História O Orgulho - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Amor, Bts, Coréia, Ódio
Exibições 22
Palavras 5.101
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


O que é isso? OMG! A autora ainda está viva! Demorei? Demorei. Mas eu tenho uma ótima explicação!Eu estava assistindo um dorama muito lindo, se você quiser assistir também, se chama Pinóquio ( PS: Vocês podem culpar uma senhorita chamada Gabriela também pq foi ela quem me apresentou ashahsa)

Vamos a leitura!

Capítulo 6 - V de vingança


 

  Capítulo 6 – V de Vingança

 

   Taehyung havia me mandado esperar dentro da cabine onde havia lavado meu cabelo. Ele voltaria com algumas roupas secas que tinha em seu armário e as emprestaria para mim. Olhei o chuveiro onde estava. Ele era altamente moderno e sofisticado. No Brasil só teríamos um assim em quarenta anos.

  Olhei meu uniforme molhado. Arranquei a blusa e as saias. Certifiquei-me de trancar a porta da cabine do banheiro, para o caso de Tae voltar.

  Enrolei-me em uma toalha seca que havia ali e voltei a me sentar no banco esperando V voltar com as roupas secas. Olhei meu uniforme completamente arruinado e úmido, que estava estendido em um dos ganchos.

  A única coisa que ainda estava a salvo era minha roupa íntima, em baixo da toalha. Suspirei ao notar que V estava demorando.  Destranquei a cabine e inspecionei o local.

  Não havia ninguém ali, além de mim. E se entrasse alguma garota e visse meu estado? Eu estava com restos de tinta pela pele, e enrolada em uma toalha. O que poderia ser pior do que isso?

  Soltei um suspiro de alívio ao ouvir a porta se abrir.

  — Tae, eu já estava me decompondo em tinta! — murmurei. Senti meu sangue congelar nas veias ao ver que não era Taehyung quem havia entrado. Era Jungkook. Vi seu olhar inspecionar-me de cima a baixo, foi quando percebi que estava de toalha. — Seu pervertido! — urrei irritada apertando a toalha em meu corpo, para que esta não escapasse. Que grande clichê seria se acontecesse!

  — Pervertido?! — ele me olhou incrédulo. — É você quem está no banheiro masculino!

  Olhei ao redor sem entender. Taehyung me trouxera no banheiro errado? As privadas eram próprias para garotos! Como eu não havia me dado conta daquilo antes?!

  — Isso não pode estar acontecendo! — choraminguei olhando para a placa que dizia em letras cintilantes “Banheiro masculino”. Naquele momento eu já poderia fazer uma lista.

 

 

 

Ser forçada a ir para a Coréia

Brigar no primeiro dia com um idiota, por causa de um Taxi

Arranjar inimigas piranhas no primeiro dia de aula

Passar vergonha com costumes

Ser encharcada por uma explosão de tinta

Estar seminua no banheiro masculino, com Jungkook

 

 

 

 Nas vidas passadas eu provavelmente havia incinerado quinze igrejas e pisado nas patinhas de cachorros. Sim, com certeza eu deveria ter sido um monstro já que estava sendo tão castigada nesta.

  — Eu preciso usar o banheiro — ele murmurou me encarando. Pisquei por alguns segundos.

  — O que você quer que eu faça?! — retruquei. — Não posso sair assim pelos corredores! — ele arqueou os ombros.  Vi Jungkook começar a retirar a própria camiseta. Assimilei o que ele estava prestes a fazer. — O que pensa que está fazendo?!

  Ele me enviou um sorriso malicioso antes de terminar de arrancar a camiseta. Jungkook também tinha tanquinho... Foco Mia!  Baixei o olhar para não continuar a vê-lo. Ouvi sua risada satisfeita. Aquele idiota deveria estar se divertindo com a situação.

  — Eu estou indo tomar banho — retrucou o óbvio. — Aqui é banheiro masculino, aliás — zombou. — Se está incomodada, a porta está aberta — apertei meus punhos com força. Porque eu?  

  Se tudo isso era por eu e Max termos roubado doces de uma loja quando tínhamos sete anos, mamãe já havia me castigado o suficiente!

