História O Príncipe de Haeundae - Capítulo 36


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Tags Chanbaek, Chansoo, Hunhan, Kaibaek, Kaisoo, Krisbaek, Kristao, Setao, Sulay, Xiuchen
Exibições 3.292
Palavras 4.328
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Visual Novel, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oieee, pessoal!! Tudo bem?
Então, aqui estou eu com o penúltimo capítulo <3 Amém!
Ele está mais "levinho", o que significa que o final não estará levinho (moon face)
Espero que gostem!
Boa leitura <3

Capítulo 36 - Anormal menino normal


 

Não consegui mais pregar os olhos à noite. Nem com Chanyeol fazendo cafuné no meu cabelo. Ele estava preocupado com a minha reação ao saber que ele e Kyungsoo transaram. Mas o que realmente me preocupava era a hipótese que ele levantou sobre Kyungsoo ser um traidor da pior espécie. Eu simplesmente não conseguia acreditar nisso, mas o que Chanyeol dissera fazia sentido. Eu estava novamente entre o dilema coração vs lógica. Por mais que fizesse algum sentido a culpa do “envenenamento” de Chanyeol ser de Kyungsoo, eu não conseguia enxergar o motivo de ele fazer uma atrocidade dessas contra um amigo.

Mas por que algo me parecia realmente errado nessa história toda?

Kyungsoo, Jongin, Chanyeol e eu... nada faz sentido. Somos como peças de quebra-cabeça que foram feitas para completar uma a outra, mas que se colocadas de forma errada, não se encaixam jamais. E havia uma peça que estava sendo colocada de forma errada. Por mais que eu pensasse, não conseguia encontrar qualquer resposta.

Só consegui dormir às 7h, mas meu relógio biológico me acordou às 9h30. Meus pais e Sehun já tinham saído, Chanyeol se encontrava na cozinha comendo os bolinhos de peixe que a minha mãe tinha feito especialmente para ele.

– Bom dia – desejei sonolento, me sentado ao lado dele à mesa da cozinha.

– Bom dia, amor! – Chanyeol me puxou e me deu um breve selar nos lábios.

– O Sehun foi para a escola? Como ele está? Fizeram um curativo nele?

– Eu o ajudei a fazer um curativo e a dizer para sua mãe que ele tinha levado um tombo no banheiro de noite. Acho que ele foi para a casa do Luhan. Me pediu para abonar as faltas dele.

– Eu deveria dar uns tapas nele, mas vou perdoar porque a culpa é sua!

– Eu sei, eu sei... não deveria ter deixado ele tomar aqueles remédios. Mas foi a única forma que encontrei de testar a minha teoria. Confio no seu irmão.

– Podia ter testado comigo.

Ele gargalhou.

– Você nunca aceitaria! E eu não te colocaria em risco.

– Mas pôs o meu irmão.

Chanyeol deu de ombros.

– Ele se ofereceu.

Sehun e ele se merecem. Inconsequentes.

– Você precisa ir conversar com o seu psiquiatra e perguntar o porquê dos remédios te deixarem tão fora de controle, se eram para fazer o contrário.

Chanyeol largou o bolinho em cima da mesa e me encarou com seriedade.

– Eu sei que o que eu disse ontem parece surreal e está te incomodando bastante.

– Claro que é surreal. Você está falando de Do Kyungsoo. O garoto que chora se você elevar um pouco o tom de voz. Ele te ama, nunca te faria mal.

– Ou ama tanto que o faria.

– O que quer dizer com isso?

Ele novamente deu de ombros. Isso estava me irritando.

– Ainda não quero especular nada. Estou me sentindo melhor hoje, vou procurar um psiquiatra e fazer perguntas a ele.

– Aonde vai?

– Achei um na Internet. O consultório dele não fica muito longe daqui. Quer ir comigo?

– É claro que sim.

 

~~ * ~~

 

Eu estava com medo de entrar na sala do psiquiatra. Sei lá, vai que ele resolve internar Chanyeol só de olhar para ele? No entanto, esses pensamentos foram embora quando vi o doutor. Era jovem e simplesmente lindo. Ombros largos, corpo aparentemente malhado, sorriso simpático e voz penetrante. Entrei em sua sala junto com Chanyeol e não consegui parar de olhar para aquele homem. Sua beleza roubava a atenção de qualquer um.

