História O que acontece quando nossos olhos se alinham - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Lobos
Exibições 62
Palavras 1.598
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Aventura, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Violência

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Hey!
Postei mais cedo do que o normal <3
Fiquei muito animada com esse capítulo!
Espero que gostem...

Capítulo 7 - Jamais quero viver sem ela


Fanfic / Fanfiction O que acontece quando nossos olhos se alinham - Capítulo 7 - Jamais quero viver sem ela

POV Chrystal Harris

— Eu esbarrei com força naquela árvore. — indiquei com o dedo.

Ele nem se virou. Fixou os olhos castanhos esverdeados no machucado em meu braço, preocupado. Não consegui conter o sorriso. É tão bom saber que tem alguém que preza pelo seu bem-estar. 

— Vamos para perto do lago, passar uma água nisso. — ele segurou minha mão e me puxou com cuidado para que eu levantasse. 

Antes de começarmos a andar, fiquei na ponta do pé para beijá-lo. Ele retribuiu.

— Esse beijo não tira minha preocupação... só me deixa com mais vontade de te ver sem nenhum arranhão. —  joga a água com calma no machucado. 

A ardência não é nada, não quando se pode observar alguém tão bonito quanto o Isaac cuidando de você com todo o carinho. 

É bom tê-lo, amá-lo e senti-lo. Não quero que isso acabe. 

DIAS ATUAIS

— Doeu? — pergunto. 

— Nem um pouco. — Lucy joga para longe o galho que ela mesma havia usado para fazer três marcas fundas no braço esquerdo. — Vamos logo, não sei quanto tempo essa brincadeira vai demorar para cicatrizar, mas vai ser rápido. 

— Não estamos longe... 

Continuei a guiar Lucy para a casa da senhora que me socorreu da última vez que tive problemas em Mill Runners.

Noite. Chuva. Duas garotas. Um ataque de lobos. Apenas uma machucada.

Só preciso que Lucy seja suficientemente convincente e que aquela mulher não resolva nos indagar sobre a situação.

Bato várias vezes na porta de madeira, como alguém que tem urgência para ser atendido. 

Enquanto isso, Lucy fica vigiando os arredores através da chuva que não para. 

A essa hora, meus pais já devem ter visto parte da bancada quebrada. Emma deve estar pirando. A situação deve ter sido engraçada. 

Ah, mas você tem problemas de verdade, Chrystal. A essa hora, a polícia já se deu conta do que Lucy fez e deve estar supondo que eu e ela estamos juntas. 

Escutamos algo se movimentar dentro da pequena casa. Faço um sinal com a cabeça para Lucy. Ela começa a gemer como se estivesse de fato ferida. 

— Hm? — a mulher abre a porta. 

Analisa o estado da Lucy. Me encara por um instante.

Vasculho a minha volta, impaciente. Ela precisa nos deixar entrar logo. 

A mulher coloca a mão no ombro de Lucy e a guia para dentro. Vou atrás e fecho a porta, sentindo um grande alívio. 

A Lucy deita no mesmo divã que eu deitei no outro dia. A mulher prepara algo na mesa. 

Você precisa fingir que sente dor, sussurro para Lucy. 

Ela assente. 

Fico observando pela única janela do cômodo a rua tranquila e escura. Preciso manter Lucy escondida aqui. Ninguém sabe que conheço o morador dessa casa. Não vão bater aqui para nos procurar. 

— Quando ela foi atacada? — a mulher me pergunta, enquanto Lucy finge desconforto. — é que isso está tão — continua — está tão... superficial. Nem parece que foi um lobo. 

Ela prepara o tecido embebido em alguma mistura. Todavia, conforme ela o passa pelo ferimento no braço de Lucy, ele se apaga. O pouco de sangue que saía do mesmo... seca. 

Cicatrizou. Droga. 

A mulher nos encara. Não existe mais sorriso em sua face, apenas as expressões cansadas que não disfarçam nem um pouco as rugas. 

Ela passa o olho com cautela pelo corpo da Lucy. Encontra a blusa furado pelos dentes do animal. Coloca os dedos sobre. 

De repente, tira do bolso um colar. Com um pingente transparente, muito parecido com o meu. Olho para Lucy e ela está paralisada. 

— Quem te mordeu? — a mulher pergunta. 

Ela sabe. Claro que sabe. 

— O que isso está fazendo comigo? — Lucy aponta para o pingente, ainda paralisada.

— Merda! — a mulher exclama. — pegaram mais um.

— O quê? — pergunto. 

A mulher franzi o cenho e depois se vira para mim. Ela balança a cabeça em negativa, suspira. 

— Eles vão atrás de você, garota. Quando a mordida sumir... — aponta para a blusa furada. — você pertencerá a matilha deles. 

— Não... — Lucy começa a se mover com euforia. 

— Lucy, calma! — seguro seu ombro.

— Eu posso te ajudar... te levar para outra matilha... uma segura... não vão te obrigar a nada lá... vão te oferecer ajuda...

— Eu não vou para lugar nenhum! Saia da minha frente! — ela se prepara para empurrar a mulher, mas é impedida. Impedida pelo pingente segurado agora na linha de seus olhos pela mão direita da mulher. 

— O que isso está fazendo comigo? — continua a apontar para o pingente, com a voz alterada. 

— Lucy, acalme-se, talvez ela esteja falando sério... — digo.

— Ah pare! — ela me empurra com uma força inexplicável. 

Caio no chão ao lado de uma mesa com um pequeno abajur de luz fraca. 

