História O que acontece quando nossos olhos se alinham - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Lobos
Exibições 25
Palavras 1.794
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Aventura, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Violência

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Gente
Ainda estou sem computador então não
Estou conseguindo colocar imagens e tal.

Mas o capítulo tá muito bom
Espero que gostem
Dois beijos :*

Capítulo 12 - Redefinimos o que é amar loucamente


Chrystal Harris

— Solta ela, Augusto... — peço com calma e cuidado para que minhas palavras não soem arrogantes demais. 

O garoto emiti um som de indignação e larga Lucy empurrando-a para frente. 

— Lucy... — vou para perto da morena, abraçando-a. — o que houve? Você... — paro para analisá-la melhor. — não parece nada bem! 

Ela dá um sorriso amarelo e respira fundo antes de dizer qualquer coisa.

— Estou perdida... em todos os sentidos a que essa palavra pode ser atribuída... — a voz dela está rouca e falha. A maneira como gesticula, fala e respira com dificuldade, sei que foram dois dias complicados.

— V-vai ficar tudo bem... eu... quer dizer... eles vão te ajudar... 

— É? — Augusto inclina o pescoço para o lado do Isaac. 

— Nós podemos oferecer água, comida e um lugar aqui no nosso abrigo, por enquanto... — responde. 

Por enquanto? Entretanto, antes que pudesse indagá-lo, Isaac voltou a dizer.

— Ezio e Emília vocês poderiam cuidar disso? 

O encaro com uma cara feia.

— Eu posso! — digo. 

— Nós vamos cuidar bem dela, Chrystal... — a ruiva começa a dizer. — e pelo o que percebemos ela é uma criada... 

Todos assentiram com a cabeça, exceto eu e Lucy, que nos encaramos confusas. 

— Criada? — pergunto.

— Significa que ela não recebeu o gene do lobo... ela adquiriu a licantropia através do veneno. — Lucca explicou. — pelo menos nos dois primeiros meses é perigoso manter humanos sozinhos perto de criados... eles possuem... pouco autocontrole.

— Hm... — mordo a bochecha, pensativa. 

Eles provavelmente possuem razão. Além do mais, o Isaac não permitiria que fizessem algo a Lucy. Mesmo assim, não sei se devo confiar em todos eles. 

De repente, sinto uma mão tocar o meu ombro, me despertando de meus pensamentos. 

Olho de relance para trás e vejo Frank. 

Aquele mesmo embaralho de vozes tomam conta da minha mente, assim como a sensação de calafrio sobe pelo meu corpo.

Se preferir, eu posso ir com eles...

Balanço a cabeça afirmativamente.

Diga a eles...

— O Frank vai com vocês cuidar da Lucy! — proponho. 

— Está bem... — Emília responde com uma entonação como de quem não gostou. Ela dá de ombros. Parece que se sente ofendida por eu não confiar nela. 

Dou um abraço apertado em Lucy antes de deixá-la ir. Ezio, Emília e Frank saem acompanhando a morena para um daqueles cômodos isolados, deixando eu, Isaac, Lucca, Luigi e Augusto no meio do abrigo nos encarando em silêncio.

Viro o rosto e vejo uma fogueira alta. 

A princípio sinto um cheiro de pele de porco queimada. Então me dou conta. É pele humana.

— Vocês estão queimando os corpos? Todos? — pergunto, com o cenho franzido.

— Não... só os da matilha nativa... — Lucca responde. — os nossos nós enterramos. 

Balanço a cabeça concordando com a decisão. 

— Vocês já checaram o lugar? Encontraram mais algum de nós... vivo? — Isaac pergunta.

— Não soldamos todo o abrigo... talvez tenham crianças escondidas... — Luigi responde. 

— Verifiquem tudo então... amanhã vou organizar um grupo para ir procurar mais alguém pela floresta... — Isaac pediu. 

Lucca e Luigi começaram a caminhar sem pestanejar, enquanto Augusto nos encarou por mais alguns segundos até seguir os outros. 

— Acho que ele não gosta muito de mim... — segurei no braço de Isaac. 

Ele riu. 

— Augusto é difícil de lidar, mas é um ótimo garoto, protetor, bravio... talvez até demais...

