História O pecado da solidão - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias The Seven Deadly Sins (Nanatsu no Taizai)
Tags Ban, elaine, Nanatsu No Taizai
Visualizações 11
Palavras 2.112
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Quando terminei de ver Nanatsu no Taizai (ontem no caso) fiquei com muita vontade de escrever uma fanfic, e hoje me veio essa inspiração.
De todos os personagens do anime o Ban é meu preferido, não sei exatamente porque, mas acho que é um misto de personalidade, atitudes e história.
Então espero ter conseguido honrar meu amor por esse homão com essa short <3

Capítulo 1 - Capítulo Único


O vazio do universo estava dentro de você desde quando podia se lembrar, ou talvez você fosse o universo.

Solitário, e estava ali, sem saber o motivo exato para ter sido criado, mas não é como se você recusasse a possibilidade do acaso. Deuses existiam, e quando criança você perguntou a algum deles o motivo de tudo isso.

Mas a resposta nunca chegou.

Você não acreditava em Deuses, pelo menos não em sua bondade.

Os primeiros passos, as primeiras palavras, as primeiras dores. Fora a solidão quem lhe ensinou tudo isso, não é, Ban?

Ou quase.

Havia aquela raposa.

Uma raposa vermelha como fogo, o fogo que aqueceu seu coração com um pedaço de pão. Você não sabia agradecer, mas sentia gratidão.

Você não sabia o que era “amigo”, mas, mais tarde, quando descobriu, sabia que ela tinha sido um. Aquela raposinha lhe levou aquele velho, quem seria seu futuro pai. E, mais uma vez, você agradeceu.

Você foi bem criado, tinha comida, uma cama e alguém que lhe ensinou o que é ser humano. Você se sentia... Acolhido.

Era bom depender de alguém além de si mesmo.

Pelo menos, pelos poucos anos que aquele velho viveu, você não esteve totalmente ao léu.

Foi meio desengonçado ter que fazer todo aquele ritual – velório o nome, certo? – sozinho, até porque nunca vira alguém falecer além dos personagens de livros antigos na qual você usou para aprender a ler. E, assim como citado nas páginas velhas, você se machucou.

Não queria ficar sozinho, não de novo, não depois de conhecer o calor de um abraço. Foi por isso que correu em direção a floresta, tão escura e fria como podia lembrar, parece que aquele canto do mundo não recebia verão.

Cada passo marcado na neve era um rastro em direção a seu passado, ou não, afinal, um “nada” pode ser vivido?

Você procurou em cada arbusto, em cada pequeno esconderijo, porém, aquela bola de pelos flamejante havia sido engolida pela terra. Pior. Sua frágil alma fora levada por um animal maior, foi o que o pequeno cadáver já em decomposição mostrava.

Então, Ban, você chorou pela segunda vez no dia, pela segunda vez na vida. Diferente do velho não foi difícil enterrar aquele amigo, a tristeza da manhã lhe trouxe experiência.

A neblina gélida petrificava suas lágrimas ao compasso que o silencio das árvores ria de sua amargura.

Foi a partir dai que você passou a odiar seus olhos.

O vermelho escarlate lhe recordava sangue, sangue este que corroeu desde sua pele até sanidade. Você chorou, chorou na esperança de que as lágrimas levassem consigo sua essência dilacerada, chorou ao ponto de gritar.

Gritos de dor, agonia, desespero.

Você não queria, não podia, ser sozinho. Você clamou a uma força maior, e em algum momento suas preces, que antes rogavam pela vida dos falecidos, agora pedia que o levassem junto.

A morte lhe pareceu aconchegante. E vendo as mãos manchadas teve esperança de que o sangue fosse seu.

Mas não era.

Lembra que a escuridão, esta que vinha de dentro de você, preencheu sua visão e o fez cair banhado em neve?

Você sorriu. Sorriu porque se imaginou nunca mais acordando.

Você agradeceu a entidade superior só para depois amaldiçoá-la quando acordasse – segundo caçadores que o acharam – dois dias depois.

Você estava sozinho, Ban, sozinho em um mundo que não dava a mínima para você. Um universo tão sem sentido quanto você próprio.

Porque você insistiu em viver, Ban? Ah, claro, você queria experimentar aquela sensação mais uma vez. Amor, hm? É, é assim que este mundo designa tal sentimento afetuoso.

Você tentou fazer amigos, tentou mesmo, mas todos tinham medo de você. “Fique longe dele, não é boa influencia” é o que os pais diziam aos seus filhos, você ouvia com mais frequência do que suportava.

