História O outro - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Karin, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Drama, Gaaino, Mistério, Narusaku, Sasuka, Sasusaku
Visualizações 223
Palavras 3.205
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Mais um capítulo, amoras.
Até semana que vem <3

Capítulo 8 - Hachi


 

 

Depois de toda tensão a qual passamos, Naruto e eu resolvemos aproveitar o resto do nosso dia na praia. Mas diferente do meu marido, fiquei mais à vontade debaixo do quiosque, vendo ele se divertir nas águas salgadas, depois até se enturmar com outras pessoas que jogavam vôlei na areia.

A mulher de um dos homens que jogava logo se aproximou de mim e começamos um assunto saudável sobre família. Bom, isso até ela começar a contar todos os pontos negativos sobre seus quatro filhos.

—... Então, quando o Morino nasceu, nossa vida sexual acabou de vez. — suspirou a mulher, me olhando com um meio sorriso estranho — E você? Aposto que vocês dois são fogo puro na cama.

Eu pigarreei, ficando um pouco desconcertada.

— Eu… Acho que sim.

— Ora, não precisa mentir! — ela riu da minha falta de palavras, depois seguiu com os olhos para areia onde estava seu marido e Naruto discutindo quem havia ganhado a partida. — Ele é muito bonito e novo, simpático, e aquele corpo bronzeado? Você tem sorte, garota! Mas cuidado, é como dizem por aí, “quanto mais atrativo o chocolate é, mais tem gente querendo provar.” — preferi ignorar suas suposições e sua risada debochada. Ela, sem senso algum, continuou: — Quanto conheci o Baki também éramos assim. Causávamos invejosa em muitas pessoas. Mas tudo isso acabou depois dos filhos. Você pretende ter filhos?

Finalmente, um assunto que me deixou mais confortável.

— Pretendemos ter apenas um filho. — eu respondi gentilmente. Essa ideia me enchia de felicidade e esperança.

— Um? Apenas um? — ela arregalou os olhos pra mim. — Isso é um pensamento bastante egoísta. Com quem sua criança vai brincar? Vai mesmo forçá-la a conviver com vocês dois sem nenhuma distração? Oh, isso é muito errado.

— Não vejo por esse ponto…

— Eu tenho mais experiência do que você, querida. E acredite, ter um filho só vai trazer infelicidade pra criança. Não cometa esse erro, isso vai fazer com que seu casamento esfrie ainda mais rápido do que normalmente esfria...

Suspirei discretamente. A casa de praia estava a alguns metros da areia e não fui contra a vontade de me retirar dali. Definitivamente não precisava de pessoas colocando mais problemas na minha cabeça a essa altura do campeonato.

— Com licença. — me levantei da banqueta e coloquei a água de coco na bancada.

— Você já vai? — a mulher perguntou em um tom de desanimação. Apenas dei um sorriso convincente. Não ser grossa fazia parte de mim.

— Me lembrei que preciso resolver algumas coisas na casa que estou hospedada. — eu inventei, pegando meu chapéu e óculos de sol. — Foi um prazer te conhecer.

Não, não foi. Tudo que falamos até aqui estava sendo excluído como um arquivo contaminado de um computador.

— Espero te ver de novo por aqui. Sakura, não é? — ela sorriu, estendendo a mão e eu a peguei.

— Sim. Até um outro dia

Nunca mais, de preferência.

Dei as costas e fui para a areia. Naruto estava incrivelmente distraído com a direção que a bola tomaria. Vê-lo correndo e se divertindo me causou menos irritação. Ao contrário de sua amargurada mulher, o homem que disputava pontos com o meu na areia sorria e falava como uma criança empolgada.

Eu sinceramente esperava não me tornar alguém como ela. Que se porventura eu parasse para aconselhar pessoas mais novas e inexperientes que eu, que fosse com coisas boas.

— Eu vou na frente. — eu gritei para Naruto, que acabara de bater na bola. Ele me olhou um pouco sugestivo. — Divirta-se. — sorri, ele fez o mesmo.

— Tudo bem? — gritou de volta.

— Tudo! — eu fiz um sinal discreto com a cabeça para a mulher no quiosque, que nos olhava com uma atenção fora do normal. Naruto pareceu entender o meu recado e fez uma careta.

