História O nerd da minha vida - Capítulo 30


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Categorias Carrossel
Personagens Adriano Ramos, Alícia Gusman, Bibi Smith, Carmen Carrilho, Cirilo Rivera, Daniel Zapata, Davi Rabinovich, Jaime Palillo, Jorge Cavalieri, Kokimoto Mishima, Laura Gianolli, Marcelina Guerra, Margarida Garcia, Maria Joaquina Medsen, Mário Ayala, Paulo Guerra, Valéria Ferreira
Tags Carmem Carrilho, Carrossel, Cirilo Rivera, Ciriquina, Daléria, Davi Rabinovich, Jorge Cavalieri, Kokimoto Mishima, Margarida Garcia, Maria Joaquina Medsen, Nerd, Paulo Guerra, Romance, Valéria Ferreira
Exibições 60
Palavras 1.908
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Escolar, Famí­lia, Festa, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Leiam as notas finais e espero que gostem!

Capítulo 30 - Capítulo 30


Anteriormente em O nerd da minha vida...

—Nesse caso, seria bom você visitá-lo depois da aula. —Valéria larga o copo em cima da mesa e bate palma uma vez. —Agora, deixa eu te contar a maior novidade! 

—O que foi? —Eu me endireito, surpresa com o sorriso enorme que se forma no rosto da minha amiga. —Davi disse algo? 

—Estou me referindo à Carmem Carrilho! Ela me mandou uma mensagem no celular. 

—Que ela queria? 

—Carmem disse que está apoiando você e torcendo pelo seu novo namoro. Ou seja, isso significa que ter terminado com Jorge não foi assim tão ruim, garantiu os votos de Carmem e suas meninas. Quem sabe você até ganhe as eleições? —Valéria vibra com as mãos para cima. —Mal posso esperar para ver a cara da Margarida! 

Ensaio um sorriso tolo para Valéria, não achei nem por um instante que Carmem fosse votar em Margarida já que elas se odeiam. Achei que Carmem ficaria brava e me excluiria do time de cheerleaders ao saber que eu não disputaria mais nada com Margarida. Que bom que isso não aconteceu. 

Durante o resto das aulas tento me concentrar, mas não consigo parar de pensar em Cirilo. Estou realmente preocupada.

 

 

Chego à frente da pequena e aconchegante casa logo após o treino, ainda de uniforme. Molly, a cachorra caramelo, está na varanda tomando sol. A tarde está fresca, com uma brisa fria levantando alguns fios do meu cabelo. Molly se deita, preguiçosa, e eu me aproximo da porta, tocando a campainha cinzenta e redonda. 

Uma buzina ressoa. Não demora muito e uma mulher de olhar cansado me atende, não muito alta e com as mesmas sobrancelhas de Cirilo, porém, dá para ver que Leah foi quem mais puxou seus traços. 

—Pois não? —A mulher veste um uniforme de trabalho, como um terno, mas com um logo prateado bordado do lado direito. Ela segura com uma das mãos a porta, as unhas malcuidadas, assim como o cabelo castanho preso em um rabo de cavalo baixo. As maçãs do rosto protuberantes me fazem pensar que ela não anda se alimentando direito. 

—Oi, boa tarde. Desculpe incomodar. Você deve ser a mãe de Cirilo e Leah. 

—Sim, eu sou. —Ela ensaia um sorriso, já imaginando que sou amiga. —E você? Quem é? 

—Maria Joaquina Medsen, amiga de Cirilo; ele está? 

—Maria Joaquina? —Seus olhos me analisam com espanto, acho que só agora ela percebeu que uso o uniforme de animadora de torcida. Algo em sua voz me incomoda, é como ressentimento. O rosto endurece como cimento. —Você é Maria Joaquina? Namorada de Jorge? 

—Estou mais para ex-namorada —informo, mas confesso que isso foi estranho. Por que ela me perguntaria sobre Jorge? 

—Eu não acredito! Você é muito cara de pau, mocinha! —esbraveja, colocando um dedo erguido na frente do meu nariz.

—O quê? Como é? —Pisco algumas vezes sem entender o que está havendo. 

—O que você quer aqui? Já não causou problemas suficientes? Vá embora! —Ela dá um passo para frente de uma forma tão intimidadora que compreendo como uma mulher de aparência desgastada pode ter o emprego de segurança. 

—Espere! O quê? —Dou um passo para trás assustada. 