O Dr. Won fez algumas perguntas para Chanyeol, até ele decidir cortar e ir direto ao ponto.

– Eu preciso que você analise esses remédios – ele pôs a sacola com os três frascos em cima da mesa. – Eu acho que não são apropriados para mim.

O doutor gatão deu uma olhada nos remédios e não esboçou nenhuma surpresa.

– Pela sua ficha, esses remédios estão apropriados, sim. Por que acha o contrário? Anda tendo muitos efeitos colaterais?

– Acho que eu não chamaria de efeito colateral. Eles fazem exatamente o oposto do que deveriam fazer.

– Explique melhor.

– Eles me causam alucinações visuais e auditivas, perturbação mental, sentimento de fracasso, entre outros. Eles praticamente me transformam em um esquizofrênico. Eu não tenho essa doença.

O doutor começou com um discurso sobre efeitos de remédios, sintomas de esquizofrenia e coisas do tipo. Eu não entendi quase nada, mas ele deu a entender que não estava acreditando em Chanyeol, que ele queria apenas a suspensão dos remédios. E ao notar isso, Chanyeol foi mais enfático.

– Escute uma coisa, Dr. Won... – era notável sua irritação com o médico. – Eu não estou pagando essa consulta para você me dar diagnósticos. Eu quero que analise esses remédios e me diga o que realmente são. Porque eu tenho certeza que não são o que parecem. Conte a ele, Baekkie... conte o que aconteceu ontem.

Quando o médico direcionou seu olhar para mim, fiquei ainda mais nervoso.

– Ér-r... – pigarrei, para então prosseguir: – O meu irmão, que não tem doença mental alguma, eu acho... tomou esses remédios na noite de ontem. De madrugada acordamos com ele batendo a própria cabeça na janela. Batia fraco, mas ficou tanto tempo assim que cortou a testa.

– Eu parei de tomá-los – Chanyeol acrescentou. – E as alucinações passaram. Tudo passou. Eu me sinto muito bem.

O doutor finalmente pareceu intrigado. Pegou os frascos novamente, leu o rótulo, abriu a tampa e analisou os comprimidos.

– Estranho... – balbuciou o homem. – Essas pílulas aqui deveriam ser brancas, não amarelas.

– Está vendo?! – Chanyeol se exaltou. – Eu tenho certeza que esses remédios estão trocados e me fazem mal.

– Bem, acho que vou mandar para a análise. Olhando assim, não dá para identificar exatamente o que são.

O doutor pôs os frascos de volta no saco e guardou em sua gaveta. Em seguida pegou seu receituário e escreveu alguma coisa.

– Tome esse remédio aqui. Se te deram algum tipo de alucinógeno ou algo parecido, esse remédio cortará completamente os efeitos.

Chanyeol olhou para mim e sorriu. E seu sorriso seguiu até o psiquiatra.

– Muito obrigado, dr. Won. Você tem ideia de quando sairá o resultado do teste?

– Amanhã. Minha secretária ligará para você avisando a hora em que poderá buscar.

– Muito obrigado!

Eu nunca vi Chanyeol agradecer tanto. Ele parecia feliz com a situação toda, como se saber que seu melhor amigo está te “envenenando” fosse uma coisa boa.

Fomos liberados para ir embora após o médico perguntar se queríamos mais alguma coisa. Antes de ir para a minha casa, passamos na farmácia e compramos o tal remédio.

 

~~ * ~~

 

Eu sugeri que Chanyeol voltasse para sua casa, mas ele não queria ir de jeito nenhum. No fim das contas, eu entendi que ele não queria ficar completamente sozinho naquele casarão, uma vez que não poderá chamar Kyungsoo ou Jongin para lhe fazer companhia, e eu não iria para sua casa. E, para ser sincero, eu estava gostando dele comigo. Ele nem parecia o herdeiro do império Seongbuk, sabe? Parecia um menino normal. Quero dizer, um anormal menino normal.

