História O nerd da minha vida - Capítulo 25


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Categorias Carrossel
Personagens Adriano Ramos, Alícia Gusman, Bibi Smith, Carmen Carrilho, Cirilo Rivera, Daniel Zapata, Davi Rabinovich, Jaime Palillo, Jorge Cavalieri, Kokimoto Mishima, Laura Gianolli, Marcelina Guerra, Margarida Garcia, Maria Joaquina Medsen, Mário Ayala, Paulo Guerra, Valéria Ferreira
Tags Carmem Carrilho, Carrossel, Cirilo Rivera, Ciriquina, Daléria, Davi Rabinovich, Jorge Cavalieri, Kokimoto Mishima, Margarida Garcia, Maria Joaquina Medsen, Nerd, Paulo Guerra, Romance, Valéria Ferreira
Exibições 57
Palavras 1.883
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Escolar, Famí­lia, Festa, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Leiam as notas finais e espero que gostem!

Capítulo 25 - Capítulo 25


Anteriormente em O nerd da minha vida...

—Cirilo, não é nada disso… —tento me defender, alcanço o braço dele, mas Cirilo se solta bruscamente, dando dois passos para trás. —Cirilo! 

—Obrigado pelo “nerd dos nerds”. —Cirilo chacoalha a cabeça e vira as costas para mim. 

O corredor inteiro se comove com palavras e risadinhas, as pessoas olhando-me como se eu fosse um monstro. Carmem Carrilho e suas meninas saem rapidamente, Luiza Oliveira em especial me olha com raiva, como se eu estivesse ameaçando sua existência. 

Meus olhos se enchem de lágrimas. Estou pronta para deixar meu corpo cair no chão, mas alguém me segura. Mãos delicadas e de toque firme. 

—Maria Joaquina? —Reconheço a voz de Valéria; sua figura de roupas discretas está borrada por minhas lágrimas, ainda assim, reconheço sua silhueta, os cabelos escuros e alisados, cheios de volume. —Ai, amiga! Vem comigo. 

Permito a Valéria passar o braço pelo meu ombro e rosnar para os alunos abrirem espaço para que ela possa me conduzir para fora do colégio antes que as aulas comecem. O dia que deveria ser bom se transformou em uma catástrofe!

 

Valéria tem o quarto dos sonhos de toda menina. As paredes são brancas e em uma delas há um painel fotográfico com uma foto gigante dela deitada numa praia linda, usando vestido esvoaçante, tirada pela irmã mais velha, que é fotógrafa. Ao lado, na outra parede, onde fica uma janela para a rua e a escrivaninha com o computador, há uma cortina branca florida com a mesma estampa da colcha que cobre a cama. Na outra parede, uma timeline fotográfica da nossa amizade, motivo pelo qual eu sempre achei que seríamos amigas para sempre. 

Fico surpresa ao entrar em seu quarto e perceber que o painel de fotografias ainda está aqui, e é para ele que me dirijo. Uma das fotos que me chamam atenção é a que tiramos na primeira vez que usamos os uniformes, absolutamente felizes com a vaga que conseguimos, nosso sonho. Agora eu destruí os sonhos de Valéria. Sinto-me um monstro. 

—Entãaaaao… —Valéria chama minha atenção, fechando a porta atrás de si e jogando a bolsa em cima da mesinha aparadora branca ao lado da cama. Ela se joga na cama, de bruços. Pernas para cima balançando. —O que tá rolando entre você e Cirilo Rivera? 

—Nada. —Faço bico e continuo mexendo nas fotografias do painel. Outra foto que meus olhos encontram é uma que tiramos em uma viagem que fizemos juntas aos doze anos, um fim de semana em um hotel fazenda, onde andamos a cavalo e várias outras atividades do tipo. 

—Você estava chorando e disse que tinha sentimentos por ele —Valéria pontua, e eu giro o corpo olhando para ela. —Entãaaaaao? —ela insiste, abrindo bem a boca para me forçar a falar. 

Eu me aproximo, sentando-me na cama ao lado dela, deixando os sapatos no chão. Cruzo as pernas como um índio e enrolo meus cabelos nos dedos. 

—Você lembra quando Cirilo me convidou para o baile e você jogou café com leite nele? 

—Oh, sim! —Valéria dá risada e se senta, ficando de frente para mim. —Eu devia pedir desculpas a ele por isso, quer dizer, se vocês forem mesmo começar a namorar. 