— Te vejo em alguns minutos. Eu levo o almoço. — ele respondeu correndo. Fiz um sinal positivo com a mão e me afastei.

 

A brisa soprava bem forte e o cheiro de mar era delicioso. Sem dúvidas, aquele lugar era perfeito. Eu poderia morar ali pra sempre, longe de toda a civilização e buzinas de carro.

Quando deslizei a fechadura, ela já estava encostada. Mais uma vez, Naruto sendo descuidado com a casa. Claro, não seria de toda surpresa se eu entrasse e metade dos móveis tivessem sido roubados.

— Cabeça de vento. — exclamei, pegando a chave da fechadura e fechando a porta. Um banho quente naquela hora seria a melhor opção. Ainda mais tendo uma hidro na cobertura, com aquela vista perfeita. Ah, Deus. Eu realmente precisava relaxar. Antes de subir, decidir ir até a cozinha buscar uma garrafa de champanhe para combinar com o momento. Ao passar pela porta, no entanto, dou de cara com as costas de um homem.

Eu reprimi um gemido assustado e tive os olhos dele sobre mim no mesmo instante. Sua expressão séria rapidamente se desfez em uma gentil, mas que pra mim, continuava sendo tão sombria quanto a anterior.

— Senhora Uzumaki, que prazer revê-la.

— O que você está fazendo aqui? — eu disparei, nem aí para cumprimentos. Meu coração acelerado embaçou rapidamente minha visão. Sasuke me deu um sorriso divertido como se eu tivesse contado uma piada ou algo do tipo.

— Eu tenho muitos motivos para estar aqui. — ele respondeu cordialmente, arregaçando as mangas de sua camisa preta de manga cumprida até os cotovelos. A calça também era escura, assim como todo seu traje. Sua pele branca ressaltava. — Mas o motivo crucial está a nossa frente.

Eu olhei para a parede queimada que ele apontou com a cabeça e a ausência do micro-ondas na tábua. Mesmo que eu Naruto tivéssemos limpado, não fora o suficiente para amenizar a destruição.

— Seu marido me ligou de manhã cedo e contou tudo. — ele deu alguns passos para o local e passou o dedo sobre a superfície escurecida. — Um dia foi o suficiente para vocês foderem meu eletrodoméstico.

Uma risada nasalada e o olhar dele veio para mim novamente. Com os pés plantados e o estômago fundo, eu apenas engoli a seco. Minha garganta pulsava e as palavras estavam gritando em minha mente. Diante do meu silêncio e minha confusão interna, Uchiha me olhou como se tivesse toda a paciência do mundo para esperar até que eu dissesse algo.

— Porque você estava aqui ontem? — eu perguntei, voz embargada. Sua sobrancelha se juntou lentamente, deixando um pequeno enrugado em sua testa.

— Eu não estive aqui. — ele respondeu como se fosse obvio.

— Você estava na janela. — minha voz saiu mais cortante agora. Eu apontei para a direção, estupefata. — Estava ali, me olhando, enquanto eu e Naruto… — estremeci. Me lembrar daquilo me trouxe constrangimento e medo.

Sasuke deu um passo em minha direção.

— Você está bem?

— Não se aproxima. — eu recuei outro. — Porque você estava aqui? Eu não sou louca! Não tenho alucinações, nem tomo remédios, eu sei o que vi!

— Já disse, eu não estive aqui. — ele repetiu lentamente. — Só vim porque seu marido me ligou. Você pode parar de surtar? O que eu ganharia te observando pela janela da minha casa, se eu poderia simplesmente entrar nela?

Eu pisquei, arfando. Mesmo que fizesse sentido… Mesmo com isso… Eu me sentia tão perdida e confusa. Respirei e expirei, desviando os olhos dos dele para tentar me encontrar novamente.

Os passos de Sasuke começaram, eu senti que ele vinha em minha direção, porém eles pararam quando outros começaram da parte da frente.

— Amor? — a voz de Naruto encheu o silêncio e eu já não sabia se estava aliviada ou nervosa por sua aparição. Ele veio até cozinha, seus olhos se encheram de surpresa ao ver Sasuke. — Então você veio verificar o estrago de perto? 

