História O nerd da minha vida - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias Carrossel
Personagens Adriano Ramos, Alícia Gusman, Bibi Smith, Carmen Carrilho, Cirilo Rivera, Daniel Zapata, Davi Rabinovich, Jaime Palillo, Jorge Cavalieri, Kokimoto Mishima, Laura Gianolli, Marcelina Guerra, Margarida Garcia, Maria Joaquina Medsen, Mário Ayala, Paulo Guerra, Valéria Ferreira
Tags Carmem Carrilho, Carrossel, Cirilo Rivera, Ciriquina, Daléria, Davi Rabinovich, Jorge Cavalieri, Kokimoto Mishima, Margarida Garcia, Maria Joaquina Medsen, Nerd, Paulo Guerra, Romance, Valéria Ferreira
Exibições 42
Palavras 2.551
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Escolar, Famí­lia, Festa, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Leiam as notas finais e espero que gostem!

Capítulo 17 - Capítulo 17


Anteriormente em O nerd da minha vida...

—A princesa chegou! —a menina grita ainda mais alto. 

Princesa? Por acaso ela está se referindo a mim? Fico travada na frente da porta e ela me olha com um sorrisinho de canto na boca, mas não é maldoso, pelo contrário, é até inocente demais. 

—Vou buscar minha blusa, mas você vai me ensinar a ser uma princesa depois! —diz, parecendo animada, e sai apressada pelo pequeno corredor. 

Inclino-me um pouco para olhar para onde ela vai e, assim que ela entra em uma porta, Cirilo, que vinha saindo, se espreme contra o batente. 

—Não corra pela casa! —ele passa a bronca. Cirilo atravessa a porta e se aproxima de mim, caminhando devagar e dando-me todo o tempo do mundo para ler a estampa branca de sua camiseta cinza-escura. É um disquete desses quadradinhos onde está escrito “RIP 1971-1991”. Ele sorri daquele jeito fofo, e as mariposas do meu estômago começam a voar involuntariamente; sou obrigada a colocar a mão na barriga e devo ter feito cara de dor. —Tudo bem? 

—T-tudo. —Balanço a cabeça em um “sim” várias vezes para me convencer disso. —Por que ela está me chamando de princesa? 

—Desculpe quanto a isso. —Cirilo se aproxima de mim e beija minha bochecha; sinto um choque e fico atônita. Ele acabou de me cumprimentar como se eu fosse sua amiga? Oh.Meu.Deus. —Eu disse a ela que precisava socorrer uma princesa em apuros, só assim para ela me liberar ontem.

 

—Aquela é sua irmã? —pergunto para confirmar o que é uma suspeita. 

—Leah —Cirilo explica.

—Achei que ela era mais nova. Quantos anos ela tem? 

—Doze, está naquela fase que ainda brinca de boneca e se interessa por maquiagem ao mesmo tempo —Cirilo me explica. 

—Ah, sei. Já passei por isso —digo. 

Ficamos em silêncio, como se um constrangimento mútuo se abatesse sobre nós. Cirilo abaixa a cabeça e ajeita os óculos; eu mordo a boca e olho para o teto, analisando o lustre branco de cúpula oval. Estou um pouco constrangida, confesso. Sair assim com Cirilo e a irmã dele me dá a impressão de que estou saindo para um encontro, faz mariposas infinitas surgirem no meu estômago! Não é um encontro, não sei o que está acontecendo comigo que ando me sentindo assim tão estranha ao lado de Cirilo. 

—E então? Estamos prontos? —Leah reaparece, segurando um moletom cinza. 

—Estávamos esperando você —Cirilo diz com um sorriso amável, repousando a mão na cabeça da irmã, que deve ser uns trinta centímetros mais baixa que ele. É a primeira vez que eu vejo esse sorriso nele e meu coração perde o controle, batendo desgovernado. —Vamos? 

—Espera! —Leah olha para mim e fica com as bochechas rosadas. —Eu queria… passar um pouco. 

—Passar um pouco o quê? —Cirilo não a compreende, mas eu vejo quando ela coloca os dedos nos lábios pálidos. Leah olha para o irmão, e o pânico atravessa seu olhar, as bochechas ficando ainda mais rosadas, com extrema vergonha. 

—Deixa comigo. —Adianto-me puxando Leah um pouco para o lado e abro a bolsa, pegando meu gloss de cereja. 