—Depois de tudo o que você causou, como pôde? —Os olhos escuros dela se enchem de lágrimas, a boca se contorce e ela continua vindo para cima de mim com tanta raiva e força que eu tento fugir, acabo tropeçando no degrau da varanda e caio para trás sentada na grama. Ela vira a mão em mim, enquanto uso os braços para me defender, levando tapas aleatórios. —Vá embora daqui! 

Meu senhor! O que essa mulher está fazendo? Será que é um surto psicótico? Caio no chão e ela está quase em cima de mim, batendo-me. Alguém interfere, puxando-a para longe. 

—Mãe, o que você tá fazendo? —Cirilo segura firme sua mãe pela cintura, erguendo-a no ar e afastando-a de mim. A mulher ainda chuta no ar, em protesto por ser apartada, e ele a empurra para dentro de casa. —Vá para dentro! —Cirilo ordena, com a voz mais endurecida que um comando para Molly, e fecha a porta. 

Fico sem reação, meu coração acelerado com tanta adrenalina e, antes que eu possa ficar em pé, Cirilo vira para mim. 

—Vá embora daqui, Maria Joaquina! —ele berra, com a boca partida no canto direito, como se tivesse levado um soco. Há um hematoma arroxeado ao redor do corte e o mesmo se repete perto da sobrancelha esquerda. Meu coração para de bater diante dessa visão. 

—O que aconteceu com você? —Fico em pé rapidamente, minhas mãos se sujam com a terra do jardim e eu as bato para limpá-las. 

—Jorge aconteceu! —Cirilo coloca as duas mãos na cabeça, esticando a camisa xadrez que ele usa quase fechada por cima de uma camisa preta. Acho que é a primeira vez que o vejo com uma roupa mais normal e sem piadas que só nerds entendem. 

—Jorge veio aqui e bateu em você? —Meu queixo cai. Não achava que Jorge fosse capaz de algo tão baixo! 

—E a minha irmã assistiu a tudo da varanda, quase morreu! —Cirilo me explica. 

—Essa não! —Meu coração se comprime mais, com mais dor. Coloco a mão na boca. 

—Ela está bem? 

—Ela teve um infarto e foi para o hospital —Cirilo acrescenta com a voz endurecida. 

—Eu sinto tanto! —Sou arrebatada por uma grande vontade de chorar e procuro me abraçar com Cirilo, segurando em seu pescoço, mas ele me interrompe no meio do caminho. 

—É melhor você ir embora agora. —Ele segura meus pulsos e me empurra para longe dele, afastando-se do meu toque. 

—Quê? Por quê? 

—Uma coisa é mexer comigo, com meu emprego ou até me humilhar rasgando as cartas que eu passava para dentro do seu armário quando eu era um pivete apaixonado por você, mas outra coisa é colocar a minha irmã no meio de tudo isso, Maria Joaquina! 

Por uns instantes, eu mal o reconheço, ainda que seja ele diante de mim dizendo que as cartas que eu recebia nos armários eram dele. Eu deveria ficar feliz, mas as sobrancelhas de Cirilo estão curvadas em raiva, ressentido comigo. 

—Você não pode me culpar por isso! —grito, entre lágrimas e com a voz trêmula. 

Cirilo suspira, cansado. 

—Minha mãe está nervosa; preciso cuidar dela agora. —Ele estende as duas mãos na minha direção, num movimento para me espantar daqui. 

—Espere! —tento chamá-lo em desespero, seguindo-o até a varanda novamente. Seguro em seu braço. —Eu preciso te pagar as aulas! 

—Não quero nada de você, muito menos seu dinheiro. Vá para casa, Maria Joaquina. —Cirilo puxa o braço para se soltar de mim, passa pela porta e a fecha, com um estrondo. 

Eu congelo ali mesmo. Pela fresta de vidro, percebo-o ainda encostado contra a porta, com a cabeça para cima, encarando o teto. Deve ser um momento terrível para ele, mais do que para mim. 

Solto um gemido de dor e mais lágrimas escorrem pelo meu rosto. Tento limpá-las com as mãos, mas são tantas que meus dedos ficam encharcados. Chorando, eu viro e me afasto, tomando o caminho de volta para minha casa.

Entro em casa e minha mãe coloca a cabeça para fora da cozinha. Seus olhos se abrem quando ela me vê. 

—Maria Joaquina? Tudo bem, querida? 

Eu balanço a cabeça indicando que não, incapaz de falar. Cubro a boca com as duas mãos e escorrego para o chão, soluçando em choro. Mamãe abre a boca assustada e vem rapidamente em minha direção. 

—Oh, querida, o que houve?! —Ela se abaixa na minha frente, desespero em seus olhos. Não quero preocupá-la, por isso eu a abraço. 