—Cala a boca, Valéria, claro que não vamos namorar. Cirilo me detesta, ele só topou estudar comigo por dinheiro, já te contei a história da irmã dele. —Bufo e encho as bochechas de ar. 

—Não sei, não. Depois de tudo o que você fez de tão “péssimo” —Valéria faz aspas com os dedos e, depois, cutuca minha bochecha para o ar escapar, em uma tentativa de me animar —ele ainda topou te dar aulas, então acho que ele mantém aquela queda por você em dia. 

—Ele precisava de dinheiro, nada demais. Além do mais, Cirilo nunca tentou nada… Tudo isso é culpa minha, eu gradativamente… mudei. —Suspiro ao me confessar. —Algo mudou dentro de mim e a chavinha do interesse mudou de Jorge Cavalieri para… 

—Cirilo Rivera! —Valéria completa meus pensamentos da forma como costumávamos fazer sempre. —Foi a chavinha do amor! Posso reconhecer amor de longe, pelo cheiro. 

—Pelo cheiro? Tá doida? —Dou risada entristecida. Como se amor tivesse cheiro! 

—Fica uma aura perfumada ao redor das pessoas que se amam e só aqueles que já amaram a percebem. —Valéria brinca com as mãos, dançando os dedos ao redor de mim. Faço uma careta de aborrecimento. —Se você percebeu que gosta de Cirilo Rivera, acho que deve dizer isso a ele e tentar algo antes que Luiza Oliveira o faça.

—Quando foi que você passou a defender que eu fique com um nerd? 

—Não defendo que você fique com um nerd, vamos deixar isso bem claro. Eu só defendo que você fique com quem quiser, independentemente de quem seja, se isso for te fazer feliz —Valéria aconselha, os olhos castanho-escuros fixos em mim com seriedade. Algo me diz que esse conselho tem a ver com o que rolou com ela e Davi. 

—Por acaso foi isso que aconteceu com você e Davi? 

Valéria desvia o olhar para sua fotografia na parede. Acertei em cheio. Ela morde a boca pensando e depois olha para mim, com um sorrisinho divertido. 

—Vou fazer um trato com você. —Ela bate as mãos juntas. —Eu te conto o que rolou e você me conta em detalhes como é estudar com Cirilo Rivera. 

—Combinado. —Ufa, finalmente ela vai me contar o que rolou com Davi, eu já estou ficando sem cabelos de tanto nervosismo.

—Lembra que eu disse que xinguei a mãe dele? 

—Lembro. 

—Davi não me defendeu e eu me senti terrível. Percebi que ele não gostava de mim como dizia que gostava e a briga ficou enorme, enorme e deu no que deu, ele decidiu terminar comigo. 

—Tá, você já me disse isso, o que quero saber é o que a mãe dele fez que levou você a xingá-la de um jeito tão horrível a ponto de Davi terminar com você —insisto. Cruzo os braços para enfatizar. —Qual é, Valéria, você e Davi viviam grudados, apaixonados, aquele tipo de casal de dar inveja e, de repente, pum! —Faço uma batida com as duas mãos. —Vocês terminam, ele não te suporta e você fica correndo atrás dele por pior que tenha sido. Não faz sentido! E essas roupas? —Alcanço a camisa que ela está usando, toda abotoada. —Você nunca se vestiu assim parecendo que tem trinta anos a mais! Pode ir me falando o que foi que houve, ou, então, eu vou lá perguntar para Davi. 

—A mãe dele disse que eu sou uma mulatinha interesseira —Valéria cospe as palavras em mim. 

—Ué! Como se ele fosse muito branco! —resmungo. Davi não é todo branquelo, tem olhos azuis, mas sua pele é naturalmente bronzeada, como se ele passasse o dia inteiro no sol, ainda que não o faça. 

—Pois você pode imaginar o que a mãe dele disse sobre como seriam nossos filhos. 

—Ai, credo! —falo indignada. —Não acredito que ainda exista gente preconceituosa neste século! 

—Existe sim, amiga. —Valéria suspira. —Foi assim: estávamos todos na mesa de jantar e o Davi disse que seria bom que, ao terminar a faculdade, a gente se casasse e… 

—Oh. Meu. Deus —minha boca se mexe contra minha vontade, mas vocês ouviram o que ela falou? Fico em choque e acho que vou começar a gritar. —Ele te pediu em casamento? 

