História O quão amável você é - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Casal, Drama, Jovens, Romance
Visualizações 50
Palavras 1.570
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Início


— Eu só acho que você deveria...não sei, ter menos medo de falar, talvez.

Levantei as sobrancelhas.

— Menos medo de falar?

Ele concordou completamente sincero. Eu ri não acreditando naquilo que estava sendo obrigada a ouvir e logo de quem eu ouvia aquilo. Eu não tenho medo de falar, eu só não falo porque não quero! Afirmei para mim mesma tentando acreditar realmente nas minhas ideias.

— Quem é você pra me falar isso, Rui?

Ele pareceu não entender.

— Eu só estou tentando ser um bom amigo.

— Amigos.

Resmunguei baixo, irritada demais para continuar aquela discussão.

— Mas ué, não somos amigos, Clarinha?

Ele riu. Revirei os olhos e voltei a olhar para frente. As gotas incessantes de chuva escorriam pelo vidro do carro. Aquela chuva havia começado fazia uma hora. Duas horas que estávamos parados dentro daquele carro, no meio daquela estrada. Faziam duas horas que eu estava tensa, morrendo de medo daquela escuridão do redor. Dei uma olhada em meu celular, ainda sem sinal. Bufei.

— Nem adianta tentar mais.

Rui resmungou do meu lado girando a chave na ignição pra tentar ver que o painel havia voltado a acender, o que significaria que a bateria estava de volta.

— Eu não aguento mais!

Bati meus braços ao meu lado no banco.

— Eu não tenho culpa dessa chuva.

Ele se defendeu.

— Mas tem culpa dessa bateria ter arriado agora.

 Rui bufou me ignorando. E eu resolvi continuar.

— É, é isso Rui, até agora eu não briguei com você por isso...

Ele me olhou com as sobrancelhas levantadas.

— Não brigou comigo por isso? Você nem tem que brigar comigo por isso, Clara! Ta doida?

Ele afirmou ainda aparentemente tranquilo.

— É ué, esse seu carro é consideravelmente novo, e a bateria acabou. Como isso?

Rui encolheu os ombros e voltou a olhar pela janela.

— Ta vendo?

Eu falei algo.

— Mas o que, meu Deus?

Ele perguntou mais cansado do que irritado.

— Eu quero brigar! Eu quero brigar com você antes que enlouqueça aqui quieta dentro desse carro. Como pode? Eu to cansada. Estamos aqui parados faz duas horas. Cadê o guincho que você disse que viria?

Ele encolheu os ombros novamente, enquanto coçava um dos olhos com as costas da mão. A forma como ele se mantinha calmo e intocável enquanto eu enlouquecia, me deixava mais furiosa.

— Ué, como vou saber? Eu liguei, se eles estão vindo já não sei.

Continuei reclamando.

— Eu quero ir embora!

— Não tem como, querida.

Ele falou ironicamente.

— Como a bateria morre assim?

— Eu não sei Clara, essas coisas acontecem!

A chuva continuava forte.

— Vou sair daqui.

Abri a porta, a chuva começou a entrar no carro, antes que colocasse um pé para fora, senti o braço de Rui sobre mim ir direto à porta para puxá-la de volta.

— Vai molhar meu carro, caramba.

Ele bradou.

— Me deixa sair daqui, Rui.

Voltei a tentar abrir a porta, mas ele continuava inclinado segurando a porta com seu braço pesando sobre minhas pernas. Empurrei seu braço, mas não adiantou nada.

— Eu vou te dar uns tapas.

Ele gargalhou.

— Pra menina que tem medo de falar...

— Eu não tenho medo de falar!

Eu gritei. Belisquei seu braço. Ele segurou onde havia ficado vermelho, soltou a porta me dando oportunidade de abri-la e descer do carro. Bati a porta de volta, a chuva era torrencial, coloquei a touca da blusa e olhei ao redor, vendo as luzes da estrada um pouco a frente. Havíamos sido mandados para aquele meio do mato para coletar dados de um terreno para nosso projeto da faculdade. Éramos os mais novos e os responsáveis pela pesquisa, então o trabalho pesado sempre ficava conosco. Uma vez bixo, sempre bixo. Minha bota afundou na lama. Levantei o pé tentando caminhar com dificuldade e enxergar o que havia na frente. Ouvi a porta do outro lado bater, parecendo muito longe, mas era apenas o som alto da chuva que abafava todos os outros.

— Você é... ?

Ele gritou algo do outro lado da caminhonete que não consegui ouvir.

— Que?

Gritei de volta.

— Você é louca!

Coloquei o dedo na orelha indicando que eu não estava ouvindo. A chuva escorria pelo meu rosto. Sentia meu corpo inteiro congelar. Eu continuei andando e ignorando Rui com certo prazer. Senti uma mão agarrar meu braço, olhei para o lado para vê-lo me arrastando. O empurrei.

— Eu to tentando te ajudar, cassete.

Ele gritou dando alguns passos para trás com meu empurrão. Continuei andando. Cheguei a beira da estrada depois de passar por entre dois arames, e olhei para trás para procurar Rui ainda chegando à cerca. Levantei o arame para ele que por ser bem maior que eu, teve dificuldade para passar. Rui me encarava como se fosse me empurrar na frente daqueles carros a qualqur momento. Ele esticou a mão para pedir carona ao primeiro carro que passasse. Eu abaixei seu braço quase pulando sobre ele.