—Não sei se isso é uma boa ideia —Cirilo logo me repreende. 

—Ah, deixe de ser ciumento. —Lanço um olhar impaciente, e Cirilo ergue as mãos como se quisesse dizer que está desarmado. Viro para Leah, sorrindo. —Sabe como fazer? 

Leah balança a cabeça de um lado para o outro, indicando que não. 

—Sorria —digo e ela sorri, mostrando dentes grandes e um pouco arredondados. Passo o gloss em seus lábios finos rapidamente, apenas um pouco para não ficar exagerado. —Agora solta um beijinho no ar… e pronto! —Ela faz a mesma coisa e dá risada. 

—Deixa eu ver como ficou! —Leah sai apressada na direção de uma porta. 

—Não corre, Leah! —Cirilo reclama e suspira. 

Tampo e guardo o gloss na bolsa. Olho para ele, tombando a cabeça um pouco para o lado, e então sorrio. 

—O que foi? —ele me pergunta estreitando os olhos. 

—Nada, só achei bonitinho você com dor de corno porque sua irmã passou batom. 

—Ei! —ele reclama, mas acaba sorrindo também. 

—Ficou ótimo! —Leah reaparece com o rosto iluminado pela alegria. —Acha que estou bonita?

—Está linda, não está, Cirilo? —pergunto só para cutucá-lo com mais um pouco de ciúme de irmão. 

—Está —por fim ele confessa, e o sorriso se intensifica. Cirilo coloca a mão na cabeça de Leah. —Como é que se diz? 

—Obrigada, Maria Joaquina. 

—De nada —respondo e respiro fundo, como se receber um obrigada me engrandecesse de repente. Eu devia dizer “obrigada” mais vezes para as pessoas também. 

Leah passa para fora de casa e eu a sigo. Cirilo é o último a sair. 

—Molly, pra dentro! —ele dá a ordem para a cachorra, que lhe obedece imediatamente. Então fecha a porta e tranca com a chave, escorregando-a para dentro do bolso da calça jeans. 

—Você vai me carregar em vez de carregar a Maria Joaquina, não vai? —Leah pergunta. —Uma princesa como eu não pisa no chão! 

—Vou. —Ele desce do alpendre e Leah pula em suas costas, de cavalinho, rindo. 

A informação me causa um estranhamento gigante. A menininha sorridente e fofa de minutos atrás se transformou em um monstrinho exigente em segundos. E que papo é esse de que o Cirilo teria que me carregar? Que maluca! 

Seguimos pela rua, subindo a ladeira, até o ponto de ônibus. Cirilo fica exausto de carregá-la e precisa de alguns minutos para recuperar o fôlego. O ônibus chega, Cirilo dá sinal e sobe com Leah nos braços, carregando-a no colo como uma princesa. Eu só espero que este passeio não tenha sido uma péssima decisão.

 

Aquário

Cirilo solicita uma cadeira de rodas para Leah assim que chegamos ao aquário. Eu não entendo a princípio do que se trata, mas, quando Leah se acomoda na cadeira, fica claro que ela tem algum problema de saúde. 

Tudo se encaixa: ela é tão magrinha e pálida, foi carregada de cavalinho em vez de andar no chão, e Cirilo é muito protetor com ela. Confesso que me senti muito sem graça, afinal, de primeira, achei que Leah pudesse ser uma preguiçosa mimada, por obrigar o irmão a carregá-la no colo o tempo todo, mas aí tudo fez sentido, como ele pedir à irmã que não corresse dentro de casa. 

—É uma insuficiência mitral; ela vai precisar de uma cirurgia e um implante no coração para ficar melhor —Cirilo me explica com paciência, a voz baixa, enquanto caminhamos lado a lado pela entrada do aquário, empurrando a cadeira de Leah, distraída em olhar ao redor, encantada com o passeio. —Quando ela era mais nova, não entendia por que não podia correr e fazer coisas que as crianças faziam. Eu inventei esse lance de que ela era uma princesa. Agora que já está maior, começa a entender melhor as coisas, mas ainda tem fascínio por ser uma princesa. 

—Oh. —Fico sem palavras. Isso explica os livros de cardiologia que ele não para de ler. Sinto um peso no peito, como se algo me comprimisse contra o chão. —Sei, você só inventou isso para poder chamá-la de princesa Leah quando quiser! 