  Ouvi o barulho de uma fivela de cinto ir de encontro ao chão. Forcei-me a encarar um ponto fixo da parede, tentando que esquecer o fato de que estava em um banheiro com Jungkook. A idéia não parecia tão assustadora quando era Taehyung. E também havia o fato de que V, não tinha se despido na minha frente! O som do chuveiro sendo ligado me aliviou, significava que ele já havia entrado em sua própria cabine.

  Assim que virei-me para voltar para dentro da cabine, de onde não devia ter saído, vi Jungkook escorado na parede apenas com uma cueca negra Box me encarando com um sorriso de canto.

  — Idiota! — devolvi desviando o olhar para longe. Ele riu ainda mais alto. — Porque não entra nessa droga de chuveiro logo?!

  — Está com tanta pressa de me ver pelado assim? — revirei os olhos. Estava cansada daquele imbecil.

  Virei-me encarando-o diretamente e enviei-lhe minha melhor expressão cínica. Jungkook tinha um porte físico bonito, mas tinha que entender que não era a última bolacha do pacote.

  — Pressa pra ver esse seu dedinho de criança? — abri um sorriso ao ver seu rosto se inflar vermelho e afetado. Não tive tempo para reagir ao que viera a seguir.

  Em uma fração de segundos, meu corpo encontrava-se prensado pelo dele, na parede mais próxima a uma das cabines. Era a segunda vez que aquilo acontecia, mas a diferença era que por baixo da toalha, eu tinha apenas roupas intimas, e o Jeon usava apenas a cueca.

  — O que você disse mesmo Mia? — estávamos tão próximos que eu conseguia sentir seu hálito se misturar com meu naquele momento. Eu sabia o que aquele imbecil estava tentando fazer. Ele queria me intimidar. Mas eu não o deixaria afetar meu orgulho. Enfrentei seu olhar com a mesma intensidade.

  — Algo sobre você ser um garotinho que ainda está desenvolvendo — abri-lhe o melhor dos sorrisos. — Saía de perto de mim, ou eu começarei a gritar tão alto que esse prédio inteiro vai escutar — ameacei. A ameaça, no entanto, tivera o mesmo efeito que teria sobre uma porta.

  Jungkook mostrou-me um sorriso repleto de dentes.

  — Porque você não grita então? — instigou muito próximo de meu rosto. — Grite para a escola inteira que está no banheiro masculino, apenas de toalha — franzi as sobrancelhas ao perceber o que estava insinuando. — O que eles irão achar mais escandaloso? Um garoto que estuda há anos nesse colégio que simplesmente teve o azar de entrar no banheiro, quando uma garota estrangeira decidiu se despir no banheiro masculino, que por sinal foi suspensa da aula por desrespeito aos professores?

  Esse filho da puta.

  Jamais deixaria que o Jeon ganhasse aquilo. Eu tinha um orgulho a zelar.

  — Dezenas de alunos viram meu acidente no corredor — zombei. — O fato de eu entrar no banheiro masculino pode ser muito bem explicado pela pressa com a qual eu tive que tirar a tinta — vi o Jeon franzir as sobrancelhas. — Mas o que as pessoas diriam sobre Jeon Jungkook, se descobrissem que esse assediou a filha de Hiro Uehara, um dos maiores investidores do país?

  Novamente, ele pareceu inatingível.

  — Aqui você é Mia Matarazzo — lembrou-me de minha dupla identidade. Senti-me idiota naquele momento. — E como pode dizer que eu estou te assediando, se você pode sair daqui a qualquer segundo?

  Eu oficialmente odiava Jungkook. Aquela cria de satanás estava a rir de minha falta de palavras.

  — Me solta! — ele se afastou, descolando nossos corpos e enviou-me um último olhar  maroto antes de começar a abaixar a cueca. — O que você está fazendo?! — rapidamente me tranquei em uma cabine livre. Ouvi sua risada.

  — Não se toma banho de cueca Mia — ouvi a cabine dele ser trancada, mas resolvi permanecer em minha própria. — Porque você não vem conferir o dedinho de criança? — aquele desgraçado provavelmente estava sorrindo.

  — Você não faz meu tipo — zombei altamente para que este escutasse. — Gosto de caras de ombros largos e bronzeados — não era bem verdade. Eu gostava de caras legais e que pudessem me fazer rir, mas fiz questão de desenhar um protótipo ao qual o Jeon jamais conseguiria se comparar. — E não preciso conferir nada kookie — provoquei. — Só pela cueca já dá pra perceber que até meu irmãozinho ganharia de você, e olha que ele tem dez anos — acrescentei.