—Está tudo bem, foi só… um término. 

—Você e Jorge terminaram? —Ela se afasta. 

Faço que sim com a cabeça. 

—Vamos, não fique tão chateada. —Mamãe bate em meus ombros com delicadeza, em sinal de apoio. —Você vai sobreviver. Venha comer um bolo. 

Ela me levanta segurando meus braços. Eu respiro fundo e a deixo me guiar até a cozinha. Sento-me em um banco giratório do balcão e mamãe corta um pedaço de bolo de brigadeiro, servindo-o com um copo de leite. Eu suspiro e dou a primeira garfada. 

—Eu terminei com Jorge sexta, mamãe. —Recomeço a chorar, com bolo de chocolate na boca. —Hoje quem terminou comigo foi Cirilo. 

—Quê? Aquele rapaz que veio aqui? 

—Sim. 

—Nossa! —Mamãe coloca as duas mãos na cintura e me olha com estranheza. —Como foi que isso aconteceu, minha filha? 

—É uma longa história. 

—E você não vai me contar? Eu tenho bastante tempo sobrando enquanto faço o jantar. —Ela volta para a pia e retorna com a tábua de cortar, uma faca e cebolas roxas. —Você corta as cebolas, já está chorando mesmo! —debocha de mim. 

Acabo dando risada de seu humor e, enquanto descasco cebolas e choro horrores, conto à mamãe como tudo aconteceu, desde o momento em que Valéria jogou café no rosto de Cirilo até o fatídico encontro com a mãe dele na varanda de casa. Papai chega ao final da conversa e se senta do meu lado para conversar comigo, com o rosto pálido de susto. 

—Você já mudou de namorado assim tão rápido? —ele me dá uma meia bronca. Torço a boca; não quero ouvir sermão agora! 

—Até parece que você não estava doido para que Maria Joaquina terminasse com Jorge. Não era você que vivia dizendo o quanto o achava irresponsável? —Mamãe coloca as duas mãos na cintura, o cheiro do bife acebolado está delicioso, cheio de manteiga. —Essa é só uma das atitudes que Maria Joaquina tomou e que prova o quanto ela amadureceu neste último mês. 

—Bem, isso é verdade… —Papai se estica por cima do balcão e rouba um quadradinho de queijo que mamãe usaria para fazer um molho para o bife. —Eu a tenho visto se esforçando e estudando bastante —ele pondera, jogando os olhos para cima. 

—Quer saber mais? Maria Joaquina leiloou todas as roupas que não usava mais e todos os pares de sapatos extras, além das bolsas, para arrecadar dinheiro para ajudar Cirilo a conseguir o que falta para a operação da irmã —mamãe diz. 

—Isso é… fenomenal, Maria Joaquina! Estou orgulhoso de você! —Recebo um abraço forte, demonstrando o quanto papai ficou feliz comigo. Faz tempo que ele não diz que se orgulha de mim, a última vez foi quando entrei no time de animadora de torcida, mas com um pequeno arranhar ciumento na voz, por eu ter que usar uma saia mais curta do que ele aprovava. 

—Obrigada, papai, mas infelizmente, depois que eu enviar todas as coisas, o dinheiro que restar não será suficiente para cobrir a operação. —Eu me afundo no banco giratório novamente, com um suspiro pesado. 

—Pelo menos você tentou, filha! —Mamãe sempre positiva. 

—Quer saber, eu vou completar o que falta! —papai diz. 

—Uau! —Dou um pulo e o abraço, beijando sua face sorridente. —Obrigada, papai! 

—E então, devemos ligar para Cirilo e contar a ele? —mamãe pergunta. 

—Não! —protesto. —Eu quero fazer uma doação anônima. 

—Tem certeza, querida? —Mamãe coloca a mão na minha cabeça, com calma. 

—É melhor. Especialmente depois de tudo, ele nunca aceitaria dinheiro vindo de mim. —Comprimo os ombros. 

—Tudo bem —papai concorda. 

Abro um sorriso e o abraço novamente. Tenho ou não os melhores pais do universo? Depois do ataque surpresa de Jorge, é bom saber que tenho com quem contar quando as coisas realmente desmoronam. 

 


Notas Finais


Nossa, que pesado! O Jorge foi lá na casa do Cirilo bater nele e a Leah ainda viu tudo e foi parar no hospital! A Maria Joaquina tá sem reação diante dessa situação e ela conseguiu com a ajuda dos pais juntar o dinheiro todo para pagar a cirurgia da irmã do Cirilo! O que será que vai acontecer agora? Até o próximo capítulo, beijo!


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