— Ta fazendo o que?

Gritei segurando seu pulso com as duas mãos.

— Pedindo carona.

— Pra um estranho?

Rui parecia confuso com a minha pergunta.

— Tem outra opção?

Ele voltou a esticar a mão.

— Mas e se for perigoso?

Ele fez uma careta.

— Perigoso por que? Você já saiu do carro mesmo, prefere pedir carona ou ser atropelada no meio fio?

— Porque ele pode ser um assassino, serial killer, não sei. Prefiro ser atropelada!

Rui revirou os olhos. Tocou no meu queixo.

— Para de ser medrosa.

Um caminhão freou parando um pouco na nossa frente. Olhei para Rui assustada, enquanto ele sorria. Ele agarrou meu braço e me puxou correndo para a cabine da frente do caminhão. O homem abriu a porta para nós. Rui me empurrou para entrar primeiro, me empurrando para cima segurando minha cintura e me fazendo conseguir tocar o pé nos degraus e agarrar-me ao corrimão. Meu pé escorregou e senti que iria cair, mas Rui continuava me segurando. Consegui entrar na cabine quente e iluminada, dando de cara com o caminhoneiro idoso. Rui apareceu logo depois entrando e fechando a porta. Tirei a touca.

— Obrigado. Muito obrigado, senhor. Sou Rui, prazer.

Ele falou esticando a mão para que o homem a apertasse. Sendo simpático.

— Antônio. – Ele disse de volta. – E você, menina?

Perguntou pra mim.

— Clara, me chamo Clara.

Respondi rápido e depois pensei que talvez Rui estivesse certo e eu tenho medo de falar. Mas eu só esquecia que precisava falar, não que tivesse medo.

— O que vocês estavam fazendo nessa chuva lá fora, na beira da estrada?

Rui passava a mão nos cabelos enxarcados.

— Nosso carro quebrou, e o seguro nunca chega. Precisamos arranjar algum lugar para pedir ajuda, ao menos. O senhor conhece algum lugar?

O homem concordou olhando para a estrada já que havia começado a dirigir.

— Tem um hotel na beira da estrada, posso deixar vocês lá, é daqui a uns dez quilômetros.

— Está ótimo. Obrigado.

O homem se calou durante um tempo, fazendo um silêncio estranho nos envolver. Eu tremia tentando conter meus dentes que queria se bater. Olhei para Rui ao meu lado que encarava a estrada. Eu me joguei mais para seu lado, me aproximando dele que perceber. Rui me olhou com os cabelos encharcados penteados para trás. Ele levantou o braço o passando por cima de mim para tentar, de alguma forma, me esquentar. Mas ele estava tão molhado quanto eu.

— Vocês teriam que andar bastante. Deram sorte.

O caminhoneiro falou nos percebendo calados.

- É, o senhor que nos livrou de tudo isso.

Rui respondeu enquanto o homem ria e continuava.

- Vocês estavam no meio do campo? Eu vi vocês saindo lá do mato.

O homem continuou.

- Nós estávamos fazendo um trabalho da faculdade...

Antes que ele pudesse terminar, o homem riu dizendo um:

- Hum, sei...já fiz muitos trabalhos também no campo. 

Ele nos lançou um olhar malicioso. Encarei Rui com os olhos arregalados tentando entender o que o caminhoneiro queria insinuar com aquilo, mas Rui parecia já ter entendido e riu pelo nariz negando com a cabeça..

- Nós estudamos agronomia, por isso estávamos no campo. Coletando amostras.

O homem concordou, parecendo entender que não fazíamos nada de errado ou ilegal ali.

- Bom...entendi.

Rui era quem respondia o homem, enquanto eu olhava para minhas mãos roxas e sentia a roupa gelada e molhada colando em meu corpo. O motorista percebeu que eu tremia de frio.

— Pega aquele cobertor ali pra menina, rapaz.

Ele apontou para mais pra trás da cabine. Só assim Rui percebeu que eu estava batendo o queixo.

— Não precisa não, senhor.

O homem me ignorou e continuou apontando para onde estava.

— Ali.

Rui se curvou no banco para alcançar o cobertor o abrindo e jogando sobre meus ombros.

— Valeu.

Ele puxou um pedaço do cobertor para ele, me deixando com menos.

— Mas me expliquem melhor o que estavam fazendo ali.

Perguntou o homem de barba mal feita e cabelos acinzentados e fartos.

— Estávamos pegando dados em um campo aqui do lado, nós estamos no processo de começar um projeto científico.  Ai como faltou algumas informações, nos mandaram buscar aqui, mas deu da bateria do carro acabar.

Eles continuaram a conversa amistosa, como bons colegas em um churrasco. Eu ainda sentia frio, mas minha cabeça pendia para trás enquanto meus olhos estavam cansados. Apoiei minha cabeça em algo ao meu lado, senti o corpo de Rui mais quente e percebi que me encostava nele. Logo perdi a consciência, dormindo depois de 22 horas sem pregar os olhos.



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