História O poeta de Semáforos - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Tags Hopega, Yoonseok
Exibições 87
Palavras 1.387
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Shonen-Ai, Slash
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - A exceção das minhas regras


Jung Hoseok era um poeta avesso. Sentia o caos no conforto ao mesmo tempo em que morria de saudades da paz que encontrava nos cortiços de sua infância. Depois de conhecê-lo em seus mínimos e nauseantes detalhes, estabeleci em minhas doutrinas que existem dois tipos de pessoas: as regras e as exceções.

 

Eu, Min Yoongi, sou regra.

 

Nasci em uma boa família, após muito planejamento e espera. Fui cuidado como um menino de ouro, comecei a tocar piano antes dos seis anos e recebi dos meus pais todo amor que uma criança necessita para crescer bem. Papai jamais me julgou por não ser bom em esportes, mamãe cuidava de meus machucados com beijos e nós conversávamos por olhares.

 

Quando eu estava prestes a fazer doze anos e meus pais faleceram em um acidente de trânsito em momento algum eu me senti desamparado. Fui recebido pelos braços abertos de meus avós, que transformaram a grande casa amarela no melhor dos lares.

 

Beirando os dezoito eu era um jovem preguiçoso que tinha medo de andar com as próprias pernas e cursava história mesmo sabendo que não ganharia dinheiro algum com isso. Mas mesmo que eu gostasse muito de história, era apaixonado por fins de semana.

 

Aos sábados meus avós juntavam todos os velhos do bairro em cima de uma toalha estendida no gramado do nosso quintal para jogar truco e dominó. Eu me espremia entre eles para apostar uns trocados e beber cerveja escura, enquanto me fazia de desentendido com vovô que tentava usar a lábia para vencer desonestamente, mesmo que sempre o descobrissem.

 

No fim do dia quase sempre estávamos meio bêbados e usávamos algum disco do Elvis como trilha sonora das histórias que eram repetidas quase toda semana mas que nunca perdiam a graça. Domingo nós acordávamos tarde e eu tocava piano enquanto vovó preparava o almoço, para depois nos esparramarmos na sala e assistir filmes idiotas e adolescentes até tarde da noite.

 

Eu dificilmente perdia esses acontecimentos quase religiosos, mesmo que Jungkook e Seokjin me torrassem a paciência toda semana dizendo que eu nunca os acompanhava às malditas festas que eles insistiam em se enfiar.

 

Anos depois a situação ainda era a mesma, tirando o fato que eu substituí a faculdade por uma carreira de professor e passava as noites corrigindo trabalhos enquanto eu e vovô fazíamos piada sobre a prótese em sua perna direita, adquirida após ele ter complicações devido ao diabetes e ter de ser amputado do joelho para baixo.

 

Fiz amizade com Namjoon, que lecionava literatura na mesma escola que eu, e seu namorado Jimin. Logo eles começaram a apoiar os esforços de Kook e Jin, e foi depois de muita luta (e uma avó me expulsando da jogatina a pontapés) que eu acabei em uma boate lotada e quente em algum sábado no meio dos meus 24 anos.

 

Espantei-me ao perceber que o pirralho do Jeon parecia conhecer todo mundo ali, Seokjin não era deixado em paz por um segundo sequer e parecia confortável com os olhares que praticamente arrancavam pedaços de si. Bebi um pouco, dancei um pouco, e quando já estava cansado de todo aquele som estridente decidi que era hora de voltar para o aconchego de minha casa.

 

Procurei por meus amigos mas eles aparentavam ter evaporado e depois de ter o azar de avistar Nam e Jimin se atracando em um canto, apenas peguei as chaves do meu carro e saí do estabelecimento por conta própria.

 

Sentei no banco do motorista, abaixei os vidros aproveitando a brisa noturna em conjunto com o silêncio acalentador. Senti meu pulso desacelerando aos poucos, minha respiração voltando ao normal, estava prestes a girar a chave na ignição quando um maluco apoiou ambos os braços em uma das minhas janelas e começou a murmurar sobre vômito em sapatos caros. Eu iria pisar no acelerador e quebrar o pescoço do cara se ele não tivesse olhado no fundo dos meus olhos e dito algo parecido com “Ei garoto, você tá feliz com a sua vida?”