 

À tarde resolvemos assistir um filme comendo pipoca com bastante manteiga. Ai, foi tão bom. Droga! Foi tão bom tê-lo ali comigo, me abraçando e rindo das palhaçadas do Steve Martin em A Pantera Cor-de-Rosa. Estar com ele daquela forma era tudo que sempre sonhei. Um sonho simples. Eu quis que aquele dia jamais terminasse. Às vezes ele dava pausa no filme só para me beijar, e só parávamos porque eu cessava. Quando o filme terminou, ele cismou que iria cozinhar para mim. Eu fiquei morrendo de medo da combinação Chanyeol + Fogão + objetos cortantes. E só o deixei mexer na cozinha da minha mãe porque eu estava pronto para me vingar das ofensas que, lá no início, ele fez à minha comida.

– Você vai me matar – eu implicava, vendo ele picar cenouras. – O que diabos está fazendo?

– É uma receita minha.

– Você vai me matar e infectar essa casa!

Ele fez um bico.

– Não vou! Você vai ficar com inveja quando experimentar.

– Duvido!

– Então veremos!

Enquanto o vigiava, minha atenção foi desviada quando recebi uma mensagem no Kakao Talk. Abri o aplicativo e vi que era de Kyungsoo. Me senti meio receoso em falar com ele.

“Como está se sentindo hoje, Baekkie? E o Chanyeol, está tomando os remédios no horário certo?”

Eu não acreditava na teoria de que Kyungsoo tinha manipulado os remédios de Chanyeol. Entretanto, eu precisava perguntar. Precisava acabar com minha dúvida. Duvidar de Kyungsoo me incomodava demais.

“Kyung, eu preciso te perguntar uma coisa. Pode parecer maluquice.”

Ele respondeu imediatamente:

“Pode perguntar!”

Olhei para Chanyeol, me certificando de que ele não suspeitaria, e então digitei:

“Tem alguma coisa errada com esses remédios que o Chanyeol toma?”

“Como assim coisa errada?”

“Sei lá, tipo efeitos colaterais severos. Ele diz que não se sente bem os tomando.”

“Baekhyun, o Chanyeol precisa tomar esses remédios regularmente. Não se deixe enganar por ele. Por favor, se certifique de que ele está tomando tudo direitinho.”

“Ele não quer tomar. E sabe de uma coisa? O Chanyeol parece infinitamente melhor sem eles. Está agindo como antes, está dócil e completamente normal (no estilo Park Chanyeol). Eu acho que tem algo errado com esses remédios.”

“Está enganado! O que você sabe sobre remédios psiquiátricos e pacientes psiquiátricos? Não seja tolo de acreditar no Chanyeol, ele só quer se livrar do tratamento. Pode parecer bem agora, mas em breve ele ficará muito, muito pior.”

Céus, tudo me pareceu mais confuso. Se eu lesse aquela mensagem com um olhar de hostilidade, diria que Kyungsoo está com raiva por ter sido “descoberto”, mas se eu ler sensatamente, ele está apenas muito preocupado com o melhor amigo. Já vi casos da pessoa parecer bem e de repente destrambelhar de vez.

Droga, eu não sabia no que acreditar.

“Acho que vou observá-lo. Não tenho como enfiar os remédios nele goela abaixo, mas vou observar atentamente suas reações. Se ele piorar, o levo ao psiquiatra, se não, saberemos que esses remédios não são apropriados para ele.”

Em seguida, Kyungsoo me ligou. Parecia nervoso demais para responder digitando. De fininho, fui até a varanda para atender.

– Alô?

– Baekhyun, pelo amor de Deus, dê os remédios para o Chanyeol – pela voz, ele estava mesmo nervoso.

– Sabe que não é assim, ninguém o obriga a nada.

– Você tem esse poder! Dê agora os remédios para ele, antes que seja tarde.

– Kyung, venha aqui em casa e veja como ele está bem! Está até cozinhando, acredita?

Eu não diria a ele sobre o “teste” que Chanyeol fez em Sehun. Eu pareceria um irmão inconsequente, sabe?

– Baekhyun, me escuta... ele precisa tomar agora. Há quanto tempo ele está sem?

– Acho que uns dois dias.

Sua respiração fazendo chiado na linha me fez entender que ele estava começando a ficar com raiva.

– Isso é muito grave. Você quer ver o Chanyeol definhar, quer? Porque é isso que vai acontecer se ele não tomar a merda do remédio agora!

– Então venha aqui em casa e enfie os remédios na goela dele você mesmo.

