História O nerd da minha vida - Capítulo 16


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Categorias Carrossel
Personagens Adriano Ramos, Alícia Gusman, Bibi Smith, Carmen Carrilho, Cirilo Rivera, Daniel Zapata, Davi Rabinovich, Jaime Palillo, Jorge Cavalieri, Kokimoto Mishima, Laura Gianolli, Marcelina Guerra, Margarida Garcia, Maria Joaquina Medsen, Mário Ayala, Paulo Guerra, Valéria Ferreira
Tags Carmem Carrilho, Carrossel, Cirilo Rivera, Ciriquina, Daléria, Davi Rabinovich, Jorge Cavalieri, Kokimoto Mishima, Margarida Garcia, Maria Joaquina Medsen, Nerd, Paulo Guerra, Romance, Valéria Ferreira
Exibições 60
Palavras 2.736
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Escolar, Famí­lia, Festa, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Leiam as notas finais e espero que gostem!

Capítulo 16 - Capítulo 16


Anteriormente em O nerd da minha vida...

—Uau, o cara tem que ser otário para ficar com uma menina só por ela ser líder de torcida. 

—As coisas funcionam assim no colegial! —defendo.

—Acho que você deveria pensar que o mundo é um pouco maior do que o colégio ou do que vivemos no colegial —Cirilo sentencia com um suspiro. Não volta sua atenção para mim, apenas vira a página do livro de física mais perto dele e bate o dedo em um exercíco. —Você tem muito o que estudar se quer mesmo passar de ano com aquelas notas horríveis. Chega de distração por hoje! 

—Não são assim tão horríveis. —Não sei, senti um pouco de dor com o que ele disse. O mundo é maior do que o colégio e do que vivemos no colegial? Eu sei disso, todo mundo sabe, mas as coisas que vivo no colegial me acompanharão para o resto da minha vida. Eu só quero poder tê-las para sempre. 

Depois de nossa rápida conversa, estudamos até meu pai aparecer na sala. Apesar de muito orgulhoso por me ver estudar, ele quer ver televisão e me pede que estude em outro lugar. Eu e Cirilo seguimos para meu quarto, e mamãe traz um lanchinho de hora em hora, para ter certeza de que estamos estudando e não fazendo outra coisa. Claro, como se fosse fazer outra coisa com Cirilo Rivera. Hahaha! Não, nem pensar.

 

Estou exausta e meus músculos todos pesam mais do que o normal. Abro os olhos e percebo que acabei dormindo enquanto estudava, e pior: estou deitada por cima de Cirilo. Eu me afasto no susto, mas interrompo meu movimento no meio do caminho quando percebo que o braço dele transpassa meu corpo e repousa sobre o livro, segurando-o em pé. 

Apesar dos estudos, Cirilo também dormiu. A luz do quarto está apagada e já deve ser noite; eu mal o enxergo. A luz da rua entra pela janela e cria uma silhueta no rosto de Cirilo, iluminando-o pela metade e refletindo-se nas lentes dos óculos. Odeio esses óculos dele, o tal status de pessoa mais inteligente que ele usa. Não me contenho na urgência de tirar o objeto de seu rosto, mas faço muito devagar para não acordá-lo. 

Coloco os óculos em mim, porém, ao fazer isso, acabo me mexendo demais e o livro apoiado nas mãos sonolentas de Cirilo se desequilibra e cai no chão com um estrondo, fazendo-o pular de susto. Ele abre os olhos, ergue-se um pouco e me encara, ainda sem perceber que uso seus óculos. Fica uns instantes parado, acho que tentando adivinhar o que aconteceu. Eu não me mexo; desejo que ele diga alguma coisa, pois seu silêncio me incomoda. Seus lábios finos se entreabrem, enquanto ele se prepara para dizer alguma coisa; nossos olhares estão grudados. 

—Desculpe, peguei no sono —ele diz, forçando o corpo para se sentar, e eu sou empurrada para trás, sentando-me também. Cirilo pega o livro do chão e fica em pé. —Melhor eu ir embora, está tarde. 

Ele então vira para mim e percebe só agora que estou com seus óculos. Suas sobrancelhas se franzem, mas, antes que ele pergunte, me adianto: 

—Desculpe, queria ver se isso me deixaria mais inteligente. —Eu tiro os óculos e os entrego para ele. —Te acompanho até a porta. 

Quase consigo escutar seus pensamentos, enquanto ele tenta entender o que eu estava pensando ao imaginar que óculos poderiam deixar alguém inteligente. Cirilo quase sorri e coloca os óculos no rosto. Ocupa-se pegando os outros livros espalhados na cama, e eu já estou em pé, andando até a porta. 