   — Quer dizer que estava olhando, hein? — zombou sua voz. Decidi ignorá-lo. — Garotas como você não fazem o tipo de ninguém na Coréia — revirei os olhos ao ouvi-lo novamente. — Quer saber por quê?  — Não. Sabe o que eu quero? Um piano na sua cabeça!Volte para o inferno e assuma seu trono! — Porque vai sempre ser a estrangeira, nunca vai ter lugar para você aqui — ouvi sua voz destilar o veneno. — Um sobrenome famoso e dinheiro não irão te incluir aqui. — Pisquei ao sentir aquelas palavras. Pela primeira vez eu e Jungkook concordávamos em algo.  Eu estava apenas a alguns dias na Coréia, e eles já tinham se provado um verdadeiro inferno. Aquele país me deixava enjoada. Ao ouvir o idiota, consegui olhar para coisas que ainda nem percebia que não gostava na Coréia do Sul.   — Sem respostas? — ouvi sua voz surpresa, logo em seguida uma risada abafada pelo chuveiro. — Está chorando?

  Eu não estava chorando. Mas naquele momento, senti um aperto no coração. Jungkook havia me lembrado novamente sobre a saudade de meu próprio país.

  — Por que você simplesmente não cala a boca? — sugeri.

   Ele pareceu ter entendido depois que tudo ficara em silêncio.

  Passaram-se mais alguns minutos até que ouvi a porta ser aberta novamente.

  — Mia? — foi à voz de Taehyung. Suspirei aliviada e destranquei minha cabine. Assim que a abri, vi Tae com uma muda de roupas masculinas em mãos. Ele estendeu-me as roupas e sorriu.

  — Ainda bem que não saiu da cabine — murmurou. Pisquei alguns segundos tentando entender. — Estamos no banheiro masculino e algum garoto está tomando banho agora — esperei Jungkook se manifestar, mas a única coisa que se era possível ouvir, era a água caindo. — Não iria ser muito prudente, sabe? — disse apontando para meu corpo. Naquele momento eu podia imaginar as risadas de Jungkook. Olhei-o por alguns segundos.

  — Tae... — comecei vendo seu olhar inocente. — Então você deveria sair da cabine para eu poder me trocar logo, já que você também é um garoto  —  V olhou confuso para a cabine e sua expressão se modificara para entendimento.

  — Ah claro!  — Taehyung pareceu tão inocente naquele momento, que eu parecia estar a olhar uma criança grande.

  Rapidamente coloquei a camiseta de educação física que tinha o nome de V gravado em suas costas. E então vesti a bermuda, que apesar de ficar cumprida, tal como a blusa que mais parecia um vestido, não havia ficado larga. Aparentemente eu e Tae tínhamos o mesmo tamanho em largura.

  Abri a cabine e o vi me esperando.

  — Obrigada Tae — murmurei. Ele abriu um sorriso doce. Olhei para a porta da saída e senti toda minha coragem se esvair. Não queria ver todas aquelas pessoas me encarando. Taehyung pareceu captar rapidamente.

  — Vamos Mia — me incentivou. — Se mostrar que isso te afeta, eles só vão piorar — suspirei assentindo. Não deixaria aquelas garotas darem a última risada.  No entanto, as palavras de Jungkook eram as únicas coisas que ecoavam em minha cabeça, ao invés de meu plano de vingança.

  V passou um de seus braços por meus ombros e abrira uma das portas. Senti olhares afiados sobre nós, o braço do Kim se apertara mais firmemente em meus ombros. Algumas garotas me enviavam olhares absurdamente raivosos.

  — Ignore — ouvi sua voz me dizer. — Só estão com raiva.

  Olhei ao redor.

  — Porque elas estão com raiva? — retruquei. — Não foram elas que tiveram um banho de tinta.

  Taehyung riu.

  — Estão com raiva por que mesmo suja de tinta, com cabelos molhados e bagunçados, e em roupas de menino, você continua muito bonita — abri um sorriso ao ouvir seu elogio. Taehyung não parecia o tipo que jogava elogios aos montes. — Aliás, o azul fica muito bem em você, realça seus olhos — obrigada Tae. Meu ego agradece.

  — Eu sei — abri um sorriso convencido vendo-o rir.