– BAEKHYUN! – ele berrou. – Não seja imbecil! Ele precisa tomar agora, é a saúde mental dele que está em jogo. O Chanyeol tem muitos problemas, a mente dele não vai aguentar ficar sem...

– Acho que o único problema dele são esses remédios – respondi acidamente, o cortando. – Eles estão o deixando doente. Estou suspeitando que alguém os trocou. Você conhece bem o psiquiatra que os receitou?

– O conheço muito bem – embora sua voz estivesse mais baixa, era notável que ele falava entredentes. – É o melhor psiquiatra de Busan, trata de mim há muitos anos. Ele sabe o que faz, estudou para isso. Não dê uma de médico, você não sabe de nada além de limpar peixe e varrer o chão.

O quê? Eu tinha escutado mesmo aquilo?

– O que você disse?

Ele suspirou.

– Me desculpa, Baekkie. Estou nervoso, só isso.

– Nervoso por quê?

– Porque você não sabe como o Chanyeol fica quando está sem os remédios.

– Acho que sei, sim. Ele está absolutamente bem.

– Quer saber? Estou indo imediatamente para a sua casa. O Chanyeol vai tomar esse remédio hoje!

E então desligou. Droga, eu não queria que Kyungsoo estragasse minha tarde “perfeita”.

Retornei à cozinha e Chanyeol picava cebolinha com um sorriso nos lábios.

– Quem era no telefone, amor? Seus pais?

– Não... – engoli a saliva. – O Kyungsoo. Ele está preocupado e quer você tome os remédios. Está a caminho para poder te convencer.

Ele largou a faca na mesa e me olhou com reprovação.

– O que você disse a ele?

– Nada demais.

– Nada demais não o faria vir aqui. Não tinha que ter contado nada.

– Desculpe, Chanyeol, mas eu não consigo crer que ele possa ser maldoso. Talvez ele esteja certo e essa sua sensação de estar bem seja passageira. Se for, você se sentirá culpado por acusar o Kyungsoo de algo tão cruel.

– Você não acredita em mim.

– Não é assim, eu...

– Foi uma afirmação, eu sei que não acredita em mim. Mas o resultado do teste dirá que eu estou certo.

Eu me via completamente dividido. Eu queria acreditar em Chanyeol, mas não conseguia. Mesmo que seja “intrigante” o fato de Kyungsoo ter transado com ele. Eu tento não pensar muito nisso para não ficar com raiva. E irei conversar com Kyungsoo para saber por que diabo ele se deitou com Chanyeol se ele diz não sentir mais nada por ele.

 

 

~~ * ~~

 

Chanyeol tinha feito uma salada de legumes a vapor com macarrão “gravatinha”. Admito que ficou muito boa, mas como sou crítico, eu disse que estava razoável. Antes que eu terminasse de comer, no entanto, a campainha tocou. Chanyeol fez cara feia, pediu para que eu não atendesse, mas eu não lhe dei ouvidos.

Ao abrir a porta, Kyungsoo sorriu sutilmente.

– Entre – convidei, o deixando passar. – O Chanyeol fez uma salada muito boa.

Em silêncio, ele seguiu até a cozinha, onde Chanyeol se encontrava comendo o resto da salada. Este lançou um olhar ameaçador para Kyungsoo. Sua expressão foi de dar medo.

– Chanyeol... – usou uma voz aveludada ao se aproximar e tocar seu ombro. – Você está bem?

– Nunca estive melhor – respondeu entredentes, com os olhos raivosos. – Mas agora que você está aqui, estou me sentindo mal.

– Chanyeol! – o repreendi.

– Tudo bem – Kyungsoo sorriu brevemente para mim e então se voltou para o outro. – Chanyeol, por favor, me escute... você precisa dos medicamentos. Se tomá-los agora, prometo não voltar mais aqui.

– Eu não vou tomá-los e você não vai mais voltar aqui – falou com uma convicção intimidadora. – Aqueles remédios me fazem mal, e algo me diz que você sabe disso.

Pobre Kyungsoo, sua expressão foi verdadeiramente indignada.

– O que você quer dizer com isso?

– Você me entendeu.

– Não, não entendi!

– Não se faça de burro. Você é esperto como uma raposa.

Eu tive que interromper. Aquelas palavras magoariam Kyungsoo e ele sofreria sozinho depois.

– Vamos parar com isso – eu olhava diretamente para Chanyeol. – Você não pode acusá-lo assim.

