História O Príncipe (A Seleção) - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS), K.A.R.D
Personagens Jiwoo, Jungkook, Somin, V
Tags Taekook, Vkook
Visualizações 80
Palavras 1.596
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Famí­lia, Ficção, Lemon, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Spoilers
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 3 - O Antes part. Três


Fanfic / Fanfiction O Príncipe (A Seleção) - Capítulo 3 - O Antes part. Três

Taehyung cheirava a lavada de amêndoas. Seu perfume era o mesmo desde os treze anos. Ele o usava na noite anterior e eu ainda podia senti-lo, apesar de ele desejar não me ver nunca mais.

Ele tinha uma cicatriz no pulso, de um arranhão que fez ao tentar subir em uma árvore aos onze anos. Foi culpa minha. Ele não era tão masculino na época, e eu a convenci — ou melhor, o desafiei — a apostar uma corrida até o topo de uma das árvores que cercavam o jardim. Ganhei.

Taehyung tinha pânico do escuro, e como eu também tinha meus medos, nunca caçoei dele por isso. E ele tampouco caçoava de mim. Pelo menos não quando as coisas eram importantes.

Ele era alérgico a frutos do mar. Sua cor preferida era amarelo. Por mais que tentasse, era incapaz de tocar qualquer instrumento, mesmo que sua vida dependesse disso. Só que ele sabia dançar, então não o ter tirado para uma dança na noite passada significou mais do que uma simples decepção.

Quando eu tinha dezesseis anos, Taehyung me mandou um estojo novo para a minha câmera, como presente de Natal. Apesar de eu nunca ter dado qualquer indício de querer me livrar do estojo antigo, significou tanto para mim saber que ele prestava atenção nas coisas que eu gostava que passei a usar o presente. Eu ainda o usava.

Eu me espreguicei sob os lençóis e virei a cabeça na direção do estojo. Perguntei-me quanto tempo ele teria gasto para escolher o modelo certo. Talvez Taehyung tivesse razão. Tínhamos mais história do que eu havia percebido antes. Mantínhamos uma relação através de visitas espaçadas e telefonemas esporádicos. Por isso, nunca passou pele minha cabeça que aquilo tinha tanto peso.

E agora ele estava no avião rumo à Tailândia, onde Minjae o aguardava.

Arrastei-me para fora da cama e arranquei a camisa amassada e a calça do terno para tomar uma ducha. Tentava silenciar meus pensamentos enquanto a água lavava os resquícios do meu aniversário. Mas não conseguia pôr de lado a denúncia perturbadora que ele havia feito sobre os meus sentimentos.

Será que eu não conhecia o amor? Será que eu o havia provado e descartado? Se sim, como lidaria com a Seleção?

Conselheiros corriam pelo palácio com pilhas de formulários de inscrição para a Seleção; todos sorriam para mim como se soubessem de algo que eu ignorava. De tempos em tempos, um deles me dava tapinhas nas costas ou cochichava palavras de incentivo, como se sentissem que eu repentinamente começara a duvidar da única coisa com que sempre havia contado e que tinha aguardado minha vida inteira.

— O lote de hoje é muito promissor — dizia um deles.

— O senhor é um homem de sorte — assegurava outro.

Mas enquanto as pilhas de formulários cresciam, eu só conseguia pensar em Taehyung e em suas palavras afiadas.

Eu deveria estar estudando os números do relatório financeiro que tinha na minha frente. Em vez disso, estudava a minha mãe. Por acaso ela havia me sabotado? Havia me criado de forma que eu não tivesse qualquer noção do que significava um relacionamento amoroso?

Já havia reparado no modo como tratava Jiwoo. Havia afeto entre elas, senão paixão. Não seria isso o bastante? Não teria que ser esse o meu objetivo?

Olhava para o nada, perdido em pensamentos. Talvez, na cabeça dela, buscar algo além disso faria com que eu tivesse muita dificuldade em enfrentar a Seleção. Ou talvez eu ficasse decepcionado por não encontrar algo que mudasse a minha vida. Então era melhor mesmo eu nunca mencionar que essa era minha única esperança.

Por outro lado, talvez não fossem esses seus planos. As pessoas são o que eles são. Minha mãe era rígida, era como uma espada afiada pela pressão de governar um país que sobrevivia a guerras e ataques rebeldes constantes. E Jiwoo era como um cobertor, compassiva devido à infância carente e sempre buscando proteger e reconfortar.

Eu sabia que, no fundo, era mais parecido com Jiwoo do que com ela. Não que isso me incomodasse, mas incomodava Somin. Assim, talvez o seu plano fosse mesmo fazer de mim uma pessoa incapaz de expressar os sentimentos, parte do processo para me endurecer.

Você é burro demais para reconhecer o amor a dois palmos do nariz.

— Acorde, Jungkook.

Virei rápido a cabeça na direção da voz da minha mãe.

— Sim, senhora?

Sua expressão era de cansaço.

— Quantas vezes preciso dizer? A Seleção consiste em uma escolha sólida e racional. Não é mais uma oportunidade para você ficar sonhando acordado.

Um engravatado entrou na sala e entregou uma carta para minha mãe. Eu ajeitava uma pilha de folhas batendo-as contra a mesa.

— Sim, senhora.