  — Você é bem segura de si — ele não via aquilo como um defeito, como a maioria das pessoas.

  Outros em seu lugar diriam que eu estava sendo narcisista... Bem... Eu não podia fazer nada se Hiro e mamãe haviam acertado a receita e eu acabei ficando com a cereja do bolo.

  Havia garotas escoradas em seus próprios armários, me olhavam incrédulas. Seria pelas roupas de menino? Ou a tinta que ainda tinha em mim?

  Não seja idiota Mia, é claro que é pelo Taehyung ao seu lado.

  Vi Sura escorada em um dos armários próximos ao meu, que estava machado e aberto. Ela me encarava com um misto de raiva e satisfação.   Mirei Tae por alguns segundos até perceber que ele era o motivo de sua ira. Mas o amor dela não seria o garotinho do banheiro? Não entendia aquela menina.

  Alternei meus olhares entre ela e Tae. Se ele era o motivo de sua irritação, então eu daria motivos para que ela ficasse, de fato, irritada.

 Sorri mentalmente ao perceber que estávamos próximos o suficiente de Sura. Rapidamente me virei e o abracei, cruzando meus braços em suas costelas. Tae foi pego de surpresa, mas ele havia percebido o que eu estava tentando fazer.

  — Não me diga que é Sura quem está te incomodando? — murmurou baixo e retribuiu meu abraço calmamente.  Porque Tae sempre parecia saber minhas intenções?! Eu tinha consciência de que aquilo estava afetando, não só a morena, como toda a população feminina daquela escola.

  — Não sei do que você está falando Tae — murmurei desentendida. V balançou a cabeça e desfez nosso abraço que havia chamado atenção de muitas pessoas. — Eu simplesmente queria te agradecer — Tae não pareceu acreditar em uma única palavra. Porque ele parecia tão inocente para algumas coisas, e Sherlock Holmes para outras?!

  Achei que Taehyung não iria topar continuar, e seria compreensível, até porque eu praticamente tinha o agarrado no meio do corredor, apenas para me sentir menos frustrada com a garota que havia explodido tinta em minha cara.  No entanto, um sorriso amigável surgiu-lhe no rosto e eu pude sentir olhares de estacas em minhas costas.

  — Não precisa agradecer — disse ele encarnando o personagem. V era um ótimo ator. — Deveriam te atacar com tinta mais vezes — olhei-o sem entender. Tae... Todo esse teatro é para acontecer justamente o contrário! Ele sorriu ainda mais, como se estivesse evitando rir. — Assim eu posso cuidar de você em todas elas — Mire em cima e acerte em baixo!

  Eu quase conseguia sentir Sura com a boca espumando em raiva. Minha vingança estava concluída!Vê-la naquele estado me deixou revigorada. Entretanto, surpreendi-me ao sentir os lábios de Tae pousarem sobre minha testa. Ouvi um suspiro coletivo no corredor. Abri um sorriso tão largo que até mesmo o coringa perderia para mim naquele instante, enviei uma piscadela a Sura. A coreana me devolveu com um olhar semicerrado. A bichinha já quase não tinha os olhos mais abertos do mundo e ainda os semicerrava... Parecia ter sido picada por cinco abelhas em cada um dos olhos.

  Logo após nossa cena no corredor. Eu e Tae corremos para o refeitório, pouco lotado, pelo fato de que os alunos ainda estavam em aulas, e os que estavam ali, eram os que haviam ganhado o período livre.  Os meninos da banda estavam sentados na mesma mesa de sempre. Por sorte, Jungkook não estava ali.

  Vi o olhar preocupado de todos ao me verem com os restos de tinta. Assim que nos sentamos, eu e Tae passamos a nos encarar. fui a primeira a ceder e desatei a rir novamente, como uma retardada.

  — Você viu a cara dela?! — questionei entre risos. Tae assentiu enquanto gargalhava.  — Parecia um pintcher possuído — a comparação fez o Kim continuar rindo.

  Todos deveriam nos encarar como se fossemos malucos.

  — O que é tão engraçado? — ouvi a voz de Jimin nos cortar. Ele estava tão sério, ao contrário dos outros que estavam com ao menos um sorriso por nossa idiotice. — E porque está usando as roupas do V?

  — Mia- noona tentou virar um avatar — comentou Taehyung rindo, o encarei com falsa irritação antes de soltar um quase riso.