— É... — soltei um riso.

— Vamos voltar para o chalé? 

— Certo. 

Unimos as mãos e começamos a caminhar até a casa. É estranho agir assim, normalmente. Como se fossemos um casal comum de namorados.

Isaac me guia para dentro do chalé, fechando a porta assim que entramos. 

Viro-me de frente para ele. 

— É a primeira vez que ficamos sozinhos desde que nos reencontramos... — diz. 

— E o que você pretende fazer? — pergunto, sentindo minhas orelhas queimarem de vergonha. 

Isaac vem até mim e me levanta ao colo. Surpresa, gargalho nervosa. Ele sobe as escadas me mantendo firme em seus braços. Chegamos ao mesmo quarto aonde estive.

Isaac me deixa descer. O encaro. 

— Eu... Eu-eu... — Ele atrapalhou-se um pouco e eu não consegui conter o sorriso diante disso, ele estava tão fofo. 

— Você... — Incentivei-o. 

— Eu queria beijar você, mas só com a sua permissão. — falou afobado, sorrindo, e quando disse aquela frase ele ficou tão vermelho quanto eu deveria estar nesse momento. 

Ri.

— V-você sabe que sempre terá permissão para isso... — novamente a vermelhidão. Eu não acredito que disse aquilo. 

— Eu posso? — questionou vindo na minha direção, estendendo os braços pra tocar meu pescoço. — é que é bom escutar isso.

Eu estava encurralada entre o corpo dele e um móvel do quarto, era estranho, eu não gostava de me sentir presa, mas naquele momento eu não quis sair, agora eu era prisioneira de meus próprios desejos. 

— Uhum — foi o único som que consegui emitir em resposta, eu estava confusa demais, sentindo muita coisa. Os dedos gélidos tocaram minha pele acendendo-me instantaneamente, era uma sensação nostálgica, como se fosse a primeira vez. 

— Senti tanto a sua falta, Chrystal. — Isaac confessou, aproximando o rosto do meu, a respiração quente estava irregular assim como a minha, os lábios trêmulos e muito perto dos meus, tão próximos que não puder conter minhas mãos ao corpo quando ele me beijou, sem que eu percebesse já amassava a camisa branca dele entre meus dedos, descontando tudo o que me atingia nelas.

Isaac passou a beijar o meu pescoço e eu senti minhas pernas trêmulas, como se não fosse aguentar essa sensação. 

Ele parece que percebe e me puxa ao colo. Entrelaço as pernas em sua cintura, mantendo um beijo intenso. 

Isaac me joga na cama e de repente sinto uma vibração estranha nas terminações nervosas perto da costela. Coloco a mão na região, receosa. 

— O que foi? — ele pergunta, com uma expressão preocupada. 

— Não é nada... 

— Tem certeza que podemos...? — disse se sentando na beirada da cama. 

Sorri.

— Você pode me beijar, de novo? — pedi num súbito momento de confiança. Isaac ergueu o rosto novamente, os olhos cintilaram e nos lábios se desenhou um sorriso. 

— Você não precisa pedir duas vezes. — Envolteu os dedos em meus cabelos e segurando-me pela cintura, ele beijou-me, só que dessa vez foi mais urgente, gosto de saudade e carinho, o melhor sabor. 

Aos poucos ele foi tombando o corpo sobre o meu, fazendo-me deitar na cama. Beijou cada um dos meus olhos, depois as bochechas e a curva do maxilar. 

— Você tem um cheiro tão bom. — disse corando em seguida. Pegou minha mão e beijou cada um dos meus dedos delicadamente.

— Isaac... — não vacilei, olhei bem nos olhos dele, queria que soubesse tudo o que eu sentia. — você sabe que eu te amo. 

E ele sorriu de novo, dessa vez eu retribui, pra puxa-lo pra mim novamente e beija-lo com todo o sentimento. O depois disso vocês já podem imaginar, não preciso nem contar, até porque algumas coisas guardamos pra gente. Como nesse caso, foi o momento meu e do Isaac, o momento em que tive certeza, o momento que amei junto a ele, o momento em que eu não corri dos meus sentimentos, o momento que ficará marcado na minha memória, o momento em que me senti a garota mais especial do mundo.