Descemos as escadas enquanto ele coloca os livros dentro da mochila. Passo pela cozinha e meu pai está preparando o jantar (ele cozinha sempre o mesmo macarrão de domingo; resolveu abrir uma exceção por termos visita) e escuta nossos passos, olhando para a porta. 

—Já está de saída? Não vai ficar para o jantar? 

—Desculpe, Sr. Medsen, mas tenho que cuidar da minha irmã esta noite e já até me atrasei —Cirilo explica. 

—Oh, nesse caso tudo bem. —Papai mostra um rápido sorriso. —Tenha uma boa noite. 

—Igualmente —Cirilo responde e se adianta na direção da porta. 

Seria esquisito que ele ficasse para jantar. Será que eu gostaria disso? 

—Tem certeza de que não quer ficar para jantar? —pergunto enquanto abro a porta. 

—Não vai dar. —Cirilo passa apressadamente para a varanda. Parece até que ele está fugindo. 

—Obrigada por ter vindo —falo. —Até amanhã. 

Cirilo não responde, apenas passa para o jardim. Ele gira rapidamente e acena, antes de ir embora correndo, acho que está mesmo apressado. Estranho tanta pressa para cuidar da irmã; tenho por mim que Cirilo não é um adolescente muito normal. 

Quando entro novamente em casa, papai está na porta da cozinha sorrindo. 

—Muito bem, Maria Joaquina, gostei de ver que você está estudando. Talvez eu te devolva a mesada, se continuar assim. 

—Oh! Sério? —Oba! Eu sabia que papai iria aliviar para o meu lado. Meu plano deu certo. Estou muito feliz e abro um sorrisão. —E aquele papo de colégio público está esquecido, então? 

—Nem pensar. Você ainda tem que passar de ano, mocinha. —O sorriso de papai some e ele retorna ao fogão. 

Essa não! Pelo visto, ainda preciso estudar muito e não sei se essa maluquice que Cirilo inventou vai funcionar e me fazer aprender mais. Espero que ele seja tão bom professor quanto é um ótimo aluno. 

Volto para o quarto e pego meu celular, esquecido na bolsa que levei para a festa da piscina desde ontem à noite! Há o registro de diversas ligações de Valéria e Jorge. Parece que hoje o time inteiro resolveu ir para um churrasco na casa de Margarida e só eu não fui. Que droga… se bem que o dia não foi tão ruim.

 

Dia seguinte

—Você ficou louca de vez? —Valéria me pergunta. 

Ergo o olhar para a rua, conferindo os dois lados antes de atravessar. O vento bate de forma agradável, mas está um sol de escaldar. O calor do início da primavera me deixa um pouco nervosa. Gosto de sol e calor, mas não do fato de que cada vez mais o Baile de Primavera se aproxima e, com ele, as provas. 

—Não, estou só cumprindo com minha parte do acordo, ou Cirilo achará que não posso pagar as aulas que ele está me dando. —Meu celular está no bolso da minha calça jeans e uso os fones com microfone para conversar. Isso faz parecer que estou falando sozinha, e as pessoas na rua se viram para me observar.

—Você não pode pagar as aulas que ele está te dando —Valéria me lembra do detalhe importante. 

—Meus pais vão devolver minha mesada se eu continuar estudando —informo. 

Um sorriso brota nos meus lábios cheios de gloss cereja que passei antes de sair de casa. Apesar de meus pais não terem retirado meu castigo por completo, ter minha mesada de volta adianta minha vida e posso pagar as aulas, desde que eu não gaste com mais nada! 

—Bom, já é alguma coisa! 

—Com certeza! —Estou otimista. 

—Mas você devia ter me avisado de que estava estudando ontem. Fomos ao churrasco na casa de Paulo e foi uma droga sem você, tive que ficar conversando com as meninas da Carmem, elas são tão fúteis e só falam de moda, como se o mundo inteiro girasse em torno da Vogue —Valéria diz em um fôlego só, com a voz chateada. 

—Desculpa, não deu tempo de avisar e meus pais ficaram em cima, olhando se eu estava mesmo estudando. 

—Tá, como se Cirilo Rivera fosse passar a mão na sua perna igual Jorge! —Valéria se diverte. —O cara é tão nerd que deve ser assexuado —ri, debochada. 

—Não quero que Jorge saiba que Cirilo foi a minha casa, ele pode surtar daquele jeito estressado de novo. —É um pedido, para que ela não diga nada a Jorge. 