  Maneei a cabeça e contei-lhes sobre a explosão de tinta, e minha vingança imediata em que Tae ajudara.

  — Tae me ajudou — comentei estendendo o punho para o loiro que me encarou sem entender por alguns segundos. Revirei os olhos, ia ter que abrasileirar aquele garoto, peguei uma de suas mãos, fechado-a em um punho e tocando-a contra o meu. Taehyung arqueou as sobrancelhas e sorriu.

  —O que significa esse gesto? — Max teria ficado completamente irritado se soubesse que eu estava, pela primeira vez, dividindo nosso toque com outra pessoa.

  — É o toque dos brous — comentei repetindo o que meu melhor amigo havia me dito onze anos atrás, quando me ensinara.

  — Brous? — questionou sem entender. Ri ao ver que aquilo era uma gíria americana e ele não a conhecia.

  — Tipo irmãos — vi Tae me encarar por alguns segundos antes de abrir um sorriso ainda maior.  Logo este me estendeu o punho.

  Rimos ao repetir o toque.

  — Hei! Eu também quero ter um toque de brous! — retrucou J-Hope nos encarando com os olhos semicerrados. Encarei a Hope com um sorriso maroto.

  — Esse toque tem que ser conquistado, Hoseok — murmurei. — Tae o mereceu — o toque de brous era praticamente a segunda coisa mais valiosa em uma amizade.

  Vi o Kim abrir um sorriso de orelha a orelha. Amigos que não tinham toques de cumprimentos nem podiam se chamar de amigos.

  Jin suspirou.

  — Mia você vai ficar resfriada com esse cabelo molhado — murmurou com preocupação. Abri um sorriso. Jin parecia uma mãe. — Aliás, porque você está molhado e sujo também, V? — questionou ao loiro. O fato até então havia passado despercebido, pois as roupas de Taehyung em mim chamavam mais atenção, do que o fato de que ele também estava com pingos de tintas e umidade pelos panos da camisa.

  — Eu ajudei Mia a tomar banho — disse simplesmente. Senti meu rosto variar para três tons diferentes.  Para Tae, aquelas palavras haviam sido completamente inocentes, entretanto, o restante do grupo nos encarava como se eu e o Kim tivéssemos feito loucuras ao chuveiro.

  — Ele me ajudou a lavar o cabelo — apressei-me a consertar a frase. Namjoon soltou um suspiro rindo, sua mente havia viajado para o vale da pornografia ao que parecia.  Suga parecia ter dividido do mesmo pensamento, até começar a rir.

  Jimin encarava a Taehyung com as sobrancelhas franzidas. Ele aparentava estar irritado com Tae desde cedo, e eu não conseguia entender. O Park havia sido gentil e dócil, e agora parecia distante e frio.

   — Noona o que vai fazer esta noite? — questionou o Kim. Eu ainda não sabia o que “noona” significava, mas sempre que a palavra era proferida, os meninos se encaravam com risos presos.  Será que Tae estava zoando com minha cara e eu nem sabia?!

  — Não faço idéia — murmurei.

  Eu realmente não tinha nenhum tipo de rotina. Era escola, casa, casa e escola.

  — Então nós vamos ao parque — não havia sido um pedido. Tae era estranho. — E você vai comprar aquela pelúcia que me deve — olhei-o abismada. — Na verdade, vai ter que comprar duas, porque estou cobrando com juros.

  Os taxistas do Rio pareciam amadores em passar a perna em pessoas, quando comparados a Tae.

  — Porque um parque? — a pergunta veio de Jimin. Tae ergueu os ombros.

  — Porque além de ganhar pelúcias, posso ir ao parque — retrucou o óbvio. Não pude deixar de rir da simplicidade do Kim. — A Mia vai pagar mesmo — zombou. Meu riso morreu. Franzi as sobrancelhas.

  — Não é o menino quem paga para a menina?! — retruquei.

  — Não sabia que você era tão machista! — murmurou com um riso. Revirei os olhos ao argumento de Tae.  Ele tinha razão quanto aquilo.

  Vi pela primeira vez, desde que havíamos chegado ao refeitório, um sorriso de canto abrir nos lábios de Jimin. O Park deveria encarnar o coringa e nunca parar de sorrir, pois ficava muito mais bonito assim.

