História O que acontece quando nossos olhos se alinham - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Lobos
Exibições 54
Palavras 1.992
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Aventura, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Violência

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Desculpe a demora...
Espero que gostem!
Boa leitura!

Capítulo 6 - Eu amo essa dor


Fanfic / Fanfiction O que acontece quando nossos olhos se alinham - Capítulo 6 - Eu amo essa dor

POV Chrystal Harris 

— Boa noite, Isaac! — Emma o cumprimenta com um abraço. 

— Boa noite, Sra. Harris. — ele a cumprimenta, meio sem jeito.

— Que bom que veio! Aposto que você vai adorar a salada que Peter...

Fico distraída enquanto Emma termina sua pose de boa sogra. Nossa Isaac, como você está bonito. Olha Chrystal, Isaac ajudou na decoração da casa. Ele pendurou a estrela na árvore de natal. Ele trouxe rabanadas. 

Meu namoro com Isaac é a única coisa que Emma sente orgulho em exibir.

Viro-me para a sala de jantar e vejo a mesa bem posta, nos esperando à meia-noite. 

Peter passa de um lado para o outro, enchendo cada vez mais a mesa com quitutes. 

Sinto algo segurar minha mão. Viro o rosto. É o Isaac, chamando minha atenção. Emma não está mais o atormentando. 

Sorrio timidamente e o guio para um lugar calmo. Paramos no escritório da Emma. 

— Sua mãe não vai se incomodar de ficarmos aqui? — pergunta.

— Não... — me sento na mesa de trabalho da Emma. — ela não vem muito aqui.

Ele se aproxima de mim e encosta seus lábios com ternura nos meus. 

— Seria traspassa te dar seu presente agora? — pergunta.

— Bem... não sou muito favorável a tradicionalidade. 

— Hm... — segura meu queixo e me encara, pensativo. — então eu vou esperar a meia-noite. 

— Idiota! — bato de leve em seu braço, mas logo já estou apoiando a cabeça em seu peito. 

Como é bom tê-lo, amá-lo e senti-lo. Não quero que isso acabe.

DIAS ATUAIS

Bato no teclado do notebook para não lançá-lo para longe. 

Nada de Luigi Forence. Nada. 

Penteio o cabelo molhado de suor para detrás da orelha. Estou há pelo menos duas horas nesse lugar. Tão vidrada na pesquisa que só percebo agora o quanto o quarto está abafado.

Levanto para abrir a janela. Uma brisa fria leva o calor do meu corpo. Do lado de fora a mesma chuva torrencial irriga a vizinhança. Vejo dois guarda-chuvas “andando” na frente da casa. Em seguida, eles entram no carro. Emma Harris e Peter Harris. 

Está sozinha, Srta. Harris, sussurro.

Harris.

Forence.

Volto ao computador e digito o sobrenome. 

Italianos. 

Assim como o Isaac, esse homem também possui descendência italiana. 

Passo algumas páginas, mas nada. Italianos. Isso me leva aonde? 

Talvez deva tentar o catálogo da cidade.

Desço as escadas e vou até o aparador que segura o telefone. Olho as revistas na gaveta do móvel, mas nada. Nada

Estou começando a ficar incomodada com a persistência dessa palavra. 

Vasculho a sala de estar e depois o escritório de Emma. Livros de direito, listas telefônicas, mas nenhum catálogo. Como Emma, do jeito todo prevenido que é, não tem um catálogo?

Relaxo o corpo em sua poltrona macia. 

Talvez Luigi Forence nem seja dessa cidade, mas, de qualquer forma, vou começar a procurar daqui.

Abro os pulmões o máximo que consigo e encho-os de ar. Ah Isaac, você não poderia ter me dado o número dessa cara e tornado as coisas muito mais fáceis? 

Enxugo a água dos olhos com a parte detrás da mão. Será que foi difícil para você, Isaac, me mandar esse simples bilhete? Quando será que você vai se comunicar comigo de novo? 

Talvez eu devesse ir atrás daquela mulher. Ela mesma pode ter colocado o bilhete no casaco. E se for uma brincadeira? Ela estava tão sorridente, será que não estava debochando da minha cara? 

Mas e se for verdade? E se ela for o meio que Isaac encontrou para falar comigo? Sendo assim, ela mesma deve saber onde ele está e como está. E então, eu deveria perguntá-la? 

Não sei se adiantaria. Não sei se Isaac quer que eu saiba mais. Mas por enquanto, ele quer que você encontre Luigi Forence, e você vai conseguir, repito mentalmente. 