—Isso foi genial, não é? —Cirilo abre um daqueles sorrisos fofos, e meu coração relaxa. —Mas estou surpreso por você ter notado a referência a Star Wars. Assistiu aos filmes? 

—Em um passado distante, quando eu e Valéria estávamos numa fase de Space Operas. 

—Estou impressionado. 

—Foi mais uma fase da Valéria do que minha —defendo-me rapidamente. 

—Sei. —A sobrancelha da discórdia se ergue, e antevejo uma alfinetada. —Ainda me lembro daquela pulseira da Sailor Moon que você usava. 

Minhas bochechas ficam em fogo só de imaginar que alguém como Cirilo Rivera reparou em mim naquela época. Eu era uma anônima, rastejava invisível pelos corredores da escola. 

—É um passado do qual eu sinto, em grande parte, vergonha. —A pulseira foi inclusive culpada pela má fama de “ímã de nerds” que eu tinha, e fiquei com tanta raiva que a joguei fora, mas me arrependi depois. 

—Vergonha de gostar de alguma coisa de que normalmente as pessoas não gostam? —ele me pergunta, genuinamente surpreso com minha linha de pensamento. Faço que sim com a cabeça. —Por quê? 

—As pessoas não gostam muito do que é diferente. —Sacudo os ombros. —As meninas do time de animadoras, por exemplo. 

—Pois eu acho que o diferente é o que torna cada pessoa única —Cirilo sentencia com a expressão séria, e meu coração bate forte com o olhar intenso e escuro que ele me envia. Ainda mais ele falando isso assim, de uma forma que parece até um elogio. 

—E a Leah, gosta de quê? —Melhor eu mudar logo de assunto. 

—Princesas e A Culpa é das Estrelas. —Ele ri. 

—O que tem de especial nesse livro de astronomia? 

—Não! —Leah se intromete, olhando para mim. —Não é um livro de astronomia. É um romance. 

—Ah, é? Não fala de estrelas? 

—Acho que tem uma metáfora ou outra com estrelas, mas nada sobre astronomia. —Cirilo ri. 

—Oh, é tão perfeito, Maria Joaquina, você precisa ler! —Leah se empolga e começa a fazer um discurso sobre o livro, que virou filme. 

Ela me conta tudo sobre o autor e o grupo de “Nerdfighters” do qual ela e Cirilo (e qualquer um que quiser) fazem parte. Ahá, sabia que era coisa de nerd! Mas me impressiona saber que, na verdade, é mais sobre fazer o bem para as pessoas do que se sentir mais inteligente que os outros. Eu achava que nerds eram metidos, antissociais e impacientes; agora já acho que existem vários tipos de nerds. 

Com certeza, Cirilo não tem nada de metido ou antissocial, mas talvez ele seja um pouquinho orgulhoso e impaciente mesmo, sobretudo comigo. Talvez seja algo pessoal por causa do fora que eu dei… Ai, por que dei um fora nele mesmo? As mariposas na minha barriga dão sinal de vida novamente, enquanto Cirilo me conta que sua mãe trabalha nos piores horários como segurança noturno e ele ajuda como dá, tomando conta da irmã. 

Desde que os médicos decidiram que o melhor tratamento era a cirurgia, eles entraram na fila do governo, mas o processo é tão demorado que resolveram juntar dinheiro para pagar a cirurgia, venderam o carro e muitas coisas, no entanto, ainda assim, não conseguiram o montante para pagar o implante por completo, só uma parte. Isso explica por que ele estava trabalhando tanto e procurando emprego. Ugh, a culpa recai sobre mim por causa do emprego que ele perdeu. Ainda bem que meus pais me devolveram a mesada; seria terrível ter que dar um calote em um garoto tão bonzinho como Cirilo. 

Continuamos a andar pelo aquário e Leah se surpreende com cada coisa nova que vê. Ela me faz pensar no primeiro dia em que eu estive em um zoológico, e fiquei assim boquiaberta e encantada também! O que mais me surpreende é que, apesar de se sentir cansada o tempo todo, Leah mantém um sorriso de alegria e inocência. 

Algumas pessoas possuem mesmo um coração iluminado. 

Cirilo me conta que Leah passou a fazer outras atividades, como artesanato, para ocupar o tempo depois da escola e que ela é realmente muito talentosa. 