  — Isso é uma ótima idéia — ele sorriu. — Vamos todos ao parque então! — vi Jin e Namjoon se encararem por alguns segundos como se falasse uma língua própria, a língua dos lideres.

  — Eu topo! — se exaltou Hoseok animadamente. Taehyung abrira um sorriso animado aos amigos. — Faz tempo que eu não vou a um parque!

   Namjoon parecia receoso sobre deixá-los ir. Suga nem parecia se importar, já que estava viajando em um universo paralelo enquanto escrevia algo em um papel.

  Logo Jungkook dera o ar de sua graça. Suspirei esperando que ele berrasse aos quatro cantos que há pouco tempo havia me visto no banheiro masculino e enrolada apenas em uma toalha. Eu não tinha contado sobre isso a Tae, mas ao ver o Jeon abrir um sorriso malicioso me encarando em repleta ironia, senti que deveria ter apresentado minha versão da história.

   — Tramando sem mim? — Vi Namjoon enviar um olhar sério a Jungkook. Surpreendentemente, ele se sentou no banco, sem soltar nenhuma piada.

  — Vamos ao parque — comentou Taehyung. Jungkook alternou o olhar entre nós, antes de sorrir com cinismo.

  — Que belo par — murmurou. — Você não acha que a Mia e o V formam um belo casal, Jimin? — questionou o mais novo ao mais baixo. — Ele até a chama de noona.

  — Jungkook — a voz de Namjoon o silenciou quase de imediato.

  Jimin não havia respondido.

  Olhei-os sem entender. Minha amizade com Tae era puramente fraternal, tanto que o carinho que nutria por ele se equiparava ao que tinha por Max no Brasil. E qual era o problema de ele me chamar de noona?! E principalmente, o que Jungkook tinha contra mim?!

  Antes que pudéssemos continuar nossa conversa. Senti um par de dedos cutucando meus ombros. Virei-me para ver quem estava fazendo aquilo. Se existia algo que me incomodava mais que a comida crua, era os cutucões. Quando alguém o fazia, eu simplesmente desejava com todas as forças que um avião tombasse sobre a pessoa.

   A mulher a minha frente era a mesma que havia me entregado os papéis de matricula e chamada. Era a diretora. Seu olhar pousou sobre mim duramente, como se estivesse me julgando por todo meu estado.

  — Mia Matarazzo? — suspirei. — Creio que sua professora de literatura tenha lhe avisado para se encontrar comigo — na verdade, eu não havia prestado atenção em muitas coisas que ela havia dito a mim. 

  — Eu me perdi no caminho — comentei com um sorriso insolente, vendo-a franzir as sobrancelhas.

  — É uma proeza se perder por três horas nessa escola — retrucou. 

  — Eu tenho um péssimo senso de direção — zombei. Vi-a abrir um sorriso ainda maior.

  — Eu terei o prazer de lhe ensinar o caminho — disse instigando para que eu me levantasse. Olhei aos meninos, todos com exceção de Jungkook, me olhavam pesarosos. Vi Jimin se levantar rapidamente.

  — Eu a atrasei diretora — arqueei as sobrancelhas. — Chamei-a para assistir nossa gravação — a mulher tivera a mesma expressão que a minha. 

  — Jimin — comecei.  A mulher não me deixara terminar.

  — Não precisa assumir a responsabilidade pela senhorita Mia, Park — disse severamente fazendo-o voltar a se sentar. — Ela tem um histórico preocupante — garantiu.  Revirei os olhos. Provavelmente, minha ficha criminal havia sido computada naquela escola, e mostrara que eu havia sido presa, por dois dias com Max.

  Não tive alternativa que não fosse segui-la corredores a fora. Logo chegamos a sala. Não havia prestado muita atenção no local no primeiro dia, mas olhando de perto, conseguia ver inúmeros troféus de campeonatos de matemática, e quadros antigos. Ela sentou-se a enorme cadeira, e indicou para que eu fizesse o mesmo.

   — Não faz muito tempo que você chegou Mia — ela murmurou. — Mas desde que pisou nessa escola, você tem agido de forma inadequada — bufei revirando os olhos. A maioria das coisas que haviam acontecido eram acidentes. — Não estou falando do uniforme, ou de sua discussão com a professora de literatura — a mirei em entender. — Sinto que você está tentando fazer de tudo para ser expulsa — disse olhando minhas roupas.

