História O outro - Capítulo 13


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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 13 - O trajeto


Acredito que já tenha dito, mas não há problema, direi novamente: odeio viajar durante a noite. Encarei as árvores ao redor da estrada com demasiada calma, mas ao mesmo tempo, reprimindo diversas mágoas, de certa maneira, encarando-me em um espelho bastante ofuscado no qual reflete apenas o que um dia foi.

Creio que a confiança é o mais intrincado dos sentimentos, dos afetos. Engraçado, por vezes sinto-me apegado a certas amizades, iludindo-me de que realmente possuem alicerces rígidos, mas só até o instante em que percebo sua eminente fragilidade. Quase toda relação cultivada entre pessoas possui pés de argila.

Costumo acreditar que conheço a amizade, contudo, enquanto não me perguntas nada, sei exatamente o que é, porém, ao perguntar-me, já não sei.

Encarei a noite como uma velha inimiga, como o fundamento de minhas inimizades, de modo algum busquei por alegrias em meio a escuridão, não há de se criar beleza onde se encontra a tristeza, os pobres coitados que vivem sob a autoajuda já deveriam ter percebido este fato. O real é o que é, ao mundo não falta nada.

As diversas curvas entre as montanhas relembraram-me minhas antigas tristezas, pois sempre que estou a caminhar, tenho de lidar com a vida, bem, talvez eu esteja expressando-me com demasiada melancolia. Toda curva é um desvio, todo desvio é um novo caminho, portanto, há de se enxergar beleza no recomeço, pois é absurdo supor tristeza ou feiura ao início de qualquer vida.

O caminho até Lakewood se tornou familiar para mim durante os anos de minha faculdade, além de que por vezes o cruzei após abandonar meu curso, atendo-me a esperança de que poderia reaver minha relação com Julia, torcendo para que o tempo pudesse cicatrizar as antigas feridas, mas o amaldiçoando em seguida por sua falha.

Julia sempre me pareceu uma mulher pouco regular, mas ao mesmo tempo, absolutamente comum, despreocupada e tranquila. Talvez eu esteja passando uma imagem errada de sua pessoa, não quero que a imagine como uma mulher banal, como alguém que simplesmente desfruta das alegrias e ignora todo e qualquer problema, longe disso, Julia sempre foi, acima de tudo, uma rosa de espinhos.

Meus familiares e amigos sempre me consideraram como um rapaz pouco tradicional e muito observador, mas ela era uma leitura difícil, seus olhos diziam-me pouco, mas gozado, conseguia ver muito por entre eles! Seus olhos não refletiam uma beleza comum ou afetos corriqueiros, mostravam-me a vida como é, a vida no instante, a vida que vale por ela mesma! É evidente que o resto do mundo não desaparecia, mas tornava-se pouco importante para mim. Julia se tornou meu centro de gravidade mais sólido, que importava o resto?

Por entre aquelas estradas pude relembrar com maior avidez o quão longínquo estava de minhas maiores alegrias, os faróis de minha caminhonete mostravam-me a estrada e a neve, mas não podia encarar o mundo como queria.

Creio que cinco horas seriam o bastante para chegar à Lakewood, mas não me recordo o quanto levei, a estrada me parecia interminável, mas também deveras curta, talvez houvesse medo de a encontrar, estaria ainda tão linda quanto antes ou teria ficado ainda mais?

Adentrei a cidade como quem retorna de uma viagem bastante longa, talvez pelo fato de que deixei muito de minha vida ali, foi entre algumas daquelas casas que enterrei minha filosofia, foi onde queimei meus cadernos e livros, levei comigo apenas 'O nascimento da tragédia', obra essa que poucas vezes me foi útil.

Lakewood é uma cidade muito maior do que Ouray, mas a madrugada era tão solitária quanto, poucas luzes permanecem acesas, bem, ao menos era assim. Muita coisa muda em vinte anos, talvez mais, não?

Transpassei boa parte da cidade durante a madrugada, dirigi-me ao hotel no qual costumava ficar anos atrás, por sorte ele permanecia ativo, creio que não mudou uma única vírgula, detinha o mesmo tom de tranquilidade de sempre com sua pintura de cor creme, quero dizer, ao menos foi o que sempre me pareceu ser.

O gerente havia mudado, ao que me lembro, fui atendido pelo Sr. Wilson em todas as outras vezes em que estive ali, ele sempre foi muito simpático e divertido, costumava contar piadas antigas de sua época, e seus olhos brilhavam sempre que contava. Deve ter se aposentado durante os últimos anos.

Fiquei com um quarto cujo número não me recordo, mas era ao fim de um dos primeiros corredores. Não possuía nada de especial, apenas uma cama modesta, um armário com pouco espaço e um tevê próxima à porta, mas era mais do que o bastante, desejava apenas adormecer por algumas horas antes de procurar pela Julia.

Os programas na tevê eram péssimos, ainda mais durante a madrugada, até mesmo os filmes adultos eram ruins. Para não ser injusto, reconheço que sou bastante chato para com esse assunto, detesto as novelas e seriados maniqueístas que brotam como uma praga por entre os canais televisivos.

Deitei sem nem ao menos tomar banho, estava exausto, ruminar todas aquelas lembranças trouxe-me desânimo e dor de cabeça, teria de dormir mais do que o comum, talvez fosse melhor deixar para encontrar com a Julia ao fim da tarde.

Recordo-me de questionar-me sobre o passado antes de adormecer, Julia teria razão sobre o que aconteceu naquele dia? Ou então estaríamos todos banhados pela loucura que comumente circunda a razão?



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