– Não o defenda, Baekkie. Ele é um traidor!

– Por que está fazendo isso? – indagou Kyungsoo com a voz já chorosa. – O que deu em você?

Um sorriso maldoso surgiu nos lábios de Chanyeol e ele se levantou para parecer mais intimidador.

– Conte a ele, Kyungsoo. Conte ao Baekhyun sobre aquela noite – ele o olhava de um jeito tão compenetrado que até eu me senti ameaçado. – Você o considera seu melhor amigo, mas dorme com...

– Com quem? – Kyungsoo o cortou. – Você não é nada dele, Chanyeol. Você não é o namorado do Baekhyun, então eu não o traí.

– Traiu! – retrucou com raiva. – Você sabe que ele gosta de mim. Não se faça de vítima, seu porco!

Achei que Chanyeol fosse avançar nele, então me intercalei entre os dois. Kyungsoo chorava sutilmente, e me doeu vê-lo chorar. Eu queria uma resposta. Queria saber o porquê de ele ter dormido com Chanyeol. Mas tal pergunta não seria feita naquele momento.

– Acho que é melhor você ir para casa, Kyung – apaziguei. – O Chanyeol está nervoso.

 

Ele limpou as lágrimas para então responder:

– Isso é só o começo. Em breve ele perderá completamente o controle. De uma vez por todas – seu olhar alternava entre Chanyeol e eu -, a mente do Chanyeol é doente, ela precisa ser tratada. A mente prega muitas peças, lembrem-se disso.

Ele virou de costas e seguiu sozinho o caminho para fora. Assim que escutamos a porta sendo fechada, os braços de Chanyeol me envolveram, se prendendo à frente do meu corpo.

– Não se deixe levar por ele – disse rente à minha nuca. – Eu vou te provar que estou certo, então fique do meu lado.

– Mas e se ele estiver certo? – questionei. – E se você piorar?

– Não vou – ele beijou minha nuca. – Eu prometo que nunca mais me verá daquele jeito. Posso ter ataques de fúria, posso querer me isolar e posso, às vezes, ter desejo de morrer. Mas eu nunca mais ficarei alucinado daquela forma.

Eu queria muito acreditar nele. Mas Kyungsoo tinha razão, a mente prega muitas peças.

 

~~ * ~~

 

Durante a madrugada eu tive uma recaída e tanto. Chanyeol e eu nos beijamos por horas, e isso obviamente desencadeou em alguns toques. Mas não passamos da masturbação, porque tive medo de acordar Sehun com meus gemidos. Eu não consigo controlá-los quando sou tocado por Chanyeol.

Dormi bem, mas dormi apenas cinco horas. Ao amanhecer, minha mãe me acordou para ajudá-la a fazer um bom café da manhã para Chanyeol. Fui obrigado a fazer um ensopado de peixe. Quando acordou, Chanyeol foi diretamente comer. E é claro que ele ficou mais uma vez impressionado com meus dotes culinários.

– Você deveria mesmo fazer gastronomia – disse Chanyeol em sua segunda tigela de ensopado. – Quem sabe um dia você não abra seu próprio restaurante?

– Eu queria fazer. Mas para abrir um restaurante, eu preciso juntar muito dinheiro.

– Eu tenho muito dinheiro. É só se casar comigo.

Sehun, que estava conosco à mesa, gargalhou. Ainda bem que meus pais já tinham ido trabalhar.

– Eu quero conseguir as coisas pelo meu próprio esforço. Odeio depender das pessoas.

– Orgulho não leva a lugar nenhum, Baekkie.

– Ele tem razão – Sehun concordou. – Qual é a utilidade de casar com o Chanyeol se você não desfrutar do dinheiro dele?

Chanyeol lhe fez um merong (ato de mostrar a língua).

– Eu farei administração. Quero cuidar dos negócios dos meus pais.

– Pode cuidar dos meus negócios também – Chanyeol ofereceu. – Poderíamos trabalhar juntos administrando a Seongbuk S. A.

– Acho que isso é muita responsabilidade para mim.

Chanyeol emburrou-se.

– Você não quer ter um futuro comigo, Baekhyun?

Argh... ele tinha se chateado.

– Claro que ele quer – Sehun respondeu por mim. – É apaixonado por você e eu também. E eu aceito trabalhar administrando sua fortuna.