— Devo me preocupar em deixar você ficar mais dias aqui? — Sasuke pegou sua mão estendida com um sorriso, e apesar das palavras, era claro que ele não se importava.

— Eu acho que sim. Mas agora que emprestou, já era. — meu marido debateu no mesmo timbre brincalhão. — É sério, cara. Você vai me dizer exatamente o valor e vou ajeitar tudo.

— Como se eu ligasse para um micro-ondas e um pedaço de parede de madeira. — com uma careta, Uchiha respondeu. — Está tudo bem, não precisa se preocupar.

— Eu faço questão de pagar. — Naruto insistiu.

— Não é necessário.

— Qual é, Uchiha. Está dizendo que não sou capaz de comprar um dos seus eletrodomésticos de luxo?

Eu apenas observei de longe o quanto os dois pareciam próximos.

— Eu disse que não me importo, chega de drama — Sasuke disse, com um rolar de olhos. Depois começou a analisar a pele avermelhada do meu marido e eu instintivamente fiz o mesmo. — Você já ouviu falar em protetor solar?

Naruto olhou para seus braços e fez uma careta.

— Nem me fale. Isso tá ardendo demais.

— Sol queima, garoto da fazenda — Sasuke caminhou até um cômodo no canto inferior da cozinha, onde eu achava que era o banheiro, e depois voltou de lá com uma caixinha. Lançou-a na direção de Naruto, que a pegou. — Pomada. Vai precisar.

— Valeu.

Os olhos dele, então, vieram para mim, que observava tudo em silêncio.

— Também está queimada, senhora Uzumaki?

— Não.

Ele desceu os olhos por meu colo.

— Certeza?

— Ela usou protetor e ficou debaixo do quiosque. — Naruto respondeu por mim, todo orgulhoso. — Esperta, não? Já eu, joguei vôlei até sentir meu couro fritar.

— Você é perigoso consigo mesmo. — Sasuke o olhou em uma reprovação fingida. E toda vez que ele desviava sua atenção de mim, o alívio me tomava e algo crescia.

Não era só medo. Talvez, tudo estivesse bem de certa forma.

Talvez, não fosse a intenção dele me assombrar.

Talvez.

Enquanto Naruto ria, eu decidi que era uma boa hora para deixá-los. Ficar sobre o seu olhar, o mais breve que fosse, me dava a sensação que revelaria tudo.

— Com licença.

— Você veio até por causa da minha ligação? — ouvi a voz do meu marido perguntar enquanto me afastava.

— Digamos que eu estava de passagem. Tenho alguns comércios e quiosques no centro, então aproveitei para ver de perto seu desespero.

 

Contra minha vontade, me atentei a seu timbre de voz, desacelerando meus passos. Era diferente da voz de Naruto, que era gentil e sempre alegre. Ela tinha uma dose profunda de intensidade, como se cada palavra fosse pensada e cordialmente dita.

— Sério, me desculpa cara. Nem sei o que dizer.

— Já disse pra parar de se desculpar, porra.

— Ok, ok. Uma noite de bebida por minha conta resolve isso?

— Se for pra você parar de ficar chorando desculpas, eu aceito.

Eles riram.

Segui as escadas e fui para o quarto. A voz deles desapareceram e as da minha mente vieram com tudo.

Estava tudo bem.

Não estava?

E aquele efeito caótico que Sasuke fazia em mim, passaria uma hora ou outra?

Não era medo. Apesar de sua postura, ele pareceu sincero em suas palavras. Então, nada mais justo do que ter fé que tudo passaria. Acho que tanto para mim, quanto para ele, seriam apenas lembranças e um erro que não colocaríamos em pauta.

Nunca mais.

Seus olhos surgiram em minha mente no meio de todo aquele alvoroço. Eu estava com medo ou não deles, afinal? Estavam em minha cabeça por serem perfeitamente hipinóticos ou pelo fato de me transmitirem uma sensação que eu não podia classificar se era prejudicial ou não?