No entanto... Em algum momento sua tristeza se tornou cobiça, e hoje você poderia ser considerado o Pecado da Inveja se tudo se limitasse a isso. Mas não. Você queria, você conseguiria.

Afogou sua perguntas internas em delitos sem sentido. Você não desejava verdadeiramente aquele bichinho de pelúcia, não é? Mas você roubou. Você nunca gostou de laranja, mas era tão fácil tomá-la, certo?

Você queria uma identidade, por isso não importou ser o vilão.

Ora, se todos dizem que sou ruim porque não ser? Era o que você pensava.

Era melhor atrair o ódio das pessoas do que continuar invisível, pelo menos assim se passava em seu interior. O desprezo é melhor que a irrelevância.

Ban... Em que momento seu desespero por afeto lhe transformou em um delinquente profissional?

Você detestava as outras crianças por terem uma família, detestava os ver com brinquedos novos, detestava não ter quem amar como eles. Detestava não ter um futuro, e muito menos não pertencer a algum lugar.

Você odiava esse mundo, muito mais que isso, odiava ser parte dele quando nem ao menos se sentia incluído.

Você só queria um motivo para continuar vivendo, como teve naqueles vagos anos, sem saber. E estava claro que não encontraria isso naquela vila a qual não passava de um ladrãozinho imprestável.

Sem rumo, ou melhor, a procura de um rumo, você partiu. De norte a sul de Liones, até mesmo fora dela, em busca de algo que desse sentido a sua existência. Algo além de só oxigênio.

Algo que o fizesse sentir bem, era isso que procurava.

Você gostava da adrenalina, não, não o tornava vivo, nem um pouco. Mas era... Revigorante.

Você gostava de ter os guardas ao seu encalço, lhe fazia parecer importante, procurado, mesmo que pelos motivos errados.

Você era um mercenário, não que considerasse o dinheiro importante, não passava de metal com o rosto do rei. Porém, se grande parte da população vivia para ele, como fonte vital, quem sabe, com o tempo, você não pudesse o ter como objetivo? Quer dizer, ele comprava coisas legais e pagava bonitas moças, então porque desconsiderar seu valor?

Mas não valia nada, assim como você.

Ah, Ban... Você bebia um oceano, mas ainda sentia sede.

Porque você bebia da fonte errada.

O sal só ardia mais seus machucados expostos, jamais cicatrizados, e você continuava sedento por algo que nem se lembrava mais.

Você se perdeu. Perdeu-se do caminho, dos ensinamentos que aquele ancião lhe passou, da bondade daquele pequeno animal. E, mais importante, perdeu-se em si mesmo.

A ganancia consumiu seu coração, coração este que batia por sobrevivência.

Se a vida não tem um sentido, então porque a dos outros deveria ter? Era seu ideal quando começou a matar.

Vida parecia uma ilusão, ilusão que você lutava para cair, mas que vangloriava-se por ver-se desprovido.

E, conforme os anos iam passando e mais paredes preenchiam-se com os folhetos de “Procura-se” com seu rosto, mais sozinho você se sentia.

Pior, você passou a não se importar. A falta de sentimentos é ainda mais temível que o pior deles.

De vez em quando você olhava para o céu a procura de algum dos Deuses e ria de soslaio.

Tisc, historinha pra crianças.

Você vagava á medida que o vazio em você crescia, perguntava-se se um dia seria palpável. E era. Porque você era totalmente ruína, quando passava a mão por seus cabelos ou sufocava a própria garganta, tocava a própria desgraça encarnada.

Então você ouviu falar de uma tal fonte da juventude que concedia a vida eterna. Algo em você acendeu. Esperança.

No topo da montanha aguardava um, provável, recomeço.

Se dela bebesse você teria tempo inesgotável para corroer a sua ganancia solitária, e ainda sim uma eternidade completa para buscar paz. Faca de dois gumes que você estava disposto a roubar.

E você partiu em direção a floresta das fadas para ver se aquilo era lenda ou não.

E, quem sabe, se sua vida continuasse ruim por muito mais tempo, em algum momento alguma coisa boa acontecesse... Algum momento.

Com suas armas e mantimentos em mãos você desbravou aquele matagal sagrado, se sentindo um intruso pecador no meio do lar de seres tão puros. E lá, guardando a fonte, como dizia a lenda, o mais resplandecente dos seres: A fada guardiã.

Bom, não é como se você acreditasse completamente na fada assim como numa bebida mágica, certo? Mas algo o levou até ali, algo maior que simplesmente outro delito.

Você queria, precisava, mesmo sem entender.

Era gritante o desespero de sua alma cativa.