 

Disse que sim, depois respondi quando ele me questionou as razões da minha felicidade e achei graça do tom agudo da risada que ele dirigiu às minhas explicações, compreendeu minhas pequenas tragédias e apontou que eu ainda era criança na alma.

 

De repente ele já estava no banco do carona chorando as próprias mágoas, de repente já passava das cinco da manhã e nós estávamos adormecidos nos assentos desconfortáveis do carro, exaustos de discutir experiências e filosofias que iam além da metafísica.

 

Naquele domingo eu não acordei com minha avó abrindo as janelas e sim com o toque irritante de um celular que não era o meu. Atendi apenas para parar com o barulho, ouvindo os berros de um garoto do outro lado da linha.

 

“Hoseok porra, onde tu enfiou esse seu traseiro bêbado pra só me atender essa hora? Tá tentando me matar e ficar sozinho de vez, seu imbecil desgraçado?”

 

Quando fiquei de saco cheio dos xingamentos dei um pigarro e resolvi conversar quem quer que fosse do outro lado, já que eu não tinha lugar pra enfiar o homem adormecido ao meu lado.

 

“Se Hoseok for o cara calçando um sapato só porque vomitaram no outro, ele tá quase se enforcando com um cinto de segurança.”

 

“Ai caralho, você sequestrou meu amigo?”

 

Ouvi o início de um ataque de pânico antes de conseguir explicar toda a situação para o garoto, que respirou aliviado ao saber que eu não era um sequestrador assassino.

 

“ Ah sim, eu entendo. Estou indo buscá-lo agora, onde é que vocês estão?”

 

Combinei de me encontrar com o guardião do cara semi-morto no banco do carona na frente de uma cafeteria próxima de onde estava no momento. Poucos minutos depois um rapaz dono de uma juba alaranjada aproximou-se do carro e suspirou ao ver o estado do homem ao meu lado. Depois de acordar Hoseok aos berros, ele se apresentou como Kim Taehyung e se ofereceu para me pagar um café, como desculpa por me chamar de sequestrador.

 

E o Jung, que era a mais pura exceção, me encarou durante todo o tempo em que ouviu as broncas de seu amigo, enquanto tomava um expresso. Ele sabia que eu me lembrava de tudo.

 

Entre lágrimas Hoseok havia me confessado a saudade de um cortiço, do chão de barro e a dor do dinheiro.

 

Havia nascido condenado: órfão de ambos os pais, pobre, largado à própria sorte. Cresceu nas periferias, disse-me que o primeiro livro dele havia sido roubado de uma biblioteca e era sobre robôs.

 

Então foi vítima de um monte de acasos, passou na melhor universidade do país e formou-se engenheiro mecatrônico enquanto seus amigos de infância morriam como criminosos e indigentes. Me ensinou que ele deveria estar entre os párias, mas que às vezes um fodido consegue romper o ciclo.

 

Disse-me que ganhou muito dinheiro com a patente de algum equipamento e que depois de ser extorquido foi excluído até mesmo dos marginais, restando-lhe apenas Taehyung que no momento estava preocupado em explicar a mania de bêbado de seu amigo.

 

Tae contou que depois de tomar umas Hoseok sempre corria pro semáforo mais próximo para gritar poesia e ouvir as lamúrias dos taxistas cansados. Achava que o Jung gostava de conhecer pessoas mais do que conhecia máquinas.

 

Depois de terminar meu café eu me despedi normalmente, não esperava ver nenhum dos dois mais alguma vez. Só que Hoseok literalmente roubou meu numero e me ligou ás 21:00 de uma terça para me perguntar algo sobre o feudalismo.

 

Poucos meses depois ele já era o melhor jogador de dominó de todo o bairro, e eu desconfiava que os velhos gostavam mais dele do que de mim pois o desgraçado invadiu minha vida e meu quintal abruptamente, com  seus beijos roubados e mania de examinar espíritos.

 

Seok passou a dançar com vovó ao som do meu piano, a dividir o lucro das apostas de sábado com meu avô e cara, só me restou acompanhá-lo nos semáforos e circuitos já que ele me ganhava todinho com uns dois sorrisos de covinhas e uma mão acariciando minha coxa.

 

Ele se tornou a exceção de toda a minha calmaria e me adotou como regra de seus dias, dizendo que virou sua necessidade de vida ficar perto do cara que o recebeu com uma luz verde.


Notas Finais


a primavera finalmente chegou em São Paulo


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