outra coisa com Cirilo Rivera. Hahaha! Não, nem pensar.

 


Notas Finais


Será mesmo que não vai acontecer nada no quarto da Maria Joaquina? Até o próximo capítulo, beijo!


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