História O que me restou - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Another, Tasogare Otome x Amnesia
Personagens Personagens Originais
Exibições 5
Palavras 2.139
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Terror e Horror, Universo Alternativo, Yuri
Avisos: Suicídio, Tortura
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Vamos começar a história!!!
Se houver alguns erros, peço desculpas pois estou editando pelo celular. A partir daqui os capítulos serão maiores.
Boa leitura! :)

Capítulo 3 - Primeiro dia de aula


Fanfic / Fanfiction O que me restou - Capítulo 3 - Primeiro dia de aula

Acordei e não vi meu pai do meu lado, me sentei na cama e vi o sol refletindo dentro do quarto, observei os pontinhos de poeira voando e o chão de madeira sujo, meus sentimentos continuavam os mesmos, de tristeza e falta de algo dentro de mim. Desci em busca do meu pai, e ele estava limpando os móveis da sala.

- Não imaginei que iria chegar aqui e me deparar com essa sujeira toda – disse – Bom dia querida, dormiu bem?

- Bom dia pai, aparentemente sim – disse dando de ombros – Quer ajuda?

- Ah não, temos que ir tomar um café, pois hoje é seu primeiro dia de aula – disse largando a vassoura em um canto.

Aquela poeira levantava com os passos apressados do meu pai e tocava o meu rosto “primeiro dia de aula”, eu não estava preparada para me envolver com pessoas novamente, logo veio à imagem da minha mãe na minha mente, não fui ao velório, talvez porque eu estava no hospital, e não havia nenhuma mensagem no celular de algum amigo “o que está acontecendo comigo?”, lágrimas caíram novamente. Meu pai logo veio e me viu chorando.

- O que foi Lily – me abraçou.

- Eu nem fui ao enterro da mamãe... Estou sentindo tanto a falta dela – eu soluçava.

- Querida, sua mãe não foi enterrada – me soltou devagar – Ela foi cremada e eu guardei as cinzas dela, para que eu e você pudéssemos jogar em algum lugar.

Meu coração estava acelerando novamente, eu não queria voltar ao hospital, às cinzas de minha mãe estavam em algum lugar da casa, ela ainda estava com nós, e isso me deixou um pouco melhor. Entramos na camionete e fomos em direção à escola, para uma cidade pequena era bem movimentada, os habitantes sempre sorriam e cumprimentavam a todos “as pessoas de lá são bondosas”, e me lembrei da história de terror da minha avó. Chegamos rapidamente na escola. O lugar era enorme, eram três prédios altos de madeira e parecia ter cinco andares cada um, mas eram velhos, apenas na parte da entrada era mais “novo”, o jardim era imenso e com árvores, e para uma cidade pequena, tinham vários alunos.

- Eu vou ter que ir à diretoria para terminar o processo de matrícula, pelo que sei a diretora já vai te passar as instruções e te levar até a sala – disse meu pai estacionando na frente da escola – Agora vamos.

Eu ainda usava aquelas roupas que a minha avó me deu, o uniforme da escola era bonito, as meninas usavam um blazer preto e uma blusinha branca por baixo com um símbolo enorme da escola, e uma saia até os joelhos, parecia com escolas do Japão, interessante para um lugar quente como Woodsboro. Os meninos usavam um blazer preto e uma gravata amarela, também com uma camisa branca, uns usavam calça e outros bermuda, era bonito ver todas aquelas pessoas se vestindo igual, e eu a caipira. Entramos na escola, os corredores eram imensos, e nas paredes havia vários quadros de pintura clássica, retratando paisagens da cidade, e rostos de algumas pessoas. Na sala da diretora tinha duas estantes recheadas de livros, era um lugar agradável, com um toque clássico, os costumes da escola desde 40 anos atrás não mudaram nada, eu presumo.

- Seja bem vinda Lillith, espero que goste da nossa escola – disse com um sorriso enorme, revelando seus dentes perfeitos – Eu sou a Brenda Thompson a diretora da escola, e estarei aqui para tudo o que precisar.

- Eu agradeço senhorita Thompson – respondi com a voz trêmula.

- Ah e você como vai senhor Matteo Antonella? – o seu italiano era perfeito, nunca alguém havia pronunciado tão corretamente o nome de meu pai.

- Eu estou ótimo, senhorita Brenda –respondeu com um sorriso tímido – O que falta eu assinar?