Os olhos de Lucy ficam amarelos por um instante e ela vem ao meu encontro. 

Eu não posso ter medo dela, preciso deixá-la se aproximar. Não posso deixar que uma simples raiva momentânea a desestabilize, a faça se sentir um monstro, repudiada pela melhor amiga. 

— Lucy... acalme-se — murmuro, mas ela continua a se aproximar de forma nada amigável. 

Meu coração bate acelerado. Tento controlar a respiração, mas é inútil. 

— Mostre o colar garota! Mostre o colar — a mulher está gritando para mim. A encaro, confusa. 

Então me dou conta. Mostre o colar que Isaac te deu e ela para. O pingente escondido pela gola da blusa preta é colocado para fora. 

Lucy para. 

— Quando a mordida cicatrizar você não vai conseguir conter a transformação. — a mulher fala se dirigindo à Lucy. — precisa correr para a floresta. 

— Não, Lucy... não... — me levanto, ainda zonza. 

Não posso deixar Lucy sozinha em Mill Runners. Todavia, ela não pensa o mesmo. Lucy não diz mais nada. Abre a porta da casa e sai. Se esconde no escuro, some entre as árvores. 

Tento ir atrás dela, mas a mulher me impede. 

— Não posso deixá-la sozinha. — grito, enquanto a mulher me segura.

— Se acalme! Não quer estar por perto quando ela se transformar. 

— Eu decido isso... eu! — me solto e corro para porta. 

— O Isaac me mata se alguma coisa acontecer com você! 

Paro. Eu sabia. 

Essa mulher sabe onde ele está. Ela sabe o que está acontecendo. Você está chegando perto dele, Chrystal. 

Me viro em sua direção. 

— Precisa me dizer onde ele está... por favor... se ele está bem... eu preciso muito falar com ele... por favor...

A mulher expira de maneira pesada. Abaixa a cabeça. Se senta na beirada do divã. Esfrega a mão no rosto. Ela está decidindo o que faz. 

— Aquele dia... que você me ajudou... eu dei de cara com quatro lobos... aquele tipo de lobo... eles não me atacaram. Alguém me apagou com... não sei... o fato  é que, eu não acordei aqui, por acaso, não foi?... alguém me trouxe aqui... foi o Isaac? 

Ela não demonstra nenhuma expressão. Não se mexe. Não está decidida se deve me dizer algo. Mas eu preciso que ela o faça. 

— Ele disse para você me entregar um bilhete?... no bilhete Isaac me pediu para procurar Luigi... Luigi Forence. Mas eu não encontrei nada. Não deu tempo.

Ela nem me encara mais. Não quer que seu rosto possa de alguma forma me responder.

— Por favor... — insisto. 

Silêncio, é apenas o que ganho. Ela não vai me dizer nada. 

Meu nariz começa a ficar irritado, os olhos molhados. Esse é o mais perto que eu cheguei de encontrar Isaac e mesmo assim ainda não tenho nada concreto. 

— Se você vê-lo mais uma vez... por favor... diga que eu sinto muito sua... — um nó se forma em minha garganta — muito... sua falta.

Um trovão alto nos assusta. A chuva continua. Quero muito saber o que está acontecendo em Mill Runners, com Isaac, qual o envolvimento dessa mulher nesse mistério. Mas ela não vai me dizer. E eu não tenho mais cabeça para insistir. 

Vou embora daqui. 

Passo pela mulher. Sem aviso, coloco a mão na maçaneta.

— A chuva ainda é forte... — ela se manifesta — tenho um guarda-chuva na varanda atrás da casa... pelo menos leve-o... vou pegá-lo. — ela sai por uma porta em um corredor estreito, que aparentemente dá acesso aos fundos da casa, não me dando tempo de recusar. 

Também, nem deveria. A chuva está cada vez mais agressiva.

Sinto uma angústia ao lembrar em Lucy por ai nessas condições esperando que uma loba esconda sua forma humana. 

De repente escuto um estardalhaço do lado de fora e em seguida um grito de desespero. 

— Senhora? — a chamo. Nada.

Corro pelo estreito corredor e observo de relance a porta. Algumas ferramentas estavam jogadas no chão, ao lado do guarda-chuva prometido. Mordo o lábio ao ver alguns respingos de sangue. Acompanho o caminho deixado pelo vermelho vivo e encontro um homem de cabelos cacheados carregando a mulher em direção a floresta. Sinto que já vi aquelas mechas cacheadas em algum lugar. 

Acompanhando o homem, uma dúzia de lobos o cercam. Aqueles lobos. 

Será que algum deles é o Isaac? 

Não Chrystal. Você não pode acompanhá-los. Não vai. Uma hora alguém irá procurar essa mulher. Virá aqui. E se eu tiver sorte essa pessoa pode me levar até Isaac. 

Fecho a porta com cuidado para não fazer barulho.

Ando pela casa. Tranco tudo o que vejo como entrada. Não vou sair daqui. Não agora e talvez nem amanhã. 

Pego uma faca na pia. Sento no divã com o objeto perto do rosto. 

Percebo agora o quanto minha respiração está descontrolada. 

Encaro a janela, a porta do cômodo. 

Estou me sentindo derrotada. Eu perdi a Lucy de vista e ao mesmo tempo a única forma de chegar a Isaac parece ter escorrido pelas minha mãos. 

Alguém precisa aparecer, alguém precisa aparecer aqui. Repito. 


Notas Finais


E então?
Obrigado pela leitura!
Beijos e até o próximo.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...