– Acho que você faria um rombo maior do que já fizeram.

– Que rombo? – perguntei.

– Deixa para lá. Não é um assunto a ser tratado no café da manhã.

Hm... então a família de Chanyeol tinha mesmo perdido dinheiro. Eu queria saber de tudo, mas realmente não era uma boa hora para falarmos sobre aquilo. Já bastava o problema com Kyungsoo rondando minha cabeça.

Depois que Sehun saiu para a escola, Chanyeol e eu ficamos de chamego no sofá. Ele alisava meu rosto e beijava cada hematoma que tinha nele. E falava toda hora que queria se casar comigo. Achei esse papo muito chato.

– Eu não vou me casar tão cedo – era a terceira vez que eu falava isso.

– Podemos nos casar quando terminarmos a faculdade – ele beijava meu pescoço como se isso fosse mudar a minha opinião. – Nos damos tão bem morando juntos. Eu quero poder ficar assim com você todos os dias.

– Não precisamos morar juntos para isso.

– Precisamos, sim!

– Não!

– Baekkie! – fez carinha de cão arrependido. – Você não tem noção de como é solitário lá em casa. Eu só vejo os meus pais uma vez no mês e olhe lá. É horrível viver naquela casa.

– Por que você não compra uma casa menor?

– Porque eu me sentiria igualmente sozinho. Eu preciso de você comigo para me sentir bem.

Eu o entendia e sentia pena. Tenho que admitir que seria um sonho morar com ele, dormir agarradinho todos os dias. Mas não era tão fácil quanto parecia.

– Se tudo der certo entre nós dois, moraremos juntos num futuro. Agora é cedo demais.

– Baekhyun, eu não consigo viver sem você – ele falava com certa dor. – Eu sinto que vou me sufocar de solidão se tiver que voltar para a minha casa.

Senti vontade de pôr ele no colo e ninar. Chanyeol era um garoto extremamente solitário e carente, tem tudo, mas não tem nada. Isso é um dos motivos de eu querer segurá-lo e nunca mais o largar.

– Você pode vir todos os dias, Channie – eu lhe dei um breve selinho. – Poderá me ver quando quiser.

Ele ficou um momento em silêncio, e então sorriu abertamente.

– Eu tive uma ideia.

Ai, Deus.

– Que ideia?

– Eu vou pedir permissão aos seus pais para morar aqui. Eu faria mais um quarto só para nós dois. O que acha? É genial!

– Isso foi a maior besteira que você já me disse. Você não pode morar aqui!

– E por que não? Seus pais e seu irmão me adoram.

– Você tem a sua casa e os seus pais. Não pode simplesmente se mudar para cá.

– Claro que eu posso. Meus pais não vão saber mesmo.

Antes que começássemos uma discussão, o celular dele tocou. Fiquei ansioso quando vi que era o psiquiatra. Os testes tinham ficado prontos e poderíamos ir buscá-los.

 

~~ * ~~

 

O Dr. Won quis entregar o resultado dos testes pessoalmente. Nos recebeu gentilmente em sua sala e nos ofereceu balinhas. Chanyeol estava ansioso demais para comer qualquer coisa. Com suas pernas balançando impacientemente, ele foi direto ao ponto.

– Então, o que descobriu?

O Doutor parecia um pouco apreensivo.

– Você estava certo, Chanyeol. Estes remédios não são o que diz no rótulo.

Chanyeol me olhou como se dissesse “eu estava sendo sincero” e eu comecei a me sentir mal a partir deste ponto.

– O que são esses remédios, afinal?

– São uma combinação “fatal” – ele fez o movimento de aspas com os dedos. – Não vão exatamente te matar, mas transformam sua cabeça num liquidificador.

– São alucinógenos? – perguntei.

– Em parte – seu tom de voz tornou-se sombrio. – Esses remédios são manipulados. Dois deles são Amitriptilina, um antidepressivo tricíclico. Um de seus efeitos colaterais são psicose, alucinações e tendências suicidas. Mas a dose de cada comprimido é muito baixa.

– E o que tem de estranho nisso? – questionei. – É normal que receitem para o Chanyeol antidepressivos.

– Sim, mas isso não é o estranho.

– E o que é? – foi Chanyeol quem perguntou. – Não pode ser só isso.