- Bem, acredito que apenas a declaração do uniforme de Lillith e o contrato – respondeu colocando seus óculos vermelhos meia lua pendurados em seu pescoço, apanhando alguns papéis postos sobre a mesa – Aqui está o seu novo uniforme querida, vá coloca-lo para ver como ficou.

Fui até uma porta que havia em sua sala, um banheiro particular, um cheiro agradável de lavandas quando entrei me senti como se estivesse em casa, e por um momento eu sorri acendendo uma chama de alegria dentro de mim. Havia um espelho grande, emoldurado com madeira pintada de dourado, aquele lugar era agradável até no banheiro. Vesti o uniforme novo, o mesmo de todas as meninas da escola, ficou perfeito no meu corpo, mas a minha cara vermelha e meus cabelos bagunçados não combinavam com aquele estilo clássico, e então voltei para a sala.

- Gostou? – perguntou a diretora sorrindo.

- Sim, ele ficou perfeito, obrigada – respondi.

- Agora venha, vou te levar para a sua sala de aula – disse levantando da cadeira – Se o senhor quiser ir, já está tudo formalizado –virou-se para meu pai sorrindo.

- Então está certo – disse meu pai levantando e vindo até mim – Nos vemos mais tarde querida – deu um beijo suave na minha testa.

Separamo-nos no corredor, meu coração começou a acelerar quando ouvi as vozes dos alunos em sala ecoando nos corredores, a senhorita Breda andava apressada, e o som de seu sapato quebrava as vozes dos alunos. Chegamos à sala 1-A, abriu a porta com delicadeza e os alunos voltaram seus olhares para a diretora.

- Bom dia senhor Tomas, como vai? - perguntou com seu sorriso perfeito.

- Estou muito bem senhorita Thompson – respondeu o professor com uma voz doce.

- Esta é Lillith, a aluna nova – disse segurando o meu ombro.

- Seja bem vinda Lillith, por favor entre e se apresente para a turma – disse o professor estendendo a mão em direção ao quadro.

Minhas pernas começaram a tremer e eu pensei que ia cair se desse algum passo, a sala estava cheia, apenas uma carteira vaga, que estava reservada para mim. Devagar eu cheguei à frente de todo mundo, vários olhares curiosos em cima de mim, meu coração parecia que iria sair de meu peito, respirei fundo e então consegui.

- Bom dia, eu sou Lillith Antonella, me mudei há pouco tempo para Woodsboro – disse tentando o mínimo contato de olhares com os demais alunos.

- De onde você veio? – alguém no fim da sala preguntou.

Senti um arrepio contornando todo o meu corpo, meu coração novamente começou a palpitar e eu coloquei a mão sobre ele tentando me segurar, meus olhos se encheram de lágrimas e na minha cabeça aparecia uma série de imagens da minha antiga cidade destruída e de minha casa no chão, das lavandas, do vento e do meu pai gritando o nome de minha mãe, e então o professor Tomas tocou meu ombro.

- Você está bem Lillith?

- Eu... Eu vim de Wichita Falls – uma lágrima caiu – O tornado destruiu minha casa e então me mudei com meu pai para Woodsboro – respirei fundo e ergui meu olhar para a sala e todos me olhavam com pena – Não precisam me olhar assim.

- Tudo bem Lillith, pode se sentar obrigado – disse o professor Tomas – Bem, vamos continuar a aula.

Devagar eu me desloquei até a última carteira e me sentei, meu coração estava acelerado e eu abaixei a minha cabeça na mesa, segurando o choro, ninguém mais olhava pra mim, o que foi um alívio. Quando melhorei, levantei meu olhar e percebi que eu sentava ao lado de uma janela, olhei para fora e vi que poderia me perder facilmente com aquela paisagem do jardim, acredito que era o único ponto da cidade com tantas árvores e arbustos e flores, haviam alguns alunos sentados, era tão agradável para meus olhos aquela paisagem, mas uma voz rouca me tirou desse momento.

- Sobrenome italiano e bonito, muito prazer Lilly – disse a menina que sentava na minha frente.

- E você quem é? – perguntei sussurrando.

- Eu sou a Juliet, mas pode me chamar de July – disse com um sorriso contagiante.

A menina na minha frente voltou seu olhar para o professor, tinha cabelos pretos, era pálida, o que me admirava, usava óculos de cor roxa, tinha um laço lilás delicado prendendo duas mechas do cabelo, July era linda.

Demorou pra acabar aquele dia, não saio da sala em nenhum momento, eu não queria já no primeiro dia de aula me interagir com essas pessoas estranhas, e então o último sinal toca.