 

Passei uma mão por meu rosto a fim de afastar tudo aquilo. Por hora, me concentrei em ir até o armário, pegar um roupão e me afundar na hidro. Meu celular serviu de som por pelo menos 1 hora, tocando suavemente minha playlist clássica. Vesti roupas frescas e acompanhei o pôr do sol pela janela do quarto, até ver Uchiha sair pela parte da frente e ir em direção a seu carro; um Aston martin preto estacionado, que eu tinha certeza valer tudo o que eu tinha na vida e mais um pouco. Eu fiz impulso para me afastar, mas não consegui. O assisti andar e fazer algum sinal para Naruto enquanto abri a porta sorrindo. Sem demoras ele entrou e partiu.

 

Quando desci para encontrar Naruto, ele estava ainda mais vermelho e inchado. O ajudei espalhar toda a pomada pelo corpo e pedi para que descansasse enquanto eu traria algo para comermos na cama. Assim ele o fez. Já era noite quando subi para o quarto com uma bandeja de frutas, sucos e frango assado que havia pedido pelo aplicativo do celular. Porém, o homem deitado na cama (ainda mais vermelho entre os lençóis brancos) estava adormecido em um sono visivelmente desconfortável. Entrei devagar, passo a passo para não acordá-lo e deixei a bandeja na cabeceira. Deitei a cabeça no travesseiro, ainda encarando o perfil de Naruto, e continuei velando seu sono e sua pele rosa escura e brilhante pelo excesso de pomada. Os cabelos loiros caíam por seus olhos fechados fortemente, como se fosse doloroso dormir. Suspirei, pegando alguns fios em meus dedos cautelosamente e tirando de seu rosto. Com esse movimento, os olhos azuis entraram em foco lentamente, me encontrando próximo. Eu me afastei um pouco, culpada.

— Te acordei? Desculpe. — sussurrei.

— Ainda bem que me acordou. — ele respondeu, franzido o rosto ao colocar-se sentado. — Porra, doí tudo.

— Não faça esforço. — eu pedi, colocando alguns travesseiros em suas costas. Seu estado era preocupante. — Deus, amor, você está péssimo.

Ele deu um sorriso sem humor com seus lábios rachados e ressecados, e ainda assim, era o mais encantador sorriso. Diante do meu olhar aflito, ergueu as sobrancelhas em sua típica careta brincalhona.

— Pare de me olhar assim, minha cor tá sexy — resmungou, me fazendo sorrir de leve alguns segundos depois. Olhei pra ele, que também sorria, e parei a mão que eu dirigia para tocá-lo.

— Seu bobo.

— Ah, vai dizer que eu não estou sedutor com esse novo bronzeado rosa? — ele brincou, fazendo uma cara sapeca. Rolei os olhos, dando um sorriso que foi inevitável.

— Vamos voltar amanhã? — perguntei baixinho, analisando cada pedacinho dele, imaginando o quão ruim deveria ser sentir aquele incômodo.

— Não — ele vibrou em protesto. — Não por essa causa, amor. Eu posso me acostumar com isso e então nós vamos curtir as lagoas que tem por aqui.

— Ei, — eu o parei, tocando sua mão estendida por cima do colchão (que, pelo menos, era a única parte não atingida.) — Você não é o único querendo distância do sol por aqui. Nós podemos se divertir de outra forma, mas prefiro que você esteja na sua cor normal e sem ardência.

Naruto ficou um pouco em silêncio, apenas me olhando, depois suspirou.

— Eu estraguei tudo.

— Você não estragou tudo. O sol estragou tudo. Então, se tiver que se lamentar por algo, lamente por ele ser tão quente. — eu disse, arrancando um sorrisinho dele, que agarrou minha mão firme.

— E você preparou tudo isso pra mim? — ele virou-se para a bandeja, com um interesse fora do normal. Foi então que uma espécie de vibração tremeu tudo dentro de mim, e eu percebi o quanto estava faminta.

— Preparei para você, mas tenho que dizer que teremos que dividir — respondi, o olhando com certo desespero. —  Tô' morrendo de fome.

 — Eu aceito só porque o frango é bem grande. Do contrário, não compartilharia.

Eu trouxe a bandeja e a coloquei no meio da cama. Tirei o plástico e separei os talheres, dando um a ele, que beliscou um pedaço e enfiou dentro da boca. Fiz o mesmo. O vento da praia entrou pela janela, trazendo uma brisa com cheirinho de areia maravilhoso. Nós dois olhamos em direção ao céu escancarado além das cortinas de seda, tendo a lua gigante e o barulho das ondas quebrando contra as rochas.