—Uma das coisas que ela cismou em fazer foram essas pulseirinhas —Cirilo diz e me mostra a pulseira que eu já vi várias vezes em seu braço. —Ela coloca algo de que a gente precisa, na concepção dela, é claro. 

—E você recebeu Faith por causa de uma menina? —pergunto, e meu coração bate forte de ansiedade, com medo da resposta. Peraí, estou com medo de que ele tenha uma namorada? Não pode ser! 

—Não! —Cirilo dá risada e ajeita os óculos. Adoro o jeito como ele empurra a armação, acertando-a em seu rosto. —Ela disse que eu preciso de fé para acreditar que ela vai se curar. Foi numa época em que eu estava muito revoltado com tudo isso e ela fez as pulseiras, a minha, a dela e a da minha mãe, onde está escrito Hope. 

—Uau. —Suspiro. —Ela é mesmo uma menina iluminada, pois nem todo mundo que fica doente tem uma visão tão positiva da coisa; a maioria se revolta. 

—Eu não sei se isso veio dela, ou se ela tomou como exemplo outras pessoas que agiram da mesma forma, através dos livros que leu. —Cirilo suspira também e seu olhar escuro se perde em algum lugar da jaula das focas nadando. 

—De qualquer forma, é preciso uma luz interior para não se jogar no meio de um abismo —concluo. —Acho que eu não agiria assim, tenho tendência a ser negativa… e, como você disse, desisto fácil das coisas. 

—Eu sei que disse isso, mas estava me referindo aos estudos. Você se empenha bastante com o time das animadoras e ainda não desistiu, quer dizer, em algum lugar aí dentro, há uma luz interior. 

Minhas bochechas pegam fogo de novo. 

Cirilo olha para mim daquele jeito que pode ler minha alma e enxergar o que realmente existe dentro de mim, inclusive vendo algo que nem eu mesma percebia! Se eu me empenho assim com o time e persegui meus objetivos até conseguir o que queria, com certeza significa que posso melhorar minhas notas. Só preciso me empenhar bastante e não me distrair. 

—Ei, venha —Cirilo me chama. 

Continuamos andando pelo parque aquático e empurrando a cadeira de Leah. 

—Pinguins! —O olhar de Leah ganhou um brilho novo. 

—Você falou da sua mãe, mas não me contou o que seu pai faz —pergunto ao chegarmos ao espaço dos pinguins, que é climatizado e fica no meio do parque em um aquário gigante com água bem gelada. 

—Ele faleceu logo depois que Leah nasceu. 

—Sinto muito. 

—Ei! Ei! —Leah nos interrompe e desgruda os olhos do aquário cheio de pinguins. —Eu quero um algodão-doce! —Aponta para um vendedor que passa do outro lado da jaula dos pinguins. 

—Vou buscar um para você —digo e me afasto rapidamente para alcançar o moço vestido de palhaço. 

Compro um algodão-doce cor-de-rosa. Passeamos por mais algumas horas conversando sobre os animais, e Cirilo ainda por cima me dá uma aula de biologia com todo o conhecimento adquirido nos documentários do Discovery Channel. Pena que não caiam essas coisas nas provas! Fico realmente sensibilizada ao saber que os papais pinguins cuidam dos ovos para que as mamães pinguins possam se alimentar, um tipo de cooperação mútua que falta à maioria dos casais humanos. Aliás, acho que é algo que falta em Jorge e em mim. 

—Estou cansada —Leah diz sentada em sua cadeira, apoiando a cabeça no braço, depois de comer todo o seu algodão-doce e olhar mais algumas jaulas. Entretanto, ainda não chegamos ao final do parque, onde estão os golfinhos, tubarões e baleias, que é a melhor parte. 

—Melhor irmos embora —Cirilo se adianta. 

Não me atrevo a insistir; sei que Cirilo, melhor do que ninguém, conhece os limites de sua irmã. Concordo com um movimento de cabeça. 

Quando passo por um quiosque de fotografia, uma ideia se forma na minha cabeça. Ando até o baú de fantasias, o vendedor se aproxima para me auxiliar. Cirilo para com a cadeira da irmã perto de mim e espia o baú, meio curioso e meio sem entender o que eu estou fazendo. 

 


Notas Finais


O que será que a Maria Joaquina vai fazer? Parece que os três estão gostando muito desse passeio, o que será que vai acontecer? Até o próximo capítulo, beijo!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...