—E você resolveu o problema saindo com Cirilo Rivera hoje? Parabéns, Maria Joaquina! 

—Você precisa me ajudar nessa, dizer que vamos passar o dia juntas… Por favor, Valéria! —Foi só por isso que eu liguei para ela. 

Ontem, depois que encerrei os estudos, havia inúmeras mensagens de Jorge no meu celular, e eu disse que meus pais não me deixaram sair e que fiquei sozinha estudando; afinal, não quero Jorge atacando Cirilo novamente nos corredores da escola. Ele acreditou, o que foi bom, mas queria sair hoje… Então inventei uma mentira. 

Sei que é muito feio mentir para o namorado, mas, se Jorge continuar com ciúmes, vai acabar atacando Cirilo e tenho certeza de que ele desistirá de me dar aulas. Isso será o meu fim! Quando eu tiver notas altas e for rainha do baile, Jorge não vai se importar se eu estudei com Cirilo ou com qualquer outra pessoa, porque vai adorar ser namorado da menina com a coroa na cabeça, e só isso importará! 

—Tudo bem, eu vou passar o dia inteiro fora mesmo, almoço em família na minha madrinha. Te acoberto nessa. 

—Obrigada! 

—Mas é só desta vez; não sei se gosto da ideia de você saindo com aquele nerd de marca maior e ainda reparando em como ele fica bem sem óculos. 

—Mas ele fica bem sem óculos. —Droga, sabia que não devia ter dito a Valéria o que rolou no final das contas. Não rolou nada, eu só dormi e roubei os óculos dele, não sei bem por que fiz isso; acho que só por curiosidade. 

—Não acredito que eu ouvi isso! Depois de todo o trabalho que você teve para conquistar Jorge e se livrar da fama de “ímã de nerd”, vai ficar arrastando asa para Cirilo Rivera? Você esqueceu quem ele é? 

—Não estou arrastando asa para ele. 

—Você me contaria, caso estivesse começando a gostar de Cirilo Rivera, não contaria? 

—Claro que eu contaria. —Reviro os olhos. Ela não me conta nada sobre Davi, a amizade está muito unilateral em minha opinião. —O que realmente está rolando entre você e Davi? 

Ouço Valéria bufar aborrecida do outro lado da linha. 

—Meus pais estão buzinando, depois eu te ligo. —Sem me dar chance de me despedir, Valéria interrompe a ligação. 

Suspiro. Isso está martirizando minha mente! Eu gostaria que Valéria me contasse logo o que rolou! Eu poderia ajudá-la a ter Davi de volta se ela me dissesse que é isso que quer, por exemplo. Também a ajudaria a superar a dor ou, ainda, a amenizar com Davi qualquer briga entre ela e a mãe dele. Eu poderia, mas se minha amiga não me pede ajuda, fica impossível. 

No começo, achei que Valéria estava agindo assim porque Davi havia sido muito cruel com ela de alguma forma, mas, depois que ela me confessou que ainda gosta dele e levou um fora, eu não entendo por que Valéria não me conta nada! Ai, será que não somos mais tão amigas e só eu não reparei? Mas, se for isso, por que ela me diria que sentiu minha falta no churrasco? Ela mentiria? Estou tão confusa! 

Guardo os fones e procuro prestar atenção na rua em que estou. No entanto, não reconheço mais o caminho e acho que me perdi. Pego do bolso da frente da minha bolsa de couro preta o papel em que anotei o percurso até a casa de Cirilo. Comparo os nomes das ruas com a placa e percebo que estou no caminho certo. 

As ruas aqui já são mais estreitas e as casas um pouco menores que as do meu bairro, mas parecem bem aconchegantes. Ando alguns minutos até parar na frente de uma casa pequena e de madeira pintada de branca. É térrea, com um alpendre na frente. Posso ver a silhueta de um Golden Retriever na varanda, cansado e dorminhoco, escondendo-se na sombra. 

Eu me aproximo receosa de que o cachorro vá me atacar, mas ele nem se move. Analiso seus pelos caramelos, a coleira azulada e com um pingente redondo prateado onde deve estar registrado seu nome, mas não me atreveria a olhar! 

Curvo um pouco o corpo e tento olhar para o interior da casa através do vidro translúcido. Vejo uma pequena mesa de madeira de quatro lugares, um sofá de três lugares e uma poltrona de estofado listrado verde e creme, sem mesa de centro, encostados a uma parede repleta de fotografias. Parece bem aconchegante, mas não é o tipo de lugar que imaginei que Cirilo moraria. 

