História O quão amável você é - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Casal, Drama, Jovens, Romance
Visualizações 29
Palavras 1.523
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - No começo


Os dois nunca fizeram questão de saber muito um do outro, não faziam perguntas profundas sobre suas vidas, viviam apenas aquele dia como dois conhecidos estranhos. Clara achava que era desinteresse da parte do garoto, mas agradecia por isso, pois odiava responder perguntas. A primeira coisa que aconteceu quando ela chegara na cidade foram as milhares de perguntas de curiosos que ela sentia-se coagida em responder. Reclamara milhares de vezes à mãe que não aguentava mais responder perguntas sobre a vida pessoal, sentia-se invadida. E talvez por essa, a amizade com Rui tenha caminhado com as próprias pernas. Ele nunca fizera perguntas à ela, e ela nunca fazia perguntas à ninguém. Rui nunca demonstrou interesse pois justamente, ela não demonstrava. O que tornava a relação dos dois tão fria e superficial, que nunca acharam ou viram aquilo como uma amizade. Mas não perceberam o quanto sabiam um do outro, e tudo isso que sabiam chegou naturalmente.

[...]

Clara trancou a porta do quarto. Levantou as cobertas daquela cama que rangia, ela procurou se não havia nada de errado ou sujo ali. Até para pisar no chão, ela se via nas pontas dos pés. Alguém bateu na porta. Clara ficou quieta até ouvir:

- Sou eu.

Era Rui. Ela girou a chave novamente lhe dando passagem.

- Você esqueceu suas roupas.

Ele entrou no quarto carregando suas coisas.

- Obrigada.

Ela olhava para baixo, pisando sobre o próprio pé, estava com frio e ainda continuava com a camiseta comprida. Rui a percebeu estranha.

- O que foi?

Ele perguntou sem que ela esperasse.

- Nada.

Respondeu rapidamente.

- Deve ter alguma coisa.

Ele insistiu, sabia que ela não falava.

- Não tem nada.

Clara desviou o olhar, como sempre. Parecia ter medo de encarar Rui.

- Ta com frio?

Ele perguntou.

- Por que?

Ela estava na defensiva novamente. Como sempre. Clara sempre estava na defensiva e ele havia descoberto isso fazia um certo tempo. Ele apontou para ela.

- Você ta tremendo.

Ela olhou para as mãos e precisou concordar.

- Por que não dorme um pouco?

Rui continuou enquanto ela não falava nada.

- Vou tentar.

Respondeu baixo. Rui balançou a cabeça em concordância, mordeu o lábio inferior e se voltou para a porta sem saber mais o que poderia ser dito ali entre eles.

- Rui...

Ele ouviu a voz fina dela chamando. Voltou para o quarto ainda segurando a maçaneta da porta.

- Oi?

Clara abraçava os próprios braços. O cabelo castanho ainda estava molhado, mas os cachos mais definidos. Ela ainda pisava sobre o próprio pé vestido agora com as meias, já que nunca ficava sem.

- Eu to com medo de dormir aqui.

Falou baixo, olhando para os pés. Rui levantou as sobrancelhas.

- Você quer...quer que eu durma aqui?

Ele ouviu sua própria voz falhar. Por que parecia tão assustado ao dizer aquilo? Clara encolheu os ombros, nem ela sabia o que falava. Já se culpava por ter falado aquilo, não deveria, não deveria ter pedido ajuda, nem dito que estava realmente com medo.

- Eu não...não sei.

Ela respondeu sem encará-lo. Rui saiu do quarto sem dizer nada. A menina ficou estática olhando para a porta aberta, sem saber se deveria ir fechá-la ou esperar Rui voltar. Se é que ele voltaria. Com certeza teria afastado ele. Não deveria ter acontecido isso, eles já eram amigos e mesmo assim Clara conseguiu afastá-lo. Ela caminhou em direção a porta, mas ela parou de repente quando a viu abrindo mais e fechando logo depois para mostrar Rui com algumas coisas na mão. Os dois se olharam durante um tempo.

- Que é?

Rui perguntou incomodado.

- Nada.

Ela resmungou. As coisas pareciam estranhas entre os dois. A relação deles era básica, ela achava. Eles estavam sempre juntos na faculdade quando tinham aulas que combinavam. Ele sempre dava uma carona pra ela até em casa, apesar de seu caminho ser o oposto, mas ela pagava a carona sempre o ajudando nas matérias que ele tinha dificuldade. Mas aquela situação não era uma situação entre amigos, era uma situação que poderia acontecer com quaisquer pessoas, mas algo era diferente. E ela sabia que era diferente porque eram eles.

- Seu celular tava no meio das suas roupas, viu?

Clara concordou enquanto chacoalhava e dobrava a calça jeans, e depois a blusa de frio, ainda molhados.

- De que lado eu posso dormir?

Ele perguntou rondando a cama.

- Você decide.