—Não, ele não pediu! —Valéria segura meus braços antes que eu surte pulando pelo quarto desejando felicidades ou algo do tipo. Eu estava quase lá, mas seu olhar sério e aborrecido me interrompeu. —A mãe dele estragou qualquer ideia dele em fazer isso, quando perguntou se eu estava grávida! 

—Sério? 

—Grau superlativo absoluto de sério, Maria Joaquina. —Valéria revira os olhos e me solta. —Davi nem me defendeu, ficou lá pasmando e eu tive que me defender, por isso a xinguei bastante. Acabei sendo expulsa do jantar, briguei com Davi por ele não ter me defendido, enfim, um caos. 

—Por que você não me contou? 

—Você já tinha problemas demais, a votação para rainha, as suas notas, os castigos… Jorge e Margarida! Não queria causar mais discórdia ou te preocupar —Valéria explica.

—Que boba! Eu fiquei achando que você não era mais minha amiga, que preferia Margarida ou as meninas de Carmem Carrilho. 

—Claro que não! —Valéria dá risada. —Desculpe não ter te contado, achei que seria… ridículo, sabe? 

—É por isso que você está escondendo seu corpo com roupas? Para ninguém ver que você é morena? —arrisco perguntar. 

—Também… —Valéria murcha, pega uma almofada e a coloca no colo. —Não quero ninguém dizendo que eu conquisto os garotos só com meu corpo, como disse a mãe de Davi. Sei que Davi viu mais do que isso em mim, namoramos quase um ano, poxa! 

—Realmente —concordo com um suspiro. —Estou cansada de as pessoas ficarem julgando pelas aparências, pela forma como se vestem ou pelos gostos. 

—Eu também. Por isso digo a você: vá falar com Cirilo Rivera! Se você gosta dele, faça isso, Maria Joaquina, por você, por mim, por todos nós —Valéria sentencia com um suspiro. 

—Eu não sei se Cirilo escutaria o que tenho a dizer. —Comprimo os lábios chateada. —Eu chamei ele de “nerd dos nerds” na frente de todo mundo, acho que foi um pouco ofensivo. 

—Ih… É, Maria Joaquina, acho que foi um pouco ofensivo, mas você poderia começar pedindo desculpas. 

—Tem razão —concordo. Valéria joga um sorriso de conforto na minha direção e eu respondo quase que imediatamente. Estou feliz que resolvemos esse problema. —Carmem Carrilho vai odiar; estamos às vésperas da eleição. 

—Que se dane Carmem Carrilho, Margarida e aquelas meninas que não entendem nada do amor e do mundo! —Valéria esbraveja. Dou uma risadinha. 

—E o que você vai fazer com relação a Davi? 

—Não sei se eu deveria fazer alguma coisa. Estou confusa. Eu gosto dele, sei que ele gosta de mim, mas não sei o quão disposto ele está a batalhar com a mãe por nós. —Valéria sacode os ombros. —Eu queria que ele tomasse uma atitude, mas ele não faz nada! No máximo me olha de longe rodeado de outras meninas. 

—Você tem que tirar essa história a limpo com ele. Se ele não for corajoso para enfrentar a mãe em nome do que sente por você, ele sente menos do que o suficiente. E você merece mais, amiga, muito mais! —Seguro no braço de Valéria, cruzado e abraçando a almofada na frente do corpo. —Não quero mais você escondendo quem você é com essas roupas horríveis, Valéria. Não precisa se envergonhar de ser você! Você é uma garota incrível, inteligente e também a minha melhor amiga! 

Valéria sorri e me abraça forte, inclinando-se. Eu a abraço também. É bom ter a minha melhor amiga de volta, cheia de conselhos sábios e observações inteligentes. 

Pretendo seguir todos eles. 

O resto do dia passamos assistindo a animes e filmes de ficção científica como antigamente. Quando a noite chega, vou para minha casa, sentindo-me mais cansada que o normal. Penso em enviar uma mensagem de desculpas para Cirilo, mas resolvo que o melhor é fazer isso pessoalmente. Antes das aulas, vou procurá-lo na área dos armários e me desculpar. 

Espero que ele me perdoe por todas as coisas horríveis que lhe causei.

 


Notas Finais


Nossa, que pesado isso que aconteceu com a Valéria! Como tem gente preconceituosa nesse mundo né? Maaaasss que bom que elas contaram tudo uma para a outra e agora estão de bem! Quero só ver o que vai acontecer quando a Maria Joaquina for pedir desculpas para o Cirilo! O que será que vai acontecer? Até o próximo capítulo, beijo!


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