Não foi difícil subir, já havia entrando em lugares piores, para um pilantra de seu nível aquilo era brincadeira.

“Com uma gota na língua vive-se dez anos, com um gole mais cem anos, se beber tudo vive-se para sempre!” você cantarolava repetidamente enquanto escalava. Até que era bem animado para um coração repleto de trevas.

Ali encima era bonito, lindo, o lugar que melhor se assemelhava ao paraíso que seus olhos escarlates já tivessem contemplado.

A eternidade jorrava a sua frente em uma poça magica de poder.

Lá estava a tal taça e... Uma menina.

“Protejo a fonte de bandidos como você” foi tudo que ela disse antes de expulsá-lo em uma tempestade de ventos que o fez cair monte a baixo.

Entretanto, você sorriu em diversão e tornou a escalar.

As coisas seriam interessantes, foi o que passou pela sua cabeça.

Contudo, quantas vezes foi levado morro a baixo em uma queda que lhe partiria ao meio se a “mãe natureza” não o salvasse todas vezes?

Uma, duas, três.

Vezes mais eternas que a própria fonte.

Você já estava irritado, e a fadinha também.

Quando ela, de tão feroz, lhe deixou dar dois passos, você não perdeu tempo e roubou o artefato secreto só para ela sufocá-lo em visível desespero com galhos e colocar, em segurança longe de suas mãos, a taça em seu lugar de origem.

O olhar de desprezo da fada para com seus atos o cortaria de vergonha em outra época, porém, agora você só girava os olhos em chateação por não conseguir o que queria.

Ela disse coisas bobas e bonitas sobre proteger a floresta, era até uma garotinha adorável, e você, sem saber explicar, instantaneamente jogou para longe a ideia de continuar com sua missão.

Você não entendia, porque nunca nada ficou em seu caminho, e não eram seus poderes, nem desinteresse, só... Não achava justo para com ela.

Quem diria, “Ban, o bandido” tendo compaixão de alguém? Você nem sequer pensou nisso, fora tão instintivo que apenas desistiu.

E você nunca desiste.

Ela se interessou por você, ou melhor, pelo seu desinteresse repentino.

Você se perguntou se era o primeiro humano que ela conhecia. Não. Para ter uma visão tão negativa da sua espécie com certeza haviam passado outros por ali. Pelos mesmos motivos? Provavelmente.

E você não lhe tirava a razão. “Somos mesmo uma raça desprezível”.

Você ponderou quantos anos a menina tinha, e quantos destes ela se dedicou a proteger a fonte de bandidos como você, Ban.

Ela estava, provavelmente, cansada.

Ela tinha olhos pesados, como os seus, e por mais pura e diferente que fosse de você, foi ali que encontrou semelhança.

Não conseguiu entender na hora, mas algo em você começou a fazer sentido.

Ali, com aquela fada, você conseguiu esquecer seu coração solitário.

Ela não lhe pediu que ficasse, mas você tão pouco se sentiu convido a partir.

Elaine.

Aquele era o nome que você estava destinado a encontrar.

Foi quando ela lhe segurou a mão, em um cumprimento totalmente desorganizado, que algo em seu sangue pulsou e sua mente procurava lógica.

Não tinha lá nada planejado para hospedar um humano, mas com ela, na segurança dela, você não poderia roubar lugar melhor.

Você olhou para o céu aquela noite mais uma vez, e com ela ao seu lado, apoiada em seu peito e reluzindo vergonha, você agradeceu aquela entidade superior por ter tido uma vida de tamanho sofrimento se este fora o preço para encontrar a outra ponta do fio vermelho que os conectava, como diziam os antigos.

Você se perguntou como tanta paz podia ser engarrafada em um corpo tão pequeno.

Você sorriu, Ban, não sórdido como em todas as outras vezes.

Você sorriu com a alma.

Foi para esse momento que viveu desde que seu universo fora criado.

E você sabia – ah, como sabia – que tudo em você se encontrava nela. Muito mais complicado e simples que espirito, DNA ou vidas passadas. Você esperou por ela a vida toda. Felicidade era saber que nada disso era uma coincidência.

Pode ser egoísmo, mas ali, naquele momento, tudo girava em torno de vocês.

A fonte, a solidão, a busca. Os céus haviam preparado tudo pensando em vocês.

Foi então que sua ganancia tomou seu ponto mais alto, porque você nunca quis roubar tanto algo como Elaine.  


Notas Finais


Obrigada a quem deu uma chance pra algo tão simples, espero ter agradado :3
Comentem! Vamos conversar sobre esse amor de anime e esse casal maravisensa /o/


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