— Isso é que é vida — Naruto suspirou de olhos fechados, recostando-se nas almofadas atrás da cama e com a boca cheia e um pouco suja. Assenti devagar, desfrutando da mesma tranquilidade que ele.

— Queria poder morar aqui — comentei, após tomar um gole do suco de uva. — É realmente um lugar maravilhoso.

— Não sei por que Uchiha não se muda de vez pra cá — Naruto disse, olhando vagamente na mesma direção que eu, e assim que ouvi o nome pronunciado, meu estômago apertou. — Quer dizer, ele é bem rico, pelo que aparenta, então deve ter mais uma dessas casas por cada praia do mundo.

Eu apenas belisquei o frango, já sem apetite para colocá-lo na boca. O que eu sabia sobre o Uchiha era muito pouco, mesmo com novas informações.

— E falando nele — eu pigarreei para que minha voz não saísse estranha. — Resolveu sobre o acidente?

— Sim — Naruto respondeu sorrindo. — Ele não me cobrou nada, em troca, sairemos para tomar algumas bebidas por minha conta. É lógico que ele não precisa disso, mas, ainda assim, ele quis fazer para que de certa forma eu pagasse isso a ele.

Admirado. Essa era a palavra que descrevia meu marido enquanto falava do homem. Eu sorri fraco, cheio de emoções estranhas vagando em meu peito ao imaginá-los sozinhos, conversando…

Não, Sakura. Não era uma boa hora para expor seus medos. O problema é que essa aproximação dos dois me incomodava em todos os sentidos. Se eu quisesse realmente lidar com Sasuke, teria que ser com ele sempre por perto. Isso era amedrontador. Mas, assim como antes, ficaria tudo bem se nós nunca tocássemos naquele assunto. Fingir que nada aconteceu, que nunca tivemos aquele momento… Essa seria a minha única saída.

Eu só esperava conseguir a mesma naturalidade dele.

— Ah, e isso me fez lembrar que tem algo para mim lá embaixo. Você pode trazer quando voltar? Ficou pela sala, se eu não me engano.

— O quê, exatamente? — perguntei, em um tom curioso.

— É um embrulho que o Uchiha deixou em cima da mesa. Ele disse pra abrir quando tivesse tempo, mas subi com dor e acabei esquecendo.

— Você sabe o que é? — meus olhos estavam nele, atentos. Naruto negou. — Vou trazer. — me levantei, recolhendo os pratos e copos para a bandeja. — Quer alguma coisa lá debaixo?

— Não, meu amor. Você já fez o suficiente. — respondeu ele, com a voz carinhosa e gentil. — Desculpe por estar te escravizando, é por um motivo justo.

— Quando você melhorar nós podemos acertar as conta. — respondi espertamente, piscando, antes de sair do quarto com sua risada me acompanhando.

No andar debaixo, coloquei a bandeja na cozinha e arrumei as coisas antes de voltar para sala, a procura do tal embrulho. Sem demoras, eu o encontrei em cima de um móvel. Era uma caixa coberta por papelão. Nada escrito, apenas durex colando as pontas de forma organizada. Eu dei alguns passos para a escada, mas a curiosidade virou perturbação. Sem conseguir me conter, eu voltei para a cozinha e rasguei o embrulho.

Dentro da caixa, apenas um pano dobrado. Eu o puxei com as pontas dos dedos e o estendi para cima.

Minha garganta secou. De repente, tudo que eu tinha lutado para acreditar desapareceu e foi substituído por raiva.

Era um jogo.

Era a porra de um jogo.

Aquele desgraçado não queria paz. Ele não queria tranquilidade. Estava mexendo comigo, brincando com meus medos e fraquezas como se eu fosse uma peça inútil de um simples jogo.

Apertei minha camisa de babydoll (a qual havia esquecido em sua casa e nunca obtido de volta) contra meus dedos com força, sentindo tudo borbulhar muito rápido, e minha mente enevoar, pesar.

 

 

Ele estava tentando foder tudo. E eu não permitiria que brincasse dessa forma comigo!



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