[...]

— Por que o pingente não afeta você? — pergunto, deitada de frente para Isaac, enquanto ele brinca com o pingente. 

Ele sorri.

— Esses pingentes foram feitos para os protegidos da matilha italiana... não tem porque nos afetar. 

— Hm...

Me aproximo do peito descoberto de Isaac, me aconchegando nele. Ele envolve os braços ao meu redor.

— Como vocês pretendem acabar com isso? — pergunto.

— Não vamos falar sobre isso agora... não preciso que você fique preocupada...

Suspiro. É impossível não se preocupar. 

— A noite já chegou... é uma boa hora para tentar dormir, Chrystal... — Isaac acaricia meu rosto.

— Antes eu queria saber mais uma coisa... — levanto o corpo me sentando ao lado de Isaac.

Ele apruma as costas, escorando na cabeceira e me encara esperando que eu diga algo. 

— A marca sobre a qual a Emília falava mais cedo... o que era? 

— Preferiria se o Frank falasse sobre isso com você... 

Franzo o cenho. Por que o Frank? 

Talvez pela marca no pescoço do loiro. Eu vi uma cicatriz de mordida no pescoço dele, enquanto eu estava lidando com a dor das costelas quebradas. Mas o que isso significa? 

— Vamos dormir? — pergunta, me chamando para perto dele com os braços. 

Concordo com a cabeça e me acomodo, esperando o sono chegar.

[...]

Está chovendo. A chuva bate na janela e constrói um som que incomoda meu sono. 

Viro de um lado para o outro. O Isaac parece não se importar, dorme mansamente.

Ergo o olhar para a janela e vejo a lua crescente no topo do céu, iluminando em conjunto com os relâmpagos o céu negro e limpo. 

Viro de barriga para cima encarando o teto de madeira. Não é como o teto manchado pela infiltração do meu quarto. 

Minha casa. Como o Greg, a polícia, minha família não chegou aqui atrás de mim ou da Lucy? 

Greg. Agora eu entendo melhor o motivo do meu tio-avô ter tido tantos problemas com ataques de lobos esse ano. Eles voltaram. 

Quantas pessoas desapareceram ou foram encontradas mortas nesse curto espaço de tempo? Contra quantos o Isaac vai ter que lidar? 

Será que a Lucy está bem? O que será que ela passou? 

Levanto o corpo bruscamente para desviar os pensamentos desse caminho de preocupação. Coloco a mão no pescoço, minha garganta esta seca. Seria bom beber um pouco de água. 

Respiro fundo, coloco a ponta dos dedos no chão frio. 

Paro na porta do quarto. O corredor está escuro. Piso com cuidado e vou em direção a escada. Passo em frente a um dos quartos e vejo o rosto de Frank refletido pela lua, tranquilo, repousando. 

Chego as escadas e desço-a, já procurando o caminho para a cozinha. 

Passo pela porta do cômodo. Entretanto, quando vou procurar algo para acender a luz, sinto um calafrio, uma brisa, como se alguém passasse com rapidez por trás de mim. Me viro com pressa. O que é isso?

Tateio a parede em busca de algum interruptor, mas nada. Sem energia elétrica por aqui. 

Vejo a janela a fundo no cômodo, a luz do luar e dos relâmpagos me ajudam a identificar a pia. Caminho em sua direção. 

Depois de dar alguns passos, sinto novamente uma sensação de que não estou sozinha.

Viro-me, assustada, quase cambaleando. 

Vou de costas até esbarrar na bancada de granito da pia. Vasculho o que consigo do cômodo com a pouca luz incidente. 

Não há nada aparente. 

Minha respiração começa a desregular. Estou com medo de algo que nem posso ver. 

Quando decido caminhar para sair da cozinha, algo golpeia minhas pernas me fazendo ir ao chão. 

— Isaac! Isaac! Frank! Alguém por favor! — começo a gritar. 

Escuto passos, lentos, como se estivessem sendo calculados. Quem está aqui? 
 


Notas Finais


Obrigado pela leitura, queridos.
Queria agradecer a minha amiga Bea por me ajudar nesse capítulo. Ela escreve intolerantes a borboletas e eu recomendo muito!
Beijos.


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