- Ei, quer conhecer a escola? – me virei e vi July sorrindo.

- Mas agora que acabou a aula?

- Agora é melhor, não tem tanta gente no corredor, odeio ficar perto das pessoas – disse colocando a mochila sobre a mesa.

- Vamos sim, vai ser um prazer.

July andava devagar e delicadamente, seus cabelos compridos eram levemente tocados pelo vento, ela estava na minha frente e mostrando os corredores e as salas, eram muitas salas e corredores, paramos em frente a uma escada e então July virou-se para mim.

- Lá em cima é o meu lugar preferido, mas não se assuste, é a parte abandonada da escola.

- Abandonada? – perguntei olhando para cima.

- A escola foi reformada algumas vezes, inclusive o prédio do lado onde fica a sala dos professores e a biblioteca, é praticamente todo abandonado – respondeu.

- Mas por quê?

- Bem, você já ouviu falar na maldição que aconteceu há 40 anos?

- Uhum, minha avó me contou – respondi.

- Nos andares superiores foi onde as crianças infectadas estudavam, elas ficavam isoladas das saudáveis, e então até hoje acreditam que pode se contaminar.

- E você não tem medo? – perguntei a July.

- Não – disse virando-se para a escada – Quer conhecer?

Assenti e subimos para o andar superior, o chão era de madeira, e as paredes estavam gastas, os papéis de parede estavam rasgados e podia ver algumas pichações, mas desapareciam quando adentrávamos mais o corredor.

- Nesse corredor ficam os laboratórios abandonados, você tem que ver, várias coisas que poderiam estar sendo usadas, mas está aqui abandonado – disse July apontando para as janelas quebradas das salas.

Permaneci em silêncio e no fim do corredor encontramos outra escada.

- Bem, essa leva para o outro andar e aí o terraço, mas já está ficando escuro então, é melhor irmos – quando ela terminou de falar, eu ouvi uma risada que vinha de cima.

- Você... Ouviu isso? – perguntei assustada olhando para o topo escuro da escada.

- O que Lily? – perguntou virando-se pra mim.

- Uma risada... Enfim, vamos embora, minha cabeça tá criando coisas – disse começando a andar em direção a outra escada.

- Sabe Lily, aqui nessa escola tem várias histórias, lendas, contos sobre fantasmas, pessoas que morreram e que ainda o corpo permanece em algum lugar da escola, enfim, são várias – disse July.

- E você acredita nessas coisas? – perguntei com um sorriso discreto.

- Não – disse confusa – Na verdade eu não sei Lily.

Permanecemos em silêncio todo o caminho até a saída, um ar gelado entrou na escola quando abrimos a porta, me encolhi no blazer novo e July estava com os olhos fechados e parecia gostar de sentir o vento tocar o seu rosto.

- Vamos Almoçar juntas amanhã? – perguntou com um sorriso.

- Vamos sim – sorri.

- Lily?! – chamou uma voz – Nossa, eu te procurei por toda a parte, onde estava? – era meu pai.

- Me desculpe, eu fui conhecer a escola com a July... – olhei para o lado e ela não estava mais do meu lado.

- Hum. July? Sua nova amiga?

- Bem, acho que sim – respondi.

- Isso é bom! Agora vamos para casa.

Chegamos em casa, pude ver que meu pai começou a fazer um jardim na frente de casa, talvez para quebrar o amarelo da paisagem. Entramos e eu comi alguma coisa e já logo fui para meu novo quarto, e todas as minhas coisas estavam lá, meu pai deve ter passado o dia todo arrumando a casa. Lentamente eu fui até o banheiro para tomar um banho, para o primeiro dia de aula até que não foi tão ruim, mas não queria pensar muito na escola, apenas a risada que eu ouvi na escola se repetia sem parar na minha cabeça. Será um fantasma? Eu só precisava descansar um pouco e não pensar em besteiras.

Depois do banho fui deitar, e novamente entrei naquele transe de memórias ruins, porque essas coisas me atormentavam? Busquei meu celular no criado mudo e vi que tinha uma mensagem “Lily, como você está? Nossa nem deu tempo de te ligar, eu fui embora de Wichita Falls e nem consegui te ligar, me perdoe. Beijos, Robert.” Até que enfim um amigo entrou em contato comigo, mas nem assim para me deixar feliz, devolvi o celular para o criado mudo novamente e fixei meu olhar na lua através da janela “papai, você se esqueceu das cortinas”, sorri.
   



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