Esperava algo mais asséptico e sem personalidade da parte dele, como aquelas decorações de revista com pôsteres de filmes de ficção científica preto e branco e objetos cheios de referências nerds. A casa parece vazia. Será que Cirilo esqueceu que eu viria e se adiantou para sair com a irmã? Ele nem me falou a idade da irmã, só disse que é mais nova. Uma sombra se projeta na sala e percebo que alguém se aproxima. 

Escondo-me um pouco e uma jovem aparece, provavelmente quase do meu tamanho, um pouco mais magra e pálida, os cabelos avermelhados cacheados e olhos castanhos. Ela se senta no sofá e cruza os braços, fazendo bico, aborrecida, de calça jeans e uma blusinha verde-escura. Acho que é a irmã de Cirilo, mas ela não parece tão mais nova como imaginei, deve ter quase doze anos. Não esperava lidar com uma garota tão mais velha e, sim, com uma dessas menininhas a quem você oferece pirulito e ela imediatamente gosta de você. Isso é difícil, ainda mais se ela me vir bisbilhotando pelas frestas. 

De repente, a menina olha para a porta. Droga, ela me viu! Escondo meu corpo espremendo-me na parede, mas escuto os passos dela se aproximando. A porta abre e a garota coloca a mão da cintura, enquanto segura a porta com a outra, passeando os olhos por todas as minhas roupas. Suas sobrancelhas ruivas se contorcem um pouco em dúvida, e ela olha para mim com a mesma intensidade do olhar de Cirilo por trás dos óculos. 

—Você é Maria Joaquina? —ela vai direto ao ponto. Deve ser coisa de família falar sem enrolações, só pode! 

—Sim… Estava procurando a campainha. —Ensaio um sorriso sem graça, minhas bochechas pegam fogo enquanto minto. Nem procurei a campainha. 

A menina confere rapidamente com os olhos a campainha redonda, cinza e protuberante que se destaca na lateral da porta e depois olha para mim, dando uma risadinha, cobrindo a boca. Visualizo uma pulseira parecida com aquela escrito Faith que Cirilo usa, mas na dela está escrito Health. 

—Se fosse uma cobra te mordia! —ela debocha. 

Acabo dando uma risadinha também, mas só para acompanhá-la. Na verdade, estou muito nervosa e parece que há um monte de mariposas voando em meu estômago. 

—Ciriiiiilooo —ela berra entrando pela sala, mas deixando a porta aberta para mim. Acho que isso quer dizer que eu devo entrar e assim o faço, fechando a porta enquanto ela grita: —Ciriiiiiiiilooooo! 

—Não grita! —ele grita em resposta.

—A princesa chegou! —a menina grita ainda mais alto. 

Princesa? Por acaso ela está se referindo a mim? Fico travada na frente da porta e ela me olha com um sorrisinho de canto na boca, mas não é maldoso, pelo contrário, é até inocente demais. 

—Vou buscar minha blusa, mas você vai me ensinar a ser uma princesa depois! —diz, parecendo animada, e sai apressada pelo pequeno corredor. 

Inclino-me um pouco para olhar para onde ela vai e, assim que ela entra em uma porta, Cirilo, que vinha saindo, se espreme contra o batente. 

—Não corra pela casa! —ele passa a bronca. Cirilo atravessa a porta e se aproxima de mim, caminhando devagar e dando-me todo o tempo do mundo para ler a estampa branca de sua camiseta cinza-escura. É um disquete desses quadradinhos onde está escrito “RIP 1971-1991”. Ele sorri daquele jeito fofo, e as mariposas do meu estômago começam a voar involuntariamente; sou obrigada a colocar a mão na barriga e devo ter feito cara de dor. —Tudo bem? 

—T-tudo. —Balanço a cabeça em um “sim” várias vezes para me convencer disso. —Por que ela está me chamando de princesa? 

—Desculpe quanto a isso. —Cirilo se aproxima de mim e beija minha bochecha; sinto um choque e fico atônita. Ele acabou de me cumprimentar como se eu fosse sua amiga? Oh.Meu.Deus. —Eu disse a ela que precisava socorrer uma princesa em apuros, só assim para ela me liberar ontem.

 


Notas Finais


Cirilo disse a sua irmã que a Maria Joaquina é uma princesa, hmmmm... E ainda por cima cumprimentou ela com um beijo na bochecha... O que será que tá rolando entre esses dois? Até o próximo capítulo, beijo!


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