 

 

Rui puxou o edredom do lado esquerdo e sentou na cama. Eu peguei meu celular com pouca bateria e tentei encontrar algum sinal para conseguir mandar mensagem para minha mãe e dizer que eu estava viva e bem, antes dela ligar pra polícia. Quando levantei o olhar percebi Rui se levantando, tirando as botas e desabotoando a calça jeans.

- Ta fazendo o que?

Rui respondeu como se fosse óbvio:

- Tirando a calça.

- Isso eu vi, mas...to querendo dizer, por que vai tirar?

Rui deu de ombros.

- Não vou conseguir dormir com uma calça jeans molhada, Clara.

Concordei conforme ele abaixava a calça. Parei de olhar, voltando ao celular que mostrava que sua bateria iria acabar logo mais. Sentei na cama do lado direito perto da cabeceira, e agora Rui tirava a camisa.

- Rui!

Bati a mão na cama não conseguindo continuar prestando atenção apenas no celular.

- Mas o que é, Clara?

Ele resmungou com a camiseta na mão mostrando o peitoral definido.

- Você vai ficar pelado?

Rui sorriu de lado daquele jeitinho que ele bem sabia que me irritava.

- Só se você quiser.

Fechei a cara e ele também sumiu com seu sorriso.

- Você me pediu para dormir aqui, eu durmo desse jeito.

Ele apontou para si mesmo falando dessa vez mais sério. Tirei um travesseiro de trás de mim e coloquei entre nós dois. Rui bufou e deitou com a barriga para cima mexendo no celular. Deitei da mesma forma me cobrindo com o edredom fedido da cama.

- Achou sinal?

Perguntei.

- Nada. – Ele resmungou deixando o celular de lado. – Você nem apagou a luz.

- Ah não quero levantar daqui. - Resmunguei o fazendo me olhar de saco cheio. - É sério.

Ele bufou, deixou o celular sobre a cama e levantou para apagar a luz. Tudo ficou completamente escuro. Eu não via mais nada e a escuridão me dava uma cerca claustrofobia.

- Ai!

Eu ouvi e a cama se mexeu.

- O que foi?

- Eu bati o pé na cama. Droga. Cadê essa cama? Me dá sua mão.

Rui pediu. Me ajoelhei na cama e estendi o braço no escuro na direção de onde havia ouvido sua voz, tentando encontrá-lo. Depois de alguns segundos, senti uma mão agarrar a minha e o puxei como se Rui fosse cair em um precipício sem minha ajuda. A cama balançou e senti ele cair em cima da minha perna.

- Não precisava me puxar com tanta força.

Ele reclamou.

- Você que caiu em cima dos meus joelhos, quase me esmagou.

Rui ainda segurava minha mão.

- Não to vendo nada ainda. Onde ta sua perna?

Ele começou a tocar em minhas coxas, subindo para minha cintura.

- Tira a mão, Rui!

Eu bati em suas mãos e ele começou a gargalhar.

- Mas meu pé ta doendo mesmo e eu não to enxergando.

Tateei a cama procurando por meu celular. Rui continuava apoiado em um cotovelo ao lado da minha perna, apoiado em cima de mim ainda.

- Rui, ta pesando.

Tentei empurrá-lo, ele levantou ainda deixando a mão apoiada ao meu lado. Encontrei o celular e iluminei a cama jogando a luz na cara de Rui, percebendo ele muito próximo de mim. Rui abriu seu sorriso de sempre dando a sua piscada com os dois olhos, tranquilamente. 

No dia em que nos conhecemos eu havia chegado atrasada na aula e sentei no primeiro lugar que vi, ele estava sozinho nessa bancada até eu chegar. Seus amigos haviam ido na festa da noite passada e não conseguiram acordar na manhã seguinte. Todos sabíamos da festa e os que estavam na aula do dia seguinte eram, provavelmente, os que não foram ou os que não entraram em coma alcoólico. E eu nunca ia nas festas. Eu sempre chegava atrasada. Joguei minha bolsa em cima do balcão e a revirei para encontrar o caderno. Consegui me acalmar ao tirar a tampa da caneta e tocá-la no papel. Olhei para o lado para ver garoto me olhando. Dei um sorrisinho sem graça e ele correspondeu com um sorriso e uma piscada, aquela piscada calma com seus dois olhos verdes.

Mas isso foi apenas quando nos conhecemos, não quando começamos a nos falar realmente.

Desde sempre então ele fazia isso para me cumprimentar. Eu sorri sinceramente. Rui levantou a mão e tocou meu queixo delicadamente.

- Você ainda sorri desse jeito.

Ele riu pelo nariz.

- Que jeito?

- Desse seu jeito simpático.

Ele continuou.

- Eu sempre sorri desse jeito.

- É que no começo, você era mais sorridente.

Ele comentou sincero.

- No começo... ?

- Da nossa amizade.



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