História O quão amável você é - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Casal, Drama, Jovens, Romance
Visualizações 29
Palavras 1.933
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Piscada


— Ei, Clara. Acorda!

Abri os olhos sentindo meu corpo balançar. Estava apoiada em seu ombro, enquanto Rui me chacoalhava. Ainda estávamos dentro do caminhão, mas agora ele estava parado em frente a uma casa antiga, de uns três andares, iluminada e cercada por caminhões estacionados.

— Chegamos no hotel. Vamos descer agora.

Ele me explicou conforme notou como eu parecia confusa. Olhei para o senhor ao meu lado, tirei o cobertor de meus ombros e agradeci.

— Muito obrigada pela carona, o senhor salvou a gente.

O homem riu.

— Sem problemas, filha. Boa sorte pra vocês.

Rui agradeceu também e desceu primeiro do caminhão afundando sua bota na poça de água na beira da pista. A chuva ainda continuava forte. Ele estendeu os braços para me ajudar a descer, apoiei meu pé no degrau e segurei na porta do carro tentando não precisar de sua ajuda, mas irritado e sem paciência, Rui segurou minha cintura, me jogou sobre seu ombro enquanto eu me debatia e mais pra frente me colocou no chão. Lhe dei um tapa no braço. O motorista saiu buzinando para nós.

— Qual seu problema?

Perguntei pra ele que apenas me ignorou, me puxando pelo braço e indo em direção à casa.

— Eu sei andar!

Puxei minha mão da sua.

— Como você é chata, meu Deus. - Ele bradou, se mostrando realmente irritado pela primeira vez, enquanto eu já passava desse estágio. – Espero que tenham dois quartos para ficarmos separados nesse hotel. Puta merda, não te aguento mais.

— Então estamos quites.

Ficamos em silêncio. Cruzamos a porta, sentindo um ar quente e abafado vir de dentro da casa iluminada, enquanto nós pingávamos água. Um homem atrás de um balcão nos olhava interessado em nossa situação de calamidade.

— Oi, boa noite. – Rui começou colocando as mãos no balcão. – Nós precisamos de um quarto...

— Dois.

Eu corrigi. O homem franziu o cenho e olhou para um caderno velho. Pegou as chaves em um painel atrás dele e nos estendeu. Quartos 10 e 11.

— Posso acertar amanhã? Ficaremos só até amanhã de manhã, provavelmente.

O homem concordou sem falar nada. Rui me olhou achando estranho.

— Obrigada.

Agradeci e procurei pelas escadas por onde pudesse subir. Queria tomar banho e dormir. Rui me seguiu em silêncio, nenhum dos dois ousava falar com o outro. Entrei no quarto enquanto ele ainda tentava abrir o dele. Observei a cama, e a Tv pequena e de tubo sobre uma cômoda antiga, as paredes forradas de papéis de parede floridos, e um abajur brega do lado da cama.

— Bom...

Resmunguei comigo mesma. Procurei por outra porta que pudesse ser o banheiro, mas não tinha. Simplesmente, não havia outra porta. Saí com rapidez, fui ao quarto do lado e abri a porta sem nem bater, Rui me olhou assustado ainda parado no meio de seu quarto.

— Não tem banheiro.

Comentei.

— Eu percebi.

Ele respondeu.

— E agora?

Rui deu de ombros.

— Deve ser coletivo, sei lá. Deve ter no final do corredor. - Arregalei os olhos. — Para de frescura vai, não era você quem sempre quis dormir em um hotel barato e fazer viagens sem rumo?

— É diferente...

Rui virou as costas me ignorando e procurando algo.

— Rui.

Chamei.

— O que é, Clara?

Falou impaciente.

— Como eu vou tomar banho?

Ele revirou os olhos. Pegou a toalha que estava sobre sua cama, caminhou até mim me entregando e depois me empurrando para fora do quarto.

— Mas você é um imprestável mesmo!

Eu falei tentando controlar o grito conforme a porta fechou, ela se abriu rapidamente.

— Você quer o que? Que eu tome banho com você?

Rui falava mais alto.

— Claro que não!

Bati meu pé. Ele continuava me encarando com a mão na maçaneta não deixando a porta fechar, como se esperasse alguma outra reivindicação minha.

— Então o que?