Ela leu a carta enquanto eu o observava. Talvez. Não. No final das contas, não. Ela queria fazer de mim um homem, não uma máquina.

Bufando, ela amassou o papel e o atirou no lixo.

— Malditos rebeldes.

 

...

Passei a maior parte da manhã seguinte trabalhando em meus aposentos, longe de olhares curiosos. Eu me sentia muito mais produtivo quando ficava sozinho. E se não conseguisse ser produtivo, ao menos não havia quem me castigasse. Suspeitei que aquilo não duraria o dia inteiro diante do chamado que recebi.

— A senhora me chamou? — perguntei ao cruzar a porta do gabinete da minha mãe.

— Aí está você — ela disse com os olhos arregalados. Esfregou as mãos e continuou: — Amanhã é o grande dia.

Tomei fôlego.

— Sim. Precisamos repassar o formato do noticiário?

— Não, não — ela apoiou a mão nas minhas costas, fazendo com que me endireitasse imediatamente, e me conduziu em frente. — Será bastante simples: introdução, um papo rápido com Jackson e depois transmitimos os nomes e os rostos dos Selecionados. Você tem um bom número de garotos.

Concordei com a cabeça.

— Sim, bem... parece... fácil.

Quando nos aproximamos da escrivaninha, ela pôs a mão sobre uma grossa pilha de pastas.

— Aqui estão eles.

Olhei para baixo. Encarei a pilha. Engoli em seco.

— Agora, mais ou menos uns vinte e cincos entre eles possuem qualidades evidentemente perfeitas para uma nova princesa ou príncipe. Famílias excelentes, laços valiosos com outros países. Alguns são apenas exuberantes.

Estranhamente, ela me deu uma cotovelada brincalhona no peito, e me afastei para o lado. Nada daquilo era brincadeira.

— Infelizmente, nem todas as cidades tinham algo digno de nota a oferecer. Então, para que as coisas parecessem mais aleatórias, incluímos essas regiões para dar um pouco mais de diversidade à

Seleção. Você verá que temos até alguns Cinco no pacote. Nada abaixo disso, porém. Precisamos ter alguns parâmetros.

Repeti mentalmente suas palavras. Todo esse tempo eu pensei que a escolha seria feita pelo acaso ou então pelo destino... E era apenas a minha mãe. Ela correu o polegar pela pilha com tanta força que as bordas das pastas se curvaram para cima.

— Quer dar uma espiada? — propôs.

Olhei novamente para a pilha. Nomes, fotos e qualidades. Todos os detalhes essenciais estavam ali. Ainda assim, eu sabia que o formulário não dizia o que os fazia rir ou pôr para fora seus segredos mais obscuros. Ali estava uma compilação de atributos, não de pessoas. E, com base naqueles estatísticas, eram minhas únicas opções.

— Foi você quem os escolheu? — perguntei, desviando o olhar da papelada e encarando-a.

— Sim.

Todos eles?

— Basicamente — disse com um sorriso. — Como falei, há alguns aí apenas pelo espetáculo, mas acho que você tem uma leva bastante promissora. Bem melhor do que a minha.

— Seu pai também escolheu as suas opções?

— Algumas deles, mas naquele época a coisa era diferente. Por que pergunta?

Puxei pela memória.

— Então era isso que você queria dizer, não é? Quando falou que a Seleção consumiu anos de trabalho da sua parte?

— Bem, precisávamos garantir que certas pessoas teriam a idade adequada, e tínhamos várias opções em certas províncias. Em todo caso, confie em mim, você vai amá-los.

— Vou?

Amá-los? Como se ela se importasse. Como se aquilo não fosse apenas mais uma maneira de a coroa, o palácio e ela própria prevalecerem.

De repente, seu comentário infeliz sobre Taehyung ser um desperdício fez sentido. Para ela, não importava se eu era próximo de Taehyung por ele ser encantador ou uma boa companhia; para ela, ele era a Tailândia. Não era sequer um ser humano. E como minha mãe já tinha o que precisava da Tailândia, Taehyung era inútil aos seus olhos.

Ainda assim, se ele tivesse se mostrado valiosa, estou certo de que ela jogaria fora toda aquela amada tradição para obter seus fins. Mas como isso não aconteceu, ela quis manter todo o processo em suas mãos.

Ela soltou um suspiro.

— Que cara é essa? Pensei que você fosse ficar entusiasmado. Não quer nem dar uma olhadinha?

Endireitei o paletó e respondi:

— Como você disse, não é hora de ficar sonhando acordado. Verei os Selecionados junto com todos os demais. Com a sua licença, preciso terminar de ler seu projeto de emenda.

Parti sem esperar sua aprovação, mas tinha certeza de que minha resposta era justificativa suficiente para que me deixasse sair. Talvez não fosse exatamente uma sabotagem, mas com certeza parecia uma armadilha. Encontrar um cara de quem eu gostasse de verdade entre as dúzias que ela escolheu a dedo? Qual era a chance de isso acontecer?

Tentei me acalmar. Afinal, ela escolhera a minha mãe, e ela é uma mulher maravilhosa, linda e inteligente. Mas isso aconteceu aparentemente sem tanta interferência. Mas as coisas eram diferentes agora, segundo ela.

Entre as palavras de Taehyung, as intromissões da minha mãe e meus próprios medos, cada vez maiores, passei a lamentar a Seleção como nunca.



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