  — Isso foi um acidente — retruquei. A mulher balançou a cabeça negativamente. — Alguém implantou tinta em meu armário e acabou explodindo em mim.

  Ela me olhou por alguns segundos antes de se levantar. Seus passos lentos pararam sobre uma estante, e de costas para mim, ouvi sua pergunta:

  — Mia, seja franca comigo — murmurou. — Você quer estar na Coréia?

Porque vai sempre ser a estrangeira, nunca vai ter lugar para você aqui.

 Era como se o Jeon estivesse ali a repetir a frase.  

  — Não — surpreendi ao ver o quão sincero aquilo havia saído de dentro de mim. Por mais que gostasse da amizade que tinha com os garotos, sentia falta de mamãe, sentia falta de seus berros nada sutis me mandando acordar, ao invés do despertador tecnológico que necessitava de ser espancado até desligar.  Queria voltar a comer de sua comida horrível e mal preparada, e principalmente, queria poder abraçá-la.

   — Mas está aqui — ela afirmou me encarando com um misto de pena e rigidez. — Ser uma estrangeira nunca é fácil — ela sorriu. A encarei perplexa.

  — E o que você poderia saber de ser estrangeira? — retruquei. Não era a intenção soar tão grosseira, mas a mulher apenas ignorou meu tom de voz e continuou a sorrir.

  Ela se sentou novamente na cadeira em frente a minha.

    — Eu sou americana — garantiu-me. — Meus pais se mudaram da Coréia para Los Angeles — comentou. A olhei por alguns segundos. — Minha aparência pode ser oriental, mas quando cheguei aqui, eu era de fato a mais diferente, assim como você — ela parecia estar sendo sincera.  — Não aprendia os costumes, não gostava da comida, odiava o fato de que meus amigos americanos estavam em uma realidade completamente diferente da minha e que logo me esqueceriam — prendi o ar. E se Max me esquecesse? — Mas há uma diferença entre você e eu, Mia — ela murmurou. Sim, eu tinha um bronzeado mais bonito. — Quando eu cheguei aqui, eu não tinha nenhum tipo de contato social, as pessoas caçoavam facilmente de mim — resmungou.

   Talvez ela não estivesse vendo que as pessoas também caçoavam de mim! Ou então eu não estaria vestida com roupas de menino e tinta pelo corpo.

  — Não sei se a senhora notou — comentei apontando para meu próprio estado. — Mas eu também tive problemas aqui — zombei. Ela abanou a cabeça com um suspiro.

  — A aluna Mey me alertou sobre seu acidente — murmurou. — Eu sinto que tenha acontecido, e já estamos procurando os autores. — Abri um sorriso inconsciente. Já havia me vingado de Sura, mas já tinha certeza de que aquilo havia sido apenas uma batalha. A guerra ainda estava por vir. — Quando disse sobre contato social, estava me referindo a suas recentes amizades — ela sorriu. Onde ela queria chegar com tudo aquilo? — Você é uma garota autêntica Mia, diferente das outras, você tem segurança das coisas que faz, e  é uma menina muito bonita e sabe disso — quase ri. EU não deveria estar recebendo alguma punição? Ao invés disso a diretora havia tirado o dia para me jogar confete. Não que eu estivesse reclamando.

  — Aonde quer chegar? — questionei sentindo minha impaciência vencer.

  Ela suspirou. 

  — Quero dizer que você pode se acostumar a viver aqui — comentou. — A Coréia deixará de ser tão ruim se você der uma chance a ela — bufei. — Tente. — Vi-a preencher uma anotação. — Como é sua primeira ocorrência, vou relevar seu caso — ela me escrevera um pequeno bilhete. — Não precisa da assinatura de seus responsáveis, no entanto se ganhar outras ocorrências, terei que ser mais severa — assenti agarrando o pequeno pedaço de papel. Levantei-me para sair de sua sala. — Espero não vê-la nessa sala tão cedo, Uehara — assenti levemente saindo e fechando a porta.

  Espera!

 Olhei para a porta recém fechada. Ela tinha me chamado por meu verdadeiro sobrenome! Abri rapidamente a porta vendo seu olhar surpreso se alternar para repleto de zombaria.

  — “Tão cedo” não significa dois segundos Mia — ela sorriu.

  — Desculpe — disse em relação a ter entrada sem nenhum tipo de aviso.  Olhei-a desconfortavelmente enquanto essa indicava para que eu falasse. 