Olhei para os lados do corredor vazio, todos pareciam dormir, se é que tinha gente naqueles quartos.

— Eu to com medo.

Admiti em voz baixa. Rui fez uma careta.

— Medo do que, caramba?

— Fala baixo!

Ele revirou os olhos. Segurou meu braço e me puxou pelo corredor deixando sua porta bater.

— Pronto, vamos.

Ele resmungou.

— Mas, espera...

Tentei frear, mas Rui era mais forte que eu. Já estávamos na porta do que achávamos ser o banheiro. Ele ainda não havia soltado meu braço, abriu a porta e observamos o cômodo pequeno, com um chuveiro e uma banheira no fundo, uma privada amarelada e uma pia com um espelho quebrado. Entrei lentamente no banheiro e olhei direito para as coisas, haviam pelos de barba - eu espero que sejam de barbas - espalhados pela pia. Rui estava atrás de mim olhando para a sujeira parecendo tão enojado quanto eu.

— Eu sou fresca?

Perguntei enquanto ele passava por mim para ver a banheira.

— Cara, tem uma banheira aqui!

Ele estava comemorando. Minha boca abriu e fechou sem saber o que dizer, comecei a rir.

— Você ta brincando, né?

Ele abriu o chuveiro e deixou a água cair. Tirou a mão rapidamente.

— Ta quente pra caramba. - Rapidamente o vapor começou a tomar todo o lugar. - Você vai ter que tomar banho com a porta aberta.

Rui começou a gargalhar.

— Sai daqui!

Exclamei, o empurrando para a porta enquanto ele ainda ria sem parar.

— Mas não vai embora, fica na porta.

Pedi, ainda com medo.

— Que? Por que?

Ele perguntou realmente confuso, sem entender o porque daquele meu medo.

— Porque sim, Rui! Fica aí, por favor.

— E eu vou ficar aqui do lado de fora fazendo o que? Nada?

Eu sabia que ele não iria ficar, nunca tinha direito de esperar nada de Rui.

— Por favor...

Eu pedi quase chorando. Ele coçou a nuca, com cara de poucos amigos, nada feliz com a situação, concordou com muito custo.

— Mas vai logo!

Ele provavelmente iria cansar daqui cinco minutos e descumprir o prometido. A roupa havia praticamente colado em meu corpo. Minha calça jeans estava gelada e dura. Minha camiseta estava transparente e a blusa de frio da universidade era a coisa mais seca que eu tinha, apesar de tanta chuva tomada principalmente por ela. Minha bota saiu do meu pé derramando água e minha meia nem queria sair do pé. Sentia meus pés como dois cubos de gelo. Pisei naquela banheira escorregadia torcendo meu nariz ao ver as crostas amareladas em sua borda. E eu jurava que não era uma pessoa fresca pras coisas, mas aquilo era exigir demais. Senti a água quente escorrer pelas minhas costas, molhar todo meu cabelo que estava duro por conta da água gelada da chuva e depois ter secado. Havia um sabonete cheio de pelo que não pude colocar a mão. Procurei por outro dentro de alguma gaveta do gabinete abaixo da pia, encontrei um pacote e comemorei como se tivesse ganhado na loteria. Usei aquele sabonete e o vi diminuir consideravelmente de tanto que o passei sobre minha pele. Abracei a toalha assim que terminei o banho. O vapor fazia eu me perder pelo pequeno banheiro e sentir até uma certa claustrofobia. Me vesti rapidamente, colocando apenas da lingerie e minha camiseta comprida ainda gelada e um tanto molhada. Ela ia até minhas coxas, o que me fez enrolar a toalha em minha cintura. Ouvi duas pancadas na porta.

— Clara, tem gente querendo usar o banheiro.

A voz de Rui estava estranha, condensada e entre dentes. Agarrei minhas coisas encharcadas e destranquei a porta. Deixei o vapor inundar o corredor quando abri a porta e dei de cara com Rui e um homem baixinho, gordo e barbudo. Ele me olhou dos pés a cabeça.

— Boa noite. - Falei. – Desculpe a demora.

O homem sorriu mostrando uma falta de dentes, do canino direito.

— Sem problemas, lindinha.