O Dr. Won, que estava com os quatro frascos dispostos sobre a mesa, pegou dois deles e ergueu para nós.

– Estes aqui são feitos de uma planta com propriedades alucinógenas. A dosagem também baixa, mas...

A pausa que ele deu nos deixou bem nervosos.

– Mas o quê?

– Estes medicamentos, mesmo que em dosagem fraca, quando tomados juntos podem causar psicose, alucinações, paranoia e outros sintomas. Eles jamais deveriam ser tomados juntos. Na verdade, o único remédio legal aqui é a amitriptilina. O seu psiquiatra deve ser denunciado.

Senti como se uma música de suspense tivesse tocando na minha cabeça. A teoria de Chanyeol estava cada vez mais precisa. Mas isso não queria dizer que Kyungsoo estivesse por trás de tudo.

Não podia ser...

 

~~ * ~~

 

 

Um cheque foi o suficiente para calar o Dr. Won. O que me fez desconfiar de que o mesmo possa ter sido feito com o psiquiatra de Chanyeol. Talvez não fosse Kyungsoo, e sim as pessoas que querem se vingar da família Park. Isso me parece meio óbvio. O que não entendo é a cisma de Chanyeol em acusar Kyungsoo. Por que será que ele quer tanto incriminá-lo?

Bem, levou alguns minutos para eu encaixar as peças. Eu estava inventando teorias conspiratórias como Chanyeol, mas a minha fez muito mais sentido. Chanyeol queria incriminar Kyungsoo só para desviar a minha atenção do que ele tinha feito de “ruim”. Agora que estávamos bem, ele não queria que seu erro em transar com Kyungsoo estragasse tudo. Sim, fazia muito sentido. Mas ainda acho meio cruel o Chanyeol incriminar o melhor amigo, mesmo que, em sua concepção, ele mereça.

Estávamos a caminho da casa de Kyungsoo. Com as provas em mãos, Chanyeol o colocaria contra parede. E eu só aceitei participar porque queria observar e tirar as minhas próprias conclusões.

Quem estava mentindo? Chanyeol ou Kyungsoo?

 

~~ * ~~

 

A casa de Kyungsoo é tão grande quanto à de Chanyeol e Jongin. Eu tinha dormido lá apenas uma vez porque Kyung preferia ficar na minha casa.

Não estranhei quando Chanyeol tirou do bolso um molho de chaves e abriu a porta sem maiores problemas. Era tão abusado que dispensou com um movimento desdenhoso de mãos um empregado que veio nos recepcionar.

Seguimos diretamente até o quarto de Kyungsoo. Quando alcançamos o corredor, escutamos duas vozes que pareciam discutir. Chanyeol e eu nos entreolhamos, ele pegou a minha mão e nos aproximamos sutilmente da porta do quarto, não fazendo barulho algum para escutar o que diziam.

Eu reconheci imediatamente a voz de Jongin.

– Você é muito burro, Kyungsoo! – tivemos que encostar a orelha na porta para escutar, mas eu conseguia perceber que Jongin estava com raiva. – Sua atitude não foi nem um pouco sutil. Agora mesmo que o Chanyeol vai suspeitar de alguma coisa e não vai tomar os remédios.

Chanyeol apertou a minha mão, estava suada como a minha.

– Eu agi por impulso porque fiquei muito nervoso, Jongin! – a voz de Kyungsoo, por outro lado, estava tipicamente chorosa. – O Chanyeol já está há mais de 48 horas sem tomá-los. Eu precisava fazer alguma coisa.

– E agiu da pior forma possível! Você foi hostil e perdeu o controle. Pode ter posto tudo a perder!

– Não fale assim comigo, Jongin... eu só estou fazendo isso porque te amo.

E então os soluços de Kyungsoo ecoaram pelo quarto.

Continua...


Notas Finais


Opa! shusahauhs Acho que só iremos entender tudinho no próximo! Aliás, ele provavelmente demorará a sair porque terei muita coisa para escrever. Acho que vai ficar bem grande.
Agora preciso me arrumar para sair!
Ah! Postei uma nova Chanbaek esses dias --> https://spiritfanfics.com/historia/directs-para-chanyeol-6725502
Espero que tenham gostado!! Obrigada por ler <3
Beijãooo >3<


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