Quando decido sair de casa para ir atrás de um catálogo, a companhia toca. 

Toca muitas vezes. Seguidas. Alguém precisa muito que eu atenda a porta. E se for o Isaac?

Se for, tudo o que sei não passam de suposições. E se Isaac for um homem e um animal? E se... E se for? 

A companhia continua. Corro para o hall. Posiciono o olho no olho mágico da porta e vejo uma figura em estado um tanto quanto peculiar. 

— Lucy? — abro a porta. 

Os cabelos molhados escondidos no capuz do casaco azul marinho. A blusa preta e a calça jeans sujas de terra. Sangue. Ela tem sangue nas mãos e no pescoço. 

Não me espera convidá-lá para entrar, me empurra e fecha a porta. Ela coloca o dedo indicador em frente aos lábios pedindo silêncio. Seus pais estão em casa? Sussurra. Balanço a cabeça em negativa e ela corre para fechar as janelas. Fecha as da cozinha. 

— O que está acontecendo? — grito, sem entender a situação.

— Eu não quero lhe fazer mal. Não irei. Estou me escondendo, Chrystal. — continua a fechar as janelas. A voz dela é baixa e preocupada. Está mesmo fugindo de algo.

Ajudo-a e fecho as janelas do escritório, da sala de estar e de TV. Subo para o segundo andar, fecho as janelas e tranco as portas. 

Volto para baixo e Lucy esta sentada em uma cadeira de frente para o balcão, na cozinha. 

Passo por ela, encho um copo de água e a entrego. Ela bebe em um gole e a sirvo outra vez. Ela bebe até a metade e agradece.

Me posiciono em sua frente e a observo. As mãos juntas segurando a testa, o cabelo respingando água no granito da bancada. A respiração ainda ofegante. 

— O que está acontecendo? — pergunto de novo.

— Eu fui em Mill Runners.

Franzo o cenho, surpresa. Mill Runners? O que Lucy faria lá? 

— Lobos? — pergunto.

Ela sorri de um jeito triste, então uma lágrima corre em sua bochecha. Ela reprimi. Engole seco. Termina, com dificuldade, de esvaziar o copo, e me encara.

Balanço a cabeça afirmativamente e ela sabe que estou pronta para ouvi-la, sem interrupções.

— Fui encontrar uma pessoa... alguém que eu estava saindo há uns dias. Você sabe, Chrystal, sou do tipo que não se apega. Enjoo rápido. Ele queria conversar, queria que voltássemos a sair... ele era mais gentil do que os outros com quem eu saía... mas eu sei, Mill Runners, com um cara que você deu um fora, perigoso, suspeito, mas absolutamente instigante. Sabe Chrystal — suspira de maneira pesada — estou cansada desse mundinho cor de rosa que eu pinto desde o colegial. Agora todas as festas que eu fui e dei, os caras que eu sai, não tem tanta importância. Não estou mais no colégio, estou esperando que algo grande aconteça comigo. Queria mais, queria adrenalina, paixão, como você tinha, com o Isaac.

Fico bastante surpresa quando escuto isso, mas decido não interromper o diálogo para intriga-lá sobre esse comentário, não estamos em condição para isso.

— Eu fui em Mill Runners... ele estava me esperando... nós realmente conversamos, Chrys... mas então eu continuei me fazendo de difícil... — ela gargalha de forma esganiçada. — ele me empurrou, eu bati a cabeça em um tronco ou não sei o que... ele se virou e simplesmente foi embora. Mas em questão de segundos depois um animal surgiu vindo da mesma direção em que ele sumiu. Era enorme Chrystal! Era como um lobo... era... 

— Eu já vi. — digo. 

Lucy levanta o rosto. Os olhos grandes, azuis e assustados fixados em mim.

— E-Ele te atacou? Ele... — ela pergunta, nervosa.

— Lucy, não foi um... 

Ela me interrompe e começa a balbuciar com bastante euforia, relatando o que aconteceu.

— Não sei como foi com você, mas ele me atacou Chrystal! Travou as garras afiadas na minha perna... nos meus braços...

Fica agitada, balança a cabeça, não consegue se manter parada. Chego perto dela e seguro seus braços. Como ela está aqui, andando, falando e até respirando depois de um ataque desses? 

— Ele mordeu minha costela... e doeu tanto... eu gritei... era para eu ter morrido, Chrystal, eu sei que era...