  — Fui eu quem facilitou sua entrada nessa escola Mia — retrucou lendo meus pensamentos. — Acha mesmo que eu não iria saber seu verdadeiro sobrenome, sendo que é por ele que esta aqui? —senti-me inútil naquele momento.

  — Porque meus irmãos não estudam aqui? — questionei. — Que eu saiba, eu também cheguei depois da matrícula — a mulher assentiu me olhando por alguns segundos.

  — Porque eu devia um favor a seu pai, não três — ela sorriu. — Ele te ama muito Mia, e sente que está em divida com você o tempo todo — se o amor de Hiro se resumia a escolas caras e carros chiques, ele teria que se esforçar um pouco mais. — Eu sei que você preferia estar no Brasil com Sara — olhei-a surpresa. Ela riu. — Eu também conheci sua mãe, já estudamos juntas — comentou. — Mas sua realidade é aqui agora, vai ter que aprender a lidar com isso, ou terá problemas — ela havia ficado séria.

  Suspirei enquanto ouvia o sinal.

  — Poderia me fazer um favor? — a diretora esperou com que eu pedisse. — Não comente nada sobre meu pai — a mulher assentiu complacente.

 Saí de sua sala e pelos corredores consegui ver Mey, novamente com o diário aveludado. Ela pareceu me notar antes que eu pudesse assustá-la. Abriu um sorriso preocupado.

  — Como está? — disse olhando minhas roupas e corando logo em seguida. — Não vou nem comentar essa sua roupa.

  Abri um sorriso.

  — Sura também não quis comentar — zombei vendo seu olhar atônito.  — Você precisava ver a cara dela Mey — comentei rindo e puxando seus risos. 

  Mey havia sido gentil comigo desde que havia chegado. Estava mais que na hora de retribuir suas gentilezas.

  — Hoje eu e os meninos vamos a um parque — disse sugestivamente. Ela arregalou os olhos animadamente. — Não quer nos fazer companhia?

  Vi toda a alegria de Mey se desfazer. Ué... Para mim ela teria adorado.

   — Ninguém nunca me convidou para sair — comentou. — Não sei o que vestir — arregalei os olhos.

  — Percebe-se — murmurei inconscientemente enquanto olhava seu casaco fechado de mais e a saia que ia a dois palmos abaixo do joelho, enquanto a minha ficava quase dois palmos acima. Vi seu olhar se entristecer ainda mais. Droga Mia! — Desculpe! — rapidamente tentei reparar. — Vai ter que se acostumar com esse meu jeito — murmurei.

   Olhei-a de cima a baixo pensando em como poderia ajudá-la. — Teremos um pouco de trabalho — comentei olhando seus cabelos sem corte e seu rosto pálido. — Mas nada que não tenha salvação — Mey parecia em dúvida se sentia feliz ou constrangida. — Para sua sorte, eu fui enviada pelos céus para te ajudar a ficar destruidora — murmurei com um sorriso convencido.

  — Destruidora? — questionou atônita. — Eu não quero destruir nada! Só quero parecer bonita!

  Comecei a rir de seu ataque.

  — É como as brasileiras chamam as mulheres bonitas e poderosas — a Young sorriu.

  — Você vai me deixar bonita como você? — Ela questionou com os olhos brilhando. Era engraçado, pois naquele momento eu parecia ter sido cuspida no mundo, com os cabelos úmidos, roupas de garoto e suja.

  — Não exagere — zombei e vi Mey revirar os olhos e rir. — Para ter esse suingue todo, você precisa nascer no Brasil — ouvi sua risada escandalosa novamente. — Vamos para minha casa depois da aula e eu vou te ajudar a  não se parecer com uma freira — Mey assentiu rapidamente.

  Rimos um pouco e seguimos juntas pelo corredor. E foi só alguns passos depois, que percebi o que havia feito. Mey não sabia que eu era uma Uehara e certamente descobriria quando chegasse a minha casa. 


Notas Finais


ALELUIA JESUS! EU finalmente consegui postar esse capítulo! Se gostaram, por favor me digam nos comentários, pq apenas assim eu saberei se vale a pena tocar a fanfic, eu quero saber o que vcs pensam :) A gnt se vê algum dia aí, pq o próximo ainda está sendo escrito.


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