Olhei discretamente para Rui que segurou o riso. Passei por eles, o mais longe possível do homem, batendo no ombro de Rui e o arrastando para longe, para poder voltar ao quarto. Entrei na primeira porta que me lembrei.

— Que cara nojento!

Exclamei.

— Realmente, até eu tive que concordar.

Ele ria.

— Então por que ta rindo, seu cretino?

Ele gargalhou mais se jogando na cama de costas e olhando para o teto enquanto encaixava suas mãos abaixo de sua cabeça.

— Porque foi engraçado, ué. Te ver sendo cantada por um velho asqueroso.

Sentei na beirada da cama.

— Seu cabelo ta pingando.

Rui reparou ao se sentar. Os cachos do meu cabelo davam voltas, mas mesmo assim a água escorria por eles como em um tobogã.

— Eu sei.

— Então seca.

Ele falou obviamente.

— Me dá outra toalha então.

— Não tem outra aqui, esse é meu quarto, deve ter um no seu.

— Não tinha.

Eu rebati.

— Então seca com essa mesmo, caramba.

— Mas eu to usando ela.

— E ta molhando toda a minha cama.

Levantei abruptamente ainda segurando a toalha em minha cintura, deixando toda a roupa que segurava nas mãos, no lugar onde eu estava na cama. Notei as gotas que caíram de meu cabelo e encharcaram a cama.

— Viu?

Rui reclamou apontando.

— Mas eu não tenho outra toalha, Rui!

Bati o pé.

— Mas que saco. Usa essa, Clara!

Ele esticou o braço para puxar a toalha de minha cintura.

— Não Rui, eu não tenho nada por baixo!

— Nada? Nem calcinha?

— Claro que não. Isso eu tenho.

Respondi, e isso fez ele esticar mais ainda o braço para puxar.

— Então usa essa tolha! Acha o que? Que eu vou ficar olhando pra sua bunda?

— Mas... pára com isso!

— Seu cabelo ta pingando no carpete agora!

Ele gritou.

— Deixa meu cabelo assim! Por que você liga tanto pra um carpete molhado?

Eu gritei de volta. Rui puxou a toalha e jogou na minha cara.

— Seca isso.

Olhei para baixo para ver minha camiseta que chegava em minha coxa.

— Sua camiseta ainda cobre sua bunda, e tava com essa frescura toda pra que?

Sentei na cama ao seu lado.

— Você é um idiota.

— Eu to te ajudando a não ficar doente.

Ele contestou.

— Para de tentar me ajudar, Rui.

Ele bateu as mãos na cama.

— Mas olha só quem ta me falando isso. Quando a gente se conheceu você disse que ninguém te ajudava na faculdade...

— Você dizia a mesma coisa!

Interrompi.

— É, por isso a gente resolveu ficar amigos, por sermos úteis um ao outro.

O encarei com as sobrancelhas levantadas.

— Espera, então só somos “amigos” – fiz sinal de aspas com os dedos. – por que eu sou útil pra você?

Ele concordou.

— E eu pra você.

Senti a raiva subir.

— E você me é útil pra que?

Eu perguntei o provocando.

— Pra ser seu porto seguro.

Fiz uma careta.

— Porto seguro?

Ele encolheu os ombros, parecendo óbvio.

— Desde quando você é um porto seguro pra mim, Rui?

— Desde sempre, Clara. Desde que a gente se conheceu.

Eu ainda não entendia.

— O que você ta querendo...eu não...Chega. - Decidi parar aquela conversa por ali. - Estou cansada de você.

— Mas sou útil a você, esqueceu?

Travei meu maxilar com raiva. Dei um tapa forte em seu ombro que o fez resmungar de dor. Levantei com a toalha na mão me encaminhando para a saída.

— Que bundinha ein?!

— Vai se ferrar!

Gritei abrindo a porta.

— O velho vai te pegar.

Ele gargalhou ainda de sua cama, sentado com os braços apoiados ao lado do corpo, um pouco inclinado para trás confortavelmente. Bati a porta novamente, com medo do homem estar no corredor. Dei alguns passos para trás e enrolei a toalha em minha cintura novamente.

— Eu te odeio.

Falei saindo do quarto.

— Também te amo, amiga.

Rui deu uma piscadela e bati a porta ao ver seu ato tão comum que ele sempre fazia, desde quando ele apareceu.



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