Levanto a sobrancelha, tão assustada e confusa quanto ela. 

Lucy se solta, tira o casaco e em seguida a blusa, ficando só de sutiã. Posso ver a marca da mordida, o sangue vermelho pulsante escorrendo. 

— Os demais machucados... cicatrizaram... cicatrizaram! Eles cicatrizaram em menos de quatro horas! Eram muito feios, Chrystal... muito feios... — balança a cabeça, desacreditada, e passa a mão pelos cabelos, de maneira brusca. 

— Calma, calma! — tento segurá-la, mas ela me joga para trás.

— O que é isso! — bate com força no granito fazendo com que parte dele se despedace. — Merda! O que é isso? — repete.

Recuo para trás, mas Lucy vem ao meu encontro.

— Me ajuda, Chrystal... — está chorando. — não consigo controlar isso... tudo... tudo é absolutamente audível, são muitos sons... meus ouvidos doem, Chrys... — ela se agacha no chão em meio as pedras da bancada. Coloca as mãos no ouvido. — estou escutando o seu coração, Chrystal... faz parar... 

Agora minha respiração está tão ofegante quanto a dela. Ferimentos que se cicatrizam rápido demais, força, audição ampliada. Isso não é coisa de humano. Não é.

— Do que você está fugindo? — me agacho ao seu lado. 

— Eles, eles... eles... — esconde o rosto entre as pernas.

— Eles quem? — levanto sua cabeça com a mão, fazendo-a me encarar. — Eles quem? 

— Os lobos! Querem que eu me junte a eles. Eles me recrutaram, Chrystal! Pertenço a eles e agora preciso me esconder deles. — diz em meio a soluços.

É claro que não estamos mais falando com racionalidade. Não com o que nós humanos entendemos como racional. 
 

Lucy está a minha frente, esperando que eu a posso salvar de lobos que a recrutaram para a sua alcateia. Porque agora ela é uma deles.

Porque agora ela é um lobo. 

Assim como Isaac também é. Com plena certeza.

Será que é ele quem está recrutando-a? 

— Por que eles precisam de você? Por que, Lucy? 

— Eles estão formando um exército, Chrystal! Tem algo acontecendo... em Mill Runners, na cidade... 

São informações absurdamente intragáveis para qualquer um. Mas não para mim. Não depois de tudo o que eu vi. 

— A polícia, esta vindo para cá! A polícia! — ela tapa os ouvidos. 

— Não estão Lucy, não estou escutando... — tento prestar atenção nos sons, mas nada. — O que a polícia teria haver com isso? 

Lucy desata a chorar novamente. 

— Essa coisa que está dentro... dentro de mim... — tenta dizer em meio às lágrimas. — me deixa insana, irada, eu não sei... não sei... o som, está ficando mais próximo!

— Se concentra, Lucy. Como eu vou te ajudar se eu não souber? 

Ela balança a cabeça afirmativamente. 

— Essa coisa... me deixa louca e com raiva... eu fui comprar bebidas em uma loja na beira asfalto perto da floresta, eu queria apagar, esquecer o que estava acontecendo, o que estava sentindo... o cara do caixa, ele... o cara no caixa da loja... ficou me fazendo perguntas... o que estava fazendo lá daquele jeito... se eu queria ajuda... ele me fez muitas perguntas e eu só queria que ele parasse... só que ele parasse... eu o empurrei... foi um empurrão inofensivo... eu não consegui controlar minha força... ele bateu a cabeça no vidro... e depois estava tudo em sangue... vermelho vivo... eu sai correndo de lá! 

— Lucy... 

— Deviam ter câmeras... câmeras... a polícia, ela está vindo atrás de mim. 

Começo a escutar o barulho do carro de polícia, bastante distante e misturado com o som das gotas de água caindo sem dó. 

— Eles sabem que eu viria para cá... sabem que você é minha amiga, ainda mais... o Greg! 

— Vamos sair daqui! — ajudo Lucy a colocar sua blusa de volta. Ela assente com a cabeça.

A guio para a porta de trás e saímos. A chuva não para e não tem previsão de parar tão cedo. Para aonde eu vou levar uma garota meio humana meio loba, que pode ter matado alguém, mas em suma é minha amiga e pode me levar mais perto do Isaac?

— Para aonde vamos? — ela pergunta, com a voz baixa e rouca do choro.

— Vou dar um jeito, Lucy... vou dar um jeito...


Notas Finais


Espero que tenham gostado!
Beijos e até o próximo!


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